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terça-feira, 22 de setembro de 2026

A Carta que Precedeu a Floresta - Imigração Italiana em 1883

 


A Carta que Precedeu a Floresta

Quando Giovanni Bortolon tomou uma folha de papel em São Sebastião, no dia 27 de dezembro de 1883, não imaginava que suas palavras sobreviveriam muito mais do que a própria tinta. Naquele momento, ele acreditava estar escrevendo apenas para os pais, que permaneciam na província de Vicenza. No entanto, registrava um daqueles instantes discretos em que a História muda de direção sem que seus protagonistas percebam. Ao seu lado encontrava-se Lucia Dal Molin. A jovem esposa, que semanas antes parecera frágil demais para enfrentar a travessia do oceano, agora recuperava lentamente a vitalidade. Giovanni observava seu rosto ganhar novamente cor e compreendia que a esperança também podia ser medida pelo brilho dos olhos de quem sobrevivera. Tudo começara em Gênova, na manhã de 22 de novembro de 1883. O porto era um cenário onde milhares de despedidas aconteciam ao mesmo tempo. Homens apertavam as mãos dos pais pela última vez. Mulheres escondiam as lágrimas para que os filhos embarcassem acreditando no futuro. Sacerdotes concediam bênçãos apressadas. O navio parecia carregar muito mais do que passageiros. Levava aldeias inteiras, memórias de gerações e promessas feitas diante de portas que talvez jamais voltassem a se abrir. Nos primeiros dias, Giovanni acreditou que a parte mais difícil havia ficado para trás. Então veio o Atlântico. O mar transformava todos os homens em iguais. Não importava quem possuía terras na província de Vicenza, quem trabalhava como artesão ou quem jamais conhecera a pobreza extrema. Bastavam algumas horas de tempestade para que todas as diferenças desaparecessem diante da força das ondas. Durante dois dias, Lucia Dal Molin permaneceu profundamente debilitada. Giovanni passou noites inteiras observando a esposa lutar contra a exaustão provocada pelo balanço incessante da embarcação. Quando as grandes tempestades finalmente chegaram, até os mais fortes sucumbiram. A embarcação subia e despencava sobre o oceano como uma folha carregada pelo vento. Dos 590 passageiros, apenas cerca de sessenta conseguiram permanecer sem os violentos enjoos que dominavam os conveses. O cheiro de carvão misturava-se ao sal do mar e ao sofrimento humano. Crianças choravam. Velhos rezavam em silêncio. Homens acostumados ao trabalho pesado descobriam que existiam forças impossíveis de enfrentar apenas com coragem. Entretanto, foi justamente naquele ambiente de sofrimento que Giovanni descobriu algo que levaria consigo pelo resto da vida. Quando todos enfrentam o mesmo perigo, a solidariedade deixa de ser virtude e transforma-se em necessidade. Desconhecidos dividiam água, amparavam idosos e sustentavam aqueles que já não conseguiam permanecer de pé. Ninguém perguntava de qual aldeia vinha o outro. O oceano havia criado uma única família formada por pessoas que talvez nunca mais se encontrassem. Depois de dez dias surgiu São Vicente, nas ilhas de Cabo Verde.A parada durou apenas o suficiente para abastecer o navio com carvão. Os passageiros foram convidados a trabalhar. Giovanni aceitou imediatamente. Sob um calor sufocante carregou pesados sacos de carvão durante horas. Ao final do dia recebeu seis francos. Nunca uma quantia tão pequena lhe parecera tão importante. Era o primeiro dinheiro conquistado longe da Itália, sinal de que dali em diante dependeria exclusivamente do próprio esforço. Onze dias mais tarde apareceu o contorno majestoso do Rio de Janeiro. A entrada da baía parecia confirmar todas as histórias contadas pelos agentes de imigração. Montanhas cercavam as águas tranquilas enquanto pequenas embarcações cruzavam lentamente o porto. Mas bastou atravessar os portões da Casa de Imigração da Ilha das Flores para compreender que o Novo Mundo também conhecia a fome. Durante treze dias os alimentos foram escassos. O café da manhã mal sustentava o corpo. A refeição principal era insuficiente para homens que haviam atravessado um oceano inteiro. Muitas vezes Giovanni possuía algumas moedas no bolso, mas não encontrava pão para comprar. A fome revelava outra dimensão da imigração. Ela não destruía apenas as forças do corpo. Colocava diariamente à prova a capacidade de continuar acreditando. Lucia, porém, recuperou-se de maneira surpreendente. Funcionários da hospedaria, sensibilizados com sua juventude, ofereciam-lhe sopa, carne, vinho e outros alimentos que raramente chegavam aos demais passageiros. Giovanni assistia àquela recuperação como quem contempla um acontecimento extraordinário. Aprendeu que, mesmo nos períodos mais difíceis, sempre existiam pessoas capazes de diminuir o sofrimento alheio. Encerrada a permanência na Ilha das Flores, iniciou-se outra etapa da viagem. O navio seguiu para Santa Catarina. Depois alcançou o Rio Grande do Sul. Permaneceu um dia em Rio Grande. Prosseguiu até Pelotas. Finalmente chegou a Porto Alegre, onde outra Casa de Imigração recebeu temporariamente os recém-chegados. Cada cidade representava apenas uma estação de passagem. O verdadeiro destino ainda permanecia escondido no interior da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. A última etapa aconteceu num pequeno vapor que avançava lentamente pelo rio. Giovanni permanecia longo tempo observando as margens cobertas por árvores desconhecidas. Comparava aquele curso d'água ao rio Agno, da província de Vicenza. Calculava que o rio brasileiro possuía quase um terço a mais de largura. Aquela simples comparação ajudava-o a compreender a grandeza da terra onde começaria uma nova existência. Quando desembarcou em São Sebastião, encontrou um mundo completamente diferente daquele que deixara para trás. As árvores produziam frutas em abundância. Laranjas custavam apenas um centésimo. Melancias, figos, ovos e tantos outros alimentos pareciam brotar naturalmente daquela terra fértil. Era verão. As chuvas chegavam acompanhadas por trovões que faziam estremecer o horizonte. Mesmo assim, o calor mostrava-se mais suportável do que imaginara enquanto ainda vivia na Itália. No dia 28 de dezembro, o governo preparou o transporte que conduziria os imigrantes até as colônias onde receberiam seus lotes. Giovanni desconhecia completamente aquilo que o aguardava. Não imaginava as árvores gigantescas que precisariam ser derrubadas. Nem os caminhos cobertos de barro. Nem o isolamento das primeiras moradias. Nem os invernos rigorosos da serra. Nem as doenças. Nem as noites iluminadas apenas por lampiões. Sabia apenas que caminhava em direção a uma terra onde tudo ainda precisava ser construído. Quando escreveu aos pais, escolheu cuidadosamente aquilo que contaria. Falou das frutas. Do clima. Da beleza das cidades brasileiras. Explicou que entre a Itália e o Brasil existia uma diferença de seis horas. Escondeu a fome. Silenciou sobre o medo. Não mencionou as tempestades nem as noites em que acreditara perder Lucia Dal Molin. Todo filho conhece esse impulso. Os pais envelhecem depressa quando recebem notícias carregadas de sofrimento. No encerramento da carta fez apenas um pedido. Solicitou que fosse celebrada uma missa em honra de Nossa Senhora das Graças, agradecendo pela proteção recebida durante toda a travessia. Não pediu dinheiro. Não reclamou das dificuldades. Não lamentou o destino. Apenas agradeceu por continuar vivo. Naquele gesto simples encontrava-se toda a grandeza da imigração italiana. Os grandes acontecimentos raramente começam nos gabinetes dos governos. Começam quando homens comuns atravessam oceanos, suportam a fome, enfrentam o desconhecido e, apesar de tudo, continuam acreditando que existe um futuro esperando além da próxima montanha. Assim aconteceu com Giovanni Bortolon e Lucia Dal Molin. Assim aconteceu com milhares de famílias da província de Vicenza que passaram por Gênova, Ilha das Flores, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande, Pelotas, Porto Alegre e São Sebastião antes de alcançarem o interior da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. As colônias italianas nasceriam dos machados, das sementes e do trabalho. Mas, antes que a primeira árvore fosse derrubada, elas nasceram dentro de cartas como aquela. Porque toda grande colonização começa muito antes da primeira casa. Ela começa no instante em que alguém, distante de sua terra, encontra forças para escrever aos que ficaram dizendo que a esperança sobrevivera ao mar.

Nota do Autor

Esta crônica nasceu a partir de uma carta autêntica preservada em um museu dedicado à imigração italiana no Rio Grande do Sul. Escrita em 27 de dezembro de 1883, ela constitui um dos mais valiosos testemunhos da experiência vivida pelos primeiros imigrantes italianos que deixaram a província de Vicenza em busca de uma nova vida no Brasil.

Embora esta seja uma obra de ficção histórica, ela está profundamente enraizada na documentação original. Os nomes dos personagens foram deliberadamente modificados para preservar a identidade dos protagonistas da correspondência e permitir que a narrativa representasse simbolicamente milhares de outras famílias que viveram experiências semelhantes. Em contrapartida, as datas, os locais percorridos e o contexto histórico foram mantidos conforme registrados na carta que inspirou este texto.

Ao transformar um documento histórico em narrativa literária, procurei dar voz não apenas ao autor daquela correspondência, mas também a uma geração inteira de homens e mulheres que enfrentou a travessia do Atlântico, a fome, as doenças, as incertezas e o desafio de construir um futuro em uma terra coberta por florestas. Muitas vezes, as cartas dos imigrantes revelam mais sobre a colonização do que os próprios documentos oficiais, pois nelas sobrevivem os sentimentos, os medos, a fé e a esperança de pessoas comuns que fizeram a História sem jamais imaginar que um dia seriam lembradas.

Escrever esta crônica foi uma forma de homenagear esses pioneiros e de demonstrar que cada carta preservada em um arquivo ou museu representa muito mais do que um registro familiar: ela é um patrimônio da memória coletiva. Ao permitir que essas palavras atravessem novamente o tempo, espero contribuir para que as novas gerações compreendam que a grande epopeia da imigração italiana não foi construída apenas com machados e plantações, mas também com cartas escritas à luz de lamparinas, carregadas de saudade, coragem e esperança.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta




quinta-feira, 30 de julho de 2026

As Contas do Destino - A Emigração Italiana em Números e Vidas

 


As Contas do Destino

Uma história de emigração a partir das estatísticas 

do Reino da Itália


Arezzo, Toscana, Inverno de 1883

Era um tempo em que os números começaram a contar histórias. O recém-criado Regno d’Italia buscava compreender a sua própria população, e a recém-fundada Direzione Generale della Statistica passava a registrar não apenas quem nascia, mas quem partia — e por quê.

Tommaso Bartolomei nunca tivera interesse por estatísticas. Trabalhava desde os doze anos na lavoura de centeio de um baronato arruinado, cuidando de terras que já não produziam o suficiente nem para manter os filhos do senhor na escola. Aos trinta e dois, com os pulmões gastos pela poeira da colheita e as mãos deformadas de trabalho bruto, Tommaso representava um número a mais nos registros oficiais: camponês, casado, analfabeto, sem terras, com dois filhos. E agora, candidato à emigração.

Não foi o primeiro de sua vila. O movimento já tomava proporções visíveis. Cartas com selos de Montevidéu, Buenos Aires,Rio Grande do Sul e São Paulo chegavam às igrejas com notas promissórias e recomendações. Os jovens partiam sozinhos, seguiam a trilha de irmãos, tios ou padrinhos. Os prefeitos das comunas redigiam relatórios em linguagem seca, descrevendo o “êxodo dos braços” com inquietação. Os proprietários rurais pressionavam o Ministério do Interior para frear a concessão de passaportes — temiam a escassez de mão de obra, o aumento do custo do trabalho, o fim de um sistema baseado na resignação dos pobres.

Mas os pobres sabiam contar de outro modo. Sabiam que quatro moedas enviadas do Brasil valiam mais do que três meses de suor na terra empobrecida da Toscana. Sabiam que um filho em Campinas podia manter cinco em Arezzo. E Tommaso sabia, com a convicção dos que já perderam demais, que não partir era morrer devagar.


Gênova e Napoli, Portos de Embarque — Maio de 1884

Os navios saíam lotados. Cada nome registrado no livro de bordo representava uma ausência nas estatísticas locais e uma presença no radar de um novo país. A burocracia era árdua: requerimento de passaporte ao síndico, taxa de concessão, autorização das autoridades militares — e, por fim, o visto de saída.

Tommaso viajou com documentos próprios, sem recorrer a agências. A viagem fora financiada por um cunhado que trabalhava como carregador no porto de Santos. Ao contrário da maioria, partia já com destino certo: seria ajudante em uma fazenda de café na província de São Paulo. Na alfândega, passou por vistoria sanitária, teve a bagagem revista e o nome duplicado num caderno de registros que só mais tarde seria enviado ao Commissariato Generale dell’Emigrazione, recém-instituído para organizar os dados da diáspora italiana.

Na cabine de terceira classe, entre crianças febris e mulheres enlutadas, ouviu as histórias de outros números: um funileiro da Calábria, um pedreiro da Úmbria, um viúvo da Basilicata. Eram dezenas de origens distintas com um destino comum: deixar de contar apenas para as estatísticas e passar a contar para o mundo.


Fazenda Boa Vista, Província de São Paulo — 1885

O Brasil não aparecia nos mapas oficiais da emigração com o mesmo destaque dos Estados Unidos ou da Argentina. Mas suas promessas de terra, clima e fartura haviam seduzido muitos. Os livros de propaganda exageravam as cores da mata, escondiam a dívida imposta aos colonos e ignoravam as febres tropicais que assolavam os alojamentos.

Na Fazenda Boa Vista, Tommaso entendeu rapidamente a dinâmica: parceria agrícola, armazém caro, ausência de pagamento em moeda e controle absoluto do feitor sobre a produção. A terra era fértil, mas o sistema era injusto. Ainda assim, ele ficou. Resistiu. Era hábil com a enxada, cauteloso nas contas e determinado na economia. Em dois anos, já enviava dinheiro à esposa, ainda na Toscana. Em cinco, trouxe os filhos. Em sete, comprou um pequeno lote com mata rala às margens do rio Jaguari.


Sumaré, 1909 — Vinte e cinco anos depois

Anos mais tarde o nome de Tommaso Bartolomei apareceu apenas uma vez em um relatório do Ministério da Estatística. Estava num apêndice secundário: “camponês, emigrado para o Brasil, acompanhado de esposa e filhos, destino: São Paulo, porto de embarque: Gênova.”

A maioria dos que partiu naquela década voltou. Mas Tommaso ficou. Tornou-se proprietário de uma chácara, plantava milho, criava porcos, e dava aulas noturnas de aritmética aos filhos dos colonos. Guardava ainda o passaporte como relíquia, junto com a certidão do terreno e as cartas trocadas com a comuna de origem.

Era um entre 26 milhões de italianos que, entre 1876 e 1960, deixaram seu país. Um entre milhões que foram classificados por idade, sexo, profissão e porto. Mas, como ele mesmo escreveria num pedaço de papel escondido entre suas anotações agrícolas:

“Estatísticas não sentem fome, não tremem no porão do navio, não enterram filhos no mato quente do Brasil. Só os vivos contam essa parte da história.”


Nota do Autor

Esta narrativa nasceu do desejo de dar carne e voz aos nomes que, por tanto tempo, foram reduzidos a números. Nos arquivos frios da Direzione Generale della Statistica, camponeses como Tommaso Bartolomei aparecem apenas como linhas em tabelas: idade, profissão, analfabetismo, destino. Mas por trás de cada dado havia um corpo cansado, uma escolha difícil, uma esperança teimosa — e uma história que merecia ser contada.

As Contas do Destino é uma tentativa de costurar a vida ao registro, de aproximar a literatura da demografia. Ao acompanhar a trajetória de Tommaso, procurei me guiar por fontes históricas reais, incluindo relatórios ministeriais, boletins migratórios, regulamentos portuários e propagandas oficiais da época. Mas acima de tudo, me deixei conduzir pelo silêncio dos que partiram sem deixar memória escrita — dos que, como ele, sobreviveram mais como legado do que como nome de rua.

Não se trata aqui de romancear o sofrimento, nem de heroificar o imigrante. Mas sim de reconhecer que, entre estatísticas e destinos, há sempre vidas que importam. E que as histórias dos anônimos, como Tommaso, podem nos ensinar mais sobre o passado — e sobre nós mesmos — do que qualquer gráfico de linha.

Aos descendentes desses números vivos, esta obra é dedicada. Que nela encontrem um espelho, uma origem, ou simplesmente um sopro de pertencimento. Porque o que não se conta, se perde. E o que se transforma em história, permanece. 

Dr. Luiz C. B. Piazzetta

 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Relação dos Imigrantes Italianos que Partiram de Gênova para Santa Catarina em 12 de Fevereiro de 1878


 

Vapor Colombo

Relação dos Imigrantes Italianos que Partiram de Gênova para Santa Catarina

 em 12 de Fevereiro de 1878


NOME
IDADE
LOCAL DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
DERETTI Luigi
DERETTI Giovanni
DERETTI Rosa
44
13
9 
BERGAMO
"
"
Itália
"
"
Agricultor
"
"
Catolico
"
"
LAZZARI Giovanni
LAZZARI Lucia
LAZZARI Pierine
LAZZARI Paolo
LAZZARI Giocondo
39
34
8
5
3
"
"
"
"
"
"
"
"
DERETTI Angelo
DERETTI Pierina
DERETTI Rosa
DERETTI Francesco
DERETTI Luigia
DERETTI Giocondo
DERETTI Maria
35
32
9
6
3
2
0,2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
DERETTI  Andrea
DERETTI Lucia
DERETTI Mattia
DERETTI Teresa
69
66
24
19
"
"
"
"
"
"
"
DERETTI Santo
DERETTI Angela
DERETTI Anna
DERETTI Luigia
DERETTI Angelo
35
30
7
4
2
"
"
"
"
"
"
"
"
MORBIS Giovanni
MORBIS Serafina
MORBIS Luigia
MORBIS Rosa
MORBIS Giuseppe
35
33
7
5
3
"
"
"
"
"
"
"
"
PEZZONI Giuseppe
PEZZONI Maria 
PEZZONI Enrico
43
40
7
"
"
"
"
"
"
DERETTI Battista
DERETTI Elisabetta
DERETTI Angela 
DERETTI Antonia
32
30
4
2
"
"
"
"
"
"
"
DERETTI Giovanni
DERETTI Antonia
DERETTI Maria
DERETTI Anna
33
30
7
3
"
"
"
"
"
"
"
ROBERTI Pietro
ROBERTI Teresa
ROBERTI Giacomo
ROBERTI Giulia
47
42
11 (?)
7
MANTOVA
"
"
"
"
"
"
SACCANI Secondo
SACCANI Caterina
SACCANI Rosa
SACCANI Angela
SACCANI Antonio
SACCANI Luigia
45
38
17
14
9
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
MAFFEZZOLI Lodovico
MAFFEZZOLI Serafina
MAFFEZZOLI Calisto
MAFFEZZOLI Teresa
MAFFEZZOLI Giovanni
MAFFEZZOLI Rosa
MAFFEZZOLI Santa
MAFFEZZOLI Angelo
44
43
34
33
9
6
4
1
MANTOVA
"
"
"
"
"
"
"
Italia"
"
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
"
"
CERATI Giulio
CERATI Elisabetta
CERATI Antonio
CERATI Angelo
CERATI Pietro
39
48
36
11
10
"
"
"
"
"
"
"
"
SABADINI Giulio
SABADINI Luigia
SABADINI Luigi
43
49
13
"
"
"
"
"
"
ROSSI Rosa
ROSSI Giuseppe
ROSSI Maria
ROSSI Emilia
ROSSI Pietro
58
29
29
18
15
"
"
"
"
"
"
"
"
BERTELLI Felice
BERTELLI Orsola
BERTELLI Elvira
BERTELLI Primitiva
BERTELLI Leonida
BERTELLIAntonio
BERTELLI Ermogine
41
45
11
9
7
3
0,7
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
RASORI Orsola
RASORI Benvenuto
58
26
"
"
"
"
"
CAVALLI Antonio
CAVALLI Carolina
32
29
"
"
"
"
"
BOZZEDA Antonio
BOZZEDA Maria
BOZZEDA Marco
52
47
4
"
"
"
"
"
"
PANINI Clemente
PANINI Onofria
33(?)
20
"
"
"
"
"
ARALDI Giovanni
ARALDI Margherita
ARALDI Giseppe
ARALDI Maria
ARALDI Maria
ARALDI Pietro

45
44
18
13
9
6
"
"
"
"
"
"
"
"
"
GUAITOLINI Santo
GUAITOLINI Luigi
GUAITOLINI Ersilio
46
12
11
"
"
"
"
"
"
BIZZARI Ermenegildo
BIZZARI Margherita
BIZZARI Rosa
BIZZARI Giovanni
41
35
9
5
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
CONTESINI Giuseppe
CONTESINI Toscana
CONTESINI Colomba
CONTESINI Federico
CONTESINI Carolina
32
32
8
5
1.3
MANTOVA
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
BORINI Giacomo
BORINI Santa
BORINI Grazia
BORINI Maria
BORINI Alessandra
BORINI Alessandro
39
31
11
9
8
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
SANTINELLI Luigi
SANTINELLI Giovanna
SANTINELLI Catterina
SANTINELLI Angelo
SANTINELLI Francesco
SANTINELLI Agostino
41
40
11
9
5
3
BERGAMO
"
"
"
"
"
"
"
"
FINAZZI Giuseppe
FINAZZI Luigi
FINAZZI Giuseppe
48
12 (?)
8
"
"
"
"
"
"
FINAZZI Andrea
FINAZZI Angela
FINAZZI Angelo
36
34
1.4
"
"
"
"
"
"
BETTONI Angelo
BETTONI Francesca
BETTONI Giacomo
BETTONI Giovanni
55
50
24
21
"
"
"
"
"
"
"
VEGINI Antonio
VEGINI Antonia
VEGINI Luigi
VEGINI Davide
VEGINI Maria
41
40
21
3
0.5
"
"
"
"
"
"
"
"
VOLPI Giovanni
VOLPI Teresa
VOLPI Valentino
VOLPI Angelo
VOLPI Marietta
VOLPI Maria
30
28
27
22
2
0.2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
BERZI Giacomo
BERZI Catterina
43
40
"
"
"
"
"
TIRONI Anna
TIRONI Abramo
TIRONO Barbara
66
24
22
"
"
"
"
"
"
TIRONI Angelo
TIRONI Teresa
30
24
"
"
"
"
"
RIVELLINI Maria
RIVELLINI Catterina
RIVELLINI Colomba
RIVELLINI Augusta
RIVELLINI Beatrice
57
24
19
17
14
"
"
 "
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
TIRONI Luigi
TIRONI Caterina
TIRONI Maria
TIRONI Francesco
TIRONI Pasquale
TIRONI Giovanni
33
30
13
8
6
0.2
BERGAMO
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
RANGHETTI Carlo
RANGHETTI Angela
RANGHETTI Giuseppe
RANGHETTI Francesco
RANGHETTI Gio Batta
RANGHETTI Giuseppe
49
44
14
13
11
10
"
"
"
"
"
"
"
"
"
BRUGNOLI Pietro
BRUGNOLI tERESA
BRUGNOLI Angelo
BRUGNOLI Luigi
BRUGNOLI Luigi
47
38
9
5
1
CREMONA
"
"
"
"
"
"
"
POLLINI Pietro
POLLINI Domenica
33
28
"
"
"
"
"
MARCHI Luigi
MARCHI Maria
MARCHI Francesco
MARCHI Aristide
MARCHI Giuseppe
38
35
13
10
1
"
"
"
"
"
"
"
"
TIUTI Francesco
TIUTI Maria
TIUTI Angelo
TIUTI Colomba
47
42
16
14
"
"
"
"
"
"
"
TAMBONI Maria
TAMBONI Francesco
TAMBONI Maria
TAMBONI Amilcare
TAMBONI Eurosia
TAMBONI Alessandro
TAMBONI Maria
44
35
35
8
7
5
2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
VITTI Luigi
VITTI Carlo
VITTI Rosa
VITTI Andrea
VITTI Luigi
VITTI Maria
VITTI Maria
VITTI Teresa
VITTI Giovanni
38 (?)
43
35
30
13
11
6
3
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
VIGNOLO Natale
VIGNOLO Rosa
VIGNOLO Maria
40
35
6
"
"
"
"
"
"
MORO Natale
MORO Orsola
MORO Teresa
33
31
2
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
FOSSA Carlo
FOSSA Rosa
FOSSA Angelo
FOSSA Aristide
FOSSA Clementina
46
44
35
21
17
CREMONA
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
FANTONI Daniele
FANTONI Barbara
FANTONI Pietro
FANTONI Carlotta
FANTONI Maria
FANTONI Regina
FANTONI Giuseppe
56
50
24
18
15
10
5
VERONA
"
"
"
"
"
"
"
"
"
ROMAGNANI Angelo
ROMAGNANI Angela
ROMAGNANI Guerino
ROMAGNANI Lucia
ROMAGNANI Maria
40
40
13
11
7
"
"
"
"
"
"
"
"
CAVEDINI 
CAVEDINI
CAVEDINI
CAVEDINI
CAVEDINI
CAVEDINI
CAVEDINI
61
33
32
29
7
5
2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
ERBANO Giulio
ERBANO Francesco
ERBANO Elias
ERBANO Maria
ERBANO Gioachino
ERBANO Luigi
31
42
26
4
2
0.2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
MARCONCINI Antonio
MARCONCINI Maria
MARCONCINI Anna
MARCONCINI Riccardo
MARCONCINI Pasqua
MARCONCINI Luigi
45
38
16
14
12
5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
DALCERÈ Bernardo
DALCERÈ Caterina
DALCERÈ Angela
32
37
4
"
"
"
"
"
"
PISA Antonio
PISA Domenica
PISA Giosafat
PISA Elisabetta
PISA Domenico
PISA Luciano
PISA Teresa
52
44
20
15
12
8
5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
GARDINI Giovito
GARDINI Regina
GARDINI Angelo
GARDINI Annunciato
32
26
2
1
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
MARCON Gio Batta
MARCON Caterina
MARCON Maria
MARCON Rosa
MARCON Angela
56
55
22
18
15
VICENZA
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
MIRINI Giuseppe
MIRINI Stella
MIRINI Andrenna
MIRINI Antonio
MIRINI Ernesta
MIRINI Rosa
43
45
16
14
8
6
MANTOVA
"
"
"
"
"
"
"
"
AZZI Pietro
AZZI Teresa
AZZI Francesco
AZZI Roberto
AZZI Luigi
40
30
8
4
2
"
"
"
"
"
"
"
"
FORMICI Ernesto
FORMICI Carolina
FORMICI Demetrio
FORMICIAdalgisa
FORMICI Maria
FORMICI Dierce
30
27
5
4
2
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
AVOZANI Carlo
AVOZANI Candida
AVOZANI Onorata
AVOZANI Teresa
31
25
3
0.5
"
"
"
"
"
"
"
VECCHI Carlo
VECCHI Rosa
VECCHI Mansueto
VECCHI Felice
39
36
11
2
"
"
"
"
"
"
"
ARFINI Paolo
ARFINI Costantina
ARFINI Pietro
ARFINI Antonio
42
36
13
1
"
"
"
"
"
"
"
COPPI Pompeo
COPPI Carolina
COPPI Lorenzo
COPPI Maria
40
37 (?)
7
5
"
"
"
"
"
"
"
BELLINI Angelo
BELLINI Carolina
BELLINI Santo
27
26
3
"
"
"
"
"
"
VIGNOLI Carlo
VIGNOLI Angela
VIGNOLI Filomena
VIGNOLI Adolfo
27
26
2
0.4
"
"
"
"
"
"
"
ROSSINI Angela
ROSSINI Angelo
ROSSINI Maria
ROSSINI Antonio
ROSSINI Carolina
39
16
14
10
9
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
NOLLI Sante
NOLLI Rosa
NOLLI Cesare
NOLLI Leonardo
NOLLI Celso
NOLLI Giovanni
NOLLI Nicolo (?)
38
47
13
10
8
5
2
MANTOVA
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
BIANCHI Antonio
BIANCHI Luigia
BIANCHI Luigi
BIANCHI Giuseppe
28
2(?)
3
1
"
"
"
"
"
"
"
GUALTIERI Giovanni
GUALTIERI Regina
26
28
"
"
"
"
"
VISENTIN Pietro
VISENTIN Giuseppe
VISENTIN Maria
VISENTIN Angelo
58
30
22
1
VICENZA
"
"
"
"
"
"
"
VALLE Florindo
VALLE Giuseppe
35
9
"
"
"
"
"
RIGO Marco
RIGO Oliva
RIGO Giovanni
34
36
5
"
"
"
"
"
"
NOVELETTO Maria
NOVELETTO Stanislao
NOVELETTO Dionisia
45
17
14
"
"
"
"
"
"
ZONTA Andrea
ZONTA Lucia
ZONTA Prosdocimo
ZONTA Luigi
ZONTA Remigio
ZONTA Maria
ZONTA Regina
43
37
15
12
8
3
0.9
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
FACCO Francesco
FACCO Maria
FACCO Luigi
FACCO Giovanni
FACCO Maria
FACCO Giuseppe
52
46
10
8
4
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
MACCAN Giuseppe
MACCAN Giovanna
52
30
"
"
"
"
"
CIPRIAN Fortunato
CIPRIAN Elisabetta
CIPRIAN Giacomo
CIPRIAN Maria
CIPRIAN Francesco
CIPRIAN Girolamo
CIPRIAN Daniele
CIPRIAN Maria
CIPRIAN Teresa
CIPRIAN Giovanni
51
47
29
31
26
21
13
10
6
3
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
 "
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
VALLE Pietro
VALLE Maria
VALLE Angelo
VALLE Pietro
VALLE Luigia
VALLE Marta
VALLE Luigi
VALLE Maria
VALLE Regina
VALLE Giovanni
VALLE Pia
50
42
48
26
25
17
15
12
10
5
0.10
VICENZA
"
"
"
"
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
"
"
'
TESSAROLO Paolo
TESSAROLO Chiara
TESSAROLO Giovanni
TESSAROLO Elisabetta
TESSAROLO Angelo
TESSAROLO Chiara
TESSAROLO Teresa
TESSAROLO Marietta
TESSAROLO Paola
TESSAROLO Raimondo
61
58
32
28
10
8
4
4
2
0.3
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
MENEGHETTI Innocente
MENEGHETTI Luigia
MENEGHETTI Giuseppe
30
29
1
"
"
"
"
"
"
PAVANELLO Andrea
PAVANELLO Angela
PAVANELLO Euresia
PAVANELLO Luigi
PAVANELLO Domenica
39
41
17
7
5
"
"
"
"
"
"
"
"
BAGGIO Domenica
BAGGIO Antonio
BAGGIO Giovanna
BAGGIO Giacomo
44
14
11
7
"
"
"
"
"
"
"
CHIMINELLO Antonio 
CHIMINELLO Maddalena
CHIMINELLE Filippo
CHIMINELLE Olivio
37
30
2
0.5
"
 "

"
"
"
"
"
ZAGO Silvestro
ZAGO Benedetta
ZAGO Gio Batta
ZAGO Regina
ZAGO Emilia
ZAGO Angelo
ZAGO Modesta
ZAGO Aurelia
ZAGO Veneranda
ZAGO Verginia
55
53
24
24
22
16
13
11
9
5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
NICOLI Giovanni
NICOLI Lucia
NICOLI Maria
37
32
30
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
COLVERO Antonio
COLVERO Domenica
COLVERO Teresa
COLVERO Giovanni
COLVERO Maria
COLVERO Francesco
39
37
12
10
4
1
TREVISO
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
BORTOLOTTO Francesco
BORTOLOTTO Filomena
BORTOLOTTO Giovanni
BORTOLOTTO Olivia
BORTOLOTTO Maria
BORTOLOTTO Antonio
BORTOLOTTO Petrolina
BORTOLOTTO Luigi
44
38
16
9
8
6
4
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
DALMAS Sebastiano
DALMAS Maria
DALMAS Elisabetta
DALMAS Angelo
DALMAS Vittorio
53
48
20
14
10
"
"
"
"
"
"
"
"
CODEN Paolo
CODEN Angelo
CODEN Maria
CODEN Maria
58
30
24
2
"
"
"
"
"
"
"
TRONCO Angelo
TRONCO Teresa
TRONCO Rosa
TRONCO Cristina
TRONCO Giuseppe
46
47
18
14
6
"
"
"
"
"
"
"
"
ROSSO Luigi
ROSSO Caterina
ROSSO Giovanni
ROSSO Giuditta
ROSSO Giuliana
ROSSO Giuseppe
ROSSO Bonaventura
ROSSO Paolo
44
38
11
10
7
5
3
0.2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
CELEPRIN Pietro
CELEPRIN Teresa
CELEPRIN Giovanni
CELEPRIN Lucia
CELEPRIN Giacomo
CELEPRIN Lucia
35
31
8
5
3
0.5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
DALCOL Antonio
DALCOL Maria
DALCOL Celeste
DALCOL Angelo
DALCOL Giovanni
DALCOL Zaccaria
DALCOL Luigia
DALCOL Luigi
45
40
19
11
10
8
6
2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
RUI Giovanni
RUI Pasqua
RUI Teresa
RUI Maria
RUI Francesco
RUI Giovanni
RUI Augusta
29
26
3
2
0.1
46
31
TREVISO
"
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
"
"
VILLANOVA Angelo
VILLANOVA Austacchio
VILLANOVA Celestina
VILLANOVA Antonio
VILLANOVA Giovanni
VILLANOVA Mario
VILLANOVA Maria
VILLANOVA Giuseppe
VILLANOVA Rosa
71
46
18
14
11
10
7
5
3
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
SANDRE Anna
SANDRE Gio.Batta
SANDRE Giacomo
SANDRE Teodolinda
61
38
30
7
"
"
"
"
"
"
"
BOTTEGA Francesco
BOTTEGA Maria
BOTTEGA Gio.Batta
BOTTEGA Lorenzo
BOTTEGA Angelo
BOTTEGA Giovanna
51
35
12
8
6
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
BOTTEGA Giovanni
BOTTEGA Maria
BOTTEGA Antonio
BOTTEGA Augusta
BOTTEGA Maria
BOTTEGA Giacinto
BOTTEGA Albina
38
36
14
11
7
4
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
CATTELLAN Michele
CATTELLAN Antonia
CATTELLAN Maria
CATTELLAN Luigi
CETTELLAN Augusta
CATTELLAN Giacomo
43
36
14
12
7
5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
BOS Giuseppe
BOS Anna
BOS Giovanni
BOS Francesco
BOS Luigi
50
54
24
16
13
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
BASSO Giovanni
BASSO Maria
BASSO Agostino
BASSO Americo
43
40
13
11
TREVISO
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
BASSO Luigi
BASSO Maria
BASSO Antonio
BASSO Fausto
BASSO Eugenio
30
30
6
4
1
"
"
"
"
"
"
"
"
VIERA Marco
VIERA Maria
VIERA Antonio
VIERA Giuditta
VIERA Maddalena
VIERA More (?)
48
40
13
11
8
6
"
"
"
"
"
"
"
"
"
VIERA Giulio
VIERA Marina
VIERA Giuseppe
VIERA Santa
VIERA Giovanni
VIERA Giuseppina
VIERA Adamo
VIERA Eva
43
31
10
9
8
6
5
3
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
PADOIN Giacomo
PADOIN Maddalena
PADOIN Giosuè
PADOIN Giovanna
PADOIN Stanislao
PADOIN Giuditta
PADOIN Giustina
54
61
26
22
16
8
8
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
AVANZINI Giuseppe
AVANZINI Carolina
AVANZINI Giuseppe
AVANZINI Carlo
AVANZINI Emilia
AVANZINI Santa
AVANZINI Gio.Batta
AVANZINI Alessandro
AVANZINI Maria
AVANZINI Carlo
47
42
45
43
20
15
10
8
4
2
MANTOVA
"
"
"
"
"
"
"

"
"
"
"
"
CIMARDI Giuseppe
CIMARDI Maria
CIMARDI Pietro
CIMARDI Caterina
CIMARDI Roma
35
30
10
4
2
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
CAMPAGNOLO Antonio
CAMPAGNOLO Maria
CAMPAGNOLO Carolina
CAMPAGNOLO Verginio
CAMPAGNOLO Pino
30
32
7
5
3
MATOVA
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
CERATI Antonio
CERATI Teresa
CERATI Francesco
CERATI Rosa
36
9
7
0.4
"
"
"
"
"
"
"
GIUNGO Eugenio
GIUNGO Arcangelo
GIUNGO Elvira
GIUNGO Attilio
39
38
27
8
TRENTO
"
"
"
Austria
"
"
"
"
"
DALPAS Michele
DALPAS Maddalena
DALPAS Amalia
DALPAS Emmanuele
DALPAS Teresa
DALPAS Adele
50
43
21
19
17
10
"
"
"
"
"
"
"
"
"
WEBBER Giovanni
WEBBER Elisabetta
WEBBER Addolorata
WEBBER Fiorina
WEBBER Luigi
WEBBER Antonio
54
38
15
12
10
7
"
"
"
"
"
"
"
"
"
CASTELLANI Giuseppe
CASTELLANI Giuliano
CASTELLANI Caterina
CASTELLANI Pietro
61
46
36
26
MANTOVA
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"

Nota do Autor

Cada nome inscrito nesta relação é mais do que um vestígio de papel amarelado pelo tempo. É um pulsar de vida que se acelerou ao ver, pela última vez, o contorno da costa de Gênova. É uma bagagem modesta, carregada não de objetos, mas de silêncios, despedidas e promessas. Ao reunir e divulgar a lista dos imigrantes italianos que zarparam rumo a Santa Catarina em fevereiro de 1878, sinto que não organizo dados — acompanho existências suspensas entre o que foi e o que ainda não era.

Eram homens e mulheres que deixaram para trás vilas de pedra, parreirais, montanhas e túmulos de antepassados para enfrentar o abismo do desconhecido. Do outro lado do oceano não havia certezas. Havia apenas a urgência. A fome, a pobreza e a ausência de horizonte já não permitiam ficar. O Brasil não era apenas um lugar no mapa: era uma chance de recomeço.

Escrever sobre eles é, para mim, um gesto de reverência. É devolver humanidade a quem a história, tantas vezes, reduziu a estatísticas. É recordar que o Brasil — e especialmente Santa Catarina — foi moldado por mãos calejadas, por vozes marcadas por sotaques, por corações que aprenderam a amar uma terra estranha até que ela se tornasse lar.

Se estas linhas alcançarem alguém que reconheça um sobrenome, uma origem, uma memória de família, então este trabalho cumpriu seu sentido. Porque a memória não é passado inerte. É raiz viva. E nenhuma árvore permanece de pé sem suas raízes.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta