sábado, 31 de janeiro de 2026

O Mar Entre Dois Mundos


O Mar Entre Dois Mundos

Assim se cumpria o destino de milhões de italianos que, entre a miséria e a esperança, escolheram o mar.


Vida a Bordo

Até o final do século XIX, a travessia dos emigrantes rumo ao Novo Mundo era feita inicialmente em navios à vela, velhas e lentas embarcações que já haviam conhecido melhores dias, agora transformadas em arcas humanas onde a esperança dividia espaço com o medo. A viagem podia durar trinta, quarenta dias, às vezes mais, dependendo da vontade dos ventos e das correntes do Atlântico. Lá embaixo, no ventre escuro do navio, o ar era rarefeito e fétido. As acomodações — se assim se podia chamá-las — eram simples tábuas de madeira sobre as quais famílias inteiras se amontoavam, respirando o mesmo ar viciado, dormindo ao som das ondas e dos gemidos dos doentes.

De manhã, qualquer que fosse o tempo, todos eram obrigados a subir ao convés. Era preciso arejar o porão, afastar o cheiro da morte e dar àqueles homens e mulheres um pouco de luz. As doenças se espalhavam como fogo em palha seca — febres, diarreias, tosses que pareciam não ter fim. Para muitos, o mar se transformava num cemitério líquido, e os corpos eram entregues às águas com preces murmuradas e olhos marejados.

Entre os poucos pertences, a bagagem do emigrante era o retrato da sua vida. Antes dos baús e malas de madeira ou ferro, havia o fagotto, um simples embrulho de tecido onde se guardavam os tesouros de uma existência: uma muda de roupa, um rosário, um punhado de terra natal, uma fotografia amarelada, talvez uma carta de recomendação que se esperava apresentar a algum parente distante nas Américas. Dentro daquele embrulho estava todo o passado — e o fio tênue que os ligava ao futuro.

Com o tempo, as grandes companhias marítimas começaram a construir os modernos, navios a vapor que prometiam travessias mais rápidas e, para os padrões da época, menos cruéis. Nos 25 anos finais do século XIX, no início da grande emigração, os navios disponíveis eram antigos cargueiros rapidamente adaptados para o transporte de passageiros a fim de aproveitar o boom que milhões de emigrantes proporcionavam a carente economia do país. Já nos anos 1920, os emigrantes começaram a viajar ao lado dos primeiros turistas, dividindo o mesmo oceano, mas não o mesmo destino.

Chegada ao Novo Mundo

Quando enfim viam terra, muitos choravam. Não era apenas emoção; era o alívio de quem sobrevivera à provação. Mas a América que os aguardava não era a dos folhetos distribuídos pelas agências de emigração, com suas promessas de fortuna fácil e terra fértil. Era uma terra dura, indiferente, onde o sol queimava tanto quanto a saudade.

Os recém-chegados eram conduzidos a galpões ou hospedarias improvisadas. No Brasil, havia os grandes prédios da Hospedaria dos Imigrantes, que pareciam mais prisões do que abrigos. Na Argentina, os imigrantes eram alojados em edifícios semelhantes, onde esperavam dias ou semanas até serem enviados ao interior. Antes disso, passavam por uma verdadeira via-crúcis de inspeções médicas e burocráticas. Os doentes eram barrados, as famílias separadas, os humilhados obrigados a regressar no mesmo navio que os trouxera.

Os que conseguiam ficar contavam com a força invisível da cadeia migratória — a rede de parentes e conterrâneos que já haviam chegado antes e tentavam abrir caminho para os novos. Era ela que garantia abrigo, trabalho e um pedaço de pão nos primeiros dias, quando o sonho ainda não se transformara em desilusão.

“La Mèrica”

Nos Estados Unidos, a travessia terminava quase sempre diante da imponente figura da Estátua da Liberdade. Aquela mulher de cobre, com a tocha erguida sobre o porto de Nova York, parecia representar tudo o que o emigrante buscava: liberdade, justiça, uma nova vida. Muitos acreditavam que bastava vê-la para que a sorte mudasse.

Mas o primeiro contato com a América se dava não em Manhattan, e sim na pequena ilha ao lado: Ellis Island. Ali, em galpões imensos, multidões aguardavam a inspeção médica e o interrogatório dos oficiais. Bastava um tremor nas mãos, um olhar desconfiado, uma cicatriz antiga, e o sonho era interrompido. Crianças órfãs, mulheres sozinhas, idosos e enfermos eram sumariamente recusados.

Em 1917, o Literacy Act impôs um novo obstáculo: exigia que o imigrante soubesse ler e escrever em sua língua. Milhares de italianos, especialmente do sul, foram barrados pela simples razão de nunca terem tido escola. Nos anos seguintes, novas leis — as cotas de 1921 e 1924 — fecharam ainda mais as portas, limitando o número de entradas anuais.

A América deixava de ser a terra das oportunidades para se tornar a terra da seleção. Ainda assim, os navios continuaram a chegar, carregando a esperança de quem preferia arriscar o desconhecido a permanecer na miséria.

Com o tempo, a Estátua da Liberdade deixou de ser apenas um monumento: tornou-se o símbolo da promessa americana. Muitos dos que a avistaram pela primeira vez do convés juraram que ela sorria para eles. Logo descobriram, porém, que as ruas não eram pavimentadas de ouro, como diziam os boatos das aldeias. Ao contrário: foram eles, com as próprias mãos, que construíram aquelas ruas, ergueram os edifícios, abriram os trilhos das ferrovias.

A estátua permanecia ali, imóvel, iluminando o porto, enquanto os imigrantes seguiam para os cortiços de Nova York, as minas da Pensilvânia ou os campos de café do Brasil. Era o farol dos sonhos, mesmo para quem, na realidade, jamais a tocaria.

Nota do Autor

O texto a seguir não pretende romantizar a travessia nem suavizar o sofrimento vivido pelos emigrantes do final do século XIX e início do século XX. Ao contrário, busca lançar luz sobre uma experiência humana marcada pela precariedade, pela dor silenciosa e pela coragem extrema. A viagem oceânica, muitas vezes descrita em números e estatísticas, foi antes de tudo uma vivência sensorial e emocional: o cheiro do porão, o balanço incessante do mar, o medo da doença, a despedida sem garantias de retorno.

A bagagem reduzida, os corpos amontoados, as inspeções humilhantes e a chegada a uma terra que raramente correspondia às promessas feitas fazem parte de uma memória coletiva que atravessa gerações. Este relato se apoia em fontes históricas, testemunhos e estudos sobre a imigração, mas é narrado com liberdade literária, buscando dar voz àquilo que muitas vezes ficou registrado apenas nas entrelinhas da história oficial.

Se, durante a leitura, o leitor sentir um aperto no peito ou reconhecer fragmentos da trajetória de seus próprios antepassados, então este texto terá cumprido seu propósito. Ele é, acima de tudo, um exercício de memória e respeito — uma homenagem aos milhões de homens, mulheres e crianças que atravessaram oceanos carregando pouco mais que um embrulho de pano, uma fé teimosa no futuro e a esperança de que o sacrifício não fosse em vão. Convido dividir a sua experiência escrevendo nos comentários do blog.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta





sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

As Consequências da Unificação Italiana para os Vênetos a História, Identidade e o Êxodo para o Brasil


As Consequências da Unificação Italiana para os Vênetos: História, Identidade e o Êxodo para o Brasil


A Unificação Italiana é frequentemente apresentada como um triunfo nacional, mas a realidade vivida pelos vênetos após 1866 foi bem diferente. A anexação do Vêneto ao recém-formado Reino da Itália trouxe impactos profundos na economia, na cultura e no cotidiano da população. Esses acontecimentos foram decisivos para o início do grande êxodo que levou milhares de vênetos ao Brasil, à Argentina e a outros países das Américas.

Este artigo explica, de forma clara e histórica, como a Unificação Italiana alterou o destino do Vêneto e por que essa mudança resultou em uma migração sem precedentes.

O Fim de Uma Autonomia Histórica

Durante quase mil anos, a Sereníssima República de Veneza foi independente, com instituições próprias e forte identidade cultural. Mesmo após sua queda em 1797, o sentimento de pertencimento permanecia vivo entre os vênetos.

Com o plebiscito de 1866, também conhecido como Plebiscito Truffa — processo bastante controverso e amplamente questionado por historiadores — o Vêneto foi anexado ao Reino da Itália. A administração piemontesa, depois de um plebiscito de resultado duvidoso pois eivado de falhas graves, tomou o controle, substituindo estruturas tradicionais por um sistema centralizado, distante e muitas vezes incompreensível para a população rural.

Os vênetos perderam:

  • suas instituições locais,

  • parte de sua autonomia,

  • modelos de governança que existiam havia séculos,

  • a sensação de continuidade histórica.

A mudança foi percebida como abrupta e, em muitos casos, injusta.

A Crise Econômica Que Se Agravou Após 1866

A economia veneta já enfrentava dificuldades antes da unificação, mas a incorporação ao novo reino intensificou os problemas. O modelo administrativo e fiscal imposto pelo governo italiano era pesado e pouco adequado às realidades rurais da região.

Os agravantes pós-unificação incluíam:

  • Aumento de impostos sobre consumo e propriedade;

  • Serviço militar obrigatório, que retirava jovens trabalhadores do campo;

  • Concorrência desigual com regiões industrializadas;

  • Pouca modernização agrícola;

  • Endividamento crescente das famílias rurais.

Sem apoio do governo central, muitas comunidades viram a pobreza aumentar de forma irreversível.

A Imposição da Língua Italiana e o Apagamento Cultural

Outro impacto direto da unificação foi a questão linguística. O vêneto, língua histórica da região, foi substituído gradualmente pelo italiano padrão, baseado no dialeto toscano.

A partir de 1866, escolas e órgãos públicos proibiam o uso do vêneto, tratando-o como linguagem inferior ou atrasada. Crianças eram incentivadas — ou forçadas — a abandonar a língua materna. O objetivo explícito era “italianizar” a população.

Para muitos vênetos, isso representou não apenas perda de idioma, mas também de identidade, memória e pertencimento.

O Vêneto e a Desigualdade Dentro do Reino da Itália

Apesar das promessas do Risorgimento, os benefícios da unificação não chegaram igualmente a todas as regiões. O Vêneto recebeu:

  • poucas obras de infraestrutura,

  • pouca industrialização,

  • escasso investimento estatal,

  • atenção política limitada.

O sentimento de abandono cresceu. Para muitos vênetos, era claro que contribuíam com impostos elevados, mas recebiam muito pouco em troca.

O Êxodo em Massa: Quando Emigrar Era a Única Saída

Entre 1875 e 1914, o Vêneto se tornou uma das regiões que mais enviaram emigrantes ao exterior. A pobreza no campo, a falta de perspectivas e os altos impostos empurraram milhares de famílias para longe de sua terra natal.

O Brasil se destacou como destino porque oferecia:

  • terra disponível,

  • promessas de trabalho,

  • possibilidade de reconstruir a vida.

Essa migração transformou a sociedade brasileira e deu origem ao Talian, língua de contato criada nas colônias do sul do Brasil a partir de variedades vênetas.

Consequências Sociais e Históricas de Longo Prazo

Os impactos da unificação ainda ecoam na cultura veneta moderna:

  • fortalecimento da identidade regional,

  • preservação do vêneto como herança cultural,

  • movimentos autonomistas,

  • memória da emigração como parte da história familiar.

Para muitos descendentes, entender essas consequências é fundamental para compreender a própria origem.

Conclusão 

A anexação do Vêneto ao Reino da Itália em 1866 marcou profundamente a região. Perderam-se autonomia, identidade e estabilidade econômica, enquanto aumentaram impostos, pobreza e desigualdade. O resultado foi um êxodo gigantesco que trouxe centenas de milhares de vênetos ao Brasil e outros milhões espalhados por outros países europeus e das Américas.

Compreender esse processo histórico ajuda a explicar por que o Talian nasceu aqui, por que tantas famílias migraram e por que a cultura veneta é tão forte entre os descendentes brasileiros. A história da unificação italiana não é apenas política; é uma história humana de perda, adaptação e reconstrução.

Nota do Autor 

Este artigo foi escrito com base em pesquisas históricas e análises culturais sobre o impacto da Unificação Italiana na vida dos vênetos. O objetivo é oferecer aos descendentes de imigrantes italianos no Brasil um conteúdo claro, profundo e fiel aos fatos, valorizando a memória de quem atravessou o oceano em busca de um novo começo.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Sobrenomes de Imigrantes Italianos em Poços de Caldas MG

 

Sobrenomes de Imigrantes Italianos em Poços de Caldas MG


Acciari - Agostini - Aiello - Allara - Alessandri - Alvisi - Amadio - Ambrogi - Andracoli  - Andrea - Annoni - Antonelli - Archangeli - Arcipreti  - Arnise - Arruga - Artioli - Audizio - Avanzi - Aversa - Bacco - Balbia - Balestri - Ballerini - Barbon - Bartoli - Barbieri - Basilio - Batta - Beccaro - Belelli - Beliato - Belloggi - Beltrame - Benetti - Benozzati - Berarda - Berlinari - Bernardo - Bertozzi - Beni - Bernia - Bianchi - Bianchetti - Bianucci - Bidoni - Biliano - Blaschi - Boggio -  Bonadero - Bonelli - Bonini - Bonvicino - Boratto - Borelli - Borinato - Braghetta - Braz - Bresaulo - Bressane - Broccardo - Brunacci - Brunelli - Brunetti - Buda - Buscia - Cagnani - Calderaro -  Camillo - Campana - Canali - Caniato - Capitani - Caponi - Cappelli - Cappello - Carbone - Cardillo - Cardirali - Carletti - Caruso - Casadei - Casali - Cascella - Casella - Castellani - Cavazzoni - Cavini - Cecchini - Ceci - Centola - Cherchiai - Cerpoloni - Cerri - Cestaro - Cheberle - Chiado - Chinate - Cinquini - Ciancaglino - Cinelli - Clemente - Cobatto - Comissi - Conci - Contiero - Coraini - Corona - Corradi - Cosentino - Cunico - Curcio - Curia - Dalla Rosa - Dalmo - Dal Poggetto - D'ambrosio - D'angelo - Danza - Darioli - Delfino - Della Santina - Del Sarto - Del Vecchio - De Liberador - De Luca - Denubilo - De Parolis - Depiaggio - D'este - De Stefani - De Stefano -  De Simone - Dianda - Digro - Di Lorenzo - Dinucci - Discorio - Diotisalvi - Donadio - Donzelli - Driussi - Dupanda - Durante - Emanuelli - Emiliano - Errico - Fabri - Fagnani - Falchetta -  Fantozzi - Fazzi -  Fazzi - Fazzini  - Felizia - Ferrara - Ferrari - Ferraris - Ferro - Ferron - Filardo - Finelli - Finotti - Flaminio - Forni - Fortunato - Franco - Franzini -  Frediano - Fresati - Frison - Frusato - Furchi - Gaglia - Galeazzi - Galise - Gambini - Garavello - Garibaldi - Gaspari - Gasparini - Gatti - Gerini - Gesualdi - Ghilardi - Ghirlanda - Giacometti - Gianelli - Gianmarini - Gianni - Gianotti - Gibin - Giglioti - Gilberto - Giorgetti - Giorgi -  Girolami - Giuntoli - Giusti -   Goffi - Gomirato - Gonzo - Gorrasi - Grandinetti - Grazia - Grazia - Ghetti - Guazzelli - Guelfi - Guerra - Guglielmucci - Gugliotti - Infante - Incrocci - Ippolito - Jacono - Judice - La Motta - Latronio - Lauria - Legnaro - Lio - Longo - Lorenzini - Loro -  Lovato -  Luciano - Lunardi - Lupetti - Malfi - Mancini - Mandarini - Manfredini - Manone - Mannini - Mannini -Mantovani -  Maran - Marampelli - Marcaccini - Marcante - Marcelli - Maré - Maretti - Maretti- Marini - Marino - Martinelli - Martini - Massari - Matanó - Mattavelli - Mazza - Mazza - Mazzotti - Melzo - Mencarini - Mengali  - Merlo - Metidieri - Merola - Michelotti - Miglioranzi - Milani - Milara - Miniscalco - Mircolongo - Modesti - Mollo - Monge - Monguzzia - Montanelli - Monte - Montevecchio - Moro - Mussolini - Naldoni - Nanni - Nastri - Nastrini - Neofiti - Nespati - Nicodemo - Nigra - Nucci - Nuzza - Occhiena  Olio  Orlandi  Orlandi  Orlandi Orsi   Osti - Pagin  Paladini  Pallagano - Pallini - Panari - Pandolfo - Pandolfo - Pansinipapiani - Pardini - Parini - Parison - Paschero - Pascoli - Pasculli - Pasquini - Pastore - Pastori -  Patteroni - Pavan -  Pavesi - Pelicciari - Pellegrinelli - Pellici - Peppe - Perillo - Perri - Pertini - Peterle - Petrecca - Piccinini -  Piccolo  - Pieracci - Pierantonio - Pierini -  Pieve -  Pigon - Pinola - Piovesan - Pironato - Pistagi -  Pistoresi - Pizzini - Pizzol - Poggetto - Pomarico - Ponteprimo -  Poppi - Possenti -  Prezia - Prospero - Puccetti  - Puig Visconti  - Puglia - Ralangi - Ranga  - Ranauro  - Raspante  - Ratta  - Rebeque - Rebosti - Riccioniridolfi  - Righetto  - Rigucci  - Risola  -  Rizzieri  - Rizzo  - Rochetto  - Rocco - Rosa - Rosi - Rosina - Rotondari - Rotunno - Rugani - Russi - Ruza - Sabaini - Saettone - Sala - Salomone - Salvadori - Salvatore - Salvucci - Sangiorgi - Sanprini - Sandri - Santi - Santolia - Sarti - Sarubbi - Satti - Scabbia - Scala - Scassiotti - Scattolin - Scolari - Sculamiglio - Sergio - Severini - Siciliani - Sgilli - Silvestrini - Solferini - Sozzi - Sparapan - Spini - Stanziola - Stella - Straface - Suppo - Tacconi - Tallone - Tamburi - Tassi - Tassinari - Taviani - Tedesco - Tepedino - Testa - Tivoli - Todescato - Togni - Torquati - Tramonte - Trezza - Troyano - Trotta - Tucci - Valentin - Valtriani - Varallo - Venafro - Venturini - Vergani - Vernacci - Veronesi - Vescio - Vigna - Villa - Virga - Visentini - Viti - Viti - Vizzotto - Zaghetto - Zampieri - Zanelli - Zangrando - Zanni - Zannoni - Zanovello - Zapparoli - Zilli - Zincone - Zono - Zotti - Zuanella


Nota

Esta lista reúne sobrenomes de imigrantes italianos relacionados à cidade de Poços de Caldas, MG, com base em registros históricos disponíveis, documentos de época e referências genealógicas. Ela não pretende esgotar todos os sobrenomes existentes, mas oferecer um panorama representativo das famílias italianas que contribuíram para a formação social e cultural do município. Novas informações podem ser incorporadas à medida que surgirem novas fontes e colaborações de pesquisadores e descendentes.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O Impacto Emocional e os Desafios da Emigração Italiana para o Brasil


O Impacto Emocional e os Desafios da Emigração Italiana para o Brasil


A experiência migratória italiana do final do século XIX raramente era acompanhada de preparo psicológico ou orientação adequada. Falava-se muito das causas da partida — a pobreza crescente, a falta de terras, o esgotamento das possibilidades no campo — e também das promessas feitas por intermediários e agentes, que apresentavam o ultramar como solução definitiva para todas as carências. No entanto, pouco se refletia sobre o impacto humano mais profundo dessa decisão. Migrar era visto como um gesto quase natural, um deslocamento físico, sem que se considerassem as marcas emocionais que acompanhariam quem partia.

Hoje se compreende que a emigração não significou apenas uma mudança geográfica, mas uma ruptura na biografia de cada indivíduo. Muitos partiram imbuídos de esperança, mas sem perceber que deixavam para trás redes de afeto, hábitos enraizados, paisagens familiares e a memória viva de seus vilarejos. A decisão raramente vinha acompanhada de preparação interior: acreditava-se que a simples perspectiva de uma vida melhor resolveria todas as dores, quando, na verdade, era apenas o início de um processo complexo de perda e reconstrução.

Somava-se a isso a desinformação. A imagem do Brasil circulava em folhetos, conversas e relatos fragmentários, quase sempre idealizados. Falava-se de terras férteis e abundância, mas pouco se mencionavam o clima intenso, as doenças tropicais, a exigência de trabalho pesado e as dificuldades de adaptação. O choque entre a promessa e a realidade era brusco e, muitas vezes, doloroso. Não era raro que o entusiasmo inicial cedesse lugar à frustração silenciosa.

A barreira da língua ampliava esse sentimento. Muitos italianos falavam apenas seus dialetos locais; ao chegar, encontravam o português — distante e estranho. A impossibilidade de se expressar plenamente criava isolamento e insegurança, limitava o acesso a serviços e dificultava a defesa de direitos. Dentro das colônias, o uso do dialeto tornava-se abrigo, mas também reforçava a percepção de distância do novo país.

Nessa travessia entre mundos, a identidade também se transformava. O emigrante já não era inteiramente aquilo que fora em sua terra, mas tampouco se reconhecia ainda como parte do lugar de chegada. Vivia em um espaço intermediário — uma espécie de fronteira interior — que provocava inquietação constante. A saudade não era um sentimento ocasional, mas presença diária que se infiltrava nos gestos, nas lembranças e nos silêncios.

As famílias, por sua vez, passavam por mudanças profundas. Papéis se alteravam, responsabilidades se redistribuíam, e muitas vezes a promessa de prosperidade tardava a se realizar. Havia cansaço físico, angústia pela incerteza e um senso de dever que nem sempre conseguia silenciar a nostalgia. Entre os mais jovens e os mais velhos, em especial, surgiam formas de sofrimento que hoje se reconheceriam como efeitos emocionais da ruptura com o lugar de origem.

Também o ambiente contribuía para acentuar essas tensões. O trabalho exaustivo na lavoura, o calor intenso, as doenças endêmicas e a precariedade dos primeiros anos na colônia colocavam os emigrantes diante de uma realidade bem diferente do que haviam imaginado. Alguns recorriam ao álcool; outros se recolhiam em silenciosa tristeza; outros ainda se amparavam na fé.

Frente a tudo isso, as comunidades encontraram meios de recompor o sentido de pertença. Igrejas, capelas, associações de auxílio mútuo, festas tradicionais e o próprio campanário repetido nas novas paisagens funcionavam como pontes invisíveis com a terra deixada para trás. Reconstruir símbolos, preservar o dialeto, compartilhar memórias e rezas era uma forma de dizer que, embora tivessem partido, não estavam totalmente desenraizados.

Assim, percebe-se que a emigração italiana não foi apenas deslocamento físico rumo a novas terras, mas uma travessia interior complexa, feita de saudade, esperança, perdas e reinvenção. A preparação para esse processo quase não existia; ela foi sendo construída na prática, no esforço diário de sobreviver, adaptar-se e recriar, no Novo Mundo, fragmentos da vida que ficara para trás.

Nota explicativa

Este texto aborda os aspectos emocionais, psicológicos e sociais vivenciados pelos emigrantes italianos que se dirigiram ao Brasil entre o final do século XIX e o início do século XX. Diferentemente das análises centradas apenas nas causas econômicas da partida ou nas condições materiais das viagens, a reflexão aqui desenvolvida destaca sentimentos de ruptura, saudade, insegurança, choque cultural e processos de adaptação à nova realidade. O objetivo não é idealizar ou dramatizar a experiência migratória, mas ampliar a compreensão desse fenômeno, considerando também suas dimensões humanas, identitárias e afetivas, muitas vezes pouco registradas pelas fontes históricas tradicionais.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta





terça-feira, 27 de janeiro de 2026

La Vita Salvà ´ntel Atlàntico la Stòria de un Sacrifìssio ´ntel Mar Scuro


 

La Vita Salvà ´ntel Atlàntico la Stòria de un Sacrifìssio ´ntel Mar Scuro


´Ntel mese de setembre de 1903, un vècio vapor che avea lassà Genova con sentinaia d´emigranti italiani, traversava l’Atlántico verso Boston quando el ze stà siapà da ´na forte tempesta che parea vegnir fora dal fondo del mar. L’àqua la se alsava come ´na muràia viva, batea sul scafo con ràbia, e el vento el strasiava el ponte come se el volesse strapar via el navio dal mondo.

Tra i passageri de tersa classe ghe zera Matteo Bianchi, un marangon de trentado ani, vegnesto dal interno de la Lombardia. El viaiava solo con la so fiola, Elisa, de sei ani. La so mòie la zera morta tre inverni prima, e da alora Matteo el portava do vite sule spale. La traversia no la zera un sogno. La zera ´na fuga. La fame la gavea siapà le coline, e la misèria la zera pì forte de ogni radise.

Quando la tempesta la ze rivà al màssimo, l’aqua la ga sbregà le parte pì basse del vapor come ´na bèstia fora de gàbia. I coridoi i se fasea fiumi, e i letini i devenia tràpole. La zente la se sveiava urlando, cascando, vegnendo portà via da altre man disperà. El navio el ga scominsià a inchinar de lato, pian al inìssio, dopo con la certessa de ´na roba che no torna mai indrìo.

Matteo el buta la fiola in brasso e el ga avansà contro la multitudine. L’àqua la montava massa in freta. El pavimento el sparia soto i piè. L’ària la zera impregnà de sal, de òio e de paura. Ogni passo el zera ´na lota contro corpi, corenti e teror. El ga capì, prima che qualcuno ghe el dise che i bote i zera massa lontan.

Restava poco tempo.

In meso al caos, el ga trovà un buso strasià da la forsa de la tempesta. Pìcolo per un adulto, storto, peligroso. D´altro lato ghe zera solo l’Atlàntico noturno — nero, infinito, fredo. Ma in lontanansa, el ga vardà lusi vegnir fora come stele cascà in mar. Zera i navi che vegnia a salvar i sopravivente.

Matteo el strense Elisa ´na ultima volta. El mondo el parea vegnir streto fin a star solo in do. E dopo, con un gesto che no zera pì de paùra, el la lanssiò fora dal navio, verso l’àqua e verso le lusi lontan.

Lei la cascò ´ntel mar.
Lu el ga restà ´ntel navio.

Sete minuti dopo, el vapor el se ga sparì soto le onde. El ga portà via pì de ´n sentinaio de passegieri intrapolà ´ntela tersa classe. Matteo Bianchi el zera tra queli. El so corpo no el ga tornà mai pì.

Elisa la ze vignesta trovà quasi ´na ora dopo, a la deriva, svenuda, tacada a un toco de legno. La ze rivà al navio de socorso con el corpo fredo e la respirassion dèbole. Lei gavea pena sei ani, la zera sola ´ntel mondo e no capia la lèngua de la zente che adesso la involvea in coperte.

Lei la ze vignesta portà in un orfanotròfio in Massachusetts. Lei ga cressuda tra muri strani e visi che cambiava. Per tanto tempo lei la ga credesto che el pare el podesse vegnir fora da ´na porta qualunque. Dopo, la speransa la se ga trasformà in silénsio. E el silénsio in colpa. La pìcola la ga scominssià a pensar che la zera stà lassà indrìo.

Lei la ga portà sto dolor per desséni.

La verità la ze rivà solo quando lei zera ormai ´na dona fata. Un studioso, rivedendo le liste de morti de un naufràgio dimenticà, el ga trovà el nome de Matteo Bianchi tra i sparì confermà. In quel momento, tuto el se spostò dentro de lei. Quel gesto che parea abandono el se ga diventà sacrifìssio.

Elisa Bianchi lei la ze vivesto fin al 1998. Lei se ga maridà, la gavea fiòi, nepoti e bisnepoti. Ogni nàssita la zera ´na continuassion de quel slanssio lansià ´ntel scuro del Atlàntico. Trentaquatro vite ghe zera incòi perchè un omo el gavea s-cielto de perder la so par salvar quela de la fiola.

Lei no dubitò mai pì de quel che el so pare gavea fato.

E el resto de la vita, sensa savèrlo, lei la seguì el camìn che lu gavea segnà quela note: el camin che va sempre verso la luse.

Nota

Sta stòria la ze na ricostrussion inspirà in fati veri che tanti imigranti italiani i gavea vissù ´ntel tempo de la grande traversia. I personagi i ze stà inventà solo par dar ánima e sangue al raconto, ma el dolore, la paùra, la speransa e el sacrifìssio i ze tuti roba vera, vissuda da i nostri veci ´ntel scuro del oceano.

No ze solo na stòria: la ze memòria. La ze el grido muto de miliaia de ánime che i ga lassà la so tera, la so lèngua, la so fame e la so dignità sopra ´na nave che ´ndava verso l’insserto.

Se ti, letor, te sì emossionà con sta stòria, se te sì ga ricordà el sofrimento che i to antenà i ga passà ´ntela traversia del oceano, e se te ghe ga ´na memòria de famèia da contar, scrive qua soto ´ntei comenti del blog.

Dr. Luiz C. B. Piazzetta




segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Sobrenomes de Alguns Imigrantes Pioneiros em Barra Bonita SP


 

Sobrenomes de Alguns Imigrantes Pioneiros em Barra Bonita SP


Aiello, Antonangelo, Antonelli, Alponti, 

Abruzzi, Bellini, Barduzzi, Bellei, Balbo, 

Boldo, Bressanim, Bozzi, Bergamo, 

Ballan, Blasizza, Bettini, Boarini, 

Bressan, Bocato, Borgui, Brunelli, 

Caetano, Cárdia, Cagnotti, Constanzo, 

Cestari, Casagrande, Casale, 

Chiarato, Capelossa, Castelari, Dal Corso, 

De Marchi, De Conti, Dalla Costa, De Luca, 

Dias, Ereno, Frollini, Ferrari, Fagá, Ferrazolli,

 Fantin, Fantinatti, Fuim, Feltrin, Finatto, 

Giacomini, Guedin, Giroto, Grizzoni, Galhardi, 

Gatti, Marcon, Mascaro, Massenero, Mori, 

Marinelli, Maffei, Mozarle, Nardo, Osti, 

Patuzzo, Pizzo, Pollini, Pozebon, Perassoli, Piva, 

Pezente, Pellini, Pavani, Parezan, Petri, Polatto, 

Ricci, Rossi, Rizzatto, Reginato, Ragoni, 

 Santinello, Stangherlin, Selleguin, Sargentin, 

Scarpela, Scalissa, Scapin, Stringheta, 

Stramantinolli, Sponchiatto, Santilli, Sabbatini,

 Spaulonci, Salve, Sacco, Simionatto, Simoncini, 

Testa, Tozatto, Terrazan, Ursolino, Ungaro, 

Vechiatti, Veghini, Vetorazzo, Victorino de França, 

Zaffani, Zanella, Zerlin e Ziglio


Nota explicativa

Este texto reúne sobrenomes de imigrantes italianos que fizeram parte dos primeiros núcleos familiares de Barra Bonita, no interior de São Paulo. A lista tem caráter histórico e cultural, buscando valorizar a memória das famílias que ajudaram a construir a identidade da cidade. Os nomes aqui apresentados são fruto de registros, tradições orais e documentos antigos, podendo existir variações de grafia conforme a época e a origem regional na Itália. 

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



domingo, 25 de janeiro de 2026

A Colonização Italiana no Rio Grande do Sul e a Formação da Serra Gaúcha



A Colonização Italiana no Rio Grande do Sul e a Formação da Serra Gaúcha 


O território que hoje forma o Rio Grande do Sul foi, durante séculos, uma área estratégica e disputada entre as coroas de Portugal e Espanha. Somente no século XVIII o povoamento passou a ocorrer de forma mais consistente, com o objetivo de garantir domínio político e ocupação efetiva da fronteira sul do Brasil. A partir daí, a região começou a se estruturar como província, com vilas, estâncias e núcleos agrícolas.

No século XIX, o Império do Brasil adotou políticas de colonização para ocupar áreas pouco povoadas e estimular a produção agrícola. A imigração europeia passou a ser vista como solução econômica e social, especialmente diante do enfraquecimento do sistema escravista. Foi nesse contexto que, em 1875, chegaram ao Rio Grande do Sul os primeiros grupos organizados de imigrantes italianos.

As primeiras colônias destinadas aos italianos foram Dona Isabel (atual Bento Gonçalves), Conde d’Eu (hoje Garibaldi) e Campo dos Bugres, que se tornaria Caxias do Sul. Pouco depois, também se consolidaram núcleos como Nova Palmira, na localidade de Nova Milano (atual Farroupilha), e a Colônia Silveira Martins, próxima à atual Santa Maria.

Esses imigrantes vinham, em sua maioria, do norte da Itália, especialmente das regiões do Vêneto, Lombardia, Trentino-Alto Ádige e Friuli. Estima-se que cerca de 54% eram vênetos, seguidos por 33% lombardos, além de trentinos, friulanos e outros grupos menores. Essa composição explica por que a cultura vêneta se tornou dominante em grande parte da serra gaúcha.

Ao chegarem, os colonos encontraram terras cobertas por mata fechada, ausência de estradas e isolamento quase total. Com trabalho árduo, abriram clareiras, construíram casas de madeira, capelas e escolas. A agricultura familiar tornou-se a base da economia local, com destaque para o cultivo da uva, do milho, do trigo e, mais tarde, para o desenvolvimento da vitivinicultura, que se tornaria símbolo da região.

Em poucos anos, os lotes iniciais ficaram ocupados. Com o crescimento das famílias, filhos e netos dos pioneiros passaram a buscar novas terras, dando origem a outros núcleos coloniais como Antônio Prado, Nova Prata, Guaporé, Veranópolis, Nova Bassano, Casca, Erechim, Getúlio Vargas, Tapejara, Sananduva e Vacaria, entre muitos outros.

A presença italiana marcou profundamente a identidade do Rio Grande do Sul. Além da contribuição econômica, os imigrantes preservaram tradições, dialetos, religiosidade, culinária e formas de organização comunitária que ainda hoje fazem parte da cultura gaúcha. Festas típicas, cantos, hábitos alimentares e até o modo de falar carregam a herança dos primeiros colonos.

A imigração italiana no Rio Grande do Sul não foi apenas um movimento populacional: foi um processo de transformação social e cultural que moldou cidades, paisagens e mentalidades. Em 2026, o estado celebrará oficialmente os 151 anos da imigração italiana, reconhecendo o papel fundamental dessas famílias na construção do sul do Brasil.

Nota do Autor

O presente texto resulta de uma releitura interpretativa fundamentada em fontes históricas, estudos acadêmicos e registros documentais sobre a imigração italiana no Rio Grande do Sul. Não se trata de mera reprodução de dados, mas de um exercício de síntese e recriação literária que busca conciliar rigor histórico com linguagem acessível ao leitor contemporâneo.

Ao narrar a trajetória dos primeiros colonos, procurei respeitar os fatos consagrados pela historiografia, ao mesmo tempo em que dei forma a uma escrita fluida, capaz de transmitir não apenas acontecimentos, mas também o espírito de uma época marcada por privações, esperança e extraordinária capacidade de adaptação.

Este trabalho tem como propósito maior contribuir para a preservação da memória coletiva, valorizando o legado cultural, social e humano deixado pelos imigrantes italianos e seus descendentes. Que estas linhas sirvam não apenas como registro do passado, mas como ponte entre gerações — um convite à reflexão sobre identidade, pertencimento e a construção histórica do Rio Grande do Sul. 

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta


sábado, 24 de janeiro de 2026

La Vècia Polenta

 

 

La Vècia Polenta

 

Polenta santa, fiola del sol,
nassuda lontan soto ´n altro ciel,
rivada con el vento, con el mar e con el dolor,
par dar da magnar a chi gavea fame e fredo.

 

Prima le zera segala, castagna e anca el pan nero,
poi ´l mìlio che el ga vignesto come ´n dono vero;
el colono straco, sudà e sfidà,
con el mìlio el ga tornà a gaver speransa.

 

Soto la pignata nera del fogon,
la polenta la canta, la se mete a sbufar;
con la mestola de fusto la vien rimestà,
e ogni zirada la ze ‘na preghiera cantà.

 

In Vèneto la zera mama e sostegno,
in Brasil la ze diventà ancora pì ben;
tra boschi e ronchi da netar e arar,
lei le zera forsa par no se fermar.

 

Taiada sul panaro, con formài e salame,
o con sugo magro de struto e de pan;
no zera lusso, ma zera dignità,
zera la fame che imparava a se calmar.

 

Polenta de colono, de pianto e sudor,
compagna de nave, de selva e laor;
ti te si stòria che se magna col cuor,
ti te si tera che canta in ogni dolor.

 

Dove ghe ze polenta, ghe ze famèia,
ghe ze parola, ghe ze idea;
no ti si piato de re, ma de verità,
ti te si richessa che no se pol comprar.

 

O polenta, regina dei poareti e de la zente,
pan de mìglio fato carne e ossa;
ti te si el mìglio diventà preghiera e canson,
ti te si speransa de ogni generassion.

 

Nota do Autor

Sta Ode a la Polenta no la ze stada scrita solo par far poesia. La ze stada scrita par tegner verta ‘na porta: la porta de la memòria. La polenta, par i nostri noni e bisnoni, no la zera un piato qualunque la zera el pan de ogni zorno, la mama silensiosa che tegnea in piè le famèie quando la tera zera dura, el fredo feròs e la speransa poca.

In Vèneto prima, e dopo qua in la "Serra Gaúcha", la polenta la ze stada sostansa e dignità. Drento le cusine de legno e fumo, davanti el fogón che no se stufava mai, la nona smissiava la polenta con la mestola, e in ogni zirada ghe metea no solo mìglio e aqua calda, ma fadiga, amor e futuro. La pignata nera la cantava pian pian, e quel canto el zera compagnia par chi tornava straco dal laor.

Sta Ode la vol esser un ringrasiamento a tuti quei coloni che ga patì fame, fredo e paura, ma che no ga mai molà la dignità. La ze un ato de rispeto verso chi ga fato de la misèria ‘na scola de coràio e de la polenta ‘na bandiera de sopravivensa.

E adesso, a ti che lesi questi versi se te senti el profumo de la polenta che vien su da la cusina, e te rivedi to mama o to nona davanti al fogón de legna che smìssia pian pian, no sta restar in silènsio. Scrivi la to esperiensa ´ntei comentàri de sto blog. Parché ogni ricordo che se conta el ze ‘na stòria che torna a vegnir viva, e ogni stòria viva la ze ‘na radise che no more mai.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta 



sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Sanguanel o Duende das Matas na Serra Gaúcha e o Folclore Ítalo-Gaúcho


Sanguanel o Duende das Matas na Serra Gaúcha e o Folclore Ítalo-Gaúcho


Entre as figuras mais curiosas do folclore das colônias italianas do Rio Grande do Sul, nenhuma é tão marcante quanto o Sanguanel — também chamado, em algumas regiões, de Sanguanê ou Sanguanelo. Ele faz parte do imaginário popular da Serra Gaúcha e atravessa gerações como um símbolo vivo da herança cultural ítalo-gaúcha.

O Sanguanel chegou ao Brasil junto com os imigrantes do Vêneto, especialmente da província de Treviso, a partir de 1875. Nas aldeias rurais do norte da Itália, ele já era conhecido como um pequeno ser travesso ligado às florestas, aos vinhedos e à vida camponesa. Ao encontrar as matas densas da Serra Gaúcha, essa lenda ganhou ainda mais força.

Como o Sanguanel é descrito

Na tradição oral das colônias, ele costuma ser retratado como:

• Um homenzinho muito pequeno, do tamanho de uma criança ou menor
• De cor vermelha ou vestido com roupas vermelhas vivas
• Extremamente ágil e difícil de ser visto
• Habitante das copas das árvores, principalmente araucárias e pinheiros
• Um típico “trickster”: preguiçoso, brincalhão e cheio de travessuras

O que ele faz, segundo as histórias

As narrativas mais antigas contam que o Sanguanel:

• Faz crianças se perderem no mato
• Coloca os pequenos nos galhos altos das árvores
• Assobia à noite e provoca sons estranhos
• Bagunça ferramentas, linhas de costura e objetos da roça
• Assusta animais e causa confusão nas propriedades

Apesar disso, ele não é visto como um ser maligno. Ao contrário do bicho-papão, o Sanguanel não mata nem fere de verdade. Ele assusta, ensina, pune a imprudência e protege a mata. Para muitos, é um espírito guardião da floresta.

Por que o Sanguanel ficou tão forte no RS?

Alguns fatores ajudaram a manter essa lenda viva:

• A geografia da Serra Gaúcha, com matas fechadas, vales e neblina
• O isolamento das primeiras colônias
• A forte tradição oral do talian
• O uso educativo da lenda para proteger as crianças

Até hoje, o Sanguanel aparece em contos de avós, peças de teatro comunitário, filmes regionais e até no artesanato local. Ele se tornou um dos maiores símbolos do folclore ítalo-gaúcho rural — ao lado do Massariol, seu “parente” das adegas e vinhos.

Nota do Autor

O Sanguanel não é apenas uma lenda — ele é memória viva. Ele representa o modo como nossos antepassados explicavam o desconhecido, educavam os filhos e se relacionavam com a natureza. Se você leitor já ouviu histórias do Sanguanel contadas por seus avós, nonnos ou pessoas mais velhas da família, escreva aqui nos comentários desse blog. Ao compartilhar essas lembranças, você ajuda a manter viva uma parte importante da nossa história coletiva ítalo-gaúcha.

Dr. Luiz C. B. Piazzetta



quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Vapor Portena 1876 os Passageiros Italianos e a Viagem de Imigração para o Brasil

 


Vapor Portena 1876 

Os Passageiros Italianos e Viagem de Imigração para o Brasil  


Procedência Porto de Le Havre


Ampozzan 

Argento 

Atanasio 

Bailini 

Basso 

Belloni 

Bergagno 

Bombassaro 

Brambilla 

Capello 

Capetto 

Casagrande 

Conte 

Crivellati 

Curiolo 

Dalle Grave 

Deboni 

Ferrero 

Fizian 

Fortin 

Garbin 

Gaspar 

Gasperi 

Giovannoni 

Gentile 

Marzorati 

Masadei  

Martorano 

Maddalena 

Marjetti 

Patatucci 

Pratiei 

Ponzoni 

Rech 

Sabben 

Salvaor 

Sicilia 

Susin 

Tome 

Valentin 

Viannesi 

Vicelli 

Virgilio 

Zollet 

Zucco


Nota explicativa:

O presente registro refere-se aos passageiros do vapor Portena, que partiu em 1876 do porto de Havre, realizando escalas na Europa antes de rumar ao Brasil. A lista reúne sobrenomes de imigrantes italianos que integraram esse fluxo migratório do século XIX, importante para estudos de história, memória comunitária e pesquisas genealógicas. Os nomes preservam a grafia histórica original, podendo apresentar variações devido à transcrição de documentos de época, o que é comum em registros de bordo e arquivos migratórios. 

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Massariol el Spìrito de la Colònia ´nte le Fiabe del Rio Grande do Sul


Massariol el Spìrito de la Colònia ´nte le Fiabe del Rio Grande do Sul


Inte le prime dessénie de la colonizassion italiana ´ntel Rio Grande do Sul, quando la selva ancora dominava i vali e i òmeni gavea de strapar la tera a forza de brassi e de fede, ghe zera ´na presensa invisìbile che ´ndava insieme ai coloni. No rivava con i vapori, no stava ´ntei registri de l’imigrassion, no compariva ´nte le liste de le famèie. Ma el zera li, ´nte le ombre de le cantine, ´ntei luoghi scuri e ùmidi, tra i barile de vin e le feramente de fero. Lori lo ciamava Massariol.

Lu no zera de la selva verta, come el Sanguanel, né de le altesse de le cime de le araucarie. El Massariol el zera creatura del spasso uman: de la cassa, de la bodega, de la rossa nova, de la produssion sudada che nassva dal suolo duro. Spuntava ndove el colono piantava radise. Dove ghe zera laoro, dissiplina e speransa, li el Massariol se metea.

Lori disea che el zera picinin come un fioleto, sgoelto come el vento e silensioso come la pòlvera che se fermea sui barile de vin. Mai visto de frente. Solo percebìo. Un’ombra che passava in prèssia, ´na feramenta che compariva ´ntel posto giusto, ´na porta che se sarava da sola prima de la tempesta, un baril che restava sano quando tuti i altri se zeava.

Ntei tempi pì duri, quando la fame zirava atorno a le case e la racolta la zera insserta, el Massariol el diventava ancora pì presente. Caminava de note ´ntei galpón, percorea i vignai, passava tra le file de le vide come se contasse ´na par una le ue che ancora resisteva al fredo. El protegea quel che zera stà conquistà col sudor. No tolerava la incùria. No acetava la ganànsia. No soportava la pigrìssia.

Quando el colono laorava con rispeto, el Massariol el devenia un compagno. El vin no se acedava. I animai no se amalava. La casa restava ferma. Ma quando la superbia entrava ´ntel cuor del omo, el picinin spìrito el mudava. Barile se spacava sensa spiegassion. Feramente spariva. El late se acedava. La racolta falia. Niente zera fato con violensa. Tuto sussedeva come se la tera stessa stesse tirando via la so protession.

El Massariol no zera né bon né cativo. El zera giusto. El rapresentava l’òrdine invisìbile de la colònia: el pato silensioso tra l’omo e la tera. Chi rincurava, el zera cuidà. Chi sfrutava, el perdea.

Par questo, ´nte le case pì vece ancora se trova l’usansa de lassare pan, vin o resti de magnar ´nte la cantina. No come superstission, ma come gesto simbòlico de rispeto. Un riconossimento che el laoro umano no el zera mai stado solo. Sempre ghe zera qualcosa oltre la sapa e el vassor. Qualcosa che vardava.

Cusì, el Massariol el ga passà de generassion in generassion. Dai noni ai nepoti. El ga sobrevivesto a le sità, a le strade, al abandono del campo. Incòi el no abita pì in tute le cantine, ma el vive ancora ´nte la memòria. E da quel momento che ghe sarà qualcuno che se ricorda de lu, el spìrito de la colònia taliana del Rio Grande del Sul el continuarà a respirar in fondo a la stòria.

Nota del Autor

El Massariol el ze pì de un personaio del folclore: el ze la memòria viva de la colònia, el sìmbolo de la cura con la tera, con la casa e col laoro eredità dai imigranti taliani. Col passar del tempo, la so stòria la ze stada contà de generassion in generassion, moldà da la vose dei noni e da l’imaginasion dei putèi. Se ti, letor, te ga già sentì dai to genitori o dai to noni la stòria del Massariol, descrivi la to esperiensa ´ntei comenti de sto blog. Condividendo la to ricordansa, ti aiuti a tegner sempre viva la magia de sto personaio par le generassioni che vegnirà. 

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Lista de Alguns Sobrenomes de Imigrantes Italianos Pioneiros em Encantado RS


Lista de Alguns Sobrenomes de Imigrantes Italianos Pioneiros em Encantado RS 


Barzotto
Bergamaschi
Berte
Bertozzi
Bigliardi
Bonfanti
Borghetti
Bratti
Buffon
Castoldi
Dal Monte
Dal Pasquale
Dalla Costa
Dalla Vecchia
De Bortoli
De Conto
De Marco
De Nez
Ferri
Fontana
Frigeri
Fumagalli
Gianesini
Giordani
Loppi
Lorenzi
Lucca
Luzzi
Maiolli
Marini
Mottin
Murer
Nardini
Pasini
Peretti
Pierotto
Pretto
Radaelli
Roco
Rossetto
Sana
Sangalli
Sartori
Scartezzini
Secchi
Seppi
Toldo
Tormena
Zuchetti

Nota explicativa

Esta lista reúne alguns sobrenomes de imigrantes italianos pioneiros que se estabeleceram em Encantado, Rio Grande do Sul. Seu objetivo é auxiliar pesquisas históricas e genealógicas, preservando a memória das famílias que participaram da formação do município e contribuíram para o desenvolvimento local.
Se você é descendente de uma dessas famílias, escreva aqui nos comentários do blog. Conte de onde vieram seus antepassados, que histórias chegaram até você e como essa herança ainda vive no seu cotidiano. Sua participação ajuda a manter viva a memória de Encantado.

Dr. Luiz C. B. Piazzetta