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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O Impacto Emocional e os Desafios da Emigração Italiana para o Brasil


O Impacto Emocional e os Desafios da Emigração Italiana para o Brasil


A experiência migratória italiana do final do século XIX raramente era acompanhada de preparo psicológico ou orientação adequada. Falava-se muito das causas da partida — a pobreza crescente, a falta de terras, o esgotamento das possibilidades no campo — e também das promessas feitas por intermediários e agentes, que apresentavam o ultramar como solução definitiva para todas as carências. No entanto, pouco se refletia sobre o impacto humano mais profundo dessa decisão. Migrar era visto como um gesto quase natural, um deslocamento físico, sem que se considerassem as marcas emocionais que acompanhariam quem partia.

Hoje se compreende que a emigração não significou apenas uma mudança geográfica, mas uma ruptura na biografia de cada indivíduo. Muitos partiram imbuídos de esperança, mas sem perceber que deixavam para trás redes de afeto, hábitos enraizados, paisagens familiares e a memória viva de seus vilarejos. A decisão raramente vinha acompanhada de preparação interior: acreditava-se que a simples perspectiva de uma vida melhor resolveria todas as dores, quando, na verdade, era apenas o início de um processo complexo de perda e reconstrução.

Somava-se a isso a desinformação. A imagem do Brasil circulava em folhetos, conversas e relatos fragmentários, quase sempre idealizados. Falava-se de terras férteis e abundância, mas pouco se mencionavam o clima intenso, as doenças tropicais, a exigência de trabalho pesado e as dificuldades de adaptação. O choque entre a promessa e a realidade era brusco e, muitas vezes, doloroso. Não era raro que o entusiasmo inicial cedesse lugar à frustração silenciosa.

A barreira da língua ampliava esse sentimento. Muitos italianos falavam apenas seus dialetos locais; ao chegar, encontravam o português — distante e estranho. A impossibilidade de se expressar plenamente criava isolamento e insegurança, limitava o acesso a serviços e dificultava a defesa de direitos. Dentro das colônias, o uso do dialeto tornava-se abrigo, mas também reforçava a percepção de distância do novo país.

Nessa travessia entre mundos, a identidade também se transformava. O emigrante já não era inteiramente aquilo que fora em sua terra, mas tampouco se reconhecia ainda como parte do lugar de chegada. Vivia em um espaço intermediário — uma espécie de fronteira interior — que provocava inquietação constante. A saudade não era um sentimento ocasional, mas presença diária que se infiltrava nos gestos, nas lembranças e nos silêncios.

As famílias, por sua vez, passavam por mudanças profundas. Papéis se alteravam, responsabilidades se redistribuíam, e muitas vezes a promessa de prosperidade tardava a se realizar. Havia cansaço físico, angústia pela incerteza e um senso de dever que nem sempre conseguia silenciar a nostalgia. Entre os mais jovens e os mais velhos, em especial, surgiam formas de sofrimento que hoje se reconheceriam como efeitos emocionais da ruptura com o lugar de origem.

Também o ambiente contribuía para acentuar essas tensões. O trabalho exaustivo na lavoura, o calor intenso, as doenças endêmicas e a precariedade dos primeiros anos na colônia colocavam os emigrantes diante de uma realidade bem diferente do que haviam imaginado. Alguns recorriam ao álcool; outros se recolhiam em silenciosa tristeza; outros ainda se amparavam na fé.

Frente a tudo isso, as comunidades encontraram meios de recompor o sentido de pertença. Igrejas, capelas, associações de auxílio mútuo, festas tradicionais e o próprio campanário repetido nas novas paisagens funcionavam como pontes invisíveis com a terra deixada para trás. Reconstruir símbolos, preservar o dialeto, compartilhar memórias e rezas era uma forma de dizer que, embora tivessem partido, não estavam totalmente desenraizados.

Assim, percebe-se que a emigração italiana não foi apenas deslocamento físico rumo a novas terras, mas uma travessia interior complexa, feita de saudade, esperança, perdas e reinvenção. A preparação para esse processo quase não existia; ela foi sendo construída na prática, no esforço diário de sobreviver, adaptar-se e recriar, no Novo Mundo, fragmentos da vida que ficara para trás.

Nota explicativa

Este texto aborda os aspectos emocionais, psicológicos e sociais vivenciados pelos emigrantes italianos que se dirigiram ao Brasil entre o final do século XIX e o início do século XX. Diferentemente das análises centradas apenas nas causas econômicas da partida ou nas condições materiais das viagens, a reflexão aqui desenvolvida destaca sentimentos de ruptura, saudade, insegurança, choque cultural e processos de adaptação à nova realidade. O objetivo não é idealizar ou dramatizar a experiência migratória, mas ampliar a compreensão desse fenômeno, considerando também suas dimensões humanas, identitárias e afetivas, muitas vezes pouco registradas pelas fontes históricas tradicionais.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta





sábado, 27 de dezembro de 2025

Giovanni Battista Scalabrini o Bispo dos Migrantes e a Missão de Amparo aos Italianos no Século XIX

 



Quem Foi Giovanni Battista Scalabrini

Giovanni Battista Scalabrini nasceu em 8 de julho de 1839, na cidade de Como, Itália. Tornou-se bispo de Piacenza e dedicou sua vida a acolher e proteger os emigrantes italianos. Ingressou no seminário aos 18 anos, foi ordenado sacerdote em 1863 e consagrado bispo em 1876.

Sensibilidade ao Sofrimento dos Emigrantes

. As Despedidas nas Estações e o Drama da Emigração

Sua profunda compaixão com o drama migratório começou ao observar famílias italianas que se reuniam nas estações ferroviárias rumo ao Porto de Gênova, onde embarcariam para as Américas. Scalabrini relatou cenas emocionantes nas quais homens, mulheres e crianças deixavam seus povoados entre lágrimas e lembranças, abandonando ao mesmo tempo uma realidade marcada pelo alistamento militar obrigatório e pela carga pesada de impostos.

. A Visão da Igreja sobre a Questão Social

Convencido de que a Igreja deveria atuar diretamente para defender os emigrantes, escreveu em sua carta pastoral de 1882 que era necessário participar da vida pública com todos os meios legítimos para promover a verdade e a justiça. Em 1891, reforçou essa visão afirmando que era preciso “sair do templo” para agir de modo realmente transformador.

As Obras Fundadas por Scalabrini

. Congregações e Apoio ao Emigrante

Com o objetivo de enfrentar o sofrimento dos emigrantes, Scalabrini propôs leis sobre a emigração e, em 1887, fundou a Congregação dos Missionários de São Carlos. Depois criou a Sociedade São Rafael, destinada a ajudar viajantes e recém-chegados.

. Atuação Feminina na Missão

Em 1895, fundou a Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos e, em 1900, concedeu reconhecimento diocesano às Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração, enviando-as para auxiliar emigrantes italianos no Brasil.

Viagens às Américas e Legado

. Visita aos Emigrantes Italianos nas Américas

Aos 62 anos, Scalabrini decidiu conhecer pessoalmente as condições de vida dos emigrantes. Entre 1901 e 1904, viajou pelos Estados Unidos, Brasil e Argentina, fortalecendo o trabalho missionário iniciado pela sua congregação.

. Beatificação e Reconhecimento

Scalabrini faleceu em 1º de junho de 1905. Seu compromisso com a dignidade humana e sua defesa incansável dos migrantes levaram à sua beatificação em 9 de novembro de 1997 pelo Papa João Paulo II. Em 2022, Giovanni Battista Scalabrini foi canonizado pelo Papa Francisco, sendo reconhecido oficialmente como São João Batista Scalabrini, Patrono dos Migrantes.

Conclusão / Nota do Autor

Giovanni Battista Scalabrini foi uma figura decisiva para a proteção dos emigrantes italianos no século XIX e início do XX. Sua visão humanitária, seu compromisso social e as congregações que fundou continuam presentes no trabalho scalabriniano em diversos países. Este texto busca preservar sua memória e destacar a relevância de sua missão para a história da migração italiana.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta




quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Os Filhos do Piemonte – A Grande Travessia Italiana

 


Os Filhos do Piemonte: A Grande Travessia Italiana para o Brasil


Origem em San Giovanni: Vida e Esperança no Piemonte

Giuseppe Albertona nasceu entre as colinas verde-escuras de San Giovanni, pequena localidade do município de Biella, no Piemonte. A aldeia, cercada por vinhedos e neblinas persistentes, era um aglomerado de casas de pedra e telhados escuros que resistiam ao tempo, à pobreza e às intempéries.

Desde cedo ele aprendeu o peso do trabalho e o silêncio dos campos. Casou-se com Antonella Ferrari, de Chiavazza, moça de olhos claros e mãos marcadas pela fianda. Ambos cresceram sob o mesmo horizonte de montanhas, dívidas e estações que já não traziam fartura.

A Itália Pós-Unificação e o Início do Êxodo Italiano

A Itália vivia o rescaldo da unificação nacional. O novo Reino prometera progresso, mas o progresso parecia visitar apenas algumas grandes cidades. No Piemonte rural, os contratos agrícolas se dissolviam, as terras eram fragmentadas e a miséria crescia. A fome, antes visita passageira, tornara-se moradora permanente das cozinhas. Nos vilarejos, aumentavam as notícias de partidas. Famílias deixavam tudo para trás rumo ao desconhecido. Chamavam aquele destino de “la Mèrica”. Nos domingos de missa, Giuseppe ouvia histórias sobre terras férteis, trabalho certo e viagem paga — mas pouco se falava do calor tropical, das febres e dos que nunca voltavam.

A Decisão de Emigrar para o Brasil em 1884

Em 1884, quando a neve derreteu nos vales, Giuseppe e Antonella decidiram partir. Não houve cerimônia, apenas um último olhar para a paisagem que moldara suas vidas. Levaram uma arca de madeira com roupas, algumas sementes, um rosário e um punhado de terra do quintal paterno. O resto era esperança.

A Caminho de Gênova: O Trem, o Porto e o Êxodo Italiano

A viagem começou sobre trilhos. O trem que os levou a Gênova cuspia fogo e carvão. No vagão, o casal sentiu pela primeira vez o tamanho do êxodo: vênetos, lombardos, ligures — todos fugindo da mesma pobreza. O porto fervilhava: mulheres com crianças, velhos carregando retratos, jovens tentando esconder o medo. O navio era uma embarcação de ferro, pesada e cansada, carregada de promessas e maus presságios.

A Travessia do Atlântico: 36 Dias Entre Esperança e Sufoco

A bordo, a vida se tornava espera. O ar era pesado, as câmaras inferiores cheiravam a ferrugem e doença. Antonella adoeceu nos primeiros dias, vencida pela vertigem e pela saudade. Giuseppe limpava-lhe o rosto e encarava o oceano como se buscasse decifrar o futuro. À noite, o navio gemia sob o peso das ondas.Crianças choravam, preces ecoavam, e o vento trazia sal misturado à desesperança. Alguns passageiros olhavam o céu tentando reconhecer as estrelas da Itália, mas até o firmamento parecia outro mundo.

A Chegada ao Brasil: Santos e o Trem para Ribeirão Preto

Após trinta e seis dias, o vapor ancorou no porto de Santos. O calor sufocante, o cheiro doce de frutas e a luz brutal dos trópicos cegaram-nos por instantes. De Santos seguiram de trem até Ribeirão Preto, onde agricultores buscavam substituir a mão de obra escrava recém-liberta por imigrantes italianos. As fazendas de café dominavam o horizonte.

A Dura Vida nas Fazendas de Café Paulistas

As casas dos colonos ficavam alinhadas em fileiras de taipa e barro, construídas onde antes havia senzalas. Cada família recebia um pequeno lote para hortaliças e galinhas. Mas todas as demais necessidades precisavam ser compradas no armazém da fazenda — sempre mais caro que nas cidades. O contrato era simples e cruel: plantar, colher e entregar ao fazendeiro. Quase sempre, o salário se perdia nas dívidas. Ainda assim, a esperança persistia: juntar alguns mil réis para, um dia, comprar um pedaço de terra própria.

Trabalho, Resistência e Cotidiano dos Imigrantes Italianos

Giuseppe e Antonella conheceram o peso do sol paulista. O trabalho começava antes do amanhecer e terminava sob um céu violeta. Antonella cuidava dos canteiros e fiava algodão para complementar a renda. À noite, lamparinas iluminavam rostos exaustos, canções antigas, preces e lembranças da Itália. Os meses tornaram-se anos. A fazenda crescia — e as dívidas dos imigrantes também.

Da Dor à Esperança: A Vida Familiar no Brasil

Antonella deu à luz dois filhos. Um morreu de febre antes do primeiro inverno. O outro, Giacomo, sobreviveu e cresceu descalço sobre a terra que os pais custavam a chamar de sua.

Giuseppe o observava e pensava que talvez esse fosse o verdadeiro sentido de emigrar: não partir por si, mas pelos que viriam depois.

Integração Cultural e O Novo Mundo

Com o tempo, o casal aprendeu os sinais das estações tropicais. As palavras portuguesas se misturavam às italianas. No lar, conviviam o rosário piemontês e o café torrado brasileiro — fruto do suor diário. Nas feiras da vila, Giuseppe encontrava outros piemonteses, lombardos e vênetos. Todos sabiam, em silêncio, que compartilhavam a mesma travessia.

O Legado da Imigração Italiana no Século XIX

Quando a década terminou, Giuseppe já não sonhava em voltar à Itália. O tempo apagou memórias e a vida se enraizou na terra vermelha paulista. Certo dia, sentado à sombra de um cafeeiro, ele entendeu: o solo que absorvia seu suor agora guardava também sua história. À noite, quando o vento soprava entre os cafezais, às vezes ele achava ouvir os sinos de Biella. Mas já não sabia se vinham da memória ou do coração.

Nota do Autor

A história narrada é uma obra de ficção literária inspirada em registros reais da imigração italiana no Brasil no século XIX. Os nomes e localidades foram alterados para preservar identidades e garantir liberdade narrativa. Os fatos descritos — a travessia do Piemonte ao Brasil, a chegada às fazendas de café de Ribeirão Preto, as dificuldades e a busca por dignidade — baseiam-se em cartas, diários, documentos e objetos preservados em um museu paulista dedicado aos pioneiros italianos. Cada detalhe foi reconstruído com respeito à coragem, ao sofrimento e à esperança daqueles que deixaram sua terra natal em busca de um futuro melhor.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



terça-feira, 1 de julho de 2025

Odissea de Vittorio Marani


Odissea de Vittorio Marani

L’inverno del 1875 el ze rivà impetuoso sora la pìcola frasion de Castel San Giovanni, fra le coline de la provìnsia de Piacenza. El vento el penetrava tra le pareti de le case de piera, portando con el l’eco de le fatiche che no se podea pì gnorar. Vittorio Marani, un contadin de 32 ani, el savea che quel zera el fin de un’era par la so famèia. Le tere che par generassion i Marani i gavea coltivà, le zera consumà, no bone par dà la racolta necessària a mantegner la tola.

Con i piè interà ´nte la neve ùmida, Vittorio el se fermava a vardar par l’ùltima olta i campi che prima i zera vivi, adesso redoti a un mare de tera nera con l’inverno. Da canto, Giulia, la so mòier, la tegnia streta la man de Rosa. La putela de sinque ani la vardava el orisonte con curiosità, sensa capir che quel zera un adio par sempre. Vittorio el la ga strinse el so capoto stracà contro el peto, sentindo el peso de quel momento. La resolussion de partir par el Brasile, benché presa par necessità, la portava su un misto de colpa e speransa.

El viaio el ga scominsià con un adio corto e doloroso. Famèie e amissi i ze radunà ´ntela piasseta, un posto pìcolo dominà da na cesa de piera e na fontana che ogni inverno la se gelava. I abrassi i ze stà pì longhi de le parole, e quando el toco de la campana de la cesa el sonava, Vittorio el ze montà su la carossa con la so famèia, direti a la stassion del treno pì vissin.

El treno, na màchina de fero che sbufava vapor e scintile, el zera là come ´na bèstia che dormiva. El vagon, pien de emigranti, el gavea ogni sorte de roba e stòrie che la gente la preferiva desmentegarse. El movimento del treno, el rumore dei roti sora i trili e l’odore de fumo misto al sudor umano i zera ´na novità e ´na promessa de quel che zera da vegnir. Durante el trageto fin a Genova, Giulia la tegnea Rosa in colo e la vardava fora, in silénsio, con el viso bianco che rifletea l’incertessa del futuro. Vittorio, sentà da canto, el gavea na fàssia sèria, ma i so òci i zera un mar de pensieri.

Quando finalmente lori i ze rivà a Genova, la imagine del porto la ze stà na scossa. Le barchete le zera in contìnuo movimento: i scaricatori i portava le casse con na velossità impressionante, i venditori ambulanti i strilava con vosi roche che se confondeva con el rumore del porto, e i emigranti i zera dispersi in file desordenà, con òci pien de speranse e paure sercando de capir i ordini gridà da un omo in uniforme scolorì. L’ària la gavea un misto de odor de sal, carbon e pesse, che la pareva impregnar ogni canton.

El vapor che i aspetava, el San Giorgio, el gavea na presenssia granda e intimidente. I lati de ferro, coperti de fuligin, i rifleteva na luce opaca de inverno. I àlbari alti se stagliava contro el cielo griso, e el rumore contìnuo de le onde contro el navio el zera un ricordo del vasto mar che i gavea da traversar. Vittorio el sentiva un peso sora el peto vardando la dimension del vapor e la quantità de zente che zera da èsser messa là drento. Ma el gavea fermo la man de Giulia e el ze ´ndà avanti, determinà a seguir el destin che el gavea scielto.

Sora el ponte de soto, ´tela caneva ´ndove i emigranti i zera sistemà, la situassion la zera ancora pì cruda. I coridoi streti, scuri, i zera iluminà solo da lampadine atacà a le division interne. I leti de legno, un sora l’altro, i pareva gàbie improvisà. L’ària la zera pesà de umidità, e le boche de ventilassion i portava poca ària. Rosa, streta a la mama, ogni tanto la tossiva, ma Giulia la faséa el possìbile par distrarla, segnando le poche stele che se podeva vardar. Vittorio el aiutava altri òmini a sistemar i so bagali, tirando fora i primi raporti con compagni de viaio che, come lu, i gavea lassà tute le so radise.

Mentre el San Giorgio se preparava par partir, una campana rimbombava ´ntel porto, segnalando lo scomìnsio de 'na nova aventura. Vittorio el embarca sul ponte de sora par un momento, desiderando imprimer in memòria l’ùltima visione de la so tera natia. Soto, 'na marea de zente el gridava adiì tra làgreme, ciamade e anca qualche imprecasion, mentre el barco el se distansiava pian pian. El vento del mar el zera fredo, ma el portava un odor de libartà. E, par la prima olta dopo tanto tempo, Vittorio el sentì 'na ponta de otimismo. Ghe zera tempo de lassar drìo la povertà e le limitassion, par andar verso un posto ´ndove, forse, un futuro pì sereno i li stava aspetando.

El San Giorgio el zera un barco costruì par resìster a la vastità del Atlántico, ma no par ospitar con dignità le zente disperà che adesso se trovava imucià ´ntela caneva. Le lastre de fero del scafo le amplificava el rumor del mar, creando un fondo costante de scrichioli e murmurìi che i pareva contar stòrie scure ai passagieri. L’ària lì zera densa, piena de umidità, sudor e ‘na mescola insuportàbile de odori corporai, magnà mal conservà e el sale che impregnava tuto.

I comparti i zera poco pien de leti de legno messi uno sora l’altro. Ogni spasi, streto e mal iluminà, i zera spartì tra le famèie. Qualchedun el zera improvisà dei separassion con i lenzoi o coperte, sercando de crear 'na spèssie de privacità. Ma i soni no i conosseva bariere: tossi strasianti, piansai de putei, discorsi bassi in un marasma de dialeti italiani, che qualche volta i se trasformava in canti malinconici, riempiendo l'ària de nostalgia.

Giulia Marani la se sforsava de tegner la calma. Sedùta drìo a Rosa, con le man impegnà a ramendar un vestìo che el se zera consumà durante el viaio fin a Genova, la gavea ogni tanto un òcio a la putea, che, ignara de la gravità de la situassion, la desegnava figure imaginàrie in ària con i so diti. La pìcola la fasea domande sensa fin sul Brasile, come se el nome del paese el zera 'na parola màgica. “Brasil el ga castèi? Ga fate?” domandava, e Giulia, con la voce pian, la rispondeva con stòrie che mescolava realtà e fantasia, ntel tentativo de salvar l’inocensa de la fiola.

Vittorio, lì drìo, el ghe zera atacà ai so pensieri. Sentà in un de i leti bassi, con le man el tegnìa un peso de legno che el scolpiva con ´na brìtola, un modo par pasar el tempo e par murmurar i consili che el gavea sentì prima de partir: "Laora duro e el Brasile te sarà generoso." Sta frase, deta da un visin che el zera partì ani prima, adesso la zera diventà 'na sorta de mantra, ripetù in silénsio par tegner fisso el sguardo verso un futuro inserto.

Le magnà el zera el momento ndove l’ambiente del fondo rangiava el culmine del disàgio. File longhe se formava intorno ai barili de aqua e a le scodele che ghe dava un brodo scarso, quasi sensa gusto. ´Ntei zorni fortunai, ghe gera qualche toco de pan duro o un po’ de riso o pasta, ma mai in quantità sufissiente par tuti. Qualcuni i se nascondeva proviste par i zorni pì duri, alimentando un senso silensioso de tension tra chi gavea e chi no gavea.

Le noti i zera particolarmente difìssili. Quando el San Giorgio el incontrava le onde grosse, el rolìo del barco el faseva scrichiolar i leti come 'na sinfonia de legno in agonia. Parechi passagieri i sofriva de mal de mar, gomitando ´ntei scchi improvvisà che aumentava ancora pì el disàgio generale. Le lanterne atacà ai ganci le se moveva sensa fin, creando ombre grotesche sule pareti de fero. Giulia la tegneva streta Rosa contro el peto, cercando de protegerla dal caos. La putela la piansava piano, mentre Giulia la cantava na vècia nina-nana in dialeto piacentin.

El peor nemico, però, no'l zera el mar, ma la malatia. La tosse seca e i visi con el febrón diventava ogni dì pì comuni. La mancansa de igiene e el star chiusi in tanti faseva del soto ponte un tereno fèrtile par quele infession. Ma i Marani, no' stante tuto, resistea, trovando ´nte la loro complissità un bastion contro el sconforto.

'Na note, mentre el navio se confrontava con 'na tempesta feroce, Vittorio se ga slongà al ponte de sora. El vento ghe segava la piel come lamete, ma el ga sentìo el bisogno de respirar fora de quela gabia. El ga alsà i oci al cielo, ndove le stele faseva capelìn fra le nuvole scure, e lu el ga sentì 'na mescolana strana de pìceno e determinassion. Sapeva che quel che i ghe aspetava in Brasil no zera fàssile, ma la alternativa — tornar a la misèria de Castel San Giovanni — no' zera pensàbile.

Quano lu el ga tornà al soto ponte, ga trovà Giulia e Rosa che dormìa strete ntel loro cuchetón. Giulia tegneva la manina de la fiola, e i lori visi, no' stante el stanco, pareva tranquìli. Sentàndose drìo de lori, Vittorio el ga serà i òci e se el ze permitìo de soniar, ancò che par 'na frassion de segundo, con le tere fèrtili e el laoro onesto che imaginava de trovar là de l'altro lato del ossean.

Dopo sinque setimane de viaio da Genova, el San Giorgio el ga finalmente fato sosta al porto de Rio de Janeiro. L'alba portava con sè un spetàcolo par quel che pareva un sònio: el cielo, d'un blu lìmpido, parèa infinito, mentre el sol dorava le onde de la baia, mostrando monti coerti de un verde rigoglioso. L'odor del mar se mescolava con queo de 'na sità viva, portando un senso de novità e speransa.

Vittorio Marani el ga 'ndà al ponte con Rosa in brasso, par farla vardar sora la folta. La toseta, con i oci che lusea de curiosità, indicava el Pan de Zùcaro, che pareva tocar el cielo. "Ze el castèo de le fade?" la ga domandà, in un suspiro pien de meraviglia. Vittorio el ga sora, caresandoghe i cavei, sentìndose pìcolo davanti a quel momento imponente. Giulia, al so lato, la ga tegnu la fàcia sèria, ma i oci ghe tradiva un misto de solievo e aprension.

El sbarco zera lento e caòtico. Sentenaia de passagieri, strachi morti dopo la traversia, spetava impasienti de mètar piè su tera. Òmeni uniformà dava indicassion gesticolando e strilando in un linguagio che tanti el no capiva. Quando i piè de Vittorio i ga tocà finalmente la tera brasiliana, lu el ga tirà 'na sofiada profonda, sercando de impissar con tuto quel mondo novo. Zera un vibrare ´nte l'ària — el suon de le carosse, i colpi de martel de i operài, e i canti lontan de i venditori ambulanti.

La strada, però, no la zera finì. Passar la dogana zera obligatòrio e strancante. In un edifìssio grande, i novi rivà fasea file interminàbili davanti a i banchi ndove i impiegà e i dotori i ghe dava 'na siavada. Le man ben curate de un dotore ga tocà Vittorio con indiferensa, sercando segni de malatie contagiose. Giulia tegneva streta Rosa, temendo che 'na tossida o 'na febrina li mandasse indrìo. A la fin, i Marani i ga portà el via lìbara, anche se el sguardo crìtico del ufissial ghe restava scolpìo ´nte la memòria.

I ga finì in un edifìssio improvisà là in porto, dove i ga trovà alogio temporáneo. El posto el zera grande, ma rudimentae, con file de leti divise solo da qualche asse. Ogni angolo gera pieno de famèie come la loro: qualcuna speransosa par el futuro, altre distrùte dal straco e dal'incertessa.

Rosa, ancora afascinada da quel che lei ga vardà, ga domandà: "Ze tuto cussì bel e grande el Brasil?" Giulia ga soriso par la prima volta da zorni e ghe ga risposto: "Forse là ndove 'ndaremo el ze ancora pì bel." Ma no stante le paroe speransose, lei no riusiva a liberarse de quel nodo al peto vardando torno. El posto el zera rumoroso, e i visi de i altri emigranti rifletea un misto de speransa e disperasion.

Ntei zorni seguenti, i Marani i ga avù un breve contato con la sità. Partì in grupi pìcoli, esplorava le vie atorno al porto, ndove le strade de piere zera contornà da case coloniai e bancarele de venditori. El caldo zera forte, e l'umidità rendeva ogni passo pì pesante del pressedente. Rosa, incantà, indicava i venditori che ofriva frute tropicai colorà, qualcuna che no l'avea mai vardà prima. Vittorio ghe gà comprà 'na pìcola manga, e el soriso de la fiola ga fato che i zorni de soferensa ghe sembrasse, par un àtimo, lontan.

Mentre i spetava el pròssimo navio par 'ndar a Santos, i ga sentì le stòrie de altri emigranti rivà prima de lori. Qualchedun parlava de modesti sucessi, altri lamentava de imbroio e promesse false. Vittorio ascoltava atento, registrando ogni parola come lession par quel che li aspetava.

Na l'ùltima sera al Rio, senta drio a Giulia su un dei banchi improvisà ´ntel alogio, el ga vardà Rosa che dormiva, straca morta ma in pase. El caldo del posto pareva manco opressivo in quel momento, e el ghe ga sussurà a la mòier: "Se gavemo fato a traversar l'ossean, podemo afrontar qualsiasi roba." Giulia ga fato si con la testa, stringendo forte la so man. Le parole de Vittorio no ghe ga tolto tuti i so timori, ma le ga fato rinassere qualcosa de importante — la fede che, insieme, i podea costruir el futuro che i sperava tanto.

El secondo bastimento, un carghero modesto adaptà par i passagieri, contrastava brutalmente con la robustessa del San Giorgio. La nave pareva massa pìcola par l’ossean che la stava traversando, come se ogni onda la podesse inghiotirla. Le tavołe scrichiolava soto el peso de la zente e de le promesse carregà. Zera pì pìcola e ancora pì precària del bastimento che i gavea portà da l’Itàlia, e el odor de sal e de òlio impregnava ogni cantón. Ma, nonostante tuto, ghe zera ´na strana sensassion de solievo ´nte l’ària. El destin, fin a quel momento lontanìssimo, pareva finalmente a portata de man.

I zorni a bordo i zera segnà da desconforto e incertesse. La tempesta che se ga formà la seconda sera la ga squassà la pìcola nave come na foia al vento. Onde alte le sbatea contro i finestrini dei compartimenti inferiori, fassendo i putèi pianser e i òmeni agraparse a qualsiasi roba fissa. Rosa, strucà ´ntel colo de Giulia, piansea pian pianin, mentre Vittorio tegneva i piè ben fermi in tera, cercando de parer impassìbile. "Ze solo un fià ancora," el ga murmurà par conto suo, come se le parole podesse calmar tanto el rugio del mar quanto i timori che el portava drento.

El magnà, che già el zera scarso sul San Giorgio, lei el zera diventà quasi inesistente in sto tragito de viaio. Minestrine rùdole e tocheti de pan durì i zera distribui in porsion pìcole, e l’aqua la gavea gusto de rùsene. E pur, ghe zera un fil de speransa che coreva tra i passegèri. Tanti i se consolava vardando l’orisonte, tentando de intravedar la costa brasiliana che i portaria a le promesse de tera fèrtile e laor.

Quando la nave la ga finalmente atracà al porto de Santos, na sensassion de solievo la ga avù el sopravento sul grupo. El sol scaldante el se rifletea ´nte l’aqua de la baia, lanssando riflessi che momentaneamente ghe acecava i oci ai neo-arrivà. L’odor che se sentia ´nte l’ària el zera un misto de sal, legno ùmido e quañcossa de dolse, forse cafè, che impregnava l’ambiente. Vittorio, con i piè fermi in tera par la prima volta da quando i gaveva lassà Rio de Janeiro, el ga respirà fondo, sercando de assorbir el momento.

El porto de Santos el zera un caos organisà. Estivadori che coreva portando sachi de cafè, mentre barche de tuti i tipi i ndava e i vegniva a ritmo incessante. Ghe zera urli in portugués, mescolà a framenti de altre lìngoe che i emigranti no i capiva. Intorno, lavoradori neri i portava carichi pesanti soto l’ocio atento de òmeni bianchi che brandiva fruste o bastoni. La scena la ghe ha causà un silénsio desconfortante tra i Mariani, che no i gaveva mai visto na roba cusì.

Giulia la tegnìa Rosa forte sul peto, protesendola dal caos intorno. La pìcola, benché straca, la pareva incantà dal movimento incessante del porto. "Mama, quele montagne là le ze pì alte de quele de casa?", la ga domandà, indicando la Serra do Mar, che la se alzava maestosa al’orisonte. Giulia la ga soriso, ma la ga preferì no risponder, sercando de restar conssentrà su quel che i gavea da far dopo.

Sul pontil, ghe zera grupi de òmeni vesti con robe semplici e capéi consumà che i aspetava i neo-arivà. Ghe zera funsionari, rapresentanti de le fasende de cafè che gavea contratà i emigranti. I parlava un portoghese velose, gesticolando par far meter insieme le famèie e identificar i destini. Un funsionàrio, con un quaderno de note in man, el conferìa i nomi su le liste e el distribuìa documenti con informassion basiche su le fasende.

Vittorio lu el ga siapà el folio con cura, vardando i nomi strani scriti con grafia fretolosa. El ghe provava a desifrarli, murmurando pian mentre Giulia, al so fianco, la tegnìa Rosa visin a sé. "Andaremo su par la montagna col treno", el ga deto un dei rapresentanti in un italiano rudimentale, indicando la stassion del treno che se vedeva in lontanansa, in meso al porto movimentà.

Soto la guida de sti òmeni, le famèie le ze stà portà in pìcoli grupi fin a la stassion. Mentre i passava sul pontil, portando quel poco che gaveva, i emigranti i se scambiava sguardi de dùbio e speransa. La promessa che el treno i portasse pì visin al so destino el zera tanto un solievo quanto un ricordar che el sconossuto el ghe zera ancora davanti.

La salita par la Serra do Mar la ze stà un’esperiensa stracante. Le carosse, caregà oltre el limite, le andava piano par le strade de tera, che pì che strade le pareva sentieri. Le rode le sbateva contro i sassi e i buchi, facendo ondear i passegieri a ogni metro. Giulia, con Rosa in brasso, la ghe provava a tenerla proteta. "Stemo ´ndando in cielo, papà?" la ghe domandà Rosa, indicando la vegetassion fita che se serava intorno a la strada. Vittorio lu e ga rìdo, nonostante la strachessa. "Stemo ´ndando su, ma ghe ze ancora tanto da far."

La vegetassion lussuriosa l’impressionava. Palme gigantesche, rampissoni che pareva che i balasse con el vento e ´na infinità de rumori sconossuti che riempiva l’ària. Ma par i emigranti, sto paesagio el pareva pì minassioso che ospitale. La foresta la zera densa e impenetràbile, un mondo totalmente diverso da le coline coltivà che lori i gavea lassà.

Quando ze vegnù note, la carovana la ga fato ´na pausa. Soto la luse de un fuoco improvisà, i viagiatori i se contava stòrie e suposission su come che le fasende le sarìa stà. Un vècio, con na vose roca, el li ga avertì: "Le terre le ze bone, ma no sperè fassilità. Qua, ze tuto forsa de brasso." Le parole le ze rimaste nte l’ària come ´na verità indiscutìbile.

Par i Mariani, el viaio verso le fasende de cafè el segnava lo scomìnsio de un nuovo capìtolo. El zera la fine de la traversia del ossean e l’inìssio de ´na nova traversia, stavolta par la tera che prometea de èssar la so casa. La stranchessa e l’insertessa restava, ma qualcosa de pì forte i ghe sosteneva: la fede che, nonostante tuto, i zera un passo pì visin al futuro che i gavea sonià.

Le coline del interior paulista le se alsava in lontanansa, ondegiando in toni de verde e oro, soto el caldo insoportàbile del sol. Zera là, in fasenda Santa Clara, che la famèia Mariani la ga trovà la so nuova abitassion. La casa che i gavea destinà par lori la zera un baracon de legno con el teto de zinco, con i spiraghi che lassava passar la luse del zorno e, di note de vento, el sussurro de le foie de cana visin. Ma par Vittorio, sto baracon el zera un palasso in confronto al confinamento ùmido del alogiamento del San Giorgio.

La rotina l’era dura. Le matine scominsiava prima del sòrgere del sole, con Vittorio e Maria che insieme ´ndava ai cafesai. El laoro de scancar, catar e portar i sachi de cafè l’era pesante. Le man, prima abituà a manegiar strumenti semplici in Itàlia, adesso le zera dure e calegà dal sforso de ogni zorno. Epure, Vittorio trovava conforto ´ntel cielo vasto e ´nte le montagne che sircondava Santa Clara, che ghe ricordava lontanamente la so tera natìa.

Giulia, da parte soa, quando no la zera ocupà ntela scanca, la se dedicava a trasformar el baracon in ’na casa. Nte ’na radura a canto de casa, la ga piantà un’orteta con le semense portà da l’Itàlia: basìlico, prezemolo, rosmarin e pomodori. Le prime foie verdi le ze spuntà come sìmbolo de rinassita. Drento casa, la ga improvisà qualcosa par miliorar. Zera ´ntei picoli detali che la riportava ’n toco de familiarità al sconossuto.

Rosa, de sinque ani, pareva trovar felicità in tute le robe. La coreva su la tera tra le file de cafè con i altri putei, imparando paroe in portughes con ’na fassilità che sorprendeva i genitori. “Mama, guarda qua!” la diséa contenta, mostrando fiori selvadeghi o inseti strani che la trovava. La so rida la zera ’n bàlsamo par el cuor straco de Vittorio, che ´ntel brilo dei òci de la fiola vardava la promessa d’un futuro mèio.

Le noti le zera pì calme. Radunà torno a 'na tola semplice, la famèia se contava stòrie de l’Itàlia, intanto che Giulia preparava minestre con quel che la riusiva a recuperar dai avansi de la cusina de la fasenda. Qualche olta, Vittorio tirava fora del taschin un quaderneto ndove el scrivea sòni e piani: “Un zorno gaveremo la nostra tera.” Era 'n mantra che el ripeteva par sé stesso, come se le paroe podesse moldar la realtà.

Con el passar dei mesi, la comunità de Santa Clara la scominsiava a formar. La doménega, le famèie se radunava quando ghe zeva messa in 'na capela improvisà in 'n paiol de la proprietà. Dopo la preghiera, i putei coreva tra i adultri, mentre i òmeni discoréa de lavoro e le done se scambiava ricete e semense. Qualche olta ghe zera anca feste animate, ndove le danse e le musiche italiane risuonava soto el cielo pien de stele, ’na tentativa de mantegner viva la cultura che lori i gavea lassà.

Col tempo, el par ga riussio a sparagnar soldi par catar un tochetin de tera drio la fasenda, ndove se stava formando 'na vileta. Ghe zera un lote modesto, ma pien de potensial. I ga scominsià a piantar le vigne, scegliendo con cura le palete e sistemandoghe ´ntel posto giusto par sfrutar al massimo el sole de matina. Giulia ghe dava 'na man ´ntei fin de setimana, mentre Rosa correva tra le file de parère zovani, ridendo.

Qualche ano dopo, la prima racolta la ze sta modesta, ma par Vittorio la zera come tocar el cielo. El ga tegnù i gròpi de ua in man come se i zera un tesoro. El vin che el ga fato in baril improvisà el zera semplice, ma el sabor gavea quel de màgico: el gavea el gusto de l’Itàlia in 'na nova casa.

Nonostante le dificultà – le piove impreviste, la nostalgia par chi gavea restà e i problemi de imparar 'na nova léngoa e i novi costumi – la famèia Marani la ga catà 'na forsa che pareva nasser da le radisi che gavea piantà in quele tere. Lori i ga scoperto che el vero significà de casa no el zera un posto, ma 'na conessión che costruiva tra de lori e con la nova vita che stava criando.

Su la veranda del baracon, in 'na sera de cielo lìmpido, Vittorio el ga vardà Giulia e Rosa che i dormiva e el ga mormorà, quasi come 'na preghiera: “Semo lontan da casa, ma gavemo scominsià qualcosa qua. Qualcosa che sarà pì grando de noialtri.”
E cusì, soto el stesso cielo blu che iluminava sia l’Itàlia che el Brasil, la famèia Marani la continuava la so strada, trasformando sòni in realtà.

´Ntel 1890, quìndese ani dopo che i gavea lassà l’Itàlia, Vittorio Marani el stava in piè su la costa che ospitava el so vigneto. El sole dorà del fin de la sera el piturava le foie de le vigne con toni caldi, e le vite, cargà de gròpi pesanti, le parea un tributo vivo a la resistensa de la famèia. Vittorio, con le man calegà crociade drio la schena, el sentiva un misto de orgòlio e riverensa par quel che gavea costruì.

A so fianco, Giulia la supervisionava Rosa, che adesso gavea vent’ani, mentre màma e fiola le racolieva le ue con l’abilità de chi ga trasformà el laoro in arte. Rosa, alta e sicura de sé, la discoréa in portoghese con 'n grupo de operài che aiutava ´ntela vendémia, ma, al stesso tempo, la passava al italiano quando la parlava con la so màma. Era un ricordo vivo de come la so fiola gavea deventà un ponte tra la cultura che loro gavea lassà e la nova tera che gavea abrassià.

El profumo dolse de la ua matura el se mescolava con l’odor de la tera scaldà dal sole, creando 'na atmosfera al stesso tempo familiar e profondamente simbòlica. Par Vittorio, ogni grapo el rapresentava no solo el fruto de la tera, ma anca el triunfo dopo ani de laoro duro, incertese e nostalgia.

La proprietà dei Marani la gavea deventà 'na pìcola referéncia ´ntela vila che se stava trasformando in 'na sitadina. No la zera solo un vigneto, ma anca un posto ndove altri imigranti i se radunava par contar stòrie, festegiar le racolte e rinovar la so fede. Ai inizi, Vittorio e Giulia i produsseva vin par consumo pròprio, ma, con el tempo, la qualità del prodoto la ga atirà l’interesse de i comerssianti. Adesso, el marchio "Marani" el scominsiava a èssar conossiuto in le sità visin, un sìmbolo de perseveransa e qualità.

Dopo la racolta del zorno, la famèia la se radunava su la veranda de la casa, che ormai no la zera pì el vècio baracón de legno. La nova costrussion, fata de matoni brustolà, la gavea 'n teto sòlido e finestre grandi che lassava entrar la bresa de la sera. Giulia la ga portà 'na botìlia de vin de la prima racolta, tenuda par tuti quei ani come testimónio del so viaio. La ga servi Vittorio e Rosa, intanto che 'na torcia la iluminava le so expression serene.

“Quando penso a quel che gavemo passà par rivar fin qua,” el scominsiò Vittorio, tegnendo la tasa come se zera un ogeto sacro, “sento che ogni sacrifìssio el ga valso la pena. No solo par quel che gavemo costruì, ma par quel che gavemo imparà.”

Giulia la fece sì con la testa, el so viso segnà dal tempo, ma ancora iluminà da 'na determinassion calda. “No gavemo mai desmentegà chi che semo e ndove semo vignù. Ma gavemo anca imparà a amar sta tera, che gà acolti noaltri quando gavèvimo pì bisogno.”

Rosa, guardando i so genitori, la sorise con 'na mistura de teneresa e orgòlio. “E adesso, sta tera la ze nostra come la zera l’Itàlia.”

El vento el sofiava pian pian, muovendo le foie de le vite come se el Brasil stesso el stesse batando le man par la stòria dei Marani. Quela no la zera solo la stòria de 'na famèia, ma quela de mile de italiani che i ga traversà i osseani spinti da un misto de bisogno e speransa. Lori i gavea rivà in Brasil con poco pï de sòni e determinassion. Incòi, Vittorio el contemplava no solo la so tera, ma anca la so dissendensa, savendo che ogni fruto racolto là el portava el segno de la so stòria. Mentre el sole el spariva ´ntel orisonte, el alzò la tassa e ga fato un brindisi con vose ferma:

“A chi ze vegnesto prima de noialtri, a chi vegnirà dopo, e a la tera che ne gà dà 'na nova oportunità.”

L’eco de le so parole el se perse ´ntela note, ma el so significato el restò, scolpì ´nte la stòria de Santa Clara e ´nte la memòria de tuti quei che, come i Marani, i ga trasformà i sfidi in un lassito che durarà par generassion.


Nota del Autor

Scrivendo sta òpera, go trato profonda ispirassion da le stòrie vere de coraio e resiliensa dei emigranti italiani che i ga traversà l’ossean par catar 'na vita nova in Brasil. Sto flusso migratòrio, che el ga segnà la fine del sècolo XIX, no el ze solo 'na pàgina de stòria fra do paesi, ma un testimónio universal del spìrito umano de fronte a le adversità.

Durante le me ricerche, go sfogià lètare, apuntamenti e raconti de famèie che gavea afrontà viaie massacranti, malatie e l’isolamento de tere sconossiute. I raconti i zera pien de dolor e sacrifìssio, ma anca de speransa, amore e ´na fede incrolàbile in un futuro mèio. Questi documenti personai me ga ricordà che, anca se le pàgine de stòria le ze spesso scrite da re e governanti, ze le vite comune – e straordinàrie – de le persone normae che veramente le modela el mondo.

La famèia Marani, protagonista de sta stòria, la ze fitìssia, ma le esperiense che descrivo le rispechia la realtà vissuta da tanti altri. Le condision ´ntei stivi dei bastimenti, le sfide dei campi de café e la rinvension de una comunità in tere foreste le ze stae ricostruì dai raconti documentà con cura. Dando vose ai Marani, el me intento el ze sta de caturare l’essensa del viaio de milioni de emigranti.

El me scopo scrivendo sto libro el ga sta duplise: contar 'na stòria emosionante, ma anca portar luse su un peso de stòria che spesse volte el ze dimenticà. Spero che, lesendo sta òpera, no solo te ti senti coinvolto con le lote e i susscessi dei Marani, ma anca che te rifleti sul coraio de chi ze partì par costruir un novo scomìnsio – e su la gratitudine che tuto gavemo par chi ze vignesti prima de noialtri.

Par finire, mi vorìa ringrasiar de cuore i stòrici, i ricercatori e i dessendenti dei emigranti che i ga condiviso le so stòrie e el so saver. Le so contribussion le ze sta fondamentai par la creassion de sto libro.

Scriver sto romanzo ze sta un viaio arichente, e spero che leserlo te sia par ti altretanto gratificante.

Con stima,

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



quarta-feira, 16 de abril de 2025

Radìsi Taliane: L’Epopea dei Rinaldo su le Montagne de l’Argentina


Radìsi Taliane: L’Epopea dei Rinaldo su le Montagne de l’Argentina


Inte la sità remota de San José, ´ntela Provìnsia de Mendoza, Argentina, el dì 14 de lùio de 1890, viveva na famèia che merita de èsser contà. Sta stòria la scomìnsia pròprio el dì 14 de lùio de 1890, con Marco e Isabella Rinaldo, coraiosi emigranti taliani che gavè lassià la so tera natia, le verdi pianure del Vèneto, in serca de na nova vita in Amèrica del Sud.

In quei ùltimi 25 ani del sècolo XIX, miliaia de altri compatrioti, dal nord al sud del paese, i gavea za lassià le so vile ´ndove i gavea nassù, cassiati via da la situassion económica difìssil che el novo Regno d’Itàlia gavea portà, e da la volontà de se liberar da sto sistema de povertà e opressione che le so famèie i ghe vivea da desseni.

Marco e Isabella i faseva un par decìso, impasienti de na vita miliore par lori e par i so fiòi. Lori i ga partì da la Itàlia, traversando el mar sensa paura, afrontando i dificoltà de na longa traversada sconossùa e pericolosa. I ga suportà disagi come el poco spàssio, la mancansa de igiene e de bona alimentassion, oltre el male de mar, specialmente ´ntei primi dì de viàio. I sbarca a Buenos Aires el 2 de lùio de 1890. Là, i sono stà recivù da le autorità del governo argentino e da qualchi membri de la comunità de emigranti, ndove i ga passà quìndese dì de quarantena, sistemandose in barache precàrie de legno par i emigranti.

Dopo aver lassà Buenos Aires, i Rinaldo lori i viàia in treno fin a la Provìnsia de Mendoza, pì precisamente fin al pìcolo paese de San José, situà soto la maestosa Cordiliera de l’Andes. Lori i se ga incantà dal bel panorama de le alte montagne, tanto sìmili a quele che lori i gavea vardà ogni dì ´ntela so vila natia, e decise de stabilirse proprio lì.

La region la zera spléndida, con qualchi vigneti zà coltivà che se stendeva fin l’orizonte, e l’ària fresca de montagna che ghe riempiva i polmoni. Marco e Isabella i capì sùito che lori gavè trovà un posto spessiale.

Lori i scomìnssia a piantar vigne, usando le barbatele che i gavea portà dal Vèneto, e pì tardi i se mete a far vin, seguendo la tradission vinìcola de la famèia. Con quel clima seco, con un poco de irrigasione, le vendemie le zera generose, e i vini che i produseva i ga ciapà sùito fama ´ntela region e anca fora.

Mentre lori i prosperava ´ntela nova vita come viticoltori, Marco e Isabella i se impegnava anca ´ntela vita de la comunità locae. Lori i aiutava a organisar feste e celebrassioni religiose, ndove la gente se trovava par far festa e selebrar la vendémia e el santo patrono.

Con el passar dei ani, la vita dei Rinaldo in Argentina la ´ndava sempre mèio, e no se resumia pì solo al lavor duro ´ntela vinìcola. Lori i gavea anca la possibilità de godere de la richessa culturale del posto, partissipando ai festival locai. La diversità culturae de Mendoza la zera notevole, na mescolanza de nasionalità che i ghe fa sentirse parte de na grande comunità globae.

Inte la zona de Mendoza, lori i poteva anca goder del perìodo de la vendémia, con tanta fruta fresca a disposissione par tuti. Le risorse naturai del posto le era riche, e anca la càssia la zera na atività assessibile, con tanti osei e animai selvadeghi.

Con i ani, Marco e Isabella lori i gavè oto fiòi che i cresseva in quel ambiente idìlico, imparando l’arte de la viticoltura dai genitori. La famèia Rinaldo la ga costruì na vita rica, pròspera e felice in Argentina, contornà da paesagi meravigliosi e da na comunità acogliente.

E cussì la finisce sta stòria de coràio, decision e sussesso, che la scominssià con el viàio de Marco e Isabella Rinaldo verso na nova vita in Argentina e la creasione de na pròspera vinìcola soto le pendice de le maestose montagne dei Andes. La numerosa discendensa de la famèia Rinaldo, la continua ancora ancò la tradission vinìcola taliana, producendo vini che i ze stimà no solo ´ntela region, ma anca esportà in altre parte del mondo. La so epopea la ze testimónio de la riserca del sònio e de la capassità de costruir na vita miliore in un altro paese.



quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Ndemo in Brasil: Na Tera Nova


 

Ndemo in Brasil: Na Tera Nova


El ano el zera el 1888, e ´ntel porto de Zenoa, na Itàlia, tante famèe de contadini se radunava con el core pien de speransa e anseia. Ghe zera ‘na nave granda, la “Speranza d’Oro,” pronta par portarli in tera lontana, in Brasil, un posto che lori i soniava come un paradiso de oportunità.

Mario e Giovanna, marito e mòier, con i sui tre fioi, ghe zera tra sta zente. “Mario, semo pròprio sicuri de ‘sta decision?” domandava Giovanna, stringendo in brasso el pìcolo Nino, che gh’era solo do ani.

“Gio’, no ghe resta gnente qua. El campo no rende pì come prima e adesso no ghe ze laoro. In Brasil dise che ghe ze tera gràtis, boschi da taiar, e laoro abondante,” rispondeva Mario, ma ghe se sentiva el timor nel suo tono.

Co’ el vapor partì, el canto de speransa se mescolava co’ le làgreme de chi restava. I fiòi, par ‘na volta, sorideva, emosionai dal viàio. Ma el mare da zorni no zera bono. Le onde grandi faceva sbatiar la nave, e tanti se sentiva mal. Ma ogni dì che pasava, el Brasil se avisinava.

Finalmente, dopo setimane de viàio duro, ghe ze rivà al porto de Rio de Janeiro. Ma la aventura no finìa qua. Ghe tocheva ancora viàiar fin a le colónie de Rio Grande do Sul. Mario, Giovanna, e i fiòi viaiava in carovana, passando par boschi fiti e fiumi grandi, fin che gh’arivà a ‘na pìcola radura.

Qua, la vita no zera mia fàssile. “Mario, el bosco no finisse mai! Come faremo a taiar tuto?” se lamentava Giovanna. Ma co’ i giorni, i mesi, e i ani, la comunità creséa. Ogni persona portava ‘na parte de la cultura véneta: el canto, la lèngoa, e la tradission.

Un dì, mentr’e i fioi de Mario zugava fora, gavea fato el primo pane co’ la farina de grano coltivà ´ntela tera nova. Giovanna sorideva, finalmente convinta che lori i ga fato ben a lassar la vècia Itàlia. E Mario, co’ el sudor in fàssia e el core pien, disea: “Qua, ghe femo ‘na nova casa. Qua, femo ‘na nova vita.”



sábado, 18 de maio de 2024

Lista de Imigrantes Italianos no Vapor Espadarte em 06.06.1876



 

VAPOR ESPADARTE

Saída Porto de Genova

Chegada no Porto do Rio de Janeiro em  

06 de junho de 1876




BRICHO???:
Agostino – 26 anos – solteiro
Profissão: Alfaiate
Origem: Trento
Destino: Rio


DAMASIO:
Paolo – 41 anos – viúvo
Profissão: Trabalhador
Origem: Trento
Destino: Rio Grande

TONINE:
Giuseppe – 23 anos – casado
Profissão: Trabalhador
Origem: Trento
Destino: Rio Grande

TULON:
Lucia – 19 anos – solteiro
Adelina – 15 anos – solteiro
Pietro – 13 anos – solteiro
Nicola – 8 anos – solteiro
Angela – 6 anos – solteiro
Profissão: Trabalhador
Origem: Trento
Destino: Rio





quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Lágrimas e Triunfos: A Jornada Épica dos Emigrantes Italianos em Terras Brasileiras




Na primeira metade deste século XIX, a Inglaterra, já um país industrializado e precisando vender seus manufaturados, que era a superpotência mundial da época, pressionou fortemente o Brasil para acabar com o tráfico de escravos da África que supria as necessidades de mão de obra do império brasileiro. O movimento abolicionista crescia no Brasil e vária leis foram promulgadas pelo congresso tentando minimizar e proibir o tráfico negreiro. Em 1850 com a Lei Eusébio de Queirós ficou proibido a importação de escravos em todo o Brasil. A partir desta data começou faltar a mão de obra nas zonas rurais do país, especialmente no momento em que a cultura do café se expandia, para atender a grande procura mundial pelo precioso grão. Nesse período um grupo de grandes fazendeiros de café do oeste paulista, com grande força política no congresso, passou a defender o uso de mão livre nas suas fazenda, entrando em choque com o pensamento de um outro grupo do Vale do Paraíba, também politicamente forte e donos de grande número de escravos, que eram contra a ideia de contratar trabalhadores livres. Os escravos valiam uma grande fortuna e não queria se desfazer desse capital. Os embates passaram para o congresso que estava dividido em duas alas de parlamentares: os abolicionistas e os escravagista. A força dos abolicionistas no parlamento foi crescendo em número de adesões até que em 1871 foi promulgada a Lei do Ventre Livre, na qual determinava que os filhos de escravas seriam cidadãos livres. A pressão da ala abolicionista foi aumentando até que em 1885 foi aprovada a Lei dos Sexagenários, onde os escravos que atingissem a idade de sessenta anos seriam automaticamente libertos. Essas duas leis já prenunciavam que o fim da escravidão no Brasil estava próximo. Também durante esse período de embates no congresso, a população escrava envelhecia sem que a reprodução natural fosse suficiente para suprir as necessidades de mão de obra nas plantações que a anualmente aumentavam de área. A necessidade de mão de obra se acentuou drasticamente quando em 1888 foi promulgada a Lei Áurea com a proibição da escravidão em todo o território brasileiro. 
Nesse mesmo período do século XIX na Itália acontecia a unificação, um fenômeno conhecido como Risorgimento, com o fim das guerras de independência, que deixaram arrasada a economia do novo reino, seguida de um aumento dramático do desemprego, associado a um crescimento demográfico, também verificado em outros países europeus. Tais fatores levaram, a partir da década de 1870, ao início da maciça imigração de italianos para o Brasil. No final do século XIX e início do século XX, as ideias de darwinismo social e eugenia racial tiveram grande prestígio no pensamento científico mundial. Na medida em estas ideias eram aceitas e divulgadas pela comunidade científica nacional, o imaginário social e político brasileiro passou a considerar que os brasileiros eram incapazes de desenvolver o país por serem, em sua grande maioria, negros e mestiços. Essa política de imigração, além de aumentar a oferta de mão de obra, trazendo um maior número de pessoas brancas para o país, também possibilitou melhores condições de vida aos agricultores europeus, que viviam uma situação difícil em seu país. Os emigrantes, na época No final do século XIX e início do século XX, as ideias de darwinismo social e eugenia racial tiveram grande prestígio no pensamento científico mundial. Na medida em estas ideias eram aceitas e divulgadas pela comunidade científica nacional, o imaginário social e político brasileiro passou a considerar que os brasileiros eram incapazes de desenvolver o país por serem, em sua grande maioria, negros e mestiços. Essa política de imigração, além de aumentar a oferta de mão de obra, trazendo um maior número de pessoas brancas para o país, também possibilitou melhores condições de vida aos agricultores europeus, que viviam uma situação difícil em seu país. Os italianos eram considerados um dos melhores emigrantes disponíveis, por serem brancos e terem a mesma religião católica que o império. Eles poderiam ser usados para o "branqueamento" da população brasileira. E não foi apenas o nosso país a adotar esses critérios raciais, alguns dando preferência aos imigrantes provenientes do norte da península em detrimento daqueles do sul. Foi a partir da década de 1870 que os imigrantes italianos  começaram a chegar em maior número, aumentando expressivamente entre os anos de 1887 e 1904, quando os italianos já eram o maior grupo étnico a entrar no Brasil. A repercussão negativa na imprensa italiana surgidas no início do século XX com notícias relatando as péssimas condições de vida dos emigrantes italianos, principalmente nas plantações de café de São Paulo, fizeram com que o parlamento italiano emitisse o chamado decreto Prinetti, que passou a proibir a emigração subsidiada para o nosso país, causando uma grande diminuição do número de recém chegados.








segunda-feira, 31 de julho de 2023

Da Itália ao Paraná no Vapor Colombo: A Jornada Épica dos Pioneiros Italianos Rumo a um Novo Mundo

 



Emigrantes Italianos Com Destino ao Paraná

Vapor Colombo

Saída Porto de Gênova

Desembarque Porto de Paranaguá  

12 de fevereiro de 1878

 

 

NOME
IDADE
LUGAR DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
TUALDO Gio.Batta 
TUALDO Luigia 
TUALDO Maria 
TUALDO Emanuele 
TUALDO Giuseppe 
TUALDO Tarquino 
TUALDO Silvio
45 
42 
14 
10 


3
VICENZA 





"
Italia 





"
Agricultor 





"
Catholico 





"
ROARO Giovanne 
ROARO Regina 
ROARO Giulio 
ROARO Antonio
38 
36 

3



"
"
"
"
FOGLIATO Francesco 
FOGLIATO Maria 
FOGLIATO Giacomo 
FOGLIATO Cecilia 
FOGLIATO Francesco
35 
33 


2




"
"
"
"
TREVISAN Giuseppe 
TERVISAN Francesca 
TREVISAN Giovanna 
TREVISAN Lucia 
TREVISAN Angela 
TREVISAN Francesco 
TREVISAN Francesco 
TREVISAN Domenico 
TREVISAN Caterina
38 
36 
15 
10 




1








"
"
"
"
PIROTTO Francesco 
PIROTTO Elisabetta 
PIROTTO Giustina 
PIROTTO Francesco 
PIROTTO Costanza 
PIROTTO Maria 
PIROTTO Pietro
35 
30 
10 



1






"
"
"
"
CHEMELO Antonio 
CHEMELO Domenica
30 
30

"
"
"
"
BAGIN Giovanni 
BAGIN Filomena 
BAGIN Maria 
BAGIN Maddalena 
BAGIN Giovanni
42 
10 
15 
11 
4




"
"
"
"
GUERRA Antonio 
GUERRA Maria 
GUERRA Francesca 
GUERRA Gio.Batta 
GUERRA Maria
44 
40 
16 
13 
3




"
"
"
"
BARBIERO Giuseppe 
BARBIERO Bortolo 
BARBIERO Maria
79 
52 
52


"
"
"
"
POTTOLLON(?) Antonio 
POTTOLLON Caterina 
POTTOLLON Giovanni
32 
30 
4


"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
NODARI Sebastianno 
NODARI Angela 
NODARI Luigia 
NODARI Lucia 
NODARI Domenico 
NODARI Romano 
NODARI Maria 
NODARI Emilio
41 
40 
10 




2
VICENZA 






"
Italia 






"
Agricultor 






"
Catholico 






"
LORENZONI Caterina 
LORENZONI Antonio 
LORENZONI Maria 
LORENZONI Giulio 
LORENZONI Andrea 
LORENZONI Gaetano
60 
24 
41(?) 
14 

1





"
"
"
"
MASCHIO Gio Maria(?) 
MARCHIO Angela
27 
22

"
"
"
"
DALLA COSTA Domenico 
DALLA COSTA Maria 
DALLA COSTA Eva 
DALLA COSTA Maria 
DALLA COSTA Costanza 
DALLA COSTA Speranza 
DALLA COSTA Guglielmo
46 
40 
14 
12 
10 

6






"
"
"
"
FINALTI Michele 
FINALTI Angelo 
FINALTI Giovanna
62 
27 
25


"
"
"
"
FORNER Giacomo 
FORNER Maria 
FORNER Antonia 
FORNER Antonio 
FORNER Maria 
FORNER Guglielmo 
FORNER Giordano
41 

39 
14 
10 

0.7






"
"
"
"
GAZZOLA Agostino 
GAZZOLA Lucia 
GAZZOLA Fortunato 
GAZZOLA Alessandro
35 
30 
32 
3



"
"
"
"
MENEGHETTI Valentino 
MENEGHETTI Caterina 
MENEGHETTI Giuseppina
33 
30 
1


"
"
"
"
BIZZOTTO Francesco  
BIZZOTTO Angela 
BIZZOTTO Antonio 
BIZZOTTO Matteo 
BIZZOTTO Giovanni 
BIZZOTTO Orsola 
BIZZOTTO Regina
41 
35 
13 
11 


3






"
"
"
"
BASCAN Valentino 
BASCAN Maria 
BASCAN Amedeo 
BASCAN Sante
32 
26 

3



"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
CECCON Gaetano 
CECCON Cecilia 
CECCON Maria 
CECCON Angelo 
CECCON Margheritta
34 
34 
11 

1
VICENZA 



"
Italia 



"
Agricultor 



"
Catholico 



"
DALLAPOZZA Maria 
DALLAPOZZA Antonio 
DALLAPOZZA Rosa 
DALLAPOZZA Giuditta 
DALLAPOZZA Massimiliano 
DALLAPOZZA Maria
60 
40 
35 


3
"
"
"
"
GHENO Giovanna 
GHENO Maria Angela 
GHENO Bartolomeu 
59 
13 

-
"
"
"
"
PAOLETTO Bortolo 
PAOLETTO Maria 
PAOLETTO Giuseppe 
PAOLETTO Anna 
PAOLETTO Carlo
57 
37 


0.8
"
"
"
"
RIGHI Giovanni 
RIGHI Teresa 
RIGHI Giovanni 
RIGHI Francesco 
RIGHI Emilia
28 
25 


0.5
"
"
"
"
BRAGAGNOLO Pietro 
BRAGAGNOLO Angela 
BRAGAGNOLO Ciriaco 
BRAGAGNOLO Matteo
51 
54 
15 
12
"
"
"
"
MENEGAZ Abramo 
MENEGAZ Pasqua 
MENEGAZ Domenico 
MENEGAZ Pietro 
MENEGAZ Maria 
MENEGAZ Anna
55 
43 
14 


3
"
"
"
"
CARLESSO Bernardo 
CARLESSO Angela 
CARLESSO Giovanni 
CARLESSO Francesco
49 
46 
15 
11
"
"
"
"
TOTONE(?) Andrea 
TOTONE Pasqua 
TOTONE Sebastiano 
TOTONE Lucia 
TOTONE Maria
37 
28 


2
"
"
"
"
GRIGOLETTO Giuseppe 
GRIGOLETTO Maria 
GRIGOLETTO Maria 
GRIGOLETTO Rosa 
GRIGOLETTO Giovanni
33 
33 


1
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
TRITOLATI Vincenzo 
TRITOLATI Angela 
TRITOLATI Gaetano 
TRITOLATI Giovani 
TRITOLATI Anacleto
32 
27 


1
VICENZA 



"
Italia 



"
Agricultor 



"
Catholico 
 " 


"
MORO Bortolo 
MORO Luigia 
MORO Maria 
MORO Pietro 
MORO Domenica
44 
44 
16 
14 
12
"
"
"
"
BOLZON Pietro 
BOLZON Luigi 
BOLZON Rosa 
BOLZON Giacomo 
BOLZON Adora

26 
23 
22 
0.5
"
"
"
"
STRADIOTTO Antonio 
STRADIOTTO Antonia 
STRADIOTTO Valentino 
STRADIOTTO  Cristina
31 
33 

3
TREVISO 


"
"
"
"
MILANI Antonio 
MILANI Rosa 
MILANI Maria 
MILANI Valentino 
MILANI Caterina 
MILANI Giovanni
40 
34 
16 


1
"
"
"
"
FILIPPIN Giovanni 
FILIPPIN Antonia
22 
21
"
"
"
"
GUIDOLIN Angelo 
GUIDOLIN Angela 
GUIDOLIN Luigi 
GUIDOLIN Giuseppe
59 
57 
19 
16
"
"
"
"
PASINATO Amedeo 
PASINATO Patrizio 
PASINATO Luigia 
PASINATO Pietro 
PASINATO Giuseppe 
PASINATO Angelo 
PASINATO Matteo 
PASINATO Angelo 
PASINATO Gio...
70 
46 
40 
18 
13 
11 


0.18
"
"
"
"
PIEROBOM Antonio 
PIEROBOM Teresa 
PIEROBOM Marco
33 
27 
26
"
"
"
"
CECCHIN Francesco 
CECCHIN Veronica 
CECCHIN Celeste 
CECCHIN Maria 
CECCHIN Gio.Batta 
CECCHIN Vittorio 
CECCHIN Maria
52 
47 
29 
26 
18 
14 
12
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE  
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
SOUZA Celeste 
SOUZA Domenica 
SOUZA Angelo 
SOUZA Maria 
SOUZA Amedeo 
SOUZA Giovanni 
SOUZA Giuseppe 
SOUZA Angela
37 
37 
14 
12 
10 


2
TREVISO 





"
"
Italia


"



"
Agricultor 






"
Catholico 






"
GAZZOLA Antonio 
GAZZOLA Pietro
65 
30
"
"
"
"
TONIOLO Eugenio 
TONIOLO Maria 
TONIOLO Maria
30 
27 
2
"
"
"
"
STANGHERLIN Sante 
STANGHERLIN Maria 
STANGHERLIN Cesare 
STANGHERLIN Eugenio 
STANGHERLIN Pasquale 
STANGHERLIN Regina 
STANGHERLIN Teresa
63 
53 
27 
23 
16 
13 
11
"
"
"
"
FUGANTI Felice 
FUGANTI Bortolomea 
FUGANTI Lucia 
FUGANTI Virginia 
FUGANTI Rosa 
FUGANTI Cesare 
FUGANTI Pietro 
FUGANTI Caterina 
FUGANTI Romedio
49 
38 
18 
17 
16 
10 


5
TRENTO 







"
"
"
"
TOMAS Gio.Batta 
TOMAS Margherita 
TOMAS Corona 
TOMAS Margherita 
TOMAS Giacomo
36 
28 
10 

2
"
"
"
"
TONIETTI Fortunata 
TONIETTI Maria 
TONIETTI Barbera 
TONIETTI Pietro 
TONIETTI Giorgio 
TONIETTI Giovanni
42 
15 
11 


1
"
"
"
"
PERMIAN Caterina 
PERMIAN Giuseppe 
PERMIAN Carolina 
PERMIAN Maria 
PERMIAN Luigia 
PERMIAN Luigi 
PERMIAN Alessandro 
PERMIAN Gaetano 
PERMIAN Rosa 
PERMIAN Giuseppe
70 
33 
38 
20 
19 
18 
16 
14 
11 
2
VERONA 









"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
VIERO Giovanni 
VIERO Caterina 
VIERO Andrea 
VIERO Giovanna 
VIERO Antonio 
VIERO Santo
43 
40 



1
VICENZA 




"
Italia 




"
Agricultor 




"
Catholico 




"
TOLFO Eurosia 
TOLFO Giovanni 
TOLFO Margherita 
TOLFO Pietro 
TOLFO Drusilla 
TOLFO Fioravante
61 
28 
26 


2
"
"
"
"
RINCO Margherita 
RINCO Luigi 
RINCO Isotta 
RINCO Gio.Batta 
RINCO Giuseppe
70 
35 
36 
11 
2
"
"
"
"
RECCHIA Luigi 
RECCHIA Maria 
RECCHIA Antonio 
RECCHIA Massimiliano 
RECCHIA Benvenuto
32 
25 


1
"
"
"
"
FACCIN Benedetto 
FACCIN Pasqua 
FACCIN Rodolfo 
FACCIN Romano 
FACCIN Guglielma 
FACCHIN Agostino
48 
44 
15 
22 

5
"
"
"
"
MELATTO Michele 
MELATTO Domenica 
MELATTO Clorinda 
MELATTO Paola
27 
25 

2
"
"
"
"
DAL SANTO Bortolo 
DAL SANTO Filomena 
DAL SANTO Maria 
DAL SANTO Natale 
DAL SANTO Rosa
37 
32 
10 

3
"
"
"
"
NOGARA Angelo 
NOGARA Teresa 
NOGARA Lucia 
NOGARA Alessandro 
NOGARA Gio.Batta 
NOGARA Maria
49 
39 
15 
11 

6
"
"
"
"
BROCCARDO Francesco 
BROCCARDO Elena 
BROCCARDO Silvio 
BROCCARDO Aliuto
32 
30 

2
"
"
"
"
RUGGINE Antonio 
RUGGINE Maria 
RUGGINE Attilio
37 
31 
3
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
NOGARA Giuseppe 
NOGARADomenica 
NOGARA Teresa 
NOGARA Elisabetta 
NOGARA Rosa
39 
30 
10 

3
VICENZA 



"
Italia



"
Agricultor 



"
Catholico 



"
LOVATO Isidoro 
LOVATO Cristina 
LOVATO Giseppe 
LOVATO Gio.Batta
50 
46 
13 
7
"
"
"
"
GOBBO Mario 
GOBBO Maria 
GOBBO Amalia 
GOBBO Massimiliano 
GOBBO Giuseppe 
GOBBO Petronilla
49 
35 
10 


2
"
"
"
"
COSTA Isidoro 
COSTA Caterina 
COSTA Angela 
COSTA Domenico 
COSTA Rosa
31 
30 


0.7
"
"
"
"
CARLOTTO Antonio 
CARLOTTO Maria 
CARLOTTO Domenico 
CARLOTTO Rosa 
CARLOTTO Andrea 
CARLOTTO Antonio
62 
54 
23 
21 
18 
0.8
"
"
"
"
PELIZZARO Giovanni 
PELIZZARO Giuditta 
PELIZZARORiccardo 
PELIZZARO Rosa
35 
35 

2
"
"
"
"
BISOGNIN Francesco 
BISOGNIN Brigida 
BISOGNIN Isidoro 
BISOGNIN Alessandro 
BISOGNIN Santa 
BISOGNIN Rosa
46 
27 



0.8
"
"
"
"
CREAZZO Luicia 
CREAZZO Luigi 
CREAZZO Angela 
CREAZZO Elena
70 
40 
33 
25
"
"
"
"
GIARETTA Angelo 
GIARETTA Pasqua 
GIARETTA Michele 
GIARETTA Maria 
GIARETTA Antonio
50 
50 
29 
29
"
"
"
"
LORENZON Giovanni 
LORENZON Caterina 
LORENZON Francesco 
LORENZON Pia 
LORENZON Paola
39 
37 


2
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE  
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
GUERRA Giovanni 
GUERRA Francesco 
GUERRA Orsola 
GUERRA Gio.Batta 
GUERRA Genovieffa
53 
39 
37 
14 
2
VICENZA 



"
Italia 



"
Agricultor 



"
Catholico 



"
LORENZON Francesco 
LORENZON Giovanna 
LORENZON Maria 
LORENZON Giovannina 
LORENZON Giovanni 
LORENZON Pietro
40 
37 



2
"
"
"
"