segunda-feira, 18 de maio de 2026

Vida Nova em Nova Milano


Vida Nova em Nova Milano


No inverno de 1879, as montanhas da província de Belluno, no Vêneto, estavam cobertas por um manto de neve. Em uma pequena vila no interior de  Sedico, vivia a família Serafico. Giovanni Serafico, um camponês de 38 anos, enfrentava as dificuldades de uma terra que já não oferecia sustento suficiente para sua esposa, Maria, e seus três filhos: Pietro, Lucia e Antonio.

As notícias de terras férteis e oportunidades no Brasil chegavam frequentemente às pequenas vilas do interior do Vêneto, trazidas pelos agentes de emigração. Esses homens, geralmente comissionados por companhias de navegação ou representantes do governo imperial brasileiro, viajavam de vila em vila, espalhando promessas que acendiam a esperança nos corações exaustos dos camponeses. Falavam de transporte gratuito, assistência inicial e, o mais tentador de tudo, a possibilidade de adquirir as terras que trabalhariam. Para agricultores que, há séculos, viviam como meros servos nas vastas propriedades de nobres e senhores de terras, a perspectiva de serem proprietários era revolucionária.

Essas promessas encontravam solo fértil na mente de homens como Giovanni Serafico. A vida no Vêneto era marcada por trabalho incessante, pouca recompensa e nenhuma voz diante dos patrões. Cansados de obedecer e silenciar, os camponeses viam na emigração uma chance de quebrar o ciclo de miséria. No entanto, nem tudo era certeza. Enquanto alguns confirmavam as promessas através de cartas enviadas por parentes que haviam emigrado antes, outros relatavam dificuldades inimagináveis, doenças e promessas quebradas. A dúvida era constante: seria a sorte diferente para eles?

Giovanni, ainda assim, sentia-se atraído pela possibilidade de uma nova vida. As cartas de um primo distante, que havia se estabelecido no Rio Grande do Sul, falavam de dificuldades, mas também de progresso. "Aqui somos pobres, mas livres, não precisamos dividir o que produzimos com os patrões", dizia uma delas. Essas palavras reverberavam na mente de Giovanni, contrastando com sua própria realidade de pobreza e servidão.

As condições em Sedico pioravam muito a cada inverno. A terra de montanha exaurida não produzia o suficiente para sustentar a família. Maria, sua esposa, fazia milagres para alimentar Pietro, Lucia e Antonio, mas até ela sentia o peso da escassez. Giovanni via nos olhos de seus filhos uma mistura de fome e sonhos ainda intactos. Ele sabia que, se não tentasse, poderia condená-los a uma vida igual ou pior à sua.

A decisão de partir não foi tomada de forma impetuosa. Giovanni passou noites insones ponderando os riscos e as promessas. Olhava para as colinas brancas de neve, imaginando se algum dia veria outra paisagem além daquela. Quando finalmente decidiu, não foi a promessa de riquezas que o moveu, mas a esperança de que seus filhos crescessem sem as correntes invisíveis que prendiam os camponeses ao solo italiano.

Movido por essa esperança, Giovanni foi ao escritório de emigração na vila vizinha, onde assinou os papéis que oficializavam sua decisão. Ali, com as mãos trêmulas, comprometia-se a embarcar para a Colonia Caxias, em uma jornada que poderia significar a redenção ou a ruína de sua família.

A partida de Sedico foi silenciosa. Os vizinhos se despediram com abraços contidos, desejando boa sorte, mas sem esconder o misto de inveja e alívio. Giovanni e Maria sabiam que deixavam para trás não apenas uma terra exausta, mas também uma vida inteira de memórias. Levaram consigo poucos pertences: uma imagem de São José, algumas roupas remendadas e um saco de sementes, símbolo da esperança que depositavam no novo mundo.

A viagem da família Serafico até o porto de Gênova foi uma prova de resistência física e emocional, marcada por cada etapa de um esforço hercúleo. Ao amanhecer de um dia frio, um vizinho generoso chamado Lorenzo chegou com sua carroça, puxada por dois cavalos robustos. Ele se oferecera para levar a família até a estação de trem na cidade próxima e, depois, retornar à vila com o veículo.

As despedidas foram breves e contidas, como era costume na época. Os Serafico subiram na carroça com suas modestas posses: um baú de madeira contendo roupas e mantimentos, uma cesta com pães e queijos e uma pequena imagem de Santa Lúcia, padroeira da aldeia. Maria segurava Antonio, o mais novo, enquanto Giovanni ajudava Pietro e Lucia a acomodarem-se na estreita carroça. O vento cortante chicoteava seus rostos, mas ninguém reclamava; o silêncio era quebrado apenas pelo som dos cascos dos cavalos sobre o chão congelado.

A estrada até a estação de trem era sinuosa e difícil. Lorenzo, habituado ao terreno, manejava os cavalos com habilidade, desviando das poças de lama e neve acumulada. Giovanni, sentado ao lado de Lorenzo, mantinha-se em silêncio, mas seus olhos observavam cada curva do caminho, como se quisesse gravar a paisagem em sua memória. Maria, por sua vez, fazia o possível para aquecer os filhos com mantos de lã desgastados, enquanto murmurava orações em voz baixa.

Após algumas horas de viagem, chegaram à estação de trem em Feltre. A plataforma estava repleta de famílias como a deles, carregadas de malas e esperanças. Giovanni agradeceu a Lorenzo com um aperto de mão firme e palavras de gratidão, enquanto o vizinho se despedia e prometia rezar pelo sucesso da família em terras distantes.

O embarque no trem foi tumultuado. Os vagões de terceira classe, destinados aos mais pobres, eram lotados e desconfortáveis, com bancos de madeira e pouca ventilação. Apesar disso, a família estava aliviada por estar finalmente em movimento em direção ao destino. A viagem até Gênova duraria quase um dia, passando por belas paisagens e por várias baldeações que adicionavam cansaço à jornada.

As crianças estavam fascinadas pelo trem — uma invenção que parecia mágica para quem vinha de aldeias tão isoladas. Pietro e Lucia, mesmo cansados, olhavam pelas janelas, admirando os campos e montanhas que passavam rapidamente. Giovanni e Maria, entretanto, pouco aproveitavam a vista, preocupados com os próximos passos: o embarque no navio e o início de uma vida completamente nova em terras desconhecidas.

Conforme as horas passavam, o cansaço tornava-se insuportável. Maria embalava Antonio, que chorava de fome e desconforto, enquanto Giovanni distribuía os últimos pedaços de pão entre os filhos. Quando finalmente avistaram a movimentada cidade portuária de Gênova, o alívio foi imediato. Estavam um passo mais próximos do Brasil, mas também diante de um novo mar de incertezas.

O porto era um caos organizado. Milhares de pessoas circulavam entre pilhas de mercadorias, trabalhadores gritando instruções e embarcações de todos os tamanhos balançando no cais. A família foi conduzida para a fila de imigrantes que aguardavam para embarcar no navio que os levaria ao Brasil. Enquanto Giovanni segurava firmemente o baú com seus poucos pertences, Maria abraçava as crianças, protegendo-as do tumulto.

Ao embarcar, sentiam-se exaustos, mas também aliviados por terem superado mais uma etapa. A viagem de navio seria longa e desafiadora, mas no coração dos Serafico ainda ardia a chama da esperança, alimentada pela promessa de uma nova vida em um mundo distante.No entanto, quando finalmente avistaram o navio que os levaria ao Brasil, a visão de sua grandeza trouxe um misto de medo e esperança. Era a primeira etapa de uma jornada que mudaria para sempre o destino dos Serafico.

A viagem foi longa e árdua. De Gênova, embarcaram em um navio que os levou até o porto de Rio Grande. De lá, seguiram por rios e estradas precárias até chegarem à localidade de Nova Milano, na recém-criada Colônia Caxias. Ali, foram recebidos em um barracão construído para abrigar os imigrantes até que recebessem seus lotes de terra.

O terreno destinado à família Serafico ficava no Travessão Santa Teresa da 5ª Légua, uma área coberta por mata virgem. Com ferramentas rudimentares fornecidas pelo governo, Giovanni e seus filhos começaram a desbravar a terra, construindo uma pequena casa de madeira e iniciando o cultivo de milho, trigo e uvas.

As dificuldades eram muitas: o solo pedregoso, o clima rigoroso e a distância de centros urbanos tornavam a vida desafiadora. Maria, além de cuidar da casa e dos filhos, auxiliava na lavoura e na criação de animais. A fé e a união da família eram fundamentais para superar os obstáculos.

Com o tempo, Giovanni percebeu o potencial da viticultura na região. Inspirado por outros imigrantes como Antonio Pieruccini, que introduziu estirpes finas de videira na região, Giovanni começou a investir no cultivo de uvas para a produção de vinho. A qualidade do vinho produzido pela família Serafico logo ganhou reconhecimento entre os colonos.

Em 1890, com a emancipação de Caxias do Sul, a comunidade italiana começou a se organizar social e economicamente. Giovanni participou da fundação da Sociedade São Romédio, uma associação dedicada ao mútuo socorro e à preservação da cultura italiana.

A história da família Serafico é um testemunho da coragem e determinação dos imigrantes italianos que enfrentaram inúmeros desafios para construir uma nova vida no Brasil. Seu legado perdura nas tradições, na cultura e no desenvolvimento da região de Caxias do Sul.


Nota do Autor

Escrever Vida Nova em Nova Milano foi como embarcar em uma viagem ao passado, um mergulho profundo nas vidas dos milhares de imigrantes italianos que deixaram tudo para trás em busca de uma existência digna e cheia de esperanças. Este livro é mais que uma narrativa; é uma homenagem à resiliência, coragem e fé daqueles que cruzaram oceanos e enfrentaram o desconhecido para construir um futuro melhor. As histórias que preenchem estas páginas não são apenas fruto da imaginação, mas são inspiradas nas experiências de incontáveis famílias italianas que, como os Serafico, carregaram seus sonhos em baús improvisados e suas memórias nos corações. Ao retratar essa jornada, procurei honrar o espírito de luta e sacrifício que moldou o cenário de comunidades inteiras no Brasil, em especial nas colônias da Serra Gaúcha. Enquanto pesquisava sobre a imigração italiana, cada detalhe me transportava para a dura realidade da época: as carroças que rangiam sob o peso das esperanças, os trens lotados, os portos abarrotados de despedidas e lágrimas. E, finalmente, o momento em que os pés tocavam o solo de uma terra que, embora prometesse tanto, exigiria muito mais do que simples trabalho – exigiria a alma, o amor e a união daqueles pioneiros. Este livro é uma celebração à vida que se recria em meio às adversidades. Espero que cada leitor sinta as batidas do coração de Giovanni, Maria e seus filhos, e que, por meio das lutas e conquistas dessa família fictícia, encontre eco nas histórias de tantos imigrantes reais. Aos descendentes desses bravos homens e mulheres, que hoje colhem os frutos do que foi semeado com suor, lágrimas e sonhos, dedico esta obra com profundo respeito e gratidão. Que nunca nos esqueçamos da força de quem ousou recomeçar, e que, ao virarmos estas páginas, possamos refletir sobre o verdadeiro significado de lar, de esperança e de pertencimento.

Com admiração,

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



domingo, 17 de maio de 2026

Imigração Italiana em São Paulo a Saga de um Povo que Transformou o Brasil

 


Imigração Italiana em São Paulo a Saga de um Povo que Transformou o Brasil


A chegada massiva de italianos ao estado de São Paulo começou como resposta prática à falta de trabalhadores nas plantações de café no final do século XIX. Enquanto o sistema escravista chegava ao fim no Brasil, grandes fazendeiros do Oeste Paulista enfrentavam grave escassez de mão de obra e passaram a buscar trabalhadores europeus. Essas iniciativas iniciais, mesmo sem diretrizes oficiais claras, abriram espaço para esforços coordenados entre agricultores, entidades de incentivo à imigração e, posteriormente, políticas públicas voltadas à entrada de estrangeiros no país. Ao longo das décadas seguintes, esse movimento ganhou contornos mais definidos, especialmente entre 1885 e 1902, período em que surgiu uma política de imigração organizada com foco especial na vinda de italianos, que enfrentavam dificuldades econômicas em sua terra natal pós-unificação da Itália. Com o tempo, entre 1902 e 1920, São Paulo consolidou essa política, tornando-se o principal destino desses migrantes. 

Entre 1880 e 1920, São Paulo recebeu mais de um milhão de imigrantes italianos, concentrando cerca de 70 % de todos os imigrantes italianos que chegaram ao Brasil nessa época. Só neste estado entraram aproximadamente 1.078.437 italianos até 1920, número que equivalia a cerca de 9 % da população paulista naquele ano. Muitos chegaram com a passagem subsidiada pelo governo paulista ou por fazendeiros, buscando trabalho nas lavouras de café e outras atividades agrícolas. 

A diversidade regional dos italianos que aportaram em São Paulo ficou evidente nos registros da época, como os de São Carlos, uma das principais áreas cafeeiras do interior. Entre 1880 e 1914, cerca de 20 % dos homens italianos que se casaram ali eram do Vêneto, tornando essa região a mais representada. A Lombardia também teve presença significativa, e italianos do Sul — principalmente da Calábria e da Campânia — também compunham uma parcela expressiva dos imigrantes naquela cidade, que chegou a ser apelidada de “Piccola Italia” (Pequena Itália) devido ao grande número de imigrantes italianos e seus descendentes. 

Dentro do estado, as trajetórias sociais desses imigrantes se diversificaram ao longo do tempo. Muitos que inicialmente vieram para trabalhar nas fazendas de café acabaram mudando sua vida ao se deslocar para centros urbanos em crescimento. Em São Paulo, isso ajudou a formar grande parte da força de trabalho industrial nascente da cidade na virada do século XX — em 1901, por exemplo, a maioria dos operários e trabalhadores da construção eram italianos ou descendentes. 

Enquanto os imigrantes vindos do Norte da Itália tendiam a se dedicar à agricultura e às zonas rurais, muitos dos italianos do Sul optaram por ocupar espaços urbanos. Essa diferenciação contribuiu para que bairros inteiros da capital paulista, como o Bixiga, o Brás e a Mooca, se transformassem em verdadeiros polos da cultura ítalo-brasileira, onde famílias da Calábria, Campânia e outras partes do Sul italiano mantinham tradições, línguas e estilos de vida transmitidos de geração em geração. 

Nota

Este artigo foi criado para preservar e divulgar a história da imigração italiana em São Paulo, valorizando a trajetória dos imigrantes italianos que ajudaram a formar a identidade cultural, social e econômica do Brasil. Ao contar essas histórias, mantemos viva a memória dos antepassados que chegaram com esperança, trabalho e fé em um novo futuro.

Se você é descendente de imigrantes italianos em São Paulo e conhece algum fato, relato de família, carta, tradição ou lembrança ligada à imigração italiana, escreva nos comentários do blog. Sua contribuição ajuda a manter viva a saga da imigração italiana no estado de São Paulo e fortalece nossa herança cultural para as próximas gerações.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



sábado, 16 de maio de 2026

Soto el Fredo Ciel dei Monti Gaùssi

 


Soto el Fredo Ciel dei Monti Gaùssi

La saga de Giacomo Parotto ´nte la Colònia Conde D’Eu


Zera el 1882, con su le coline sassorose de San Gervasio Bresciano, un comune de Brescia, Lombardia, la febre de l’emigrassion la se spaiava come un fogo che nissun riussiva a fermar. No ghe zera bisogno de carteli in piassa, né de aviso in ciesa. Bastava scoltar le ciàcoe basse drento i cantoni o sui campi par capir che na nova mania la zera vegnù su le famèie: l’Amèrica.

Fin no tanto tempo indrio, i òmeni del paese i se movea solo par stagion, ndando a laorar su i risai del Piemonte o su le fàbriche de maton del Véneto, e po i tornava con qualchi sbranca de monede par comprarse ´na vaca o sistemar el teto. Ma quel inverno, qualchidun de novo el zera vegnù. El nome “Brasile” el spuntava drento le ciàcoe come ‘na promessa e ´na sfida. Pochi savea ´ndove che zera — qualchedun pensava a ‘na isola drento el mar, altri che zera ancora roba de Portogalo —, ma tuti disea che là le tere le zera grasse, calde, che in pochi mesi se guadagnava quelo che in Itàlia ghe voleva ani interi.

La vita in Itàlia no zera gnanca bona par dar un fià de speransa. El Regno, unì da poco, el zera ancora vassilava, ciapà drento un sistema storto e un Stato che no zera bon a tegner sù la gente de campagna. ´Nte el nord, là ndove che viveva Giacomo Parotto, i bei paesagi de vigne e campi de grano i nascondea ´na realtà amara: la misèria e la mancansa de laoro i se spaiava come ‘na mala pianta.

I coloni paroni, come Giacomo, i zera restà schiavi de dèbiti che no se podea mai pagar. Par seminar bisognava ciapar prèstiti con usure da far paura; par restituir bisognava dar via mesa racolta, e quando la racolta la se sfasea — come che zera sucesso da ani —, el dèbito el cressea ancora de pì. El pan de ogni zorno el zera scarso, e la polenta, prima glòria e sustento de la campagna, la rivava in tola in panari sempre pì pòveri.

De avanso, gnente. Le parole dei polìtici zera vento. Altri paesi de Europa i ´ndava avanti con le fàbriche e le strade nove, l’Itàlia restava piantà ´nte un sistema vècio, manegià dai latifondisti e da ‘na burocrasia che ingiassava tuto. Par la gente de le vile, la vita la zera un passassoto scuro: laorar fin a consumarse, pagar dèbiti che mai no calava, vardar i fiòi cresser magri e sensa speransa.

´Nte sto sofoco, la parola “Mèrica” la s’iluminava come ´na fiameta. No zera importante saver ben che cosa ghe zera drento a quel osseano — bastava saver che là, forse, ghe zera ‘na porta fora da la misèria. Par Giacomo, l’idea la ze nassù pian pian, come un pensier proibì… ma con i mesi che passava e i dèbiti cresseva, el pensier el diventava sempre pì grosso, fin che no el zera stà pì da tegnerli zo.

Giacomo Parotto, lora con trentadue ani, no zera un omo de fàvole. Laorador nato, con le man dure da laorar e da inverni lunghi, el gavea orgòio de la tera lassà dal so pare. Ma tre ani de fila la racolta de grano la zera ´ndà a monte. Le seche gavea brusà le vigne. E, par finir, le tasse le zera montà ancora. Con tre fiòi pìcolini e la mòier, Caterina, zà malandà de salute, Giacomo lu el ga capì che emigrar la zera forse l’ùnica salvassion.

No la zè stà un lampo. La resolussion come go dito prima, la ze vegnù pian pian, vardando i visin sparir da un zorno a l’altro, vendendo tuto quel che gavea par pagar el viaio. In fondo, no zera la speransa che movea quela fiumana de gente, ma l’imitassion: nissun voleva restar drìo a vardar i altri che se tirava su. E le lètare che rivava da oltre mar le zera pien de conti gonfià: tera larga, racolte grasse, oro par tera.

´Na sera de otobre, con la legna che scotava sul fogon, Giacomo l’ha dito a la mòier che la resolussion la zera fata: Brasil. Caterina no la ga dito gnente sùbito. Lei savea che discuter no servia. In paese se disea che chi che scartava la “ciamà de l’Amèrica” el zera condenà a morir ´nte la stessa misèria de sempre. E Caterina la gavea pì paura par i so fiòi che par lei.

Radise ´ntei Monti

I ani i ga passà, e Giacomo el ga imparà a tegner la mata a bada. Con i visin, el taia picade, el fa sercade, el spartisse semense. In pochi ani, un vignal el se spande sora la costa dolse drìo la casa, come che volesse strensarla drento un abràssio. Le prime piantine, rami presiosi strensà in strasse ùmide e portà via de la lontan Itàlia, i zera resistì al viaio longo. Giacomo, co le man pasienti, i gavea inestà su le vide brave che ghe cressea là, selvàdeghe, ben prima che rivasse i coloni. El risultà el ze stà sorprendente: le vite le ga ciapà la forsa de le piantte selvàdeghe e el gusto fin de l’uva de la so tera nativa. Ogni ramo novo el zera come un legame invisìbile tra el passà e el presente, e el profumo dolse dei primi fior de primavera el segnava che quela costa no zera pì solo tera — zera memòria viva, piantà ´nte’l Brasil. ´Nte l’autun, l’odor de l’ua madura el empinia l’ària, e Giacomo el soniava de far vin come quel che so pare el fasea in Lombardia.

La comunità la cresseva con la rivada de novi emigranti. Italiani de region diverse i mescolava dialeti, maniere e tipi di magnar. Ghe zera feste, messe e, qualche volta, bale su confini.


El Prèssio e la Promessa

Dopo trè desseni, Giacomo Parotto lu el zera un omo stimà in tuta la region. I so fiòi i gavea za tera e famèie pròprie. El vignal, adesso grande e produtivo, el fasea un vin bianco de rara qualità, que el zera apresà e vendù fin anca in altre colónie. Caterina, anca se segnà dal tempo e dal laoro duro, la tegnea ancora quel sguardo fermo e deciso che lei gavea la sera che lori i zera partì da l’Itàlia, come se el coraio de quela partensa la batesse ancora drento el so spìrito.

La sera, sentà apresso al fogon, Giacomo el lassava la mente scorrere tra i ani de fadiga e sacrifìssio. L’Amèrica, lontan dal paradiso che i ghe gavea promesso, la se zera si mostrà dura e spietà. Ma là, tra sudor, pasiensa e speransa ostinada, la zera nassù na vitòria silensiosa sora la misèria — ‘na richessa che gnente oro la podea misurar, incisa par sempre drento el cuor de chi gavea avù el coraio de sóniar.

Nota del Autor

Sto brano el fa parte de un libro de fission, con personagi e nomi inventà, ma la stòria la se inspira a na lètera vera, tegnù in un archìvio pùblico. El protagonista, come tanti de la so època, el zera nato in ‘na tera segnà da la povertà, dai limiti de la vita contadina e da la mancanza de ocasion che prometea solo fadiga e dolore. Sto contesto, insieme co la coraio e la speransa, el ghe dà la spinta de lassar l’Itàlia e sercar un futuro mèio oltre mar. Scrivendo sta òpera, mi go volù no solo contar la so stòria, ma anca onorar tuti quei pionieri che, con fadiga dura e determinassion, i ga trasformà la vècia Colònia Conde d’Eu ´nte la sità viva de Garibaldi. Incòi, le so memòrie le vive ´nte i spumanti che la region la produse e ´nte la forsa silensiosa de chi, contro ogni dificultà, la ga costruì un futuro che parea impossìbile. 

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta


sexta-feira, 15 de maio de 2026

Sobrenomes Italianos em Cardoso SP

 

Sobrenomes Italianos em Cardoso SP

 

A

Achiles
Aguera
Alba
Amâncio
Amaro
Amarto
Amato
Andrade
Angeletti

B

Alduino
Barbeta
Barbieri
Barbiero
Bartolomei
Batara
Bezella
Belloni
Beltram
Benardi
Bernardi
Bertacini
Bertolo
Bertti
Bertuollo
Biccoffe
Borin
Borsolani
Bortolini
Brigati
Buriti

C

Cachiolo
Cagliari
Caivano
Cangane
Castrequini
Catanossi
Catillo
Cassonato
Cazentini
Cerutti
Cestarei
Cestari
Cheregati
Chicheto
Chimello
Ciarelli
Cococlo
Coleta
Constantino
Crisan

D

Delpoz
Derassi
Desan
Dezan
Dumbra

E

Esgot

F

Fabri
Favaretto
Fazolli
Ferracini
Ferrarezi
Ferrari
Firmani
Firlan
Fuza

G

Galbiati
Galeti
Gelmi
Gerin
Granghelli
Guardiano
Guastaldi

I

Inamorato

L

Lucatelli

M

Melegati
Mellegatti
Milan
Morettin
Nattes 
Nazarini

P

Padoin
Paglione
Pampolini
Pancini
Pansani
Parpinelli
Passarello
Paviani
Pianca
Pirani
Pitonto
Poceeetti
Polegato
Porcini
Portare
Possidoni
Pozeti
Pozzetti
Previato
Prioto
Puglia

R

Randoli
Rantoli
Romano
Rossi

S

Salani
Salvani
Salviato
Scapin
Schwebel
Seloto
Silverio
Spegiorin
Sprocap
Stoico
Strada
Sussi

T

Tanarelli
Traldi
Trevisan

U

Urbinati

V

Vitolo
Volpi

Z

Zamboni
Zanotin
Zavatti
Zocante


Nota

Esta lista reúne sobrenomes de origem italiana presentes em Cardoso, no interior do estado de São Paulo. O objetivo é valorizar a memória das famílias descendentes de imigrantes que contribuíram para a formação social, cultural e econômica do município. Ao organizar esses nomes, o trabalho preserva raízes históricas, incentiva a pesquisa genealógica e reconhece a importância da imigração italiana para a identidade local. 

Dr. Luiz C. B. Piazzetta