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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Navio Pacíiica (1889): Imigrantes Italianos Desembarcados no Rio de Janeiro com Destino a São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná

 


Navio Pacifica (1889): Imigrantes Italianos Desembarcados no Rio de Janeiro com Destino a São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná

Introdução 

O desembarque de imigrantes italianos no Brasil, no final do século XIX, foi um dos movimentos migratórios mais significativos da história nacional. A lista de passageiros do Navio Pacífica, que chegou ao Porto do Rio de Janeiro em 24 de março de 1889, registra famílias inteiras, profissões, idades e, sobretudo, os destinos finais desses imigrantes — como São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Porto Alegre, Volta Redonda e outras localidades. Este documento é uma fonte primária essencial para estudos históricos, regionais e genealógicos.

Contexto Histórico da Imigração Italiana em 1889

Em 1889, o Brasil vivia um momento decisivo de transição econômica e política. A expansão do café, a necessidade de mão de obra livre e o incentivo estatal à imigração europeia levaram milhares de italianos a cruzarem o Atlântico. O Porto do Rio de Janeiro era uma das principais portas de entrada, de onde os imigrantes seguiam para colônias agrícolas, fazendas e centros urbanos em formação.

Importância do Destino dos Imigrantes

O campo “destino” presente nos registros não é apenas administrativo. Ele revela:

  • As rotas internas da imigração italiana;

  • A formação de núcleos coloniais e comunidades familiares;

  • A ocupação econômica regional (agricultura, ofícios artesanais, operariado);

  • A dispersão ou concentração de determinados sobrenomes italianos no Brasil.

Para descendentes e pesquisadores, o destino é muitas vezes a chave para localizar registros civis, paroquiais e de terras.

Lista de Passageiros Italianos do Navio Pacífica

Desembarque no Porto do Rio de Janeiro em 24 de março de 1889

Pegorari – Achille; Ernesto; Eurico → Destino: São Paulo

Bosi – Luigi; Maddalena; Carlo → Destino: São Paulo

Gianfre – Italo; Tereza; Romeo; Bradamante; Binaldo → Destino: São Paulo

Pedrazzi – Cirillo; Antonia; Tereza → Destino: São Paulo

Francescon – Domenico; T. Carolina; Girolamo; Giuditta; Roza → Destino: São Paulo

Marchetto – Giovani; Lucia → Destino: São Paulo

Boscato – Bortolo; Luigia; Elisa; Pierina; Angelo; Roza; Agostino; Carlo; Cecilia → Destino: Volta Redonda

Sambin – Massimiliano; Modesto; Maria; Angela; Romana; Luigia → Destino: São Paulo

Cavalletto – Antonio; Elisa; Romano; Artura; Adele; Zaira; Beatrice; Agostino → Destino: São Paulo

Timbolato – Antonia; Luigi; Agata → Destino: São Paulo

Bulliani – Valentino; Roza; Catterina; Maria; Pietro; Angela;

Osvaldo → Destino: São Paulo

Luccon – Vincenzo; Luigia; Angelo; Maria; Gino → Destino: São Paulo

Fachini – Piertro; Luigia; Presidio → Destino: São Paulo

Bordignon – Iginno; Augusto → Destino: São Paulo

Sarai – Pietro → Destino: São Paulo

De Zotte – Po--te → Destino: São Paulo

Finelli – Camillo → Destino: São Paulo

Migli – Luigi → Destino: São Paulo

Canni – Giuseppe → Destino: São Paulo

Lingossi – Attilia → Destino: São Paulo

Palladini – Giuseppe; Maria; Paolo; Pasqua; Stefano; Antonio → Destino: São Paulo

Dal Bello – Beniamino → Destino: São Paulo


Conte Augusto – Giusto; Roza; Luigia Regina; Maria Tereza; Virgilio Vittorio → Destino: Porto Alegre

Conte Valentino – Geremias; Antonia; Felice → Destino: Porto Alegre

Conte Gremia – Fu Valentino; Maria Tereza; Antonio; Martino → Destino: Porto Alegre


Pasquinoli – Giuseppe; Margheritta → Destino: Porto Alegre

Andorni – Anna → Destino: Porto Alegre

Guglielmoni – Tereza; Pasqualini Paolo; Roza; Maria; Alessandro; Carlotta → Destino: Porto Alegre

Sardi – Luigi; Giuseppe → Destino: Porto Alegre

Brunelli – Vincenzo; Laura → Destino: Porto Alegre

Bossoni – Bazilio → Destino: Porto Alegre

Trevisan – Benedetto → Destino: Porto Alegre

Da Pieve – Giacomo; Giovani → Destino: Porto Alegre

Chiandit – Maria → Destino: Porto Alegre

Barana – Gaetano → Destino: Porto Alegre

Pozei – Giacomo; Battista; Giuseppina → Destino: Porto Alegre

Marini – Giovani; Francisca; Catterina; Angela → Destino: Porto Alegre

Sampri – Guadencio; Santina; Clementina; Santino; Novello → Destino: Porto Alegre

Ardigoni – Adeodato → Destino: Porto Alegre

Allerghini – Vincenzo → Destino: Porto Alegre

Francheschini – Amadio → Destino: Porto Alegre

Constantin – Domenico; Geovanni → Destino: Porto Alegre

Del Mistro – Giacinto → Destino: Porto Alegre

Marintti – Antonio → Destino: Porto Alegre


Crossio – Andrea; Carolina; Ferdinando; Antonia → Destino: Parahibina

Maisone – Carlo; Maria (38); Giuseppe; Tereza; Andrea; Maria (5) → Destino: Parahibina

Giaretta – Pietro; Clara; Luigi → Destino: Parahibina

Cavallotte – Giuseppe; Maria → Destino: Parahibina


Brugneza – Giuseppe; Marina; Angelo; Eugenio; Umberto → Destino: Porto Alegre

Bisuti – Onorio; Roza; Maria; Carmella; Vittorio → Destino: Porto Alegre

Vicceli – Victore; Maria Maddalena; Geivanna; Pasqua;

Agnese; Pietro; Ernesto; Maria Tereza; Antonio; Tereza; Maria → Destino: Porto Alegre

Torre Rocco – fu Pietro; Giulia; Giuseppa; Luigi → Destino: Porto Alegre

Malosso – Antonio; Giovanna; Giovanni; Giuseppe → Destino: Porto Alegre

Zanelli – Gio Tereza → Destino: Porto Alegre

Marcasini – Angelo; Bussalari Isabella; Leone; Pietro → Destino: Porto Alegre

Orsina – Lorenzo; Roza; Giuseppe; Battista; Giovani; Marianna → Destino: Porto Alegre

Daghetti – Luigi; Tereza; Palma → Destino: Porto Alegre

Valle – Francesco → Destino: Porto Alegre

De Bastiani – Giacoma; Bazilio; Madalena; Catterina →

 Destino: Porto Alegre

Deotti – Angelo; Tereza; Giuseppe; Giacomo; Rozalinda; Paolo; Eurico; Giovanna; Maria → Destino: Porto Alegre

Silvani – Carlo; Lauri Maria; Sante; Virginia → Destino: Porto Alegre

Cavagnoli – Orsola → Destino: Porto Alegre

Fassini – Francesco; Catterina; Antonio; Pasqua; Paolo → Destino: Porto Alegre

Grazioli – Giacomo; Giovanna; Lucia; Angelo; Gio Andrea; Angela; Virginia → Destino: Porto Alegre

Viammini – Gaspare; Vittoria; Maria; Surandio; Ghilandi Alessio; Angela → Destino: Porto Alegre

Schiavini – Raffaele; Maria; Armelina; Giovani → Destino: Porto Alegre

Tirelli – Francesco; Branca; Giuseppe; Santa Roza; Emilio; Monica; Pietro; Lucia → Destino: Porto Alegre

Severgnini – Agostino; Giuliana; Giuseppe; Bartolomeo; Carmela; Francesco → Destino: Porto Alegre


Bonato – Giuseppe → Destino: Paraná

Pelot Sacchin – Maria → Destino: Vitória

Roveran – Maria; Parolo Giovano; Giuseppina; Emilia; Constantin Desiderio → Destino: Macacas

Principais Destinos Identificados

A análise da lista revela forte concentração de imigrantes com destino a:

  • São Paulo – agricultura, ofícios e colonização rural

  • Porto Alegre e interior do Rio Grande do Sul – núcleos coloniais

  • Paraná – expansão agrícola

  • Volta Redonda, Macacas, Vitória, Parahibina – trabalho regional e deslocamentos específicos

Esses destinos ajudam a explicar a presença histórica de muitos sobrenomes italianos nessas regiões até os dias atuais.

Valor Genealógico e Histórico do Registro

Listas nominativas como esta permitem:

  • Reconstruir linhagens familiares;

  • Confirmar datas de chegada ao Brasil;

  • Identificar parentescos, profissões e deslocamentos;

  • Cruzar dados com registros civis, eclesiásticos e cartoriais.

São documentos que transformam números em histórias humanas.

Conclusão 

A lista de imigrantes italianos do Navio Pacífica (1889) é um testemunho direto da formação do Brasil moderno. Cada nome registrado representa uma história de deslocamento, trabalho e adaptação. Ao destacar os destinos finais, este documento ganha ainda mais relevância, pois conecta o porto de chegada às regiões onde esses imigrantes efetivamente construíram suas vidas. Preservar, organizar e publicar esses registros é essencial para manter viva a memória da imigração italiana no Brasil.

Nota do Autor

Publicar listas de passageiros de navios de imigração italiana é um ato de preservação histórica e respeito à memória coletiva. Muitos descendentes desconhecem quando, como e para onde seus antepassados chegaram ao Brasil. Ao tornar esses documentos acessíveis, busca-se apoiar pesquisas genealógicas, valorizar a história regional e reconhecer o papel fundamental dos imigrantes italianos na construção econômica, social e cultural do país.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



sábado, 13 de dezembro de 2025

Sobrenomes Italianos do Alto Uruguai e Suas Origens nas Regiões da Itália



Sobrenomes Italianos da Região do Alto Uruguai e Suas Origens nas Regiões da Itália


AITA – GEMONA UD
BAGGIO – VILLARASPA VI
BALDISSERA – GEMONA UD
BANDIERA – RIESE PIO X TV
BARBIERI – DUEVILLE VI
BARICHELLO – LOREGGIA PD
BATTISTELLA – SCHIAVON TV
BEAL – BELLUNO
BENINCÀ – CORNUDA TV
BERTOLDO – FERRARA – MONTE BALDO VR
BEVILAQUA – BUSCO TV
BINOTTO – DUEVILLE VI
BISOGNIN – LONIGO VI
BOIANI – SAN BENEDETTO PÒ MN
BONATTO – TV
BORDIGNON – VEDELAGO TV
BORTOLAZZO – QUINTO VICENTINO VI
BOTTEGA – REFRONTOLO TV / CARBONERA TV
BRAGAGNOLLO - S. MARTIN DEI LUPARI PD
BRESOLIN – CAVAZZO DEL TOMBA TV / PEDEROBBA TV
BRIZOTTO – PRATA PN
BRONDANI – GEMONA UD
BUSANELLO – CESSALTO TV
BUSANELLO – MOTTA DI LIVENZA TV
BUSATO – FONGARA VI
BUSETTO – CALDOGNO VI
BUSNELLO – PEDEROBBA TV
CAPPELLETTO – VR
CARLESSO – MAROSTICA
CARLOTTO – BUZZOLLO VI / SELVA DI TREVISO TV
CASARIN – LOREGGIA PD
CASSOL – LIBANO BL
CELLA – CAVALIER TV
CERETTA – MONTICELLO CONTE OTTO VI
CERVI – MELETOLE REGGIO EMILIA
CERVO – PÒSINA VI
COMASSETO – PEDEROBBA TV
COPETTI – GEMONA UD
DAL LAGO – VERONA
DALCIN – VITTORIO VENETO TV
DALLACOSTA – ENEGO VI
DALMASO – VEGLIA – VITTORIO VENETO
DALMOLIN – LIBANO BL
DANESI – RODIGO MN
DE MARCO – TÈRMINE DI CADORE BL
DE DAVID – SEDICO BL
FILIPPETTO – TAMAI PN
FIORAVANTE – MONTEBELLUNA TV
FIORENTIN – PEDEROBBA TV
FRESCURA – MALVENA VI
GIACCOMINI – CHIARANO TV
GIRARDELLO – BREGANZE VI / VALLÀ TV
GOLIN – NAGHERELLO TV
GUARIENTI – RALLO TN
LAZZARI – TRISSINO VALDOGNO VI / BERGAMO BG
LAZZARINI – COGOZZO MN
LAZZAROTTO – VALSTAGNA VI
LORENZI – VALDASTICO VI
LORENZONI – MAROSTICA VI
LUNARDELLI – MANSUÈ TV
MAGNABOSCO – ZEVIO VR / COLOGNA VENETA VR
MANTOVANI – CICUGNAGO MN
MARCHESAN - CASTELFRENCO TV
MARCON – DUEVILLE VI
MASSIGNAN – MONTECCHIO MAGGIORE VI
MAZZONETTO – ROVARÈ TV / CAMPOSAMPIERO PD
MENEGHEL – PRATA UD
MIOSO – SAN GREGORIO VR
MORETTO – TAMBOLO PD
MORO – PRATA PN
MUNARETTO - VI
NARDI – FERRARA MN
PAGLIARINI – BOVOLONE VR
PASELLO – VILLA BARTOLOMEA VR
PASINATO – CITTADELLA PD / RESANA TV
PASSUELLO – S. GIACOMO – LUSIANA VI
PAVAN – TREViGNANO TV
PECCIN – PRATA PN
PEGORARO – ROSSANO VENETO VI
PESSUTTI – PORDENONE PN 
PIAZZETTA – PEDEROBBA TV
PICCOLI - PEDEROBBA TV
PIGATTO – ALCIGNANO VI
PIOVESAN – S. CRISTINA TV
PIVETTA – TAMAI PN
PIVOTTO – VI
POLLASTRI – MEDOLLA MO
POZZOBON – CAVASAGRA TV
POZZOBON – SAN MARTINO TV
PUTTON – PEDEROBBA TV
RIGON – ALBAREDO D´ADIGE VR
ROSA – MANIAGO UD
ROSSATTO – MUZZOLON VI
ROSSO – MANSUÈ TV
ROSTIROLA – PEDEROBBA TV
SANDRI – VI
SARTORI – SCHIO e GRANCONA VI / PRAVISDOMINI TV / PIAZZOLLA SUL BRENTA
SCARIOT – UDINE
SCOLARI – COLOGNA VENETA VR
SEGALLA – VR
SEGATTO – NOVALÈ VI
SERAFINI – GEMONA UD
SOLIMAN – ISOLA DELLA SCALA VR
SPONCHIADO – CARBONERA TV
STANGHERLINI – CASTELFRANCO TV
TONIAL – PORDENONE PD
TONETTO – MN
TRENTIN – MONTEGALDA VI
VEDANA – SÉDICO BL
VEDOVATO – CAMPOSAMPIERO PD
VENDRUSCOLO – RIVAROTTA PN
VICENZI – CASALE RONCOFERARO MN
VIERO – MAROSTICA VI / VILLARASPA VI
VIZZOTTO – PIAVON TV
ZAGO – CHIARANO TV
ZAGO – CIARANO TV E MANSUÈ
ZARDO – LORIA TV


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS


Navio Espagne (1900–1901): Lista de Emigrantes Italianos que Partiram de Gênova para o Porto de Santos

 


Navio Espagne (1900–1901): Lista de Emigrantes Italianos que Partiram de Gênova para o Porto de Santos


Navio Espagne representa um dos capítulos mais significativos da imigração italiana no início do século XX. Partindo do Porto de Gênova em 8 de dezembro de 1900 e chegando ao Porto de Santos em 1901, essa embarcação trouxe para o Brasil dezenas de famílias que buscavam trabalho, terras e uma nova oportunidade de vida.

A listagem de embarque registra não apenas os chefes de família, mas também os nomes e idades dos familiares que viajaram juntos, o que torna esse documento uma fonte preciosa para pesquisadores de genealogia, história da imigração italiana e formação das comunidades ítalo-brasileiras.

Entre os sobrenomes registrados na viagem do Navio Espagne, destacam-se:

Argazzi, Alghisi, Andreello, Antonini, Auralone, Balarsi, Bavutti, Bedolo, Beggiatto, Bergamo, Bergo, Berluti, Bermati, Bernati, Bettarelli, Bettizelli, Bezziolo, Bisplo, Boiani, Bonato, Boniolo, Borromelli, Botta, Brigato, Broggiato, Brunoldi, Buffi, Caddei, Calcagnolo, Callegani, Capogrossi, Carboni, Carlessi, Chiarello, Chilò, Cioli, Coffanello, Coltrinari, Coltrisan, Comasetto, Conti, Cora, Cortelassa, Cozzi, Crepaldi, Crocco, Crucianelli, Danieli, Dulizzia, Fantaguzzi, Felizzati, Franzioni, Franzoso, Freschi, Garbin, Gasparini, Gatti, Ghesa, Gicomanni, Guarnieri, Iseppato, Lancioni, Leoni, Lombardi, Magon, Marchesin, Marchetti, Marchietto, Maselli, Masi, Masiero, Mattiazzi, Mausi, Melchioni, Meucci, Monghini, Olivato, Orbelli, Orterizi, Palazzi, Paterniani, Pertile, Pesci, Pesson, Pettizzari, Pieroni, Pilotti, Pistolin, Proietti, Ruzza, Sacchi, Salicioni, Salvatore, Scurazzi, Sermolin, Sesnargeli, Sguotti, Simiollo, Steppato, Stiglio, Stoppia, Succiosini, Szobb, Valeniani, Valeriani, Valtese, Zanardo, Zanco, Zanetta, Zanetti, Zanoello.

Esses nomes representam a base de muitas famílias que ajudaram a construir a história social, agrícola e cultural do Brasil, especialmente no estado de São Paulo e nas regiões de colonização italiana.

Hoje, o registro do Navio Espagne é uma fonte fundamental para descendentes que buscam compreender suas origens e reconstruir a trajetória de seus antepassados que participaram da grande saga da imigração italiana.

Nota do Autor 

Este artigo foi elaborado a partir de registros históricos de listas de embarque do navio Espagne, preservando a grafia original dos sobrenomes. O objetivo é valorizar a memória da imigração italiana e auxiliar descendentes em pesquisas genealógicas confiáveis.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta











Sobrenomes de Crianças Enjeitadas: A História Oculta dos Abandonados na Itália



Sobrenomes de Crianças Enjeitadas: A História Oculta dos Abandonados na Itália

O contexto social do abandono infantil

Ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX, o abandono infantil não era um fenômeno isolado, mas parte dolorosa da estrutura social europeia. A pobreza extrema, a orfandade causada por epidemias, as uniões ilegítimas e a ausência de políticas de amparo empurravam milhares de mães a depositar seus recém-nascidos nas rodas dos expostos, esperando que ali encontrassem ao menos uma chance de sobrevivência. Muitas dessas mulheres não deixavam qualquer indício de identidade, seja por vergonha, seja por medo de punição moral ou religiosa. Assim, ao chegarem às instituições, esses bebês precisavam de algo básico, porém fundamental: um nome que lhes permitisse existir perante o mundo. Nascia então a prática de atribuir sobrenomes artificiais, criados pelos administradores, religiosos ou escrivães responsáveis.

A lógica por trás dos sobrenomes inventados

Esses sobrenomes inventados não eram aleatórios; carregavam significados que refletiam a condição da criança, a rotina da instituição ou até um simbolismo religioso. Termos como Esposito, Innocenti, Proietti ou Della Casa serviam tanto para registrar quanto para estigmatizar, marcando para sempre a origem dolorosa da criança. Em muitos casos, o sobrenome funcionava como um código interno para indicar em qual roda de expostos o bebê havia sido encontrado ou qual religioso estava de plantão no momento do registro. Outras vezes, eram sobrenomes que expressavam esperança — como Fortunato, Providenza ou Felice — numa tentativa de oferecer um sopro de destino melhor àquele recém-nascido que chegava ao mundo sem amparo familiar.

A trajetória desses sobrenomes no Brasil

Com a imigração italiana para o Brasil entre os séculos XIX e XX, milhares desses sobrenomes criados artificialmente atravessaram o oceano e se enraizaram definitivamente em terras brasileiras. Nas colônias agrícolas do Sul, em São Paulo e até no Espírito Santo, muitos descendentes carregam até hoje sobrenomes cuja origem está ligada a antigas casas de acolhimento italianas — sem que suas famílias conheçam essa história. Essa migração fez com que sobrenomes antes restritos às instituições europeias se misturassem à sociedade brasileira, perdendo a marca de abandono, mas preservando o valor histórico. Hoje, compreender essa tradição é resgatar uma parte silenciosa da formação de diversas famílias ítalo-brasileiras, dando voz aos que um dia foram registrados como “ninguém” e que, graças a um sobrenome inventado, puderam reescrever seu destino.

A criação de sobrenomes nas instituições de acolhimento

Durante séculos, milhares de crianças nascidas sem reconhecimento familiar foram registradas com nomes e sobrenomes criados especialmente para elas. Em vez de refletirem a herança de um clã, esses sobrenomes carregavam a memória de um abandono e, ao mesmo tempo, a tentativa de lhes oferecer uma identidade mínima. No mundo latino, a ideia de “encontrar” uma criança — em francês l’enfant trouvé e em italiano i trovatelli — suavizava a dura realidade do abandono, ainda que os registros oficiais costumassem indicar “pais desconhecidos”, “filho natural” ou expressões semelhantes.

A prática era comum em diversos países europeus, especialmente na Itália. Muitas crianças eram deixadas em portas de igrejas, hospitais ou instituições de caridade. Outras eram depositadas nas tradicionais Rodas dos Expostos, mecanismos instalados em orfanatos que permitiam deixar o bebê anonimamente. Quem registrava a criança — administradores, religiosos ou o próprio tabelião — ficava responsável por criar um sobrenome que a distinguisse e, ao mesmo tempo, a identificasse como pertencente àquela condição.

Significados e categorias dos sobrenomes inventados

Diversos sobrenomes surgiram a partir desse sistema. Alguns eram inspirados no local onde o bebê foi encontrado; outros evocavam sentimentos de esperança, proteção divina ou até referências moralizantes. Havia também sobrenomes carregados de significados duros, como Abbandonati, Ignoti, Incerti, Bastardi, Trovatelli, entre outros — embora progressivamente desestimulados no século XIX. Certos nomes tornaram-se tão recorrentes que ultrapassaram fronteiras e chegaram ao Brasil com os imigrantes italianos.

Entre os sobrenomes inventados mais comuns estavam:

Benedetti e variantes, ligados a “abençoado”, expressão de bom augúrio.

Benigni, associado à bondade e benevolência.

Casagrande, que podia indicar tanto um edifício imponente quanto a “Casa Grande” das instituições de acolhimento.

Colombo, ligado à pureza da pomba, muito usado na Lombardia, onde os pequenos abandonados eram chamados colombit.

Innocenti, um dos mais emblemáticos, especialmente em Florença, ligado ao histórico hospital dos Inocentes.

Omoboni, mesclando origem pessoal e desejo de virtudes futuras.

Proietti, que remete ao ato de ser “lançado” ou “posto fora”.

Trovato e Trovatelli, diretamente derivados da ideia de criança encontrada.

A mudança de sensibilidade no século XIX

Essa prática passou por profundas transformações ao longo do século XIX. À medida que novos debates sobre dignidade humana surgiam, tornou-se evidente que certos sobrenomes condenavam seus portadores a um estigma perpétuo. Em regiões como Nápoles, tornou-se proibido registrar bebês com cognomes que denunciassem explicitamente sua origem.

A partir desse novo olhar, sobrenomes passaram a ser criados de maneira mais criativa e menos discriminatória. Muitos refletiam o imaginário da época:

objetos cotidianos: Quaderni, Mestoli, Tetti

plantas e flores: Pioppi, Susini, Limoni, Rosai

ofícios: Tintori, Merciai

nomes próprios de cantores e políticos famosos da época nou lugares: Puccini, Mantovani, Tamigi

datas e festividades religiosas

sentimentos e virtudes: Fortunati, Benarrivati, Bonaventuri

elementos moralizantes: Giusti, Placidi, Pietosi

Esses sobrenomes criados artificialmente se tornaram parte da identidade de milhares de famílias e, com o tempo, foram naturalizados nas comunidades.

Da Itália ao Brasil: herança, memória e identidade

No Brasil, especialmente nas regiões de imigração italiana, muitos desses sobrenomes foram mantidos, transmitidos e incorporados à cultura local. Hoje, uma simples assinatura pode carregar séculos de história — não apenas de origem geográfica, mas de sobrevivência, anonimato e reinvenção.

Compreender a origem desses sobrenomes significa revisitar práticas históricas ligadas ao abandono infantil, às instituições de assistência e aos sistemas de acolhimento que moldaram identidades familiares inteiras. É uma história de dor, sobrevivência e estigma — mas também de esperança, reconstrução e novos começos. 

Conclusão 

Os sobrenomes atribuídos às crianças enjeitadas revelam uma parte pouco conhecida da história italiana e ajudam a compreender a formação de muitas famílias que hoje buscam suas raízes. Esses nomes, criados entre a dor do abandono e o desejo de oferecer uma nova chance, cruzaram oceanos e passaram a fazer parte da herança de milhares de brasileiros. Entender sua origem amplia o conhecimento genealógico, resgata identidades e fortalece a memória dos antepassados que, apesar das adversidades, deram início a novas linhagens.

Nota do Autor 

Escrevo sobre esse tema porque, em tempos recentes, milhares de descendentes de imigrantes italianos têm buscado reconstruir suas histórias familiares e compreender o significado de seus sobrenomes. Muitos se surpreendem ao descobrir que determinadas denominações nasceram em orfanatos, casas de caridade ou rodas dos expostos. Minha intenção é oferecer clareza e contexto sobre esse fenômeno histórico, ajudando cada leitor a encontrar, em seu próprio sobrenome, uma parte da trajetória de seus antepassados.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



sábado, 6 de dezembro de 2025

Emigrantes de Sandrigo (1885–1900): Lista Histórica de Italianos que Deixaram a Itália


 

Emigrantes de Sandrigo (1885–1900): Lista Histórica de Italianos que Deixaram a Itália


Resumo Explicativo

Este registro reúne os nomes dos emigrantes do Comune de Sandrigo, na província de Vicenza, que partiram entre 1885 e 1900. A relação inclui famílias inteiras, indivíduos isolados, profissões, datas de saída e, em alguns casos, informações sobre retornos. Organizada por ano, a lista serve como fonte valiosa para descendentes, genealogistas e pesquisadores da emigração italiana do final do século XIX.



LISTA DE EMIGRANTES (1885–1900)


Anno 1885
Menin Giovanni
Valerio Antonio

Anno 1886
Chemello Teresa
Novello Maria

Anno 1888
Alberti Sebastiano
Barbieri Giovanni
Basso Antonio
Basso Giovanni
Battistella Giovanni
Binda Sante
Bonato Valentino
Caichiolo Giovanni
Campese Giuseppe
Casagrande Giuseppe
Cason Giovanni
Centofante Girolamo
Chemello Antonio
Chemello Francesco
Chemello Giovanni
Costernaro Sebastiano
Crovadore Antonio
Essi Davide
Faresin Giuseppe
Faresin Maria
Ferracin Francesco
Frigo Sebastiano
Garbossa Giovanni
Garbossa Pietro
Gardellin Ottavio
Garzaro Lorenzo
Gasparotto Vicenzo
Girotto Cesare
Gobbato Clemente
Guadagnin Antonio
Marchetto Francesco
Marchiorato Nicola
Meneghin Girolamo
Miglioranza Giuseppe
Lovo Luigi
Miola Santo
Mion Domenico
Mion Giovanni
Morello Giacomo
Motterle Bortolo
Muzzolin Francesco
Nichele Nicolò
Panzolato Bernardo
Parise Luigia
Pedon Stefano
Pianezzola Giuseppe
Pozzato Luigi
Pozzato Mateo
Pozzato Valentino
Rossi Marco
Saccardo Luigi
Schirato Valentino
Tessari Pietro
Trentin Girolamo
Trentin Quirino
Valerio Francesco
Zoico Angelo
Zolin Giobatta
Zolin Marco
Villanova Tomaso

Anno 1889
Pianezzola Giuseppe

Anno 1891
Ampesi Benimiano
Basso Angelo
Bassoi Francesco
Basso Pietro
Benvenuto Carlo
Bigarella Lorenzo
Cason Girolamo
Donadello Lorenzo
Ferronato Giacomo
Frison Domenico
Frison Giovanni
Giaretta Maria
Marostica Luigi
Mela Bonaventura
Pianezzola Giuseppe
Pianezzola Teresa
Pigato Maria
Ramina Girolamo
Sartore Felice
Savio Angelo
Savio Sante
Valerio Antonio
Zoccolin Edoardo
Zorzi Giomaria

Anno 1892
Andrighetto Stefano
Baldisseri Antonio
Barbieri Valentino
Ferronato Bortolo
Saccardi Andrea
Tonin Giuseppe
Tonin Lorenzo
Zanasso Girolamo

Anno 1893
Balasso Domenico
Cesari Bortolo
Menin Giovanni
Trentin Girolamo
Valerio Francesco

Anno 1894
Boscato Giovanni
Enzetti Paolo
Miotti Vittoria
Zanasso Luigi

Anno 1895
Appoloni Francesco
Casagrande Gaetano
Centofonte Luigi
Chemello Elisabetta
Chemello Francesco
Crovadore Francesco
Crovadore Giuseppe
Fracasso Giuseppe
Gardelin Giobatta
Garzaro Bortolo
Marcato Girolamo
Marangon Giovanni
Mosele Giobatta
Zaccaria Giovanni

Anno 1896
Barbieri Domenico
Barbieri Giobatta
Boarotto Giobatta
Chemello Girolamo
Cristofori Marco
Fracasso Girolamno
Manfrin Girolamno
Milan Oliva
Stivanin Luigi
Tendolin Taddeo
Trentin Girolamo
Valerio Antonio
Zolin Antonio

Anno 1897
Antonello Serafino
Battistella Bortolo
Ramina Giacomo

Anno 1898
Baggio Cardina
Bigarella Lucia
Chemello Domenico
Corà Girolamo
Poletto Giovanni Battista

Anno 1899
Corradin Francesco
Cason Leonardo

Anno 1900
Caicchiolo Giovanni
Corà Francesco
Menin Giovanni
Novello Luigi
Verona Francesco
Zanasso Luigi
Zolin Domenico

EMIGRANTES DE 1888 — DETALHAMENTO

Nome – Ano de nascimento – Profissão – Data de partida/retorno (quando indicado)

 

Alberti Sebastiano (1842), contadino – 08/10/1888
Barbieri Giovanni (1857), contadino – 08/10/1888
Basso Antonio (1848), contadino – 25/10/1888
Basso Giovanni
Battistella Giovanni (1842), contadino – 10/10/1888
Binda Sante
Bonato Valentino (1839), contadino – 28/11/1888
Caichiolo Giovanni
Campese Giuseppe (1808), contadino – 17/10/1888
Casagrande Giuseppe (1826), sarto – 25/10/1888
Cason Giovanni
Centofante Girolamo (1851), industriante – 17/10/1888
Chemello Antonio (1847), contadino – 20/10/1888
Chemello Francesco
Chemello Giovanni (1865), contadino – 01/11/1888
Costenaro Sebastiano (1855), contadino – 10/10/1888
Crovadore Antonio (1859), contadino – 28/10/1888 (retorno 1892)
Essi Davide
Faresin Giuseppe (1868), contadino – 28/08/1888
Faresin Maria – 20/10/1888 (retorno 1892)
Ferracin Francesco
Frigo Sebastiano (1848), contadino – 28/10/1888
Garbossa Giovanni
Garbossa Pietro
Gardellin Ottavio
Garzaro Lorenzo (1860), contadino – 22/11/1888 (retorno 1895)
Gasparotto Vicenzo (1867), contadino – 28/08/1888
Girotto Cesare
Gobbato Clemente
Guadagnin Antonio (1867), contadino – 17/10/1888 (retorno 1892)
Lovo Luigi (1845), contadino – 10/10/1888
Marchetto Francesco (1842), contadino – 20/10/1888
Marchiorato Nicola (1848), allevatore – 08/11/1888 (retorno 1902)
Meneghin Girolamo
Miglioranza Giuseppe
Miola Santo (1845), bovaro – 30/11/1888
Mion Domenico
Mion Giovanni (1841), possidente – 10/10/1888
Morello Giacomo (1827), falegname – 10/10/1888
Motterle Bortolo (1844), contadino – 08/06/1888
Muzzolin Francesco
Nichele Nicolò (1826), contadino – 30/11/1888
Panzolato Bernardo (1848), contadino – 22/12/1888
Parise Luigia (1854), contadina – 08/10/1888
Pedon Stefano (1851), contadino – 02/11/1888
Pianezzola Giuseppe
Pozzato Luigi
Pozzato Mateo
Pozzato Valentino (1856), industriante – 28/10/1888
Rossi Marco (1855), contadino – 24/10/1888
Saccardo Luigi (1859), bovaro – 08/10/1888
Schirato Valentino (1844), falegname – 10/10/1888
Tessari Pietro
Trentin Girolamo
Trentin Quirino
Valerio Francesco (1867), contadino – 22/11/1888
Zoico Angelo (1835), possidente – 28/10/1888
Zolin Giobatta (1868), contadino – 28/08/1888
Zolin Marco
Villanova Tomaso (1853), fabbro – 25/11/1888