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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

A Segunda Migração dos Imigrantes Italianos no Rio Grande do Sul


 

A Segunda Migração dos Imigrantes Italianos no Rio Grande do Sul


Giovanni segurou firme as rédeas enquanto a carroça começava a vencer lentamente o caminho de terra batida. Era o ano de 1918. Sentado na boleia, lançou um último olhar para a casa paterna, como se quisesse gravar para sempre cada detalhe das paredes, do telhado, do terreiro e das árvores que durante tantos anos haviam sido o cenário de sua vida. Ao seu lado seguia Rosa, sua esposa. Atrás deles, acomodados entre baús, sacos de mantimentos e algumas ferramentas cuidadosamente preservadas, viajavam os três filhos do casal. Todos iniciavam uma jornada que consumiria mais de uma semana até alcançar o norte do Rio Grande do Sul, uma região de ocupação recente, aberta à colonização nas proximidades do Rio Uruguai, conhecida então como Paiol Grande, localidade que mais tarde receberia o nome de José Bonifácio.

A carroça avançava lentamente, mas os pensamentos de Giovanni corriam muito mais depressa do que os bois conseguiam caminhar. Bastou que a velha casa desaparecesse atrás de uma curva para que outra despedida, muito mais antiga, despertasse inteira em sua memória. As lembranças surgiram com a velocidade de um relâmpago, como cenas de um filme projetado dentro da própria alma.

Voltou a ser o menino de quinze anos que, muitos anos antes, deixava para sempre a pequena casa de pedra já castigada pelo tempo, em Fanzolo, uma das pequenas vilas que formavam o comune de Vedelago, na província de Treviso. Ainda conseguia ouvir, com impressionante nitidez, o sino da igreja. O padre Don Luigi ordenara que ele fosse tocado em tom grave, não para anunciar uma morte, mas para marcar uma partida que, para muitos, parecia definitiva. Era um adeus semelhante ao prestado a um velho amigo que jamais retornaria.

Também lhe voltaram à lembrança os abraços demorados dos familiares, os olhos marejados dos vizinhos, os apertos de mão silenciosos dos amigos e a pequena multidão que acompanhou sua família até o momento da partida em direção à estação ferroviária. Dali embarcariam no trem que os levaria até Gênova, onde começaria a travessia do oceano. Poucos falavam durante aquele percurso. As palavras pareciam insuficientes diante da dor de abandonar uma terra onde cada pedra, cada estrada e cada campanário guardavam a história de gerações inteiras.

Giovanni era então o penúltimo dos seis filhos da família Tessari. Crescera cercado pelos irmãos, aprendendo desde muito cedo que a infância dos filhos de camponeses terminava quase ao mesmo tempo em que começava. As mãos ainda pequenas já conheciam o peso da enxada, da foice e dos cestos de colheita. Naquela época, brincar era um privilégio raro, quase sempre interrompido pelas necessidades do trabalho.

Seu pai, Domenico Tessari, era natural de Fanzolo. Homem de poucas palavras e de enorme resistência, carregava nos ombros o peso de uma responsabilidade que parecia crescer a cada ano. Sua mãe, Maria, nascera na vizinha vila de Salvarosa, pertencente ao comune de Castelfranco Veneto. Juntos formavam uma família simples, profundamente ligada à terra, mas sem jamais serem donos dela.

Viviam como meeiros em uma propriedade rural que atravessava sua própria decadência. O solo, antes generoso, tornava-se cada vez menos produtivo. O proprietário das terras residia em Treviso e pouco conhecia das dificuldades enfrentadas por aqueles que cultivavam seus campos. Exigia a parte que lhe cabia na produção, independentemente de a colheita ter sido boa ou ruim.

Ano após ano, as frustrações das safras tornavam-se mais frequentes. As mudanças climáticas alteravam o ritmo das estações, destruíam plantações e comprometiam aquilo que deveria garantir o sustento da família. O pouco que conseguiam colher mal era suficiente para alimentar tantas bocas. Ainda assim, uma parte precisava ser entregue ao patrão. O restante desaparecia rapidamente entre necessidades cada vez mais urgentes. As dívidas acumulavam-se sem piedade, transformando o futuro em uma sucessão de incertezas.

Domenico lutou durante muito tempo para permanecer naquela terra onde seus antepassados haviam vivido. Procurou soluções, ouviu conselhos, conversou com vizinhos que enfrentavam as mesmas dificuldades. Em muitas noites reuniu-se também com o amigo, o padre Don Luigi, homem respeitado por sua prudência e por conhecer de perto o sofrimento das famílias da região. As conversas repetiam sempre as mesmas perguntas e terminavam quase sempre no mesmo silêncio. Permanecer significava aceitar uma vida de pobreza cada vez maior. Partir significava abandonar tudo o que conheciam.

A decisão amadureceu lentamente, como amadurecem as escolhas que mudam para sempre o destino de uma família. Depois de muito refletir, Domenico resolveu emigrar para o Brasil. Não era uma aventura impulsiva nem um sonho de riqueza fácil. Era, acima de tudo, uma tentativa desesperada de oferecer aos filhos aquilo que a terra natal já não conseguia garantir: esperança.

O destino escolhido foi a recém-criada Colônia de Alfredo Chaves, que mais tarde passaria a chamar-se Veranópolis. A possibilidade de adquirir terras próprias parecia quase inacreditável para alguém que durante toda a vida trabalhara em propriedades alheias. Essa oportunidade somente se tornou possível graças ao esforço de um amigo que emigrara alguns anos antes para a Colônia Dona Isabel. Conhecendo a realidade brasileira e as possibilidades oferecidas aos novos colonos, esse amigo intermediou a compra de meia colônia de terras, permitindo que Domenico desse o passo mais importante de toda a sua existência.

Naquele instante, enquanto a carroça seguia lentamente rumo ao norte do Rio Grande do Sul, Giovanni compreendeu que sua vida parecia desenhar um círculo curioso. Anos antes havia sido um menino conduzido pelo pai em busca de um novo começo. Agora era ele quem conduzia a própria família para outra fronteira agrícola, repetindo, em solo brasileiro, a mesma coragem que um dia transformara seus pais em pioneiros. A primeira migração atravessara um oceano. A segunda cruzava serras, rios e matas. Mas, em ambas, havia a mesma convicção silenciosa que acompanhava tantas famílias de imigrantes italianos: a de que a verdadeira pátria de um homem talvez não seja o lugar onde nasceu, mas aquele onde seus filhos poderão construir um futuro melhor. 

Os últimos dias da viagem pareceram intermináveis. As estradas tornavam-se apenas trilhas abertas entre a mata, obrigando homens e animais a vencerem barro, pedras e riachos que surgiam a cada curva. Quando finalmente alcançaram a região de Paiol Grande, Giovanni compreendeu que estava diante de uma fronteira muito diferente daquela que encontrara quando chegara menino à antiga Colônia Alfredo Chaves. Ali a floresta ainda dominava quase tudo. Araucárias gigantes erguiam-se como colunas de uma catedral construída pela própria natureza, enquanto o rumor constante das águas do Rio Uruguai e de seus afluentes lembrava que aquela terra ainda pertencia muito mais às matas do que aos homens.

Foi naquele cenário de imensidão quase intocada que Giovanni, conhecido desde a infância pelo apelido de Nelo, decidiu fincar novamente suas raízes. Escolheu um pedaço de terra em uma área de Paiol Grande que, muitos anos mais tarde, daria origem ao município de São Valentim. Como havia acontecido com seus pais décadas antes, o primeiro desafio não foi cultivar a terra, mas conquistar o direito de nela viver. Antes da primeira colheita vieram o machado, a enxada e a força dos braços. Derrubaram árvores, abriram uma clareira, levantaram um abrigo simples de madeira e cobriram-no com tábuas e tabuinhas. Cada tronco abatido parecia anunciar que uma nova vida estava começando.

À noite, quando o silêncio da floresta envolvia a pequena casa recém-construída, Nelo muitas vezes recordava Fanzolo. Pensava na velha casa de pedra de seus pais, no sino da igreja tocado por Don Luigi, na longa viagem até Gênova e na travessia do oceano. Percebia então que a distância percorrida não era medida apenas em quilômetros. A verdadeira viagem era feita dentro do coração. Mais uma vez a família Tessaro havia recomeçado do nada. Mais uma vez o futuro dependia apenas da coragem de transformar mata em lavoura e esperança em realidade.

Os anos passaram, e o pequeno abrigo perdido entre as árvores deu lugar a uma propriedade próspera. Nelo e Rosa constituíram uma grande família, criando oito filhos sob os mesmos valores de trabalho, fé e perseverança que haviam recebido de Domenico e Maria. Parecia que, enfim, a longa caminhada encontrara seu destino definitivo.

Mas a história da família Tessaro ainda não havia terminado.

Assim como as terras do Vêneto haviam se tornado pequenas para Domenico, e as antigas colônias da Serra Gaúcha insuficientes para Nelo, chegou o tempo em que os filhos também precisaram procurar novos horizontes. A propriedade, embora fruto de uma vida inteira de sacrifícios, já não podia sustentar tantas famílias. Novamente as terras disponíveis tornavam-se raras e caras. Novamente a solução era seguir adiante.

Foi assim que alguns daqueles oito filhos retomaram a velha sina da família. Deixaram São Valentim e abriram uma terceira etapa daquela longa epopeia iniciada muito tempo antes em uma pequena vila do Vêneto. Seguiram rumo ao Oeste do Paraná e, mais tarde, às terras distantes do Mato Grosso, levando consigo o mesmo espírito pioneiro que atravessara o Atlântico na geração de seus avós e vencera as florestas do norte gaúcho na geração de seus pais.

Talvez essa seja a verdadeira herança dos Tessaro. Mais do que um sobrenome ou um pedaço de terra, transmitiram de geração em geração a extraordinária capacidade de caminhar sempre em frente. Para eles, a vida nunca foi medida pelo lugar onde nasceram, mas pela coragem de recomeçar quando a necessidade chamava. E assim, de migração em migração, ajudaram a escrever uma silenciosa e grandiosa página da ocupação do Sul e do Centro-Oeste do Brasil.


Nota do Autor

A história narrada nesta crônica reúne acontecimentos que marcaram a vida de milhares de famílias descendentes de imigrantes italianos no sul do Brasil. Os nomes dos personagens são fictícios, mas a trajetória que percorrem é absolutamente verdadeira e se repetiu incontáveis vezes entre os pioneiros que primeiro transformaram as matas da Serra Gaúcha em pequenas propriedades rurais e, uma geração depois, viram seus próprios filhos partir novamente.

Costuma-se imaginar que a imigração terminou quando os navios deixaram de cruzar o Atlântico. Na realidade, para muitos venetos, emigrar tornou-se uma condição permanente da existência. Depois de abandonar a terra natal, reconstruíram a vida no Brasil com um trabalho quase sobre-humano, derrubando florestas, abrindo estradas, construindo casas, igrejas e comunidades inteiras. No entanto, bastaram poucos anos para que surgisse um novo desafio: os filhos cresceram, casaram e formaram suas próprias famílias, enquanto as antigas colônias já não possuíam terras disponíveis.

As propriedades conquistadas com décadas de sacrifício eram pequenas e, divididas entre numerosos herdeiros, deixavam de garantir o sustento de todos. As terras livres haviam praticamente desaparecido e aquelas que restavam alcançavam preços impossíveis para agricultores que dependiam exclusivamente do trabalho da própria família. Permanecer significava, muitas vezes, condenar-se à pobreza. Partir, outra vez, tornava-se a única alternativa.

Foi assim que milhares de descendentes dos primeiros imigrantes repetiram o caminho de seus pais. Não atravessaram um oceano, mas enfrentaram longas jornadas em carroças, abriram picadas em novas florestas, estabeleceram-se em regiões distantes e recomeçaram a vida exatamente como a geração anterior havia feito. Essa segunda migração ajudou a ocupar vastas áreas do norte do Rio Grande do Sul, do oeste de Santa Catarina e, mais tarde, do Paraná, perpetuando um movimento de expansão que moldou grande parte da colonização do Sul do Brasil.

Essa sucessão de partidas revela uma característica profundamente enraizada na cultura daqueles colonos vindos do Vêneto: a extraordinária capacidade de recomeçar. Eles aprenderam que a sobrevivência exigia coragem para abandonar o conhecido, confiança para enfrentar o desconhecido e disposição para reconstruir, quantas vezes fosse necessário, aquilo que a vida insistia em colocar à prova. Talvez esse seja o maior legado deixado por essas famílias: a certeza de que a esperança não é um lugar onde se chega, mas uma estrada que se percorre sempre que o futuro exige um novo começo.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



sexta-feira, 3 de abril de 2026

Imigração Italiana no Paraná a História das Colônias e a Formação de Colombo


Imigração Italiana no Paraná a História das Colônias e a Formação de Colombo


A presença de imigrantes italianos foi fundamental para a formação social, econômica e cultural do Paraná, sobretudo a partir da segunda metade do século XIX. O fluxo inicial organizado de italianos ao estado intensificou-se a partir de 1875, inserido no grande movimento migratório que marcou o período pós-unificação da Itália (1861). A maioria vinha do Vêneto — região duramente atingida por crises agrícolas, pobreza rural e excesso populacional — e desembarcava no litoral paranaense, especialmente em Paranaguá, seguindo depois para colônias agrícolas criadas pelo governo provincial.

Entre os primeiros núcleos estiveram Nova Alexandra e Nova Itália, nas áreas de Morretes e Antonina. As dificuldades eram severas: clima úmido, doenças tropicais, isolamento, infraestrutura precária e terras de difícil manejo. Muitos colonos, diante das adversidades, migraram para o planalto curitibano, onde as condições eram mais favoráveis à agricultura de subsistência e ao abastecimento da capital provincial.

A expansão da imigração e as colônias italianas

Nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do século XX, o Paraná já abrigava dezenas de milhares de italianos e descendentes. Estavam distribuídos em colônias oficialmente reconhecidas como italianas e em outras mistas, onde conviviam com poloneses, alemães e brasileiros. O modelo adotado era o da pequena propriedade familiar, que estimulava o trabalho autônomo e a fixação definitiva.

Os primeiros anos foram marcados por intensa adaptação ao clima subtropical, ao desmatamento da araucária e à construção das primeiras casas, capelas e escolas. Cultivavam milho, feijão, trigo, hortaliças, uvas e criavam pequenos animais. Com o fortalecimento econômico do estado — impulsionado pelo tropeirismo, pelo comércio regional e posteriormente pela expansão do café no norte do Paraná — muitos italianos diversificaram suas atividades, passando a atuar também no comércio urbano, na vitivinicultura, na produção de queijos, na marcenaria e em pequenas indústrias artesanais.

O papel de Colombo e outras colônias

Nas proximidades de Curitiba, algumas colônias italianas tornaram-se especialmente prósperas e influentes. A Colônia Alfredo Chaves, oficialmente criada em 1878, destacou-se como um dos principais núcleos de fixação italiana. Localizada na região de Butiatumirim, deu origem ao atual município de Colombo, hoje reconhecido como um dos mais expressivos centros de descendência italiana no estado.

Outro núcleo emblemático foi Santa Felicidade, fundado em 1878 por famílias vindas do Vêneto. Inicialmente agrícola, tornou-se ao longo do século XX um importante polo gastronômico e cultural, preservando tradições culinárias, festas religiosas e traços arquitetônicos característicos.

Também merecem destaque:

Senador Dantas, que evoluiu para o atual bairro Água Verde, em Curitiba;

A Colônia de Santa Maria do Tirol, situada no atual município de Piraquara;

Núcleos em São José dos Pinhais, Araucária, Campo Largo e outras localidades do entorno da capital.

Curitiba e a influência urbana italiana

Embora muitos italianos tenham iniciado sua trajetória nas colônias rurais, parte deles estabeleceu-se diretamente em Curitiba ou migrou para a cidade após alguns anos na lavoura. Desde a década de 1870, formaram núcleos que mais tarde se integrariam aos bairros históricos de Pilarzinho, Umbará, Água Verde e Santa Felicidade.

Com o passar das gerações, descendentes italianos destacaram-se na vida urbana como comerciantes, industriais, profissionais liberais e líderes comunitários. Criaram sociedades de auxílio mútuo, associações religiosas, clubes recreativos e escolas, contribuindo decisivamente para o perfil plural da capital paranaense.

Outras localidades e legado cultural

Além da região metropolitana, italianos também se fixaram em áreas do litoral e do interior. Municípios ligados à microrregião de Paranaguá, bem como localidades do planalto e, posteriormente, do norte pioneiro, receberam contingentes significativos.

A herança cultural italiana permanece profundamente enraizada no Paraná. Festas religiosas dedicadas a santos padroeiros, corais, grupos folclóricos, culinária típica — com destaque para massas, polenta, vinhos e embutidos — e práticas agrícolas familiares continuam presentes. Até mesmo expressões do vocabulário popular revelam essa influência: o termo “terra roxa”, associado ao solo fértil do estado, remete à expressão italiana terra rossa, utilizada pelos imigrantes para descrever a coloração avermelhada do solo basáltico.

Perfil dos imigrantes e sua contribuição

Os italianos que chegaram ao Paraná no final do século XIX eram majoritariamente agricultores, muitos deles pequenos proprietários ou meeiros em sua terra natal. Traziam forte identidade regional — sobretudo vêneta — e sólida tradição católica, elemento central na organização das comunidades, visível na rápida construção de capelas e na presença ativa do clero.

A ética do trabalho familiar, a valorização da propriedade da terra e o espírito associativo foram determinantes para o sucesso de muitas colônias. Ao longo das décadas, sua presença influenciou decisivamente a economia agrícola, o abastecimento urbano e o desenvolvimento de atividades comerciais e industriais emergentes.

Colombo — história de uma colônia

Em novembro de 1877, um grupo de 162 imigrantes italianos oriundos de localidades do Vêneto como Nove, Maróstica, Bassano del Grappa e Valstagna chegou ao Paraná sob a liderança do Padre Angelo Cavalli. Inicialmente instalados na Colônia Nova Itália, no litoral, enfrentaram condições adversas que os levaram a buscar terras mais adequadas no planalto.

Em 1878, receberam lotes na região de Butiatumirim, formando a Colônia Alfredo Chaves, nome dado em homenagem ao então Inspetor Geral de Terras e Colonização. A organização comunitária, o cultivo agrícola diversificado e a proximidade com Curitiba favoreceram o crescimento do núcleo. Ao longo das décadas seguintes, a expansão demográfica e econômica consolidou a formação do município de Colombo, cuja identidade permanece fortemente ligada às suas raízes italianas.

Nota do Autor

A história da imigração italiana no Paraná é, acima de tudo, a história de famílias que atravessaram o Atlântico movidas por necessidade, fé e esperança. Não vieram como aventureiros isolados, mas como núcleos familiares determinados a reconstruir a vida em terras desconhecidas. Encontraram florestas densas, distâncias imensas e dificuldades materiais, mas também encontraram espaço para semear trabalho, tradição e pertencimento.

Ao revisitar essa trajetória, não buscamos apenas enumerar datas ou localidades, mas reconhecer o esforço silencioso de homens e mulheres que transformaram a mata em lavoura, ergueram capelas onde antes havia apenas clareiras e transmitiram aos filhos a língua, a fé e o sentido de comunidade.

Que este texto sirva como elo entre gerações — um convite para que os descendentes de hoje reconheçam, na própria história familiar, a grande epopeia coletiva que ajudou a moldar o Paraná. que hoje preservam essa herança com orgulho. 

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Uma Jornada de Esperança: A História de Giovanni Montelli

 


Uma Jornada de Esperança 

A História de Giovanni Montelli


Giovanni Montelli nasceu em 1852 em Campolongo, uma pequena vila de Conegliano, no interior de Treviso, região do Vêneto. O cenário de sua infância foi moldado por uma economia rural em declínio. A terra era infértil, os recursos escassos, e o trabalho árduo, porém mal recompensado. Seu pai, Pietro, era agricultor, enquanto sua mãe, Maria, costurava para complementar a renda. A vida era uma luta constante, e os Montelli muitas vezes iam dormir com fome.

Os anos que antecederam a partida de Giovanni foram particularmente difíceis. A Itália enfrentava o período pós a unificação, a criação do novo reino e as políticas econômicas que beneficiavam as cidades industriais enquanto sufocavam as áreas rurais. Em Treviso, a fome e a pobreza levaram muitos a buscarem uma saída desesperada. Giovanni, então com 2o anos, viu sua família enfrentar a dura realidade de que permanecer significava perpetuar o sofrimento.

Foi em uma tarde de inverno que Giovanni ouviu falar das promessas do Brasil, uma terra distante onde havia abundância de terras e oportunidades. Após muita hesitação e noites insones, sua família decidiu vender os poucos pertences que possuíam para financiar a passagem. Giovanni partiu com sua jovem esposa, Lucia, e o filho recém-nascido, Marco.

A Travessia do Oceano

A viagem começou no porto de Gênova. O navio a vapor, abarrotado de imigrantes, partiu rumo ao desconhecido. No início, havia esperança no ar, mas, com o passar dos dias, os desafios se tornaram evidentes. As condições no navio eram precárias; a comida era escassa e de má qualidade, e doenças se espalhavam rapidamente. Lucia adoeceu durante a travessia, e Giovanni teve que cuidar de Marco sozinho enquanto fazia o possível para confortar a esposa.

No entanto, entre as dificuldades, surgiram também laços. Os passageiros compartilhavam histórias, ajudavam-se mutuamente e sonhavam com um futuro melhor. Giovanni encontrou consolo em conversar com outros imigrantes, ouvindo sobre os planos e esperanças que todos tinham para a nova vida no Brasil.

A Chegada a Alfredo Chaves

Depois de semanas de tormenta, o navio finalmente aportou em Porto Alegre. Giovanni e sua família foram encaminhados para Alfredo Chaves, uma colônia que acolhia imigrantes italianos. A paisagem era diferente de tudo que já haviam visto: densas florestas, montanhas exuberantes e uma terra que parecia promissora, mas desafiadora.

Os primeiros meses foram uma mistura de dificuldade e adaptação. Giovanni trabalhou arduamente para limpar a terra e plantar as primeiras sementes. Lucia, mesmo ainda frágil, ajudava como podia, enquanto Marco começava a dar seus primeiros passos.

Com o passar dos anos, o esforço começou a dar frutos. Giovanni e Lucia construíram uma pequena casa de madeira, e a terra que antes parecia hostil começou a produzir o suficiente para alimentar a família e gerar algum excedente para venda. Eles também encontraram conforto na comunidade de outros imigrantes italianos, que se uniram para preservar suas tradições e apoiar uns aos outros.

O Legado de Giovanni Montelli

Décadas depois, a história de Giovanni tornou-se um exemplo de resiliência e determinação. Seus filhos cresceram e expandiram as terras da família, contribuindo para o desenvolvimento da região. Embora Giovanni nunca tenha retornado à Itália, sempre falava do Vêneto com saudade e orgulho, mas sem arrependimento de sua decisão de buscar uma vida melhor no Brasil.

Hoje, a história de Giovanni Montelli é contada como um tributo às centenas de famílias italianas que, com coragem e esperança, cruzaram o oceano em busca de um futuro melhor.

Nota do Autor

Esta narrativa faz parte do livro Uma Jornada de Esperança – A História de Giovanni Montelli e nasceu do desejo de preservar a memória daqueles que, movidos pela fé em um futuro melhor, deixaram suas aldeias na Itália e enfrentaram a dura travessia do oceano rumo ao Brasil.

Os nomes dos personagens foram alterados a pedido de alguns descendentes, com o objetivo de resguardar a intimidade de famílias que ainda hoje carregam em suas histórias as marcas dessa jornada. No entanto, os fatos, o contexto histórico e o espírito que os sustentou permanecem fiéis à realidade vivida por centenas de pioneiros.

Escrevi esta obra como uma homenagem. Uma forma de reconhecer a coragem daqueles homens e mulheres que, em meio à incerteza, encontraram forças para recomeçar em terras desconhecidas. Suas lutas, sacrifícios e conquistas formaram os alicerces de comunidades inteiras e ajudaram a construir parte importante da identidade cultural do Brasil.

Que este relato sirva não apenas como lembrança, mas também como gratidão. Um tributo às gerações que abriram caminho, para que hoje possamos compreender de onde viemos e valorizar a herança deixada por aqueles que, com resiliência e esperança, transformaram sonhos em realidade.

Dr. Piazzetta




domingo, 20 de julho de 2025

Tra Sònio e Realtà


Tra Sònio e Realtà

Luigi Peretti el zera un zòvane contadin int un pìcolo paese ´ntela provìnsia di Mantova, in Itàlia. A soli ventoto ani, el ga preso la dessision de lassar la sua tera natale a la riserca de ´na vita miliore in Brasile. Fassinà da le promesse di tere fèrtili e nove oportunità di lavoro, el ze imbarcà a bordo di un grande piroscafo, verso el sconossesto. Il viaio el ze stà lungo e faticoso, ma Luigi si ga incolà a la speransa di un futuro miliore per sé e per so mòie Caterina, in dolse spera del loro primo fiol.

Quando la nave finalmente ga rivà ´ntel pìcolo porto de Rio Grande, la delusione la ze stà imediata. Luigi non aveva mai dimenticato quel momento. El ga scrito ai genitori, rimasti in Itàlia:

"Quando sono sbarcà per la prima olta, mi son stà perplesso. Non zera nula, assolutamente nula! El porto de Rio Grande, benché pìcolo par confronto con quelo de Rio de Janeiro e de Genova che Luigi gavea vardà drio, el zera un porto importante par el Brasil. Sbarcando, no ghe zera gnente de grando: un caìs no tanto longo, strade sporche de fango e vèci magazine. Ma, no obstante tuto questo, el zera el pòrtego de ingresso par la rica provìnsia del Rio Grande do Sul."

El panorama el zera triste e desolà. Ma, pròprio là vissin al porto, ghe gera ´na sità granda, rica, pien de movimento. Sul cais, ghe se vedeva diverse barche, vele e vapor, tute che ´ndava e vegniva, portando mersi e persone. Luigi gavea sentì parlar de ‘na pianta strana, la guaçatonga, che la gaveva fruti picolini che assomiliava ai mirtilli, ma che gera tanto amari. La legenda contava che chi i gavesse magnà quei fruti el zera destinà a tornar sempre là. Luigi el ga fato un soriso a metà, come par prender in giro ‘sta stòria, ma ´ntel fondo del so cuor el se sentiva strànio, come se ‘na man invisìbile ghe strenseva el stòmago: l’idea de tornar lì ghe fassea paura.

Luigi Peretti e so mòier Giovanna lori i ze rivà in Rio Grande su ´na nave pien de emigranti, quase tuti oriundi de Mantova. La loro destinassion finale la zera Alfredo Chaves, ´na nova colónia italiana inaugurà un ano prima, ´ntel 1898. La colónia, situà un poco pì a nord de la colónia Dona Isabel (che incòi se ciama Bento Gonçalves), la zera stà creà parché le prime colònie de la Serra Gaúcha – Caxias, Bento Gonçalves e Conde d’Eu – in lore no gavea pì spàssio par tuti i imigranti che rivava continuamente dal Véneto e da altre region d’Itàlia.

Luigi el zera un marangon, specialisà ´ntela construssion de cese e de mulini coloniai, che prima i ´ndava con l’aqua e dopo con i primi impianti de energia elètrica. Con la so maestria, lu gavea imparà l’arte dal so pare, un marangon esperto che ghe aveva insegnà tuto, dai segreti del legno al disegno de struture sòlide e durature. Ma in Itàlia, come tanti altri, el laorava anca la tera, parché i laori de marangon no i zera sempre contìnui.

La famèia Peretti e un gruppo de altri compaesan de Mantova intraprese un lungo viaio da Rio Grande fin su a Alfredo Chaves. Ghe volse setimane de fatiche e speranse. Luigi, con Giovanna inssinta, no el zera tipo da lamentarse. Durante el traieto, el imaginava el futuro su la so tera nova, un lote ben situà no tanto distante dal nùcleo sentral de la colónia. Con el cuor pien de sòni e el corpo segnà dal laoro e dal viaio, lori i ze rivà finalmente al so destino.

El teren de Luigi el zera grande, coerto de foresta vèrgine. Con l’aiuto de Giovanna, che no ghe rifiutava gnente nonostante el peso de la gravidessa, el scominsiò sùito a disboscar un'àrea limità. El laorava con el cuor e con la testa, usando ogni momento lìbaro par preparar el futuro. In pochi mesi, Luigi, con la so esperiensa, el tirò su una casa provisòria par la so famèia. Ma el ghe ga fato anca de pì: trovò el tempo par aiutar i so compagni de viaio, tuti vissin del tereno che gavea ricevuto, a construìr le loro case. Questo gesto el ga fato crèsser un senso de comunità che ghe sarebe restà par tanti ani.

Con el tempo, el talento de Luigi come marangon el se ga fato conossiuto in tuta la colónia. La qualità del so laoro no ghe passava inosservà. I visin no tardò a notar la pressision e la belessa de le òpere che Luigi tirava su. L’ano dopo che el gavea rivà, ´ntel 1900, el ga ricevesto el primo incàrico importante: construìr ´na capela in ´na de le linee vissin de Alfredo Chaves. El zera un laoro che el ghe dava onor e orgòio, ma anca ´na gran responsabilità.

Giovanna, con la forsa de ´na dona che no se spaventa davanti ai sacrifìssi, la continuava a curar la tera, piantando e racoiendo ciò che serviva par sfamar la famèia. Luigi tornava a la piantassion solo durante la racolta, ma el ghe fassea tuto par divìder el tempo tra la so vocassion come marangon e el bisogni de la tera. I fiòi i ga nassesti uno dopo l’altro, e ogni passo vanti el zera fruto de lavoro, determinassion e fede. Alfredo Chaves, come tante altre colònie taliane, ghe ga scominsiava a prender forma gràssie a persone come Luigi e Giovanna, che vedea el futuro ´ntei solchi de la tera e ´ntei muri de le case e de le cese che el tirava su.

Nota del Autor

Sta stòria qua, Tra Sònio e Realtà, la ze ‘na memòria che vien da lontan, da ‘na tera lontan e da ‘n tempo ancor pì distante. No la ze solo la crónaca de un viaio, ma el raconto de ‘na fede che no se spesa, de un omo che, come tanti, el ga lassà tuto drio – casa, famèia, radìsi – par inseguir un futuro che lu no podéa gnanca vardar.

Mèio che i archivi, mèio che le date, ze le man calose de Luigi Peretti, el so sudor che casca ‘ntel legno e ‘ntela tera, el sguardo de Giovanna che no se gira indrio. Ze da loro che nasse sta stòria, con la forsa de chi ghe crede fin in fondo a ‘na promessa, anca se la promessa la ze fata de fango, foresta e fadiga.

Scrivar sta stòria la ze stà, par mi, come scoltar i silénsi de ‘na generassion che no gavea tempo de contar, parchè la vivea. Ze un omàio a quei che i ga portà la loro cultura su la schena, che i ga piantà paroe, costumi, fede e speransa drento ‘na tera che no li spetava, ma che cn el tempo la ze diventà casa.

A ti che te lese, domando solo ‘na roba: no ti pensar che tuto questo el sia stà scontà. Ogni casa tirà su, ogni fila de parole scrita qua, la costa làgreme, coraio e amore. Se ghe senti el peso, ze parchè el ze vero. E se el te toca, ze parchè, forsi, un canton de sta stòria la toca anca a ti.

Dr. Luiz C. B. Piazzetta





quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

La Saga de la Famèia Bellomonte



 

La Saga de la Famèia Bellomonte: dae le Coline de Montecchio Maggiore fin a la Colónia Alfredo Chaves intel Rio Grande do Sul


A Montecchio Maggiore, un pìcolo paeseto de la provìnssia de Vicensa, la vita de la famèia Bellomonte la zera segnalà dal laor duro e da la luta contìnua contro le aversità. Giovanni Bellomonte, de 39 ani, lu el zera un òmo grando, con spali larghi e man calegà dal manegiar de la zapa. Laorava sensa pausa in un toco de tera che gavea in afito, ove el coltivava formento e granturco. La tera, poareta e piena de sassi, raramente ghe rendeva bon i so sbati. Maria, la so mòier, de 35 ani, la zera de na belessa discreta e con na forsa grande interiore. Tra le fassende de casa e svelar i tre fiòi — Luca, de 15 ani, Sofia, de 12, e Pietro, de sol 6 ani —, trovea anca el tempo par tèsser e vender i so lavori al mercato de el paese.

El pìcolo Pietro el zera un toso incuriosito e seguiva spesso el pare ´ntei campi, benché lu el zera anca massa piceno par dar na man. Luca, oramai zà con el fìsico da un fiol màscio, scominciava a far i laori pì pesanti a fianco de Zoani. Sofia, par el so conto, lei gavea un gran talento par scrivar e ledar, cosa che se vedéa raramente in queła zona. El so sònio el zera de farse maestra, ma ciò parea impossibile in un posto ndove la priorità la zera soparvivar ogni zorno.

Le dificultà no le zera mia de solo la so famèia e le zera da ani presente ´ntel paese. La unificassion de l’Itàlia, in 1861, la gavea portà promesse de progresso, ma la realtà ´ntel Véneto el zera de disocupassion, fame e ingiustìssia. Le riforme agràrie gavea aiutà poco, mentr’altri famèie, come quela de Zoani, restava èssere sfrutà da i gran paroni. Zoani, sapeva che el futuro de so famèia el zera sensa speransa, lora scominciò a pensar con atenssion a le stòrie che girava in paese de un posto lontan sciamà Brasil.

Un matìn fredo de febraro, Zoani ricevé na lètara de Antonio Bellomonte, un cusin che el zera partì ani prima par la Colónia Alfredo Chaves, in Rio Grande do Sul, Brasil. Antonio ghe contava de tere fèrtili che se podea aver a bon pressio o gnanca gratis, bastea laorar duro. Parlea de un posto ´ndove i emigranti talian lori i costruìa comunità de sussesso, coltivando le so tere sensa paroni.

Maria, benché insserta, scoltea su marìo che ghe leséa la lètara. I raconti de el cusin Antonio gavea impissà na speransa, ma anca un gran timor. Lei la savéa che traversar el mar con tre fiòi el zera un’impresa pericolosa. Ma, vardando lori con i so visi magri, decise insieme al so marìo: vendaremo tuto e partiremo anca noaltri par el Brasil.

La partensa da Montecchio Maggiore la zera stà piena de emossion. Giovanni vendé el careto, le poche bèstie che i gavea e anca el picen telar de Maria. I visin, anca lori poareti, gavea portà preghiere e qualche regalo, come pan e formài, par el longo viàio. Sofia abrassiò forte la so mèio amica, prometendo de scrivar. Piero, ancora un bòcia, no capìa pròpio tuto, ma vedéa che l’ària la zera pien de tristessa.

El viàio fino al porto de Genova el zera longo e stracante, fato la prima tapa in careto fin a la stassion de el treno pì visina. Quando lori i ga rivà ´ntel porto, i Bellomonte i ga restà stupìdi davanti al mar imenso e al gran bastimento "La Spezia", che i dovea portarghe in Brasil. L’imbarco el zera sta caòtico, con tante famèie cargà de valisse improvisà, zente sconossue pien di ricordi de casa e speransa.

La traversada la zera na prova de coràio e resistensa. Intei fondi streti del grando vapor, la famèia dividéa spassi streti con altri passegieri. L’ària la zera pesante e le condission sanitàrie pèssime. Giovanni e Luca lori i se ga oferessesto par laoar sul bastimento in cambio de qualcoseta in pì da magnar, mentre Maria curava Piero, che gavea preso la febre. Sofia, sempre protetiva, contea stòrie e cantea cansoni par calmar el fradel.

Dopo setimane de viàio, el bastimento el ga par fin rivà al porto de Rio de Janeiro. Ma el loro viàio no zera ancor finìo. La famèia Bellomonte la zera destinà a la Colónia Alfredo Chaves, intel sud de el Brasil. Loro i ga imbarcà anca su un altro bastimento, no tanto grando, ndove ghe zera ancora pì stretessa e paura fin al porto de Rio Grande. Lungo el tragito, i grandi campi e le foreste tropicai, cossì diverse da el Veneto, ghe metéa fascino e ánsia.

Quando loro i ga rivà ´ntela colónia, altri taliani i ghe dà un benvenuto caloroso. Giovanni e Maria restea tra la speransa e el sconforto vardando la tera che i gavea ricevù. Questa la zera coerta de grandi boschi, e ogni peso de el teren bisognea laorarlo da capo. Giovanni e Luca lori i ga scomincià sùito a taiar le grosse àlbari e far un riparo de fortuna par la faméia.

I primi mesi i zera pien de sforsi. Maria piantava erbe e verdure visin a casa, mentre Sofia curava Pietro e imparava da le altre done come afrontar quei sconosciuti inseti e purificar l’aqua. El clima tropicał el zera pesante, e ghe zera malatie come la malària e febre zala che portea via tanti coloni.

Con el passar de i ani, i Bellomonte i vardea i fruti de i so laori. La tera la zera generosa, e Giovanni i ga podesto anca piantar uve, granturco e fasòi. Luca se fece un òmo forte come el so pare e assumé grande responsabilità ´ntela proprietà, mentre Sofia, testarda, scomissiò a far scola ai fioleti de la colónia. Pietro, sempre atento a tuto, diventò molto brao con le bèstie, slevando porsei che ghe portea sostegno económico.

La sera, la casa de I Bellomontela zera piena de giòia. Dopo la preghiera dea corona Giovanni sonava na vècia fisarmònica e Maria,  ghe preparava piati che mescolava la poenta, na tradission véneta con i novi ingredienti del posto. La nostalgia par l’Itàlia no sparì mai, ma la famèia ghe trovò in Alfredo Chaves un novo futuro.

La stòria de la famèia Bellomonte ghe se sparséa come esémpio de forsa e perseveransa. Giovanni e Maria lori i se ga invechià vardando i so fiòi andar avanti, sempre uniti ´ntei valori de laor e famèia. La loro vita ga restà sìmbolo de quei emigranti taliani che contribuì a far crèsser el Brasil.