sexta-feira, 9 de outubro de 2026

List of Italian Passengers Aboard the Steamship Porteña, Departing from Marseille to Brazil, 1876


Steamship Porteña

List of Italian Passengers Aboard the Steamship Porteña

Departing from Marseille, 1876 


Ampezzan

Argento

Atanasio

Bailini

Basso

Belloni

Bergagno

Bombassaro

Brambilla

Capello

Capetto

Casagrande

Conte

Crivellati

Curiolo

Dalle Grave

Deboni

Ferrero

Fizian

Fortin

Garbin

Gaspar

Gasperi

Giovannoni

Gentile

Marzorati

Masadei 

Martorano 

Maddalena

Marjetti

Patatucci

Pratiei

Ponzoni

Rech

Sabben

Salvaor

Sicilia

Susin

Tome

Valentin

Viannesi

Vicelli

Virgilio

Zollet

Zucco




Lista Passageiros Italianos Vapor Porteña Procedência Marselha 1876

 


VAPOR PORTEÑA

PROCEDÊNCIA MARSELHA 

1876


Ampezzan
Argento
Atanasio
Bailini
Basso
Belloni
Bergagno
Bombassaro
Brambilla
Capello
Capetto
Casagrande
Conte
Crivellati
Curiolo
Dalle Grave
Deboni
Ferrero
Fizian
Fortin
Garbin
Gaspar
Gasperi
Giovannoni
Gentile
Marzorati
Masadei 
Martorano 
Maddalena
Marjetti
Patatucci
Pratiei
Ponzoni
Rech
Sabben
Salvaor
Sicilia
Susin
Tome
Valentin
Viannesi
Vicelli
Virgilio
Zollet
Zucco


O Cão Que Me Levou às Origens Italianas da Minha Família


O Cão Que Me Levou às Origens Italianas da Minha Família

“Às vezes, uma história familiar inteira permanece escondida durante décadas, esperando apenas que uma pequena pista apareça no momento certo.”

Desde menino, e isso já faz muito tempo, sempre tive curiosidade pela história da minha família. Estamos falando da década de 1950, quando eu ainda era criança e já me perguntava quem tinham sido meus antepassados, o que faziam, de onde haviam vindo, por que deixaram a Itália e como tinham chegado ao Brasil.
Eu sabia que minhas raízes eram italianas, principalmente pelo sobrenome e por algumas informações vagas transmitidas pelos mais velhos. Mas saber que uma família veio da Itália é muito diferente de saber de onde, exatamente, ela veio. Eu queria encontrar aquele lugar no mapa. Queria descobrir a comunidade, a região, a história daqueles que haviam atravessado o oceano e deixado para trás uma parte de sua vida.
Durante muitos anos procurei respostas por conta própria. Perguntava aos parentes mais velhos, tentava reunir as poucas lembranças existentes e buscava algum indício que pudesse orientar a pesquisa. Na minha cidade havia várias famílias com o mesmo sobrenome. Algumas eu sabia que eram parentes; outras, não. Mas faltava justamente aquilo que eu mais procurava: uma ligação concreta com o lugar de origem na Itália.
Casei, tive filhos e a vontade de conhecer minhas raízes tornou-se ainda maior. Eu queria um dia poder contar aos meus filhos não apenas que nossos antepassados eram italianos, mas de onde eles haviam vindo e como aquela história havia chegado até nós.
Foi então que, ainda numa época em que não existia internet, aconteceu algo que eu jamais poderia imaginar.
Eu havia comprado uma casa com um grande terreno e queria ter um cão para ajudar na segurança. Para conhecer melhor as raças, pedi emprestado a um casal de amigos um livro ilustrado sobre cães. Entre tantas raças, escolhi o Rottweiler.
Comecei então a procurar um criador. Entrei em contato com o Kennel Clube e perguntei onde poderia encontrar um canil de boa reputação. Indicaram-me um dos criadores mais conhecidos da região, também ligado à criação de cavalos e à atividade rural.
Perguntei o nome do proprietário.
Quando ouvi o sobrenome, levei um susto.
Era o mesmo sobrenome da minha família.
Mais do que isso: descobri que o proprietário do canil era meu primo, filho de um irmão mais velho de meu pai. Nós havíamos nos conhecido na infância, mas fazia muitos anos que não nos víamos. Ele também não sabia que eu morava naquela região.
Fui visitá-lo.
No canil havia uma cadela Rottweiler com sete filhotes, todos com pouco mais de um mês. Meu primo permitiu que eu escolhesse um deles. Escolhi o meu e combinei de buscá-lo quando completasse dois meses de idade.
O filhote já estava registrado no Kennel Clube e tinha recebido um nome: Danke.
Naquele momento, eu não poderia imaginar o quanto aquele cão ainda estaria ligado à minha história.
A reaproximação com meu primo acabou nos levando também a conversar sobre nossa família. Ele era alguns anos mais velho e, assim como eu, sabia muito pouco sobre a origem de nossos antepassados italianos. Seu pai, meu tio, dizia que o avô e o bisavô que haviam vindo da Itália não gostavam de falar sobre o passado.
Durante uma dessas conversas, meu primo se lembrou de algo que havia encontrado muitos anos antes.
Depois da morte de nosso avô, seu pai havia recebido alguns de seus livros. Dentro de um deles, meu primo encontrou um pequeno pedaço de papel amarelado, escrito a lápis. Havia apenas uma palavra:
Pederobba.
Para mim, aquilo poderia ser a primeira pista concreta que eu procurava havia tantos anos.
Mas havia um problema: no início da década de 1980, não existia internet. Não tínhamos mecanismos de busca, bancos de dados genealógicos ou mapas digitais. Uma palavra escrita em um papel antigo podia ser uma pista preciosa, mas também podia permanecer indecifrável por muito tempo.
Eu era radioamador e mantinha contatos frequentes com pessoas de diferentes partes do mundo. O radioamadorismo exigia familiaridade com geografia e, durante meus contatos, eu costumava receber cartões QSL, muitos deles acompanhados de fotografias, cartões-postais ou mapas das cidades e regiões dos outros operadores.
Foi justamente por meio de um amigo radioamador italiano que a pista começou a ganhar forma.
Ele me enviou um mapa da província de Treviso e um cartão-postal da cidade de Treviso, distribuído pelo jornal local Tribuna di Treviso. Ao examinar o mapa, encontrei o nome que estava procurando:
Pederobba. O lugar ficava na província de Treviso, próximo à divisa com a província de Belluno.
Pela primeira vez, aquela palavra escrita a lápis no velho livro tinha encontrado um lugar concreto no mapa. Eu finalmente sabia onde procurar.
Mas ainda não sabia se Pederobba era realmente a terra de meus antepassados.
Decidi então escrever para o diretor do jornal Tribuna di Treviso. Meu italiano era muito limitado. Para escrever a carta, precisei recorrer a um pequeno dicionário português-italiano. Expliquei quem eu era, onde morava, que estava procurando minhas origens familiares e que acreditava que meus antepassados poderiam ter vindo da província de Treviso.
Fiz uma pergunta simples: seria possível verificar se existiam leitores ou assinantes do jornal com o mesmo sobrenome que o meu?
Minha intenção era apenas encontrar minhas raízes.
Pouco mais de um mês depois, aconteceu algo que jamais esqueci.
Recebi quase ao mesmo tempo seis cartas vindas da Itália, todas relacionadas ao meu sobrenome. O diretor do jornal havia se sensibilizado com a minha história e com aquela carta escrita em um italiano ainda muito rudimentar. Decidiu publicá-la em uma edição dominical, distribuída por toda a província.
Das seis cartas, duas vieram de pessoas que realmente tinham um parentesco distante comigo.
Um casal de Pederobba se dispôs a ajudar na pesquisa. Eles procuraram outras pessoas, conversaram com conhecidos e chegaram até um historiador local que, pelo seu extraordinário conhecimento da história e das famílias do município, era considerado uma espécie de arquivo vivo de Pederobba.
A partir daí, a pesquisa ganhou outro rumo.
Mantive correspondência frequente com aquelas pessoas e, no ano seguinte, viajei à Itália.
Eu ainda não dominava o italiano. Viajei em uma excursão que ficaria hospedada a cerca de uma hora e meia de automóvel de Pederobba. Eu teria apenas um dia para encontrar aquelas pessoas e, para isso, precisei abrir mão de uma visita programada ao Santuário de Santo Antônio, em Pádua.
Naquela manhã, o casal foi me buscar no hotel.
Levaram-me para sua casa, onde me esperava um grande almoço com vários familiares. Depois, durante a tarde, mostraram-me Pederobba e os lugares ligados à história de nossa família.
Aquele encontro representou muito mais do que uma viagem. Pela primeira vez, eu estava diante da terra que durante tantos anos havia existido apenas como uma pergunta na minha memória.
Mais tarde, estudei italiano e voltei muitas vezes à Itália. Como não havia hospedagem suficiente em Pederobba, passei a ficar em um município vizinho Alano di Piave, e ainda eu sem saber era o local de nascimento do meu trisavô. Aos poucos, com novas viagens, documentos, cartas, conversas e pesquisas, fui reconstruindo a história de minha família.
Foi assim que aquela palavra escrita a lápis em um velho livro deixou de ser apenas uma pista. Pederobba tornou-se um lugar real, uma referência concreta e, sobretudo, parte da minha própria história.
Tudo isso aconteceu há mais de quarenta anos. Danke viveu pouco tempo, mas foi um grande amigo e um fiel companheiro. E, sem que eu pudesse imaginar no dia em que o escolhi, acabou fazendo parte da descoberta das minhas próprias raízes.
O mais curioso é que seu nome já estava escolhido antes de eu conhecer o primo, o velho bilhete ou Pederobba. Danke, em alemão, significa “obrigado”.
Pode ter sido apenas uma coincidência. Mas, depois de tudo o que aconteceu, essa palavra adquiriu para mim um significado que o tempo não apagou.
Quando penso naquele cão e na história que começou com ele, só consigo dizer:
Danke. Obrigado.

Nota do autor 

Esta é uma história real da minha própria família. Os acontecimentos narrados ocorreram há mais de quatro décadas, quando ainda não existia a internet e as pesquisas genealógicas dependiam de cartas, mapas, jornais, documentos, contatos pessoais e, muitas vezes, de muita persistência. Durante mais de três décadas, também acompanhei de perto inúmeras famílias de descendentes de italianos em suas buscas pelas próprias origens. Aprendi que uma pesquisa familiar pode começar com uma pista aparentemente insignificante: um nome, uma fotografia, uma certidão, uma lembrança de família ou, como aconteceu comigo, um pequeno bilhete escrito a lápis dentro de um velho livro. As imagens que acompanham este artigo são ilustrativas e foram geradas por inteligência artificial. Elas não representam fotografias reais dos acontecimentos narrados. O relato, porém, é verdadeiro e conta como consegui reencontrar minhas raízes em Pederobba, na província de Treviso, Itália.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Autor e pesquisador da Imigração Italiana e histórias familiares



Italians in Coffee and on the Land: The Italian Diaspora in Brazil


Italians in Coffee and on the Land: The Italian Diaspora in Brazil

“The Italian diaspora did not follow a single road. Some families crossed the Atlantic to America; others followed the same ancestral paths to Brazil.”


When Italian-Americans think about the great Italian migration of the nineteenth and early twentieth centuries, the familiar destinations are often New York, Boston, Chicago, Philadelphia, Pittsburgh, and the industrial and mining towns where their own ancestors struggled to build new lives. But the Italian diaspora was never an exclusively American story. Millions of Italians crossed the Atlantic in the same decades, following different routes toward different promises. Some went to the United States. Others went to Brazil, Argentina, Uruguay, Venezuela, Australia, and elsewhere. Their destinations were different, but many carried the same things with them: a village name, a family surname, a Catholic faith, a few possessions, memories of a difficult homeland, and the hope that their children might have a better future. Among the largest groups to leave Italy were the people of Veneto. Their migration to Brazil became one of the most consequential chapters in the formation of modern Brazilian society, particularly during the final decades of the nineteenth century and the beginning of the twentieth. Between roughly 1870 and 1920, approximately 1.4 to 1.5 million Italians entered Brazil, with Venetians especially prominent in the earlier migration flows. Many came from the provinces of Treviso, Vicenza, Padua, Rovigo, Belluno, and Verona. They were overwhelmingly rural people—contadini accustomed to working small plots, vineyards, fields, and family farms. They left an Italy transformed by unification, economic hardship, agricultural crises, indebtedness, disease, population pressure, and limited opportunities for rural families. Like Italians arriving in New York, Pennsylvania, or the industrial cities of the American Northeast and Midwest, they often departed because remaining had become difficult to imagine. Yet the Brazil they encountered was not the paradise sometimes described by immigration promoters. It was a country undergoing profound transformation, and immigrants were drawn into two very different worlds: the expanding coffee economy of southeastern Brazil and the agricultural colonies being established in the south.

The Veneto They Left Behind

To understand why so many Venetians left, it is necessary to look at the countryside they knew. In the second half of the nineteenth century, Veneto was predominantly rural. Families depended on cereals, vineyards, vegetables, livestock, and whatever could be produced on small and often fragmented holdings. The family was an economic unit as much as a household. Parents, children, and relatives worked together because survival often depended upon every available pair of hands. Polenta was a staple food. Meat was not an everyday luxury for many rural families. Housing could be crowded and damp, and agricultural income was vulnerable to poor harvests, disease, taxation, debt, and fluctuating prices. Italian unification did not immediately bring prosperity to these communities. For many rural families, the new nation meant new taxes and obligations without an immediate transformation of everyday life. Land was divided among heirs, farms became smaller, and young people faced a future in which there might simply not be enough land to support another generation. Emigration became a strategy for the family, not merely a personal adventure. A son might leave first. A brother might follow. A neighbor would hear about wages abroad. Eventually, an entire family might cross the ocean. Historian Emilio Franzina has examined this great Venetian exodus in detail, showing how emigration became deeply woven into the social and economic life of Veneto. Brazil appeared in letters, advertisements, recruitment campaigns, and conversations as a place where land and work might be available. The reality would prove far more complicated.

The Coffee Fields of São Paulo

For many Italians arriving in Brazil, the first destination was not a small farm of their own but a coffee plantation. São Paulo was becoming the center of a rapidly expanding coffee economy. As slavery was abolished in Brazil in 1888, the demand for free labor increased, and immigration became central to the transformation of the agricultural labor force. Coffee plantations expanded westward toward areas such as Campinas, São Carlos, Ribeirão Preto, and Brodowski. Immigration organizations and plantation owners actively recruited European workers. Italian families entered the colonato system, in which a family was assigned responsibility for a certain number of coffee trees or a parcel of land and received payment according to established arrangements. They could often cultivate food crops such as corn and beans between the coffee rows, helping supplement what they earned. On paper, the system offered an opportunity. In practice, the balance of power was heavily unequal. Families could become dependent upon plantation stores, employers, transportation arrangements, and debts accumulated before or after arrival. Contracts could be difficult to understand, especially for immigrants who spoke only Italian or a Venetian variety. Working conditions were physically demanding, and reports of mistreatment and disputes were not uncommon. The climate itself presented another challenge. The hot Brazilian sun was far removed from the temperate hills and plains of northern Italy. Yet Venetian families adapted. They learned the rhythms of coffee cultivation, raised food, formed neighborhood networks, attended church, and maintained connections with people from the same villages. In places such as Ribeirão Preto, the Italian presence became particularly significant. São Paulo absorbed a very large share of the Italians who entered Brazil during the great immigration period, and their labor helped sustain the coffee economy that generated enormous wealth for the state. Some immigrants eventually accumulated enough savings to leave the plantations. They moved into towns, opened shops, became artisans, entered construction and manufacturing, or purchased small properties. Others returned to Italy. Still others moved onward to Argentina or the United States. Immigration was not always a one-way journey. It could be a sequence of departures, returns, and second migrations.

From Coffee to the Land

The experience in southern Brazil followed a different path from the labor system of the São Paulo coffee plantations. Italian settlement grew out of a colonial system that was already taking shape. In 1870, the provincial government created the colonies of Conde d’Eu and Dona Isabel on lands made available by the Brazilian Empire. Five years later, in 1875, the arrival of large numbers of Italian immigrants transformed these existing settlements into the heart of a new phase of Italian colonization. That same year, the colony of Caxias was established to receive additional immigrants. In 1876, administration of the principal colonies passed to the Imperial government, and in 1877 another major settlement, Silveira Martins, was established. From these nuclei, Italian families gradually spread through the Serra Gaúcha and neighboring regions, clearing forests, establishing farms, planting vineyards, and building communities that would become enduring centers of Italian-Brazilian life. The distinction matters. The colonies themselves did not begin in 1875, nor were they originally created specifically as Italian settlements. What changed in 1875 was the scale of Italian immigration into this existing colonial framework. The arrival of thousands of northern Italians transformed the demographic and cultural character of the region.
The promise of becoming small landowners was therefore accompanied by enormous physical effort. The immigrants were not arriving on ready-made farms. Forest had to be cleared. Roads had to be opened. Houses had to be built. Fields had to be prepared. Families often worked together from dawn until evening. In the beginning, the forest was not merely beautiful. It was an obstacle that had to be transformed by hand. Axes, saws, animals, fire, and human labor gradually turned wilderness into fields and vineyards. Houses were constructed from wood or stone. Kitchens and living spaces centered around the fire. Corn, beans, vegetables, fruit, and eventually grapes became part of the agricultural economy. The family farm provided a degree of independence that was very different from life on the coffee plantations of São Paulo. Yet independence did not mean ease. The first generations faced isolation, difficult transportation, poor roads, limited medical care, and the constant challenge of producing enough to feed the family while establishing a permanent home.

The Vineyards of the Serra Gaúcha

Among the most enduring Venetian contributions to southern Brazil was viticulture. Immigrants brought agricultural knowledge from a region where vines had been cultivated for generations. The landscape was different, the climate was not identical, and the varieties of grapes had to adapt, but the knowledge traveled with the people. Over time, grape growing and winemaking became fundamental to the economy and identity of parts of the Serra Gaúcha. Today, the vineyards and wineries of the region are among the most visible expressions of this Italian-Brazilian heritage. But behind the modern vineyards lies a much harder story. The first vines were not planted as a tourist attraction. They were planted by families trying to make a living. Wine was part of the household economy, the community, and the culture they were reconstructing far from Italy. The same hands that cleared forests, built houses, and planted corn eventually tended vineyards. A family could produce its own food, make wine, preserve vegetables, raise animals, and exchange goods with neighbors. This agricultural diversity was essential to survival.

The Birth of an Italian-Brazilian World

The immigrants did not simply reproduce Veneto in Brazil. They created something new. Their language changed. Their customs adapted. Portuguese words entered everyday speech. Different Venetian varieties came into contact with one another, and over generations a distinctive regional form of speech developed. In many communities this became known as Talian, a Brazilian Venetian-based language that grew out of the speech of immigrants and their descendants. For families, it was the language of affection, work, jokes, prayers, arguments, stories, and memories. It was not simply a linguistic curiosity. It was a record of migration. Churches, mutual-aid societies, schools, newspapers, recreational associations, and community organizations reinforced the social fabric of the colonies. One important publication, Staffetta Riograndense, helped connect Italian Catholic communities across the region. These institutions served functions that immigrant communities in the United States will recognize immediately. They offered assistance to newcomers, preserved religious traditions, transmitted language, organized social life, and created a sense of belonging in places where the immigrant family had once been completely foreign. Like Italian-Americans, Italian-Brazilians learned to negotiate two cultural worlds. They were Italian in memory and Brazilian in citizenship and daily life. Over time, the distinction became less important than the combination.

A Legacy Written in Ordinary Things

The legacy of Venetian immigration is visible not only in statistics and economic history but in ordinary objects and habits. It survives in family recipes, vineyards, wooden houses, stone walls, religious festivals, surnames, photographs, kitchen traditions, community celebrations, and words that grandparents once used with their grandchildren. Polenta, pasta, chicken, bread, wine, preserved foods, and family gatherings became part of a broader Brazilian culture while retaining recognizable connections to northern Italy. The economic impact was equally substantial. Italian immigrants and their descendants contributed to coffee production, agriculture, viticulture, commerce, construction, manufacturing, and the growth of cities. Caxias do Sul eventually became an important industrial and cultural center. São Paulo's Italian population became deeply involved in the city's transformation from a provincial town into one of the major industrial cities of South America. The story, however, should not be reduced to a celebration of success. The first generation paid a high price. There was homesickness, exploitation, disease, dangerous work, family separation, cultural conflict, and the painful knowledge that the Italy they had left was changing without them. During periods of Brazilian nationalism, especially under the Estado Novo, Italian-language institutions and immigrant cultural practices came under pressure. Families sometimes stopped teaching their ancestral language to children because they believed that speaking Portuguese was necessary for social acceptance and advancement. Yet memory proved remarkably persistent.

Another Branch of the Italian Diaspora

For an Italian-American descendant researching a great-grandparent who left Veneto, the story of these Brazilian communities offers an important reminder: not every Italian ancestor crossed the Atlantic toward Ellis Island. The same villages of Treviso, Belluno, Vicenza, Padua, Verona, and Rovigo that sent families toward New York also sent others toward Santos, Rio Grande, Porto Alegre, or the colonies of southern Brazil. A family name found in an Italian passenger list may eventually appear in a Brazilian baptismal record, a coffee plantation register, a land document in Rio Grande do Sul, or a marriage record from a small colonial settlement. The routes were different, but the impulse was often remarkably similar. A family wanted land. A young man wanted work. A father wanted his children to have opportunities he could not provide in Italy. A mother hoped that somewhere across the ocean there would be enough food and security for the family to survive. The Italian diaspora was therefore not a single road. It was a web of roads extending across continents. The Venetian who planted vines in Rio Grande do Sul and the Venetian who opened a grocery store in New York belonged to the same great migration of people searching for a future. Their descendants built different versions of Italian life in the New World, but both inherited the same fundamental experience: leaving one world without knowing exactly what the next one would become.
Today, more than a century later, the connection between Veneto and Brazil remains visible. It lives in vineyards and family names, in churches and community halls, in recipes passed from grandmother to granddaughter, in Talian expressions that survived when formal Italian did not, and in descendants who still travel back to Veneto looking for the village their ancestors once called home. The journey that began with poverty and uncertainty ultimately produced a culture that belongs fully to Brazil while still carrying unmistakable traces of northern Italy. The story of Venetian immigration to Brazil is therefore not simply a story about Italians becoming Brazilian. It is the story of how immigrants can leave a homeland behind without ever completely losing it—and how, through work, family, language, faith, and memory, they can make another country their own.

Author's Note

I wrote this essay with Italian descendants in mind—particularly those who know the story of Italian immigration through their own American family history. Many Italian-Americans understandably associate the great migration with Ellis Island, New York, the coal mines of Pennsylvania, the factories of New England, the construction sites of Chicago, or the neighborhoods of cities such as Boston and Philadelphia. But the Italian diaspora was much larger than the American experience alone. At the same time that millions of Italians were arriving in the United States, other millions were crossing the Atlantic toward Brazil and other countries of the Americas. Among them were countless families from Veneto whose descendants would eventually become part of the agricultural, industrial, social, and cultural fabric of Brazil.
My purpose here is not to romanticize their experience. The immigrant story contains both achievement and hardship. These families faced poverty, difficult contracts, dangerous labor, disease, isolation, homesickness, language barriers, and the painful separation from relatives who remained in Italy. Some prospered. Others struggled for generations. Some returned to Italy. Others moved again, including to Argentina and the United States. What they shared was the difficult work of adapting to a new country without completely surrendering the identity they had carried across the ocean.
For more than thirty years, I have had the privilege of living close to Italian-descendant families and listening to thousands of stories about origins, migration, family memory, and the search for ancestral roots. Again and again, I have seen that genealogy is not merely a collection of names and dates. Behind every passenger list is a person. Behind every surname is a family. Behind every departure is a decision made under circumstances that descendants can only partially reconstruct today.
This is why the history of the Venetian immigrants in Brazil deserves to be known beyond Brazil itself. Their story is part of the larger history of the Italian people scattered across the world. If your family came from Veneto and eventually settled in the United States, your ancestors may have shared the same villages, churches, surnames, occupations, or migration networks with families who went in another direction and eventually planted coffee in São Paulo or vineyards in Rio Grande do Sul. The ocean divided their destinations, but it did not erase their common origins.
Perhaps that is one of the most remarkable lessons of Italian migration: the same village could send one family toward New York and another toward Brazil, yet both would spend the next generation answering the same fundamental question—how do you carry the old country with you while learning to call a new country home?

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Author and researcher of Italian immigration and family histories


Le pietre dal cielo: la storia di un contadino di Pederobba prima della grande emigrazione italiana


Le pietre dal cielo: la storia di un contadino di Pederobba prima della grande emigrazione italiana


«Prima che gli italiani partissero per sempre, c’erano uomini che partivano soltanto per una stagione. Domenico era uno di loro.»


Pederobba, provincia di Treviso, Veneto, in un tempo in cui nessuno pensava ancora di attraversare l’oceano. A quei tempi, per un uomo povero delle colline venete, il mondo finiva là dove terminavano le strade che i suoi piedi riuscivano a percorrere. C’erano il campanile della parrocchia, i campi di mais, i pendii coperti di vigne, il fiume, le montagne in lontananza e, oltre quelle montagne, terre straniere che, in realtà, non erano poi così straniere. Ogni anno, alcuni uomini partivano per lavorare per qualche stagione nell’Impero austro-ungarico, in Francia o nelle terre del Belgio. Partivano in primavera, con un fagotto sulle spalle e poche monete in tasca, e tornavano quando il freddo cominciava a scendere dalle montagne. Erano i rondinelli, le rondini umane che scomparivano in primavera e ritornavano prima dell’inverno. Nessuno chiamava tutto questo emigrazione. Era semplicemente lavoro. Era come andare al mercato, soltanto più lontano e per più tempo.
A Pederobba viveva allora un piccolo contadino di nome Domenico, anche se quasi nessuno lo chiamava così. Per la famiglia era Menego, e quel nome gli era rimasto fin da bambino. Era figlio di contadini, nipote di contadini e pronipote di contadini. La terra che coltivava non era propriamente sua, almeno non nel senso grandioso che quella parola potrebbe suggerire. Era una stretta striscia di terra che i suoi antenati avevano ricevuto, coltivato e diviso così tante volte che, generazione dopo generazione, la proprietà si era trasformata in tante piccole parcelle separate, come pezzi di pane distribuiti tra molte bocche. Una striscia di mais da una parte. Un piccolo tratto di vigna dall’altra. Alcuni alberi da frutto. Un pezzo di terreno più povero, dove cresceva quello che riusciva a crescere. Era poco. Ma era loro. E per Menego aveva un valore che non poteva essere misurato in monete.
La terra conservava le tracce dei morti. Suo padre l’aveva lavorata con le mani screpolate. Anche suo nonno. E prima di lui, un uomo di cui Menego riusciva a malapena a ricordare il nome, ma della cui esistenza era certo perché aveva trovato le sue iniziali incise su una vecchia pietra lungo il confine del terreno.
Maria Augusta, sua moglie, comprendeva quell’attaccamento. Era una donna minuta, dalle mani instancabili, di quelle che sembrano non riposare mai. Aveva imparato presto che una famiglia contadina non sopravviveva soltanto con ciò che la terra produceva. Sopravviveva con ciò che riusciva a risparmiare, riutilizzare, riparare, seminare di nuovo e, soprattutto, sopportare.
Avevano cinque figli, tutti ancora piccoli. Il maggiore non aveva ancora l’età per essere considerato un uomo; il più piccolo dormiva ancora in una culla di legno che Menego aveva costruito con alcune assi recuperate da un vecchio fienile. C’erano giorni in cui il cibo bastava e giorni in cui Maria Augusta doveva fare in modo che la polenta sembrasse più abbondante di quanto fosse realmente.
Menego sapeva contare ogni sacco di mais, ogni misura di farina, ogni bottiglia di vino che poteva essere venduta o conservata per i mesi difficili. Conosceva il cielo meglio di quanto conoscesse i libri. Sapeva riconoscere la pioggia che arrivava dalle montagne, la nebbia che annunciava il freddo e il vento che avrebbe asciugato il fieno. Aveva imparato dal padre a osservare le nuvole prima di decidere quando seminare.
Ma c’era una cosa che non aveva mai visto.
E quella notte avrebbe scoperto che un uomo può conoscere la terra per tutta la vita e, tuttavia, ignorare la forza che esiste sopra di essa.
Quell’anno era cominciato bene. La primavera era stata generosa. Il mais era cresciuto alto, la vigna mostrava grappoli promettenti e i pochi alberi del frutteto erano carichi di frutti. Menego camminava tra i filari con un orgoglio silenzioso. Non era un uomo di molte parole quando era soddisfatto. Si limitava a toccare le foglie, esaminare le pannocchie e calcolare mentalmente quanto di quel raccolto avrebbe potuto nutrire la famiglia durante l’inverno.
Forse ci sarebbe stato persino qualcosa in più da vendere. Forse avrebbero potuto comprare della stoffa nuova per i bambini. Forse Maria Augusta avrebbe potuto sostituire la pentola che aveva una crepa vicino al bordo. Forse, per la prima volta dopo molti anni, l’inverno non avrebbe dovuto essere affrontato come una battaglia.
Quel pomeriggio, però, il cielo cambiò.
Prima arrivarono le nuvole scure sopra le montagne. Poi l’aria divenne strana. Gli uccelli scomparvero dagli alberi. Il vento si fermò all’improvviso, lasciando i campi immobili.
Menego era vicino al fienile quando sentì il primo tuono.
Non fu un boato lontano. Fu un colpo profondo, che sembrò far vibrare la terra sotto i suoi piedi.
Alzò gli occhi verso il cielo. Maria Augusta uscì sulla porta.
— Pioverà — disse.
Menego annuì.
— E forte.
Lei guardò i bambini, che giocavano vicino al muro della casa.
— Portiamoli dentro.
Non ci fu tempo per altro.
La prima grandinata cadde come se il cielo avesse cominciato a scagliare pietre contro la terra. Un chicco colpì il tetto. Poi un altro. E un altro ancora. In pochi secondi il rumore diventò assordante.
Non sembrava pioggia. Sembrava una folla inferocita che colpisse la casa con migliaia di martelli.
Menego corse alla finestra.
Ciò che vide gli gelò il sangue.
I chicchi di ghiaccio rimbalzavano sul terreno, si frantumavano contro i muri e attraversavano il piccolo cortile come proiettili. Alcuni erano grandi come uova. Altri, ancora più grossi, si avvicinavano alle dimensioni di arance.
Uno colpì il braccio di uno degli animali nella stalla. L’animale urlò e si agitò. Le galline correvano senza direzione; molte erano già morte e giacevano sparse sul terreno.
Una tegola esplose.
Poi un’altra.
Menego gridò a Maria Augusta di allontanare i bambini dalle pareti.
Il tetto cominciò a cedere in diversi punti. Le pesanti tegole di terracotta, che avevano protetto quella casa per anni dalla pioggia, dalla neve e dal vento, non riuscivano a resistere a quella violenza.
Una pietra attraversò il tetto e cadde sul pavimento della cucina. Un’altra aprì un buco vicino alla stanza dei bambini.
Maria Augusta trascinò i cinque figli nell’angolo più protetto della casa.
Il più piccolo piangeva. Il secondo pregava. Il maggiore cercava di mostrarsi coraggioso, anche se tremava.
Menego rimase in piedi per alcuni secondi, senza sapere cosa fare.
Poi capì che non c’era nulla da fare.
Un uomo può affrontare un’alluvione, alzare un muro, legare un animale, spegnere un incendio. Ma contro una cosa simile non esistevano né strumenti, né forza, né coraggio sufficienti.
Non restava che aspettare.
E pregare.
La tempesta durò forse venti minuti.
A Menego sembrò durare una vita intera.
Quando finalmente il rumore diminuì, nessuno parlò. La casa piombò in un silenzio strano, interrotto soltanto dal pianto dei bambini e dai lamenti degli animali feriti.
Menego aprì la porta.
Il mondo che conosceva era scomparso.
Il terreno era bianco. Non di neve, ma di ghiaccio.
Il mais, che quella mattina si ergeva ancora verde e vigoroso, era stato distrutto. Le foglie delle viti erano strappate. I grappoli giacevano sparsi nel fango. Galline morte erano abbandonate tra i cespugli. Alcuni alberi avevano perso interi rami.
Il tetto della casa era quasi completamente distrutto.
Menego camminò fino al campo.
Si inginocchiò.
Raccolse uno dei chicchi di grandine che non si era ancora sciolto.
Era enorme.
Lo osservò per alcuni secondi. Poi lo strinse nel pugno, anche se il freddo gli faceva male alle dita.
Quella notte nessuno dormì.
Maria Augusta si occupò degli animali feriti. Menego coprì i buchi del tetto con assi e pezzi di stoffa. I bambini furono sistemati tutti insieme in una sola stanza, dove la pioggia non riusciva ancora a entrare.
Quando arrivò l’alba, la distruzione sembrava ancora più grande.
Fu allora che Menego si ricordò degli anziani.
Per tutta l’infanzia aveva ascoltato racconti di violente grandinate. I vecchi dicevano che, in certe notti, dal cielo erano cadute pietre grandi come mele, capaci di distruggere i tetti, uccidere gli animali e lasciare interi campi senza una sola spiga.
Menego aveva sempre ascoltato quelle storie con rispetto, ma non ci aveva mai creduto del tutto. Pensava che i vecchi esagerassero. Era un modo per trasformare una brutta tempesta in una storia da raccontare per decenni.
Ora, però, si trovava davanti a un campo distrutto da pietre che sembravano uova e alcune delle quali arrivavano alle dimensioni di arance.
E avrebbe ripetuto quella storia fino alla fine della sua vita.
Ogni volta che qualcuno gli avrebbe chiesto di quella notte, Menego avrebbe risposto che alcune erano grandi proprio così.
Non importava quante volte Maria Augusta gli dicesse che forse la memoria aveva ingigantito le cose.
Per lui non c’era stata alcuna esagerazione.
Lui aveva visto.
E quella esperienza avrebbe cambiato la sua vita.
Nei giorni successivi, la famiglia cercò di salvare ciò che poteva.
Il mais rimasto fu raccolto da terra. Poco poteva essere recuperato. Le viti furono potate nel tentativo di salvarle. Gli animali furono curati. Le galline furono sepolte. Il tetto fu rattoppato.
Ma c’era una cosa che non poteva essere riparata: il raccolto perduto.
E senza raccolto, l’inverno cessava di essere una stagione e diventava una minaccia.
Menego fece i conti.
Non gli piacevano.
Li rifaceva.
Maria Augusta capì, dal silenzio del marito, che i conti non tornavano.
— Quanto abbiamo? — domandò.
Lui tardò a rispondere.
— Meno di quanto ci serve.
Lei non chiese altro.
Conosceva suo marito.
Quella sera, dopo che i bambini si furono addormentati, Menego rimase seduto accanto alla finestra. La luna illuminava i campi devastati.
Maria Augusta si sedette accanto a lui.
— Stai pensando di partire — disse.
Menego non rispose subito.
A quei tempi, partire non significava attraversare l’oceano. Significava andare lontano per alcuni mesi. Significava unirsi ad altri uomini che cercavano lavoro là dove c’era bisogno di braccia.
I rondinelli partivano per l’Austria, la Francia, le terre del Belgio. Tornavano magri, bruciati dal sole o provati dal freddo, portando con sé qualche moneta e storie a cui quasi nessuno credeva.
Menego conosceva uomini che erano partiti.
Sapeva che non era facile.
Ma ormai la domanda non era più se volesse partire.
Era se potesse restare.
— Andrò in Francia — disse infine.
Maria Augusta abbassò gli occhi.
Non pianse.
A quei tempi, donne come lei imparavano a piangere senza fare rumore.
— Per quanto tempo? — domandò.
— Finché non riusciremo a superare l’inverno.
Lei gli strinse la mano.
— E se non bastasse?
Menego guardò i cinque figli addormentati.
— Allora resterò ancora un po’.
Fu così che cominciò.
Non con una nave.
Non con un biglietto comprato per l’America.
Non con un addio definitivo.
Cominciò con un uomo povero, cinque bambini piccoli, una donna che sapeva sopportare l’assenza e un campo distrutto dalle pietre cadute dal cielo.
La primavera successiva, Menego partì.
Portava con sé un piccolo fagotto, un pezzo di pane, qualche moneta e una medaglietta che Maria Augusta gli mise in mano prima che uscisse di casa.
Non sapeva quanto tempo sarebbe rimasto lontano.
Non immaginava che quel gesto semplice sarebbe entrato nella memoria della famiglia per generazioni.
Camminò con altri uomini lungo le strade del Veneto. Alcuni portavano con sé gli attrezzi. Altri avevano soltanto un cambio di vestiti.
Erano uomini che non volevano abbandonare la terra.
Volevano tornare da essa.
Questa differenza era importante.
Menego non era un emigrante.
Non ancora.
Era soltanto un uomo che cercava di salvare la propria famiglia.
Lavorò in terre straniere, trasportò pietre, scavò, costruì, tagliò legna, dormì in luoghi che non conosceva e ascoltò lingue che comprendeva appena.
Imparò che la povertà aveva molti accenti.
Imparò anche che la nostalgia non ha bisogno di traduzione.
Quando ricevette il primo pagamento, conservò quasi tutto.
Comprò soltanto un piccolo pezzo di stoffa per Maria Augusta e qualcosa per i bambini.
Il resto lo mandò a casa.
Le lettere erano poche, perché scrivere costava denaro e non sempre c’era qualcuno capace di farlo. Ma ogni lettera che arrivava veniva conservata da Maria Augusta come fosse un oggetto sacro.
Menego tornò prima dell’inverno.
Portava abbastanza denaro per comprare mais e riparare il tetto.
I figli gli corsero incontro.
Maria Augusta rimase ferma sulla porta per alcuni secondi, guardandolo come se avesse bisogno di essere certa che quell’uomo fosse davvero suo marito.
Poi sorrise.
Per un po’ sembrò che la vita potesse tornare alla normalità.
Ma Menego aveva imparato una cosa che non avrebbe mai più dimenticato: la terra poteva essere amata, ma non era sicura.
Una famiglia che dipendeva da un unico pezzo di terra era sempre a una tempesta di distanza dalla fame.
Negli anni successivi tornò a partire diverse volte.
Era una vita fatta di partenze e ritorni.
In primavera scompariva lungo le strade.
In autunno tornava.
Era un rondinello.
Come le rondini, partiva perché ne aveva bisogno e tornava perché apparteneva a quel luogo.
I figli crebbero vedendo il padre partire e tornare.
Il maggiore cominciò ad aiutarlo nei campi. Le figlie impararono da Maria Augusta a occuparsi della casa. Il bambino che aveva dormito nella culla di legno diventò un ragazzo capace ormai di contare i giorni che mancavano al ritorno del padre.
E mentre la famiglia cresceva, anche il mondo intorno a loro cominciava lentamente a cambiare.
In altre case di Pederobba, anche altri uomini partivano.
Alcuni tornavano.
Altri trovavano un lavoro migliore e rimanevano lontani più a lungo.
Alcuni cominciavano a parlare di luoghi che sembravano troppo lontani per essere veri.
La povertà continuava a dividere le terre.
Ogni generazione riceveva meno.
Ogni figlio ereditava una porzione più piccola di quella del padre.
La terra, che per secoli era stata una promessa di permanenza, cominciava a diventare troppo piccola per tante bocche.
Menego lo capì prima di molti altri.
Un pomeriggio, molti anni dopo quella tempesta, era seduto accanto alla casa con il figlio maggiore.
Il ragazzo era ormai diventato un uomo.
Parlavano della terra.
Menego indicò le strette parcelle.
— Tuo nonno aveva più terra di questa. Tuo padre ne ha ricevuta meno. Tu ne riceverai ancora meno.
Il figlio rimase in silenzio.
— E i tuoi figli? — continuò Menego. — Che cosa riceveranno?
Il giovane non rispose.
Menego guardò le montagne.
Per tutta la vita aveva creduto che la cosa peggiore che potesse accadere a un contadino fosse perdere un raccolto.
Ora sapeva che c’era qualcosa di peggio: scoprire che, anche lavorando fino alla morte, non sarebbe riuscito a lasciare ai propri figli abbastanza per vivere.
La grandinata aveva distrutto il suo raccolto in una sola notte.
La divisione della terra distruggeva lentamente il futuro, generazione dopo generazione.
Un’epoca stava arrivando, anche se a Pederobba nessuno sapeva ancora come chiamarla.
Gli uomini che fino ad allora viaggiavano soltanto per qualche stagione avrebbero cominciato, poco alla volta, a guardare verso distanze sempre maggiori.
Le strade avrebbero portato a città più lontane.
I porti sarebbero diventati luoghi conosciuti.
E, un giorno, ci sarebbero stati uomini capaci di attraversare l’oceano.
Menego non fece mai quel viaggio.
Il suo destino rimase legato alle montagne, ai campi e alla piccola casa che aveva ricostruito dopo la tempesta.
Ma i figli ascoltarono le sue storie.
E anche i figli dei suoi figli.
La storia delle pietre cadute dal cielo fu ripetuta per decenni.
C’era sempre qualcuno che chiedeva se fosse vero che alcune erano grandi come arance.
E la risposta di Menego non cambiava mai.
— Io le ho viste con questi occhi.
E quando lo diceva, indicava i campi come se potesse ancora vedere, in quel luogo, il mais schiacciato, le galline morte, il tetto distrutto e sua moglie stretta ai cinque figli.
Forse quella tempesta fu soltanto una delle tante tragedie che colpirono i contadini del Veneto.
Ma per Menego fu qualcosa di più.
Fu la notte in cui scoprì che la terra che amava poteva scomparire sotto i suoi piedi.
Fu la notte che lo costrinse a cercare lavoro oltre le montagne.
Fu la prima volta in cui comprese che, per sopravvivere, avrebbe potuto essere necessario partire.
E, senza saperlo, quel piccolo contadino di Pederobba sperimentò nella propria vita l’inizio di una trasformazione che avrebbe coinvolto migliaia di famiglie venete.
Prima vennero i rondinelli, che partivano come le rondini e tornavano con il freddo.
Poi sarebbero arrivati quelli che sarebbero partiti senza sapere quando sarebbero tornati.
E infine sarebbero venuti quelli che non sarebbero più tornati.
L’oceano era ancora lontano.
La grande emigrazione non era ancora cominciata.
Le navi non facevano ancora parte dei sogni dei contadini di Pederobba.
Ma le prime radici della partenza erano già lì, nascoste nella povertà, nelle terre sempre più piccole, nei raccolti distrutti e nella paura che per i figli non ci fosse un domani.
E forse è proprio così che cominciano le grandi migrazioni.
Non con una folla davanti a un porto, né con le valigie ammassate sul ponte di una nave.
Cominciano in silenzio, dentro una casa povera, quando un padre guarda cinque bambini addormentati e comprende che il piccolo pezzo di terra ereditato dagli antenati non è più sufficiente per nutrire il futuro.
Per Menego, tutto cominciò in una notte in cui il cielo cadde su Pederobba sotto forma di pietre.

Nota dell’autore

Questa storia nasce dall’intento di raccontare, attraverso la figura di Menego, una realtà che precedette la grande emigrazione italiana verso le Americhe. I rondinelli — uomini che lasciavano temporaneamente il Veneto per cercare lavoro oltre le montagne e tornavano prima dell’inverno — appartenevano a una forma di migrazione stagionale già presente nelle comunità rurali venete prima delle grandi partenze transoceaniche. Menego è una figura narrativa costruita all’interno di questo contesto storico e sociale. La grandinata, la famiglia, i dialoghi e gli episodi della sua vita appartengono alla narrazione; la condizione di povertà, la frammentazione delle terre e la pratica della migrazione stagionale riflettono invece condizioni realmente vissute da molte famiglie venete. La storia vuole dunque mostrare non tanto la biografia di un singolo uomo, quanto il momento in cui, lentamente e quasi senza rendersene conto, la necessità di partire cominciò a entrare nella vita dei contadini veneti.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Autor e pesquisador da Imigração Italiana e histórias familiares