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domingo, 4 de março de 2018

Talian, o Vêneto Brasileiro - Regras de Acentuação


Talian, o Vêneto Brasileiro — Regras de Acentuação

"Conhecer as regras de escrita do Talian é preservar as palavras, a memória e a herança cultural dos nossos antepassados vênetos."

O Talian é uma língua de comunicação que se formou no Rio Grande do Sul a partir da chegada dos imigrantes italianos, iniciada em grande escala a partir de 1875. Foi no contato entre pessoas provenientes de diferentes regiões da Itália, portadoras de seus próprios falares, costumes e tradições, que se desenvolveram as condições para o surgimento dessa nova forma de comunicação.

A formação do Talian nas colônias italianas

Depois da longa travessia do oceano, os imigrantes foram instalados em lotes distribuídos pelas linhas e pelos travessões das colônias. Homens e mulheres procedentes de diferentes regiões da Itália passaram a viver lado a lado, embora nem sempre conseguissem compreender facilmente os falares uns dos outros.
A necessidade de se entenderem no cotidiano favoreceu a formação de uma língua de comunicação que reuniu elementos dos diferentes falares trazidos da Itália. Nessa composição, a contribuição vêneta foi particularmente importante, pois os imigrantes provenientes do Vêneto representavam uma parcela expressiva do contingente italiano estabelecido no Rio Grande do Sul.
Isso não significa, entretanto, que o Talian tenha se desenvolvido de maneira idêntica em todas as comunidades. Nos lugares onde havia maior presença de imigrantes lombardos ou friulanos, os elementos linguísticos dessas regiões também exerceram influência sobre a maneira de falar local.
O Talian é, portanto, uma expressão da história e da convivência entre comunidades de diferentes origens, que construíram no Brasil uma maneira própria de se comunicar e transmitir suas experiências às gerações seguintes.
Para conhecer outros aspectos dessa herança linguística, leia também As Conjunções e as Preposições no Talian — A Língua Vêneta do Sul do Brasil.

Acentos gráficos no Talian

Na escrita do Talian apresentada neste artigo, os acentos gráficos ajudam a indicar a pronúncia das vogais, distinguindo sons abertos e fechados. São utilizados dois sinais: o acento grave () e o acento agudo (´). **1. Acento grave ()** — utilizado para indicar os sons abertos.
Exemplo: fràgola.
2. Acento agudo (´) — utilizado para indicar os sons fechados.
Exemplo: doménega.
Esses sinais fazem parte das convenções de escrita aqui apresentadas e ajudam o leitor a reconhecer a pronúncia pretendida para cada palavra.

Regra nº 1 — Todas as proparoxítonas são acentuadas

As palavras proparoxítonas são aquelas cuja sílaba tônica é a antepenúltima. Segundo esta regra, todas recebem acento gráfico.
Exemplos: Véneto, mèrcore, basìlico, Ménego.

Regra nº 2 — As paroxítonas não são acentuadas, com exceção das terminadas em ditongo crescente

As palavras paroxítonas são aquelas cuja sílaba tônica é a penúltima. De acordo com a regra apresentada, elas não recebem acento gráfico, exceto as terminadas em ditongo crescente.
Exemplos: orgòlio, calvário.

Regra nº 3 — As oxítonas terminadas em consoante não são acentuadas

As palavras oxítonas são aquelas cuja sílaba tônica é a última. Quando terminam em consoante, não recebem acento gráfico segundo esta regra.
Exemplo: talian.

Regra nº 4 — As oxítonas com mais de uma sílaba terminadas em vogal são acentuadas

As palavras oxítonas não monossilábicas terminadas em vogal recebem acento gráfico.
Exemplo: bacalá.

Regra nº 5 — Os monossílabos são acentuados quando possuem um homógrafo átono

As palavras monossilábicas recebem acento gráfico quando é necessário distingui-las de outra palavra escrita da mesma maneira, mas que não possui tonicidade própria.
Exemplo: dó, com o sentido de “embaixo”, em oposição a do, com o sentido de “dois”.

A escrita como instrumento de preservação do Talian

A língua dos nossos antepassados não é apenas um meio de comunicação. Ela também guarda lembranças da vida familiar, das relações comunitárias, do trabalho e das tradições que os imigrantes trouxeram consigo.
Durante muito tempo, o Talian foi transmitido principalmente pela oralidade. As conversas entre pais e filhos, os relatos dos mais velhos e a convivência nas comunidades contribuíram para sua continuidade. O registro escrito passou a desempenhar um papel importante na organização e na divulgação desse patrimônio linguístico.
Conhecer as regras de acentuação é uma maneira de compreender melhor as convenções de escrita e de contribuir para que essa herança seja transmitida às novas gerações.
No Portal, você também pode ler Vamos Falar em Talian, o Vêneto Brasileiro — Regras de Acentuação, publicação que retoma o tema e apresenta as mesmas regras.
Para conhecer a riqueza dos falares preservados pelas famílias de descendentes de imigrantes, consulte também Famiglie venete in Brasile — Testimonianze in Tàlian, com registros de entrevistas e depoimentos em Talian.
A preservação dessa língua depende do interesse das comunidades, do trabalho de pesquisadores e escritores e, sobretudo, da disposição das famílias para continuar transmitindo suas palavras, histórias e tradições.


Nota do Autor
A língua dos nossos antepassados carrega muito mais do que palavras: conserva lembranças, sentimentos, modos de viver e uma maneira particular de compreender o mundo. O Talian nasceu do encontro entre diferentes comunidades de imigrantes italianos e se tornou parte importante da identidade cultural de seus descendentes no Brasil.
Ao apresentar estas regras de acentuação, o Portal procura contribuir para o conhecimento e a preservação dessa herança linguística. Nosso propósito é compartilhar informações históricas e culturais gratuitamente, aproximando as novas gerações das raízes de suas famílias.
Que as palavras dos nossos nonos continuem vivas nas conversas, nos livros e na memória de seus descendentes.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Portal Emigrazione Veneta