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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Sanguanel o Duende das Matas na Serra Gaúcha e o Folclore Ítalo-Gaúcho


Sanguanel o Duende das Matas na Serra Gaúcha e o Folclore Ítalo-Gaúcho


Entre as figuras mais curiosas do folclore das colônias italianas do Rio Grande do Sul, nenhuma é tão marcante quanto o Sanguanel — também chamado, em algumas regiões, de Sanguanê ou Sanguanelo. Ele faz parte do imaginário popular da Serra Gaúcha e atravessa gerações como um símbolo vivo da herança cultural ítalo-gaúcha.

O Sanguanel chegou ao Brasil junto com os imigrantes do Vêneto, especialmente da província de Treviso, a partir de 1875. Nas aldeias rurais do norte da Itália, ele já era conhecido como um pequeno ser travesso ligado às florestas, aos vinhedos e à vida camponesa. Ao encontrar as matas densas da Serra Gaúcha, essa lenda ganhou ainda mais força.

Como o Sanguanel é descrito

Na tradição oral das colônias, ele costuma ser retratado como:

• Um homenzinho muito pequeno, do tamanho de uma criança ou menor
• De cor vermelha ou vestido com roupas vermelhas vivas
• Extremamente ágil e difícil de ser visto
• Habitante das copas das árvores, principalmente araucárias e pinheiros
• Um típico “trickster”: preguiçoso, brincalhão e cheio de travessuras

O que ele faz, segundo as histórias

As narrativas mais antigas contam que o Sanguanel:

• Faz crianças se perderem no mato
• Coloca os pequenos nos galhos altos das árvores
• Assobia à noite e provoca sons estranhos
• Bagunça ferramentas, linhas de costura e objetos da roça
• Assusta animais e causa confusão nas propriedades

Apesar disso, ele não é visto como um ser maligno. Ao contrário do bicho-papão, o Sanguanel não mata nem fere de verdade. Ele assusta, ensina, pune a imprudência e protege a mata. Para muitos, é um espírito guardião da floresta.

Por que o Sanguanel ficou tão forte no RS?

Alguns fatores ajudaram a manter essa lenda viva:

• A geografia da Serra Gaúcha, com matas fechadas, vales e neblina
• O isolamento das primeiras colônias
• A forte tradição oral do talian
• O uso educativo da lenda para proteger as crianças

Até hoje, o Sanguanel aparece em contos de avós, peças de teatro comunitário, filmes regionais e até no artesanato local. Ele se tornou um dos maiores símbolos do folclore ítalo-gaúcho rural — ao lado do Massariol, seu “parente” das adegas e vinhos.

Nota do Autor

O Sanguanel não é apenas uma lenda — ele é memória viva. Ele representa o modo como nossos antepassados explicavam o desconhecido, educavam os filhos e se relacionavam com a natureza. Se você leitor já ouviu histórias do Sanguanel contadas por seus avós, nonnos ou pessoas mais velhas da família, escreva aqui nos comentários desse blog. Ao compartilhar essas lembranças, você ajuda a manter viva uma parte importante da nossa história coletiva ítalo-gaúcha.

Dr. Luiz C. B. Piazzetta