terça-feira, 21 de abril de 2026

Echi di Tesori e Ombre di Misteri


 

Echi di Tesori e Ombre di Misteri


Nelle contrade d’Italia un fato duro,
colpì la casa Verri in mesto giorno,
Maria Augusta cadde, e il ciel oscuro
lasciò la prole in pianto e in suo ritorno;
Francesco, afflitto, e già nel cor sicuro
che il viver suo mutasse in grave scorno,
pensò fuggir quel suol d’antico orgoglio
per cercar sorte oltre mar e cordoglio.

La mezza età gravava il suo cammino,
tra stenti e sogni ormai ridotti in cenere,
e volle sfidar l’aspro suo destino
varcando il mar con animo non tenero;
quattro figli con sé, nel lor mattino,
portò lontan da quel dolor sì nero,
mentre una figlia, sposa, restò sola
custode muta della vecchia scuola.

Tre argenti antichi, di nobile fattura,
recavan inciso il segno della stirpe,
memoria viva d’epoca matura
tra fasti antichi e glorie che non firpe;
retaggio illustre, pregno di ventura,
tra conti e nomi che la storia scirpe,
eco lontana d’un passato altero
nel suol lombardo-veneto sincero.

Ma il tempo, che ogni cosa avvolge e piega,
disfece i segni d’antico splendore,
e ciò che un dì fu vanto e nobil lega
svanì pian piano senza far rumore;
né mano alcuna più quel filo lega,
né voce narra il vero del valore,
se non un’ombra che tra i vivi resta,
di un enigma che il cor mai non arresta.

Francesco, stanco, giunse a nuova terra,
tra genti ignote e nomi forestieri,
e tra i Piazzetta placò in parte guerra
del suo destino e degli affanni neri;
ma ciò che fu memoria della serra
dei Verri antichi e dei lor alti veri,
con lui svanì tra polvere e silenzio,
lasciando al tempo il suo perenne assenzio.

Pur tra racconti sparsi e voci erranti,
rivive ancor la saga misteriosa,
nei sogni accesi d’animi costanti
che cercano una traccia luminosa;
tra ombre antiche e segni ormai mancanti,
la storia torna, viva e maestosa,
e chi l’ascolta sente nel profondo
l’eco dei Verri che attraversa il mondo.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta




Tenho 82 anos e uma Carta Real que Está Fazendo Filhos Chorarem

 



Tenho 82 anos e uma Carta Real que Está Fazendo Filhos Chorarem


Tenho 82 anos
Quatro filhos, onze netos, dois bisnetos…
e um quarto de doze metros quadrados.

A vida inteira coube em mim.
Agora, eu é que caibo em um espaço pequeno, silencioso e organizado.

Já não tenho minha casa.
Não tenho mais minhas coisas, nem o cheiro dos meus móveis, nem o barulho da minha cozinha.
Em troca, tenho quem arrume minha cama, prepare minhas refeições e cuide da minha pressão.
Dizem que estou bem assistida.

E estou.

Mas ninguém mede a saudade.

Sinto falta do som da vida acontecendo sem pedir licença.
Das risadas altas, das pequenas brigas, dos abraços apertados que vinham do nada.
Hoje, alguns dos meus vêm me ver de vez em quando — a cada quinze dias, talvez.
Outros, a cada alguns meses.
E há aqueles que, aos poucos, foram se tornando apenas rostos nas fotografias.

Antes, minhas mãos criavam.
Eu cozinhava para todos — cada prato tinha história.
Bordava com paciência, ponto por ponto, como quem eterniza o tempo.
Hoje, minhas mãos resolvem sudoku.
Os números não abraçam, mas preenchem o silêncio.

Os dias aqui são parecidos.
Rotinas, atividades, horários.
Às vezes ajudo alguém mais frágil do que eu, mas aprendi a não me apegar demais.
As pessoas desaparecem daqui com frequência.
E a ausência, aqui dentro, chega sempre em silêncio.

Dizem que estamos vivendo mais.

Mas, às vezes, me pergunto: viver mais… para quê?

Quando a tarde pesa, abro minha pequena caixa de lembranças.
Ali estão fotos, pequenos objetos, fragmentos de uma vida inteira.
Fico olhando cada rosto, tentando sentir de novo aquilo que o tempo levou embora.

E então entendo.

O que mais dói não é a idade.
Não é o corpo cansado.
Não é nem o fim se aproximando.

É a distância.

Se esta carta chegar a alguém, que sirva de lembrete:

A família não é apenas algo que construímos no passado.
É algo que precisa ser cuidado no presente.

Criamos filhos com o melhor de nós.
Damos tempo, energia, amor — damos a vida inteira.

E, no fim, o que mais esperamos…
é que esse amor encontre o caminho de volta.

Tenho 82 anos.
Quatro filhos, onze netos, dois bisnetos…
e um quarto de doze metros quadrados.

A vida inteira coube em mim.
Agora, eu é que caibo em um espaço pequeno, silencioso e organizado.

Já não tenho minha casa.
Não tenho mais minhas coisas, nem o cheiro dos meus móveis, nem o barulho da minha cozinha.
Em troca, tenho quem arrume minha cama, prepare minhas refeições e cuide da minha pressão.
Dizem que estou bem assistida.

E estou.

Mas ninguém mede a saudade.

Sinto falta do som da vida acontecendo sem pedir licença.
Das risadas altas, das pequenas brigas, dos abraços apertados que vinham do nada.
Hoje, alguns dos meus vêm me ver de vez em quando — a cada quinze dias, talvez.
Outros, a cada alguns meses.
E há aqueles que, aos poucos, foram se tornando apenas rostos nas fotografias.

Antes, minhas mãos criavam.
Eu cozinhava para todos — cada prato tinha história.
Bordava com paciência, ponto por ponto, como quem eterniza o tempo.
Hoje, minhas mãos resolvem sudoku.
Os números não abraçam, mas preenchem o silêncio.

Os dias aqui são parecidos.
Rotinas, atividades, horários.
Às vezes ajudo alguém mais frágil do que eu, mas aprendi a não me apegar demais.
As pessoas desaparecem daqui com frequência.
E a ausência, aqui dentro, chega sempre em silêncio.

Dizem que estamos vivendo mais.

Mas, às vezes, me pergunto: viver mais… para quê?

Quando a tarde pesa, abro minha pequena caixa de lembranças.
Ali estão fotos, pequenos objetos, fragmentos de uma vida inteira.
Fico olhando cada rosto, tentando sentir de novo aquilo que o tempo levou embora.

E então entendo.

O que mais dói não é a idade.
Não é o corpo cansado.
Não é nem o fim se aproximando.

É a distância.

Se esta carta chegar a alguém, que sirva de lembrete:

A família não é apenas algo que construímos no passado.
É algo que precisa ser cuidado no presente.

Criamos filhos com o melhor de nós.
Damos tempo, energia, amor — damos a vida inteira.

E, no fim, o que mais esperamos…
é que esse amor encontre o caminho de volta.

Nota do Autor

Esta narrativa nasce do silêncio — não o silêncio da ausência absoluta, mas aquele mais sutil e devastador: o silêncio das presenças que já não chegam, das visitas que se tornam raras, dos afetos que, pouco a pouco, se distanciam sem anúncio.

Embora apresentada como ficção, esta carta ecoa uma realidade incontornável do nosso tempo. Em uma era que celebra a longevidade como conquista, raramente nos detemos sobre o que significa, de fato, viver mais — especialmente quando os vínculos que sustentam a existência começam a se diluir. O envelhecimento, aqui, não é retratado como decadência física, mas como um processo profundamente humano de deslocamento afetivo.
A personagem que conduz estas linhas não é apenas uma voz isolada, mas a síntese de muitas histórias reais — mães, pais, avós — que dedicaram suas vidas à construção de uma família e que, ao final da jornada, enfrentam não a falta de cuidados materiais, mas a escassez daquilo que mais importa: presença, escuta e pertencimento.
Há, nesta escrita, uma tentativa deliberada de preservar a dignidade do tempo vivido. Cada memória evocada, cada gesto lembrado, cada ausência sentida, compõe um testemunho silencioso de amor — um amor que não desaparece, mas que espera, com paciência quase infinita, ser reconhecido novamente.
Mais do que provocar emoção, este texto busca despertar consciência. Ele nos convida a revisitar nossos próprios vínculos, a repensar nossas ausências cotidianas e a compreender que o afeto, quando negligenciado, não se perde de imediato — ele se transforma em distância.
Se, ao final da leitura, algo inquietar o leitor, então esta história terá cumprido seu propósito mais profundo: lembrar que o amor, para permanecer vivo, precisa encontrar caminhos de volta — enquanto ainda há tempo.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta