O Longo Caminho dos Imigrantes Italianos até a Serra Gaúcha
Para dar seguimento ao grande projeto de trazer milhares de agricultores italianos para a província do Rio Grande do Sul, o governo imperial iniciou a construção de uma estrada na localidade de São Sebastião do Caí, para facilitar a viagem dos imigrantes e também, já pensando no escoamento dos produtos agrícolas das colônias, mas, esta só foi entregue em 1884. Foi dado a ela o nome de Estrada Rio Branco. Os imigrantes italianos chegavam no Rio Grande do Sul através de navios que atracavam no porto da cidade de Rio Grande. A partir de Pelotas, aqueles que tinham como destino final as Colônias da Serra Gaúcha, entravam na Lagoa dos Patos e desembarcavam em Porto Alegre. Depois de um parada de alguns dias, instalados nos barracões que serviam de hospedaria, aguardavam a ordem de partida para o seu destino final. Da capital gaúcha embarcavam em pequenos barcos a vapor, para uma viagem de 12 horas, subindo o Rio Caí, até o porto dos Guimarães, ponto final navegável do rio, na cidade de São Sebastião do Caí. Aqueles imigrantes que tinham como destino final as Colônias de Conde d'Eu, atual Garibaldi, e Dona Isabel, hoje Bento Gonçalves, desembarcavam um pouco antes, na cidade de Montenegro e essa viagem durava 7 horas. Os imigrantes destinados à Colônia de Caxias desembarcavam em São Sebastião do Caí. Os imigrantes embarcavam em lanchas ou em grandes barcos a vapor, conforme a altura das águas do rio. Entre as cidades de Montenegro e São Sebastião do Caí existia na época uma barragem com comportas, que regulavam a altura das águas do rio. Esta barragem com comportas foi a primeira da América do Sul e ficava no município de Pareci.
Nos primeiros anos da imigração italiana a trilha ficava no meio da mata e os imigrantes pioneiros abriam caminho com foices e facões. Existia um antigo paradouro onde descansavam para enfrentar o pior trecho, a penosa subida da Serra, que demorava três dias e três noites. Na foto acima o antigo Porto de São Sebastião do Caí anos depois em 1910, com o vapor Salvador atracado quando então ainda não havia um cais e os carroções com os pertences dos primeiros imigrantes com destino a Colônia de Caxias, precisavam subir uma forte rampa no barranco do rio. Ao fundo pode-se ver também a densa floresta, por onde as caravanas de carroças deviam passar em direção ao alto da Serra.
Alguns anos mais tarde, quando as três Colônias da Serra Gaúcha já estavam com a lotação completa, os imigrantes italianos que chegavam eram levados para a recém criada Colônia Silveira Martins, próximo a cidade de Santa Maria, a qual ficou conhecida por Quarta Colônia, por ter sido a quarta a ser criada pelo governo brasileiro. Em Porto Alegre embarcavam em pequenos barcos a vapor, subindo pelas água do Rio Jacuí e desembarcando na cidade de Rio Pardo. Desta cidade faziam o trecho restante até a colônia, a pé ou carroças, através da localidade de Val de Buia.
Nota do Autor
Este texto apresenta, em linguagem acessível, um resumo do percurso realizado pelos imigrantes italianos até as colônias da Serra Gaúcha, destacando os caminhos fluviais, as trilhas na mata e os esforços físicos envolvidos nessa jornada. Mais do que uma descrição de rotas, ele busca revelar a dimensão humana da imigração: o cansaço, a esperança e a determinação de famílias que deixaram a Europa em busca de terra, trabalho e dignidade no Brasil.
Ao narrar essas travessias, o objetivo é valorizar a memória dos que enfrentaram rios, serras e florestas para construir novas comunidades no Rio Grande do Sul. Trata-se de um convite à reflexão sobre como a infraestrutura, o território e a cultura se entrelaçaram na formação das colônias italianas e na história do estado.
Dr. Luiz C. B. Piazzetta