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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

As Consequências da Unificação Italiana para os Vênetos a História, Identidade e o Êxodo para o Brasil


As Consequências da Unificação Italiana para os Vênetos: História, Identidade e o Êxodo para o Brasil


A Unificação Italiana é frequentemente apresentada como um triunfo nacional, mas a realidade vivida pelos vênetos após 1866 foi bem diferente. A anexação do Vêneto ao recém-formado Reino da Itália trouxe impactos profundos na economia, na cultura e no cotidiano da população. Esses acontecimentos foram decisivos para o início do grande êxodo que levou milhares de vênetos ao Brasil, à Argentina e a outros países das Américas.

Este artigo explica, de forma clara e histórica, como a Unificação Italiana alterou o destino do Vêneto e por que essa mudança resultou em uma migração sem precedentes.

O Fim de Uma Autonomia Histórica

Durante quase mil anos, a Sereníssima República de Veneza foi independente, com instituições próprias e forte identidade cultural. Mesmo após sua queda em 1797, o sentimento de pertencimento permanecia vivo entre os vênetos.

Com o plebiscito de 1866, também conhecido como Plebiscito Truffa — processo bastante controverso e amplamente questionado por historiadores — o Vêneto foi anexado ao Reino da Itália. A administração piemontesa, depois de um plebiscito de resultado duvidoso pois eivado de falhas graves, tomou o controle, substituindo estruturas tradicionais por um sistema centralizado, distante e muitas vezes incompreensível para a população rural.

Os vênetos perderam:

  • suas instituições locais,

  • parte de sua autonomia,

  • modelos de governança que existiam havia séculos,

  • a sensação de continuidade histórica.

A mudança foi percebida como abrupta e, em muitos casos, injusta.

A Crise Econômica Que Se Agravou Após 1866

A economia veneta já enfrentava dificuldades antes da unificação, mas a incorporação ao novo reino intensificou os problemas. O modelo administrativo e fiscal imposto pelo governo italiano era pesado e pouco adequado às realidades rurais da região.

Os agravantes pós-unificação incluíam:

  • Aumento de impostos sobre consumo e propriedade;

  • Serviço militar obrigatório, que retirava jovens trabalhadores do campo;

  • Concorrência desigual com regiões industrializadas;

  • Pouca modernização agrícola;

  • Endividamento crescente das famílias rurais.

Sem apoio do governo central, muitas comunidades viram a pobreza aumentar de forma irreversível.

A Imposição da Língua Italiana e o Apagamento Cultural

Outro impacto direto da unificação foi a questão linguística. O vêneto, língua histórica da região, foi substituído gradualmente pelo italiano padrão, baseado no dialeto toscano.

A partir de 1866, escolas e órgãos públicos proibiam o uso do vêneto, tratando-o como linguagem inferior ou atrasada. Crianças eram incentivadas — ou forçadas — a abandonar a língua materna. O objetivo explícito era “italianizar” a população.

Para muitos vênetos, isso representou não apenas perda de idioma, mas também de identidade, memória e pertencimento.

O Vêneto e a Desigualdade Dentro do Reino da Itália

Apesar das promessas do Risorgimento, os benefícios da unificação não chegaram igualmente a todas as regiões. O Vêneto recebeu:

  • poucas obras de infraestrutura,

  • pouca industrialização,

  • escasso investimento estatal,

  • atenção política limitada.

O sentimento de abandono cresceu. Para muitos vênetos, era claro que contribuíam com impostos elevados, mas recebiam muito pouco em troca.

O Êxodo em Massa: Quando Emigrar Era a Única Saída

Entre 1875 e 1914, o Vêneto se tornou uma das regiões que mais enviaram emigrantes ao exterior. A pobreza no campo, a falta de perspectivas e os altos impostos empurraram milhares de famílias para longe de sua terra natal.

O Brasil se destacou como destino porque oferecia:

  • terra disponível,

  • promessas de trabalho,

  • possibilidade de reconstruir a vida.

Essa migração transformou a sociedade brasileira e deu origem ao Talian, língua de contato criada nas colônias do sul do Brasil a partir de variedades vênetas.

Consequências Sociais e Históricas de Longo Prazo

Os impactos da unificação ainda ecoam na cultura veneta moderna:

  • fortalecimento da identidade regional,

  • preservação do vêneto como herança cultural,

  • movimentos autonomistas,

  • memória da emigração como parte da história familiar.

Para muitos descendentes, entender essas consequências é fundamental para compreender a própria origem.

Conclusão 

A anexação do Vêneto ao Reino da Itália em 1866 marcou profundamente a região. Perderam-se autonomia, identidade e estabilidade econômica, enquanto aumentaram impostos, pobreza e desigualdade. O resultado foi um êxodo gigantesco que trouxe centenas de milhares de vênetos ao Brasil e outros milhões espalhados por outros países europeus e das Américas.

Compreender esse processo histórico ajuda a explicar por que o Talian nasceu aqui, por que tantas famílias migraram e por que a cultura veneta é tão forte entre os descendentes brasileiros. A história da unificação italiana não é apenas política; é uma história humana de perda, adaptação e reconstrução.

Nota do Autor 

Este artigo foi escrito com base em pesquisas históricas e análises culturais sobre o impacto da Unificação Italiana na vida dos vênetos. O objetivo é oferecer aos descendentes de imigrantes italianos no Brasil um conteúdo claro, profundo e fiel aos fatos, valorizando a memória de quem atravessou o oceano em busca de um novo começo.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



sábado, 17 de janeiro de 2026

Quando el Paese Itàlia no Esistea Ancora La Vera Orìgine dei Emigranti Italiani in Brasil

Quando el Paese Itàlia no Esistea Ancora

La Vera Orìgine dei Emigranti Italian in Brasil


Pochi brasilian dissendenti de emigranti italiani i sa che, quando i primi emigranti italiani i ze rivai in Brasil, el Paese Itàlia el gavea apena nove ani de esistensa. In quel tempo, l’Itàlia no zera ancora ‘na nassion unìa. La penìnsola la zera composta da diversi Stati indipendenti, ciaschedun con el so governo, le so lègi, la so economia, la so cultura e le so lèngue. Par la magior parte dei emigranti italiani, l’idea de ‘na “Itàlia” come pàtria comune no esistea.

Solo dopo el processo de unificassion, conosùo come Risorgimento, e dopo el polèmico plebissito che el ga portà a l’anessassion del Vèneto, el ze nato ufissialmente el Regno d’Itàlia, governà da la Casa de Savoia, originària del Piemonte. Sta trasformassion stòrica la ga cambià el destin de milioni de persone e la ze stà lo scomìnsio de la grande emigrassion italiana verso le Americhe.

Prima de l’Unificassion: ‘Na Penìnsola Spacà

Prima de l’unificassion, el territòrio che incò ciamemo Itàlia el zera ‘na penìnsola fragmentà. Durante el sècolo XVIII e el scomìnsio del XIX, ghe zera diversi Stati sovrani, come el Regno de Sardegna, el Regno de Nàpoli, el Stato de la Cesa, el Ducà de Milan e la Serenìssima Repùblica de Venèssia.

Ognun de sti Stati el gavea ‘na identità distinta. Le tradission, le forme de laorar, le strutture sossiai e, sopratuto, le lèngue, i zera profondamente diverse. No esistea un sentimento nassional italian: le persone se sentiva vèneta, lombarde, sicilian o napoletan, ma no “italiane”.

El Risorgimento e la Nàssita de l’Itàlia

´Ntel sècolo XIX el ze scominsià el longo processo polìtico e militare ciamà Risorgimento, che el ga portà a la nassita del Stato italian. Dopo guere, rivolte e aleanse, el Regno d’Itàlia el ze stà proclamà, ma la so unità la ze stada completà solo ´ntel 1866, con l’anessassion del Vèneto.

Quel plebissito el resta ancora incò motivo de discussion. Studioso e stòrici i parla de manipulassion e irregolarità gravi, come el documenta con richessa de argomenti acusatòri el libro 1866 – La Grande Truffa de Ettore Beggiato. L’unificassion, lontan da portar benessere imediato, la ga coinsidi con ‘na crisi profonda.

Fame, Crisi e Emigrassion Italiana

´Ntei ani che ga seguì l’unificassion, fame, misèria, crisi agrària e disocupassion i ga colpì duramente sia el Nord che el Sud. El peso de le tasse e de le riforme i ga agravà la situassion dei contadin pì poveri. Par tanti, l’ùnica solussion la zera partir.

Cusì el ze nato el fenòmeno de la emigrassion italiana in massa verso le Amèriche. Milioni de persone i ga lassà le so tere in serca de un futuro mèio, portando con lori poche robe materiai ma ‘na forte identità culturae.

I Emigranti Italiani no Parlava Italian

emigranti italiani in Brasile, rivai sopratuto dopo el 1875, no i parlava italian. El motivo el ze sèmplisse: l’italian no esistea come lèngua parlada dal pòpolo. Ogni region parlava el so dialeto, che spesso el zera ‘na vera lèngua, con gramàtica e lèssico propri.

El vèneto, parlà da milioni de persone ´ntel Nord-Est, el zera uno de sti idiomi. Quando el novo Stato italian el ga dovù stabilir ‘na lèngua ufissial, el ga scelto el toscan literàrio de Dante, Petrarca e Boccaccio. Sta lèngua la ze stada imposta dal alto e la no zera compresa da la magior parte dei emigranti.

El Vèneto e l’Èsodo verso el Brasile

L’anessassion del Vèneto al Regno d’Itàlia la ga pegiorà ancora de pì la crisi económica. El mondo rurae el ze entrà in colasso, e l’emigrassion la ze diventà ‘na vàlvola de sfogo par evitar tension e ribelion sossiai.

Miaia de famèie vènete i ze partì verso el Brasil, stabilendose prinssipalmente ´ntel Rio Grande do Sul, in Santa Catarina, ´ntel Espírito Santo, oltre che in San Paolo e Minas Gerais, dove tanti i ze stà mandà a laorar ´ntele fasende de cafè dopo l’abolission de la schiavitù.

La Nàssita del Talian in Brasil

La lèngua vèneta, con le so tante varianti locae, la zera la base linguìstica de la magior parte dei emigranti del Sud del Brasil. Già durante el viàio in navio, i emigranti i se rendeva conto de la dificoltà de comunicassion tra dialeti diversi. ´Ntel isolamento de le colònie del Sud del Brasile, el ze nato cusì el Talian.

El Talian el se ga formà da la mescolansa dei dialeti vèneti, con influensse de altre region e, con el passar del tempo, del portoghese. Come pì del 50% dei emigranti del Rio Grande do Sul i zera vèneta, el vèneto el ga eserssità ‘na influesa dominante.

Incò, el Talian e el vèneto parlà in Itàlia i ze largamente comprensìbili tra de lori, anca se i ga seguìo strade diverse ´ntel tempo.

El Talian Incò Vivo in Brasil

Incò el Talian in Brasil el ze ‘na lèngua viva. Pì de un milión de brasilian lo parla fluentemente, e tanti altri lo comprende. Ghe ze scole, programi de ràdio, teatro, scritori e ricercador che i laora par conservar e difonder sto património linguìstico.

Pì de cento libri i ze stadi publicà in Talian, el dissionàrio veneto riograndense7portughese del frate Alberto Stawisnki e l’opera Vita e Stòria de Nanetto Pippeta (1924) del frate Aquiles Bernardi le ze considerà el so marco literàrio. El Talian el ze incò riconossù come la seconda lèngua pì parlada del Rio Grande do Sul, dopo el portoghese.

Nota de l’Autor

Sto testo el ze stà scrito con intento stòrico e culturae. El ga come obietivo quel de spiegar le vere orìgine dei emigranti italiani in Brasile e de valorisar la diversità linguìstica e regionae de la penìnsula italiana prima de l’unificassion. El uso del talian no vol rapresentar ‘na norma ufissial, ma conservassion de ‘na memòria viva, trasmessa de generassion in generassion.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Quando o País Itália Ainda Não Existia e A Verdadeira História por Trás das Origens dos Imigrantes

 


Quando o País Itália Ainda Não Existia e A Verdadeira História por Trás das Origens dos Imigrantes

Poucos brasileiros descendentes de italianos sabem que, quando os primeiros imigrantes desembarcaram no Brasil, a Itália como país tinha apenas 9 anos de existência. Até 1866, a península não era uma nação unificada, mas um conjunto de Estados independentes, cada qual com governo, leis, cultura e línguas próprias. Somente a partir da unificação — e após o conturbado plebiscito que anexou o Vêneto — passou a existir oficialmente o Reino da Itália, governado pela Casa de Savoia, originária do Piemonte.

Antes da Unificação: Uma Península Fragmentada

Durante o século XVIII, o território hoje conhecido como Itália era composto por diversos Estados soberanos, entre eles:

  • Reino da Sardenha

  • Reino de Nápoles

  • Estado da Igreja

  • Ducado de Milão

  • Sereníssima República de Veneza

Cada um possuía identidade distinta, com tradições, economias e línguas muito diferentes entre si. Não havia um sentimento nacional italiano — ele sequer faria sentido naquele contexto.

O Risorgimento e o Nascimento da Itália

No século XIX, iniciou-se o longo processo de unificação chamado Risorgimento, celebrado na Itália em 17 de março. Após guerras e mobilizações políticas, formou-se o Reino da Itália, considerado concluído somente em 1866, quando o Vêneto foi anexado após um polêmico e manipulado plebiscito. Pesquisadores apontam irregularidades profundas, como detalha o livro “1866 – La Grande Truffa”, de E. Beggiato.

A unificação coincidiu com um momento dramático: fome, miséria, crise agrícola e desemprego devastavam tanto o Norte quanto o Sul, alimentando o início da emigração em massa para a América.

Os Imigrantes Não Falavam Italiano

Os antepassados que chegaram ao Brasil a partir de 1875 não sabiam italiano, porque:

  1. O italiano não existia como língua nacional até a unificação.

  2. As populações se identificavam pela província, não pela nacionalidade “italiana”.

  3. Cada região falava seu dialeto próprio, muitos deles línguas inteiras com estrutura própria, como o vêneto.

Quando o novo Estado precisou definir um idioma, adotou-se o toscano literário, usado por Dante, Petrarca e Boccaccio. Assim, o “italiano” foi uma língua oficial imposta de cima para baixo — e desconhecida da maioria dos emigrantes.

O Vêneto, a Crise e o Êxodo para o Brasil

A anexação do Vêneto agravou ainda mais a crise econômica local, acelerando o colapso rural e a fuga de milhões de pessoas. O êxodo tornou-se uma válvula de escape para evitar uma possível guerra civil. O peso dessa transformação recaiu sobre os agricultores pobres do Norte e do Sul.

A maioria dos emigrantes era semianalfabeta, e seus dialetos — sobretudo após a queda da Sereníssima República de Veneza em 1797 — quase já não eram escritos. Mesmo assim, eram portadores da rica herança cultural de uma das mais poderosas repúblicas marítimas da história.

Milhares desses vênetos vieram para o Brasil, estabelecendo-se principalmente no Rio Grande do SulSanta CatarinaEspírito Santo, além de São Paulo e Minas Gerais, onde foram destinados às fazendas de café após a abolição da escravidão.

O Nascimento do Talian no Brasil

A língua vêneta, com grande diversidade interna, era o idioma da maioria dos imigrantes do Sul. No convés dos navios, eles já percebiam a dificuldade de comunicação entre dialetos distintos. No isolamento das colônias gaúchas, surgiu então uma nova língua: o Talian.

Criado a partir da mistura dos dialetos vênetos e influências de outras regiões, o Talian se consolidou como uma língua própria, rica e melodiosa. Como mais de 50% dos imigrantes do RS eram vênetos, o vêneto exerceu influência dominante na formação do novo idioma.

Hoje, o Talian e o vêneto italiano são totalmente compreensíveis entre si, embora tenham evoluído de formas diferentes:

  • O Talian incorporou palavras e construções do português ao longo de 140 anos.

  • O vêneto europeu recebeu forte influência do italiano contemporâneo.

Para muitos descendentes, o Talian é a verdadeira língua mãe.

A Presença Atual do Talian no Brasil

O Talian permanece vivo:

  • mais de 1 milhão de brasileiros falam fluentemente,

  • outro tanto o compreende,

  • há escolas, programas de rádio e escritores dedicados ao idioma,

  • existem mais de 100 livros publicados em Talian, além de dicionários,

  • a obra clássica “Vita e Stòria de Nanetto Pippeta” (1924) é seu marco literário.

Peças de teatro também são encenadas nessa língua, que hoje é considerada a segunda língua mais falada do Rio Grande do Sul, depois do português.


Nota do autor

Este texto foi escrito com o objetivo de esclarecer um ponto essencial sobre a origem dos imigrantes italianos no Brasil: muitos deles partiram de uma península fragmentada, em um período em que a Itália ainda não existia como país unificado. Ao abordar o Risorgimento, a anexação do Vêneto, a crise econômica e o surgimento do Talian no Brasil, busco aproximar os descendentes de italianos de sua verdadeira história familiar, mostrando que seus antepassados se identificavam sobretudo com suas regiões, dialetos e comunidades locais.

Mais do que narrar dados históricos, procuro valorizar a formação cultural desses imigrantes, explicar por que eles não falavam italiano padrão e destacar como o contato entre diferentes dialetos deu origem a uma nova língua viva no Brasil. A intenção é contribuir para o entendimento das raízes vênetas e italianas, da trajetória migratória e do impacto desse processo na identidade de milhões de brasileiros. Este trabalho não pretende esgotar o tema, mas incentivar a pesquisa, a preservação do Talian e o reconhecimento da verdadeira diversidade que marca a história da imigração italiana no Brasil.

Dr. Luiz C: B. Piazzetta



terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Religiosidade dos Imigrantes Vênetos nas Colônias Italianas do RS: Fé, Capitéis e a Formação das Comunidades

 


Religiosidade dos Imigrantes Vênetos nas Colônias Italianas do RS: Fé, Capitéis e a Formação das Comunidades

A religiosidade dos imigrantes vênetos nas colônias italianas do Rio Grande do Sul foi um dos pilares mais profundos da formação social, cultural e moral dessas comunidades. Para esses homens e mulheres, a fé católica não era apenas uma prática religiosa, mas um modo de compreender o mundo, interpretar o sofrimento e sustentar a esperança em meio às adversidades da nova terra.

A moral dos emigrantes vênetos era guiada quase inteiramente pelos preceitos da religião católica. O divino estava presente no cotidiano de forma constante: rezavam antes do trabalho, agradeciam ao final do dia, pediam perdão pelos pecados e favores nas horas de desespero. O temor a Deus funcionava como um limite moral e, ao mesmo tempo, como uma fonte de conforto. Essa devoção permanece visível ainda hoje nos inúmeros símbolos espalhados pelas antigas propriedades e comunidades: cruzes de madeira, capitéis à beira das estradas, pequenas capelas e igrejas que marcam a paisagem rural da Serra Gaúcha.

Para esses imigrantes e seus descendentes, os fenômenos da natureza nunca eram apenas acontecimentos físicos. Tempestades, secas, geadas, enchentes e deslizamentos de terra eram interpretados como sinais da presença divina. A leitura do mundo natural estava profundamente associada à fé. Em um território desconhecido, coberto por mata fechada e marcado pelo isolamento, essa religiosidade popular surgiu como resposta direta à necessidade humana de segurança, ordem e sentido.

A religião desempenhou um papel decisivo na proteção emocional e social desses grupos. Distantes da terra natal, arrancados de suas aldeias no Vêneto, muitas vezes abandonados pelo poder público e submetidos a condições de extrema precariedade, os imigrantes encontraram na fé uma forma de resistência. A igreja não representava apenas o sagrado, mas também a única instituição capaz de criar laços de solidariedade, disciplina moral e organização comunitária.

Nos primeiros núcleos coloniais do Rio Grande do Sul, o processo de ocupação do território seguia uma lógica quase sempre simbólica: antes das casas definitivas, surgiam as cruzes; antes das estradas estruturadas, os capitéis à beira dos caminhos, conhecidos como “linhas”. Esses pequenos marcos religiosos consagravam o espaço, protegiam simbolicamente o território e delimitavam a presença comunitária. Em seguida, surgiam as capelas, quase sempre construídas de forma coletiva, com madeira bruta, telhas simples e trabalho comunitário.

Com o crescimento das colônias, essas capelas deram lugar às igrejas, que se tornaram o verdadeiro coração das comunidades. Não eram apenas lugares de oração, mas os principais centros de encontro social, de tomada de decisões coletivas e de organização da vida comunitária. Em muitas localidades, as primeiras salas de aula funcionaram dentro das próprias igrejas ou nos anexos das capelas, unindo ensino, fé e identidade cultural.

As festas religiosas, as novenas, as procissões e as celebrações dos santos padroeiros constituíam as raras oportunidades de convivência social em um cotidiano marcado pelo trabalho exaustivo e pelo isolamento. Nessas festas, os imigrantes reforçavam laços, escolhiam compadres, organizavam casamentos e reafirmavam a continuidade das tradições trazidas da Itália. A religiosidade não era apenas espiritual: era profundamente social, cultural e identitária.

Mais do que uma herança devocional, a fé foi um instrumento de construção territorial. Ao erguer um capitel, o colono não apenas expressava sua devoção, mas simbolicamente transformava a mata em espaço habitado. Assim, a religiosidade dos imigrantes vênetos não apenas moldou a espiritualidade dessas comunidades, mas estruturou a própria geografia social das colônias italianas do Rio Grande do Sul.

Ainda hoje, essa herança permanece viva nas pequenas igrejas do interior, no som dos sinos, nas festas comunitárias e na memória coletiva dos descendentes. A fé que sustentou os primeiros colonos continua sendo um dos fios invisíveis que ligam o presente às origens.

Nota do autor 

Escrever sobre a religiosidade dos imigrantes vênetos não é apenas revisitar a história, mas caminhar sobre as mesmas trilhas de barro onde homens e mulheres, quase sempre em silêncio, transformaram desespero em fé. Cada capitel perdido à beira de uma estrada rural carrega mais do que um símbolo religioso: carrega lágrimas contidas, promessas sussurradas, dores que não cabiam em palavras. 

Há algo de profundamente humano nessa fé construída em meio à solidão. Não era uma religiosidade de luxo ou de conforto, mas de urgência. Era a fé de quem não tinha a quem recorrer, a não ser ao céu. Ajoelhados sobre o chão duro da nova terra, esses imigrantes pediam não riquezas, mas força para sobreviver ao dia seguinte.

Este texto é uma homenagem silenciosa a esse povo que raramente aparece nos grandes livros de história, mas que escreveu sua própria epopeia com enxadas, rosários e lágrimas. Que cada leitor descendente reconheça, nessas linhas, não apenas fatos históricos, mas o pulsar de uma herança espiritual que ainda vive nas famílias, nas festas dos santos, nas igrejas de madeira e nos sinos que ecoam nos vales do Rio Grande do Sul. Nada disso é passado. É raiz. É identidade. É memória viva.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Nadal tra la Nèbia e la Speransa: el Nadal Vèneto tra l’Antico Véneto e le Colònie del Sud del Brasil

 


Nadal tra la Nèbia e la Speransa: el Nadal Vèneto tra l’Antico Véneto e le Colònie del Sud del Brasil


El Nadal, par la zente vèneta, no el zera mai stà solo na festa del calendàrio, ma na staion de l’ánema, un tempo suspeso tra la memòria e la promessa. Nel Veneto de na olta, tra i campi magri, le case basse de piera e le stae odorose de fien, el Nadal rivava pian, come la nèbia de desembre che se stendéa sora i fossi e i filari spogli. El fredo no zera solo ´nte l’ària, ma anca ´nte le ossa e ´nte la vita dura de na zente abituà a tirar avanti con poco, contando su la tera, su la Madona e su la fede tramandà dai veci.

Le zornade se scurtea, el sol parea stanco, e la note la siapava el comando. In sto tempo, el Nadal no portava lusso, ma silénsio e respeto. Le famèie se strinséa, no tanto par la festa, ma par la necessità de star insieme. El fogo ´ntel camin, o na candea sola, diventava sentro del mondo. La luse picina la zera segno de speransa, come ´na stela lontan che no se spegnea gnanca ´ntei ani pì duri.

Ntel Véneto rural, el Nadal zera pien de segni e credense. Se vardava el tempo: se Nadal vegniva con el sereno, l’ano novo prometéa racolti boni; se vegnea con la piova o con la neve grossa, se disea che la tera la gavaria sete o fadiga. Le done pì vècie savea leser el Nadal come un libro segreto: el vento, el canto lontan de ´na civeta, el scriciolar del legno ´ntel fogo, tuto gavaria dito qualcosa del futuro.

Quando la misèria e la fame costrinse tante famèie a lassà el Véneto, el Nadal no restò indrio. El ze vignesto verso el Brasil, lungo e doloroso, portò via case, paesi e parenti, ma no portò via el Nadal. El Nadal el viaiò ´nte la mente, ´nte le preghiere sussurà, ´nte le picie imagini de santi tegnude ben strete tra i pani. Rivà in tera nova, tra la mata fita e scura del Rio Grande del Sul, el Nadal tornò a vegnir selebrà, anca se in modo diverso.

´Nte le colònie italiane del Rio Grande, el Nadal se mescolò con el silénsio del bosco e con el suon novo de na tera selvàdega. No ghe jera campane grandi, né cese de piera, ma capele de legno, costruide con fadiga e speransa. El Nadal zera segnao dal laoro fin al’ùltimo, parchè la tera no aspeta le feste. Ma pròprio par questo, quando rivea, el Nadal diventava ancora pì precioso.

Le tradission le se ga adatà. El presèpio, fato con mùscio, legneti e sassi trovadi ´ntei dintorni, diventava un ponte tra el Véneto lassà e la nova pàtria. El Bambin Gesù no zera pì solo ´nte na grota lontan, ma anca tra le radise de na tera rossa, tra el profumo de pino e de fóie ùmide. La Madona la parea vegnir pì visin, come ´na mare che la segue i so fiòi fin in capo al mondo.

Le lende e le credense continuea a viver. Se disea che la note de Nadal, el cielo se verzea par un istante, e chi gaveria sapùo vardar con el cuor puro, gaverìa visto la benedission scender sora la colònia. Ghe zera chi credea che i animài, ´ntela stala, in sto momento sacro, i capisse el mistero pì dei cristiani e i stesse in silénsio, come in preghiera. Altri disea che le ànime dei morti, specialmente quei lassadi in Europa, le tornasse a visitar le famèie, portando conforto e memòria.

El Nadal coloniae no zera fato de tàvole riche, ma de gesti sèmplissi: un pan spartì, un piato caldo, un soriso stanco ma sincero. El valore no zera ´ntela quantità, ma ´ntela condivision. Ogni brìciola la gaverìa avùo el peso de un ringrassiamento. El Nadal insegnava che la richessa vera la stava ´ntela resistensa, ´ntela capassità de continuar a credar, anca quando tuto parea contro.

Con el passar dei ani, el Nadal del Véneto e el Nadal del Rio Grande se fondéa in un solo. El ricordo de la pàtria lontan no se perdeva, ma se trasformea. El Nadal diventava sìmbolo de identità, de apartenensa, de continuità. Na festa che no guardava solo indrio, ma anca avanti, verso i fiòi e i nipoti che gaverìa parlà na lèngua mesciada, ma che ´ntel Nadal gaveria ritrovà el filo antico de le radise.

In sto senso, el Nadal no el ze solo memòria, ma anca costrussion. El Nadal el ze ´na promessa che passa de man in man, de generassion in generassion. El Nadal el ze la certessa che, anca tra la nèbia, la mata e la fadiga, la speransa la trova sempre el modo de vegnir fora, come na candela che continua a far luse, anca quando el vento prova a spegnerla.

Nota de l’Autor 

Sto testo no el ze na stòria né na cronaca, ma na evocassion. El Nadal, par la zente vèneta e par i so discendenti, el ze na eredità invisìbile, fata de paroe no dite, de gesti ripetudi e de fede silensiosa. Scrivar in talian el ze un ato de respeto e de conservassion, parché in sta lèngua ghe ze ancora el suon del Véneto antico e el respiro de le colònie del Sud del Brasil. El Nadal, in fondo, lu el ze questo: na memòria che no more, ma che contìnua a parlar, pian, a chi ga voia de scoltar.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

El Lassà del Leon de San Marco la Stòria de l’Emigrazion Vèneta e del so Impato ´ntel Brasil



 El Lassà del Leon de San Marco: la Stòria de l’Emigrassion Vèneta e del so Impato ´ntel Brasil


Leon Alà de San Marco e l’Emigrassion Vèneta


Dopo che Venessia la ga cascà in man de le trupe de Napoleón, in quel ano maledeto de 1797, quando el ùltimo Dose, Ludovico Marin, el ga abolì la Serenìssima Repùblica dopo pì de mile e cento ani de splendor, tuto quel che incorporava el Vèneto el ga scominsià a vegnir zo soto ‘na fase negra, pien de misèria e sercà de disgràsie. Dopo la dominassion dei francese e quel austrìaco, la vita de la zente agravava a ogni ano che passava.

Quando el Vèneto el ze vignesto a far parte ´ntel Regno d’Itàlia, dopo el 1860, la situassion la ze agravà ancora de pì. La tera vèneta la zera za conossù da tanti ani par la so emigrassion de staion, spèssie d’inverno, quando tanti òmeni e done i partia par l’Àustria, la Germania e altri paesi europei. Sta emigrassion temporària rivava massa forte de le zone montagnose, ndove che, par via del fredo, no se podea far altro che un toco de agricoltura par no morir de fame. De lì vegnia la zente de Belun, Vicenza e Treviso.

Dopo el Risorgimento, i veneti i ga se catà con ‘na grande carestia, mancansa de laoro e ‘na povertà che zera sempre pì granda. Mètodi de coltivar veci, concorensa de grano che veglia de altri paesi a bon mercato, slavine, aqua alta, seca, e la mancansa de fàbriche che podesse dar pan a quei che scampava dal campo, tuti sti fatori i ga dato un colpo mortal a la region.

La fame entrava ´nte le case come un vento maledeto. La polenta zera la ùnica roba che rivea su la tola; ogni tanto un po’ de erbe. Carne, late o pan bianco i zera un lusso che quasi nissun le vedea. La magior parte dei contadini no zera i paroni de gnente: laorava par un paron, che se siapava la parte pì bona de la safra. Quando i no zera assalarià, firmava contrati pesanti de mezadria, che ghe lassava poco o quase gnente.

La poca alimentassion, par ani continuà, la ga portà fora la pelagra, ‘na malatia de la misèria che invalidava la zente par mesi, obligando a vegnir internà ´ntei pelagrosari, presenti in tante sità venete.

Con la unificassion italiana, el Vèneto el ga avù ancora pì forte la crise: disocupassion, dèbiti, tase alte… tute ‘ste robe la ga fato nàsser quel fenómeno enorme che dopo el ga se ciamà la Gran Emigrasion. Un ésodo che rare volte la stòria la ga visto uguale. Famèie intere le ga partì verso el Novo Mondo, specialmente Brasil e Argentina.

Sta prima fase de l´emigrassion durò fin al 1914, quando la Prima Guera Mundial taiò tuto par meso.

Nel 2008 ghe gera 260.849 vèneti vivendo fora, 5,4% de la populassion. I pì numerosi i zera in Brasile (57.052), dopo Svissera e Argentina. Ma ‘sti nùmari no conta davero tuto: sol in Rio Grande do Sul ghe se pol dir che ghe vive un altro Vèneto, a volte ciamà la otava provìnsia vèneta.



El Vessilo Vèneto e l’Eredità de chi che ‘l ga partì

In Brasil, i vèneti i ga scrito forse la pàgina pì luminosa de la stòria del Pòpolo Vèneto. Con la so inteligensa, la cultura, la cusina, la lèngua, la fede e la maniera de viver, i ga trasformà le foreste scure brasilian in sità vive e orgogliose, che no ga gnente de manco da le sità de la tera d’origine.

Tanti i ga lassà la so tera, i so parenti e tuto quel che i gavea, savendo che no li vedaria mai pì. El viaio el ze stà anca un modo de protestar in silénsio contro ‘na Itàlia che no gavea forsa né voia de salvar la so pròpria zente. In verità, ‘sta fuga de massa evitò anca ‘na guera sivil che zera pronta a scopiar.

Ancuò ghe ze milioni de dessendenti vèneti sparpaià sopratuto in Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, San Paolo e Espírito Santo.

La origen vèneta se pò vardar ben ´ntei nomi de tante cità brasilian:

Nova Schio, Nova Bassano, Nova Treviso, Nova Veneza, San Marcos, Nova Pádua, Monte Vêneto e Monte Bèrico.

E, in sti ùltimi ani, tanti brasilian e argentini fiòi dei primi emigranti i ga fato el viaio de ritorno, fermandose de novo in Itàlia par ritrovar le radise de la so stòria.

Nota del Autor 

Sto testo el vol far capir in modo sèmplisse ma preciso la stòria del pòpolo vèneto, da la cascada de la Serenìssima fin al gran movimento de emigrassion verso el Brasil e l’Argentina. No ze ‘na opinon, ma ‘na sìntesi de quanti studi e documenti che la stòria la ga resgistrà.

El vol mostrar perché che i vèneti i ze stà obligà a partir: misèria, crise, carestie, malatie e poca speransa. Ma anca come, passà el mar, i ga costruì un mondo novo sensa perder lèngua, cultura e fede. El Leon de San Marco e la bandiera vèneta i resta siìmboli che i emigranti i ga portà ´ntel cuor e che i dessendenti, incòi, conserva con orgòio.

Sto scritoel ze stà pensà par dar al letor ‘na visión pì granda del sacrifïssio dei nostri veci e del valor de ‘sti emigranti che, con sudor e sacriìssio, i ga fato grande el Brasil.

Dr. Luiz Carlos B: Piazzetta



quarta-feira, 26 de novembro de 2025

L’Influensa del Clero ´nte l’Emigrassion Italiana par el Brasil: Confliti, Ideài e la Risserca de un Mondo Novo


 

L’Influensa del Clero ´nte l’Emigrassion Italiana par el Brasil: Confliti, Ideài e la Risserca de un Mondo Novo

Inte i teritori italiani da ’ndove che partia ’na gran mùcio de gente, l’ambiente sossiał el zera segnà da dispute profunde. Da ’na banda ghe zera quełi che vardava l’emigrassion de massa cofà l’ùnica via de scampo de la malora agrària. Da l’altra, quełi che gavea paura che ’l abandonar el campo i desfaresse tradission seculari e ’l strutura de le comunità contadine.

Sto conflito el coinvolsea autorità sivile, capi łocai e anca i representanti del clero. I governi łiberài acusava un saco de pàrochi de ’ncoraiar le famèie a partir e, a volte, de farse mediadori privilegià de l’emigrassion. Tanti de sti preti, in oposicion con el Stato italiano unificà, i se cataea anca soto pression interna de ’na Cesa che la voléa evitar problemi direti con el governo.

Par tanti preti, tegner su l’emigrassion zera ’na maniera de reagir contro la pèrdita de influensa e de prestìgio ´nte le paròchie. La malora econòmica la copava no solo i fedeli, ma anca i preti stessi e le so famèie, che sofria el disocùparo, le novi tasse e l’instabilità portà da le reforme polìtiche del novo Stato italiano.

Lo incremento del anticlericalismo e le tension tra Cesa e Stato i agravava l’ambiente. El Vatican reagia, ma no ghe zera ancora ’na lìnea ùnica sora la partensa de miaia de contadin verso le Amèriche. ´Nte sto contesto, qualche preti provava a desinssentivar la partensa, mentre altri organizava in modo ativo i grupi par el viaio oltre ossean.

Tanti pàrochi i ga seguì i so fedèli fin ´nte el Brasil. I voléa preservar i vìncołi religiosi, morai e de comunità che in Itàlia i se zera tornà rossi via dal liberalismo, da la modernisassion e dal indebolimento de la vita contadina tradissionae. Par tanti de lori, l’Amèrica zera un posto ’ndove che se podéa refar la coesion de le famèie e tegner vivi i valori minasià ´nte la penìsola.

In diverse region italian se difonde la vision che l’Amèrica la podéa diventar ’na comunità cristiana nova, quasi ’na “Repùblica de Dio”. Par i contadin pòvari e pien de incertesa, sta promessa la gavea un peso grande. Le parole dei preti gavea valor moral e tante volte lore contava pì de l’autorità del Stato.

Anca se perseguità par suposta desòrdine pùblica, contravension o oposission al governo, un bon nùmaro de preti continuava a difender l’emegrassion cofà un modo de salvar le so comunità. Par lori, partir zera ’na maniera de conservar la fede, la vita comunitària e l’identità contadin.

Intel dessene del 1870 e 1880, la paura de la misèria se somava a la desfassadura de le struture tradissionai. Tanti contadin i ga deciso de partir no tanto par la povartà de quel momento, ma par paura del futuro e par la risserca de dignità. Pìcoli proprietài, a volte catalogà cofà fanàtici o ambissiosi, i diventava capi łocài del movimento emigratòrio, portando con lori visin e parenti.

El Brasil comparì cofà un destino prometedor. El zera descrito cofà ’na tera fèrtile, rica de risorse e lontan da le guere che roinava parte de l’Itàlia. I raconti dei viaiadóri e i discorsi dei preti — cofà quel famoso de Don Cavalli — i presentava el Brasil cofà ’na vera “segunda Canaàn”, un posto ’ndove refar la vita e tegner viva la fede catòlica.

Cussì, l’emigrassion la ze diventà via de scampo davanti de la malora agrària, de l’instabilità polìtica e de la pèrdita de le rete tradissionai de sostegno. Ma la ze deventà anca ’na forma de resistensa: ’na prova de tegner su costumi, valori religiosi e la vita de comunità minasià da le trasformassion de l’Itàlia dopo l’unificassion.

La narassion de la “tera promessa” la ardea l’imaginàrio contadin. El sònio de catar giustìssia, łibartà e dignità oltre el mar el ghe dava forsa a miaia de famèie che ga colto el Brasil cofà destin. Par lori, l’emigrassion la zera la speransa de costruir un “mondo al rovèscio”, un mondo pì umano, cristiano e uguale.


Nota 

L’emigrassion italian e sopra tuto quela vèneta la ga avù un ruolo decisivo `nte la formassion cułtural, sossial e econòmica de tanti paesi che ga avù la fortuna de ’ndar a ricéver i so emigranti. El spìrito de laoro, la tradission agrìcoła, el senso forte de comunità e la conservassion dei valori de famèja i ga trasfornà ìntegre colónie, contribuindo al ingrandimento de regioni ´nte el Brasil, l’Argentina, l’Uruguai e altri posti de le Amèriche. Sto lassà el resta vivo ´nte le sagre tìpiche, ´nte la cusina, ´nte i dialeti e ´nte le tante stòrie de perseveransa lassà da le famèie dessendenti.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

La Saga de Giovanni e Maria R. – Da Cismon del Grappa fin a le Floreste del Rio Grande do Sul


 

La Saga de Giovanni e Maria R. – Da Cismon del Grappa fin a le Floreste del Rio Grande do Sul

La vècia casa de piera de Cismon del Grappa, ’ndove che Giovanni e Maria R. i ga vissù, la resta come testimónea silensiosa de un passà duro. Le pareti oramai consumà, el piso fredo e la scaleta streta conta la stòria de generassion che le ga passà drento. Da quel posto sui prealpi vèneti, tra montagne e boschi, la mancansa de speransa ´nte l’Itàlia pòvera de fin del sècolo XIX la ga spentonà el casal a scampar via, seguendo tanti altri compaesan che i sercava ’na vita nova.

´Ntei ùltimi 25 ani del sècolo XIX la vita la zera storta par i pìcoli agricoltori, sopratuto par chi che laorava ´nte le zone pì montagnose, ’ndove che la tera rendea poco. La famèia de Giovanni vardava le racolte calar ogni ano, e Maria, straca e preocupà, sercava strade par mantegner vivi i fiòi. Restar volea dir misèria; partir volea dir risco, ma anca speransa.

El adio vero el ze scominsà quando Giovanni el ga serà la porta de la vècia casa par l’ùltima volta. La cesa de la Madona del Pedacino ´ndove lori i se ga sposà, i parenti a do passi, i amissi de ogni zorno: tuto zera restà indrìo. Quela partensa zera ’na rutura che no gavea ritorno.

´Nte la traversia del ossean, el navio stracarico che el ga partì del porto de Génova el zera un inferno de odor de carbon, de corpi mal lavà e malatie. Maria, presa da la febre e da la fiachessa, no la ga resistì. El so corpo el ze stà consegnà al mar, impacotà in ’na lona rùvida legà con soga. Quel suon smorsà del corpo che toca l’onda scura el ze restà registrà par sempre ´nte la memòria de Giovanni e dei fiòi. Quela pèrdita la ga segnà par sempre la famèia.

Quando finalmente lori i ga vardà el Brasil, el dolor zera ancora vivo, ma la vita domandava coraio. ´Nte le colónie taliane del Rio Grande do Sul, Giovanni el ga alsà un riparo con rami de le àlbari abatù e baro, scominsiando a far neto la mata grossa. Le noti le zera pien dei urli de bèstie selvàdeghe, e par tegner sicuri i fiòi el tegnea un fogo sempre ardendo davanti a l´assesso de la tana.

Con el passar del tempo, la tera netà la ze diventà campo de piantassion, e le sementi taliane le ga meso radise ´nte la tera brasilian. I fiòi, sobrevissù a la traversia, i ga cressù forti come Giovanni e Maria. Anca i dissendenti lontan che no conossea ancora el Vèneto i ga portà drento la memòria de quela vècia casa e del sacrifìssio grande che gavea dado origin a tuto.

Incòi, quando qualche dissendente torna in visita a Cismon del Grappa, el sente che le piere de la vècia casa no conta sol el tempo, ma anca coraio, dolor, speransa e rinàssita. La stòria de Giovanni e Maria R. la resta ’na prova del sacrifìssio che ga donà vita e futuro a tante generassion brasilian de orìgene vèneta.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Radise de la Speransa

 


Radise de la Speransa


El vento sufìava forte, portando con sé el odor ùmido del bosco denso che sircondava la pìcola radura. Matteo tegneva fermo el manego de la manara, sentindo le man incalìe vibrar con l'impato del tàlio su la legna. El tronco de l’araucària, pian pianin, gavea sedù, cascando con un scrossio che se ga sparpagnà par la selva. El zera el terso de la matina, e el sol a malapena gavea tacà a montar.

El se ga fermà un momento, apogiandose su la manara, vardando intorno. Inte'l cuor, un misto de orgòlio e malinconia. Lu el zera partì da l'Itàlia con la mòier, Sofia, e i tre fiòi picinin do ani indrio. Lori i gavea lassà na casa ´nte la provìnsia de Treviso, spintà via da la fame, la mancansa de lavoro e la promessa de tere abondanti de l'altra banda del ocean. La traversia la zera stà lunga e amarga. El pìcolo de i fiòi, Pietro, gavea molà prima ancora de vardar le coste brasiliane, strassà da na febre. Matteo sentiva ancora i pianti sofegà de Sofia su la coperta scura del vapor.

Adesso zera lì, ´ntel cuor del Rio Grande do Sul, su un toco de tera che pareva pì una maladission che la salvessa promessa. Ghe zera gnanca strade, gnanca visin par mesa mìlia. Solo la selva feroce e la necessità de trasformarla in ´na casa.

Sofia la ga spuntà fora da la baraca de fortuna. I so cavei castani i zera racolti in un crocà disordenà, e i sbuse de sot i oci i contava de noti sensa dormì. La portava in man una péntola de fero, de ndove vegniva fora l'odor agrodoce de la polenta cusinà con radise e erbe.

— Vien a magnar, Matteo. — La so vose la zera decìsa, ma tegneva drento un filo de preocupassion. — Te ghe ga bisogno de forsa.

Lui alsa la testa, e assentì, sentandose su un toco de legna che serviva par sgabelo. Intorno, i fiòi pì grande i zocava, sbassando un balon fato de strasse. El zera in quei momenti de pausa che Matteo sentiva la nostalgia forte. Ghe mancava i colini verdi de la so tera natìa, el sonar de le campane de la cesa ´nte la piassa del paeseto, le ciàcoe in vèneto a la fin del dì. Ma lori no i gavea el lusso de fermarse, neanca almeno de lamentarse. El futuro dipendeva da quel che i gavea da costruir adesso.

Dopo i ga magnà, Matteo i ga tornà al lavoro. Ogni colpo de manara, el vardava davanti le pareti de la casa che i gavea da tirar sù, la campagna che i gavea da seminar, el vineto pìcolo che un dì el sperava de far crèsser. El zera ´na lota contínua, ma el saveva che ogni sacrifìssio el zera par un futuro. Un dì, i so fiòi i gavarìa quel che lui e Sofia no i gavea mai avù: un posto da ciamar casa.

El inverno el ze rivà presto in quela staion. Le matine le zera frede e la nèbia la coarciava la colónia come un manto. Matteo el se sveiava prima de l’alba, anca se i so diti i ghe se ingiassava tenendo i strumenti. Sofia la giustava le robe par i fiòi con quel poco tessuto che lei i gavea portà da l´Itàlia.

Na sera, sentà intorno al fogo, Matteo el ga contà una stòria a i fioi. La zera de un contadin che gavea tribolà tanto, ma che no gavea mai smesso de créder. I òci dei fiòi i ghe lustrava, e Sofia la sorise par la prima olta in setimane. Matteo el saveva che el zera par quelo che lu continuava. No el zera solo par lori, ma par chi che saria vegnù dopo. Par la promessa de na vita milior.

Con i ani che passava, la radura la se ga trasformà in na vileta, con strade de tera che univa le famèie vissine. I campi i ga fiorì, e la pìcola casa de legna la ze deventà na morada calda. Matteo el ze vegnesto vècio vardando i fiòi che cresseva, se sposava e ghe tirava sù le tère.

Na matina de la so ùltima vendèmia, el ga passegià tra le vite che el gavea piantà, vardando i so nevodi che i coreva par i campi. Sorise. El sacrifìssio el zera stà degno. Par quanto la vita la zera stà dura, el saveva de aver trasformà la speransa in realtà.


Nota 

"Radìse de la Speransa" no l’è solo un conto, ma un omenaio a le stòrie de chi che ga lassà tuto par seguir un sònio. L'ispirassion la vien da i raconti e dal testimónio de i nostri vèci, pionieri veneti e italiani che, a la fin del Otosento, i ga lassà le so radìse i´ntel cuor de l'Itàlia par piantar qua zo altre ´ntela tera brasilian.

Sto raconto el vol far rivìver le so sfide, el coràio e la determinassion che i ga mostrà. Ogni colpo de manara, ogni piato de polenta magra, ogni sera passà intorno al fogo, el ze un sìmbolo de ´na generassion che no la gavea gnanca el tempo de lamentarse, ma solo de lotar.

La nostra léngua talian, che la ze el eco de le so vose, ghe dà vita a ste stòrie. La ze la léngua che lori i ga creà con el cuore, mista a nostalgìa e speransa, e che ancora resona ´nte le vècie colònie taliane del sud Brasil.

Con sto conto, spero de onorar la memoria de chi che ga trasformà le difficoltà in oportunità e la selva in casa. El loro lascito no l’è solo ne le vigne e nei campi, ma ne l’identità de chi che ancora oggi continua a coltivar el sogno de i nostri antepassadi.

Con afeto e respeto,

Dr. Piazzetta



domingo, 9 de novembro de 2025

Oltre l'Orisonte: La Traversia de ´na Famèia Italiana

 


Oltre l'Orisonte:

La Traversia de ´na Famèia Italiana


Autono de 1878, par el interior del comune de San Piero de Felet, provìnsia de Treviso, in Veneto, la nèbia calava sora i vigneti stracà come 'na vela de resignassion. Le viti faseva meno ua ogni ano, e la fame se insinuava fra le case poarete del paese come 'na visita che no voleva mai ´ndar via. I zorni i zera pien de na malinconia pesada, con el silénsio roto solo dal son sporàdico dei campanèi de la cesa, che segnava l’andar del tempo sensa freta. Le strade de tera bastonà zera puntegià de fóie seche, che crocava soto i piè, ricordando la repetission inesoràbile de le stagioni. I òci dei contadini, che ‘na volta i zera pien de speransa per le vendémie bone, adesso i rifleteva el peso de le zornade sensa fin, imbusà de paùra.

Ntela pìcola cusina de la famèia Moretti, ndove el fogo del camin provava a riscaldar el ambiente fredo, Antonella la zera a ramedar la vècia traversa de laoro, intanto che i so fiòi, Pietro e Maria, i tentava a scaldarse uniti soto 'na coperte rùstega. Su la tola de legno, 'na minestra magra fumava drento 'na scudela sbrodegà, l'ùnico magnar che ghe restava par quel zorno.

"El inverno promete èsser ancora più crudel sto ano", mormorò Antonella par conto so, intanto che sistemava la cusidura. El so marìo, Giovanni, el zera parti prima del sol par provar a catar 'na poca farina al molino de un amico. Lo scambio se faria con le poche nose che i zera riusì a racòglier da le vècie piante che marcava i confin de la pìcola proprietà. La fame no zera l'ùnica ombra che strassegava su San Pietro di Feletto. I dèbiti se cumulava come nùvole de tempesta. La maior parte de le poche tere le zera ipotecà, e i prestamassi del posto cargava interesse esorbitanti, lassando i contadini drento 'na spirale de misèria. El pàroco Don Luigi, con la so tònaca stracià, fasea quel che podea par confortar i fedeli, ma anche lu savea ben che pregar par la piova e par i tempi boni no bastava pì.

I doméneghe, dopo la messa, pìcoli grupi se trovava in piasseta par scambiar novità. Se parlava de famèie che le zera partì par el Novo Mondo, traversando el mar par catar tere ndove el laoro vegnia pagà. Le lètare che rivava, se rivava, le zera lete a vose alta par tuti e tegnù come relìquie pressiose, che dava speransa ma anche paura.

"Le dise che in Brasil el governo el dà tere a chi vol piantar. Conta che là el sol el ze sempre caldo e che le fruite le cresce tuto l'ano," dise Matteo, un zòvene contadin, con i òci che lusea de 'na speransa quasi de fià.

"Ma le dise anche che el viaio el ze longo, pien de perìcoli. E che tanti no sopravive el mar," rispose el vècio Ernesto, con le man sfoiade che mostrava 'na vita intera de fatiga sui campi. El tono de la so voce zera pesà, come se le parole le fusse fate de piombo.

Antonella, sentindo ste parole da la finestra de casa, sentiva un peso ´ntel cuor. L’idea de lassar tuto quel che i conossea par ´ndar drento ‘na traversia cusì insserta la fasea paura. Ma no podea ignorar el fogo de speransa che sta idea gavea impissà in Giovanni. El deseo de donar un futuro mèio ai so fiòi parea sempre pì ´na strada inevitàbile, no importava el préssio da pagar.

Quela sera, mentre el vento fredo fasea tremar le finestre, Giovanni el tornò a casa con el muso scuro. El se sentò visin al fogon e el vardò Antonella par un bon momento prima de parlar.

"Mi go parlà con el padre Luigi. El me ga dito che un grupo parte el mese che vien par el Brasil. Gavemo da dessider presto, Antonella. Parché forse la ze la nostra ùltima oportunità."

Antonella ghe strense la man con fermesa. La dessision no zera ancora stada presa, ma drento ai so cuori, tuti do i saveva che el tempo par esitar el zera finì.

La matina dopo, mentre el gal el zera ancora a dormir, Giovanni el se alsò e el ussì par preparar i ùltimi detàie. ´Ntei so òci, la determinassion de un omo pronto a sfidar el destino. Antonella, vardando la so figura sparir drento la nèbia, la sentì un misto de disperassion e coraio. Zera lo scomìnsio de un viaio che segnarìa par sempre le so vite.

´Ntei zorni che vegnia, Antonella e Giovanni i ga preso la difíssil dessision. L’imbarco par el Brasil el zera l’ùnica oportunità par scampare da la misèria che i ghe rodeava intorno. Giovanni el gavea scominsià a trovarse con altri òmini del paese, preparando tuto par la partensa. Le lètare mandà dai compatrioti in Brasil le descrivea un novo scomìnsio, ma le avisava anche dei perìcoli che i aspetava chi se lanssava oltre el mar. Ogni lètara, lete con avidità, rendeva el futuro tanto prometente quanto spaventoso.

´Ntela víspera de la partensa, la pìcola casa de la famèia Moretti la zera piena de ‘na tristessa silensiosa. Antonella la netava la vècia mobìlia, mentre Pietro e Maria, i so fiòi, i zogava distrati, ancora ignari del peso de la dessision che zera stà presa. El rumor de le martelade, che vegnia de la casa de i visin, ndove che i altri òmini preparava le so bagaie, el resònava drento la matina avolta de nèbia. Le done, drento le case, le vardava solo, sentindo el peso del scognossù che svolava sul futuro dei so marì e fiòi.

Giovanni el entrò in casa con ‘na espression sèria. La so saca de tela, zà pien con i pochi ogeti essensiai, la zera posà drio la porta. El se avisinò ad Antonella e, sensa dir gnente, el la strense forte. Antonella la serò i òci, sentindo la momentanea sicuressa de quel gesto, ma la savea che, presto, loro i zera ´ndà via. El so futuro el se disenava come ‘na riga fina, sospesa tra i cuori streti de la despedida e la speransa de ‘n novo scomìnsio. "Torneremo presto, Antonella. Te prometo. Ghe la faremo. Par Pietro e Maria," el disse Giovanni, con la so vose roca de emossion. El se stacò un poco, vardando i fiòi.

Antonella la strense la so man, come se la volesse passar tuta la forsa che lei gavea. "Lo so. Ma me preocupa el viaio. E cossa che aspeta a noialtri de l’altra parte. Gavemo visto cossa che capita a chi va e no torna."

La menssion dei raconti de morti in mar, de le dificoltà par adatarse a la nova tera, la fece Antonella esitar, ma Giovanni el zera ormai deciso. "Gavemo da afrontar. Mi vegno. Par nu. Par i fiòi." E, prima che la podesse rispondar, el se girò e el caminò fino a la porta, ndove che i so amissi lo aspetava.

El gruppo de emigranti el zera radunà ´nte la pìcola piassa del paeseto, ndove che i muli e le carosse zera zà pronti par portar i viaianti fino a la stasion del treno. El adio i se sussedeva come ‘na ondata de emossion, mentre che i òmini i se abrassava, e le done le se scambiava parole sofegà de conforto e disperassion. Qualchedun dei fiòi picinin no capiva la gravità de la situassion e i coreva par la piassa, zogando come se fusse un semplice passègio. Ma la realtà zera un’altra: i zera pronti a afrontar un viao che gnanca uno de lori podesse imaginar.

Quando Giovanni montò sora la carossa, vardando ’na per l’ùltima volta la so casa e la poca tera che l’aveva curà par tuta la vita, Antonella la sentì come se el tera soto i so piè se movesse. Lei restò con i òci pien de làgreme, ma anca con ’na fiameta de speransa, anca se picinina. Lei se despedia, come ’n taglio profondo, la zera dolente, ma necessària par che ghe fusse ’n novo scomìnsio.

El camino fin al porto de Zénoa el ze stà longo e fadigoso. Soto el calor sofocante de la matina, el treno sbatolava sora i binari, lassando drio ’na nuvola de fumo. El grupo de emigranti ’ndava in silénsio, con i visi segnà da la tension. Le fèmine provava a tegnerse calme, ma i so òci disevan tuto: paura e angùstia del scognossù. I putei, strachi del lungo viaio, se strensea contro i so pare, con i oci fissà in qualcosa lontan.

Quando lori i ze rivà al porto, la vision del gran navio ancorà là in riva al mar ze stà ’n colpo par i sensi. El bastimento pareva che se ’ngolesse l’orisonte, ’na massa gigante de fero e de legno che i portaria verso ’n destino incerto. Intanto che le famèie se meteva in òrdine par imbarcarse, la nèbia del mar se alsava, scurendo el cielo e dando a tuto ’l ambiente ’na sensassion de mistero e de malessere.

Giovanni se avisinò a Antonella, che tegnìa streti i fiòi tra le man.

«Semo pronti», el ga dito, anca se el dùbio ´ntei so òci contradisea le parole.

Antonella fece solo ’n sì con el capo, co’ el cuor streto.

A bordo, el navìo zera pien fin ai òssi. El odor de sal e el rumor sensa fin del mar empienìa l’ària, intanto che i emigranti se sistemava ´ntei cubìcoli improvisà. Le condission zera dure: aqua racionà, magnar scarso, e el calor sofocante de le ore longhe de viaio fasea cresser ancor de pì la sensassion de ’na gàbia. I visi de quei altri emigranti zera segnà da la stesa mescolansa de paura, speransa e nostalgia.

´Nte le prime setimane de viaio, le robe parea ’ndar de mal in peso. I putei piansea, i òmeni parlava pian, e el rumor de l’onde che sbateva contro la strutura del navio zera la ùnica mùsica che i acompagnava. Quando la febre scominsiò a sparpaiar per la nave, i peiori timori de Antonella e Giovanni i se ga fato verità. La malatia colpì prima i pì dèboli, e el nùmaro dei morti cressea zorno dopo zorno.

Tra lori zera Maria, la fiola pì pìcola de Antonella, che cedé a ’na febre alta dopo tre zorni de agonia. El cuor de Antonella se sbrissolò intanto che la vegliava el corpo de la fiola soto le vele che tremolava con la luse. Quela note, Antonella se inzenochiò drio al corpo de Maria e sussurò ’na orassion. El mar, che prima parea pien de promesse, adesso se mostrava come ’n abisso sensa fondo de disperassion e solitùdine. Ma Giovanni, anca disfà da la perda, savea che no podea sèder. La promessa fata a Antonella e ai fiòi zera ancora viva drento la so ànema: "Noaltri gaveremo de vénser, insieme".

Dopo un po de tempo, ’na matina a Piracicaba se mostrava come ’n quadro vivo de colori caldi, con el sol che rompea la nèbia par ciarir i campi de cafè che se stendeva fin dove rivava la vista. Giovanni Moretti respirò profondo, sentindo l’odor teroso de la lavoura mescolà con l’ària ùmida del fiume Piracicaba.

Anca se ghe zera ancora ’na malinconia che no lo lassava, par la perdita de Maria durante la traversia, el savea che quel zera el ricominsiar che l’aveva promesso a Antonella.

La "fazenda" ndove i laoraria zera granda e ben ordinà, ma i baracon zera sèmplissi e pien de zente, fati de legno sensa pitura, con i teti che a pena tegnea fora la piova. Giovanni, Antonella e el picenin Pietro i ze stà mandà in uno de quei baracon. Lori spartia el spàssio con un’altra famèia italiana, i Rossi, che anca lori avea lassà l´Itàlia par ’ndar in serca de ´na vita pì degna.

I do òmeni se ga fà presto compagni ´nte la fadiga de ogni zorno. Le zornade scominsiava prima del nasser del sole. Giovanni ’l ciapava so zapa e ’l ’ndava a piè con Pietro, che gavea solo sete ani ma za ’l iutava a portar i seci par portar l’aqua par le piantassion. Antonella restava ´ntel baracon, lavando robe e cosinando par i laoranti, intanto che i pì veci contava stòrie de ’na casa lontan. Ogni gran racolto parea portar el peso de la so fadiga, ma anca ’na fiameta de speransa.

Malgrado el lavor massacrante, la solidarietà tra i emigranti fasea nasser momenti de respiro. La sera, lori se sentava in serchio intorno a foghère improvisà, cantando cansonete italiane o contandose i soni de comprar ’na tera pròpria. La vose de Antonella se sentiva tra tute — dolse e ferma — portando ricordi del Vèneto che dava conforto a tuta la zente. I primi mesi i ze stà particularmente duri. El sole che brusava e i cali su le mani zera solo ’na parte de la sfida. Le malatie no ga tardà a rivar; la malària e la febre tifòide zirava atorno ai alogiamenti, portando via i pì dèboli.

Ma Giovanni no volea sèder a la disperassion. El tegnea fisso el pensier su la promessa d’un futuro mèio, convinto che se podéa transformar quela tera ostile in ’na vera casa. ’Na zornada, intanto che Giovanni e Pietro lavorava, el fator de la proprietà, ’n omo duro e poco amistoso, el se ga fato veder. El ga vardà Giovanni con interesse prima de avisinarse e el ga dito: "Te lavori bene, italiano. Forse te gh’avrà un futuro qua." 

Giovanni el ga fato solo ’n sì con el capo, ingoiando la ràbia par la maniera come quel omo ghe parlava con superiorità. Zera un riconossimento picenin, ma bastava par rinovar la so determinassion. I mesi i se ga trasformà in ani, e la famèia Moretti la ga scominsià a vardar i fruti de la so fadiga.

Antonella, sempre ingegnosa, meté in pié ’n orto picenin drio al baracon, dove la coltivava verdure che dava un toco de vita a la dieta monòtona de farina e fasòi. Pietro cresseva forte, e la so curiosità lo portava a ’mparar in prèssia i costumi e la lìngua del paese.

Giovanni, dopo ani de risparmio del poco che guadagnava, el ga riusì finalmente a meter insieme el bastante par comprar ’n toco de tera. Quando el fa dito la novità a la famèia, i so oci lusea come mai prima.

"Con ´na vose emossionà el ga deto: Antonella, adesso el ze el nostro turno. No sarà fàssile, ma desso gavemo ´na tera che la ze pròprio de noialtri." ´Ntela picenina proprietà, situà in ’na vila visin a la sità de Piracicaba, la famèia la ga afrontà novi sfide. 

I ga disboscà el teren coperto de mata fita, piantò ortalìssie e cressea galine e porsei. El fruto del laor zera portà a vender a Piracicaba. Le sere zera de fadiga, ma anca de festa. Pian pian, i Moretti se ga integrà con la comunità del posto, smissiando le so tradission italiane con el calor e la ospitalità brasilian.

Ani i ga passà, ormai come picenìn paroni de tera, Giovanni e Antonella vardava con orgòio el so campo. No zera come che i gavea sonià quando i ga lassà el Vèneto, ma zera molto de pì de quanto che i gavea mai avù.

El picenin Pietro, ancor ciamà da Pierino da la famèia, adesso ’n zòvene robusto, el ga scominsià a parlar de ’ndar a ingrandir la piantassion e a soniar de far ’na scola par ’mparar ai altri putei de la colònia. In quel toco de tera, là visin a la sità de Piracicaba, la promessa de Giovanni a Antonella se ga compì. No sensa pena o sacrifìssio, ma con la forsa de chi ga ’mparà a transformar le pèrdite in coràio e el laor duro in speransa. Oltre l’orisonte, el futuro zera ancora inserto, ma ´desso lusea con el barlume de la possibilità.

Nota del Autor

Oltre l’Orisonte» la ze ’na narativa che fa onor al coraio e sacrifìssi dei emigranti italiani che, a la fin del sècolo XIX, i ga traversà el Atlàntico in serca de ’na vita mèio. Anca se inspirà in stòrie vere, ’sta òpera smissia la memòria coletiva con la fission, par dar vita a ’na zornada che risuona con le aspirassion e le dificoltà dei nostri antenati.

Scrivendo ‘sto libro, mi go volù no solo contar ’na stòria de migrassion, ma anca celebrar la lota, la pèrdita e la speransa imortal che move i cuori umani.

Ringrazio ai miei letori par aver acompagnà ’sta traversia e par darghe vose a sti eroi anónimi che i ga contribuì a costruir ’n mondo novo, con sacrifìssio e dignità.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta