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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Os Dias de Terra Vermelha – A Saga dos Imigrantes Italianos na Construção de uma Nova Vida


Os Dias de Terra Vermelha – A Saga dos Imigrantes Italianos na Construção de uma Nova Vida

Histórias de sangue, suor e esperança na nova terra

A embarcação deixara Gênova sob o manto escuro do inverno de 1877. No porto, o vento trazia um cheiro de carvão molhado e peixe apodrecido, misturado ao fedor das águas estagnadas e dos corpos que há dias não conheciam o conforto de um banho. O embarque fora lento e áspero, marcado por empurrões e ordens gritadas por marinheiros que tratavam os imigrantes como carga. Homens e mulheres entravam no navio com os ombros baixos e o olhar inquieto, como se pressentissem que estavam se despedindo não apenas da terra natal, mas de uma parte essencial de si mesmos.

A bordo, amontoados entre cordas, malas e barris de água salobra, viajavam almas movidas não pela ambição, mas pela urgência da sobrevivência. Não havia entre eles exploradores, nem sonhadores românticos. Eram lavradores vencidos pela terra, operários expulsos pelas fábricas, viúvas com filhos pequenos, anciãos que preferiam morrer longe da Itália a continuar mendigando nela. O ar no porão era espesso, saturado por umidade, fezes humanas e o cheiro ácido do enjoo. Os que não conseguiam espaço nos beliches improvisados dormiam sobre sacos de farinha, revezando turnos de descanso como se estivessem numa trincheira invisível.

Entre os passageiros, Giuseppe Miazani, lavrador do Veneto, carregava no corpo as marcas de uma existência consumida pela necessidade. Os dedos, enrijecidos e tortos, pareciam feitos de madeira. As costas, curvadas desde os quinze anos, denunciavam uma vida passada entre enxadas, pedras e sulcos estéreis. Aos quarenta e dois anos, não esperava milagres, apenas uma chance. Viajava ao lado da esposa Teresa, de olhos fundos e voz rarefeita, e dos três filhos pequenos, que não sabiam o que deixavam para trás, mas percebiam no rosto dos pais a gravidade de quem parte sem certeza de retorno.

A fome o expulsara da Itália. Não uma fome momentânea, mas uma fome crônica, social, de gerações. A terra do Veneto já não pertencia aos que a cultivavam, e os donos do grão e do poder não tinham mais uso para homens como Giuseppe — homens sem títulos, sem fortuna, sem instrução. O Brasil o chamava com promessas que ele não compreendia. Cartazes pregados em paróquias falavam de terras férteis e liberdade, mas ninguém os lia com clareza. Eram palavras repetidas em boatos de feira, distorcidas pelo analfabetismo e pela esperança. Promessas escritas em papéis oficiais que ninguém ali sabia decifrar, mas que pareciam melhores do que a fome no estômago, o imposto impagável e a lenta humilhação de se ajoelhar diante do agiota da aldeia.

Na primeira noite no navio, Giuseppe percebeu que a travessia não seria apenas uma mudança de continente, mas um ritual de purgação. A água para beber era escassa e morna, a comida, um mingau ralo distribuído como esmola. Os ratos disputavam espaço com os doentes. Choros infantis misturavam-se a tosses secas e orações sussurradas. O mar, indiferente, lançava ondas que faziam ranger os cascos e vomitar os fracos.

Mas apesar do desconforto, da náusea, do medo, Giuseppe conservava uma convicção muda — aquela travessia era o último gesto de dignidade possível. Morrer no navio, ou mesmo na nova terra, seria ao menos morrer tentando escapar da condenação a uma vida sem futuro. E assim, com os pés trêmulos e a alma em suspenso, ele atravessava o oceano como milhares de outros camponeses expulsos do mapa da velha Europa, tentando escrever com o próprio corpo o primeiro parágrafo de um novo mundo.

A travessia fora um lento processo de desaprendizado do mundo antigo — não apenas geográfico, mas espiritual. A cada dia em alto-mar, as referências que sustentavam a vida anterior — o campanário da vila, o cheiro das estações, os nomes das ruas e dos santos — esmaeciam como tinta lavada. No porão do navio, onde centenas se apertavam sobre tábuas mal pregadas, a passagem pelo oceano se tornava mais do que uma jornada física: era uma travessia interior, uma lenta erosão da identidade. Já não eram italianos, ainda não eram brasileiros. Eram, por ora, náufragos do passado.

Em Gibraltar, o navio permaneceu ancorado por dias, sem que explicações fossem dadas. As autoridades portuárias inspecionavam os porões com desconfiança, contavam cabeças, revistavam papéis enrugados e carimbos malfeitos. Os imigrantes, por sua vez, assistiam ao movimento do porto com um olhar misto de desejo e resignação. Homens sentavam-se à beira da amurada e observavam a espuma do mar como quem observa um altar. Era um gesto instintivo, quase litúrgico: olhar para o horizonte como quem reza, como quem tenta negociar com o destino uma travessia menos cruel.

O tempo ali parecia suspenso, e a tensão acumulada finalmente explodiu no dia 23 de dezembro, ao entardecer, quando o porão do navio fervia de corpos e vozes abafadas. A maioria jantava em silêncio, com as mãos sujas de fuligem segurando pedaços de pão escurecido. O calor era opressivo. Os odores da comida fermentada, da água parada e do medo se misturavam em um ar quase irrespirável. Foi então que, como um trovão sem relâmpago, uma voz rompeu o abafamento do ambiente: "Fogo!"

O pânico se espalhou com a velocidade de um raio. O espaço exíguo transformou-se num labirinto de gritos e colisões. Homens se ergueram de um salto, empurrando mesas, baús e crianças. Mulheres agarravam os filhos pelos braços, aos gritos, como se as palavras pudessem proteger da morte. Algumas desfaleciam antes mesmo de saber se o perigo era real. Crianças pequenas, esquecidas nas pressas dos adultos, choravam com os olhos arregalados, tentando chamar por nomes que não mais sabiam pronunciar corretamente. As orações surgiam em dialetos fragmentados — veneziano, napolitano, lombardo — como ecos de aldeias extintas.

Não havia fogo. Não havia água invadindo os porões. Não havia sequer um estopim visível para o terror. Havia apenas o medo. Um medo nu, ancestral, que tomava os corpos e os fazia se mover sem lógica, impulsionados apenas pela ideia súbita da morte iminente. O que rompera o silêncio naquela noite não fora um incêndio, mas a constatação brutal de que todos ali estavam à mercê de forças que não compreendiam — o mar, o tempo, a sorte. A voz que gritara "fogo" não fora apenas um alarme falso. Fora um catalisador. Um rasgo no tecido da ilusão. Até aquele momento, os passageiros ainda sustentavam a esperança de que a travessia fosse uma ponte. Depois daquela noite, perceberam que era uma roleta.

A desorganização perdurou por horas. Tripulantes tentavam conter a histeria com ordens que ninguém entendia. Um velho sofreu um colapso e morreu sentado, com os olhos abertos para o teto escuro. Uma mulher entrou em trabalho de parto prematuro, ali mesmo, sobre o chão de tábuas. O navio, que avançava lentamente pelo oceano como uma máquina de ferro gemendo, prosseguia indiferente. Lá fora, o mar não sabia dos nomes dos que carregava. Lá dentro, os homens começavam a esquecer os próprios.

Quando enfim aportaram no Brasil, o calor tropical parecia zombar dos mantos pesados que usavam. Os casacos de lã, as saias múltiplas, os lenços escuros apertados ao pescoço — todos símbolos de uma Europa que se desvanecia — tornaram-se uma armadura inútil diante do bafo escaldante que subia do cais. O ar tinha peso. Não era apenas quente, era espesso, cheio de umidade e cheiro de frutas que fermentavam no sol, de suor humano, de fumaça e maresia. Para os que vinham do frio das montanhas do Piemonte ou das neblinas lombardas, aquele era um clima hostil, quase ofensivo. Mas não reclamaram. Havia nos olhos dos recém-chegados uma resignação densa, como se tivessem esgotado há muito o direito de se queixar.

O porto era uma confusão de idiomas, tambores, berros e carga. Funcionários imperiais, muitos deles armados, gritavam instruções em português a grupos que não entendiam uma palavra. Os imigrantes, com baús amarrados em trapos e crianças ao colo, esperavam horas sob o sol antes de serem divididos, numerados, alocados. As promessas feitas na Itália — terra, casa, liberdade — agora eram traduzidas em filas e carimbos, em listas lidas por funcionários apressados que não sabiam pronunciar seus nomes. Aquilo que haviam chamado de "chegada" era, na verdade, o início de outra espera.

Santa Maria, no coração do Rio Grande do Sul, era ainda pouco mais do que um traço incerto nos mapas traçados nos escritórios abafados do Império. A região prometida aos colonos — a Colônia Silveira Martins— existia mais nos planos do que no chão. Na prática, era um território de mata densa, de barro profundo, de trilhas abertas a facão por homens que nunca haviam domado uma floresta. Dividida em lotes traçados por agrimensores que raramente punham os pés no campo, a colônia era feita de dois elementos: mato bruto e sonhos desesperados.

Giuseppe foi encaminhado junto com outros recém-chegados para um desses lotes, distante várias léguas da sede da colônia, além de colinas sem nome, onde nem mesmo os tropeiros se arriscavam com frequência. O transporte até ali foi feito em carroças instáveis puxadas por bois exaustos. Levaram dias para chegar. Quando finalmente desceram na clareira que lhes fora designada, não havia sinal de civilização — apenas uma faixa estreita de terra batida, marcada pelas rodas que traziam os imigrantes e logo sumia engolida pela floresta.

Ali, o mato era mais do que vegetação: era presença. Árvores com troncos largos como colunas bloqueavam o céu. Cipós grossos desciam como serpentes dos galhos altos, e o solo era coberto por uma manta viva de raízes e folhas em decomposição. O ar, abafado mesmo à sombra, era cortado apenas por dois sons: o zumbido persistente dos insetos e o baque seco do machado, que começava, dia após dia, a desbravar a densidade do nada.

O silêncio era absoluto entre os golpes. Um silêncio que não era ausência de som, mas a ausência de tudo o que tinham conhecido: sinos de igreja, passos nas calçadas de pedra, vozes nas feiras, cantos ao entardecer. Tudo isso fora deixado atrás do oceano. Agora havia apenas a floresta e o tempo — um tempo que parecia se mover sem pressa, indiferente ao cansaço, à febre e à saudade.

A mata virgem não cedia facilmente. Ela resistia como um animal ferido, feroz, mas silencioso. Não havia caminhos prontos, nem linhas retas. Cada metro conquistado era fruto de semanas de trabalho repetitivo, árduo e perigoso. Árvores com diâmetros de um abraço inteiro precisavam tombar antes que qualquer semente tocasse o solo. Os machados, ainda sem fio adequado, batiam em troncos que pareciam feitos de pedra, e cada golpe exigia mais do que força: exigia paciência, disciplina e uma estranha fé no futuro. Quando enfim caíam, era como se parte do mundo antigo ruísse com elas.

A terra, de um vermelho intenso, sangrava ao ser revolvida. Esse barro espesso, que grudava nos tornozelos e encharcava os braços, tingia tudo o que tocava — roupas, pele, unhas, sonhos. Os panos das mulheres ganhavam manchas que jamais saíam; os calcanhares rachavam sob o peso da lama endurecida; as unhas se enegreciam. Mas aquilo não era apenas sujeira. Era batismo. Era o selo bruto de pertencimento a um lugar que não aceitava colonos — apenas sobreviventes.

Com mãos feridas, os dedos cortados pelo fio irregular do aço e pela lasca das toras recém-partidas, e pés inchados de carregar água em baldes improvisados, Giuseppe aprendeu não só a resistir, mas a transformar. Aprendeu a cultivar milho e feijão com sementes repassadas entre vizinhos de sotaques diferentes, a marcar o tempo das colheitas com os ciclos da chuva, a reconhecer os sons da mata como alertas ou bênçãos. Aprendeu também a levantar paredes sem pedra, apenas barro e palha seca misturados com o suor da manhã e o silêncio da tarde. Os barracos cresciam de dentro para fora, moldados mais pela urgência do que pela técnica, mas cada um deles representava uma pequena vitória contra o esquecimento.

A língua, no entanto, era uma selva ainda mais intrincada. Giuseppe não compreendia o idioma dos homens que o governavam, não lia os editais colados na sede da colônia, nem entendia as ordens proferidas nos registros agrários. As palavras do poder chegavam filtradas por intérpretes improvisados, por vizinhos alfabetizados, por crianças mais adaptadas do que os pais. Era um governo sem rosto, uma autoridade que vivia no alto dos morros, entre papéis carimbados e promessas vagas. E, no entanto, mesmo nesse silêncio forçado, a vida prosseguia.

Aos domingos, com a mesma dignidade exausta com que limpavam os olhos dos filhos, Giuseppe e Teresa vestiam as roupas menos sujas e subiam o caminho de terra batida até a pequena capela improvisada — um galpão de madeira com um crucifixo tosco e bancos feitos de troncos rachados. Aquilo não era uma igreja. Era uma ideia de igreja. Um símbolo mais do que uma casa de fé, uma tentativa de recriar o sagrado num mundo ainda em construção.

Ali, sob a luz fraca que passava pelas frestas das paredes, ouvia-se uma missa híbrida, onde o latim antigo misturava-se ao português arrastado do padre tropeiro e aos murmúrios dos colonos que respondiam em italiano, ou em dialetos que nem mesmo os vizinhos compreendiam. Mas não importava. Todos estavam igualmente confusos, igualmente curvados sob o peso da semana, igualmente unidos pela mesma fome, pelas mesmas dores, pela mesma esperança. E naquele instante breve, sob o som dissonante das línguas e o cheiro de madeira verde, havia um respiro — pequeno, frágil, mas real — no meio da vastidão selvagem do novo mundo.

As cartas eram o único elo com o mundo de antes. Em meio à floresta que engolia distâncias e dissolvia referências, aquele pequeno retângulo de papel era tudo o que restava de um tempo anterior ao oceano, à selva, à terra vermelha. Não havia mais ruas, nem marcos, nem igrejas familiares. Restava apenas a lembrança, e essa lembrança, para não desaparecer de vez, precisava ser escrita.

A cada colheita, depois de semanas de trabalho árduo e noites mal dormidas, Giuseppe separava um tempo, sempre às escuras, sempre exausto, para escrever ao irmão mais velho, que permanecera no Veneto. Sentava-se sobre um toco de madeira, com uma vela vacilante iluminando o papel úmido de suor, e fazia o que nunca aprendera bem: escrever. As palavras saíam com dificuldade, letra por letra, como se cada sílaba precisasse atravessar a resistência do cansaço. Eram frases curtas, simples, mas carregadas de significados invisíveis.

Contava as dificuldades — a febre que levara uma criança da vizinhança, a enchente que devastara a plantação de milho, a picada de cobra que quase custara a mão do filho mais novo. Mas contava também as vitórias, por menores que fossem: a nova carroça feita com madeira da região, o primeiro pão assado num forno que ele próprio construíra com barro e tijolo cru, a chegada de um vizinho de Trento que trazia notícias frescas da Itália e lembrava canções que todos haviam esquecido.

Esses pequenos triunfos eram tratados como feitos épicos. Não porque o fossem por si mesmos, mas porque simbolizavam algo mais profundo — a lenta, dolorosa, mas incontornável transformação de uma vida arrancada das raízes. Cada carta era um ato de resistência contra o esquecimento. Um gesto deliberado de manter acesa a centelha da memória, mesmo quando tudo ao redor parecia exigir o contrário.

A escrita tremida, manchada por mãos sujas de terra e calo, denunciava mais do que analfabetismo funcional. Ela revelava o esforço físico e emocional de um homem tentando segurar dois mundos pelas pontas. De um lado, o Piemonte, com sua ordem, sua língua, sua história. Do outro, o Brasil — inóspito, fértil, incontrolável. No meio, um homem que já não era um nem outro. Brasileiros? Italianos? Nem um, nem outro. Colonos apenas.

Esse termo — “colono” — que nos editais oficiais era sinônimo de categoria produtiva, ali ganhava outra densidade. Ser colono não era profissão. Era condição. Era viver suspenso entre o que se foi e o que nunca se saberia ser. Era plantar raízes em solo alheio sem a garantia de que essas raízes durariam. Era escrever cartas para alguém que talvez nunca respondesse, apenas para lembrar a si mesmo que um dia existira em outro lugar, sob outro céu, com outro nome.

Os filhos cresciam com os pés firmes no chão da colônia — não por escolha, mas por instinto. Era como se o próprio corpo, mais rápido do que o pensamento, entendesse que ali seria preciso fincar raízes cedo, sob risco de ser arrastado pela brutalidade do lugar. Eles corriam entre troncos derrubados e cercas improvisadas com a segurança de quem não conheceu o mundo de antes. Para eles, o mato alto, o barro vermelho, o cheiro doce da cana fermentando no ar quente do meio-dia, não eram obstáculos. Eram paisagem. Eram casa.

Aprendiam a ler em português, nas tábuas toscas de uma escola improvisada ao lado da capela, onde uma professora jovem, também filha de imigrantes, ensinava sílabas com pedaços de carvão. Os cadernos eram escassos, o silêncio impossível, mas havia aprendizado. A nova língua entrava devagar, como um rio que contorna pedras, e tomava forma nas vozes das crianças. Lia-se com sotaque, mas lia-se. Escrevia-se mal, mas escrevia-se. O idioma da terra que os acolhera, por força e necessidade, se infiltrava nas gerações mais novas com naturalidade inevitável.

Mas em casa, ao redor do fogo baixo e do pão duro, cantavam-se as antigas canções do norte da Itália. Canções de casamento, de colheita, de Natal — aprendidas com os avós, murmuradas pelas mães em voz baixa enquanto amassavam a farinha ou lavavam as roupas no riacho. As palavras vinham em dialeto, carregadas de imagens que as crianças não compreendiam totalmente, mas que sabiam de cor. Eram palavras herdadas, como a cor dos olhos ou a forma do queixo. E nelas, mesmo sem entender, sentiam um pertencimento inexplicável. Era como lembrar de algo que nunca se viveu, mas que, ainda assim, se reconhecia.

O tempo fazia deles algo novo. Não eram mais italianos — o idioma já lhes escapava, as festas tradicionais se perdiam na confusão dos calendários coloniais. Tampouco eram brasileiros, pelo menos não aos olhos dos que ali haviam nascido há gerações, e que os viam com desconfiança, como intrusos que falavam estranho e comiam polenta no lugar do feijão. Eram outra coisa. Um povo em formação, ainda sem nome, ainda sem história oficial, mas com identidade em gestação. Uma geração que não pertencia a parte alguma, mas que, ironicamente, fincava raízes mais profundas do que qualquer outra — raízes firmadas não em tradição ou pátria, mas em resistência cotidiana.

E essas raízes, invisíveis aos olhos dos governantes e das estatísticas, cravavam-se fundo na terra que antes era só mato — uma terra que não lhes fora dada, mas que conquistaram com enxada, com silêncio e com tempo.

Anos depois, quando Giuseppe alcançava o topo do pequeno morro onde, pedra sobre pedra, levantara com as próprias mãos a casa que abrigava sua família, ele não enxergava ali o reflexo de prosperidade. O que via, com olhos gastos pelo sol e pelo tempo, era permanência. Não havia luxo nas cercas que demarcavam o terreno — apenas madeira rude, escurecida pela chuva e pelo calor. Mas cada estaca cravada no solo era um marco: não de posse, mas de resistência. Um testemunho silencioso de que ali alguém decidira ficar, mesmo quando tudo parecia convidar à desistência.

Os sulcos na terra, onde o milho crescia em fileiras que ondulavam com o vento, não representavam colheita abundante ou fartura de mesa. Representavam tempo investido com esperança metódica, como quem reza sem saber se será ouvido. A cada nova estação, a mesma dúvida: vingará? Mas o solo, com o tempo, aprendera a responder com generosidade cautelosa. E Giuseppe, embora soubesse que nunca enriqueceria ali, compreendia algo mais profundo — que permanecer, em si, era já uma forma de vitória.

Cada cicatriz em suas mãos — cortes abertos por enxadas cegas, calos endurecidos pela corda da carroça — era uma linha escrita na história muda dos que vieram para plantar um futuro onde antes só havia incerteza. Não havia livros contando suas trajetórias. Nenhum jornal narraria a lida do colono piemontês entre os montes abafados do sul do Brasil. Mas ele sabia, de maneira instintiva, que estava deixando marcas tão fundas quanto as do arado na terra úmida.

E foi esse mesmo senso de verdade contida que transpareceu na carta escrita em março de 1878. O papel, manchado de suor e terra, levava ao irmão distante na Itália uma notícia simples, quase seca: “Estou vivo em Santa Maria Boca do Monte.” Nenhum adorno. Nenhum lamento. Nenhuma epopeia. Apenas a constatação nua de que ele, Giuseppe Miazani, lavrador, pai, imigrante, estava ali — respirando, trabalhando, esperando. Tivera fome, sim. Dormira com medo, sim. Mas erguera sua casa. Plantara seu milho. Chamava aquele pedaço de terra, não de pátria, mas de seu.

E isso, para alguém que partira com as mãos vazias e a alma entreaberta, era mais do que suficiente.


Nota do Autor

Os Dias de Terra Vermelha nasceu da vontade de resgatar e preservar as histórias daqueles que, com coragem e esperança, deixaram suas terras natais para construir uma nova vida em solo desconhecido. Este livro é uma homenagem silenciosa às gerações de imigrantes que, enfrentando dificuldades imensas, transformaram o solo árido em campos férteis e cultivaram raízes profundas em terras distantes.

Ao longo destas páginas, procurei mergulhar na alma desses homens e mulheres comuns, cujas vidas foram marcadas pelo esforço, pela dor da saudade e pela fé inabalável em dias melhores. Não se trata apenas de um relato histórico, mas de uma narrativa que busca captar o pulsar da experiência humana – suas alegrias, seus desafios, suas pequenas grandes vitórias.

Espero que a obra Os Dias de Terra Vermelha inspire o leitor a valorizar as memórias e os legados que construíram o presente e que, muitas vezes, permanecem ocultos sob a poeira do tempo. Que esta história seja um convite a refletir sobre o sentido de pertença, trabalho e esperança, tão essenciais para a construção de qualquer futuro.

Dr. Luiz C. B. Piazzetta



segunda-feira, 22 de junho de 2026

I Conti del Destin - La Stòria dei Poareti che i Nùmari no i ghe Bastava a Spiegar


I Conti del Destin - La Stòria dei Poareti che i Nùmari no i ghe Bastava a Spiegar

Tra nùmari e registri del Regno d’Itàlia, ghe zera vite che le statìstiche no gavea mia rivà a contar — solo el destin savéa racontar".


Arezzo, Toscana – Inverno del 1883

Ghe zera un tempo che anca i nùmari ga scominsiar a contar le stòrie. El Regno d’Itàlia, gnente gnente nato, el volea capir la so pròpria gente, e la nova Direzion Generale de la Statistica la gavea scominsià a segnar chi che nasceva, ma anca chi che partiva — e parché.

Tommaso Bartolomei no el gavea mai avù gnanca un poco de interesse par le statìstiche. Da che lu gavea dodese ani el laorava ’nte la segale de un baron che gavea perso tuto, a curar ’na tera che no dava gnanca da magnar ai fioi del paron. A trentadò, con i polmon consumà dala pòlvere e le man massacrà dal laoro, Tommaso lu el zera diventà un nùmaro in pì ´ntei registri: contadin, sposà, analfabeto, sensa tera, con do fiol. E adesso, candidato a l’emigrassion.

No el zera el primo da la so vila. El movimento za se vedea. Lètare con i selo de Montevideo, Buenos Aires, Rio Grande do Sul e São Paulo rivava in cesa, con note de recomendassion e promesse. I zòvani partiva da soli, drito i pasi de fradèi, zìi o compare. I sindici scrivea rapòrti fredi, parlando de ’sto “scapar dei brassi” con preocupassion. I paron de tera i batea a la porta del Ministero del Interno, volendo blocar i passaporti — i gavea paura che mancasse man, che el laoro costasse de pì, che finisse el sistema basà sora la rassegnassion dei poareti.

Ma i poareti i savea contar in un altro modo. I savea che quatro monede dal Brasil valéa pì che tre mesi de sudor sora la tera magra de Toscana. I savea che ’n fiol a Campinas podéa mantegner sinque in Arezzo. E Tommaso el savea, con la convinssion de chi che ga già perso massa, che restar voléa dir morir pian pian.


Génova e Nàpoli – Porti de Imbarco, Maio del 1884

I bastimenti partiva cargà fin al colmo. Ogni nome scrivesto sul libro de bordo el zera ’na mancansa ntei nùmari de là e ’na presensa nova da questa banda del mar. La buracrasia la zera pesante: bisognava far la domanda del passaporto al sìndico, pagar la tassa, aver el permesso dei militari — e dopo, el visto de ussita.

Tommaso el partì con i so documenti, sensa pagar agenzie. El viaio el zera stà pagà da un cugnà che laorava a cargà casse ´ntel porto de Santos. A diferensa de tanti, el gavea già un posto: el ´ndava a laorar in ’na fazenda de café, ´ntela provìnsia de São Paulo. A la dogana, el passò la revìsita sanitària, la bagaia la ghe fu spetolà, e el so nome el fu segnà do olte in un quaderno che dopo el saria stà mandà al Commissariato Generale de l’Emigrassion, gnente gnente creato.

In la tersa classe, tra putei con la febre e done in vèste de luto, el sentì le stòrie de altri nùmari: un stagnin da Calabria, un murador da Umbria, un vedovo da Basilicata. I zera in tanti, de tanti posti, ma con el stesso destin: finir de contar par le statìstiche, e scominsiar a contar par el mondo.


Fazenda Boa Vista, Provìnsia de São Paulo — 1885

El Brasil no el zera segnà sui mape de l’emigrassion come l’Amèrica del Nord o l’Argentina. Ma le promesse de tera, clima bon e abondansa gavea incantà tanti. I libri de propaganda i meteva tuto in bel: i colori de la mata, el sol che scaldava, ma gnente se disea dei dèbiti, de le febre, del sudor.

In la Fazenda Boa Vista, Tommaso el capì svelto come che ´ndava: sistema de meità, magazino che vendea caro, gnanca un soldo in man e el capataz che comandava tuto. La tera la zera bona, ma el sistema el zera baston. Ma lù el restò. El resisté. El gavea man bon con la zapa, contava ben, el sparagnava ogni sentèsimo. Dopo do ani, za mandava schei a la mòier, che zera restà in Toscana. Dopo sinque, el ga portà anca i fiòi. Dopo sete, el ga comprà un peseto de mata poareta sora el rio Jaguari.


Sumaré, 1909 — Vinticinque ani dopo

Tanti ani dopo, el nome de Tommaso Bartolomei el comparì ’na volta sola in un raporto del Ministero de la Statistica. Zera in un apéndice: “contadin, emigrà in Brasile, con mòier e fiòi, destin São Paulo, porto Génova.”

La maior parte de chi che zera partì, el ze rivà a tornà in Itàlia. Ma Tommaso no. El restò. El diventò paron de ’na pìcola proprietà, el piantava gran, el tegneva porséi, e la sera el insegnava i nùmari ai fiòi dei altri colóni. El tegneva ancora el passaporto italiano come ’na relìquia, insieme a la carta del teren e le lètare spedide a la soa comuna.

Lu el zera un tra 26 milioni de taliani che, tra el 1876 e el 1960, i ga lassà la so tera. Un tra milioni che i ze sta segnà par età, sesso, mestiere e porto. Ma, come che el gavea scrito su un peseto de carta infilà tra le note del campo:

“Le statistiche no ga fame, no tremola in fondo a un bastimento, no sepelisse fiòi ´ntela foresta calda del Brasil. Solo i vivi i conta ’sta parte de la stòria.”


Nota de l’Autor

Sta stòria la ze nassesta con la voia de dà carne e vose ai nùmari che, par tanto tempo, i zera stà ridoti a nùmari. ‘Nte i archivi fredi de la Direzione Generale della Statistica, contadin come Tommaso Bartolomei i comparìa sol come ‘na riga ‘nte le tàole: età, mestiere, analfabetismo, destinassion. Ma drio a ogni dato ghe zera un corpo straco, ‘na scielta dura, ‘na speransa testarda — e ‘na stòria che la meritava de vegner contà.

I Conti del Destìn el ze ‘na prova de cusir la vita con el registro, de farghe un ponte tra la literatura e la demografia. Seguindo la strada de Tommaso, mi son lassà guidar da fonti stòriche vere: raporti ministeriài, boletin de l’emigrassion, règole dei porti e propaganda ufissial de quela època. Ma sopra de tuto, me son fidà del silénsio de chi che el ze partì sensa lassar memòria scrita — de quei che, come lu, i ze restà pì come eredità che come nome de ‘na piassa.

No se trata de romansear el sofrimento, gnanca de far de l’emigrante un eroe. Ma piutosto de ricognosser che tra le statìstiche e i destin, ghe ze sempre vite che val. E che le stòrie dei anónimi, come Tommaso, le pol imparàrghene pì sul pasà — e su de noialtri — che qualsiasi gràfico con le lìnie.

Ai dessendenti de sti nùmari viventi, questa òpera la ze dedicà. Che in sta stòria i possa catar un spècio, ‘na radise, o almanco un fià de apartenensa. Parché ciò che no se conta, se perde. E ciò che se fa stòria, el resta.

Dr. Luiz C. B. Piazzetta



quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Tra ’l Vèneto e ‘l Cafè - La Vita de Giovanni Dal Molin


Tra ’l Vèneto e ‘l Cafè
La Vita de Giovanni Dal Molin

Giovanni Dal Molin lu el ze nassesto a Quero, ‘na volta ‘na vila picolina tra i vali de la provìnsia de Belluno, dove’l vento del Piave supiava con ‘na malinconia che parea za avisar le partide. Fiol de ‘n pòvero contadin meeiro e de ‘na mare con le man calesà dal lino, el zera cressesto soto el peso de ‘na Itàlia pena unita, ndove le promese del novo Regno parea sempre perderse tra i monti.

Inverno del 1879, quando la neve se mescolava con el odor de fumo dei fumariol e con el eco de le preghiere, Giovanni ciapò la decision che segnaria el so destin: partir. La fame che se spandea tra le vile del Vèneto no zera solo mancansa de pan, ma sopratuto ausensa de speransa. Le racolte zera magre, la tera no bastava, e le tasse del novo governo, somà ai dèbiti con i paroni, trasformava ogni semensa in un peso morto.

A la picolina parochia de San Girolamo Emiliani, el campanel suonava con el stesso ritmo dei sècoli, indiferente a la misèria dei òmeni. Giovanni gavea dato un’ùltima ociada ai monti, coperti de neve, e capì che quel bianco no zera puresa, ma desmentegansa. Partì con un pìcolo saco de lino con qualche roba drento, pan seco, un rosàrio e ‘na lètara del fradel magior, che ghe prometea de tegner el toco de tera de casa fin al so ritorno — un ritorno che, in fondo, el savea, no gavaria mai sussesso.

Come tanti de la so generassion, lassava drio la lèngua, el nome scrito sui sassi, e partia verso ‘na promessa astrata ciamà “Mèrica”.

El porto de Zénoa zera ‘na confusion de vosi, lèngue e odori. Miaia de corpi streti intorno a veci navi che parea pì carcasse flutoante. Giovanni se imbarcò su un vapor de seconda man afità da ‘na compania italiana, che prometea passagio gratis in cámbio de laoro garantì sui fasende de cafè del Brasil. Le promese zera tante ma ilusòrie: tera fèrtile, case bianche e salàrio giusto. La realtà, però, se mostrava za ´ntel porto e ´ntel navio.

Le profundesse scure del vapor, dove Giovanni stava, zera ‘na caverna sporca, ùmida e fètida. Se sentiva ancora l’odor forte de carbon che el carghero gavea portà poco prima. L’ària rarefata se mescolava con el odor de oio, gòmito e altri deieti umani. I fiòi piansea quasi sensa forse, le mare nascondea rosari e ritrati drento i vestidi, i òmeni tossiva fin al sangue.

La traversia durò trentacinque zornade. Ogni matina zera ‘na vitòria su el traditor mar. In certe noti calme e strelà, con permisso del comandante, Giovanni montava su el ponte e guardava l’orisonte. El mar, agità e griso, parea desfar chi lo sfidava. Zera un’esìlio lìquido, un ventre de fero che ingoiava vite e gomitava sopravissuti. Tra el suonar del motor e el scrichiolar de le tavole soto la pression de le onde, el pensava al futuro.

El Brasil zera ‘na parola che ancora no gavea forma. Diceva che ghe zera sole tuto l’ano, àlbari de café dense come le vigne del Vèneto e tera rossa, generosa. Ma i rumori parlava anca de malatie, febri, bisse velenose e signori con la piel abronsà che comandava piantassion imense come un capitano comanda ‘na nave.

Quando el vapor el ze rivà a Santos, l’ària ùmida e calda che ga colpì come ‘na sberla. La vegetassion zera verde brutale, el solo pulsava come vivo. Giovanni ze stà menà con ‘n grupo de compaesan strachi e ansiosi verso el cuor del interior paulista. El viaio serpenteava tra paesagi scognossù: vasti canaviai, pàscoli sensa fine e vilote picoline, con le cese de legno. Da le finestrine, un mar de canaviai e cafè si stendeva fin al’orisonte, come un invito a entrar ´ntel scognossù.

Al fin del percorso, lori son arivà in ´na fasenda intorno a la sità de Ribeirão Preto, ndove i dovea transformar la tera in sustento, laoro e forse speransa — un futuro lontan dal Piave e dal conforto de le aldeie dove son nati. La picola stassion, persa tra i canaviai e nùvole de pòlvere rossa, segnava la fin del lungo viaio scominsià da l’altro lato del ossean. L’ària calda vibrava sui binari, e l’odor dolse de la cana taià se mescolava con el sudor e la strachessa dei viaianti.

Da lì in poi, restava ancora venti chilómetri fin a la fasenda — strada de tera batua e salite seche, fata a piè da alcun de loro e con carosse dindolanti da altri. El novo paron gavea mandà quei mesi per ciapar i futuri laoratori, e le bèstie ndava pian, come sentendo el peso de la traversia. Ogni passo alsava pòlvere che se incolava sui vestidi e sul viso dei emigranti, mentre el sol calava, dorando i campi e anunsiando lo scomìnsio de ‘na vita scognossù.

Al l´arivo, el fator brasilian, sopra ‘n caval nero, lesea i nomi dei novi arivà. Ogni uomo ricevea un nùmero, un baracon e ‘na zapa — come se, sceso dal vapor, no zera pì ´na persona, ma parte de ‘na machina invisìbile. La léngua zera ´na mura insuperàbile, separandoli dal mondo novo. Le ordine vegnia in suoni strani, sechi, che no ghe ricordava el canto del Vèneto o el murmurar dei coli ndove i zera nati. Tra lori e i fatori, no zera diàlogo: solo gesti, segnài bruschi e peso del laoro.

La tera e el sudor i ga diventà l’ùnico idioma che tuti capia, la lìngua universal de la sopravivensa. ´Ntei primi mesi, Giovanni el ga imparà el peso del sol. El corpo diventava strumento: mùscoli che obedia, schene che soportava, man che se taiava. La "fazenda" zera un mondo chiuso, governà da tempo pròpio. El campanel de la vècia senzala — ora ciamà “casa dei coloni” — segnava ore de laoro e descanso. El cibo era scarso, el salàrio venia in buoni da spender solo ntel negòssio de la "fazenda", ndove tuto costava el dòpio. I dèbiti cressea invisìbili, e el sònio de libartà se diluiva ´ntela pòlvere rossa paulista. Giovanni capia, lentamente, che la schiavitù gavea cambià nome, ma no essensa.

Epure, qualcosa resistia. ´Nte le note sensa luna, se sedea a porta del barracòn e vardava el cielo. El ciel del Brasil parea pì vasto, pì visin. A volte, el vento portava odor dolse dei fiori de café e, per un momento, el credea de esser a casa.

I altri emigranti, de Treviso, Vicenza e Padova, condividea el stesso scopo silensioso: laorar abastansa par far soldi e, un zorno, comprar un toco de tera. El parlava ´ntei momenti de riposo, mentre el sol calava tra i canaviai e el odor de tera ùmida saliva da solo. Soniava ‘na tera pròpria, ndove piantar uva, gran o fasòi — un posto solo loro, anche se modesto, ´nte le nove vilete intorno a Ribeirão Preto.

Giovanni no condividea quela ambission. Mentre i compagni parlava de risparmi, tere e futuri possìbili, el solo stava in silénsio, come chi no speta pì nula dal doman. El volea solo sopraviver — laorar abastansa per no dover niente a nissun e restar drito tra calor e fatiga. Drento, restava solo un eco lontan: el suonar dei campanèi de Quero la doménega e el murmurar del Piave tra i sassi, memòria de ‘na pase che parea de ‘n’altra vita.

A volte, ´ntele noti quando el vento passava tra le fessure del baracòn, el credea de sentir ancora quel rumor, come se l’Itàlia lo ciamava in secreto — ma el ciamà se perdea tra inseti e peso de le distanse.

I ani seguente corea pian, indistinti. La fasenda prosperava, i baroni del café se richea, e i coloni italiani se moltiplicava. Giovanni inveciò prima del tempo, i oci perdea el brilo, ma no serenità. Gavea imparà ad amar la tera che lo consumava. Ogni fila de café che piantava zera ‘n orgòio silensioso, come se ogni germòlio zera ‘na semensa de la so redenssion.

Ogni tanto, nove leve de emigranti rivava. Lu i vardava sbarcar con lo stesso stupor che un zorno zera el so. Savea cosa i ghe aspetava, ma no disea nula. La speransa, anche ilusòria, zera l’ùnico nutrimento che no se podea negar.

Mai tornò in Itàlia. El fradel pi grando senza rivederlo. Le lètare, inisialmente frequenti, se ga diventà rare e finalmente cessaro. Restava solo memòria de ‘na neve lontan e del rumor dei coli del Vèneto.

Quando morì, un pomerigio de dicembre 1912, nessun savea la so età precisa. Gavea el sepolcro soto ‘na croce de legno rùstego, visin a altri coloni. ´Ntel registro de la fazenda, lori i ga scrito solo: Giovanni Dal Molin, italiano, laorador del café. Ma soto la tera rossa de Ribeirão riposava pì de un nome: el sìmbolo de ‘na generassion che la ga traversà l’ossean in serca de ‘n sònio che mai se compì. La tera che lo tegnea, rossa e fèrtile, conservava el so silénsio. E quando el vento passava tra le foie del café, parea portar da lontan el eco d’un campanel de Quero, suonando per un omo che mai tornaria, ma che, in qualche modo, el ga finalmente trovà casa.


Nota del Autor

I nomi e qualche detàio de sta stòria i ze stà cambià par proteger la privacidade dei coinvolti. Ma la stòria de Giovanni Dal Molin se basa su fati veri, trati da lètare e registri de emigranti italiani del Vèneto conservà in musei e archivi stòrici del Rio Grande do Sul. El drama narà qua riflete el destin de miàia de italiani che, tra fin del XIX sècolo e scomìnsio del XX, i ga lassà le vile tra i monti de Belluno, Treviso e Vicenza in serca de vita degna ´nte le fazende de cafè e cana de zùcaro del interior paulista. Ogni pàgina de sto livro ze ‘n tributo al coraio silensioso de òmini e done che i ga traversà l’ossean spentonà da fame e speransa — e che, in tera lontan del Brasil, i ga aiutà a costruir ‘na nova pàtria sensa mai desmentegar la vècia. Ze anca ‘n invito a memòria: che no se perda le vosi che el tempo quasi el ga cancelà, né le stòrie che el vento i ga portà via, ma che forma el fondamento invisìbile de chi semo incòi.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Echi de un Sònio Lontan


Echi de un Sònio Lontan


Lo scomìnsio de un Viaio

Zera i primi zorni de novembre del 1876, e i venti fredi zà sofiava sora la pìcola vila in meso al comun de Cison de Valmarino, su le coline del Vèneto. La vila, tuta avolta da la nèbia, la parea un quadro vivo de l’austerità che marcava la vita dei contadin. Le campane de la cesa de San Michele Arcangelo ecoava per le coline, anunsiando la messa de matina, mentre la famèia Bernasconi, formà da Pietro, Luisa e i so do fiòi pìcoli, Emilia e Lorenzo, la se trovava a infrontar el momento che ghe cambiava par sempre la vita.

La resolussion de partir par el Brasil la zera dolorosa, ma inevitàbile. L’Itàlia ghe dava poco pì che dèbiti, fame e tera straca. Pietro, un omo robusto con le man calegà, el zera abituà a la fadiga de ogni zorno contra el teren àrido e el clima duro. Ma anca la so resistensa, che no se piegava mai, la scominsiava a vassilar davanti a la misèria che cressea. El savea che la tera, che ‘na volta gavea mantegnù generassion de la so famèia, adesso no la zera pì bona gnanca par dar de magnar ai so fiòi.

´Ntela piasseta davanti a la cesa, ndove el vento al levava su le fóie seche e portava el profumo de castagne rostolà, Pietro el gavea abrassà so mòier Luisa. Lei la tegniea Emilia, de do ani apena, con la delicatessa de ‘na mama che gavea paura de perder quel poco che ghe restava. Lorenzo, de sete ani, el tegnea forte la man del papà, come se quel tasto el podesse mandar via la paura che el sentia. Intorno a lori, i amissi e i parenti i se gavea radunà par dirghe adio. I genitori de Pietro, zà veci, i ghe gavea dà un rosàrio e un libreto de orassion de Sant’Antonio. La benedission murmurà dal papà de Pietro la se smissiava con le làgreme che corea su la so fàssia inrugà.

«Prometi, Pietro, che no te desmentegarà le to radise», la disea so mama, tegnendoghe la fàssia tra le man. «E che, ovunque te sìi, te pregarà par che Sant’Antonio te guide i passi.»

El treno che i portava a Genova el spetava ´nte la stassion de ‘Valmarino. El fìs-cio, acuto e malincónico, el taiava l’ària freda come un adio definitivo. Mentre lori i montava su, Pietro el gavea aiutà Luisa a sistemar i pochi averi che i gavea podù portar: un bau de legno, ndove i tegnea vestiti rapesà, carte e qualche semensa che Pietro el gavea insistì a portar, come un sìmbolo de speransa.

Quando el treno el ga lassà la staion, le campagne familiari, con le so coline ondulà e i vigneti abandonà, le spariva pian pian. Luisa la tegnea Emilia in brasso, provando a calmarghe con cansonete basse, che gavea ninà generassion de la so famèia. Lorenzo, con i oci ùmidi, el scorava la testa su la spala del papà, provando a sconder le làgreme che no voleva lassar cader. «Te prometo che sarà mèio, fiol mio», el disea Pietro, con la vose ferma, ma el cuor pesà. El savea che ste parole no le zera solo par Lorenzo, ma anca par lu stesso.

La strada fin a Genova la zera segnà da silensi interoti da pochi discorsi. ´Ntel scompartimento del treno, altri contadin come lori i parlava del Brasil, descrivendolo come ‘na tera de oportunità. Pietro el scoltava atento, come se ogni parola la fusse ‘na mapa par el futuro.

A Genova, el movimento del porto i gavea siapà ´nte un vòrtice de rumori e odor. I navi grandi i spetava par traversar l’Atlántico, con le so ciminiere che sbufava fumo contra el cielo griso. El olor de sal, oio e pesse se smissiava con le vosi in tante léngue diverse. Pietro el tegnea Emilia in brasso e la man de Lorenzo ben streta, guidando la famèa in meso a la fola.

A bordo del vapor che i portava in Brasil, la vita la zera diventà ‘na rotina de spasi streti, magnar scarso e la presensa costante del mar infinito. Lorenzo el passava ore a vardar le onde, mentre Luisa la provava a tegner viva Emilia con stòrie de la so vila. Pietro, invece, el aiudava i altri passagieri con pìcole fassende, e la so’ atitude pràtica e determinassion ghe gavea fato guadagnà el rispeto de tuti.

Anca se el futuro el zera ancora un mistero, i Bernasconi i trovava conforto l’un in l’altro. Soto le stele de l’Atlántico, mentre la nave la dondolava pian, Pietro e Luisa i condivideva soni e paure. In ‘na de ste note, Pietro, con i oci fissi su l’orisonte, el gavea sussurà: «Noialtri construiremo qualcosa, Luisa. Qualcosa che i nostri fiòi i podarà ciamar casa.»

E cussì, con el cuor spartio tra la nostalgia e la speransa, la famèia Bernasconi la navigava verso un destin inserto, ma pien de promesse. Soto el cielo stelà del osseano, Pietro el pregava in silénsio, domandando forsa par infrontar le sfide che el savea che i ghe spetava.

El Mar de Promesse

A Génova, dopo quatro zorni de spera al porto, in meso al caos e a l’ánsia, finalmente i zera montà su el vapor Salier, ´na nave grande che prometea de portarli de l’altra parte de l’Atlántico, ma che drento la nascondea el vero peso de la traversia. L’imbarco el zera un spetàcolo de urli, pianti e òrdini confusi in tante léngue, mentre casse e valise le zera butà in freta ´ntel soto ponte e i passagieri i zera amontonà come mersi umane.

Quando lori i gavea passà la rampa par imbarcar su la nave, Pietro el tegnea forte la man de Lorenzo, mentre Luisa la portava Emilia in brasso, i so oci fissi su la nave grande, come se lori i volesse capir i segreti de la traversia. Apena messi piè su el ponte, i zera stà mandà zò ´ntei alogiamenti, ndove l’ària la zera densa e i spassi streti. Soto el ponte, le condission le zera dure: el olor de sal se ga misturà con el sudor, con el rancio de magnar guasto e con i rifiuti. El rumor del mar, che dovea essar tranquilisante, el zera coperto dai lamenti dei malà e dal pianto dei fiòi.

L’ambiente el zera ‘na lota contìnua par sopraviver. Famèie intere le condividea spasi pìcoli con sachi de roba e bèstie che fasea parte del càrico vivo de la nave. I pasti, servì in poche porsion, i zera quasi sempre ‘na zupa rala e pan duro che no bastava par la fame. L’aqua, spesso calda e con un gusto de fero, la zera rasionà, e questo creava tension tra i passagieri.

Lorenzo el ze stà el primo de la famèia Bernasconi a sentir el peso de quel ambiente. Dopo ‘na setimana de viaio, el gavea scominsià a gaver febre alta, con ‘na tosse che no finia e che preocupava tanto Luisa. Lei la passava le note in bianco, bagnando pani in aqua freda par metergheli in fronte e pregando Sant’Antonio con fervor, mentre Emilia la piansea sercando conforto. Pietro, anca se el provava a mostrar forsa, el sentia el peso de l’insertessa. El aiutava i altri passagieri con lavoreti come spartir el magnar o netar i spasi, ma la paura de perder el fiol la lo seguia come ‘na ombra.

Su el Salier, la morte no la zera ‘na visita inaspetada; la zera ‘na compagna silensiosa. Ogni novo zorno, el pianto sofocà revelava n´ altra pèrdita. I corpi che no resistea a le malatie i zera involti in lensuoi e, dopo ‘na breve orassion fata da un passagiero, el zera butà in mar. Vardar quei corpi sparir ´nte l’aqua profonda e sensa pietà la zera un ricordo crudele de la fragilità de le speranse. Pietro, quando el vardava ste serimónie improvisà, el strensea Lorenzo ancora pì forte, come se podesse protegerlo solo con l’ato de no lassarlo.

In meso a la desolassion, nasseva pìcoli gesti de solidarietà. ‘Na zòvane, che viagiava sola, lei ga condividì con Luisa qualche erba medissinal che lei gavea portà da la so’ tera, spiegando che podaria iutar a calmar la febre de Lorenzo. Pietro el se gavea unì a altri òmeni par improvisar ‘na zona pìcola ndove i fiòi i podesse star lontan dai corenti fredi che corea su la nave de note.

Quando el Salier finalmente el ga vardà la costa brasilian, el 30 de novèmbre del 1876, el solievo el zera mescolà de contentessa e strachessa. La nave la gavea rivà al porto de Rio de Janeiro soto un cielo blu ciaro, che contrastava con l’oscurità che tanti portava drento. I sopravissuti i zera ussì dal sotoponte come fantasmi: strachi, afamà e distruti, ma con ‘na scinta de speransa ancora viva ´ntei oci.

Pietro el gavea vardà Luisa e i fiòi con un sospiro de solievo, ma la so mente zà la zera ocupà con quel che vegnia dopo. Sbarcar la voleva dir solo lo scomìnsio de ‘na nova batàia. Con i piè finalmente su la tera brasilian, Pietro el gavea streto la man de Lorenzo e, con decision, el gavea sussurà: «Semo rivai, fiol mio. Adesso scomìnsia el nostro vero laoro.»

‘Na Nova Strada

Dopo un zorno de interminàbili speta in un alogiamento del governo al porto, ndove l’odor de sal, pòlvere e pesse màrssio se snissiava con le voci dei emigranti, finalmente el ze rivà el momento de ndar avanti. Le autorità brasilian, con la so’ fredessa burocràtica, le gavea organizà i novi rivà in grupi e, soto un caldo sofocante, i gavea mandà verso sud, verso el Rio Grande do Sul. La nave i gavea portà fin al porto de Rio Grande, ndove, dopo qualche zorno de sosta, i zera stà messi su picoli vapori fluviali, che i portava su per el rio, traversando la grande Lagoa dos Patos.

El viaio su el fiume Caí el zera incantador, ma anca triste. La natura selvàdega, con verdi profondi e montagne lontan, la se stendea davanti a lori come un quadro, ma sensa segni de civiltà. Foreste dense, con àlbari dai tronchi storti e grandiosi, le copriva le rive, mentre la corente del fiume Caí a volte la pareva voler inghiotir i vapori con le so aque ribeli. El rumor dei motori e de le èliche che taiava l’aqua el zera quasi l’ùnico suon che rompeva el silénsio pesà, interoto solo dai sussurri de le famèie, che provava a coprir l’ànsia con parole basse e oci sospetosi. Pietro e Luisa, con i fiòi, i vardava l’imensità de ‘sta natura primitiva, sensa ancora capir la grandessa de la sfida che i gavea davanti.

Quando i ze rivà al porto de Montenegro, ‘na sitadina pìcola su la riva del rio Caí, Pietro no podea no sentir un nodo al cuor. El posto, ancora greso e poco svilupà, el zera lontan milie da le promesse de prosperità che i gavea sentì. A Montenegro no ghe zera altro che qualche casa sèmplisse e un comèrssio scarso, tuto in condission precàrie. Là, i emigranti, sensa la mìnima idea de quel che vegnia dopo, i zera stà lassà a lori stessi. No ghe zera ripari pronti, no ghe zera magnar bastante, e gnanca un piano ciaro su come rivar a le tere promesse. El sol el stava calando quando le autorità locai le gavea dito che i dovea continuar el viaio, ma no ghe zera tempo o forsa par protestar. Lori i zera soli.

El cielo scuro de la note, pien de stele iluminà, el zera l’ùnica protession che i gavea trovà. Sensa altre possibilità, Pietro e Luisa i gavea steso i so’ pochi averi su el teren, creando un leto improvisà tra lori e la tera dura. Emilia, ancora pìcola, la se gaveva strenta a la mama, mentre Lorenzo, con i so sete ani, el podea a pena tegner i oci verti par la stranchessa. El teren el zera fredo e rùvido, ma el caldo de la famèia, unì ´nte la stessa pena e la stessa speransa, el dava un poco de conforto. Con la pansa voda e l’ánima pesà, i se gavea sdraià soto el cielo stelà, provando a tegnerse a ‘na breve sensassion de sicuresa, mentre la paura de quel che vegnia dopo la strensea i so cuor.

La matina dopo, ancora con i segni de la stranchessa in fàssia, le famèie le gavea scominsià a radunarse, preparandose par la strada nova. Montenegro la zera solo ‘na tapa, un punto de passàgio par i emigranti, che adeso i dovea infrontar un novo sfido: el viaio fin a le tere promesse, ´nte le colònie italiane de la serra gaùcha. La strada che i spetava la zera dura, storta e sensa nessuna comodità, come i gavea sentì contar da altri emigranti.

Da lì, scominsiava ‘na strada segnà da la forsa, la resistensa e la grande speransa che ancora vivea ´ntel cuor de sti òmeni e fémene. Certi i ze ndà a piè, portando i fiòi pìcoli in brasso o legà su la schena con lensioi consumà, mentre altri i infrontava el viaio su cari improvisà. El scricolar de le rode ´ntei solchi de la tera seca se smissiava con i lamenti de la fame, e la pòlvere de la strada, alsà a ogni passo o scossà, la parea incolarse a la pele e ai polmoni, rendendo el viaio ancora pì duro. El caldo del zorno, misturà a l’umidità de la mata, el trasformava ogni passo in ‘na lota. La foresta infinita la parea inghiotirli pian pian, i fiumi ribeli i desafiava i so limiti, e l’imensità de le tere vèrgini la zera come ‘na metàfora de la solitùdine che spetea tuti.

A ogni chilómetro, el peso del viaio cressea, ma anca la determinassion. Pietro, con le so man calose de ‘na vita de lavoro, no lassava che la debolessa ghe vincesse. Luisa, con l’òcio fermo e la vose dolse, la consolava i fiòi, disendo che el futuro che i spetava in fondo a la strada el saria stà degno de tuti i sacrifìssi. A ogni sosta, a ogni note soto el ciel stelà, ‘na nova speransa la nassea in lori, come ‘na fiameta che resistea al vento fredo de l’incertessa.

Traversando foreste dense, superando fiumi pericolosi, Pietro e la so famèa i ndava avanti, lassando drio i echi de l’Itàlia e enfrentando le novi sfide de ‘sta tera strana. I zera lontan da le so case, lontan da le strade de Cison de Valmarino, ma el spìrito de lota e la promessa de ‘na vita nova in Brasil i tegnea saldi.

La Lota ´nte na Tera Nova

I zorno dopo l’arivo ´ntel mondo novo i zera stà duri. El caldo de l’istà del sud el bateva forte, sensa pietà, mentre l’umidità de la foresta la parea involver tuto come ‘na nèbia sofocante. Ma la famèia Bernasconi no gavea tempo par lamentarse. Ogni matina, el suono de la manara de Pietro che taiava la foresta el bateva insieme al so cuor determinà. El zera un omo con le man calose e ‘na volontà che no se piegava, pronto a trasformar la tera cruda e ostile in qualcosa de suo.

Con solo un’ascia e ‘na falce in man, Pietro el gavea scominsià el laoro duro de desbravar el teren par costruir ‘na capana par la so’ famèia. Ogni colpo de l’atreso ´nte la tera el parea un sforso grandioso, parché el suolo, coperto da ‘na vegetassion densa e dura, el resisteva con forsa. Ma Pietro no se gavea lassà bater. Ogni toco de tera che sedeva soto i so brassi, un spiraio de futuro el brilava pì forte ´ntel so cuor. La so mente, anca se straca e pien de dificoltà, la zera sempre voltà verso quel che vegnia: ‘na casa, el sustento e la promessa de un novo scomìnsio.

Luisa, ancora dèbole dal viaio sfassiante, ma con ‘na forsa silensiosa che parea vegnir da un posto profondo, la se dividea tra curar Lorenzo, che se recuperava pian da ‘na febre che l’avea colpì ´ntel viaio, e preparar el magnar. Polenta fata con formenton sèmplise, qualche pignon e radise che la gavea trovà su le rive del fiume i zera el pasto de ogni zorno, ma el magnar no bastava mai par sfamar la fame. Nonostante tuto, lei no se lamentea. L’òcio che la dava ai fiòi, Emilia e Lorenzo, el zera quel de ‘na mama che, anca con la pena e la strachessa, lei gavea ancora speransa che, con el tempo, el sol el saria tornà a brilar sora de lori.

De note, quando el laoro del zorno finalmente el lassava posto al silènsio de le stele, Pietro el se sentava con i fiòi intorno a ´na pìcola foghera che i podea tegner impissà, anca ´ntei zorni pì ùmidi. El fogo, anca se dèbole, el scaldava i so corpi strachi, ma, ancora pì importante, el nutria le so ànime. Pietro, con la vose grave e calma, el contava stòrie de la so tera in Itàlia provando a tegner viva la conession con el passà, con el Piave e le montagne che tanto el amava. «Lorenzo», el disea, con la man su la spala del fiol, «ricordate chi che semo. No desmentegar mai el Piave e le nostre montagne. Le vive drento de noialtri. No importa quanto ‘sta tera sia strana, no importa la distansa da casa, ste montagne le sarà sempre con noialtri.»

Ste parole le zera el so conforto, la so àncora, mentre i provava a dar forma al futuro lontan che i soniava. Ma el presente, con la so duressa, el zera sensa pietà. L’isolamento el zera total. L’ùnico contato con el mondo el zera con i pochi che passava per le strade de la mata, e le malatie, sensa dotor e con pochi rimedi, le rendeva le note ancora pì longhe e preocupanti. Quando Lorenzo el ze tornà malà, la febre che lo consumava la gavea portà ‘na nova paura, ‘na paura profonda che se infilava ´ntei cuor dei genitori, ma, come sempre, la speransa la era più forte. Luisa, con la so dolcesa e dedicassion, lei passava le note in bianco visin al fiol, fasendo compresse e sussurando orassion, mentre Pietro, anca se tasea e preocupà, el fasea quel che podea par portar pì legna e magnar.

I zorni, e dopo i mesi, i passava lenti, con la sttachessa che se formava ´nte la so vita come ‘na ombra costante. Ma a la fin de l’inverno, quando la tera la zera ancora freda e ùmida, Pietro el gavea podesto versa un toco de tera arà. El gavea vardà la tera, con le man sporche e el sudor che colava da la fronte, e un soriso legero el ze nato su la so’ fassia. La zera ‘na pìcola vitòria, ma par lu la valeva pì de ogni altra cosa. El primo toco de tera che el gavea domà con el so sforso e sacrifìssio ghe gaveva fato vegnir le làgreme ai oci. El zera come se el gavea finalmente tocà ‘na parte del so sònio, qualcosa che, fin alora, el parea lontan come le montagne de la so tera.

Par la famèia, quel toco de tera el rapresentava lo scomìnsio de qualcosa de pì grande, de ‘na casa fata con sudor, con dolori, ma anca con la sertessa che la vita la continuava, che se podea ricominsiar. I gavea ancora tante dificoltà, ma qualcosa de novo el nassea lì, in meso a la solitudine de la mata, a la duressa del laoro e al peso de la nostalgia. La promessa de un futuro mèio la scominsiava a diventar vera.

Pietro, straco ma con l’ànima forte, el gavea vardà la capana che csominsiava a prender forma e, con un fià profondo, el gavea murmurà: «Questa sarà la nostra casa, Luisa. Qua, troveremo pase.»

E cussì, la strada de la famèia Bernasconi la gavea scominsià a prender la forma che i sperava. Un passo a la volta, con fede, con forsa, con speransa.

El Nadal del 1876

Quando el Nadal del 1876 el ze rivà, in quei tempi no ghe zera regali, né àlbori adornà come incòì. El caldo de l’istà el involgea la pìcola capana ndove i Bernasconi i se riparava, e la tera, ancora cruda, la mandava odor de erba seca e de foresta densa che i sirconda. No ghe zera bancheti su la tola, solo la semplissità de la polenta e el poco che i podea coier da la tera.

In quela note, soto el cielo ciaro e caldo, Pietro, Luisa e i fiòi i se gavea riunì intorno a la foghera. El caldo de la fiama el contrastava con la bresa calda che passava tra le àlbori, ma tutavia ghe zera un silénsio profondo e ‘na sensassion de union. El Nadal, par lori, no el zera ‘na festa, ma un momento de orassion, de pensier e de ringrasiamento par la vita e par el coraio de ndar avanti.

«Che el Signor daga a noialtri forsa par continuar», el gavea dito Pietro, con la vose bassa e ferma, vardando le stele che scominsiava a brilar in cielo. «Questo no ze la fin de la nostra lota, ma lo scomìnsio de qualcosa de novo. Insieme, construiremo un futuro.»

No ghe zera risa o canti alegri, ma ghe zera la certessa che lori i zera vivi, e questo, in qualche modo, el zera un motivo par dir gràssie. Le orassion de Luisa e Pietro le se intresiava, domandando forsa e speransa par i zorni che vegnia, un futuro che ancora el parea lontan e inserto.

E cussì, in quela note calda e silensiosa, i Bernasconi i gavea selebrà un Nadal diferente: sensa lussi, sensa feste, ma con la fede silensiosa che, nonostante tute le dificoltà, el futuro ghe reservava ancora ‘na possibilità de prosperar.

Nota del Autor

La costrussion de Echi de un Sònio Lontan la ze nata da ‘na profonda admirassion par le stòrie de coraio e resistensa che ga formà le basi de tante nasion. Inspirà da la saga dei emigranti italiani che, a la fin del secolo XIX, i ga traversà ocean in serca de un futuro mèio, sto romanso el vol onorar le memòrie de quei che, anca davanti a dificoltà che no se podea imaginar, i ga tegnù viva la fiama de la speransa.

Sto libro el ze ‘na òpera de fission, ma tante de le situasion contà le ze el riflesso de raconti veri che mi go trovà in diari, letere e registri stòrici. La soferensa, l’isolamento e le fadighe ‘nfrentà da sti pionieri no le ze stà romantisà; al contràrio, mi go provà a mostrar la cruda realtà che i sirconda. Tutavìa, mi go sercà de selebrar la so forsa, le so tradission e l’eredità cultural rica che i ga portà con lori.

La narrassion, pì de tuto, la ze un omaio. ‘Na ode a quei che no solo i ga sonià, ma i ga avù l’audassia de lotar par el sònio, anca in tere scognossù, tra foreste dense e mari ribeli.

Ringrazio tuti i stòrici, i risercatori e i dissendenti de emigranti che i ga condividì le so stòrie con mi, permetendo che le so vose le ecoa in sto libro. Spero che Echi de un Sònio Lontan no solo el comova, ma el inspire anca pensier sul poder del spìrito umano davanti ai sfidamenti, ricordandose che le radise che piantemo ancò le pol fiorir in qualcosa de straordinàrio par le generassion che vegnerà.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Alvise Pavesa – Tra la Tera e el Destin

 


Alvise Pavesa – Tra la Tera e el Destin

Alvise Pavesa el ze nassesto ´ntel 1857 a San Vigilio, na pìcola frasion de Castiglione delle Stiviere, tra le coline de la provìnsia de Mantova, ndove i campi magri i dava mal da magnar a chi che ghe viveva. Fin da bòcia el gavea imparà che la tera la podea esser maregna, dando solo racolte insufissiente e laoro senza respiro. L’unificassion de l’Itàlia no gavea portà solievo; le tasse zera pì alta, i soldà i portava via i zòvani, e le famèie e pòvere le se vardava strasà da el peso de le dèbite. Par i Pavesa, sopraviver zera na sucession de inverni duri e state ingrati.

In sto contesto el ga scominsià a sentir parlar de l’Amèrica. Le lètare che vegnia da l’altro lato del ossean, mandà da miaia de emigranti che i zera partì, le se fasea sempre pì frequente, contando de tere vaste, de racolte abundante, de paroni assetà de brasse forti. Òmeni ben paroliere i girava le frasion, spargendo fólie stampà, prometendo prosperità da l´altra banda del mar. La misèria la rendea ste parole pì convincente che ogni sermon. Alvise el ga resistì fin che podea, ma el peso de le dèbite e la paura de no èsser capace de mantener i fiòi che vegnaria el ga spinto a la decresolussion ireversìbile. El ga vendù quel poco che gavea, el ga dato adio al paeseto e, con la mòie e la fiola de 7 ani, int novembre del 1888 el se ga ndà via par el porto de Genova.

El imbarco ze stà la prima scossa. El barco el zera pien de famèie intere, veci, done gràvide, fiòi in brasso, tuti streti ´ntei fondi ùmidi che odorava de mufa e de mar. La traversia del Atlántico ze stà na soferensa de setimane. L’ària rarefà la mescolava el odor dei corpi, gómito e feci. Ogni tosse che rimbombava ´ntel scuro pareva anunciar un altro condanà. Tanti i ga sedù a la febre prima ancora de vardar tera ferma, e i morti i zera avolti in teli veci e butà in mar, soto el sguardo terorisà dei sopravissuti. Alvise el pregava in silénsio a ogni corpo che spariva tra le onde, temendo che la so famèia zera stà la prossima.

Quando, finalmente, le prime ombre de la costa brasilian i comparì, un clamor el ga percorso el barco. Qualchedun se ga inzenocià, altri i ga piansesto, e tanti i ga ringrasià Dio de èsser vivi. Alvise el restava in silénsio, con i oci fissà su la lìnea del horisonte. Quela tera promessa no la se someiava gnanca un poco a l’Itàlia che gavea lassà drio. El verde intenso dei boschi, el calor sofocante e el cielo pesante anunciava che gnente qua el saria fameiar.

Arivà a Campinas, ´ntel interior de São Paulo, el ga presto capì la distansa tra la promessa e la realtà. El clima ùmido e rovente el castigava sensa pietà. I campi de cafè e de cana de zùcaro, che dominava la region, i voleva dissiplina quasi soprumana: el laoro el scominsiava con I primi ràgi de sol e finia solo quando el scuro calava. El contrato con i paroni no zera mèio de la servitù. I salari i basta mal par comprar farina e fasòi, e la possibilità de gaver un toco de tera pròpria parea sempre pì lontan.

In zenaro del 1889, la so mòie la ga dato a la luse ´na fiola, lora ciamà Caterina, nome de ´na de le none de Alvise. La ze rivà come segno de speransa, ´na pìcola vitòria contro la duresa del destin. Ma el calor e la febre i ghe impedì de batisarla sùbito. El decise de spetar che el tempo se rinfrescasse, come se solo el ritardo podesse proteger la fiola da la morte precoce che circolava tra tante famèie. La fiola pì vècia, Maria, zera malà da setimane, la febre che brusava el corpo. Alvise el vardava ´nte lei el riflesso de la so impotensa: lontanansa dei mèdici, mancansa de medicamenti, l’ùnica speransa deposità ´ntela providensa divina.

La vita a Campinas zera na lota contro nemici invisìbili. I inseti i entrava ´ntei piè, lassando feride che no cicatrisava mai. La malària la ciapava vite sensa aviso, e la febre zala la tornava in scopi che terrorisava la colónia. Tanti coloni, presi dal desespero, i maledisea l’Amèrica e fin el nome de Colombo, acusandolo de gaver scoèrto un mondo che rivelava pì castigo che benedission. Altri, rasegnà, i ripetea che, se almanco podessero viver sensa dèbite, i staria mèio in Itàlia.

A San Paolo, l’insodisfassion la sfosiò in ribelion. Coloni italiani, inganà da promesse false de tera, i se ga levà contro i propri sfrutadori. La repression la zera stà dura, ma la notìssia la ze rivà presto ´ntel interior. Alvise el sentiva cresser tra i emigranti na nube de scetisismo. Tanti i soniava de tornar, ma i savea che la traversia costava pì do che i podesse racolier in ani de laoro. Altri, già indebità con i paroni, no i gavea gnanca la possibilità de partir.

Eppur, pìcoli gesti de fede i sostegnea chi che no se arendeva al desespero. Alvise el facea promesse in silénsio. El pregava i parenti ancora in Itàlia che i mandasse celebrar misse ´ntel so paeseto, ringraziando la sopravivenza in meso a tanti perìcoli. El mantegnea con sé la memòria de le procession de Castiglione, el suon dei campanili de la cesa de San Luigi Gonzaga, le figure dei santi iluminà da candele. Ste memòrie le ze diventà el so conforto, el ponte invisìbile tra la vita che gavea perso e quela che provava a costruir.

La colónia italiana intorno a Campinas se reorganisava con solidarietà. Le famèie dividea sementi, utensili, senza, tochi de pan. Le noti i zera pien de ciàcole a la fiaca luse de le lamparina, ndove ognuno contava la pròpria stòria, forse ´ntela speransa de no dimenticar chi el zera prima. Ma la nostalgia rosegava. Tanti sentia l’Itàlia pì viva ´ntei ricordi che el Brasile davanti ai oci. Alvise, che tante volte el ga maledisso i campi magri de la so provìnsia, ora i ghe pareva meno crudeli de la selva tropical che dovea afrontar.

La pìcola rossa de maìs recém piantà intorno a casa prometea ´na racolta modesta, ma che bastava par dar da magnar par un bon tempo. La cana de zùcaro, da l’altra parte, la volea sforso incessante, ciapando forse che el credea de no aver. Ogni matina, ciapando la sésola, Alvise el sentiva i ossi pesar come piombo. Ma el savea che, se el se smolava, la famèia la moria.

´Ntel fondo del cuor, el capiva che la vita ghe gavea imposto el ruolo de generassion de sacrifìssio. No ciaparia la prosperità promessa. No gavaria riposo né tera pròpria. Ma el mantegnea la speransa che i fiòi, e i fiòi dei fiòi, i eredaria pì che misèria. Lori eredaria radisi ben piantà in sta tera straniera, anafià con el sudor e le làgreme de chi gavea pagà el pressio pì alto.

E cusì, tra zornade de calor sofocante e noti de febre, tra ricordi de l’Itàlia e preghiere sussurà soto el ciel stelà de Campinas, Alvise Pavesa el moldava la so vita al destin che el zera scelto. La traversia no finia al porto; la se stendea in ogni zornada tra i piè de cafè, in ogni làgrema davante la fiola malà, in ogni toco de pan spartì con i visin. Un ome strapà da la Lombardia da la fame, lanssià ´ntel cuor del Brasile da la speransa, e che ora capiva che la sua vera eredità no zera richesse né tera, ma la resistensa silensiosa de chi no se arende davanti a la aversità.

Alvise Pavesa el se ga envechià tra el calor sofocante dei campi e l’ombra de le coline lontae de la so tera natal. Ogni gòssia de sudore, ogni dolor e ogni preghiera i se trasformava in radisi invisìbili, ben fermà ´ntel solo straniero che ora el ciamava casa.

I fiòi i ga cressesto ascoltando stòrie de na Itàlia lontan, imparando che el valor de la vita no se misura in tera o soldi, ma ´ntel coraio de traversar osseani, afrontar malatie e mantegner viva la speransa.

E cusì, ´ntel silénsio de le noti tropicai, Alvise el comprese che la so vera traversia no zera l’Atlántico, ma la vita intera: na zornada de resistensa, amor e fede, che fiorirà in generassion future. La pàtria persa restava ´ntei ricordi, ma la tera conquistà con el sforso la se ga diventà eternamente soa. 

Nota del Autor

La stòria de Alvise Pavesa – Tra la Tera e el Destin, qua presentà in forma consisa, ze ´na narativa ispirà ai raconti veri dei emigranti italiani che, verso la fin del XIX sècolo, i ga traversà l’Atlántico in serca de na vita mèio in Brasile. Anche se i personai e i eventi qua descriti i ze fitisi, i riflete l’esperiensa coletiva de miaia de òmini, famèie e bambin che i ga afrontà fame, malatie, laoro stracante e nostalgia de ´na tera natal lontan.

Scrivendo sta stòria, mi go sercà de restar fedele a lo spìrito de l’època: a la duresa de le colònie agrìcole, a le dificoltà imposte dal clima e dal laoro, e sopratuto a la resistensa e a la speransa silensiosa che sostegnea chi che se lanssiava ´nte lo scognossesto. El letor troverà tra le pàgine de sta narativa no solo soferenzsa e lota, ma anca el poder dei ricordi, de la solidarietà e del coraio de chi, anche di fronte al destin pìadverso, no ga mai perso la fede ´nte la vita.

Sto libro ze, sopratuto, un omaio a tuti i emigranti che i ga costruì le pròprie stòrie e, atraverso el so sforso, i ga piantà radise in tere straniere, lassando ´na eredità de resistensa e speransa che atraversa generassion.

Dr. Piazzetta

sábado, 25 de outubro de 2025

Dove che le Speranse le và a morir


Dove che le Speranse le và a morir

Còrdoba, Argentina — Ano 1889


La Prima Note in Amèrica

Quando che Gaetano Bernardi el ga vardado le luse sporche de Buenos Aires, drio el vapor Piemonte, la note la zera za cascà sora el mar. I tre italiani che i zera con lu — un marangon de Vicenza, un contadin trentin e un zòvene che disea de sonar el violin — i zera massacrà da la fadiga, ma l’entusiasmo el brusava ancora come ‘na bronsa picenina drento un corpo che da mesi no vardava pan. I ze sbarcà inseme, con i piè pesanti, tirandose drio le sporte strasse, fin a ‘na osteria scondesta, li visin al´Ufìcio de l’Imigrassion.

La ostaria la zera pì ‘na tana de sorzi che no un loco par riposar. Un stansino ùmido, puzolente, con el teto che pareva voler cascàr e un cúcio de paia sudà che parea pì el cucioleto d’un can che no un leto da cristian. La porta sbateva con el vento del Rio de la Plata, come se la sità la ridea de la so rivada. Gaetano no el gà durmì. El sentiva el fredo entrarghe soto el vestito, pì ancora de ogni inverno passà sora le coline del Véneto.

El zorno dopo, con le scarpe tacà de baro e la camisa che se incolava dosso de la umidità, el ze ‘ndà solo fin al edifìcio de l’imigrassion. El caos de la sità lo sbatea come un mulin: carosse che se incrosava, òmeni che urlava in léngoe che lu no capiva. Gaetano el ghe tocava saltr come un capreto tra le pose e i buchi. Ma par sorte — o par voler del Signor — el se ga trovà con Giovanni, el so nevodo, che el zera za sistemà par là. El lo spetava con el muso serio e le man ruvinà. No ghe ze stà ne abrassi, ne pianti. Solo un sguardo tra do mondi — quel che el restava e quel che el rivava.

Par do zornade, Gaetano el ga visto soloel contorno de ‘na Buenos Aires fata de contrasti. El passeava tra le strade drite, contandoghe i passi come su un quadrileo. Tuto ghe pareva piato, scuro, sensa òrdine. Le case basse, la misèria che se respirava. Ma passando par la Plaza Victoria, sora un tramonto sporco e un vagon che tremava, el ga visto anca l’altra face: palassi de stile francese, boteghe che luseva, vetrine che pareva Parigi. El Parque Palermo el zera un giardin de odor e color. Lì ghe pareva de scordar la lama. Ma dura poco. Come tuto in sto mondo novo.

La note del 16 de ottobre, Gaetano e Giovanni ize partì in treno da la Estación del Sud, la pì granda de la capital. Destinassion final: ‘na piòla de tera che i ghe gavea promesso lì sora Río Segundo, in la provínsia de Córdoba.


La Pianura Sensa Fìn

El treno el se moveva lento, sbufando fumo nero che se sparpagnava ´ntel celo scolorì. Par pì de quìndese ore, la locomotiva la ga traversà le pampas, ‘na distesa sensa fin, piata, muta, ndove el tempo pareva smarirse tra l’erba seca. Gaetano el restava sentà, con i oci incantà sora l’orisonte, come se el spetasse de vardar ‘na cesa, ‘na pianta sola, qualsiasi segno de vita che rompesse el silénsio.

Passava per paeseti sparsi, gnente pì che barache de fango e teia. In qualchedun, se vedeva qualche figura — òmini con el capelon, done con i sciale, putei scalsi coerti de pòlvere. Ogni fermada, Gaetano el se sentiva pì lontan da tuto quel che el gavea conossesto, come se la Europa la se stesse sgolando da la so memòria.

Quando i ze rivà al destino, zera za note fonda, con la nèbia che la serava tuto. El vagon el ga scrichiolà fin che el se ga fermà, e quando i ze calà, i zé stà assaltà da un vento che portava odor de pasto, sterco e parole rote. No ghe zera lusente, gnanca ciàcole. Solo el celo scuro con le stéle come spin conficà.

Lì ghe spetava un grupeto de coloni. Òmini con i gesti streti, visi scavà dal sol, la pela dura come cuoio. Zera italiani, ma le so léngoe za se mescolava con lo spagnol, con el lombardo, con quel che restava de le radisa. Le so robe zera polverose, i capeli disfà, ma i oci — quei ghe contava tuto: “La ze qua che la vita la ricomìnsia?”

El vilareto no pareva ‘na tera promessa. Pareva ‘na fermada tra el sònio e la verità smarì.

La casa de Giovanni la zera fata de baro e lamiera, con le crepe che lassiava passar el vento de la pampa. Gaetano el ga trovà un toco de pan duro, un goto de vin grezzo e un silénsio che fasea pì mal che la nostalgia. Ne i zorni dopo, el ga scominsià a laorar con i campi de formenton. La tera zera forte, ma no la perdonava. I zorni longhi, sechi. El laoro — pianàr, rasentar, far recinti, cavar posi — no finiva mai. La note, el scrivea lètare che no mandava, come se parlasse con el foglio quel che no gavea coraio de dir. La paura de gaver sbaglià strada, el peso de gaver lassà tuto par ‘na Amèrica che no zera quela contà dai libreti.

Ma anca in quella solitùdine ghe zera un senso grando. I gesti ripetido zera come segni sora ‘na pàgina bianca. E pian pianin, Gaetano el imparava che la libartà no vien da le promesse, ma da la forsa de scavar con el pròpio brasso la tera nova.

Radisa in Tera Foresta

I mesi i ze diventà ani. Gaetano no el ze mai tornà in Itàlia. Lu el ga mandà do lètare e basta. Lu el ga comprà un peso de tera con el so nome,el ga piantà vigne toste e el ga imparà a contratar con i capistassion. I visin i lo ciamava "El Véneto", e el so vin aspro el gavea fama tra i careter.

Gaetano no lo ga mai sposà. Lu el ga piantà àlbari de ombra, el ga tirà su un capanon, e lu ga costruì pian pianin ‘na casa che podesse resister al tempo e al ricordo. El ze morto ´ntel 1912, in tempo de seche, ma el ze stà sepolto soto un flamboyant che lu stesso lo avea piantà — che, in quela primavera, el ga fiorì come un ùltimo gesto de dir: “Mi son rivà.”

Sora la piera, i ga scrito:

“Gaetano Bernardi – rivà da lontan – el ga piantà el so destin dove che el sol zera pì forte del fredo.”

Nota de l'Autor

Parché mi go scrito Dove che le Speranse le và a morir

Sta stòria la zé nassesta da un silénsio. Un silénsio che da generassion el se senta drio le tole de le famèie che vien da emigranti, come se ghe fusse un pato scondesto par no tocar la pena de chi che la ga lassà tuto par 'ndar via. Sempre mi go domandà cossa che se nascondea drio le date scalfìe sora le piere del cimitero, drio le foto scure de òmini serie e done con i oci strachi. E po' go mi go capìo: drio ogni cognome, ghe zera 'na traversia, 'na pèrdita, un ricominsiar — e, quasi sempre, 'na disilusion.

Dove che le Speranse le và a morire ze, prima de tuto, un gesto de restituission. Un tentativo par dà vose a quei che i ga lassà tuto drio credendo in 'na promessa che no la ze mai rivà. No la go scrito par far bela la epopea de l'emigrassion italiana in Argentina, gnanca par cantar la resistensa eròica dei coloni. La go scrita par contar quel che se tase: che l'Amèrica no la ga sempre acolto, che la tera promessa la podea èsser rùgia, e che tanti de quei che i ze rivà no i ga catà oro gnanca grano — ma fango, fredo, solitùdine e 'na lota ogni zorno par no perder la fede.

Gaetano Bernardi lu el ze un personaio inventà, ma la so strada la ze fata de tanti testimoni veri, de lètare sparì tra le carte, de parole sentì sora le panchine de le famèie contadin, de stòrie che se conta pian come un rosàrio in dialeto. El rapresenta l'omo che no ga fondà sità, che no ga scrito libri, ma che, con le man ´nte la tera e el corpo piegà da la vita, el ga segnà el mapa scondesto de la identità italo-platense.

El tìtolo Dove che le Speranse le và a morir no el ze un dir no a la speransa, ma un riconosser quel che la speransa la domanda par restar viva: no ilusion, ma radisa. Qualche olta, el ze stà bisogno che la speransa vegia — romántica, europea, fata de soni — la morisse, par far nasser un'altra: pì dura, pì vera. Sta stòria la ze un tributo a sta trasformassion.

Scrivarla la ze stà un modo par capir de 'ndove che vegno mi. E magari, far capir anca qualcun altro da 'ndove che el vien. Se el letor el se ritrova in sta stòria — un biso, 'na nona, 'na pàgina de la so famèia — alora sto libro el ga compì el so dover: tegnìer viva la memòria de chi che el ze vegnù prima de noaltri, par no lassar che i so passi i sparisse par sempre ´nte la pòlvere de le pampas.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta