domingo, 25 de outubro de 2026

Italianos em Erechim em 1925 A História da Colonização


Italianos em Erechim em 1925 A História da Colonização no Cinquentenário da Imigração Italiana

"Em 1925, os nomes dos comerciantes, industriais e profissionais italianos de Boa Vista revelavam a força de uma comunidade que ajudava a construir a história de Erechim."

A história da imigração italiana no Rio Grande do Sul não se limita às primeiras colônias estabelecidas na Serra Gaúcha a partir de 1875. Nas décadas seguintes, famílias de imigrantes e seus descendentes avançaram para novas áreas do estado, contribuindo para a formação de comunidades agrícolas, cidades, estabelecimentos comerciais e atividades industriais. Entre esses núcleos de povoamento, Erechim e sua região ocupam um lugar importante.
Em 1925, quando se comemorava o cinquentenário da imigração italiana no Rio Grande do Sul, a região de Boa Vista, atual Erechim, já apresentava intensa atividade econômica e social. Comerciantes, industriais, marceneiros, serralheiros, fotógrafos, sapateiros, alfaiates e carpinteiros de origem italiana participavam da construção de uma sociedade em expansão.
Um documento publicado naquele ano permite recuperar parte dessa história e conhecer os nomes de numerosos italianos e descendentes que trabalhavam nos diferentes distritos do município. Para quem pesquisa a imigração italiana, a genealogia familiar ou a origem de sobrenomes presentes no Alto Uruguai gaúcho, essa relação constitui uma fonte histórica de especial interesse.


Antiga sede da Società Unione e Fratellanza de Erechim, ligada à história da comunidade italiana.
Legenda: A sede da Società Unione e Fratellanza de Erechim recorda a importância da organização comunitária dos imigrantes italianos e de seus descendentes.

A formação de Erechim e a chegada dos imigrantes italianos

A colonização organizada da região ganhou impulso em 1908, quando o governo do Rio Grande do Sul promoveu a criação da Colônia Erechim. A iniciativa fazia parte da política estadual de colonização e distribuição de lotes, destinada a estabelecer famílias em uma região que passaria por profundas transformações econômicas e demográficas.
A ferrovia que ligava o Rio Grande do Sul a São Paulo teve papel fundamental nesse processo. A circulação de pessoas e mercadorias favoreceu o crescimento dos povoados, a chegada de novos moradores e o desenvolvimento das atividades agrícolas e comerciais.
A região era anteriormente vinculada ao município de Passo Fundo. Os trabalhos de colonização envolveram a demarcação de lotes, a organização dos núcleos de povoamento e a atuação da Comissão de Terras e Colonização.
É importante lembrar que a região não era literalmente desabitada. Antes da expansão colonial promovida pelo Estado, o território já era ocupado por populações indígenas e por outros grupos que viviam na região. A colonização modificou profundamente as formas de ocupação da terra e as relações sociais locais.
A partir da implantação dos núcleos coloniais, chegaram imigrantes de diferentes origens europeias, entre eles italianos, poloneses e alemães, além de famílias provenientes de antigas colônias do próprio Rio Grande do Sul.
Para ampliar a pesquisa sobre a presença italiana no estado, consulte também o artigo Relação de Sobrenomes Italianos no Rio Grande do Sul. A relação pode servir como ponto de partida para novas investigações sobre famílias e comunidades de origem italiana.


Grupo de imigrantes em fotografia histórica relacionada à colonização italiana no Rio Grande do Sul.
Legenda: Os imigrantes participaram da formação dos núcleos coloniais, do desenvolvimento agrícola e da construção das primeiras comunidades da região.

Boa Vista em 1925 e os distritos do município

O município foi criado em 30 de abril de 1918, desmembrado de Passo Fundo, tendo sua sede na antiga povoação de Paiol Grande, então denominada Boa Vista. Em 1922, passou a chamar-se Boa Vista do Erechim. A denominação atual, Erechim, foi adotada em 1944.
Assim, em 1925, o município ainda se chamava Boa Vista. Embora tivesse apenas sete anos de existência administrativa, já apresentava uma estrutura econômica diversificada e uma população numerosa, distribuída pela sede e pelos diferentes distritos.
O registro histórico utilizado neste artigo menciona uma população superior a 40 mil habitantes. Esse número deve ser compreendido como uma referência ao conjunto municipal da época, que incluía áreas rurais e diversos núcleos de povoamento, e não apenas à área urbana.
A organização territorial mencionada no documento de 1925 abrangia os seguintes distritos e localidades:

  • 1º Distrito — Boa Vista, anteriormente Paiol Grande, sede do município.

  • 2º Distrito — Erechim, antiga sede da colônia.

  • 3º Distrito — Marcelino Ramos, importante localidade ferroviária.

  • 4º Distrito — Erebango, ligado aos caminhos e ramais ferroviários da região.

  • 5º Distrito — Barro, atual Gaurama.

  • 6º Distrito — 13 de Maio, atual Áurea.

  • 7º Distrito — Rio Novo, atual Aratiba.
    Além desses distritos, o documento menciona Capo-Erê, Viadutos, Floresta, Nova Itália, Três Arroios, Rio Toldo, Formiga e 7 de Setembro, localidades que integravam a geografia humana e econômica da região em diferentes estágios de desenvolvimento.
    Algumas dessas denominações mudaram ao longo do tempo, e a correspondência entre os nomes antigos e os atuais deve ser examinada com atenção em pesquisas históricas e genealógicas. Um nome de localidade encontrado em um documento de 1925 pode não corresponder ao município atual em que se encontra um registro civil.

A indústria italiana em Erechim em 1925

A presença italiana não se limitava à agricultura. Os nomes registrados no documento comemorativo demonstram a participação de imigrantes e descendentes em diferentes atividades industriais, contribuindo para o abastecimento da população e para a circulação de produtos na região.
Entre os estabelecimentos e industriais mencionados estavam:

  • Dal Molin, Sciullo & Cia. — atividade industrial.

  • Saule Pagnoncelli & F.º — refinarias de banha.

  • Giuseppe Bonaldo e Cia. — marcenaria.

  • Bottega & Cia. — comércio de madeiras.

  • Bortolo Balvedi — fábrica de bebidas.

  • Mottin — fábrica de chapéus.

  • Luigi Longo, Cesarino Galli e Irmãos Menta — ferrarias.

  • Virginio Biolo, Demetrio Molon & Cia. e Firmino Ricardi — moinhos.

  • Guerino Casambó — moagem de café.
    Esses registros revelam uma economia que já ultrapassava as necessidades imediatas das propriedades rurais. Oficinas, moinhos, fábricas e estabelecimentos de beneficiamento ajudavam a sustentar o crescimento dos povoados e criavam oportunidades para diferentes ofícios.

Os comerciantes italianos nos distritos de Boa Vista

O comércio era outro componente importante da economia municipal. A lista de 1925 registra dezenas de nomes, muitos deles associados a famílias que podem interessar aos pesquisadores de sobrenomes italianos no Alto Uruguai.

1º Distrito — Boa Vista, antiga Paiol Grande

Entre os comerciantes relacionados estavam Saulle Pagnoncelli & F.º, Achille Caleffi & Cia., Batista Grando, Emilio Grando, Luigi Fossati, F. Giovanni Massignan, Attilio Assoni, Santo Graziotin, Luigi Lise, Achille Grando, Valentino Berto, Umberto Vicari, Antonio Deboni, Antonio Tomaselli, Pietro Bonin, Irmãos Zambonato e Pietro Guerri.

2º Distrito — Erechim, antiga sede da colônia

O documento menciona Ricardo Bordignon, Giuseppe Troglio, F. A. Scussel & Cia., Giacomo Manin, Luigi Piccoli, Guido Giacomozzi e Irmãos, Domenico Donida, Antonio Ascari, Giuseppe Zanardo, Andrea Mafassoni e Gabriele Robinot.

3º Distrito — Marcelino Ramos

Entre os nomes registrados estavam Saule Pagnoncelli, com uma sucursal, Angelo Locatelli, Floriano Zordoni, Guerino Maito, Beniamino Fontana, Domenico Bonetto, Formighieri e Irmãos, Redenzio F. Zordan, Allegreti, relacionado a uma refinaria de banha e fábrica de conservas, e Giuseppe Scaramocin, ligado a uma ferraria a vapor.

5º Distrito — Barro, atual Gaurama

A relação inclui Pedro Lunardi e Irmão, Giuseppe Spon, Giovanni Sponchiado, Giovanni Bordignon, Antonio Lunardi e Irmãos De Pario.

6º Distrito — 13 de Maio, atual Áurea

O comerciante mencionado é Antonio Bos.

7º Distrito — Rio Novo, atual Aratiba

O documento registra Grazetto & Cia. e Luigi Poletto.
A lista não deve ser entendida como um cadastro completo de todos os estabelecimentos existentes. Trata-se dos nomes reunidos em uma publicação comemorativa de 1925, cuja abrangência e critérios de seleção não permitem assegurar que todos os comerciantes da época tenham sido incluídos.

As serrarias e o comércio de madeira

A exploração e o beneficiamento da madeira desempenharam papel relevante na economia da região. A abertura de áreas para agricultura, a construção de moradias e o crescimento dos núcleos urbanos criaram demanda por madeira, serrarias e atividades relacionadas.
O documento de 1925 registra os seguintes nomes.

1º Distrito — Boa Vista

Achille Caleffi & Cia., Angelo Emilio Grando e Irmãos, Achille Grando, Domenico Dal Pasquale, Angelo Cappelletto, Giovanni Rizzon, Luigi Michelon & Cia., Caleffi Scipione, Umberto Vicari, Agostino Passello, Paolo Dal Bianco, Biolo Capra & Cia., Giuseppe Mecca, Giovanni Morosini, Milioni Argenta & Filhos, Vescovi e Meneghetti, Andrea Maggione, Attilio Assani, Grando e Pedrollo, Emilio Zanin, Carlo De Moliner, Giovanni Balvedi, Enrico Barbieri, Irmãos Badalotti, Pietro Bottega e Piazza, Virginio Dell'Igna & Cia., Antonio Valin, Pietro Giaretta, Amadio Mariga & Cia., Angelo Poletto, Bevilacqua Ferrazzo, Meneguzzo e Smaniotto.

2º Distrito — Erechim

Gabriele Balbinotti, Antonio Pertile, Angelo Dall'Agnol, Antonio Pilloni & Cia., Tranquilo De Carli, Ermenegildo Vescovi, Lorenzoni e Bordignon, além de outros nomes não individualizados no registro.

3º Distrito — Marcelino Ramos

Allegretti & Cia., Antonio Brancher, Angelo Brancher e Stefano Bonet.

4º Distrito — Erebango

Emilio Noal e Giuseppe Pizzotto.

5º Distrito — Barro, atual Gaurama

Giovanni Bordignon, Antonio Serena, Pietro Lunardi & Filho, Lunardi Barbieri e Giovanni Zoter & Cia.

6º Distrito — 13 de Maio, atual Áurea

Antonio Lunardi.

7º Distrito — Rio Novo, atual Aratiba

Giovanni Bellani.
A presença desses nomes mostra a dimensão da atividade madeireira no município. Para as famílias que pesquisam a trajetória de um antepassado ligado a uma serraria ou ao comércio de madeira, essas referências podem oferecer um ponto de partida para procurar documentos comerciais, registros municipais, jornais antigos e inventários.

Os profissionais italianos e seus ofícios

A relação publicada em 1925 também registra profissionais de diferentes especialidades. Esses nomes são particularmente úteis para pesquisas familiares porque ajudam a associar uma pessoa a um ofício, uma localidade e um período histórico.

Fotógrafos

Vittorio Lazarotto, Giovanni Antonini e Edoardo Macchiavelli.

Sapateiros

Eugenio Isoton, Giuseppe Incerti e Achille Tomaselli.

Curtumes

Giulio Trombini, Aurelio Caldart, Achille Tomaselli e Antonio Tomaselli.

Alfaiates

Ismaele Pezzini, Guglielmo Pezzana e Alberto Incerti.

Carpinteiros

Alberto Parenti, Giuseppe Cervelin, Giuseppe Alberici, Giuseppe Pigozzo, Francesco Pigozzo, Silvio Viero, Francesco Provenzano, Giuseppe Bortolazzo, Domenico Della Costa e Giulio Valmorbida.
Fotógrafos, sapateiros, curtidores, alfaiates e carpinteiros atendiam às necessidades de uma população que crescia e diversificava suas atividades. A existência desses profissionais também evidencia a importância do trabalho especializado na consolidação dos núcleos urbanos.
Para os descendentes de italianos, um ofício transmitido oralmente pela família pode ser uma pista importante. Saber que um bisavô era carpinteiro, comerciante ou proprietário de uma serraria pode ajudar a distinguir homônimos e orientar a busca por documentos.

Os bancos e a organização econômica do município

A relação de 1925 menciona três instituições bancárias:

  • Banco Pelotense.

  • Banco da Província do Rio Grande do Sul.

  • Banco Nacional do Comércio.
    A presença dessas instituições é outro indicador do desenvolvimento econômico de Boa Vista e de sua integração aos circuitos comerciais do estado. Os bancos participavam de uma economia em que a produção agrícola, o comércio, as atividades industriais e o transporte ferroviário estavam cada vez mais interligados.

Sobrenomes italianos e pesquisa genealógica no Rio Grande do Sul

O documento comemorativo do cinquentenário da imigração italiana no Rio Grande do Sul pode ser útil para quem procura antepassados que viveram em Boa Vista, Erechim e localidades vizinhas no início do século XX.
Uma boa pesquisa genealógica começa pela reunião de pistas e pela comparação entre fontes. O sobrenome, isoladamente, não comprova a origem italiana de uma pessoa nem estabelece parentesco com uma família conhecida.
Para ampliar a investigação, consulte também Sobrenomes Italianos e Vênetos na Linha Palmeiro, Rio Grande do Sul. O artigo oferece outro exemplo de como listas históricas de sobrenomes e localidades podem orientar pesquisas sobre famílias e comunidades de imigração.
O pesquisador pode começar por estas etapas:

  1. Anote o nome exatamente como aparece no documento. Preserve a grafia original e registre possíveis variações para pesquisas posteriores.

  2. Identifique o distrito ou a localidade. A referência territorial pode ajudar a delimitar os registros a consultar.

  3. Procure documentos civis e religiosos. Certidões de nascimento, casamento e óbito, registros paroquiais e inventários podem esclarecer relações familiares.

  4. Pesquise jornais e documentos comerciais. Anúncios, registros de empresas, licenças e notícias locais podem confirmar a atividade profissional de um indivíduo.

  5. Compare os resultados com outras fontes. Homônimos eram comuns, e sobrenomes podem aparecer com grafias diferentes em documentos brasileiros e italianos.
    Outro conteúdo útil é Legados de Honra Os Sobrenomes que Marcaram os Imigrantes Italianos nas Colônias do Rio Grande do Sul, que reúne nomes relacionados às colônias Dona Isabel e Conde d'Eu. A comparação entre listas de diferentes regiões pode ajudar a formular novas perguntas, mas não substitui a comprovação documental de uma ligação familiar.

O valor histórico do álbum comemorativo de 1925

Este relato é um resumo do capítulo referente a Erechim, de autoria de Carlo Mantovani, publicado no álbum comemorativo do Cinquentenário da Colonização Italiana no Rio Grande do Sul, em 1925. A obra foi organizada em dois volumes e reuniu informações sobre a presença italiana em diferentes localidades do estado.
Uma publicação dessa natureza constitui uma fonte histórica importante, mas deve ser utilizada com senso crítico. A relação de nomes pode conter omissões involuntárias, diferenças de grafia ou informações que necessitam de confirmação em outras fontes. Por isso, ela é melhor compreendida como um registro de época, e não como um levantamento necessariamente completo de toda a população italiana.


Estação ferroviária de Erechim em fotografia histórica de 1939.
Legenda: A estação ferroviária, registrada em 1939, recorda a importância dos transportes para a colonização e o desenvolvimento econômico da região.

A contribuição dos imigrantes italianos para a história de Erechim

Em 1925, Boa Vista era um município jovem, mas já possuía uma economia diversificada, com comércio, indústria, serrarias, profissionais especializados e instituições bancárias. Os nomes reunidos no álbum comemorativo mostram como os italianos e seus descendentes participaram dessa transformação, ao lado de imigrantes de outras origens e de populações que já habitavam a região.
Para as famílias que vivem hoje no Alto Uruguai, cada sobrenome dessa relação pode representar uma oportunidade de investigação. Por trás de um comerciante, de um carpinteiro ou de um proprietário de serraria havia uma trajetória individual, uma família e uma rede de relações que ajudaram a construir a comunidade.
Preservar esses nomes é conservar uma parte da memória coletiva. É também oferecer às novas gerações pistas concretas para compreender de onde vieram seus antepassados e como participaram da formação da sociedade em que vivemos.
O objetivo deste registro é justamente esse: valorizar uma fonte histórica de 1925, facilitar sua consulta e manter acessível a memória dos italianos e de seus descendentes que contribuíram para o desenvolvimento de Boa Vista, da atual Erechim e de toda a região.

Nota do autor

Este artigo foi elaborado a partir do resumo do capítulo sobre Erechim, de autoria de Carlo Mantovani, publicado no álbum comemorativo do Cinquentenário da Colonização Italiana no Rio Grande do Sul, em 1925. Os nomes e as atividades profissionais foram preservados conforme a relação histórica disponível, com ajustes de redação e organização para facilitar a leitura. A publicação original deve ser consultada sempre que se pretenda confirmar grafias, dados individuais ou informações complementares.


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta


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