segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

El Fogon

 


El Fogon

 

Parlo del fogon de sti ani,

parlo del fogon a legna,

parlo del fogolar d’italiani,

quel fogon su ’l qual se impara tute le robe de ’na famèia.

Sensa el fogon, no saremia gnanca vivi.

Sensa el fogon, no se podea portar avanti gnente.

Sensa el fogon, no se podea manco magnar.

El fogon a legna,

chel vecio, grande, de maton consumà dai ani,

el zera come ’n pare:

duro, testa grossa, ma sempre lì,

sempre pronto a scaldar ’l cuor de chi che ghe stà intorno.

El fogon el zera ’l cuor de casa,

come ’na barca che no se rovesa mai.

Sempre a scaldar la famèia,

sempre a ciamar drento tuti i parenti —

che i sia strachi de zugà, sudà,

o che i vegnia da la piantaion con el fredo ’nte le òsse.

El fogon el zera anca ’n maestro:

el insegnava ai primi italiani le prime parole del Brasil,

con la fiama che brusa,

con le mame che movea el brondin,

con le none che contea stòrie par no far pianser i putei.

D’inverno o d’istà,

tute le matin scomìnsia così:

el nono, la nona e ’l fogon.

El papà, la mama co el so cimarón.

I fiòi, la casa de legna,

i gati, la polenta, el pan par i tosati.

Quante patate magnà,

quante ridada, quante piandada,

e anca quante brusada, perché el fogon no perdona.

Ma ogni brusada zera ’na memòria.

Ogni bronsa zera ’na stòria.

La polenta sbulenta ’nte la cusìna,

con el fumo che sa de bon.

Intorno, la famèia:

streta, rumorosa, viva.

E là, ’nte la luse calda del fogon,

se imparava a star inseme,

a no molar,

a tegnerse drento come ’na famèia vera.

Parché el fuogon, sì, el scalda,

ma el ricorda.

El ricorda tuti quei che no ghe ze pì,

tuti quei che i ga lassà impronte ’nte la cusina,

sui muri, sui tochi de legna,

e anca ’nte i nostri cuor.

El fogon no el ze massa ’na màchina:

el ze ´n armàrio de memòrie.

E fintanto che ’na famèa la ga la bronsa viva,

gnente, gnente del mondo se pol considerar perdù.


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta 

Como Veneza Obteve Água Potável na Sereníssima República e o Sistema dos Pozzi e Cisternas

 


Como Veneza Obteve Água Potável na Sereníssima República e o Sistema dos Pozzi e Cisternas


Ao visitar Veneza, muitos turistas notam a beleza de seus campi e canais, mas poucos percebem um aspecto essencial da vida cotidiana antiga: como os venezianos conseguiam água potável em uma cidade cercada por água salgada do mar? Sem rios nem aquíferos de água doce, Veneza desenvolveu um dos sistemas de abastecimento de água mais engenhosos e antigos da Europa pré-moderna. 

A Água Está em Toda Parte — Menos Onde Importa

Veneza foi construída sobre uma lagoa salobra, o que tornava impossível perfurar poços profundos para água doce — qualquer tentativa seria imediatamente contaminada pela água do mar. 

A solução surpreendentemente simples e eficiente foi o aproveitamento da água da chuva. Os venezianos coletavam a água dos telhados e das grandes superfícies pavimentadas dos campi (praças públicas), direcionando o fluxo para cisternas subterrâneas chamadas de pozzi

Como Funcionava o Sistema dos Pozzi

Os pozzi venezianos eram muito mais que poços comuns: eram verdadeiros reservatórios subterrâneos sofisticados para captar, filtrar e armazenar água da chuva. 

  • Coleta de chuva: A chuva que caía sobre os telhados e o pavimento dos campi era direcionada por ralos e pequenas aberturas até as cisternas. 

  • Filtragem natural: Antes de chegar ao reservatório, a água passava por camadas de areia e cascalho, filtrando impurezas e garantindo que ficasse potável.

  • Armazenamento: A água filtrada era armazenada em grandes cisternas impermeabilizadas com argila, protegendo-a da contaminação por água salobra.

  • Retirada: A água só podia ser retirada por meio do pozzo, normalmente aberto ao público apenas em horários específicos, muitas vezes sinalizados por sinos tocados para avisar a população.

No auge da Sereníssima República, haviam mais de 6.000 pozzi espalhados por toda a cidade — um número impressionante para uma metrópole medieval e renascentista.

Os Mestres dos Pozzi e a Gestão Pública

A construção e manutenção dessas cisternas eram tarefas especializadas. Uma corporação de artesãos conhecida como pozzèri (ligada à guilda dos pedreiros) era responsável por sua execução, com técnicas passadas de geração em geração.

Além disso, o governo da Sereníssima República supervisionava rigorosamente a qualidade e conservação dessas cisternas, reconhecendo que o abastecimento de água era uma questão vital para a saúde pública e a estabilidade social.

Mudanças e a Chegada do Aqueduto

O sistema dos pozzi funcionou por mais de mil anos como principal fonte de água potável da cidade. No entanto, no século XIX, com o crescimento populacional e as limitações naturais desse sistema, Veneza inaugurou seu primeiro aqueduto público em 1884, importando água doce do continente. 

Hoje, os pozzi permanecem como elementos ornamentais e históricos nos campi venezianos — testemunhos silenciosos de um tempo em que a engenhosidade humana supria necessidades essenciais com os recursos disponíveis.

Conclusão SEO

O sistema dos pozzi e cisternas de Veneza é um exemplo excepcional de tecnologia hídrica pré-industrial, demonstrando como uma grande cidade medieval solucionou a falta de água potável por meio da coleta inteligente de chuva. Essa história revela não apenas a engenhosidade dos venezianos, mas também a importância de integrar arquitetura e sustentabilidade — uma lição que continua relevante hoje.

https://emigrazioneveneta.blogspot.com/2018/06/os-reservatorios-de-agua-potavel-na.html

Nota do Autor

Escrever sobre o abastecimento de água na Veneza da Sereníssima República pode parecer um mergulho em um passado remoto, mas entender esses sistemas históricos é essencial. Eles mostram como sociedades humanas enfrentaram desafios ambientais extremos com soluções engenhosas e coletivas, moldando instituições, hábitos urbanos e até relações sociais. Em um tempo em que recursos hídricos e sustentabilidade estão no centro das preocupações globais, revisitar essas práticas ancestrais não é apenas um exercício de curiosidade histórica — é também uma forma de inspiração para nossos próprios desafios contemporâneos.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta