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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

A Irmã Que Ficou Para Trás: Uma História Real da Imigração Italiana


A Irmã Que Ficou Para Trás

“Pina não ficou para trás para sempre. Um dia, ela também fez as malas e partiu.”

Na manhã em que Francesco deixou Pederobba, na província de Treviso, o céu estava baixo sobre as montanhas e uma névoa fina permanecia agarrada às encostas. Era uma manhã fria, dessas em que o inverno parece querer retardar a partida de quem vai embora. Viúvo, Francesco carregava a responsabilidade pelos quatro filhos que ainda dependiam dele. No Brasil, diziam, havia trabalho e a possibilidade de começar de novo. Ele decidiu partir.
Dois filhos homens e duas filhas embarcariam com ele. A quinta filha, a mais velha das meninas, permaneceria em Pederobba. Chamava-se Giuseppina, mas dentro de casa era simplesmente Pina. Já era casada, tinha marido e dois filhos pequenos. Sua vida havia tomado outro rumo, e não fazia sentido abandonar uma família que ela própria havia constituído para acompanhar o pai.
Por isso, quando chegou a hora da partida, ninguém precisou dizer que Pina ficaria. Era uma decisão que a própria vida havia tomado.
Na véspera, ela ajudou os irmãos a separar as roupas e os poucos objetos que poderiam levar. Francesco escolheu algumas ferramentas de trabalho. Não sabia o que encontraria no Brasil, mas acreditava que suas mãos poderiam lhe garantir o sustento. Sabia trabalhar com madeira, consertar portas, fazer móveis e construir janelas. Levaria consigo aquilo que conhecia.
Pina observava o pai em silêncio. A mãe, natural do vizinho município de Segusino já havia morrido, ainda muito jovem, deixando para ela a responsabilidade de cuidar do pai e dos irmãos menores, e talvez por isso a despedida tivesse um peso ainda maior. Francesco não estava apenas deixando Pederobba; levava consigo quase toda a família que lhe restava.
Na manhã seguinte, Pina acompanhou o pai e os irmãos até a não muito distante estação de Pederobba-Cavaso.Possagno, a chamada Cavaso Molinetto, a somente 8 km de distancia, o lugar da despedida. Um dos meninos perguntou quando eles voltariam. Francesco respondeu que escreveria e mandaria notícias assim que pudesse. Pina abraçou o pai demoradamente. Depois abraçou os irmãos. Ninguém sabia que aquela despedida permaneceria na memória familiar por mais de um século.
Francesco partiu com os dois filhos e as duas filhas. Pina voltou para casa com o marido e os dois meninos.
Nos primeiros anos, as cartas atravessaram o oceano sempre que as circunstâncias permitiam. Francesco escrevia contando sobre o trabalho, as dificuldades, os filhos e a nova vida em Curitiba, no Brasil, o local escolhido para recomeçar. Pina respondia de Pederobba contando sobre o marido, as crianças e as pequenas coisas do cotidiano. Nas cartas, ela continuava sendo Pina, o nome da infância que os irmãos nunca deixaram de usar.
As cartas mantinham viva a intimidade familiar. Francesco queria saber dos netos; Pina perguntava pelo pai e pelos irmãos. Do Brasil vinham notícias sobre o trabalho e as primeiras conquistas. Da Itália, os relatos de uma vida simples que seguia seu curso.
Então veio a Grande Guerra e tudo mudou.
As comunicações foram interrompidas ou se tornaram extremamente difíceis e irregulares. Durante períodos prolongados, a família no Brasil ficou sem notícias de Pina. Quando alguma informação finalmente chegava, vinha acompanhada de relatos de escassez e dificuldades financeiras.
Pina escrevia pouco sobre suas próprias necessidades. Falava sobretudo dos filhos. No Brasil, o pai e os irmãos procuravam maneiras de ajudá-la. Nos períodos em que foi possível organizar esse tipo de assistência, enviavam pacotes de alimentos não perecíveis por meio das remessas da Cruz Vermelha.
Eram pacotes modestos, mas para Pina significavam muito mais do que comida. Eram a prova de que, apesar da guerra e da falta de notícias, seu pai e irmãos continuavam pensando nela.
A guerra terminou, mas a vida não voltou ao que era antes, Pederobba tinha sido arrasada. Logo depois, Pina e o marido que tinham migrado, com a grande maioria da população da cidade, mais ao sul para fugir dos bombardeios, tomaram uma decisão importante: emigrariam para a França com os dois filhos em busca de trabalho.
Ela não seguiria o caminho de Francesco. Não atravessaria o Atlântico. Partiria para outro país europeu, levando consigo a própria família e a esperança de encontrar melhores condições de vida.
Pouco depois da mudança, a correspondência com os parentes no Brasil começou a desaparecer. Não houve uma ruptura anunciada. Uma carta demorou a ser respondida; depois outra. Os filhos cresceram, o trabalho ocupou os dias e a nova vida exigiu adaptação. O contato foi se perdendo até desaparecer.
Pina e o marido viveram muitos anos numa cidade do interior da França. Ali criaram os filhos, trabalharam e envelheceram. A França tornou-se o lugar da família que ela havia construído, enquanto Pederobba permanecia como uma lembrança cada vez mais distante.
No Brasil, os filhos de Francesco também construíram suas vidas. Vieram casamentos, novos netos. A história de Pina passou a ser contada de maneira cada vez mais breve: a irmã que havia ficado na Itália. Depois, até essa lembrança começou a desaparecer.
Muitos anos mais tarde, um dos filhos de Pina voltou a Pederobba. Já adulto, retornava com sua própria família ao lugar onde havia nascido, talvez esperando encontrar alguma coisa da paisagem que conhecera mais pelas histórias dela. Encontrou uma cidade transformada pelo tempo. As casas haviam mudado, pessoas haviam desaparecido e as relações familiares estavam praticamente desfeitas.
Restavam alguns nomes, algumas lembranças e os documentos que o tempo não conseguira apagar.
O retorno daquele filho não recompôs a família. Chegou tarde demais para isso. Mas devolveu uma pergunta que permanecera adormecida: o que havia acontecido com os parentes que partiram?
No Brasil, décadas depois, outra geração começou a fazer a mesma pergunta.
Uma pesquisa genealógica trouxe novamente o nome de Giuseppina. Depois vieram documentos, datas e referências à França. Aos poucos, a família brasileira descobriu que a mulher lembrada apenas como “a irmã que ficou” também havia sido uma emigrante.
A diferença era que Pina partira mais tarde e para outro destino.
Francesco atravessara o oceano em busca de uma nova vida e um futuro melhor para os filhos. Pina atravessara a Europa, anos depois, procurando um futuro para o marido e os filhos. Dois caminhos diferentes, nascidos da mesma necessidade de recomeçar.
Os descendentes brasileiros começaram então a procurar os descendentes franceses. Fotografias de um lado encontraram fotografias do outro. Nomes esquecidos voltaram a ser pronunciados. Datas ganharam significado. A família que durante décadas existira em fragmentos começou a recuperar sua própria história.
E foi então que perceberam que Pina não havia simplesmente ficado para trás.
Ela havia permanecido quando Francesco partiu porque já tinha uma família para cuidar. Esperara durante os anos da guerra. Recebera ajuda do pai e dos irmãos quando a escassez apertou. Depois, quando a guerra terminou, também fizera suas malas e partira.
O que ficou para trás não foi Pina.
Foi o mundo em que Francesco e seus filhos haviam vivido juntos em Pederobba.
Foi a casa onde os irmãos cresceram.
Foi a vida anterior à partida.
Foi aquela família inteira antes que a história a espalhasse por três países.
Talvez seja essa uma das marcas mais profundas da imigração: ela não termina quando alguém chega ao novo país. Continua nas gerações seguintes, que precisam reconstruir, por fotografias, documentos e lembranças fragmentadas, aquilo que os antepassados viveram.
Francesco levou quatro filhos para o Brasil.
Pina levou marido e dois filhos para a França.
Entre uma partida e outra ficaram Pederobba, as cartas, os pacotes enviados durante a guerra e uma relação familiar que o tempo quase apagou.
Mas não completamente.
Porque algumas histórias permanecem escondidas até que alguém tenha a coragem de procurá-las.
E, quando finalmente são encontradas, já não pertencem apenas aos que partiram ou aos que ficaram.
Pertencem também aos que vieram depois.

Nota do Autor

A história contada nesta crônica é verdadeira. Os acontecimentos fundamentais — a família de Francesco, sua partida de Pederobba para o Brasil com quatro dos cinco filhos, a permanência de Giuseppina, a Pina, na Itália, sua vida ao lado do marido e dos dois filhos, os anos difíceis da Grande Guerra, a ajuda recebida da família brasileira, a posterior emigração para a França e o retorno de um de seus filhos a Pederobba — pertencem à história real dessa família.
Como acontece com tantas histórias de imigração reconstruídas muitas décadas depois, porém, nem todos os detalhes chegaram até o presente com a mesma clareza. Algumas datas, circunstâncias e episódios permanecem incompletos ou foram preservados apenas pela memória familiar. Por isso, a crônica procura respeitar aquilo que foi possível recuperar sem preencher as lacunas com acontecimentos que não podem ser comprovados.
Há também um aspecto importante para compreender a história. Pina não ficou na Itália porque tivesse sido esquecida ou abandonada pelo pai. Quando Francesco partiu para o Brasil, ela já era casada e tinha dois filhos. Sua vida familiar estava constituída em Pederobba, e permanecer ao lado do marido e das crianças era uma decisão natural dentro das circunstâncias daquele momento.
Durante os primeiros anos, a família continuou mantendo contato por cartas. A Grande Guerra, entretanto, tornou as comunicações extremamente difíceis e irregulares. Em períodos de escassez, os familiares que estavam no Brasil procuraram ajudá-la, inclusive com remessas de alimentos não perecíveis por meio de canais de assistência da Cruz Vermelha. Esses episódios ajudam a compreender que, apesar da separação provocada pela emigração e pela guerra, o vínculo entre os irmãos não desapareceu imediatamente.
Depois do fim da guerra, Pina também emigrou. Partiu para a França com o marido e os dois filhos e ali construiu uma nova etapa de sua vida. A partir dessa mudança, a comunicação com a família brasileira acabou cessando. O que aconteceu exatamente em todos os anos seguintes ainda não pôde ser reconstruído por completo. É justamente uma das lacunas que tornam a pesquisa genealógica tão importante: muitas vezes, os documentos revelam apenas fragmentos de uma trajetória que um dia foi conhecida por todos.
Décadas mais tarde, o retorno de um dos filhos de Pina a Pederobba e, posteriormente, as pesquisas realizadas pelos descendentes brasileiros permitiram recuperar novamente parte dessa história. Nomes, lugares, documentos e lembranças começaram a se juntar, revelando que aquela mulher conhecida durante muito tempo apenas como “a irmã que ficou” também havia sido uma emigrante.
Por isso, esta não é uma história inventada para representar uma família italiana. É a tentativa de preservar uma história familiar verdadeira, ainda que incompleta. E talvez seja justamente essa incompletude que a torne tão humana. A imigração deixou milhões de histórias espalhadas por países diferentes, muitas delas sem fotografias suficientes, sem cartas preservadas e sem alguém que pudesse contar todos os detalhes. Recuperar o que ainda existe — e reconhecer honestamente aquilo que permanece desconhecido — é também uma forma de respeitar aqueles que partiram.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



quinta-feira, 9 de julho de 2026

Relação dos Imigrantes Italianos que Partiram de Gênova para Santa Catarina em 12 de Fevereiro de 1878


 

Vapor Colombo

Relação dos Imigrantes Italianos que Partiram de Gênova para Santa Catarina

 em 12 de Fevereiro de 1878


NOME
IDADE
LOCAL DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
DERETTI Luigi
DERETTI Giovanni
DERETTI Rosa
44
13
9 
BERGAMO
"
"
Itália
"
"
Agricultor
"
"
Catolico
"
"
LAZZARI Giovanni
LAZZARI Lucia
LAZZARI Pierine
LAZZARI Paolo
LAZZARI Giocondo
39
34
8
5
3
"
"
"
"
"
"
"
"
DERETTI Angelo
DERETTI Pierina
DERETTI Rosa
DERETTI Francesco
DERETTI Luigia
DERETTI Giocondo
DERETTI Maria
35
32
9
6
3
2
0,2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
DERETTI  Andrea
DERETTI Lucia
DERETTI Mattia
DERETTI Teresa
69
66
24
19
"
"
"
"
"
"
"
DERETTI Santo
DERETTI Angela
DERETTI Anna
DERETTI Luigia
DERETTI Angelo
35
30
7
4
2
"
"
"
"
"
"
"
"
MORBIS Giovanni
MORBIS Serafina
MORBIS Luigia
MORBIS Rosa
MORBIS Giuseppe
35
33
7
5
3
"
"
"
"
"
"
"
"
PEZZONI Giuseppe
PEZZONI Maria 
PEZZONI Enrico
43
40
7
"
"
"
"
"
"
DERETTI Battista
DERETTI Elisabetta
DERETTI Angela 
DERETTI Antonia
32
30
4
2
"
"
"
"
"
"
"
DERETTI Giovanni
DERETTI Antonia
DERETTI Maria
DERETTI Anna
33
30
7
3
"
"
"
"
"
"
"
ROBERTI Pietro
ROBERTI Teresa
ROBERTI Giacomo
ROBERTI Giulia
47
42
11 (?)
7
MANTOVA
"
"
"
"
"
"
SACCANI Secondo
SACCANI Caterina
SACCANI Rosa
SACCANI Angela
SACCANI Antonio
SACCANI Luigia
45
38
17
14
9
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
MAFFEZZOLI Lodovico
MAFFEZZOLI Serafina
MAFFEZZOLI Calisto
MAFFEZZOLI Teresa
MAFFEZZOLI Giovanni
MAFFEZZOLI Rosa
MAFFEZZOLI Santa
MAFFEZZOLI Angelo
44
43
34
33
9
6
4
1
MANTOVA
"
"
"
"
"
"
"
Italia"
"
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
"
"
CERATI Giulio
CERATI Elisabetta
CERATI Antonio
CERATI Angelo
CERATI Pietro
39
48
36
11
10
"
"
"
"
"
"
"
"
SABADINI Giulio
SABADINI Luigia
SABADINI Luigi
43
49
13
"
"
"
"
"
"
ROSSI Rosa
ROSSI Giuseppe
ROSSI Maria
ROSSI Emilia
ROSSI Pietro
58
29
29
18
15
"
"
"
"
"
"
"
"
BERTELLI Felice
BERTELLI Orsola
BERTELLI Elvira
BERTELLI Primitiva
BERTELLI Leonida
BERTELLIAntonio
BERTELLI Ermogine
41
45
11
9
7
3
0,7
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
RASORI Orsola
RASORI Benvenuto
58
26
"
"
"
"
"
CAVALLI Antonio
CAVALLI Carolina
32
29
"
"
"
"
"
BOZZEDA Antonio
BOZZEDA Maria
BOZZEDA Marco
52
47
4
"
"
"
"
"
"
PANINI Clemente
PANINI Onofria
33(?)
20
"
"
"
"
"
ARALDI Giovanni
ARALDI Margherita
ARALDI Giseppe
ARALDI Maria
ARALDI Maria
ARALDI Pietro

45
44
18
13
9
6
"
"
"
"
"
"
"
"
"
GUAITOLINI Santo
GUAITOLINI Luigi
GUAITOLINI Ersilio
46
12
11
"
"
"
"
"
"
BIZZARI Ermenegildo
BIZZARI Margherita
BIZZARI Rosa
BIZZARI Giovanni
41
35
9
5
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
CONTESINI Giuseppe
CONTESINI Toscana
CONTESINI Colomba
CONTESINI Federico
CONTESINI Carolina
32
32
8
5
1.3
MANTOVA
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
BORINI Giacomo
BORINI Santa
BORINI Grazia
BORINI Maria
BORINI Alessandra
BORINI Alessandro
39
31
11
9
8
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
SANTINELLI Luigi
SANTINELLI Giovanna
SANTINELLI Catterina
SANTINELLI Angelo
SANTINELLI Francesco
SANTINELLI Agostino
41
40
11
9
5
3
BERGAMO
"
"
"
"
"
"
"
"
FINAZZI Giuseppe
FINAZZI Luigi
FINAZZI Giuseppe
48
12 (?)
8
"
"
"
"
"
"
FINAZZI Andrea
FINAZZI Angela
FINAZZI Angelo
36
34
1.4
"
"
"
"
"
"
BETTONI Angelo
BETTONI Francesca
BETTONI Giacomo
BETTONI Giovanni
55
50
24
21
"
"
"
"
"
"
"
VEGINI Antonio
VEGINI Antonia
VEGINI Luigi
VEGINI Davide
VEGINI Maria
41
40
21
3
0.5
"
"
"
"
"
"
"
"
VOLPI Giovanni
VOLPI Teresa
VOLPI Valentino
VOLPI Angelo
VOLPI Marietta
VOLPI Maria
30
28
27
22
2
0.2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
BERZI Giacomo
BERZI Catterina
43
40
"
"
"
"
"
TIRONI Anna
TIRONI Abramo
TIRONO Barbara
66
24
22
"
"
"
"
"
"
TIRONI Angelo
TIRONI Teresa
30
24
"
"
"
"
"
RIVELLINI Maria
RIVELLINI Catterina
RIVELLINI Colomba
RIVELLINI Augusta
RIVELLINI Beatrice
57
24
19
17
14
"
"
 "
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
TIRONI Luigi
TIRONI Caterina
TIRONI Maria
TIRONI Francesco
TIRONI Pasquale
TIRONI Giovanni
33
30
13
8
6
0.2
BERGAMO
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
RANGHETTI Carlo
RANGHETTI Angela
RANGHETTI Giuseppe
RANGHETTI Francesco
RANGHETTI Gio Batta
RANGHETTI Giuseppe
49
44
14
13
11
10
"
"
"
"
"
"
"
"
"
BRUGNOLI Pietro
BRUGNOLI tERESA
BRUGNOLI Angelo
BRUGNOLI Luigi
BRUGNOLI Luigi
47
38
9
5
1
CREMONA
"
"
"
"
"
"
"
POLLINI Pietro
POLLINI Domenica
33
28
"
"
"
"
"
MARCHI Luigi
MARCHI Maria
MARCHI Francesco
MARCHI Aristide
MARCHI Giuseppe
38
35
13
10
1
"
"
"
"
"
"
"
"
TIUTI Francesco
TIUTI Maria
TIUTI Angelo
TIUTI Colomba
47
42
16
14
"
"
"
"
"
"
"
TAMBONI Maria
TAMBONI Francesco
TAMBONI Maria
TAMBONI Amilcare
TAMBONI Eurosia
TAMBONI Alessandro
TAMBONI Maria
44
35
35
8
7
5
2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
VITTI Luigi
VITTI Carlo
VITTI Rosa
VITTI Andrea
VITTI Luigi
VITTI Maria
VITTI Maria
VITTI Teresa
VITTI Giovanni
38 (?)
43
35
30
13
11
6
3
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
VIGNOLO Natale
VIGNOLO Rosa
VIGNOLO Maria
40
35
6
"
"
"
"
"
"
MORO Natale
MORO Orsola
MORO Teresa
33
31
2
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
FOSSA Carlo
FOSSA Rosa
FOSSA Angelo
FOSSA Aristide
FOSSA Clementina
46
44
35
21
17
CREMONA
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
FANTONI Daniele
FANTONI Barbara
FANTONI Pietro
FANTONI Carlotta
FANTONI Maria
FANTONI Regina
FANTONI Giuseppe
56
50
24
18
15
10
5
VERONA
"
"
"
"
"
"
"
"
"
ROMAGNANI Angelo
ROMAGNANI Angela
ROMAGNANI Guerino
ROMAGNANI Lucia
ROMAGNANI Maria
40
40
13
11
7
"
"
"
"
"
"
"
"
CAVEDINI 
CAVEDINI
CAVEDINI
CAVEDINI
CAVEDINI
CAVEDINI
CAVEDINI
61
33
32
29
7
5
2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
ERBANO Giulio
ERBANO Francesco
ERBANO Elias
ERBANO Maria
ERBANO Gioachino
ERBANO Luigi
31
42
26
4
2
0.2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
MARCONCINI Antonio
MARCONCINI Maria
MARCONCINI Anna
MARCONCINI Riccardo
MARCONCINI Pasqua
MARCONCINI Luigi
45
38
16
14
12
5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
DALCERÈ Bernardo
DALCERÈ Caterina
DALCERÈ Angela
32
37
4
"
"
"
"
"
"
PISA Antonio
PISA Domenica
PISA Giosafat
PISA Elisabetta
PISA Domenico
PISA Luciano
PISA Teresa
52
44
20
15
12
8
5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
GARDINI Giovito
GARDINI Regina
GARDINI Angelo
GARDINI Annunciato
32
26
2
1
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
MARCON Gio Batta
MARCON Caterina
MARCON Maria
MARCON Rosa
MARCON Angela
56
55
22
18
15
VICENZA
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
MIRINI Giuseppe
MIRINI Stella
MIRINI Andrenna
MIRINI Antonio
MIRINI Ernesta
MIRINI Rosa
43
45
16
14
8
6
MANTOVA
"
"
"
"
"
"
"
"
AZZI Pietro
AZZI Teresa
AZZI Francesco
AZZI Roberto
AZZI Luigi
40
30
8
4
2
"
"
"
"
"
"
"
"
FORMICI Ernesto
FORMICI Carolina
FORMICI Demetrio
FORMICIAdalgisa
FORMICI Maria
FORMICI Dierce
30
27
5
4
2
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
AVOZANI Carlo
AVOZANI Candida
AVOZANI Onorata
AVOZANI Teresa
31
25
3
0.5
"
"
"
"
"
"
"
VECCHI Carlo
VECCHI Rosa
VECCHI Mansueto
VECCHI Felice
39
36
11
2
"
"
"
"
"
"
"
ARFINI Paolo
ARFINI Costantina
ARFINI Pietro
ARFINI Antonio
42
36
13
1
"
"
"
"
"
"
"
COPPI Pompeo
COPPI Carolina
COPPI Lorenzo
COPPI Maria
40
37 (?)
7
5
"
"
"
"
"
"
"
BELLINI Angelo
BELLINI Carolina
BELLINI Santo
27
26
3
"
"
"
"
"
"
VIGNOLI Carlo
VIGNOLI Angela
VIGNOLI Filomena
VIGNOLI Adolfo
27
26
2
0.4
"
"
"
"
"
"
"
ROSSINI Angela
ROSSINI Angelo
ROSSINI Maria
ROSSINI Antonio
ROSSINI Carolina
39
16
14
10
9
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
NOLLI Sante
NOLLI Rosa
NOLLI Cesare
NOLLI Leonardo
NOLLI Celso
NOLLI Giovanni
NOLLI Nicolo (?)
38
47
13
10
8
5
2
MANTOVA
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
BIANCHI Antonio
BIANCHI Luigia
BIANCHI Luigi
BIANCHI Giuseppe
28
2(?)
3
1
"
"
"
"
"
"
"
GUALTIERI Giovanni
GUALTIERI Regina
26
28
"
"
"
"
"
VISENTIN Pietro
VISENTIN Giuseppe
VISENTIN Maria
VISENTIN Angelo
58
30
22
1
VICENZA
"
"
"
"
"
"
"
VALLE Florindo
VALLE Giuseppe
35
9
"
"
"
"
"
RIGO Marco
RIGO Oliva
RIGO Giovanni
34
36
5
"
"
"
"
"
"
NOVELETTO Maria
NOVELETTO Stanislao
NOVELETTO Dionisia
45
17
14
"
"
"
"
"
"
ZONTA Andrea
ZONTA Lucia
ZONTA Prosdocimo
ZONTA Luigi
ZONTA Remigio
ZONTA Maria
ZONTA Regina
43
37
15
12
8
3
0.9
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
FACCO Francesco
FACCO Maria
FACCO Luigi
FACCO Giovanni
FACCO Maria
FACCO Giuseppe
52
46
10
8
4
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
MACCAN Giuseppe
MACCAN Giovanna
52
30
"
"
"
"
"
CIPRIAN Fortunato
CIPRIAN Elisabetta
CIPRIAN Giacomo
CIPRIAN Maria
CIPRIAN Francesco
CIPRIAN Girolamo
CIPRIAN Daniele
CIPRIAN Maria
CIPRIAN Teresa
CIPRIAN Giovanni
51
47
29
31
26
21
13
10
6
3
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
 "
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
VALLE Pietro
VALLE Maria
VALLE Angelo
VALLE Pietro
VALLE Luigia
VALLE Marta
VALLE Luigi
VALLE Maria
VALLE Regina
VALLE Giovanni
VALLE Pia
50
42
48
26
25
17
15
12
10
5
0.10
VICENZA
"
"
"
"
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
"
"
'
TESSAROLO Paolo
TESSAROLO Chiara
TESSAROLO Giovanni
TESSAROLO Elisabetta
TESSAROLO Angelo
TESSAROLO Chiara
TESSAROLO Teresa
TESSAROLO Marietta
TESSAROLO Paola
TESSAROLO Raimondo
61
58
32
28
10
8
4
4
2
0.3
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
MENEGHETTI Innocente
MENEGHETTI Luigia
MENEGHETTI Giuseppe
30
29
1
"
"
"
"
"
"
PAVANELLO Andrea
PAVANELLO Angela
PAVANELLO Euresia
PAVANELLO Luigi
PAVANELLO Domenica
39
41
17
7
5
"
"
"
"
"
"
"
"
BAGGIO Domenica
BAGGIO Antonio
BAGGIO Giovanna
BAGGIO Giacomo
44
14
11
7
"
"
"
"
"
"
"
CHIMINELLO Antonio 
CHIMINELLO Maddalena
CHIMINELLE Filippo
CHIMINELLE Olivio
37
30
2
0.5
"
 "

"
"
"
"
"
ZAGO Silvestro
ZAGO Benedetta
ZAGO Gio Batta
ZAGO Regina
ZAGO Emilia
ZAGO Angelo
ZAGO Modesta
ZAGO Aurelia
ZAGO Veneranda
ZAGO Verginia
55
53
24
24
22
16
13
11
9
5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
NICOLI Giovanni
NICOLI Lucia
NICOLI Maria
37
32
30
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
COLVERO Antonio
COLVERO Domenica
COLVERO Teresa
COLVERO Giovanni
COLVERO Maria
COLVERO Francesco
39
37
12
10
4
1
TREVISO
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
BORTOLOTTO Francesco
BORTOLOTTO Filomena
BORTOLOTTO Giovanni
BORTOLOTTO Olivia
BORTOLOTTO Maria
BORTOLOTTO Antonio
BORTOLOTTO Petrolina
BORTOLOTTO Luigi
44
38
16
9
8
6
4
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
DALMAS Sebastiano
DALMAS Maria
DALMAS Elisabetta
DALMAS Angelo
DALMAS Vittorio
53
48
20
14
10
"
"
"
"
"
"
"
"
CODEN Paolo
CODEN Angelo
CODEN Maria
CODEN Maria
58
30
24
2
"
"
"
"
"
"
"
TRONCO Angelo
TRONCO Teresa
TRONCO Rosa
TRONCO Cristina
TRONCO Giuseppe
46
47
18
14
6
"
"
"
"
"
"
"
"
ROSSO Luigi
ROSSO Caterina
ROSSO Giovanni
ROSSO Giuditta
ROSSO Giuliana
ROSSO Giuseppe
ROSSO Bonaventura
ROSSO Paolo
44
38
11
10
7
5
3
0.2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
CELEPRIN Pietro
CELEPRIN Teresa
CELEPRIN Giovanni
CELEPRIN Lucia
CELEPRIN Giacomo
CELEPRIN Lucia
35
31
8
5
3
0.5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
DALCOL Antonio
DALCOL Maria
DALCOL Celeste
DALCOL Angelo
DALCOL Giovanni
DALCOL Zaccaria
DALCOL Luigia
DALCOL Luigi
45
40
19
11
10
8
6
2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
RUI Giovanni
RUI Pasqua
RUI Teresa
RUI Maria
RUI Francesco
RUI Giovanni
RUI Augusta
29
26
3
2
0.1
46
31
TREVISO
"
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
"
"
VILLANOVA Angelo
VILLANOVA Austacchio
VILLANOVA Celestina
VILLANOVA Antonio
VILLANOVA Giovanni
VILLANOVA Mario
VILLANOVA Maria
VILLANOVA Giuseppe
VILLANOVA Rosa
71
46
18
14
11
10
7
5
3
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
SANDRE Anna
SANDRE Gio.Batta
SANDRE Giacomo
SANDRE Teodolinda
61
38
30
7
"
"
"
"
"
"
"
BOTTEGA Francesco
BOTTEGA Maria
BOTTEGA Gio.Batta
BOTTEGA Lorenzo
BOTTEGA Angelo
BOTTEGA Giovanna
51
35
12
8
6
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
BOTTEGA Giovanni
BOTTEGA Maria
BOTTEGA Antonio
BOTTEGA Augusta
BOTTEGA Maria
BOTTEGA Giacinto
BOTTEGA Albina
38
36
14
11
7
4
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
CATTELLAN Michele
CATTELLAN Antonia
CATTELLAN Maria
CATTELLAN Luigi
CETTELLAN Augusta
CATTELLAN Giacomo
43
36
14
12
7
5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
BOS Giuseppe
BOS Anna
BOS Giovanni
BOS Francesco
BOS Luigi
50
54
24
16
13
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
BASSO Giovanni
BASSO Maria
BASSO Agostino
BASSO Americo
43
40
13
11
TREVISO
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
BASSO Luigi
BASSO Maria
BASSO Antonio
BASSO Fausto
BASSO Eugenio
30
30
6
4
1
"
"
"
"
"
"
"
"
VIERA Marco
VIERA Maria
VIERA Antonio
VIERA Giuditta
VIERA Maddalena
VIERA More (?)
48
40
13
11
8
6
"
"
"
"
"
"
"
"
"
VIERA Giulio
VIERA Marina
VIERA Giuseppe
VIERA Santa
VIERA Giovanni
VIERA Giuseppina
VIERA Adamo
VIERA Eva
43
31
10
9
8
6
5
3
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
PADOIN Giacomo
PADOIN Maddalena
PADOIN Giosuè
PADOIN Giovanna
PADOIN Stanislao
PADOIN Giuditta
PADOIN Giustina
54
61
26
22
16
8
8
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
AVANZINI Giuseppe
AVANZINI Carolina
AVANZINI Giuseppe
AVANZINI Carlo
AVANZINI Emilia
AVANZINI Santa
AVANZINI Gio.Batta
AVANZINI Alessandro
AVANZINI Maria
AVANZINI Carlo
47
42
45
43
20
15
10
8
4
2
MANTOVA
"
"
"
"
"
"
"

"
"
"
"
"
CIMARDI Giuseppe
CIMARDI Maria
CIMARDI Pietro
CIMARDI Caterina
CIMARDI Roma
35
30
10
4
2
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
CAMPAGNOLO Antonio
CAMPAGNOLO Maria
CAMPAGNOLO Carolina
CAMPAGNOLO Verginio
CAMPAGNOLO Pino
30
32
7
5
3
MATOVA
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
CERATI Antonio
CERATI Teresa
CERATI Francesco
CERATI Rosa
36
9
7
0.4
"
"
"
"
"
"
"
GIUNGO Eugenio
GIUNGO Arcangelo
GIUNGO Elvira
GIUNGO Attilio
39
38
27
8
TRENTO
"
"
"
Austria
"
"
"
"
"
DALPAS Michele
DALPAS Maddalena
DALPAS Amalia
DALPAS Emmanuele
DALPAS Teresa
DALPAS Adele
50
43
21
19
17
10
"
"
"
"
"
"
"
"
"
WEBBER Giovanni
WEBBER Elisabetta
WEBBER Addolorata
WEBBER Fiorina
WEBBER Luigi
WEBBER Antonio
54
38
15
12
10
7
"
"
"
"
"
"
"
"
"
CASTELLANI Giuseppe
CASTELLANI Giuliano
CASTELLANI Caterina
CASTELLANI Pietro
61
46
36
26
MANTOVA
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"

Nota do Autor

Cada nome inscrito nesta relação é mais do que um vestígio de papel amarelado pelo tempo. É um pulsar de vida que se acelerou ao ver, pela última vez, o contorno da costa de Gênova. É uma bagagem modesta, carregada não de objetos, mas de silêncios, despedidas e promessas. Ao reunir e divulgar a lista dos imigrantes italianos que zarparam rumo a Santa Catarina em fevereiro de 1878, sinto que não organizo dados — acompanho existências suspensas entre o que foi e o que ainda não era.

Eram homens e mulheres que deixaram para trás vilas de pedra, parreirais, montanhas e túmulos de antepassados para enfrentar o abismo do desconhecido. Do outro lado do oceano não havia certezas. Havia apenas a urgência. A fome, a pobreza e a ausência de horizonte já não permitiam ficar. O Brasil não era apenas um lugar no mapa: era uma chance de recomeço.

Escrever sobre eles é, para mim, um gesto de reverência. É devolver humanidade a quem a história, tantas vezes, reduziu a estatísticas. É recordar que o Brasil — e especialmente Santa Catarina — foi moldado por mãos calejadas, por vozes marcadas por sotaques, por corações que aprenderam a amar uma terra estranha até que ela se tornasse lar.

Se estas linhas alcançarem alguém que reconheça um sobrenome, uma origem, uma memória de família, então este trabalho cumpriu seu sentido. Porque a memória não é passado inerte. É raiz viva. E nenhuma árvore permanece de pé sem suas raízes.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta