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domingo, 6 de setembro de 2026

Relação de Passageiros Vapor Maria Porto de Santos em 16/4/1885 - Destino São Carlos SP

 


VAPOR MARIA
DESEMBARQUE NO PORTO DE SANTOS EM 16/4/1885
COM DESTINO A SÃO CARLOS SP



PÁGINA
NÚMERO DO IMIGRANTE
NOME
IDADE
SEXO
18615330POZZAR GIUSEPPE
(OU POZZAZ OU PORRAR)
37 ANOS
(OU 57)
MASC.
"15331TEREZA29 ANOSFEM.
"15332MARIA13 ANOSFEM.
"15333ANGELA11 ANOSFEM.
"15334LUCIA9 ANOSFEM.
"15335FELICE7 ANOSMASC.
"15336ANGELO3 ANOSMASC.
"15337ALBINA2 ANOSFEM.
"15338GIACOMO65 ANOSMASC.
"15339LUCIA64 ANOSFEM.


 

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NÚMERO DO IMIGRANTE
NOME
IDADE
SEXO
18915449"MICOLUTI" ANTONIO
(OU MUCOLUCET)
46 ANOSMASC.
"15450FELICITA40 ANOSFEM.
"15451MARIA16 ANOSFEM.
"15452LUCIA15 ANOSFEM.
"15453"MOCENGI" LUCIANO
(OU MOCENCUGI)
24 ANOSMASC.


 

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NÚMERO DO IMIGRANTE
NOME
IDADE
SEXO
19015465CONTRIM CATHARINA47 ANOSFEM.
"15466PIETRO25 ANOSMASC.
"15467GIUSEPPE14 ANOSMASC.
"15468GIUDITTA9 ANOSFEM.
"15469SALVATORE9 ANOSMASC.
"15487"LOVADOR" LEONARDO"66" ANOSMASC.
"15488FRANCESCO--MASC.
"15489GIUSEPPINA--FEM.
"15490FRANCESCO "........." 24 ANOSMASC.
"15491CARLO4 ANOSMASC.
"15492GIACOMO35 ANOSMASC.
"15493"T......NIO"1 ANOMASC.
"15494"CIAN.... " "GIOCONDA"44 ANOSFEM.
"15495LUCIA14 ANOSFEM.
"15496ANNA10 ANOSFEM.
"15497COLOMBO7 ANOSMASC.


 

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NÚMERO DO IMIGRANTE
NOME
IDADE
SEXO
19315998"STRAZZIAL" GIOBATTA40 ANOSMASC.
"15999MADDALENA37 ANOSFEM.
"16000"ACOSTINO"--MASC.
"15001MAZIA9 ANOSFEM.
"15002ICOLINO "....."----
"15003LUIGIA11 ANOSFEM.
"15004ANNA1 ANOFEM.
"15011"TALIGA" GIUSEPPE"41" ANOSMASC.
"15012MADDALENA13 ANOSFEM.
"16013ANTONIO12 ANOSMASC.
"16014GIUSEPPE1 ANOMASC.
"16015"GRICIO" PIETRON51 ANOSMASC.
"16016ANGELA43 ANOSFEM.
"16017CRISTINA11 ANOSFEM.
"16018LUIGIA 5 ANOSFEM.
"16023"BRONDESCHIA" GIOVANNI58 ANOSMASC.
"16024CATERINA47 ANOSFEM.


 

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NÚMERO DO IMIGRANTE
NOME
IDADE
SEXO
19415625ROSALIA"12" ANOSFEM.
"15626MAGRIN RICARDO"27" ANOSMASC.
"15627LUIGIA22 ANOSFEM.
"15628BERTOS PIETRO"33" ANOSMASC.
"15629ANNA34 ANOSFEM.
"15630"GUGLIELINO" 9 ANOSMASC.


 

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NÚMERO DO IMIGRANTE
NOME
IDADE
SEXO
19515666"GATTORI" 
(OU GRATTOZI OU GRATTONI) ANGELO
27 ANOSMASC.
"15667'MANZIA"27 ANOSFEM.
"15668CESCRI"2 ANOSMASC.
"15669GUIDO1 ANOMASC.
"15670GIOVANNI51 ANOSMASC.
"15671GIO ANTONIA14 ANOSFEM.
"15672MARIA "...."--FEM.
"15691"ACIAZI" ERNESTO21 ANOSMASC.
"15692MARIA25 ANOS FEM.
"15693GIO BATTA5 ANOSMASC.
"15694MARCELO1 ANOMASC.
"15695"ABRIAN" "........."30 ANOSMASC.
"15696LUCIA33 ANOSFEM.
"15697GIOBATTA4 ANOSMASC.
"15698"SERZIGIO"5 ANOSMASC.
"15699ANTONIO2 ANOSMASC.
"15700VITO1 ANOMASC.
"15701"DEJ.........T" LUCIA9 ANOSFEM.
"15702DECIOL GIACOMMO28 ANOSMASC.
"15703GIOBATTA1 ANOMASC.


 

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NÚMERO DO IMIGRANTE
NOME
IDADE
SEXO
19615735CICRA PIETRO42 ANOSMASC.
"15736LUCIA41 ANOSFEM.
"15737MARIA18 ANOSFEM.
"15738LUIGIA3 ANOSFEM.
"15739LUIGI9 ANOSMASC.
"15740ROSARIA7 ANOSFEM.
"15741"PRI.....ZIA"5 ANOSFEM.
"15742GREGORIO LUIGI26 ANOSMASC.
"15743TINOS ANTONIO50 ANOSMASC.
"15744ELISABETTA44 ANOSFEM.


 

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NÚMERO DO IMIGRANTE
NOME
IDADE
SEXO
19715745LUIGI19 ANOSMASC.
"15746CATERINA 
(na verdade: CELESTE)
21 ANOSFEM.
"15747MARIA17 ANOSFEM.
"15748GIUSEPPE15 ANOSMASC.
"15749CATERINA13 ANOSFEM.
"15750ANTONIO11 ANOSMASC.
"15751MARCELLINA9 ANOSFEM.
"15752EUGENIO 
(na verdade, uma menina: EUGENIA)
3 ANOSMASC.
"15768"BARBANO" 
(OU BAILANO) ANTONIO
42 ANOSMASC.
"15769MARIA42 ANOSFEM.
"15770ANGINO27 ANOSMASC.
"15771LETIGIA25 ANOSFEM.
"15772EUGENIA5 ANOSFEM.
"15773TERESA1 ANOFEM.
"15774"BARBANO" ANTONIO25 ANOSMASC.
"15775GIACOMMO24 ANOSFEM.
"15776GIOBATTA1 ANOMASC.
"15777"FRANCEZ" 
(OU FRALLESZ) GIACOMO
27 ANOSMASC.
"15778LUCIA24 ANOSFEM.
"15779CATERINA1 ANOFEM.
"15780"BRIAN" (OU BRACI) GIACOMMO"47" (OU 27) ANOSMASC.


 

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NÚMERO DO IMIGRANTES
NOME
IDADE
SEXO
19815815SANDRIM CARLO54 ANOSMASC.
"15816MARIA46 ANOSFEM.
"15817CATHERINA19 ANOSFEM.
"15818GIOBATTA14 ANOSMASC.
"15819MARIA13 ANOSFEM.
"15820LUIGIA9 ANOSFEM.
"15821"SANDRIA" 
(OU LANDRIA) LOURENZO
20 ANOSMASC.


 

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NÚMERO DO IMIGRANTES
NOME
IDADE
SEXO
19915848"GABAO" "ARM.....DA" MARIA53 ANOSFEM.
"15849VALENTINO23 ANOSMASC.
"15850GIACOMO21 ANOSMASC.
"15851ANTONIO19 ANOSMASC.


 

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NÚMERO DO IMIGRANTES
NOME
IDADE
SEXO
20015896MICHELIN GIACOMMO"32" ANOSMASC.
"15897CATHERINA4 ANOSFEM.
"15898DOMENICO27 ANOSMASC.
"15899FURLAN ANGELO"26" ANOSMASC.
"15900MARIA40 ANOSFEM.
"15901MARIA50 ANOSFEM.
"15902FURLAN ANTONIO36 ANOSMASC.
"15903"ACIONA" (OU ANNA) 35 ANOSFEM.
"15904TERESA7 ANOSFEM.


 

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NÚMERO DO IMIGRANTE
NOME
IDADE
SEXO
20115905TAZIANO11 ANOSMASC.
20215983BRUMAT ANTONIO54 ANOSMASC.
"15984ROSA53 ANOSFEM.
20315985CATHERINA24 ANOSFEM.
"15986FRANCESCO20 ANOSMASC.
"15987ANNA16 ANOSMASC.
"15988TERESIN GIACOMO 
(na verdade, FERESIN, como os dois abaixo)
24 ANOSMASC.
"15989TERESIN LORENZO22 ANOSMASC.
"15990TERESIN VERONICA 
(na verdade, mãe dos dois acima)
59 anosFEM.


 

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NÚMERO DO IMIGRANTE
NOME
IDADE
SEXO
20616136"CEIGINO" (OU CUGIM) GIACOMO49 ANOSMASC.
"16137"ROSIM" (OU RUSINI) VALENTINO22 ANOSMASC.
"16138DOMENICA - mãe de VALENTINO, ANTONIO E GIACOMO"25" (OU 45) ANOSFEM.
"16139ANTONIO"18" (OU 15) ANOSMASC.
"16140GIACOMO11 ANOSMASC.
"16141CARLO6 ANOSMASC.
"16142MADDALENA13 ANOSFEM.
"1643ITAFUNA ANGELO 
(indo para Ribeirão Preto)
26 ANOSMASC.


 

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NÚMERO DO IMIGRANTE
NOME
IDADE
SEXO
20716155ROSINI "FRANCESCO" (OU FULGINO, OU ...)42 ANOSMASC.
"16156MARIA "TERESA"--FEM.
"16157MARIA15 ANOSFEM.
"16158"VECHIO"11 ANOSMASC.
"16159LUCIA "......"--FEM.
"16160"MARCONDA"6 ANOSFEM.
"16161"ROUSANO"3 ANOSMASC.
"16162"SALVADOR" "FRANCESCO"36 ANOSMASC.
"16163MARIA28 ANOSFEM.
"16164GIACOMMI9 ANOSMASC.
"16165"LIUFAZIA"3 ANOSMASC.
"16166"PAULLA DI FRANCESCO"24 ANOSMASC.
"16167"MICEU" (OU ILICIA) GIACOMMI26 ANOSMASC.
"16175"REISSIN" 
(OU RUSSIN OU ROSIM ) FRANCESCO
53 ANOSMASC.
"16176PASQUA50 ANOSFEM.
"16177VINCENZO24 ANOSMASC.
"16178ANGELO10 ANOSMASC.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

As Contas do Destino - A Emigração Italiana em Números e Vidas

 


As Contas do Destino

Uma história de emigração a partir das estatísticas 

do Reino da Itália


Arezzo, Toscana, Inverno de 1883

Era um tempo em que os números começaram a contar histórias. O recém-criado Regno d’Italia buscava compreender a sua própria população, e a recém-fundada Direzione Generale della Statistica passava a registrar não apenas quem nascia, mas quem partia — e por quê.

Tommaso Bartolomei nunca tivera interesse por estatísticas. Trabalhava desde os doze anos na lavoura de centeio de um baronato arruinado, cuidando de terras que já não produziam o suficiente nem para manter os filhos do senhor na escola. Aos trinta e dois, com os pulmões gastos pela poeira da colheita e as mãos deformadas de trabalho bruto, Tommaso representava um número a mais nos registros oficiais: camponês, casado, analfabeto, sem terras, com dois filhos. E agora, candidato à emigração.

Não foi o primeiro de sua vila. O movimento já tomava proporções visíveis. Cartas com selos de Montevidéu, Buenos Aires,Rio Grande do Sul e São Paulo chegavam às igrejas com notas promissórias e recomendações. Os jovens partiam sozinhos, seguiam a trilha de irmãos, tios ou padrinhos. Os prefeitos das comunas redigiam relatórios em linguagem seca, descrevendo o “êxodo dos braços” com inquietação. Os proprietários rurais pressionavam o Ministério do Interior para frear a concessão de passaportes — temiam a escassez de mão de obra, o aumento do custo do trabalho, o fim de um sistema baseado na resignação dos pobres.

Mas os pobres sabiam contar de outro modo. Sabiam que quatro moedas enviadas do Brasil valiam mais do que três meses de suor na terra empobrecida da Toscana. Sabiam que um filho em Campinas podia manter cinco em Arezzo. E Tommaso sabia, com a convicção dos que já perderam demais, que não partir era morrer devagar.


Gênova e Napoli, Portos de Embarque — Maio de 1884

Os navios saíam lotados. Cada nome registrado no livro de bordo representava uma ausência nas estatísticas locais e uma presença no radar de um novo país. A burocracia era árdua: requerimento de passaporte ao síndico, taxa de concessão, autorização das autoridades militares — e, por fim, o visto de saída.

Tommaso viajou com documentos próprios, sem recorrer a agências. A viagem fora financiada por um cunhado que trabalhava como carregador no porto de Santos. Ao contrário da maioria, partia já com destino certo: seria ajudante em uma fazenda de café na província de São Paulo. Na alfândega, passou por vistoria sanitária, teve a bagagem revista e o nome duplicado num caderno de registros que só mais tarde seria enviado ao Commissariato Generale dell’Emigrazione, recém-instituído para organizar os dados da diáspora italiana.

Na cabine de terceira classe, entre crianças febris e mulheres enlutadas, ouviu as histórias de outros números: um funileiro da Calábria, um pedreiro da Úmbria, um viúvo da Basilicata. Eram dezenas de origens distintas com um destino comum: deixar de contar apenas para as estatísticas e passar a contar para o mundo.


Fazenda Boa Vista, Província de São Paulo — 1885

O Brasil não aparecia nos mapas oficiais da emigração com o mesmo destaque dos Estados Unidos ou da Argentina. Mas suas promessas de terra, clima e fartura haviam seduzido muitos. Os livros de propaganda exageravam as cores da mata, escondiam a dívida imposta aos colonos e ignoravam as febres tropicais que assolavam os alojamentos.

Na Fazenda Boa Vista, Tommaso entendeu rapidamente a dinâmica: parceria agrícola, armazém caro, ausência de pagamento em moeda e controle absoluto do feitor sobre a produção. A terra era fértil, mas o sistema era injusto. Ainda assim, ele ficou. Resistiu. Era hábil com a enxada, cauteloso nas contas e determinado na economia. Em dois anos, já enviava dinheiro à esposa, ainda na Toscana. Em cinco, trouxe os filhos. Em sete, comprou um pequeno lote com mata rala às margens do rio Jaguari.


Sumaré, 1909 — Vinte e cinco anos depois

Anos mais tarde o nome de Tommaso Bartolomei apareceu apenas uma vez em um relatório do Ministério da Estatística. Estava num apêndice secundário: “camponês, emigrado para o Brasil, acompanhado de esposa e filhos, destino: São Paulo, porto de embarque: Gênova.”

A maioria dos que partiu naquela década voltou. Mas Tommaso ficou. Tornou-se proprietário de uma chácara, plantava milho, criava porcos, e dava aulas noturnas de aritmética aos filhos dos colonos. Guardava ainda o passaporte como relíquia, junto com a certidão do terreno e as cartas trocadas com a comuna de origem.

Era um entre 26 milhões de italianos que, entre 1876 e 1960, deixaram seu país. Um entre milhões que foram classificados por idade, sexo, profissão e porto. Mas, como ele mesmo escreveria num pedaço de papel escondido entre suas anotações agrícolas:

“Estatísticas não sentem fome, não tremem no porão do navio, não enterram filhos no mato quente do Brasil. Só os vivos contam essa parte da história.”


Nota do Autor

Esta narrativa nasceu do desejo de dar carne e voz aos nomes que, por tanto tempo, foram reduzidos a números. Nos arquivos frios da Direzione Generale della Statistica, camponeses como Tommaso Bartolomei aparecem apenas como linhas em tabelas: idade, profissão, analfabetismo, destino. Mas por trás de cada dado havia um corpo cansado, uma escolha difícil, uma esperança teimosa — e uma história que merecia ser contada.

As Contas do Destino é uma tentativa de costurar a vida ao registro, de aproximar a literatura da demografia. Ao acompanhar a trajetória de Tommaso, procurei me guiar por fontes históricas reais, incluindo relatórios ministeriais, boletins migratórios, regulamentos portuários e propagandas oficiais da época. Mas acima de tudo, me deixei conduzir pelo silêncio dos que partiram sem deixar memória escrita — dos que, como ele, sobreviveram mais como legado do que como nome de rua.

Não se trata aqui de romancear o sofrimento, nem de heroificar o imigrante. Mas sim de reconhecer que, entre estatísticas e destinos, há sempre vidas que importam. E que as histórias dos anônimos, como Tommaso, podem nos ensinar mais sobre o passado — e sobre nós mesmos — do que qualquer gráfico de linha.

Aos descendentes desses números vivos, esta obra é dedicada. Que nela encontrem um espelho, uma origem, ou simplesmente um sopro de pertencimento. Porque o que não se conta, se perde. E o que se transforma em história, permanece. 

Dr. Luiz C. B. Piazzetta

 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Os que Sabiam Partir - A Saga de um Imigrante Toscano no Brasil (1889–1898)

 


"Para muitos toscanos do século XIX, partir não significava abandonar a pátria, mas continuar a história iniciada pelas gerações anteriores."

Quei che Savea ‘ndar Via

Barga, Toscana — otobre del 1889


Int´ la vila de San Piero in Campo, impiantà su le coste scure de la provìnsia de Lucca, ghe zera pì assenti che presenti. Quase ogni famèia gavea, o gavea gavù, un fiol, un fradèo, un pare che el zera ‘ndà via. La emigrassion, là, no zera ‘na aventura: zera rito, abitudine e eredità. I registri de la paròchia diseva che i primi òmeni de ‘sta zona i zera partì zà al scomìnsio del sécolo, verso la Fransa e la Suissa. Dopo, i ga scominsià a ‘ndar anca par l’Amèrica, ndove la tera la parea sensa fin e mai che ghe bastava brasso.

El Emilio Benedetti lu el ze cressesto ´nte ‘sto contesto. So nono el zera stà a Marséa, so pare l’avea passà quatro ani ´nte el Uruguay e u el zera tornà con un baule de monede e ‘na ferida bruta guarì su el piè manco. Da bòcia, el Emilio vedeva rivar le lètare con i francoboli colorà e le speranse piegà. Quache ‘na gavea drento un pò de schei; altre, le gavea inviti. Ma quasi tute le contava che el laor zera ‘na virtù granda — e che ‘ndar via zera roba da coraiosi, che no gavea paura de ricominsiar.

Lu avea ventun ani quando el se decise finalmente de partir. No el ze stà un pensier de un zorno, ma ‘na decision pensà pian pian, formà da le stòrie dei cusin che i zera a Campinas, inte l’interno de la provìnsia de San Paolo, e da ‘na busta con dtento trentamil réis mandà da un zio da parte de mama. El schei i zera zunto da ‘na lètara curta: disea che el Emilio el troverà laoro ´nte la fazenda São Gregório, ndove che ghe zera zà altri so parenti a piantar el cafè. E diseva anca che el se sbrigasé — che el contrato de parceria el zera quasi finì e che drento poco se lassarìa qualche posto.

Tuta la burocrasia el la ga passà con la stessa passiensa che i contadin i siapa l’inverno. El passaporto, con la copertina rossa, el lo ga domandà in comune. El paroco el ghe dà el certificà de condota. El sìndago el ga firmà con un "niente osta", che zera pì ùtile par i documenti che par la cossensa. El Emilio el ga pago la tassa da solo, sensa domandar a agenzie. No zera omo da improvisi. E come tanti emigranti de la Toscana campagnola, el no partiva con l’idea che l’Amèrica la fusse el paradiso — ma con la siguressa che la so vila no ghe dava pì posto.

In febraro del 1890, el ga montà su un treno verso Zénova, con ‘na sporta de tela greza, un cámbio de roba e ‘na cuciara de legno scolpì da so mama. ´Ntel porto, el se ga trovà con compagni de infánsia e sconussiuti che parlava in tanti modi. Ma tute i partiva con le stesse speranse: tera bona, laoro sicuro, e magari un ritorno con un poco de schei in scarsela. Quela zera la misura del sucesso.

La traversia e l’arivo — April del 1890

Su el vapor Re Umberto, el tempo el passava lento come ‘n fruston. Le setimane le se perdeva fra nèbia, mal de mar e atesa. El sotocoerta zera serà, l’ària màrcia, e i discorsi se rarefiava con la speransa che se mescolava con la fadiga. Ma el Emilio el tegnea duro. El si metè in un grupo de viaiadori, el spartì i vìveri sechi che l’aveva portà, el se lavava i piè ogni zorno con l’aqua freda, anca quando el ponte tremava con le onde. El saveva che star sano zera la prima vitòria.

El sbarcò a Santos al’alba, con i polmoni pien de mar e i òci che sercava tera ferma. La salita verso el planalto la se fè in vagoni de tersa classe, con el carbon e pien de famèie e sachi. A ogni fermada se vedea el Brasile: òmeni negri, putei scalsi, done coerte de polvere rossa. El Emilio el stava quieto e el guardava tuto.

A la stassion de Campinas, el vegnì ‘ncontrà da un parente lontan che el lo portò in fazenda São Gregório. Là el trovò quelo quel che el spetava: ‘na piantaion infinida de cafè, galponi con odor de paia bagnà e un capataz che misurava el valor dei òmeni con el peso dei sachi racolti. La òra la scomensiava avanti del sol e la finia solo quando el corpo no regiva pì. Ma ghe zera risoto su la tola, aqua ntei orci, e ogni tanto ‘na lètara che rivava da l’Itàlia e che ghe dava ancora un fià de passato.

El restar — 1898

El Emilio el lavorò oto ani sensa piantar. Pochi riposi, gnanca ‘na festa. El ze vivesto tra italiani, spagnoli e cabocli, el imparò a siapar cura de la tera, e a tegnerse ai regolamenti no scriti de la colónia. El zera, come tanti de la provìnsia de Lucca, sparagnador, preciso e tacon. El metea via ogni soldino e el scriveva a casa solo quando el podea mandar anca qualcosa.

Dopo el tempo, el comprò un peso de tera verso Jaguari, a do passi da São José dos Campos, ‘n posto con boscada e un rieto. No el ze tornà in Itàlia. Quando el gavea el modo e l’età par decider, el preferì meter radise in quela tera che ghe gavea dato pì de quel che la so vila ghe avessi mai podesto dar.

No el ze stà un eroe. Lu el ze stà un omo comun che savea sentir el momento de partir quando la vita ghe mostrava che l’emigrassion zera el seguir natural de la stòria de la so famèia. No el ze stà el primo. Noel ze stà l’ùltimo. E su i so quaderni consumà dal tempo, el scriveva:

"No son partì par scampar, ma par continuar el viaio che me pare e me nono lori i gavea zà scominsià. Èsser emigrante vol dir tegnerse a do mondi — e costruirse el pròprio teren in meso a lori."


Nota del Autor

Sta stòria la ze nassesta da la voia de dar ‘na vose a quei che i ze partì sensa rumor, sensa glòria e sensa tornar con onor — ma con la coraio quieta de chi che el capiva che emigrar, prima de tuto,zera ‘ndar vanti. Quei che savea ‘ndar via no conta de bravure né de destin fora del comun, ma de òmeni come Emilio Benedetti, che la so vita la se impasta con quea de mile altri che i ga traversà el mar in finì del Otossento, guiài da lètare, parenti lontan e ‘na siguransa profonda che restar no zera pì possìbile.

La stòria che se conta qua la ze ‘na fantasia che la vien fora da pesi veri: raconti de famèie toscane, registri de emigrassion, quaderni de memòria, lètare de parenti e tante stòrie contà da boca tra i dissendenti de chi che ga emigrà e vivesto su per le campagna del Brasil. Emilio el ze un personàio inventà, ma el so viaio el ze vero nel senso pì fondo — el fa rimbombar esperiense vive da tanti che i ga fato de l’assenssa un mestier, de la nostalgia ‘na règola, e del sconossù ‘na casa.

Sto libro el ze, dunque, ‘na reverensa discreta a quei che i ga partì con i piè su la tera e i òci ‘ndrà al orisonte. A quei che i ga savesto trasformar el gesto de ‘ndàr via in continuità. E a quei che, anca lontan da casa, no i ga mai desmentegà de ‘ndove che i vegniva.

Dr. Luiz C. B. Piazzetta


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