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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O Costume de Dar o Nome dos Avós aos Netos - Uma Bela Tradição que Atravessou o Oceano

 


O Costume de Dar o Nome dos Avós aos Netos

"Há nomes que não pertencem às pessoas. Pertencem às famílias. E algumas famílias aprenderam a fazê-los atravessar séculos."

Existem heranças que não cabem dentro de um baú de madeira. Não ocupam espaço numa gaveta, não aparecem nos inventários, não podem ser vendidas nem repartidas entre os filhos. São invisíveis. Ainda assim, atravessam gerações com mais firmeza do que as casas de pedra, mais resistência do que as videiras antigas e mais fidelidade do que a própria memória.
Uma delas era o costume, tão profundamente enraizado no Vêneto, de dar aos netos o nome dos avós.
Hoje isso pode parecer apenas uma escolha carinhosa. Naquele tempo, porém, era muito mais do que isso. Era uma tradição respeitada quase como uma lei silenciosa das famílias. Ninguém precisava escrevê-la. Bastava nascer uma criança para todos saberem qual seria o seu nome.
O primeiro menino quase sempre recebia o nome do avô paterno. O segundo herdava o nome do avô materno. Entre as meninas, a primeira levava o nome da avó paterna; a segunda, o da avó materna. Havia pequenas diferenças entre uma aldeia e outra, mas a essência permanecia a mesma: cada geração tinha o dever de conduzir adiante os nomes daqueles que vieram antes.
Era um gesto de amor, mas também de continuidade.
Os antigos venezianos compreendiam algo que o mundo moderno parece ter esquecido: um nome não serve apenas para distinguir uma pessoa das outras. Um nome também conserva uma história.
Quando um avô ainda estava vivo e ouvia que o primeiro neto receberia exatamente o seu nome, seus olhos adquiriam um brilho discreto, desses que só aparecem em quem compreende que a vida encontrou um jeito delicado de continuar. Era como assistir ao próprio futuro correndo pelo quintal antes mesmo de a velhice terminar seu trabalho.
Havia orgulho, mas não vaidade.
Havia gratidão.
Era como se a família dissesse ao velho agricultor, sem necessidade de palavras, que os anos gastos entre as videiras, os invernos enfrentados, as colheitas difíceis e o pão conquistado com tanto esforço não desapareceriam com ele.
Continuariam vivos sempre que alguém chamasse aquela criança.
Quando o avô já havia partido antes do nascimento do neto, o significado era ainda mais profundo. Dar-lhe o mesmo nome era devolver um lugar à sua lembrança dentro da casa. O ausente voltava a ocupar a mesa, não com o peso da saudade, mas com a leveza de um menino que começava a descobrir o mundo.
Era uma maneira singela de dizer que a morte podia levar um homem, mas jamais conseguiria levar seu nome.
E havia outro costume que hoje causa estranheza. Nos tempos em que tantas crianças morriam ainda pequenas, se um filho partisse cedo, muitas famílias davam ao próximo bebê exatamente o mesmo nome. Não por falta de imaginação, muito menos por desejar substituir quem havia partido. Faziam isso porque acreditavam que aquele nome precisava permanecer vivo na família. O nome sobrevivia, mesmo quando a vida havia sido breve.
Os antigos não enxergavam os nomes como propriedade de uma pessoa.
Os nomes pertenciam à linhagem.
Talvez por isso os avós observassem os netos demoradamente. Não enxergavam apenas um menino ou uma menina. Viam uma continuidade. Como se Deus tivesse escrito a mesma palavra duas vezes, separando uma da outra apenas por algumas décadas.
Nas cozinhas das casas vênetas, enquanto a polenta fumegava sobre a mesa e o vinho era servido em canecas simples, bastava alguém chamar por Giovanni, Antonio, Giuseppe, Maria, Caterina, Rosa ou Angela para que duas pessoas levantassem a cabeça ao mesmo tempo.
O avô sorria.
O neto também.
A confusão nunca incomodava ninguém.
Era quase uma alegria.
Para distinguir um do outro, surgiam os apelidos carinhosos do dialeto vêneto. O velho Giovanni tornava-se Giovanni vecchio, enquanto o menino passava a ser Giovannino. Giuseppe virava Bepi. Antonio era chamado de Tonin. Maria transformava-se em Mariéta. Assim, o nome permanecia o mesmo, mas a ternura encontrava maneiras de diferenciá-los.
Esses diminutivos acabavam sendo quase tão importantes quanto o próprio nome, porque carregavam a intimidade das famílias e o calor das pequenas aldeias espalhadas entre as colinas do Vêneto.
Havia ainda uma crença silenciosa que poucos escreviam, mas quase todos sentiam. Quem recebia o nome do avô herdava também a obrigação de honrá-lo. Esperava-se que fosse trabalhador como ele, honesto como ele, respeitador da palavra dada, fiel à família e à fé. O nome não era apenas uma homenagem. Era também uma responsabilidade.
Talvez por isso muitos homens envelhecessem procurando ser dignos do próprio nome.
Então veio a grande emigração.
As colheitas já não bastavam. A pobreza apertava as aldeias. Milhares de famílias venderam vacas, ferramentas, pedaços de terra e móveis para comprar uma passagem rumo ao Brasil.
Quase tudo ficou para trás.
As casas de pedra.
Os sinos das igrejas.
As videiras.
As montanhas.
Os cemitérios onde descansavam os antepassados.
Mas houve uma riqueza que atravessou o Atlântico sem ocupar um único palmo dentro dos navios.
Os nomes.
Enquanto as malas carregavam poucas roupas, eram os nomes que transportavam a verdadeira herança das famílias. Nenhum fiscal podia confiscá-los. Nenhuma tempestade podia afundá-los. Nenhuma distância conseguia apagá-los.
Quando nasceram os primeiros filhos em terras brasileiras, no meio das matas do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná e de São Paulo, os imigrantes repetiram exatamente o que seus pais haviam feito durante séculos.
O primeiro menino tornou-se Giovanni como o nono.
A primeira menina recebeu o nome de Maria como a nona.
Era uma forma de reconstruir, dentro de uma casa de madeira coberta de tabuinhas, a aldeia que permanecera do outro lado do oceano.
A floresta era brasileira.
A terra era brasileira.
O céu era brasileiro.
Mas, quando uma mãe chamava o filho pelo nome do avô, por um instante, o Vêneto inteiro parecia responder.
Os anos passaram. Alguns nomes foram adaptados ao português. Outros mudaram de pronúncia. Muitos apelidos do dialeto desapareceram pouco a pouco. As novas gerações misturaram culturas, costumes e idiomas.
Mas a tradição resistiu.
Ainda hoje há famílias em que um Pietro segura pela mão outro Pietro. Um Angelo sorri para um pequeno Angelo. Uma Rosa embala outra Rosa. E talvez nenhum deles perceba que, naquele simples chamado, existe uma corrente invisível ligando pessoas que jamais se conheceram.
Os historiadores costumam dizer que a imigração preservou a língua, a culinária, a religião e os costumes.
Talvez tenham razão.
Mas existe algo que eles raramente escrevem.
Os nomes também emigraram.
E talvez tenham sido os viajantes mais fiéis de todos.
Porque nunca precisaram de passaporte.
Nunca ocuparam um lugar no porão do navio.
Nunca conheceram a saudade.
Apenas atravessaram o oceano escondidos no coração das famílias.
Às vezes imagino uma pequena casa de madeira no interior do Brasil, numa tarde de domingo. A nona chama o neto para o almoço. Pronuncia o nome que já pertenceu ao marido, ao sogro ou ao próprio pai. O menino responde sem perceber que acaba de despertar uma memória adormecida há mais de um século.
Nesse instante, sem que ninguém veja, uma aldeia do Vêneto parece abrir novamente suas janelas. Os sinos voltam a tocar. As videiras balançam ao vento. Um velho agricultor sorri diante da porta de sua casa, como se tivesse acabado de ouvir alguém chamá-lo outra vez.
Talvez seja esse o verdadeiro sentido daquele antigo costume.
Não era apenas escolher um nome.
Era ensinar que o amor também pode ser herdado.
E que há pessoas que nunca morrem completamente, porque continuam sendo chamadas, todos os dias, pela voz inocente de uma criança.


Nota do Autor

Entre as muitas heranças trazidas pelos imigrantes italianos ao Brasil, poucas sobreviveram de maneira tão silenciosa quanto o costume de dar aos netos os nomes dos avós. Hoje ele ainda existe em muitas famílias, mas quase sempre é visto apenas como uma escolha afetiva. Poucos sabem que, durante séculos, especialmente nas vilas do Vêneto, essa prática seguia uma ordem bastante definida e fazia parte da própria organização familiar.
Nas comunidades rurais vênetas dos séculos XVIII e XIX, o primeiro filho homem geralmente recebia o nome do avô paterno; o segundo, o do avô materno. Entre as meninas, a primeira costumava receber o nome da avó paterna e a segunda, o da avó materna. Embora houvesse pequenas variações regionais, esse modelo era amplamente difundido e acabou sendo levado pelos emigrantes para o Brasil, onde permaneceu vivo por muitas décadas.
Não se tratava apenas de uma homenagem. O nome representava continuidade, pertencimento e memória. Ao receber o nome do avô ou da avó, a criança passava a integrar uma corrente que unia várias gerações. Muitos acreditavam, inclusive, que ela herdava simbolicamente as virtudes daquele antepassado: a honestidade, a capacidade para o trabalho, a fé, a coragem diante das dificuldades e o compromisso com a família.
Outra característica pouco conhecida é que, em tempos de elevada mortalidade infantil, não era raro que um casal desse ao filho nascido depois o mesmo nome de uma criança falecida. À primeira vista isso pode causar estranhamento ao leitor contemporâneo, mas, para aquelas famílias, o nome pertencia à linhagem e não apenas ao indivíduo. Preservá-lo significava preservar a própria identidade da família.
Esse costume também ajuda a explicar uma curiosidade frequente encontrada por quem pesquisa genealogia italiana. Em muitas árvores genealógicas aparecem vários Giovannis, Giuseppes, Antonios, Marias, Catarinas ou Rosas repetidos ao longo das gerações. Longe de ser falta de criatividade, essa repetição era uma forma consciente de manter vivos os laços entre o passado, o presente e o futuro.
Escolhi escrever sobre esse tema porque ele costuma passar despercebido. Falamos muito dos navios, das malas de madeira, das longas viagens, da pobreza, das colônias, das matas e do trabalho dos imigrantes. Tudo isso merece ser lembrado. No entanto, as grandes histórias também são feitas de pequenos gestos, e poucos gestos foram tão permanentes quanto aquele de um pai e de uma mãe que olhavam para o filho recém-nascido e decidiam chamá-lo pelo nome do nono ou da nona.
Talvez seja justamente por sua simplicidade que essa tradição tenha sido esquecida. Ela não deixou monumentos, não aparece nos livros escolares, não recebeu placas comemorativas nem está gravada em estátuas. Sobrevive apenas na intimidade das famílias e, muitas vezes, sem que seus próprios descendentes conheçam sua origem.
Escrever esta crônica foi uma forma de prestar homenagem não apenas aos nossos antepassados, mas também aos nomes que eles nos confiaram. Porque os sobrenomes contam de onde viemos, mas os nomes próprios revelam quem escolhemos nunca esquecer.
Se, depois desta leitura, algum leitor perguntar ao pai, à mãe, ao avô ou à avó por que recebeu determinado nome, este texto já terá cumprido sua missão. Às vezes, uma simples resposta é capaz de abrir a porta de uma história que atravessou um oceano inteiro para chegar até nós.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta




segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O Sobrenome que o Escrivão Inventou - Imigração Italiana


O Sobrenome que o Escrivão Inventou

Como milhares de famílias italianas tiveram sua identidade transformada no Brasil



Ninguém imagina que uma família inteira possa mudar de nome sem jamais ter tomado essa decisão. No entanto, foi exatamente isso que aconteceu com milhares de imigrantes italianos que chegaram ao Brasil no final do século XIX. Não porque desejassem abandonar a própria identidade, nem porque as autoridades tivessem determinado uma nova forma de chamá-los, mas porque, em algum momento da longa caminhada entre a pequena aldeia italiana e a nova vida nas colônias brasileiras, um escrivão escreveu aquilo que seus ouvidos compreenderam. E a tinta daquela pena tornou-se mais forte do que a memória.
O sobrenome sempre foi muito mais do que um conjunto de letras. Ele carregava a história de uma família, a lembrança de um avô, a reputação construída durante séculos, a ligação com uma pequena comuna do Vêneto, do Friuli, do Trentino, da Lombardia ou do Piemonte. Em muitos casos, bastava pronunciá-lo para que todos soubessem de qual vale, de qual montanha ou de qual paróquia alguém havia saído. Era um verdadeiro mapa da origem de uma pessoa.
Quando esses homens e mulheres deixaram a Itália, levaram consigo muito pouco. Algumas roupas, poucas ferramentas, um rosário, fotografias, cartas de parentes e uma esperança maior do que toda a bagagem. Também levaram seus sobrenomes, acreditando que eles permaneceriam os mesmos do outro lado do oceano. Não imaginavam que a floresta brasileira seria menos capaz de transformá-los do que a escrita dos documentos oficiais.
Existe uma ideia bastante difundida de que os sobrenomes eram alterados assim que os imigrantes desembarcavam nos portos brasileiros. A história, porém, mostra uma realidade diferente. Os registros de desembarque, as listas de passageiros e diversos documentos da época demonstram que, na maioria das vezes, os nomes chegaram ao Brasil praticamente da mesma forma como haviam sido escritos na Europa. As transformações ocorreriam depois, lentamente, ao longo dos anos.
Foi nas igrejas, nos cartórios, nas escrituras de compra de terras, nos registros de casamento, nos batismos dos filhos, nos inventários e nos processos de naturalização que muitos sobrenomes começaram a mudar. O padre perguntava. O escrivão escrevia. O colono respondia em seu dialeto. Entre uma palavra pronunciada e outra registrada existia um abismo invisível.
É preciso lembrar que grande parte daqueles imigrantes sequer falava o italiano oficial. A Itália havia sido unificada poucas décadas antes, e cada região preservava sua própria maneira de falar. O vêneto, o friulano, o trentino, o bergamasco e tantos outros dialetos eram as línguas da família, do trabalho e da fé. Muitos colonos jamais haviam aprendido o italiano ensinado nas escolas. Falavam exatamente como seus pais e avós sempre haviam falado.
Do outro lado da mesa estava um escrivão brasileiro que jamais ouvira aqueles sons. Procurava reproduzir no papel aquilo que lhe parecia mais próximo da pronúncia. Não havia intenção de modificar a identidade de ninguém. Havia apenas a tentativa sincera de registrar um nome estrangeiro utilizando os conhecimentos que possuía.
Foi assim que algumas letras desapareceram. Outras surgiram inesperadamente. Consoantes dobradas tornaram-se simples. Vogais trocaram de lugar. Um sobrenome terminado em "tti" passou a terminar em "ti". Um "zz" perdeu um de seus traços. Em certas famílias, irmãos registrados em cidades diferentes acabaram recebendo grafias distintas para um mesmo sobrenome. Todos acreditavam estar corretos.
O detalhe aparentemente insignificante acabava adquirindo força de lei. O documento oficial passava a ser reproduzido em todos os registros seguintes. O casamento confirmava o sobrenome alterado. O nascimento dos filhos repetia a nova grafia. O inventário consolidava aquilo que começara como um simples equívoco de interpretação. Pouco a pouco, a família deixava de existir documentalmente com o nome que possuíra na Itália e passava a existir oficialmente com outro.
O mais curioso é que muitos daqueles imigrantes não perceberam a mudança. Eram trabalhadores honestos, acostumados muito mais ao cultivo da terra do que à leitura de documentos. Diversos assinavam apenas com uma cruz, confiando plenamente na autoridade do padre ou do escrivão. Se o papel dizia que aquele era o seu sobrenome, então assim deveria ser. Afinal, havia coisas muito mais urgentes para enfrentar: derrubar a mata, construir uma casa, plantar milho, proteger os filhos e sobreviver ao primeiro inverno.
Os anos passaram. Vieram os netos, depois os bisnetos e, por fim, os tataranetos. O sobrenome modificado tornou-se parte da identidade da família. Ninguém mais imaginava que, em uma pequena comuna italiana, existia uma grafia diferente esperando para ser reencontrada.
Hoje, quando descendentes iniciam suas pesquisas genealógicas, muitas vezes enfrentam esse mesmo enigma. Procuram um sobrenome nos arquivos italianos e nada encontram. Consultam listas de passageiros, registros civis, livros paroquiais e censos sem qualquer resultado. Somente depois de comparar documentos brasileiros antigos, assinaturas esquecidas, registros de batismo e escrituras de terras conseguem perceber que o sobrenome procurado nunca existiu daquela forma na Itália. O escrivão, sem o saber, havia criado uma nova identidade documental.
Curiosamente, isso não diminui a história da família. Ao contrário. Acrescenta-lhe mais um capítulo. O sobrenome brasileiro também se tornou verdadeiro, porque passou a representar a vida construída nesta terra, o trabalho realizado nas colônias, as casas erguidas com as próprias mãos, as igrejas construídas em mutirão, os filhos criados entre parreirais e pinheirais. Ele deixou de ser apenas uma alteração ortográfica para tornar-se parte da memória da imigração.
Talvez seja por isso que tantos descendentes se emocionem quando finalmente descobrem a grafia original utilizada por seus antepassados. Não sentem que encontraram um nome novo. Sentem que recuperaram uma voz antiga. Pela primeira vez conseguem ouvir, através das letras corretas, a pronúncia que ecoava nas ruas estreitas de uma pequena aldeia italiana há mais de cento e cinquenta anos.
Nenhum escrivão pretendia apagar uma história. Nenhum imigrante desejava perder suas origens. O que existiu foi o encontro entre duas línguas, dois mundos e duas formas diferentes de compreender a escrita. Desse encontro nasceram milhares de sobrenomes brasileiros que conservam, mesmo transformados, a coragem daqueles homens e mulheres que trocaram a pobreza pela esperança.
No fim, percebe-se que um sobrenome pode mudar de letras sem perder a alma. Porque a verdadeira herança nunca esteve apenas na forma como uma palavra foi escrita. Ela permaneceu nas mãos calejadas que abriram clareiras, nas mulheres que ensinaram as primeiras orações aos filhos, nas famílias que preservaram a fé, o trabalho e a honra. As letras podem ter sido inventadas por um escrivão, mas a história que elas representam continua sendo, integralmente, a história dos imigrantes italianos que ajudaram a construir o Brasil.


Nota do Autor

Durante muito tempo, a alteração dos sobrenomes dos imigrantes italianos foi vista apenas como uma curiosidade histórica. No entanto, basta acompanhar a trajetória de uma única família para compreender que aquelas poucas letras modificadas produziram consequências que atravessaram gerações inteiras.

Um sobrenome não identifica apenas uma pessoa. Ele liga filhos aos pais, netos aos avós e descendentes a uma comunidade que, muitas vezes, existe há séculos. Quando essa ligação documental é alterada, ainda que por um simples equívoco de escrita, parte desse caminho torna-se mais difícil de reconstruir. Milhares de descendentes de italianos descobriram isso ao iniciar suas pesquisas genealógicas e perceber que o nome herdado da família simplesmente não existia nos registros da Itália. O que parecia ser um beco sem saída era, na verdade, o resultado de uma transformação ocorrida muitos anos antes em um cartório ou em um livro paroquial.

Foi essa dimensão humana que despertou meu interesse por este tema. Mais do que contar a história de um sobrenome, procurei refletir sobre o valor da identidade e da memória. Cada letra alterada representa o encontro entre duas culturas, duas línguas e dois mundos que precisaram aprender a conviver. Não houve, na maioria dos casos, a intenção de apagar origens, mas as consequências documentais desse processo ainda hoje desafiam historiadores, genealogistas e milhares de famílias que procuram reencontrar suas raízes.

Esta crônica é uma obra de caráter literário, construída a partir de fatos históricos amplamente documentados sobre a imigração italiana no Brasil. Os personagens e as situações narrativas são ficcionais, mas o fenômeno descrito aconteceu com inúmeras famílias e continua sendo confirmado por registros civis, livros paroquiais, listas de passageiros e pesquisas genealógicas realizadas tanto no Brasil quanto na Itália.

Se, ao terminar esta leitura, algum descendente sentir vontade de abrir uma antiga certidão, conversar com os avós ou procurar a pequena comuna de onde partiram seus antepassados, então este texto terá alcançado seu verdadeiro propósito. Porque recuperar a grafia de um sobrenome é muito mais do que corrigir um documento. É restabelecer um elo da memória que o tempo tentou esconder, lembrando que a verdadeira herança dos imigrantes nunca esteve apenas nas letras de um nome, mas na coragem, no trabalho e na esperança que eles legaram às gerações futuras.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



domingo, 2 de agosto de 2026

Sobrenomes Italianos do Vêneto - A Origem Histórica dos Nomes de Família que Vieram com os Imigrantes para o Brasil

 

Sobrenomes Italianos do Vêneto 

A Origem Histórica dos Nomes de Família que Vieram com os Imigrantes para o Brasil


A história dos sobrenomes italianos do Vêneto, região situada no nordeste da Itália, está profundamente ligada às transformações sociais, linguísticas e políticas que marcaram a formação da sociedade italiana entre a Idade Média e a Idade Moderna. Esses sobrenomes constituem hoje um importante patrimônio histórico e cultural, pois preservam vestígios da organização social, das profissões, dos lugares de origem e até das características pessoais dos primeiros portadores.

A formação dos sobrenomes no Vêneto medieval

Na Itália medieval, os sobrenomes começaram a consolidar-se entre os séculos XI e XV, quando o crescimento das cidades, o desenvolvimento do comércio e a necessidade administrativa de identificar indivíduos levaram à adoção de nomes familiares permanentes. Nesse contexto, as comunidades do Vêneto — especialmente cidades como Veneza, Treviso, Padova e Vicenza — passaram a registrar sobrenomes em documentos notariais, registros eclesiásticos e atos administrativos.

A região fazia parte da poderosa República de Veneza, uma das maiores potências comerciais do Mediterrâneo entre os séculos XIII e XVI. Esse ambiente urbano e mercantil contribuiu para a rápida fixação de sobrenomes hereditários entre comerciantes, artesãos e camponeses.

Tipos de sobrenomes vênetos

Assim como em outras regiões da Itália, os sobrenomes do Vêneto podem ser classificados em algumas categorias principais.

1. Sobrenomes derivados de nomes próprios

Muitos sobrenomes nasceram a partir do nome de um ancestral, prática conhecida como patronímica. Nesse caso, o sobrenome indicava “filho de” ou “descendente de”.

Um exemplo é o sobrenome Vanzella, que deriva do nome “Vanzo”, diminutivo medieval de Giovanni. O sufixo -ella indica uma forma familiar ou diminutiva, típica da formação de sobrenomes na Itália medieval. Registros desse nome aparecem já no século XIII em cidades como Treviso e Vicenza.

Outro exemplo é Vettore, relacionado ao nome próprio Vittorio, cujo sobrenome surgiu a partir de variações ou adaptações desse nome nas comunidades locais.

2. Sobrenomes toponímicos (ligados a lugares)

Outra origem frequente é o topônimo, ou seja, a referência ao lugar de origem da família.

Um exemplo clássico é Trevisan (ou Trevizan), que significa literalmente “natural de Treviso”, uma das principais cidades históricas do Vêneto. Esse tipo de sobrenome era comum em períodos de migração, pois indicava a procedência geográfica do indivíduo.

Da mesma forma, sobrenomes como Canton podem derivar de pequenas localidades ou de partes específicas de uma aldeia ou território, indicando o local onde a família residia.

3. Sobrenomes derivados de profissões

Muitos sobrenomes também surgiram a partir das atividades profissionais dos antepassados. Esse tipo de nome era especialmente comum em comunidades rurais e artesanais.

Um exemplo é Carbonatto, derivado da palavra italiana carbone (carvão). O sobrenome provavelmente identificava pessoas ligadas à produção, comércio ou transporte de carvão, ou ainda podia ser uma referência a características físicas, como cabelos escuros.

4. Sobrenomes derivados de características pessoais

Outra categoria comum inclui sobrenomes que se originaram de apelidos relacionados a qualidades físicas ou morais.

O sobrenome Bon, típico do Vêneto, deriva do adjetivo dialetal bon, que significa “bom”. Esse tipo de sobrenome refletia uma característica atribuída a um antepassado, como reputação, aparência ou comportamento. Registros desse nome aparecem em documentos venezianos já no início do século XIV.

A influência da língua vêneta

Um aspecto distintivo dos sobrenomes do Vêneto é a forte influência do dialeto vêneto, uma língua regional com características próprias dentro do grupo das línguas românicas.

Por causa dessa influência linguística, muitos sobrenomes da região apresentam terminações diferentes das formas italianas mais comuns. É frequente encontrar terminações como -an, -on, -in ou -otto, que refletem diminutivos ou adaptações fonéticas do dialeto local.

Essas variações linguísticas ajudam os historiadores e genealogistas a identificar a origem geográfica das famílias dentro da Itália, pois muitas formas são típicas apenas do norte do país.

Sobrenomes vênetos e a emigração

A partir da segunda metade do século XIX, milhões de italianos emigraram para as Américas. O Vêneto foi uma das regiões que mais enviaram emigrantes, sobretudo devido à pobreza rural, às crises agrícolas e às mudanças econômicas após a unificação italiana em 1866.

Com essa migração, milhares de sobrenomes vênetos espalharam-se pelo mundo, especialmente no Brasil, Argentina e Estados Unidos. Em muitos casos, esses nomes sofreram adaptações ortográficas ou fonéticas nos registros civis dos países de destino.

Um patrimônio histórico e cultural

Hoje, os sobrenomes do Vêneto representam muito mais do que simples identificadores familiares. Eles constituem verdadeiros documentos históricos, capazes de revelar aspectos da vida medieval, das migrações internas, das profissões tradicionais e das transformações linguísticas da sociedade italiana.

Estudar esses nomes significa compreender a história das comunidades que os criaram e preservaram ao longo dos séculos — uma herança que continua viva entre milhões de descendentes de imigrantes espalhados pelo mundo.

Nota Historiográfica do Autor

Os sobrenomes constituem uma das mais importantes chaves para compreender a história social da Europa e os processos de formação das identidades familiares. No caso do Vêneto — região do nordeste da Itália que durante séculos integrou a poderosa República de Veneza e, posteriormente, o Império Austríaco — os sobrenomes preservam marcas profundas das estruturas sociais, linguísticas e econômicas que caracterizaram a vida das comunidades locais desde a Idade Média.

Entre os séculos XIII e XVI consolidou-se na península italiana o costume de transmitir sobrenomes de forma hereditária. Esses nomes frequentemente derivavam de profissões, lugares de origem, características físicas ou nomes de antepassados. No Vêneto, muitos deles refletem ainda a influência do dialeto vêneto, língua histórica da região, cujas particularidades fonéticas e morfológicas permanecem visíveis em inúmeras formas familiares.

A partir da segunda metade do século XIX, profundas transformações econômicas e sociais — agravadas por crises agrícolas, pobreza rural e crescimento demográfico — levaram milhões de italianos a emigrar para as Américas. O Vêneto tornou-se então uma das principais regiões de origem da imigração italiana para o Brasil. Com esses emigrantes viajaram também seus sobrenomes, que se estabeleceram em diversas colônias agrícolas e cidades do Sul e do Sudeste brasileiro.

Estudar os sobrenomes vênetos significa, portanto, recuperar fragmentos da história das comunidades que deram origem à imigração italiana. Esses nomes não são apenas marcas de identificação familiar, mas verdadeiros testemunhos linguísticos e históricos que revelam trajetórias de migração, adaptação cultural e continuidade da memória entre gerações de descendentes.


terça-feira, 14 de julho de 2026

Quando o Ofício Virou Sobrenome no Vêneto Antigo - A Origem dos Sobrenomes das Famílias Italianas




Quando o Ofício Virou Sobrenome no Vêneto 

Antigo  


"Antes de herdarem terras ou riquezas, muitas famílias italianas 
herdaram aquilo que melhor representava seus antepassados: o trabalho 
que lhes deu nome e identidade através dos séculos."

Avogrado= advogado 
Barbieri= barbeiro 
Batadori= malhadores de trigo
Becari= açougueiro 
Berrettaro= fabricante e vendedor de bonés 
Bottaio= fabricante de barricas 
Bottaro= fabricante de barricas, dornas 
Cantore= cantor 
Capraro= criador de cabras
Carer= carradore – fabricante de carroças e rodas
Cogo= cozinheiro
Cordai= fabricava cordas
Cuoiaio= curtidor de couro 
Fabbro= ferreiro
Gallinaro= criador e vendedor de galinhas 
Gratarole= debulhadoras de milho 
Gripolaro= raspador da escória dos barris de vinho 
Marangoni= carpinteiro
Masciaro ou Mazin = matador de porcos 
Mezzadro= quem exercia a mezzadria, meeiro 
Mondine= plantadoras e colhedoras de arroz 
Mugnai= moageiro
Munaro= moageiro de grãos em um moinho 
Muratori= pedreiro que fazia muros e paredes 
Murer= pedreiro 
Ombrelai= fabricava e reparava guarda chuvas 
Osti= trabalhavam com bares, restaurantes, pousadas
Pegoraro= criador e pastor de ovelhas 
Pescatore= pescador
Petinini= cardadores de lã ou cânhamo 
Sallaroli– trabalho na conservação de alimentos com o sal
Sartore= alfaiate 
Sartori= alfaiates 
Scarpari= fabricante de sapatos 
Scognamiglio= debulhador de milho 
Scopino= fabricante e vendedor de vassouras e escovas 
Scotellaro= fabricante e vendedor de tigelas 
Scrivano= escrivão ou escriba 
Segantini= cortadores de feno com a foice (falce) 
Semenzaio= vendedor de sementes 
Spelumin= retirava penas de gansos 
Stagnino= ambulante reparador de panelas, soldador
Stagnino= reparador de panelas
Tessaro= tecelão
Vaccari= criador de vacas
Vasaro= fabricante de vasos 
Viero= fabricante de  vidro e objetos de vidro

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



quarta-feira, 8 de julho de 2026

50 Sobrenomes Italianos Raros e Suas Origens – Descubra a História Oculta de Antigas Famílias da Itália



50 Sobrenomes Italianos Raros e Suas Origens – Descubra a História Oculta de Antigas Famílias da Itália


A Itália é conhecida por sua extraordinária diversidade cultural, linguística e histórica. Essa variedade também se reflete nos sobrenomes italianos, muitos dos quais surgiram entre os séculos XIII e XVI, período em que os registros civis e eclesiásticos começaram a se tornar mais sistemáticos. Enquanto alguns sobrenomes se tornaram extremamente comuns — como Rossi, Ferrari ou Bianchi — outros permaneceram raros, preservando origens regionais muito específicas, antigas profissões, apelidos medievais ou referências geográficas quase esquecidas.

Para descendentes de imigrantes italianos no Brasil, conhecer esses sobrenomes menos comuns pode revelar pistas importantes sobre a origem familiar, a região da Itália de onde vieram os antepassados e até aspectos do cotidiano medieval.

Neste artigo, apresentamos 50 sobrenomes italianos raros, frequentemente encontrados em registros históricos regionais ou em pequenas comunidades, acompanhados de suas possíveis origens linguísticas e históricas.

50 Sobrenomes Italianos Raros

Entre os sobrenomes italianos raros que aparecem em documentos históricos e registros genealógicos encontram-se: 

Zanobetti, Furlanis, Scaramuzza, Trombadori, Bortolanza, Malagutti, Spadaccini, Sgorbati, Ventresca, Pederiva, Bellunato, Cavagnaro, Zampedri, Barzanò, Trevisol, Dal Zotto, Ghidinelli, Pintonello, Fraccaroli, Soldera, Tasca, Gheller, Brugnaro, Zorzetto, Rizzolatti, Cavedon, Sartorello, Peresson, Dal Molin, Marchetton, Cattabriga, Zangrandi, Boscariol, Tonial, Callegari, Bressanello, Donadel, Gualtieri, Ceschin, Morlotti, Zanchin, Bordignon, Visentini, Dal Corso, Piovesan, Zambenedetti, Fregonese, Cappelletto, Bergantini e Pizzolato.

Esses sobrenomes aparecem em registros paroquiais, documentos notariais e listas de imigração, principalmente relacionados a regiões do norte da Itália, como Vêneto, Friuli-Venezia Giulia, Lombardia e Trentino.

As Origens Históricas dos Sobrenomes Raros

Grande parte dos sobrenomes raros italianos nasceu de quatro grandes tradições de formação de nomes familiares:

1. Origem geográfica

Muitos sobrenomes indicam a localidade de origem da família. Prefixos como DalDaDi ou De significam literalmente “do” ou “da”. Assim, nomes como Dal Molin ou Dal Zotto sugerem ligação com lugares específicos ou propriedades rurais.

2. Profissões antigas

Alguns sobrenomes derivam de atividades profissionais medievais. Nomes como Spadaccini podem estar ligados ao ofício de armeiros ou soldados, enquanto Callegari pode ter relação com artesãos do couro.

3. Apelidos e características pessoais

Durante a Idade Média era comum que indivíduos fossem identificados por características físicas, comportamentais ou circunstâncias particulares. Esses apelidos acabaram se transformando em sobrenomes hereditários.

4. Diminutivos e variações regionais

A língua italiana possui grande riqueza de sufixos como -etto-ello-ini-oni-ato e -aro, que indicam diminutivo, pertencimento familiar ou variações regionais. Muitos sobrenomes raros surgiram justamente dessas transformações linguísticas.

Sobrenomes e Migração Italiana

Entre o final do século XIX e o início do século XX, milhões de italianos emigraram para as Américas. O Brasil recebeu uma grande parcela desses imigrantes, especialmente nas regiões Sudeste e Sul. Estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná tornaram-se importantes centros de colonização italiana.

Nesse processo migratório, diversos sobrenomes raros chegaram ao país e, em muitos casos, permaneceram restritos a determinadas comunidades rurais ou colônias agrícolas. Por isso, não é incomum encontrar sobrenomes praticamente inexistentes na Itália contemporânea ainda preservados em descendentes brasileiros.

Além disso, durante o registro de entrada em portos ou cartórios brasileiros, alguns nomes sofreram pequenas alterações ortográficas, adaptando-se à fonética portuguesa.


A Importância Genealógica dos Sobrenomes Raros

Para pesquisadores de genealogia e história familiar, os sobrenomes raros são especialmente valiosos. Diferentemente dos nomes muito comuns, eles podem facilitar a identificação de linhagens específicas e permitir a localização mais precisa da região de origem na Itália.

Registros paroquiais, listas de passageiros e arquivos municipais italianos frequentemente revelam que muitos desses sobrenomes estavam concentrados em pequenas aldeias ou comunidades rurais. Assim, um sobrenome raro pode funcionar como uma verdadeira “assinatura histórica” de uma família.


Conclusão

Os sobrenomes italianos raros representam muito mais do que simples nomes de família. Eles são vestígios linguísticos e históricos que carregam memórias de profissões antigas, aldeias desaparecidas, características pessoais e trajetórias migratórias que atravessaram oceanos.

Para milhões de descendentes de italianos no Brasil, investigar esses sobrenomes é também uma forma de reencontrar as próprias raízes e compreender melhor a longa história da imigração italiana que ajudou a formar a identidade cultural do país.

Conhecer a origem de um sobrenome raro pode ser o primeiro passo para descobrir histórias familiares que permanecem guardadas há séculos.

Nota historiográfica do autor

O estudo dos sobrenomes italianos constitui um importante campo de investigação histórica e genealógica. A formação desses nomes de família ocorreu sobretudo entre os séculos XIII e XVI, período em que as comunidades italianas passaram a adotar sobrenomes hereditários de maneira mais sistemática. Muitos desses nomes nasceram de referências geográficas, profissões, características pessoais ou vínculos familiares, refletindo a organização social e linguística das regiões da península italiana.

No caso dos sobrenomes raros, sua importância histórica torna-se ainda maior, pois frequentemente preservam traços de antigas comunidades locais, dialetos regionais e estruturas sociais hoje desaparecidas. Em diversos casos, esses nomes estavam concentrados em pequenas aldeias ou áreas rurais específicas, o que permite aos pesquisadores rastrear com maior precisão a origem geográfica de determinadas famílias.

Para os descendentes de imigrantes italianos no Brasil, o estudo desses sobrenomes representa também uma ponte com o passado migratório. Entre o final do século XIX e o início do século XX, milhões de italianos deixaram sua terra natal em busca de novas oportunidades nas Américas. Ao atravessarem o oceano, trouxeram consigo não apenas tradições culturais e linguísticas, mas também seus nomes de família — verdadeiros testemunhos históricos de suas origens.

Assim, investigar sobrenomes italianos raros não significa apenas estudar palavras antigas, mas compreender trajetórias humanas, processos migratórios e a formação de identidades culturais que continuam presentes nas comunidades de descendentes italianos ao redor do mundo.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



terça-feira, 7 de julho de 2026

Lista de Sobrenomes de Imigrantes Italianos do Navio Napoli no Porto do Rio de Janeiro (1891)

 


    Lista de Sobrenomes de Imigrantes Italianos do Navio Napoli no Porto do Rio de Janeiro (1891)


Nº Reg. Imigrantes e Idade             Destino          Profissão


10250 Morgan Bortolo 50 Anos         São Paulo Agricultor

10251 Morgan Eugenia 45 Anos         São Paulo Agricultor

10252 Morgan Cecilia 20 Anos         São Paulo Agricultor

10253 Morgan Angelo 16 Anos         São Paulo Agricultor

10254 Morgan Angela 13 Anos                 São Paulo Agricultor

10255 Morgan Vincenzo 11 Anos          São Paulo  Agricultor

10256 Corradi Luigia 62 Anos                  São Paulo   Agricultor

10257 Corradi Antonio 25 Anos           São Paulo    Agricultor

10258 Francesconi Lucia 23 Anos           São Paulo     Agricultor

10259 Francesconi Dante 2 Anos           São Paulo Agricultor

10260 Sartori Marco 21 Anos                     São Paulo           Agricultor

10261 Marzollo Giuseppe 37 Anos     RS                         Agricultor

10262 Marzollo Elena 33 Anos         RS                 Agricultor

10263 Marzollo Libero 12 Anos         RS                 Agricultor

10264 Marzollo Giovanni 9 Anos             RS                         Agricultor

10265 Marzollo Virgilio 7 Anos         RS                 Agricultor

10266 Marzollo Stelio 2 Anos         RS                 Agricultor

10267 Marzollo Gaetano 34 Anos RS                 Agricultor

10268 Vilotto Angelo 48 Anos         São Paulo Agricultor

10269 Vilotto Anna 31 Anos                      São Paulo Agricultor  

 10270 Vilotto Angela 11 Anos                     São Paulo         Agricultor

10271 Vilotto Antonio 8 Anos         São Paulo Agricultor

10272 Vilotto Gerardo 6 Anos         São Paulo Agricultor

10273 Vilotto Maria 5 Anos                 São Paulo Agricultor

10274 Vilotto Pietro 1 Ano                 São Paulo Agricultor

10275 Biancardi Antonio 31 Anos São Paulo Agricultor

10276 Biancardi Avelino 7 Anos         São Paulo Agricultor

10277 Bastiani Fortunato 28 Anos São Paulo Agricultor

10278 Camerotto Gio Batta 28 Anos São Paulo Agricultor

10279 Scudeler Antonio 23 Anos São Paulo Agricultor

10280 Scudeler Lucia 20 Anos         São Paulo Agricultor

10281 Pavanzo Pietro 21 Anos         São Paulo Agricultor

10282 Zordetto Angelo 28 Anos         São Paulo Agricultor

10283 Zordetto Clementina 26 Anos São Paulo Agricultor

10283 Cervati Francesco 50 Anos     São Paulo         Agricultor

10285 Cervati Anna 50 Anos                     São Paulo         Agricultor

10286 Cervati Amedeo 22 Anos             São Paulo         Agricultor

10287 Cervati Petrina 19 Anos         São Paulo Agricultor

10288 Astori Giovanni 30 Anos         São Paulo Agricultor

10289 Noventa Giovanni 28 Anos São Paulo Agricultor

10290 Noventa Malvina 27 Anos             São Paulo         Agricultor

10291 Noventa Matilde 1 Ano                     São Paulo         Agricultor

10292 Pevassalli Rinaldo 42 Anos São Paulo Agricultor

10293 Pevassalli Ginoveva 37 Anos São Paulo Agricultor

10294 Pevassalli Umberto 6 Anos São Paulo Agricultor

10295 Pevassalli Anacleto 3 Anos São Paulo Agricultor

10296 Zacato Francesco 30 Anos São Paulo Agricultor

10297 Zacato Maria 28 Anos         São Paulo Agricultor

10298 Zacato Adele 3 Anos                 São Paulo Agricultor

10299 Zacato Pompeo 5 Anos         São Paulo Agricultor

10300 Zacato Domenico 1 Ano         São Paulo Agricultor

10301 Zacato Pietro 26 Anos         São Paulo Agricultor

10302 Franceschelli Luigi 37 Anos São Paulo Agricultor

10303 Marzola Giovanni 57 Anos São Paulo Agricultor

10304 Marzola Giovanni 10 Anos São Paulo Agricultor

10305 Farsaro Marco 28 Anos         São Paulo Agricultor

10306 Perassoti Giovanni 66         São Paulo Agricultor

10307 Perassoti Luigia 68 Anos         São Paulo Agricultor

10308 Zanella Maria 35 Anos                     São Paulo         Agricultor

10309 Ugotti Matteo 39 Anos         São Paulo Agricultor

10310 Noventa Luciano 38 Anos         São Paulo Agricultor

10311 Noventa Luigia 30 Anos         São Paulo Agricultor

10312 Noventa Giacomo 3 Anos         São Paulo Agricultor

10313 Noventa Arziero 15 Anos         São Paulo Agricultor

10314 Bardella Domenico 21 Anos São Paulo Agricultor

10315 Dolfin Aristodemo 31 Anos São Paulo Agricultor

10316 Dolfin Anenetta 27 Anos         São Paulo Agricultor

10317 Dolfin Carolina 7 Anos         São Paulo Agricultor

10318 Ciocco Luigi 47 Anos                 São Paulo Agricultor

10319 Cioccopietro 12 Anos                 São Paulo Agricultor

10320 Ciocco Lorenzo 10 Anos         São Paulo Agricultor

10321 Ciocco Italia 8 Anos                 São Paulo Agricultor

10322 Previatello Battista 50 Anos Viúvo SP     Agricultor

10323 Zardin Giuseppe 36 Anos         São Paulo Agricultor

10324 Pastori Silvio 28 Anos         São Paulo Agricultor

10325 Passinelli Giuseppe 34 Anos      São Paulo Agricultor

10326 Genari Valentino 24 Anos             São Paulo         Agricultor

10327 Mora Giuseppe 30 Anos         São Paulo Agricultor

10328 Copo Vettore 27 Anos. Três     CoraçõesMG Agricultor

10329 Miotto Luigi 27 Anos Três Corações MG Agricultor

10330 Sacco Barnaba? 20 Anos Três Corações MGAgricultor

10331 Piva Mauro 63 Anos         São Paulo     Agricultor

10332 Piva Carolina 56 Anos São Paulo     Agricultor

10333 Piva Carlo 31 Anos         São Paulo     Agricultor

10334 Piva Ettorina 26 Anos São Paulo     Agricultor

10335 Piva Marina 3 Anos         São Paulo     Agricultor

10336 Piva Edolide 3 Anos                 São Paulo            Agricultor

10337 Piva Giuseppe 2 Anos São Paulo     Agricultor

10338 Bartoli Fortunato 20 AnosPorto Alegre      Agricultor

10339 Bartoli Elisabetta 22         Porto Alegre       Agricultor

10340 Zanonato Onesto 28 Anos Porto Alegre        Agricultor

10341 Zanonato Anna 6 Anos Porto Alegre         Agricultor

10342 Zanonato Adelaide 4 Anos Porto Alegre Agricultor

10343 Zanonato Angelo 2 Anos Porto Alegre         Agricultor

10344 Zanonato Olinto 25 Anos Porto Alegre         Agricultor

10345 Zanonato Zanobia 60 AnosPorto Alegre Agricultor

10346 Zanonato Giobatta 67 Anos Porto Alegre Agricultor

10347 Zanonato Domenica 68 Anos Porto Alegre Agricultor

10348 Franzin Marco 41 Anos São Paulo         Agricultor

10349 Franzin Santa 40 Anos São Paulo         Agricultor

10350 Franzin Virginia 6 Anos São Paulo         Agricultor

10351 Ormellini Giuseppe 51 Anos São Paulo Agricultor

10352 Ormellini Giovanna 50 Anos São Paulo Agricultor

10353 Cassellatto Maria 31 Anos         São Paulo Agricultor

10354 Cassellato Giacinto 50 Anos São Paulo Agricultor

10355 Cassellato Letissia 51 Anos São Paulo Agricultor

10356 Cazzella Giovanni 30 Anos Três CoraçõesAgricultor

10357 Mastellaro Vincenzo 26 Anos Rio Janeiro Agricultor

10358 Benacchi Arturo 32 Anos         São Paulo Agricultor

10359 Benatti Oreste 33 Anos         São Paulo Agricultor

10360 Benatti Fortunata 26 Anos São Paulo Agricultor

10361 Benatti Atilio 3 Anos                 São Paulo Agricultor

10362 Benatti Giovanni 2 Anos         São Paulo Agricultor

10363 Fornari Giovanni 47 Anos         São Paulo Agricultor

10364 Merlen Ercole 37 Anos         São Paulo Agricultor

10365 Spadante Martino 37 Anos São Paulo Agricultor

10366 Bertassi Antonio 35 Anos         São Paulo Agricultor

10367 Barrichello Maria 44 Anos São Paulo Agricultor

10368 De Piavi Giovanni 10 Anos São Paulo Agricultor

10369 Rochetto Luigi 45 Anos         São Paulo Agricultor

10370 Fasea Lorenzo 32 Anos         São Paulo Agricultor

10371 Brinello Giuseppe 39 Anos     São Paulo         Agricultor

10372 Camparin Pietro 17 Anos         São Paulo Agricultor

10373 Filippi Michelangelo 21 Anos São Paulo Agricultor

10374 Cavazzan Domenico 34 Anos São Paulo Agricultor

10375 Conte Giovanni 30 Anos         São Paulo Agricultor

10376 Casella Giovanni 26 Anos         São Paulo Agricultor

10377 Allegretti Adelino 21 Anos São Paulo Agricultor

10378 Grandi Pietro 47 Anos         São Paulo Agricultor

10379 Grandi Maria 46 Anos         São Paulo Agricultor

10380 Adrovanti Umberto 24 Anos Rio Janeiro Agricultor

10381 Fornasari Luigi 26 Anos         Rio  Janeiro Agricultor

10382 Beltrani Ercole 38 Anos         Rio Janeiro Agricultor

10283 Badilli Vittotio 30 Anos         Rio Janeiro Agricultor

10384 Zaccaron Luigi 23 Anos         São Paulo Agricultor

10385 Rosetto Giacomo 36      Tres Corações MG Agricultor

10386 Castellani Umberto 24 Anos São Paulo Agricultor

10387 Marangoni Amedeo 33 Anos São Paulo Agricultor

10388 Fedelli Leonardo 28 Anos         São Paulo Agricultor

10389 Bonelli Carlo 35 Anos         São Paulo Agricultor

10390 Zanibello Giovanni 43 Anos São Paulo Agricultor

10391 Gennaro Pietro Mario 24      São Paulo Agricultor

10392 Gennaro Federico 48 Anos São Paulo Agricultor

10393 Gennaro Maria 40 Anos         São Paulo Agricultor

10394 Gennaro Olga 17 Anos         São Paulo Agricultor

10395 Gennaro Carlota 13 Anos         São Paulo Agricultor

10396 Giribello Aristolamo 27 Anos São Paulo Agricultor

10397 Perassinolo Pompillio 34          São Paulo Agricultor

10398 Ferraresi Romano 22      Três Corações MG Agricultor

10399 Furlan Luigi 21 Anos                 São Paulo Agricultor

10400 Furlan Letigia 24 Anos         São Paulo Agricultor

10401 Furlan Angela 15 Anos         São Paulo Agricultor

10402 Furlan Antonio 8 Anos         São Paulo Agricultor

10403 Furlan Tereza 47 Anos Viuva São Paulo Agricultor

10404 Rebotti Leonardo 37 Anos São Paulo Agricultor

10405 Signorini Giacomo 46 Anos Vitória ES Agricultor

10406 Signorini Amedeo 12 Anos Vitória ES Agricultor

10407 Grandi Giovanni 58 Anos         São Paulo Agricultor

10408 Grandi Annunsiata 56 Anos São Paulo Agricultor

10409 Grandi Leopoldo 24 Anos         São Paulo Agricultor

10410 Grandi Maria 21 Anos         São Paulo Agricultor

10411 Piccolo Ferdinando 35 Anos São Paulo Agricultor

10412 Ziliotto Matteo 45 Anos         São Paulo Agricultor

10413 Scanazotti Giovanni 50 Anos São Paulo Agricultor

10414 Scanazotti Giuseppe 33 Anos São Paulo Agricultor

10415 Scanazotti Giuseppina 27    São Paulo Agricultor

10416 Scanazotti Elvira 6 Anos         São Paulo Agricultor

10417 Scanazotti Dursilla 5 Anos São Paulo Agricultor

10418 Scanazotti Umberto 1 Ano São Paulo Agricultor

10419 Scanazotti Filomena 26 Anos São Paulo Agricultor

10420 Scanazotti Stella 5 Anos         São Paulo Agricultor

10421 Scanazotti Maria 1 Ano         São Paulo Agricultor

10422 Scanazotti Sinforiano 25 Anos São Paulo Agricultor

10423 Scanazotti Maria 6 Anos         São Paulo Agricultor

10424 Campioni Giovanni 25 Anos  São Paulo Agricultor

10425 Campioni Annibale 48 Anos São Paulo Agricultor

10426 Campioni Silvio 2 Anos         São Paulo Agricultor

10427 Campioni Felicità 14 Anos São Paulo Agricultor

10428 Valduga Fabio 32 Anos         São Paulo Agricultor

10429 Andonni Innocenzia 28 Anos São Paulo Agricultor

10430 Andonni Rosmunda 23 Anos São Paulo Agricultor

10431 Andonni Arrigo 2 Anos         São Paulo Agricultor

10432 Giovanni Raffaello 30 Anos São Paulo Agricultor

10433 Da Dalt Giacomo 38 Anos         São Paulo Agricultor

10434 Da Dalt Augusta 30 Anos         São Paulo Agricultor

10435 Da Dalt Antonio 9 Anos         São Paulo Agricultor

10436 Da Dalt Giovanni 7 Anos         São Paulo Agricultor

10437 Da Dalt Rafaello 4 Anos         São Paulo Agricultor

10438 Da Dalt Ersilia 2 Anos         São Paulo Agricultor

10439 Da Dalt Bortolo 49 Anos         São Paulo Agricultor

10440 Vanucchi Francesco 16 Anos São Paulo Agricultor

10443 Martini Domenico 29 Anos Paranaguá Agricultor

10444 Martini Luigi 15 Anos         Paranaguá Agricultor

10445 Ferrazi Davida 58 Anos         São Paulo Agricultor

10446 Ferrazi Luigi 25 Anos                 São Paulo Agricultor

10447 Giuliani Domenico 25 Anos São Paulo Agricultor

10448 Menegoni Paolo 31 Anos         São Paulo Agricultor

10449 Rocco Giacomo 20 Anos         São Paulo Agricultor

10450 Rocco Maria 16 Anos                 São Paulo Agricultor

10451 Rocco Pasqua 14 Anos         São Paulo Agricultor

10452 Rocco Giovanna 46 Anos         São Paulo Agricultor

10453 Spinella Giovanni 28 Anos São Paulo Agricultor

10454 Spinella Cecilia 24 Anos         São Paulo Agricultor

10455 Spinella Agostino 3 Anos         São Paulo Agricultor

10456 Spinella Francesco 2 Anos São Paulo Agricultor

10457 Faggion Pietro 54 Anos         São Paulo Agricultor

10458 Brugnera Andrea 63 Anos         São Paulo Agricultor

10459 Trabuco Giovanni 34 Anos São Paulo Agricultor

10460 Trabuco Filomena 25 Anos São Paulo Agricultor

10461 Trabuco Elisabetta 1 Ano         São Paulo Agricultor

10462 Vazzoler Pietro 26 Anos         São Paulo Agricultor

10463 Cuera Angelo 21 Anos         São Paulo Agricultor

10464 Gori Ferdinando 46 Anos         São Paulo Agricultor

10465 Posati Teodoro 48 Anos         São Paulo Agricultor

10466 Dell'agnol Giuseppe 21 Anos São Paulo Agricultor

10467 Dell'agnol Bortolo 26 Anos São Paulo Agricultor

10468 Lorenzoni Angelo 48 Anos São Paulo Agricultor

10469 Lorenzoni Angela 48 Anos São Paulo Agricultor

10470 Lorenzoni Vittoria 23 Anos São Paulo Agricultor

10471 Lorenzoni Giovanni 13 Anos São Paulo Agricultor

10472 Lorenzoni Amedeo 11 Anos São Paulo Agricultor

10473 Lorenzoni Adelina 6 Anos         São Paulo Agricultor

10474 Pansenelli Antonio 50 Anos São Paulo Agricultor

10475 Pansenelli Revenira 42 Anos São Paulo Agricultor

10476 Meren Santi 53 Anos                 São Paulo Agricultor

10477 Meren Celeste 14 Anos         São Paulo Agricultor

10478 Brancaleon Giuseppe 54 Anos São Paulo Agricultor

10479 Veronese Napoleone 24a Tres Corações Agricultor

10480 Veronese Maria 22 Anos Tres Corações Agricultor

10481 Veronese Agnese 2 Meses TresCorações Agricultor

10482 Veronese Carolina 20 Anos TreCorações Agricultor

10483 Zagoto Maria 32 Anos         São Paulo Agricultor

10484 Callegari Nicodemo 20 Anos São Paulo Agricultor

10485 Callegari Anna 17 Anos         São Paulo Agricultor

10486 Sparapan Martino 64 Anos São Paulo Agricultor

10487 Sparapan Giovanni 28 Anos São Paulo Agricultor

10488 Sparapan Lucia 34 Anos         São Paulo Agricultor

10489 Sparapan Assunta 14 Anos São Paulo Agricultor

10490 Sparapan Doralice 10 Anos São Paulo Agricultor

10491 Sparapan Silvano 7 Anos         São Paulo Agricultor

10492 Sparapan Marietta 5 Anos São Paulo Agricultor

10493 Sparapan Elisa 2 Anos         São Paulo Agricultor

10494 Sparapan Pasquale 2 Anos São Paulo Agricultor

10495 Menon Angelo 50 Anos         São Paulo Agricultor

10496 Pasinelli Luigi 22 Anos         São Paulo Agricultor

10497 Pasinelli Carolina 26 Anos São Paulo Agricultor

10498 Pasinelli Pietro 8 Anos         São Paulo Agricultor

10499 Pasinelli Pompilio 4 Anos         São Paulo Agricultor

10500 Pasinelli Maria 2 Meses         São Paulo Agricultor

10501 Matteozzi Catterina 33 Anos São Paulo Agricultor

10502 Baggecha Amedeo 21 Anos São Paulo Agricultor

10503 Masivio Ticiano 32 Anos         São Paulo Agricultor

10504 Sandalo Andonio 32 Anos         São Paulo Agricultor

10505 Filippi Italia 22 Anos                 São Paulo Agricultor

10506 Dalla Villa Giuseppe 43a Tres Corações Agricultor

10507 Dalla Villa Maria 40 Anos Tres Corações Agricultor

10508 Dalla Villa Luigi 12 Anos Tres Corações Agricultor

10509 Dalla Villa Giovanni 9 Anos Tres Corações Agricultor

10510 Dalla Villa Maria 5 Anos Tres Corações       Agricultor

10511 Dalla Villa Giacomo 2 Anos  Tres Corações Agricultor

10512 Bellinato Pietro 25 Anos Tres Corações Agricultor

10513 Bellinato Angela 24 Anos Tres Corações Agricultor

10514 Bellinato Maria 1 Ano Tres Corações Agricultor

10515 Pasotto Luigi 28 Anos Tres Corações Agricultor

10516 Pasotto Pongiana 23a Tres Corações Agricultor

10517 Tomanini Antonio 28 Anos São Paulo Agricultor

10518 Tomanini Luigi 25 Anos         São Paulo Agricultor

10519 Mainardi Vicenzo 32 Anos São Paulo Agricultor

10520 Mainardi Maria 21 Anos         São Paulo Agricultor

10521 Mainardi Osvaldo 5 Anos         São Paulo Agricultor

10522 Mainardi Antonio 1 Ano         São Paulo Agricultor

10523 Bellon Girolamo 46 Anos         São Paulo Agricultor

10525 Bellon Arturo17 Anos / 

Bellon Eugenia 4 Anos                         São Paulo Agricultor

10526 Ventriglia Giuseppe 35 Anos São Paulo Agricultor

10527 Gallo Margherita 50 Anos         São Paulo Agricultor

10528 Gallo Maria 17 Anos                 São Paulo Agricultor

10529 Franzoi Rosa 33 Anos         São Paulo Agricultor

10530 Franzoi Giovanni 2 Anos         São Paulo Agricultor

10531 Franzoi Placido 4 Anos         São Paulo Agricultor

10532 Franzoi Romano 3 Anos         São Paulo Agricultor

10533 Taneselli Guerino 29 Anos São Paulo Agricultor

10534 Mazzanti Vicenzo 45 Anos São Paulo Agricultor

10535 Callegari Giovanni 31 Anos São Paulo Agricultor

10536 Callegari Elisa 28 Anos         São Paulo Agricultor

10537 Callegari Antonio 9 Anos         São Paulo Agricultor

10538 Callegari Maria 7 Anos         São Paulo Agricultor

10539 Callegari Amabile 5 Anos         São Paulo Agricultor

10540 Callegari Pasqua 2 Anos         São Paulo Agricultor

10541 Pirondi Giovanni 38 Anos         São Paulo Agricultor

10542 Zucchetta Angelo 55 Anos         Bananal         Agricultor

10543 Zucchetta Orsola 9 Anos         Bananal         Agricultor

10544 Allessina Marco 25 Anos         São Paulo Agricultor

10545 Grosso Maria Tereza 31a Resende R.J. Agricultor

10546 Grosso Michele 12 Anos Resende R.J. Agricultor

10547 Grosso Donato 10 Anos Resende R.J. Agricultor

10548 Grosso Francesco 7 Anos Resende R.J. Agricultor

10549 Pessoto Mauro 35 Anos São Paulo         Agricultor

10550 Vigilante Domenico 35 Anos São Paulo Agricultor

10551 Marcini Antonio 40 Anos                     São Paulo         Agricultor

10552 De Lucia Sabattina 38 Anos São Paulo Agricultor

10553 Antonelli Giuseppe 53 Anos São Paulo Agricultor

10554 Antonelli Donato 42 Anos         São Paulo Agricultor

10555 Bucci Domenico 32 Anos         São Paulo Agricultor

10556 Bucci Domenico 34 Anos         São Paulo Agricultor

10557 De Lucia Domencio 21 Anos São Paulo Agricultor

10558 Perfetto Nicola 47 Anos         São Paulo Agricultor

10559 Perfetto Felice 16 Anos         São Paulo Agricultor

10560 Perfetto Angelontonio 13a  São Paulo Agricultor

10561 Micone Nicola 47 Anos         São Paulo Agricultor

10562 Micone Pasquale 16 Anos         São Paulo Agricultor

10563 Perfetto Michele 15 Anos         São Paulo Agricultor

10564 Cutone Lorenzo 24 Anos         São Paulo Agricultor

10565 Limol Genaro 40 Anos         São Paulo Agricultor

10566 Giovanni Salvatori 34 Anos São Paulo Agricultor

10567 Cassiano Felice 21 Anos         São Paulo Agricultor

10568 Allieri Antonio 44 Anos         São Paulo Agricultor

10569 Neci Giuseppe 21 Anos Rio De Janeiro Agricultor

10570 Bruni Giovanni 50 Anos Rio De Janeiro Agricultor

10571 Duirio Saverio 24 Anos Rio De Janeiro Agricultor

10572 Manciri Domenico 28a Rio De Janeiro Agricultor

10573 De Seta Arcangelo 25a Rio De Janeiro Agricultor

10574 Capua Giovanni 46 Anos Rio De Janeiro Agricultor

10575 Di Biasi Rafaelle 23 Anos Rio De Janeiro Agricultor

10576 Panni Oresti 29 Anos                 São Paulo Agricultor

10577 Felipopoli Antonio 49 Anos São Paulo Agricultor

10578 Paroli Giovanni 52 Anos         Vitória ES Agricultor

10579 Righeto Oriliano 26 Anos         São Paulo Agricultor

10580 Fei Serafino 34 Anos Avelar Agricultor

10581 Volta Ferma 39 Anos                 São Paulo Agricultor

10582 Cesenea Alcibiade 35 Anos São Paulo Agricultor

10583 Di Biasi Michele 11 Anos Rio De Janeiro Agricultor

10584 Uccelli Rino 50 Anos                 São Paulo Agricultor

10585 Santinon Antonio 48a Tres Corações Agricultor

10586 Santinon Giovanni 50a Tres Corações Agricultor

10587 Mosse Conrado 40 Anos Rio De Janeiro Agricultor

10588 Mangela Pietro 21 Anos Rio De Janeiro Agricultor

10589 Sacheto Antonio 31 Anos Rio De Janeiro Agricultor

10590 Rosolen Giuseppe 24 Anos Porto Alegre Agricultor

10591 Rosolen Virginia 4 Anos         Porto Alegre Agricultor

10592 Zen Antonio 61 Anos                 Porto Alegre Agricultor

10593 Zen Cristina 19 Anos                 Porto Alegre Agricultor

10594 Zen Marietta 6 Anos                 Porto Alegre Agricultor

10595 Maestrezo Vicenzo 40 Anos São Paulo Agricultor

10596 Cavallare Gio Ettore 38 Anos Vitória ES Agricultor

10597 Angeleri Luigi 28 Anos         Vitória ES Agricultor

10598 Montagnoli Giovanni 23 Anos São Paulo Agricultor

10599 Bianchini Antonio 35 Anos São Paulo Agricultor

10600 Bianchini Tereza 30 Anos         São Paulo Agricultor

10601 Bianchini Carlo 7 Anos         São Paulo Agricultor

10602 Bianchini Virginia 5 Anos         São Paulo Agricultor

10603 Bianchini Giuseppe 3 Anos/ 

10604 Pietro 4 Meses                                 São Paulo

10605 Depasquale Pietro 27 Anos Barrado         Agricultor

10606 Depasquale Giuseppe 29 Anos Barrado         Agricultor

10607 Pedro Aguelar 17a  Espanhol SãoPaulo Agricultor

10608 Filipela Antonio 37 Anos         Vitória ES Agricultor

10609 Manco Marcelino 39 Anos São Paulo Agricultor

10610 Zulan Giovanni 21 Anos         São Paulo Agricultor

10441 Bardini Vicenzo 28 Anos         São Paulo Agricultor

10442 Ancechi Geremia 43 Anos São Paulo Agricultor


Nota

A relação apresentada reúne os sobrenomes de emigrantes italianos que desembarcaram no porto do Rio de Janeiro a bordo do navio Napoli, no ano de 1891. Os nomes foram transcritos conforme constam nos documentos originais da época, que muitas vezes apresentam grafias antigas, abreviações ou erros de escrita decorrentes da pronúncia regional, do desconhecimento da língua italiana pelos escrivães brasileiros ou do próprio estado dos registros.

É importante considerar que alguns sobrenomes podem ter sofrido modificações ao longo do tempo, seja por adaptação à língua portuguesa, por simplificação ortográfica ou por escolhas das próprias famílias ao se estabelecerem no Brasil. Assim, pequenas diferenças de grafia não excluem a possibilidade de parentesco.

Esta lista tem finalidade exclusivamente histórica e genealógica. Seu objetivo é colaborar com os descendentes e pesquisadores interessados em reconstruir trajetórias familiares, compreender o contexto da Grande Emigração Italiana e preservar a memória daqueles que deixaram sua terra natal em busca de novas oportunidades em solo brasileiro.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta