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sábado, 25 de abril de 2026

Por Que Alguns Sobrenomes Italianos Foram Alterados no Brasil? Entenda as Mudanças na Imigração


Por Que Alguns Sobrenomes Italianos Foram Alterados no Brasil? Entenda as Mudanças na Imigração


Introdução

Milhões de descendentes de italianos no Brasil carregam sobrenomes que, ao longo do tempo, sofreram alterações, adaptações ou simplificações. Em muitos casos, essas mudanças foram tão profundas que hoje dificultam a identificação da verdadeira origem familiar.

👉Mas afinal, por que os sobrenomes italianos foram modificados no Brasil?

Em muitos casos, o sobrenome que chegou ao Brasil não é exatamente o mesmo que saiu da Itália.

Neste artigo, você vai entender as razões históricas, sociais e linguísticas por trás dessas transformações — e como descobrir a forma original do seu sobrenome.

👉Contexto Histórico da Imigração Italiana

Entre 1870 e 1920, o Brasil recebeu mais de 1,5 milhão de imigrantes italianos. A maioria veio de regiões como:

Vêneto

Lombardia

Piemonte

Trentino-Alto Adige

Ao chegarem, esses imigrantes enfrentaram um novo idioma, novas regras e um sistema burocrático muitas vezes confuso — o que contribuiu diretamente para alterações nos nomes.

1. Erros de Registro nos Cartórios

Um dos principais motivos foi o erro humano.

Funcionários brasileiros, muitas vezes sem familiaridade com o idioma italiano, registravam os nomes “como ouviam”.

Exemplos:

Bianchi → Bianco

Zanetti → Zaneti

Giordano → Jordano

👉 Esses erros acabaram se tornando oficiais e passaram para as próximas gerações.

2. Dificuldade de Pronúncia

A língua italiana possui sons que não existem no português, como:

“gli” (como em Figli)

“gn” (como em Bologna)

Para facilitar a comunicação, muitos sobrenomes foram simplificados ou tiveram sua pronúncia adaptada:

Tagliari → Taliari

Bolognese → Bolognese (com pronúncia adaptada ao português)

3. Adaptação à Língua Portuguesa

Muitos sobrenomes foram aportuguesados para facilitar a integração social.

Exemplos:

Giovanni → João (em nomes próprios ou compostos)

Di Pietro → De Pedro

Bianchini → Branquinho (em casos raros de tradução aproximada)

👉 Em alguns casos, a adaptação foi parcial; em outros, mais profunda.

4. Pressão Social e Integração

Durante o século XX, especialmente em períodos de forte nacionalismo, como na Era Vargas, havia incentivo para que estrangeiros:

“brasileirassem” seus nomes

evitassem sons considerados “estranhos”

Isso levou muitas famílias a alterar voluntariamente seus sobrenomes.

5. Baixa Escolaridade dos Imigrantes

Grande parte dos imigrantes italianos era composta por camponeses que:

não sabiam ler ou escrever

não conferiam os registros oficiais

👉 Assim, erros passavam despercebidos e tornavam-se definitivos.

6. Variações Dentro da Própria Itália

Mesmo antes da imigração, já existiam variações regionais e formas distintas de sobrenomes:

Rossi / Rosso

Bianchi / Bianco

Zanetti / Zanon (formas regionais distintas, nem sempre da mesma família)

Ao chegar ao Brasil, essas variações aumentaram ainda mais.

Como Descobrir o Sobrenome Original da Sua Família

Se você suspeita que seu sobrenome foi alterado, siga estes passos:

1. Pesquise documentos antigos

Certidões, registros de imigração e batismos são fundamentais.

2. Analise variações do nome

Teste diferentes grafias e pronúncias.

3. Identifique a região de origem

Sobrenomes italianos estão fortemente ligados a regiões específicas.

4. Consulte bancos genealógicos

FamilySearch

Ancestry

MyHeritage

5. Converse com familiares

Muitas vezes, a tradição oral guarda pistas valiosas.

Nota Historiográfica

A alteração de sobrenomes italianos no Brasil não deve ser compreendida como um simples erro de registro ou descuido burocrático, mas como parte de um fenômeno histórico mais amplo, profundamente enraizado nos processos de imigração em massa ocorridos entre o final do século XIX e o início do século XX. Inseridos em um contexto de deslocamento forçado pela pobreza, pelo analfabetismo e pelas dificuldades de comunicação, milhares de imigrantes viram seus nomes serem adaptados, simplificados ou reinterpretados por agentes administrativos, escrivães e autoridades que, muitas vezes, desconheciam a língua e as particularidades regionais da Itália.

Esse processo, longe de ser meramente acidental, reflete as tensões entre identidade e integração, tradição e adaptação. Ao serem moldados pela fonética do português, pelas exigências legais e pelas dinâmicas sociais do novo país, os sobrenomes italianos passaram a carregar as marcas de uma travessia não apenas geográfica, mas também cultural.

Assim, tais transformações constituem valiosos vestígios linguísticos e históricos, revelando não apenas as fragilidades institucionais da época, mas também os caminhos silenciosos pelos quais os imigrantes italianos se inseriram e contribuíram para a formação da sociedade brasileira.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



segunda-feira, 30 de março de 2026

Quem Eram os Tiroleses de Língua Italiana? A Verdadeira História dos Imigrantes do Império Austro-Húngaro no Brasil



Quem Eram os Tiroleses de Língua Italiana? A Verdadeira História dos Imigrantes do Império Austro-Húngaro no Brasil

O Tirol constitui uma antiga região histórica dos Alpes centrais europeus, cuja unidade territorial remonta à Idade Média. Durante séculos, essa área formou uma importante entidade político-administrativa dentro dos domínios dos Habsburgo. Desde o século XIV, o Tirol integrou os territórios da Casa de Habsburgo e, posteriormente, o Império Austríaco, mantendo-se como parte essencial desse espaço político até o início do século XX.
Entre os séculos XV e início do XIX, o território foi conhecido como Estado do Tirol, inserido nos domínios da monarquia austríaca. Após as transformações políticas decorrentes das guerras napoleônicas e da reorganização da Europa, a região voltou a consolidar-se dentro da estrutura do Império Austríaco e, a partir de 1867, passou a integrar o Império Austro-Húngaro, permanecendo nessa condição até o final da Primeira Guerra Mundial, em 1918.
Historicamente, o Tirol abrangia uma vasta área alpina que hoje se encontra dividida entre dois países. Ao norte e a leste situam-se os territórios atualmente pertencentes à Áustria, que correspondem ao Tirol do Norte (Nordtirol) e ao Tirol Oriental (Osttirol). Já a porção meridional da antiga província histórica passou a integrar o território italiano após o desfecho da Primeira Guerra Mundial. Essa área corresponde hoje à Região Autônoma de Trentino-Alto Ádige/Südtirol, subdividida em duas províncias: Bolzano (Alto Adige ou Südtirol) e Trento (Trentino).
Historicamente, a região de Trento era conhecida como Welschtirol, expressão alemã que significa “Tirol latino” ou “Tirol de língua italiana”, em contraste com as áreas predominantemente germanófonas do norte. Ainda em 1923, durante o período do regime fascista italiano, pequenas porções do antigo Tirol meridional foram administrativamente transferidas para a província de Belluno, no Vêneto.
O Império Austro-Húngaro caracterizava-se por sua profunda diversidade étnica e linguística. Dentro de suas fronteiras conviviam numerosos povos e culturas, entre os quais alemães, italianos, eslovenos, tchecos, eslovacos, poloneses, croatas, húngaros e ucranianos. Essa pluralidade refletia-se especialmente nas regiões alpinas e adriáticas, onde populações de diferentes línguas e tradições compartilhavam o mesmo espaço político.
As populações de língua italiana no império concentravam-se sobretudo no extremo sul dos territórios austríacos, particularmente nas áreas alpinas do Trentino e em partes do Südtirol, além das zonas litorâneas do Adriático, como Trieste, Gorizia e regiões do Friuli. Embora politicamente súditos do imperador austríaco, muitos desses grupos mantinham língua, cultura e tradições profundamente ligadas ao universo italiano.
Foi desse contexto que partiram numerosos emigrantes durante a grande onda migratória europeia da segunda metade do século XIX. Entre eles estavam os chamados tiroleses de língua italiana, oriundos principalmente das áreas do Trentino e de algumas comunidades meridionais do Tirol. Ao chegarem ao Brasil, esses emigrantes eram frequentemente identificados simplesmente como tiroleses, embora cultural e linguisticamente estivessem ligados ao mundo italiano.
Esses grupos formaram uma parcela significativa dos imigrantes provenientes do Império Austro-Húngaro que se estabeleceram no Brasil. Seus destinos principais foram os estados do Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde milhares de descendentes ainda hoje preservam aspectos de sua herança cultural.
Parte desses imigrantes foi inicialmente direcionada para o trabalho nas fazendas de café do Sudeste brasileiro, especialmente no estado de São Paulo, onde se destacou a chamada Colônia Tirolesa de Piracicaba, e também em regiões agrícolas do Espírito Santo.
Outros grupos dirigiram-se para o Sul do Brasil, onde participaram da formação de diversas colônias agrícolas. No Paraná, estabeleceram-se, por exemplo, na colônia Santa Maria do Novo Tirol, no município de Piraquara.
Em Santa Catarina, os tiroleses de língua italiana integraram núcleos coloniais ligados à expansão da colônia Blumenau, estabelecendo-se em localidades que deram origem às atuais cidades de Rodeio, Rio dos Cedros (posteriormente associada ao desenvolvimento de Timbó), além da Colônia Príncipe Dom Pedro, nas proximidades de Brusque, e da comunidade de Lageado, em Guabiruba.
No Rio Grande do Sul, muitos desses imigrantes fixaram-se na região da Serra Gaúcha, participando da colonização de núcleos importantes como Conde d’Eu (atual Garibaldi), Dona Isabel (atual Bento Gonçalves), Caxias e Flores da Cunha, então conhecida como Nova Trento.
Um aspecto curioso da presença tirolesa no Brasil pode ser observado na vida cultural das comunidades de imigrantes. Em Porto Alegre, entre 1915 e 1917, circulou o jornal Il Trentino, publicação destinada à comunidade originária do Tirol meridional. O periódico era editado em italiano, português e alemão, refletindo a diversidade linguística desses imigrantes. Alguns anos mais tarde, o jornal passou a adotar o nome Austria Nova, mantendo o objetivo de preservar vínculos culturais e informativos entre os descendentes da antiga monarquia austro-húngara estabelecidos no Brasil.
Assim, a imigração dos tiroleses de língua italiana constitui um capítulo singular da história migratória brasileira, pois reúne elementos de múltiplas identidades — alpina, austríaca e italiana — que, transplantadas para o Brasil, contribuíram para a formação cultural de diversas regiões do país. 

Nota Historiográfica do Autor

A presença de imigrantes tiroleses de língua italiana no Brasil constitui um capítulo singular dentro do grande movimento migratório europeu do século XIX. Esses grupos provinham sobretudo do antigo Tirol meridional — região hoje correspondente ao Trentino e ao Alto Ádige — que, até o final da Primeira Guerra Mundial, integrava o Império Austro-Húngaro.
Apesar de serem súditos do imperador austríaco, muitos desses emigrantes falavam italiano ou dialetos alpinos de matriz latina e mantinham fortes vínculos culturais com o mundo italiano. Essa complexa identidade histórica explica por que, ao chegarem ao Brasil, foram frequentemente classificados tanto como “tiroleses” quanto como “italianos”, dependendo do contexto administrativo ou cultural.
A historiografia contemporânea reconhece que esses grupos desempenharam papel relevante na formação de diversas colônias agrícolas no Sul e no Sudeste do Brasil, participando da ocupação de regiões ainda pouco povoadas e contribuindo para a diversidade cultural do país. O estudo dessas comunidades permite compreender melhor a pluralidade étnica do antigo Império Austro-Húngaro e suas repercussões no processo migratório que marcou profundamente a história brasileira entre o final do século XIX e o início do século XX.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



terça-feira, 24 de março de 2026

A Chegada dos Imigrantes Italianos ao Brasil o Encanto, as Dificuldades e os Conflitos Iniciais

 


A Chegada dos Imigrantes Italianos ao Brasil o Encanto, as Dificuldades e os Conflitos Iniciais


Os navios que transportavam famílias italianas rumo à América do Sul não seguiam exatamente os mesmos itinerários, sobretudo nos momentos finais da travessia. As rotas variavam conforme a companhia marítima, as condições do mar e os portos autorizados a receber imigrantes. Por isso, as experiências de chegada ao Brasil foram diversas, algumas marcadas por surpresa positiva, outras por frustração e cansaço.

Ao avistarem o litoral brasileiro, muitos viajantes sentiram-se dominados por uma intensa emoção. A paisagem tropical, as montanhas próximas ao mar e o perfil das cidades litorâneas produziam a sensação de terem alcançado um mundo completamente diferente daquele deixado na Europa. A imagem das baías amplas, das ilhas verdes e do relevo recortado ficava gravada para sempre na memória de quem passou semanas olhando apenas o oceano.

Entretanto, o desembarque raramente correspondia ao sonho idealizado. Em vários casos, os imigrantes eram conduzidos para ilhas próximas aos grandes portos, onde passavam por inspeções sanitárias e triagens burocráticas. Essas áreas, muitas vezes improvisadas, eram marcadas por instalações simples, pouco acolhedoras, com atrasos na distribuição de alimentos e longas esperas em condições precárias. Muitos tiveram de dormir ao relento na primeira noite em solo americano, exaustos e ainda mareados da viagem.

A recepção variava de região para região. Em algumas situações, autoridades locais demonstravam atenção aos recém-chegados, conscientes da importância da imigração para o povoamento e para a economia agrícola. Em outras, predominavam a desorganização e o tratamento frio, reforçando o sentimento de vulnerabilidade de pessoas que não dominavam o idioma e desconheciam completamente a realidade que iriam enfrentar.

Além disso, não eram raros os episódios de manipulação envolvendo a destinação dos colonos. Alguns grupos que desejavam seguir para regiões de clima mais ameno, como o sul do Brasil, eram direcionados para áreas cafeeiras do interior paulista, onde havia forte demanda de mão de obra. Informações incompletas, promessas exageradas e pressão de intermediários levavam famílias a aceitar contratos e destinos diferentes daqueles que haviam inicialmente planejado. Quando percebiam o engano, o sentimento predominante era de indignação, embora muitos acabassem se adaptando mais tarde às novas circunstâncias.

Esse conjunto de emoções — euforia pela chegada, surpresa diante da nova terra, cansaço acumulado e revolta com situações de injustiça — marcou profundamente os primeiros contatos dos imigrantes italianos com o Brasil. Foi a partir desse choque inicial que se iniciou a verdadeira jornada: a de construir casas, abrir roças, reencontrar dignidade no trabalho e transformar incerteza em futuro para as gerações seguintes. 

Nota explicativa 

Este texto aborda, de forma histórica e documental, as experiências vividas pelos imigrantes italianos ao chegarem ao Brasil no século XIX. Descreve as rotas marítimas, as condições de desembarque, a recepção nos portos e os conflitos relacionados à destinação das famílias para diferentes regiões do país. Todas as informações aqui tratadas baseiam-se em fatos históricos amplamente reconhecidos sobre a imigração italiana e têm caráter exclusivamente informativo e cultural. 

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta




domingo, 22 de março de 2026

A Viagem de Navio dos Imigrantes Italianos ao Brasil e a Dura Realidade da Travessia


A Viagem de Navio dos Imigrantes Italianos ao Brasil e a Dura Realidade da Travessia


Depois de optarem por deixar a Itália, quase sempre influenciados por intermediários que prometiam oportunidades no outro lado do oceano, os futuros emigrantes encaravam o passo seguinte: alcançar o porto de partida. Para muitos, isso significava longas jornadas até cidades como Gênova ou Nápoles. Havia famílias inteiras que caminhavam dias, às vezes sob frio intenso, levando o pouco que restara após venderem seus bens. Ao chegarem, descobriam que nem sempre o embarque seria imediato. Alguns agentes, agindo de má-fé, atrasavam a viagem e empurravam os recém-chegados para estalagens caras, explorando a fragilidade de quem já não tinha quase nada.

Quando finalmente subiam a bordo, começava a parte mais dura. A travessia era longa e desconfortável. Homens, mulheres e crianças eram amontoados em espaços apertados, sem higiene adequada e com alimentação precária. Doenças se espalhavam com facilidade, a comida muitas vezes estava estragada e não faltavam roubos entre os próprios passageiros. O mar, imprevisível, agravava ainda mais o sofrimento, e a viagem se transformava numa experiência de medo, cansaço e perda.

Ao chegar aos portos brasileiros, como o de Santos, o primeiro impacto era visual. A vegetação exuberante impressionava, assim como a diversidade humana que encontravam — pessoas de traços e cores de pele que muitos jamais tinham visto na Europa. A expectativa, porém, logo dava lugar à desilusão. Levados para o interior, especialmente para as regiões cafeeiras, muitos imigrantes se deparavam com jornadas pesadas, contratos enganosos e condições que lembravam servidão.

Diante disso, uma parte expressiva decidiu voltar para a Itália ou seguir para outros destinos. Entre os que retornaram, ficaram marcas profundas: lembranças de sofrimento, mas também imagens fortes do Brasil — o cheiro da terra, os cafezais, as frutas tropicais e a sensação de ter sobrevivido a um período difícil. Essas memórias, passadas de geração em geração, continuam vivas entre filhos e netos, misturando dor, saudade e um estranho sentimento de gratidão pela terra que, mesmo dura, os acolheu por algum tempo. 

Nota do Autor

Este texto integra uma série dedicada à memória da imigração italiana no Brasil. Se na sua família existem relatos sobre a travessia dos antepassados, compartilhe nos comentários e ajude a manter viva nossa história coletiva.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



domingo, 15 de março de 2026

Entre o Horizonte e o Desconhecido oTempo, Surpresas e Vivências na Travessia


Entre o Horizonte e o Desconhecido, o Tempo, Surpresas e Vivências na Travessia


Para inúmeros emigrantes italianos, a viagem transoceânica representou uma experiência única na vida — e, para muitos, também a última. O deslocamento entre a terra de origem e o Brasil parecia prolongar-se indefinidamente, como se os dias se estendessem sem contorno preciso entre céu e oceano. Pessoas acostumadas ao ritmo regular do trabalho agrícola, marcado pela luz do sol e pelas estações, encontravam-se subitamente confinadas em espaços restritos, dividindo o convívio com centenas de outros passageiros que pouco conheciam.

O tempo livre, abundante durante a travessia, surgia como novidade. Sem as tarefas diárias da lavoura, o dia ganhava um caráter monótono e arrastado. Entre cuidados com as crianças, pequenas conversas, observação do mar e celebrações religiosas ocasionais, cada um buscava formas simples de preencher as horas. Para alguns, a regularidade das refeições — mesmo modestas — representava alívio em comparação com a escassez vivida na aldeia de origem; para outros, a mudança brusca de hábitos apenas reforçava o sentimento de desenraizamento.

Outra surpresa vinha da língua. A bordo, encontravam-se pessoas de diversas regiões italianas, portadoras de dialetos muito diferentes entre si. A comunicação concreta nem sempre era fácil, especialmente para os mais jovens, que descobriam pela primeira vez a diversidade cultural de seu próprio país recém-unificado. Também a organização interna do navio causava estranhamento: a separação entre homens e mulheres, com dormitórios coletivos, rompia a expectativa de intimidade familiar e exigia adaptação a novas regras de convivência.

O contato com o mundo além da Europa provocava forte impressão. Ao longo da rota atlântica, os viajantes observavam paisagens desconhecidas, portos tropicais, costumes diferentes e povos até então apenas imaginados. A fauna marinha — peixes, aves oceânicas e golfinhos acompanhando o navio — despertava curiosidade e encantamento nas crianças e nos adultos. As escalas em ilhas e cidades costeiras traziam imagens marcantes: mercados, frutas exóticas, relevo seco ou montanhoso, além de encontros com populações locais, cuja aparência, língua e gestos revelavam a amplitude do mundo.

É importante reconhecer que esses relatos se inserem em um contexto histórico específico. O olhar dos emigrantes estava carregado de surpresa, desconhecimento e, por vezes, incompreensão diante da diversidade humana e cultural que encontravam. A travessia transoceânica não foi apenas deslocamento geográfico, mas um processo intenso de confrontação com o novo, que desafiava crenças, noções de identidade e formas de perceber o outro.

Assim, a viagem não se resumia à espera pela chegada. Ela mesma tornou-se experiência formativa: longas jornadas sobre o mar, convivência forçada em espaços reduzidos, descoberta de línguas e hábitos diferentes, e a percepção de que o mundo era maior — e mais complexo — do que qualquer aldeia do interior da Itália poderia sugerir. Para muitos, esse período de suspensão entre dois continentes marcou definitivamente a memória familiar e a maneira de compreender a própria história. 

Nota explicativa 

Este texto analisa as experiências vividas pelos emigrantes italianos durante a travessia marítima rumo ao Brasil, abordando aspectos emocionais, culturais e cotidianos da vida a bordo. Destacam-se a percepção do tempo, a convivência em espaços reduzidos, o contato com diferentes dialetos, a organização dos navios e o encontro com novas paisagens e povos ao longo do percurso. A abordagem prioriza uma visão humanizada do fenômeno migratório, contextualizada historicamente e livre de citações diretas, reunindo informações relevantes para pesquisadores, descendentes de italianos e interessados na história da imigração italiana no Brasil. 

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



terça-feira, 10 de março de 2026

Os Imigrantes Italianos nos Cafezais do Brasil

 


Os Imigrantes Italianos nos Cafezais do Brasil


Houve um tempo em que o aroma do café se confundia com o som de novas línguas ecoando pelos vales e colinas do Sudeste brasileiro. Navios chegavam carregados de esperanças, enquanto famílias inteiras atravessavam o oceano em busca de terra, trabalho e futuro. Nos cafezais do Brasil, histórias de esforço e adaptação moldaram destinos e transformaram para sempre a paisagem humana do país.

A imigração italiana e a expansão do café no Brasil

Entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do século XX, o Brasil recebeu um contingente expressivo de imigrantes vindos da península Itálica. Estima-se que, entre 1870 e 1920, aproximadamente 1,4 milhão de italianos tenham desembarcado no país — a maior parte deles direcionada ao estado de São Paulo, então epicentro da economia cafeeira. Esse fluxo ganhou intensidade sobretudo após a abolição da escravidão em 1888, quando os proprietários rurais passaram a buscar trabalhadores livres para sustentar a expansão das lavouras.

O avanço da cultura do café pelo interior paulista — especialmente nas áreas conhecidas como Mogiana e Paulista, impulsionadas pela fertilidade da chamada “terra roxa” — exigia mão de obra numerosa e permanente. Nesse contexto, consolidou-se o sistema de colonato, forma de contratação rural que combinava elementos de salário e parceria. Diferentemente do regime escravista, o colono italiano firmava contrato, geralmente logo após sua chegada à fazenda. Cada família ficava responsável por determinado número de pés de café, cuidando do plantio, da capina, da colheita e do beneficiamento inicial do grão.

A remuneração no colonato era composta por pagamentos proporcionais à produção, pelo direito de cultivar gêneros de subsistência entre as fileiras de café — como milho e feijão — e pelo uso de moradia fornecida pelo fazendeiro. Esse arranjo permitia alguma autonomia produtiva, mas também gerava frequentes conflitos quanto a dívidas, preços e descontos, especialmente nos primeiros anos de adaptação.

Política imigratória e o cotidiano dos recém-chegados

A política imigratória brasileira foi estimulada tanto por interesses econômicos quanto por projetos de modernização e de ocupação territorial. O governo provincial e, depois, o governo republicano subsidiaram passagens e organizaram a recepção de estrangeiros. Muitos recém-chegados passaram pela antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás, atual Museu da Imigração do Estado de São Paulo, onde eram registrados e encaminhados às fazendas do interior. Relatos da época descrevem longas esperas, incertezas e condições sanitárias nem sempre adequadas, revelando as dificuldades iniciais enfrentadas por milhares de famílias.

A vida nas propriedades rurais era marcada por jornadas extensas e por trabalho pesado, que incluía a derrubada de matas, a formação de novos cafezais e a manutenção constante das lavouras. Apesar das promessas de prosperidade, muitos imigrantes encontraram realidade mais dura do que a imaginada na Europa. Ainda assim, ao longo do tempo, parte dessas famílias conseguiu economizar recursos, adquirir pequenos lotes de terra ou migrar para atividades urbanas, participando também do nascente processo de industrialização paulista nas primeiras décadas do século XX.

Minas Gerais e Espírito Santo na história do café e da imigração

Embora São Paulo tenha concentrado o maior número de imigrantes e se tornado símbolo dessa relação entre café e imigração, outras regiões cafeeiras também incorporaram trabalhadores italianos. Em Minas Gerais, especialmente na Zona da Mata e no Sul do estado, o café já era uma atividade consolidada desde o século XIX, e a presença italiana contribuiu para a transição gradual do trabalho escravizado para diferentes formas de trabalho livre, incluindo parceria e colonato. A dinâmica mineira foi marcada por maior diversidade de arranjos agrários, combinando grandes propriedades com unidades familiares de produção.

No Espírito Santo, a experiência assumiu características próprias. A imigração italiana esteve fortemente associada à formação de núcleos coloniais e pequenas propriedades agrícolas, nas quais o trabalho familiar desempenhou papel central. Nessas áreas, o café tornou-se base econômica duradoura, contribuindo para a ocupação do interior e para a consolidação da agricultura capixaba — realidade que permanece visível ainda hoje na forte identidade cafeeira do estado.

Essas diferenças regionais revelam que a imigração italiana não foi um fenômeno homogêneo. Em algumas áreas predominou o grande latifúndio exportador; em outras, a pequena produção familiar criou comunidades estáveis e profundamente enraizadas na terra. Em comum, havia o trabalho intenso, a adaptação a novas condições climáticas e sociais e o esforço constante para transformar a promessa de uma vida melhor em realidade concreta.

Nota do Autor

Este texto apresenta um panorama histórico da chegada e da atuação dos imigrantes italianos nas regiões cafeeiras do Brasil entre o final do século XIX e o início do século XX. Nesse período, marcado pela expansão da cultura do café e pelas profundas transformações sociais após a Abolição da Escravidão no Brasil, milhares de famílias vindas da Itália passaram a integrar o sistema agrícola brasileiro, sobretudo nas fazendas do interior de São Paulo.

A narrativa explica como esses imigrantes foram incorporados ao sistema de colonato, forma de trabalho que combinava remuneração e cultivo de subsistência, além de destacar as dificuldades iniciais enfrentadas pelos recém-chegados — desde a passagem pela antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás até o cotidiano nas lavouras. O texto também evidencia que a presença italiana não se limitou a São Paulo, alcançando outras regiões cafeeiras importantes, como Minas Gerais e Espírito Santo.

Mais do que um relato econômico, o conteúdo busca contextualizar historicamente o papel desses trabalhadores na formação social, agrícola e cultural do Brasil, destacando o esforço de adaptação, trabalho e construção de novas comunidades em terras distantes.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



domingo, 22 de fevereiro de 2026

Lista de Alguns Sobrenomes de Imigrantes Italianos na Hospedaria Horta Barbosa em Juiz de Fora MG

 


Lista de Alguns Sobrenomes de

 Imigrantes Italianos que passaram pela 

Hospedaria Horta Barbosa 

Juiz de Fora MG


Aggio

  • Aldighieri

  • Alti

  • Andreini

  • Anghietti

  • Arcangeli

  • Arvenghi

  • Baldazzi

  • Baldi

  • Baldiserotto

  • Balleon

  • Baratella

  • Barbi

  • Barbini

  • Bazzeggio

  • Bellato

  • Belletto

  • Berardi

  • Bergamini

  • Bernardi

  • Bertinazzi

  • Boarati

  • Boeri

  • Boldrin

  • Bonfigioli

  • Borile

  • Boscariol

  • Braga

  • Buontempi

  • Burato

  • Busasca

  • Carpanese

  • Casagrande

  • Casarin

  • Cassina

  • Cassis

  • Cavalli

  • Cesario

  • Cesati

  • Chilese

  • Cogo

  • Cortese

  • Curiani

  • Ermi

  • De Rosso

  • Dedin

  • Dian

  • Doro

  • Drudi

  • Duse

  • Facca

  • Faccio

  • Faggionato

  • Felippe

  • Ferri

  • Filippini

  • Fiviani

  • Gamba

  • Gambati

  • Gatto

  • Grava

  • Guerra

  • Locatelli

  • Lusti

  • Maccadanza

  • Maffialetti

  • Maggiolo

  • Malotto

  • Maltoni

  • Mamponin

  • Mancini

  • Mantovan

  • Marzano

  • Marzin

  • Masega

  • Mattioli

  • Mazzuccato

  • Melisen

  • Mesilon

  • Michieletti

  • Migani

  • Meloni

  • Milani

  • Monfardini

  • Moscardo

  • Muzzioli

  • Nati

  • Nicolini

  • Noris

  • Ottaviani

  • Paltrinieri

  • Pandin

  • Pareschi

  • Parosi

  • Pasin

  • Patuzzo

  • Pavan

  • Pezzetini

  • Piccioni

  • Piccolo

  • Pironi

  • Pistore

  • Pozzolo

  • Presti

  • Ricci

  • Rincini

  • Riz

  • Ruffato

  • Sabadin

  • Sadocca

  • Salvatico

  • Salviato

  • Santinelli

  • Savoretti

  • Signorelli

  • Sotterina

  • Suman

  • Tambo

  • Tangheri

  • Terzi

  • Testa

  • Tinti

  • Tisiot

  • Tittonei

  • Tonello

  • Topa

  • Tramarin

  • Trapolli

  • Travellin

  • Vacchi

  • Vandi

  • Vani

  • Vezzole

  • Villa

  • Vio

  • Zambon

  • Zardetto

  • Zordan


    Nota explicativa do tema

    Este levantamento reúne os sobrenomes de alguns imigrantes italianos que passaram pela Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora, Minas Gerais, importante ponto de acolhimento de recém-chegados ao Brasil. A lista auxilia descendentes na busca de raízes familiares, contribui para estudos genealógicos e preserva a memória da imigração italiana no país. Além de nomes, ela revela trajetórias, identidades e a formação histórica da região.

    Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta


  • segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

    La Vita de Domenico Dalmassen


    La Vita de Domenico Dalmassen

    Da le Langhe a la Montagna Gaùssa la traversia de un emigrante italiano


    Domenico Dalmassen lu el zera nassesto ´nte l´ano 1891, ´nte el pìcolo comune de Prunetto, incrostà zo per le coline de le Langhe, ’ndove le vigne e i boschi se imbrassa come se i zera eterni. El zera cognossesto da la famèia e visin come “Menico”, soranome che la mare ghe gavea messo, parchè el zera nassesto picoleto e parea massa fràgile par resistar al peso de la vita. Ma, da bòcia, el ga dimostrà tuto el contràrio.

    El passava i zorni a tegner le piégore sui prati sassorosi, acompagnà sol dal vento fredo che vegnìa zo dai Alpi e dal suon dei sinsieri sparpalià par la val. Quando el pare vegnìa zo in pianura a segar el formento, Domenico ghe ’ndava drio come un omo za càrigo de ´na vita intera. Intanto che i òmeni batea i grani con le masole e con i brassi indurì, lu el corea de ’na banda a l’altra, portando aqua mescolà con aceto par rinfrescar la gola a la compagnia. El pagamento zera de diese soldi al dì, quasi gnente, ma bastava par far sentir un putelo parte de un esèrcito de òmeni famà.

    ´Ntei mesi che el lavoro se raregiava su per le coline, lu e el pare scendea in pianura, passando de na famèia a l’altra, sempre a far i mestieri pì duri: bater grani, sistemar barili, alsar carichi. La magnada zera quatro fete de polenta in scarsela, el leto un monte de fien inte el fenil. Ghe zera zorni che tuto paréa na batàia sensa fin, na guera silensiosa contro la fame e la misèria, ’ndove el nemigo no se lassa mai venser.

    Prima de vegnir omo fato, Domenico passò la frontiera e ’ndò a laorar in Frànsia. Ma l’ilusione de catar alìvio se scancelò sùbito: anca là, el sudor gavea el stesso gusto amaro, la fadiga el stesso peso de piombo.

    Intanto, tre de so fradei gavea za traversà l’Atlàntico e se gavea sistemà in Mèrica, lavorando ´nte le segherie. Ghe zera lori che i ghe ga mandà danari par che el podesse ’ndar drio a incontrarghe. Int 1907, el se unì a un grupo de ventido compaisan e s’imbarcò verso el mondo novo. Prima de la partensa, le vacine che infiamava i brassi; dopo, l’imbarco su quel gran bastimento a vapor che odorava de fero, de mar e de paura.

    La traversia zera na prova de resistensa. La magnada scarsa e de poca qualità, spartì in scudele come rassion de soldà. El ùltimo pian del navio la zo ’ndove Domenico el zera messo, el tegnea drento tresento òmeni, con e le done e bambin pìcoli in un altro compartimento visin. El mar, sbatù e crudele, pestava sul scafo; par do zorni el bastimento restò a la deriva, dominà da le onde che saltava sora el ponte la su. A ogni colpo de tempesta, la sensassion che la morte girasse par el compartimento se sparpagnava come ´na febre. Ma anca ’sta borasca, come tante altre, passò, e finalmente el bastimento ga varda le luse de Nova York.

    El primo laoro de Domenico zera con un grupo che tegnea pì de sento òmeni vegnù pròprio da la so zona in Itàlia. El pagamento zera de sete lire e mesa par diese ore al zorno. La vita la gera segnà dal rumor sensa fin de la sega e dal cascar de le grande piante. El laoro consumea mùscoli e sudore, ma i taliani, malgrado la duresa, tegnea viva la fiama del grupo: el sabo sera, balo, carte, partide de balon e punho, e le notate diventava trègua contra la fadiga.

    Par quatro ani Domenico restò in quel siclo de laoro e strachesa, vivendo in baraconi de legno improvisà, spartindo la misèria con òmeni che i zera diventà quase fradei. Tanti i ga restà. Lu, invese, decise de tornar indrio. La so vècia mare la zera sola e bastansa amalà a Prunetto, e el ricordo de lei pesava pì de ogni fortuna.

    I tre altri fradei i ga restà in Mèrica, insieme con i altri ventun compagni che gavea partì con lori. Mai pì lori i ga mandà notìssie. El so silénsio zera un tàio profondo ´nte el cuor de Domenico, ma anca un segno che el destin, par ogni omo, se compie in maniera diversa. La traversia, la nostalgia e el ritorno segnarà la so vita par sempre.

    De regresso in Itàlia, el ga vardato la mare malà fin a la fine. Do ani interi dedicà a vegilar noti silensiose, a portar aqua e legna, a sentir quei sospiri sordi che sol ´na mare solitària podea tirar fora. Quando lei la ga morì, a lo scomìnsio de 1909, la casa de piere a Prunetto la diventò solo na presion de memòrie. Domenico capiva che là no ghe zera pì futuro.

    Poco dopo, rivò ´na lètera da Caxias, in Brasil. La zera de Pietro Bonelli, vècio visin de Prunetto, adesso paron de ´na famosa fàbrica de carosse ´nte la colónia taliana che fioriva ´nte el cuor del Rio Grande do Sul. Pietro el gavea bisogno de òmeni fidà e boni come marangon. Domenico, che quando ancora zòvene gavea imparà dal nono marangon da vila, l’arte de fabricar le rode e i assi de carosse e anca durante un perìodo prima de le segherie americane, el ga ricevesto sto invito come un segno del destin.

    El viaio verso el Brasil zera longo e manco dramàtico che el primo, ma anca segnà dal compartimento la zo ´ntel fondo poco iluminà del navio , dal mal de mar e da l’ánsia de rivar. Quando el ga sbarcà ´nel Rio Grande do Sul, el ga trovà un mondo che odorava ancora de foresta taiada, ma che batea con l’energia de miliaia de coloni disposti a far vignai, case e fàbriche da la foresta.

    A Caxias, Domenico se ga atacà ´nte la ufissina de Pietro come se questo el zera ´na parte naturale de la so vita. Le rode de le carrosse, che volea pressision par resistar al peso de le strade de baro e de piere, le diventò la so spessialità. I coloni savea riconosser el bon laoro, e presto el nome de Dalmassen el zera sinònimo de fidùssia.

    Lì el ga conossesto Francesca Zardi, ´na zòvena vedova natural de Maser, in Véneto. El so marì el zera morto in un disastro brutìssimo, strucà da un caval durante el laoro su la tera che lori i coltivea. Francesca, ancora con la zoventù sul viso e mare de ´na putela ancora in bràssia ciamà Beatrice, se trovava davanti a un futuro dùbio. La tera che lei adesso gavea la zera massa pesà par le so forse, e za pensava de vender tuto e tornar a casa dai genitori in Itàlia.

    El incontro el ga sussedesto quasi par caso. Domenico el zera stà ciamà a meter a posto le rode rote de ´na carossa, che scricolava sempre sora le strade de la colónia. La carossa zera de Francesca. El laoro lo portò su la pìcola proprietà, ’ndove el vide ´na dona bea tanto zóvena determinà a resistar, ma visibilmente straca. Fra le schege de legno e l’odor de fero scaldà, nasse ´na visinansa che se trasformò in destin.

    I se ga sposà poco dopo. Francesca trovò in Domenico la fermesa che ghe serviva par no molar la tera, e lu, in lei, la famèia che ghe zera mancà par tanti ani. In quela casa sémplice, fata con fadiga e speranse, la vita de Domenico Dalmassen trovò radisi sòlide.

    Da fiol picoleto de le coline piemontese, piegoraro e migrante erante, lu se ga trasformà in maestro de rode ´ntel cuor de Caxias, sìmbolo de ´na generassion che, tra osseani e adìi, la ga costruì un mondo novo.

    Nota del Autor

    Sta narativa la ze nassesta dal desiderio profondo de salvar la memòria de quei òmeni e done che i ga traversà osseani in serca de un destin che no ghe zera garantì in so paese. Mi go scielto Domenico Dalmassen come personaio sentral parchè la so strada la simbolisa la vita de miliaia de emigranti taliani che, tra la fine del XIX sècolo e lo scomìnsio del XX, i ga lassà le coline del Piemonte e de tante altre region de l’Itàlia par costruir, con sudor e sacrifìssio, na nova esistensa in Brasil.

    La stòria de Domenico no vol esser la riprodussion precisa de un individuo spessìfico, ma na ricostrussion literària inspirà ´ntele lètare, testimoni e registri che i ze rivà, testimoniando i dolori de la partensa, i perìcoli de la traversia e la duresa de l’adatarse. Cambiando nomi, posti e detài, mi go sercà de tegner amparà l’identità dei personagi stòrici e, ´nte el stesso tempo, dar vita a un protagonista che incarna la forsa coletiva de l’emigrassion taliana.

    Mi go scrito sta stòria par dar vose a chi che quasi mai podea scriver la so pròpia version de la vita. El ze un tributo a chi che perde tuto e comunque sémena speransa, a chi che trovò in Brasil ´na casa lontan e, sora de tuto, a chi che capì che emigrar vol dir viver sempre tra do mondi: quel del ricordo e quel de la costrussion.

    Dr. Luiz C. B. Piazzetta


    sábado, 14 de fevereiro de 2026

    Relação dos Imigrantes Italianos que Partiram de Gênova para Paranaguá PR em 12 de Fevereiro de 1878

     


    Vapor Colombo

    Relação dos Imigrantes Italianos que Partiram de Gênova para Paranaguá PR em 12 de Fevereiro de 1878


     

    NOME
    IDADE
    LUGAR DE
    NASCIMENTO
    NAÇÃO
    PROFISSÃO
    RELIGIÃO
    TUALDO Gio.Batta
    TUALDO Luigia
    TUALDO Maria
    TUALDO Emanuele
    TUALDO Giuseppe
    TUALDO Tarquino
    TUALDO Silvio
    45
    42
    14
    10
    7
    5
    3
    VICENZA
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    Itália
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    Agricultor
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    Católico
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    ROARO Giovanne
    ROARO Regina
    ROARO Giulio
    ROARO Antonio
    38
    36
    6
    3
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    FOGLIATO Francesco
    FOGLIATO Maria
    FOGLIATO Giacomo
    FOGLIATO Cecilia
    FOGLIATO Francesco
    35
    33
    7
    4
    2
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    TREVISAN Giuseppe
    TERVISAN Francesca
    TREVISAN Giovanna
    TREVISAN Lucia
    TREVISAN Angela
    TREVISAN Francesco
    TREVISAN Francesco
    TREVISAN Domenico
    TREVISAN Caterina
    38
    36
    15
    10
    9
    7
    6
    4
    1
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    PIROTTO Francesco
    PIROTTO Elisabetta
    PIROTTO Giustina
    PIROTTO Francesco
    PIROTTO Costanza
    PIROTTO Maria
    PIROTTO Pietro
    35
    30
    10
    9
    6
    3
    1
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    CHEMELO Antonio
    CHEMELO Domenica
    30
    30
    "
    "
    "
    "
    "
    BAGIN Giovanni
    BAGIN Filomena
    BAGIN Maria
    BAGIN Maddalena
    BAGIN Giovanni
    42
    10
    15
    11
    4
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    GUERRA Antonio
    GUERRA Maria
    GUERRA Francesca
    GUERRA Gio.Batta
    GUERRA Maria
    44
    40
    16
    13
    3
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    BARBIERO Giuseppe
    BARBIERO Bortolo
    BARBIERO Maria
    79
    52
    52
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    POTTOLLON(?) Antonio
    POTTOLLON Caterina
    POTTOLLON Giovanni
    32
    30
    4
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    NOME
    IDADE
    LOCAL DE
    NASCIMENTO
    NAÇÃO
    PROFISSÃO
    RELIGIÃO
    NODARI Sebastianno
    NODARI Angela
    NODARI Luigia
    NODARI Lucia
    NODARI Domenico
    NODARI Romano
    NODARI Maria
    NODARI Emilio
    41
    40
    10
    9
    7
    5
    4
    2
    VICENZA
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    Itália
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    Agricultor
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    Católico
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    LORENZONI Caterina
    LORENZONI Antonio
    LORENZONI Maria
    LORENZONI Giulio
    LORENZONI Andrea
    LORENZONI Gaetano
    60
    24
    41(?)
    14
    8
    1
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    MASCHIO Gio Maria(?)
    MARCHIO Angela
    27
    22
    "
    "
    "
    "
    "
    DALLA COSTA Domenico
    DALLA COSTA Maria
    DALLA COSTA Eva
    DALLA COSTA Maria
    DALLA COSTA Costanza
    DALLA COSTA Speranza
    DALLA COSTA Guglielmo
    46
    40
    14
    12
    10
    8
    6
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    FINALTI Michele
    FINALTI Angelo
    FINALTI Giovanna
    62
    27
    25
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    FORNER Giacomo
    FORNER Maria
    FORNER Antonia
    FORNER Antonio
    FORNER Maria
    FORNER Guglielmo
    FORNER Giordano
    41
    -
    39
    14
    10
    2
    0.7
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    GAZZOLA Agostino
    GAZZOLA Lucia
    GAZZOLA Fortunato
    GAZZOLA Alessandro
    35
    30
    32
    3
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    MENEGHETTI Valentino
    MENEGHETTI Caterina
    MENEGHETTI Giuseppina
    33
    30
    1
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    BIZZOTTO Francesco 
    BIZZOTTO Angela
    BIZZOTTO Antonio
    BIZZOTTO Matteo
    BIZZOTTO Giovanni
    BIZZOTTO Orsola
    BIZZOTTO Regina
    41
    35
    13
    11
    9
    7
    3
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    BASCAN Valentino
    BASCAN Maria
    BASCAN Amedeo
    BASCAN Sante
    32
    26
    6
    3
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    NOME
    IDADE
    LOCAL DE
    NASCIMENTO
    NAÇÃO
    PROFISSÃO
    RELIGIÃO
    CECCON Gaetano
    CECCON Cecilia
    CECCON Maria
    CECCON Angelo
    CECCON Margheritta
    34
    34
    11
    8
    1
    VICENZA
    "
    "
    "
    "
    Itália
    "
    "
    "
    "
    Agricultor
    "
    "
    "
    "
    Católico
    "
    "
    "
    "
    DALLAPOZZA Maria
    DALLAPOZZA Antonio
    DALLAPOZZA Rosa
    DALLAPOZZA Giuditta
    DALLAPOZZA Massimiliano
    DALLAPOZZA Maria
    60
    40
    35
    9
    6
    3
    "
    "
    "
    "
    GHENO Giovanna
    GHENO Maria Angela
    GHENO Bartolomeu
    Constam dois nome riscados 
    59
    13
    9
    -
    "
    "
    "
    "
    PAOLETTO Bortolo
    PAOLETTO Maria
    PAOLETTO Giuseppe
    PAOLETTO Anna
    PAOLETTO Carlo
    57
    37
    8
    5
    0.8
    "
    "
    "
    "
    RIGHI Giovanni
    RIGHI Teresa
    RIGHI Giovanni
    RIGHI Francesco
    RIGHI Emilia
    28
    25
    6
    3
    0.5
    "
    "
    "
    "
    BRAGAGNOLO Pietro
    BRAGAGNOLO Angela
    BRAGAGNOLO Ciriaco
    BRAGAGNOLOMatteio
    51
    54
    15
    12
    "
    "
    "
    "
    MENEGAZ Abramo
    MENEGAZ Pasqua
    MENEGAZ Domenico
    MENEGAZ Pietro
    MENEGAZ Maria
    MENEGAZ Anna
    55
    43
    14
    8
    5
    3
    "
    "
    "
    "
    CARLESSO Bernardo
    CARLESSO Angela
    CARLESSO Giovanni
    CARLESSO Francesco
    49
    46
    15
    11
    "
    "
    "
    "
    TOTONE(?) Andrea
    TOTONE Pasqua
    TOTONE Sebastiano
    TOTONE Lucia
    TOTONE Maria
    37
    28
    7
    4
    2
    "
    "
    "
    "
    GRIGOLETTO Giuseppe
    GRIGOLETTO Maria
    GRIGOLETTO Maria
    GRIGOLETTO Rosa
    GRIGOLETTO Giovanni
    33
    33
    7
    4
    1
    "
    "
    "
    "
    NOME
    IDADE
    LOCAL DE
    NASCIMENTO
    NAÇÃO
    PROFISSÃO
    RELIGIÃO
    TRITOLATI Vincenzo
    TRITOLATI Angela
    TRITOLATI Gaetano
    TRITOLATI Giovani
    TRITOLATI Anacleto
    32
    27
    6
    4
    1
    VICENZA
    "
    "
    "
    "
    Italia
    "
    "
    "
    "
    Agricultor
    "
    "
    "
    "
    Catolico
     "
    "
    "
    "
    MORO Bortolo
    MORO Luigia
    MORO Maria
    MORO Pietro
    MORO Domenica
    44
    44
    16
    14
    12
    "
    "
    "
    "
    BOLZON Pietro
    BOLZON Luigi
    BOLZON Rosa
    BOLZON Giacomo
    BOLZON Adora
    -
    26
    23
    22
    0.5
    "
    "
    "
    "
    STRADIOTTO Antonio
    STRADIOTTO Antonia
    STRADIOTTO Valentino
    STRADIOTTO  Cristina
    31
    33
    6
    3
    TREVISO
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    MILANI Antonio
    MILANI Rosa
    MILANI Maria
    MILANI Valentino
    MILANI Caterina
    MILANI Giovanni
    40
    34
    16
    9
    4
    1
    "
    "
    "
    "
    FILIPPIN Giovanni
    FILIPPIN Antonia
    22
    21
    "
    "
    "
    "
    GUIDOLIN Angelo
    GUIDOLIN Angela
    GUIDOLIN Luigi
    GUIDOLIN Giuseppe
    59
    57
    19
    16
    "
    "
    "
    "
    PASINATO Amedeo
    PASINATO Patrizio
    PASINATO Luigia
    PASINATO Pietro
    PASINATO Giuseppe
    PASINATO Angelo
    PASINATO Matteo
    PASINATO Angelo
    PASINATO Gio (?)
    70
    46
    40
    18
    13
    11
    7
    4
    0.18
    "
    "
    "
    "
    PIEROBOM Antonio
    PIEROBOM Teresa
    PIEROBOM Marco
    33
    27
    26
    "
    "
    "
    "
    CECCHIN Francesco
    CECCHIN Veronica
    CECCHIN Celeste
    CECCHIN Maria
    CECCHIN Gio.Batta
    CECCHIN Vittorio
    CECCHIN Maria
    52
    47
    29
    26
    18
    14
    12
    "
    "
    "
    "
    NOME
    IDADE
    LOCAL DE 
    NASCIMENTO
    NAÇÃO
    PROFISSÃO
    RELIGIÃO
    SOUZA Celeste
    SOUZA Domenica
    SOUZA Angelo
    SOUZA Maria
    SOUZA Amedeo
    SOUZA Giovanni
    SOUZA Giuseppe
    SOUZA Angela
    37
    37
    14
    12
    10
    7
    4
    2
    TREVISO
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    Italia
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    Agricultor
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    Catolico
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    GAZZOLA Antonio
    GAZZOLA Pietro
    65
    30
    "
    "
    "
    "
    TONIOLO Eugenio
    TONIOLO Maria
    TONIOLO Maria
    30
    27
    2
    "
    "
    "
    "
    STANGHERLIU(?) Sante
    STANGHERLIU Maria
    STANGHERLIU Cesare
    STANGHERLIU Eugenio
    STANGHERLIU Pasquale
    STANGHERLIU Regina
    STANGHERLIU Teresa
    63
    53
    27
    23
    16
    13
    11
    "
    "
    "
    "
    FUGANTI(?) Felice
    FUGANTI Bortolomea
    FUGANTI Lucia
    FUGANTI Virginia
    FUGANTI Rosa
    FUGANTI Cesare
    FUGANTI Pietro
    FUGANTI Caterina
    FUGANTI Romedio
    49
    38
    18
    17
    16
    10
    9
    7
    5
    TRENTO
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    TOMAS Gio.Batta
    TOMAS Margherita
    TOMAS Corona
    TOMAS Margherita
    TOMAS Giacomo
    36
    28
    10
    8
    2
    "
    "
    "
    "
    TONIETTI Fortunata
    TONIETTI Maria
    TONIETTI Barbera
    TONIETTI Pietro
    TONIETTI Giorgio
    TONIETTI Giovanni
    42
    15
    11
    8
    3
    1
    "
    "
    "
    "
    PERMIAN Caterina
    PERMIAN Giuseppe
    PERMIAN Carolina
    PERMIAN Maria
    PERMIAN Luigia
    PERMIAN Luigi
    PERMIAN Alessandro
    PERMIAN Gaetano
    PERMIAN Rosa
    PERMIAN Giuseppe
    70
    33
    38
    20
    19
    18
    16
    14
    11
    2
    VERONA
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    "
    NOME
    IDADE
    LOCAL DE
    NASCIMENTO
    NAÇÃO
    PROFISSÃO
    RELIGIÃO
    VIERO Giovanni
    VIERO Caterina
    VIERO Andrea
    VIERO Giovanna
    VIERO Antonio
    VIERO Santo
    43
    40
    9
    6
    3
    1
    VICENZA
    "
    "
    "
    "
    "
    Italia
    "
    "
    "
    "
    "
    Agricultor
    "
    "
    "
    "
    "
    Catolico
    "
    "
    "
    "
    "
    TOLFO Eurosia
    TOLFO Giovanni
    TOLFO Margherita
    TOLFO Pietro
    TOLFO Drusilla
    TOLFO Fioravante
    61
    28
    26
    5
    4
    2
    "
    "
    "
    "
    RINCO Margherita
    RINCO Luigi
    RINCO Isotta
    RINCO Gio.Batta
    RINCO Giuseppe
    70
    35
    36
    11
    2
    "
    "
    "
    "
    RECCHIA Luigi
    RECCHIA Maria
    RECCHIA Antonio
    RECCHIA Massimiliano
    RECCHIA Benvenuto
    32
    25
    4
    3
    1
    "
    "
    "
    "
    FACCIN Benedetto
    FACCIN Pasqua
    FACCIN Rodolfo
    FACCIN Romano
    FACCIN Guglielma
    FACCHIN Agostino
    48
    44
    15
    22
    8
    5
    "
    "
    "
    "
    MELATTO Michele
    MELATTO Domenica
    MELATTO Clorinda
    MELATTO Paola
    27
    25
    7
    2
    "
    "
    "
    "
    DAL SANTO Bortolo
    DAL SANTO Filomena
    DAL SANTO Maria
    DAL SANTO Natale
    DAL SANTO Rosa
    37
    32
    10
    4
    3
    "
    "
    "
    "
    NOGARA Angelo
    NOGARA Teresa
    NOGARA Lucia
    NOGARA Alessandro
    NOGARA Gio.Batta
    NOGARA Maria
    49
    39
    15
    11
    9
    6
    "
    "
    "
    "
    BROCCARDO Francesco
    BROCCARDO Elena
    BROCCARDO Silvio
    BROCCARDO Aliuto
    32
    30
    4
    2
    "
    "
    "
    "
    RUGGINE Antonio
    RUGGINE Maria
    RUGGINE Attilio
    37
    31
    3
    "
    "
    "
    "
    NOME
    IDADE
    LOCAL DE
    NASCIMENTO
    NAÇÃO
    PROFISSÃO
    RELIGIÃO
    NOGARA Giuseppe
    NOGARADomenica
    NOGARA Teresa
    NOGARA Elisabetta
    NOGARA Rosa
    39
    30
    10
    7
    3
    VICENZA
    "
    "
    "
    "
    Itália
    "
    "
    "
    "
    Agricultor
    "
    "
    "
    "
    Católico
    "
    "
    "
    "
    LOVATO Isidoro
    LOVATO Cristina
    LOVATO Giseppe
    LOVATO Gio.Batta
    50
    46
    13
    7
    "
    "
    "
    "
    GOBBO Mario
    GOBBO Maria
    GOBBO Amalia
    GOBBO Massimiliano
    GOBBO Giuseppe
    GOBBO Petronilla
    49
    35
    10
    8
    6
    2
    "
    "
    "
    "
    COSTA Isidoro
    COSTA Caterina
    COSTA Angela
    COSTA Domenico
    COSTA Rosa
    31
    30
    4
    3
    0.7
    "
    "
    "
    "
    CARLOTTO Antonio
    CARLOTTO Maria
    CARLOTTO Domenico
    CARLOTTO Rosa
    CARLOTTO Andrea
    CARLOTTO Antonio
    62
    54
    23
    21
    18
    0.8
    "
    "
    "
    "
    PELIZZARO Giovanni
    PELIZZARO Giuditta
    PELIZZARORiccardo
    PELIZZARO Rosa
    35
    35
    4
    2
    "
    "
    "
    "
    BISOGNIN Francesco
    BISOGNIN Brigida
    BISOGNIN Isidoro
    BISOGNIN Alessandro
    BISOGNIN Santa
    BISOGNIN Rosa
    46
    27
    9
    6
    3
    0.8
    "
    "
    "
    "
    CREAZZO Luicia
    CREAZZO Luigi
    CREAZZO Angela
    CREAZZO Elena
    70
    40
    33
    25
    "
    "
    "
    "
    GIARETTA Angelo
    GIARETTA Pasqua
    GIARETTA Michele
    GIARETTA Maria
    GIARETTA Antonio
    50
    50
    29
    29
    "
    "
    "
    "
    LORENZON Giovanni
    LORENZON Caterina
    LORENZON Francesco
    LORENZON Pia
    LORENZON Paola
    39
    37
    9
    6
    2
    "
    "
    "
    "
    NOME
    IDADE
    LOCAL DE 
    NASCIMENTO
    NAÇÃO
    PROFISSÃO
    RELIGIÃO
    GUERRA Giovanni
    GUERRA Francesco
    GUERRA Orsola
    GUERRA Gio.Batta
    GUERRA Genovieffa
    53
    39
    37
    14
    2
    VICENZA
    "
    "
    "
    "
    Italia
    "
    "
    "
    "
    Agricultor
    "
    "
    "
    "
    Católico
    "
    "
    "
    "
    LORENZON Francesco
    LORENZON Giovanna
    LORENZON Maria
    LORENZON Giovannina
    LORENZON Giovanni
    LORENZON Pietro
    40
    37
    8
    6
    4
    2
    "
    "
    "
    "


    Nota

    Cada nome que aparece nesta relação não é apenas uma entrada num arquivo antigo. É um coração que bateu mais forte ao avistar o mar pela última vez na costa de Gênova. É uma mala pobre, cheia de silêncios, despedidas e esperanças. Ao organizar e publicar esta lista de imigrantes italianos que partiram rumo a Paranaguá em fevereiro de 1878, sinto que não estou apenas lidando com dados, mas com vidas suspensas entre dois mundos.

    Foram homens e mulheres que deixaram para trás aldeias, vinhas, montanhas e sepulturas de antepassados para enfrentar o desconhecido. Não sabiam o que os esperava do outro lado do oceano. Sabiam apenas que a fome, a miséria e a falta de futuro já não lhes davam escolha. O Brasil era mais do que um destino: era uma promessa.

    Escrever sobre eles é, para mim, um ato de respeito. É devolver dignidade a quem a história muitas vezes reduziu a números. É lembrar que a identidade brasileira foi construída por mãos calejadas, por vozes com sotaque, por corações que aprenderam a amar uma terra que não era sua — até que se tornou.

    Se este texto tocar alguém que reconheça um sobrenome, uma origem, uma história de família, então ele cumpriu seu papel. Porque a memória não é passado morto. É raiz viva. E sem raiz, nenhuma árvore permanece em pé.