Imigrantes Italianos na Hospedaria da Ilha das Flores: Nomes, Sobrenomes e Origens Familiares
"Por trás de cada sobrenome existe uma história; por trás de cada documento, uma possibilidade de reencontrar nossas origens."
A história da imigração italiana no Brasil pode ser reconstruída de muitas maneiras. Há quem comece por uma certidão de nascimento, um sobrenome transmitido por gerações ou uma fotografia antiga. Outros encontram as primeiras pistas em depoimentos familiares, listas de passageiros e documentos preservados por instituições dedicadas à memória da imigração.
Um desses espaços de pesquisa é o Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores, no estado do Rio de Janeiro. Sua página dedicada à chegada dos imigrantes apresenta histórias de famílias italianas que se estabeleceram em diferentes municípios fluminenses e contribuíram para a formação econômica, social e cultural do Brasil.
Neste artigo, reunimos os nomes de imigrantes italianos identificáveis no material consultado, com atenção especial aos sobrenomes e aos locais de origem mencionados pela fonte. O objetivo é oferecer um ponto de partida para descendentes que desejam reconstruir a história de seus antepassados.
A Hospedaria da Ilha das Flores e a chegada dos italianos
Durante o século XIX e as primeiras décadas do século XX, o Brasil recebeu grandes contingentes de imigrantes europeus. Entre eles, os italianos tiveram participação expressiva, estabelecendo-se em áreas rurais, colônias agrícolas, cidades industriais e centros comerciais.
A Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores, situada na região de São Gonçalo, no estado do Rio de Janeiro, foi um dos lugares pelos quais passaram imigrantes que chegavam ao país. Após o desembarque e os procedimentos de registro e inspeção, muitos eram encaminhados para seus locais de trabalho ou de residência. Para conhecer outros registros de imigrantes italianos que passaram pela Hospedaria da Ilha das Flores, consulte também a lista de imigrantes italianos do navio America
Nem todos permaneceram no estado do Rio de Janeiro. Algumas famílias seguiram para outras regiões, enquanto outras encontraram ali oportunidades de trabalho, constituíram famílias e criaram raízes que permanecem vivas na memória de seus descendentes.
As histórias reunidas pelo Centro de Memória mostram que a imigração não foi uma experiência única ou uniforme. Houve chegadas no século XIX, novas migrações no século XX, trabalhadores industriais, comerciantes, agricultores e pessoas que vieram reunir-se a familiares já estabelecidos no Brasil. A pesquisa de sobrenomes e origens familiares pode ser ampliada com a relação de imigrantes italianos e tiroleses que viajaram no navio Ester
Imigrantes italianos identificados na fonte
A relação a seguir considera as pessoas apresentadas como imigrantes ou integrantes de famílias que vieram da Itália. Os nomes de descendentes nascidos no Brasil foram excluídos sempre que essa condição pôde ser identificada. A naturalidade aparece somente quando há informação explícita no material consultado.
1. Família Nesi
Ércole Nesi chegou ao Rio de Janeiro em 1951. Trabalhou no Mercado Municipal da Praça XV com seu pai, Vittorio Nesi, que retornou à Itália por volta de 1953 ou 1954. Ércole trabalhou em diferentes atividades, entre elas o comércio de frutas e a alfaiataria, e posteriormente se estabeleceu em Niterói.
A fonte não informa o município italiano de nascimento de Ércole ou Vittorio. Ainda assim, o sobrenome Nesi constitui uma pista para pesquisas em documentos migratórios e registros civis italianos.
2. Família Mantuano
Ottavio Mantuano chegou ao Brasil em 1847, deixando inicialmente na Itália sua mulher e seus filhos. Estabeleceu-se no Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornaleiro e reuniu recursos para trazer a família.
O material identifica Concetta Mannarino Mantuano e os filhos Francesca Mantuano, Lucia, Teresina, Pina e Aldoentre os integrantes da família que vieram posteriormente ao Brasil. O texto informa que a família se reuniu novamente com a chegada de Concetta e dos filhos em 1954, data que merece conferência documental diante da cronologia apresentada.
O município de origem na Itália não é informado. Para os descendentes dessa família, registros de casamento, óbito, entrada no Brasil e documentos dos primeiros estabelecimentos comerciais podem ajudar a esclarecer a procedência.
3. Família Narretti
Antonio Narretti chegou ao Rio de Janeiro em 1958 e foi recebido na Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores. Depois de deixar a hospedaria, morou em uma pensão no centro de Niterói, onde conheceu Marli Vilela, com quem se casou em 1962.
Antonio trabalhou como torneiro mecânico e, mais tarde, tornou-se desenhista projetista industrial. O material registra seu retorno à Itália em algumas ocasiões para visitar a família, mas não identifica sua cidade natal.
4. Família Petraglia
A fonte informa que a família Petraglia emigrou da cidade de Sacco, na província de Salerno, no sul da Itália. Entre os imigrantes identificados estão Antônio Petraglia e sua esposa, Sofia Pirrone.
Antônio veio primeiro e se estabeleceu em Niterói, onde trabalhou como engraxate. Sofia e os filhos vieram posteriormente, em 1955. O texto informa que os três filhos mais velhos nasceram na Itália, embora não forneça seus nomes nesse trecho.
A mesma história menciona Angelina, que veio para o Brasil depois de se casar por procuração com Vito Petraglia. O município italiano de nascimento de Angelina não é indicado.
Para quem pesquisa os sobrenomes Petraglia e Pirrone, Sacco constitui uma pista geográfica concreta. A pesquisa pode prosseguir nos registros civis e paroquiais desse município e nos documentos brasileiros relativos à chegada e ao estabelecimento da família.
5. Família Nanci
Na década de 1890, os irmãos Giuseppe Maria Nanci e Ângelo Nanci emigraram da Itália em busca de novas oportunidades no Brasil. Durante a viagem em direção a São Paulo, Giuseppe conheceu Clélia Casemiro. O casal estabeleceu-se em Barra Bonita, onde trabalhou em uma fazenda.
Posteriormente, a família ampliou suas atividades e se estabeleceu em São Gonçalo, onde os Nanci desenvolveram negócios ligados à indústria cerâmica e a outros empreendimentos.
A página não informa a cidade ou a província italiana de nascimento dos irmãos. Para os descendentes, os nomes completos, a década aproximada da chegada e a referência a Barra Bonita podem ajudar a localizar documentos brasileiros e eventuais registros de entrada.
6. Família Marraschi
Em 31 de janeiro de 1898, Antônio Marraschi e Ermelinda Marraschi chegaram ao Rio de Janeiro acompanhados do filho Gabriel Marraschi e de Boaventura Marraschi, irmão de Antônio.
Após passarem alguns dias na Hospedaria da Ilha das Flores, seguiram para uma fazenda em Guaxindiba, no município de São Gonçalo. Antônio chegou a exercer a função de administrador. A família posteriormente participou de atividades industriais e comerciais, incluindo a produção de cerâmica.
Os quatro nomes são identificados no relato como integrantes do grupo familiar que chegou da Itália. A fonte não informa o município natal dos Marraschi. Os registros de chegada e os documentos de trabalho podem ajudar a estabelecer sua procedência.
Atenção genealógica: o texto também menciona Antonio Marraschi, que retornou à Itália como integrante do Exército brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial e depois voltou ao Brasil. Não se deve confundir automaticamente essa pessoa com Antônio Marraschi, identificado como imigrante em 1898, sem verificar a relação familiar e a cronologia.
7. Família de Luca
Elvídio de Luca estabeleceu-se em São Gonçalo. Segundo a fonte, no ano seguinte à sua chegada, em 1858, mandou chamar sua esposa, Celestina, e o filho Angioletto, que tinha aproximadamente um ano de idade.
A família se estabeleceu no município e construiu sua vida por meio de diferentes atividades profissionais e comerciais. O material não informa a cidade italiana de nascimento de Elvídio, Celestina ou Angioletto.
O sobrenome de Luca pode aparecer em documentos com variações de grafia e segmentação. Por isso, a pesquisa deve considerar as formas registradas em certidões brasileiras, listas de passageiros e documentos italianos, sem presumir que todas as ocorrências correspondam à mesma família.
8. Famílias italianas do Noroeste Fluminense
No final do século XIX, imigrantes italianos chegaram à região cafeeira do Noroeste Fluminense. O relato destaca a Fazenda Bela Vista, em Itaperuna, que recebeu aproximadamente quarenta famílias italianas entre 1897 e 1898.
O material informa que as famílias instaladas na Fazenda Boa Vista eram originárias de Proceno e Graffignano, municípios da região do Lácio, na Itália. Trata-se de uma das informações geográficas mais úteis para pesquisas genealógicas presentes na página.
Entre os nomes e sobrenomes mencionados nos depoimentos estão:
Demetrio Pellegrini
Ludovico Gorini
Família Grillo
Família Pulitini
Família Geovanini
Pergente Geovanini
Família Pirozzi
Família Ridolfi
Família Bendia
O relato associa esses nomes à comunidade italiana que se estabeleceu na região, mas não atribui individualmente cada pessoa a Proceno ou Graffignano. Por isso, a origem municipal deve ser tratada como uma pista para a pesquisa, e não como uma naturalidade individual já comprovada.
Essas famílias desenvolveram atividades agrícolas, comerciais e vitivinícolas, compraram propriedades e mantiveram relações de proximidade entre si. Com o passar do tempo, participaram da formação social e econômica de Varre-Sai e de outras localidades próximas.
9. Família Righi
A fonte também relata a história da família Righi, que tinha como patriarca Dante Righi. Seu destino inicial no Brasil era uma fazenda cafeeira em São Paulo, mas uma perda de documentos durante a viagem alterou o encaminhamento da família para o Rio de Janeiro. De lá, seguiram para Laranjais, no município de Itaocara, onde trabalharam no Engenho Central, uma usina de açúcar.
O relato menciona ainda Ermínia Barbiere, esposa de Dante, que faleceu em 1914, aos 36 anos. A página não fornece o município italiano de nascimento do casal.
Para a genealogia dos Righi e Barbiere, a história oferece pistas de pesquisa: os nomes dos cônjuges, a ligação com Itaocara e a referência ao Engenho Central. Esses elementos podem ser confrontados com registros civis, religiosos e de imigração.
10. Imigrantes ligados à indústria têxtil de Petrópolis
A presença italiana em Petrópolis remonta ao século XIX. A cidade recebeu trabalhadores atraídos pela indústria, especialmente pela Companhia Petropolitana de Tecidos e, posteriormente, pela Fábrica Cometa.
O material destaca trabalhadores oriundos de Schio, na província de Vicenza, região do Vêneto, ligados ao Lanificio Rossi. Segundo a página, alguns trabalhadores que participaram de uma greve na Itália perderam seus empregos e migraram para o Brasil.
O relato menciona ainda:
Dom Carlo Gallieri, sacerdote vindo da localidade registrada na página como “Pescatina”, na província de Verona.
Ernesto Baccherini, operário da Fábrica Cometa.
Elizabeta Baccherini, esposa de Ernesto, que produzia massas frescas para venda.
A grafia “Pescatina” aparece no texto consultado e precisa ser verificada antes de ser reproduzida como topônimo correto. A localidade que pode estar sendo mencionada é Pescantina, na província de Verona, mas essa identificação deve ser confirmada.
A fonte informa também que aproximadamente 160 famílias de camponeses provenientes dessa localidade foram contratadas para trabalhar na Fábrica Cometa. Como não são apresentados os nomes de todas essas pessoas, elas não podem ser incorporadas individualmente a um elenco nominal.
11. Clementina Tavernari e a imigração para Porto Real
Clementina Tavernari é citada em relação ao processo de recrutamento de imigrantes para o núcleo colonial Imperatriz Maria Teresa Cristina, originalmente planejado para Santa Catarina.
Em 1874, ela retornou a Módena, na Itália, para recrutar cinquenta famílias de agricultores. Os imigrantes chegaram ao Rio de Janeiro em 16 de fevereiro de 1875, mas uma epidemia de febre amarela levou ao seu encaminhamento para Porto Real, na região do Médio Paraíba. Parte deles decidiu permanecer no local.
A fonte informa Módena como o lugar para onde Clementina viajou a fim de recrutar famílias, mas não confirma que esse fosse seu município de nascimento. Também não apresenta os nomes dos integrantes das cinquenta famílias. Por essa razão, a naturalidade de Clementina e a identificação individual dos demais imigrantes permanecem em aberto.
Como utilizar esta relação na pesquisa genealógica
Os nomes e sobrenomes reunidos neste artigo constituem pontos de partida para localizar documentos, e não substituem a comprovação da identidade de cada pessoa. Para avançar, recomenda-se comparar as informações da página com registros de entrada no Brasil, listas de passageiros, registros civis e paroquiais, documentos de casamento e óbito e arquivos municipais italianos.
Quando há uma localidade de origem indicada, como Sacco, Proceno, Graffignano ou Schio, a pesquisa pode ser direcionada aos arquivos e registros correspondentes. Quando a fonte fornece apenas um sobrenome ou uma região, será necessário reunir outros dados, como nomes dos pais, idade aproximada, nome do cônjuge e ano de chegada.
Também é importante observar as variações de grafia. Nomes italianos podem ter sido registrados de formas diferentes no Brasil, seja por adaptação à língua portuguesa, por erros de transcrição ou por alterações feitas em documentos posteriores. A semelhança entre sobrenomes, entretanto, não prova parentesco.
A melhor pesquisa genealógica é aquela que distingue a informação documentada da hipótese que ainda precisa ser investigada. Essa cautela protege a história de cada família e permite que novas descobertas sejam incorporadas com segurança.
Fonte documental
As informações deste artigo foram extraídas da página “A Chegada (Il Arrivo)”, do Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores, iniciativa vinculada à Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Consulte a fonte original: https://www.hospedariailhadasflores.com.br/cópia-módulo-2-a-viagem
A página reúne histórias familiares, depoimentos, fotografias e referências bibliográficas. A relação apresentada aqui não representa um levantamento completo de todos os imigrantes que passaram pela Hospedaria da Ilha das Flores, mas uma seleção dos nomes identificáveis no material consultado.
Outros links que vc também poderá pesquisar:
A Jornada dos Imigrantes Italianos no Rio Grande do Sul
algumas famílias de imigrantes italianos em São Bernardo do Campo, SP
Nota do Autor
Conhecer a história de nossos antepassados é uma maneira de compreender melhor a própria história familiar. Muitas vezes, uma pesquisa começa com pouco: um sobrenome, uma fotografia antiga, uma certidão ou o nome de uma pequena cidade italiana mencionado por um avô. A partir dessas pistas, documentos e relatos podem ajudar a reconstruir caminhos que pareciam perdidos.
Ao longo de décadas de contato com famílias descendentes de italianos, aprendi que cada descoberta documental tem um significado especial. Não se trata apenas de encontrar um nome em uma lista, mas de devolver contexto e memória às pessoas que atravessaram o oceano e ajudaram a construir novas comunidades.
Se você reconheceu algum sobrenome ou localidade nesta relação, utilize as informações como ponto de partida e procure também outros conteúdos do Portal Emigração Vêneta, em emigrazioneveneta.blogspot.com. A pesquisa compartilhada, conduzida com cuidado e respeito aos documentos, pode ajudar outras famílias a reencontrar suas origens.
Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Autor e pesquisador da imigração italiana e das histórias familiares.

