quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

A Origem dos Sobrenomes: aHistória, Evolução e Formação dos Nomes de Família desde a Roma Antiga

A Origem dos Sobrenomes a História, Evolução e Formação dos Nomes de Família desde a Roma Antiga

A necessidade dos sobrenomes na história da humanidade

A origem dos sobrenomes remonta às primeiras formas organizadas de sociedade, quando o simples nome próprio já não era suficiente para identificar os indivíduos. Nos tempos mais antigos, as pessoas eram conhecidas apenas pelo nome pessoal, tanto entre povos europeus quanto em diversas outras civilizações. Com o crescimento populacional, essa forma de identificação tornou-se insuficiente, dando início ao desenvolvimento de sistemas mais complexos de nomeação.

Os nomes na Roma Antiga e o nascimento do sistema familiar

Foi na civilização romana que surgiu um dos modelos mais estruturados de identificação familiar.

O praenomen e os nomes pessoais romanos

O praenomen correspondia ao nome individual, semelhante ao que hoje chamamos de nome próprio. Exemplos comuns entre os homens eram Caio, Publius, Marcus, Flavius, Gaius e Quintus. Entre as mulheres, eram usados nomes como Tullia, Valeria, Julia, Catulla, Servillia e Flora.

O nomen, o gens e a identidade familiar

O nomen era o elemento central, pois indicava o gens, ou seja, o grupo familiar ao qual o indivíduo pertencia. Era ele que diferenciava as grandes famílias romanas, como o gens Tullia e o gens Julia.

O cognomen e o verdadeiro sobrenome romano

O cognomen era o terceiro elemento, responsável por identificar o ramo específico dentro do grande clã familiar, funcionando como um verdadeiro sobrenome.

O agnomen como elemento de distinção pessoal

Em casos específicos, podia-se acrescentar ainda um quarto elemento chamado agnomen. Esse nome adicional não era hereditário, mas assumido pelo próprio cidadão, como forma de distinção pessoal. Um exemplo histórico é Marcus Porcius Cato Censorius, em que o termo Censorius foi acrescentado para distingui-lo de seus descendentes em épocas posteriores.

Apelidos que se transformaram em sobrenomes

Cícero e a origem dos sobrenomes por características físicas

Outro exemplo clássico é o do orador romano Cícero, cujo nome completo era Marcus Tullius Cicero. Nesse caso, Marcus era o praenomen, Tullius o nomen e Cicero o cognomen, sendo este derivado de cicer, que significa grão-de-bico, possivelmente referindo-se a uma característica física.

Calígula e a força dos apelidos históricos

O mesmo ocorreu com o imperador conhecido como Calígula, cujo nome verdadeiro era Caius Caesar Germanicus. O apelido Calígula, que significa “pequena sandália” dos soldados romanos, fixou-se de tal forma que ultrapassou seu nome formal e tornou-se sua principal identificação histórica.

O surgimento do supernomen na Antiguidade Tardia

Por volta do século V, as distinções entre nomen e cognomen começaram a se enfraquecer, dando origem ao chamado supernomen ou signum. Esse novo modelo era mais direto, simples e de compreensão imediata, mas ainda não possuía caráter hereditário.

A identificação por filiação na Idade Média

O uso de filius nos registros antigos

Já no século VIII, consolidou-se outro modelo de identificação, baseado na filiação. Tornou-se comum acrescentar ao nome a expressão latina filius (filho de), criando estruturas como “Paulus filius Alberti”.

O significado de filius quondam

Em casos de falecimento do pai, surgia a expressão filius quondam, indicando ser filho do falecido.

O impacto do cristianismo e das invasões bárbaras

O avanço do cristianismo e as invasões dos povos chamados bárbaros contribuíram de forma decisiva para a diversificação dos nomes. Esse processo ampliou significativamente as possibilidades de identificação individual e reduziu os conflitos de homonímia.

O nascimento do sobrenome moderno

Entre os séculos X e XI, com o crescimento acelerado da população europeia, consolidou-se a necessidade do sobrenome moderno.

Principais origens dos sobrenomes

Os sobrenomes passaram a ser formados a partir de:

Nome do pai ou da mãe

Local de origem

Profissão exercida

Características físicas ou sociais

A popularização dos sobrenomes na Europa

O uso entre as famílias nobres

Inicialmente, esse sistema foi adotado apenas por famílias ricas e influentes, como nobres e grandes proprietários.

A expansão para toda a sociedade

A partir dos séculos XIII e XIV, seu uso se espalhou gradativamente por todas as camadas da sociedade europeia.

O Concílio de Trento e a fixação dos sobrenomes

Em 1564, com as determinações do Concílio de Trento, as paróquias passaram a ser obrigadas a manter registros organizados de batismos, com nome e sobrenome definidos.

O sobrenome como patrimônio familiar

A partir desse momento, o sobrenome tornou-se hereditário, sendo transmitido de geração em geração.

O papel dos sobrenomes na prevenção de casamentos consanguíneos

Esse sistema também teve como objetivo evitar casamentos entre parentes próximos, fortalecendo a organização social e religiosa.

Conclusão 

A origem dos sobrenomes revela a evolução das sociedades na construção da identidade familiar. Mais do que simples nomes, os sobrenomes guardam história, memória e pertencimento.

Nota do Autor

Este artigo foi escrito com o objetivo de valorizar a história dos sobrenomes e despertar o interesse pela genealogia, fortalecendo o vínculo entre pessoas e suas raízes familiares.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta


L’Emigrassion Italiana par el Brasil: Storie, Sofrensa e Speransa

 


L’Emigrassion Italiana par el Brasil: Storie, Sofrensa e Speransa

Campinas, Provìnsia de San Paulo – dal 1887 fin al 1942


El primo sol de otobre taiava le file di piè de olive in ombre strete su le coste de Casal Velin, zo soto Salerno. Su la riva de 'na strada seca, tre mule tirava i baùli de legno lustrà de Fortunato di Martino e de so mòier, Rosaria Antonia Cammarota. La polvarìa alzà da la partensa la copriva anca quel che el zera restà del passà: el cortìle de la cesa ndove i se zera sposà mesi prima, la casa de piere in meso ai vignai e ai silensi, e l'òcio de la mama de Fortunato, che no zera gnanca vegnù a dirghe adio.

I gavea trenta ani, tuti e do. I zera adulti, ma no véci. I gavea soni, ma anca carestie. I savea che no se pol aver tuto — e i gavea preferì tegnerse el futuro. I se ga imbarcà da Napoli par el Brasil, con 'na valisa de veste e n’altra pien de atressi de rame.

El destino zera la sità lontan de Campinas, che za la zera un ponto importante su la strada del cafè de la Provìnsia de San Paulo. Quel che i zera drio aspetarghe el zera manco de quel che i volantini del consulado gavea promesso, ma zera sempre massa pì de quel che i podéa spetar in Itàlia, ndove la fame no se copriva gnanca le doméneghe.

Là, in un teren su la periferia de la sità che i ga podesto comprar con l’aiuto de un paesan, i ga piantà manghi, banane e, con el tempo, anca un poco de cafè. La tera zera generosa, el clima traditor. Rosaria vendéa fruta in sità e Fortunato, con l’arte che el gavea impara’ da so pare e so nono, batea su el rame: faséa caìe, broe, lòssere. El batìo de quel martelo metàlico se sentìa fin lontan, mescolà con el gracidar dei rospe e el canto dei putei.

La so casa stava in meso a do strade de tera rossa, con àlbari piantà con i so man. Su la so varanda, Rosaria metéa panéri pien de fruta nova, mentre i fiòi — Giuseppe, Carmela, Francesco, Antonia, Pietro e Maria — girava intorno al poso, tute le oci de la Benedita, l´ama de late che zera diventà quasi parte de la famèia.

No i zera mai diventà richi. Ma i zera onesti. E discretamente contenti.

Fortunato gavea passion par la lètara. El faséa tegner da un mercante de la sità i zornài veci, che el lesea con vòia, anca se el savea che el mondo cambiava anca sensa che el lo savesse. Rosaria, da la so parte, scrivéa lètare lunghe, pien de nostalgia e senza fròle, par i fradèi che i zera andà a San Paulo o quei pochi che zera restà in Itàlia.

Lori i vivea in un tempo che le parole le gavea peso. Un “sì” dito nel 1886 valéa ancora nel 1936. E i fiòi i ga imparà, tra i solchi de la zapa e el brilo del rame, che l’onor no se riceve: se costruisse.

Rosaria la ze morta prima, nel 1940. La ga sentì un male al peto mentre che la fasea marmelata de manga. La ze sta sepelì ´ntel cemitero local, in meso a altri coloni italiani. Fortunato el la ga segui do ani dopo, quasi orbo, ma sempre lùcido — e ancora con el martel in man, come se el volesse tegnerse el so toco drento al tempo.

La casa la ze sta vendù. Le àlbari taià. De le manghi ze restà solo fotografie e memòria.

Ma i fiòi i se ga sparpaglià — e tanti ancora porta ´ntei cognomi e ´ntei gesti tacà la memòria de ‘na promessa mantegnù.


Nota de l’Autor

Este relato em talian rùstego reconstrói, de forma literária, a trajetória de uma família de emigrantes italianos que deixou a região de Salerno rumo a Campinas entre 1887 e 1942. Embora inspirado em fatos históricos comuns a milhares de colonos, o texto não pretende representar documentos oficiais, mas sim preservar a memória emocional, cultural e linguística transmitida pelas gerações.

A escrita em dialeto busca manter a voz, a cadência e o olhar dos próprios imigrantes, valorizando um patrimônio que sobrevive sobretudo na tradição oral. Qualquer semelhança com pessoas reais deve ser entendida como homenagem às muitas vidas que compõem a história da imigração italiana no Brasil.

Nota

La Frontiera de la Speransa la ze nassesta da la voia de darghe vose a le pìcole epopèe s’cete che ga formà el Brasil che cognossémo adesso. Fortunato e Rosaria di Martino i ze personagi inventà, ma i so dolori, le scelte e le speranse le ze el spèculo de tante vite vere. In meso ai solchi su le man indurì e al tin-tin de le pignate de rame, ghe ze ´na dignità che rara olte la riva su i libri de Stòria, ma che a ga formà la nassion — àlbari dopo àlbari, piera dopo piera, generassion dopo generassion.

Scrivendo sta stòria, mi go sercà de tegner el passo de un tempo ’ndove la vita la se misurava con le stagion e el destino se segnava con le promesse fate in silénsio. El sfondo el ze vero: Campinas, a la fin del sècolo disnove, la fervéa con l’avansar del cafè e l’arivà de mile e mile emigranti, tanti dei quali italiani. La lota de sti òmeni e done par un tochetin de vita pì bon, anca sensa nissuna siguransa, la ze na prova comovente del coraio de ogni zorno.

Sta narassion la ze anca un omàio a tute chei che ga lassà i so paeseti in Itàlia — o in altri cantoni del mondo — par catà ´na vita con pì dignità. A lori no ghe ndove doman quel che savemo: ma anca le strade, i cognomi, le tradission… e ’na memòria ètica de un tempo ’ndove “far quel che ze giusto” valea pì che “aver rason”.

Che el letor, in ste pàgine, el cate no doman ´na stòria, ma un filo invisìbile che el lo lega a chi che el ze vegnesto prima — e forse un spèculo, anca se sfoca, de quel che semo incò.

Dr. Luiz C. B. Piazzetta