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sábado, 20 de dezembro de 2025

A Epopeia da Emigração Vêneta: A Saga dos Italianos no Sul do Brasil e na América


A Epopeia da Emigração Vêneta

A saga dos italianos no sul do Brasil e na América

de Giovanni Meo Zilio

A primeira emigração organizada com partida do Vêneto (em boa parte da província de Treviso e, em menor medida, da Lombardia e do Friuli) remonta a 1875. De fato, a partir daquele ano começaram a chegar ao Brasil — nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo e, sobretudo, na chamada “zona de colonização italiana” situada no Nordeste do primeiro estado, que hoje tem como centro econômico, comercial e cultural a florescente cidade de Caxias do Sul, com cerca de 500.000 habitantes: milagre de desenvolvimento e modelo de “um outro Vêneto” transplantado e crescido além-oceano. A isso devem ser acrescentadas outras correntes emigratórias, sobretudo para a Argentina e o Uruguai, onde muitos italianos já estavam presentes antes, e, em menor medida, para países menores como o México.

As principais causas do fenômeno emigratório foram, como é sabido, a miséria e a marginalização das classes rurais da época, quando não a própria fome, juntamente com o sonho da propriedade da terra por parte de nossos camponeses (então verdadeiros “servos da gleba”), muitas vezes enganados por propagandas falaciosas e interesseiras, favorecidas, por sua vez, pela ignorância misturada à esperança, que é sempre a última a morrer. Mas deve-se levar em conta também aquele espírito irreprimível de aventura, aquela atração pelo novo e pelo distante que sempre agiu sobre a humanidade e que frequentemente é negligenciado pelos historiadores da emigração.

A travessia atlântica naquela época (no fundo dos porões) foi, por si só, uma epopeia que ainda está presente na memória coletiva, transmitida em episódios comoventes nas lembranças dos velhos e na copiosa literatura popular, sobretudo vêneto-brasileira (cantos, poesias, relatos), que, a partir das celebrações do centenário da primeira emigração “in loco” (1975), explodiu aqui e ali também em formas estilisticamente relevantes. Do mesmo modo, permanece na memória coletiva a epopeia das inenarráveis condições de chegada e de instalação e as lutas da primeira geração para desmatar a montanha com as próprias mãos, para se defender dos animais ferozes, das serpentes, dos índios, das doenças, para construir do nada estradas e habitações, para enfrentar continuamente o medo que se tornava uma obsessão…

Esta história de ilusões e sofrimentos, de heroísmo e humilhações, esta “história interna” da nossa emigração, que representa o reverso da história externa da qual mais se ocuparam os estudiosos, ainda está toda por ser aprofundada.

No que diz respeito ao sul do Brasil, que pode ser considerado emblemático, um primeiro grupo de emigrantes chegou, depois de peripécias e sofrimentos indescritíveis, àquele lugar que hoje se chama Nova Milano, nas proximidades de Caxias do Sul. Do porto de Porto Alegre eles prosseguiam em barcaças ao longo do rio Caí e depois a pé, por quilômetros e quilômetros, através da selva, com as poucas ferramentas e pertences nas costas, abrindo caminho à força de “facão”, até alcançar as terras que lhes haviam sido atribuídas, bem no meio da floresta, ao norte dos territórios planos e mais férteis ocupados pela emigração alemã cinquenta anos antes. Pode-se imaginar o custo humano de tudo isso, depois de terem cortado as pontes atrás de si, vendendo seus poucos haveres antes de partir da Itália.

Os vestígios da primeira colonização ainda podem ser vistos hoje em muitos nomes de lugares, como a citada Nova Milano, Garibaldi, Nova Bassano, Nova Brescia, Nova Treviso, Nova Venezia, Nova Padua, Monteberico…; enquanto outros, como Nova Vicenza e Nova Trento, mudaram posteriormente seus nomes originais para os nomes brasileiros de Farroupilha e Flores da Cunha, em períodos caracterizados por xenofobia. Tal xenofobia do governo central chegou ao ponto de que, nos anos da última guerra, àqueles nossos imigrantes que não sabiam falar o brasileiro, foi proibido (sob pena de prisão) falar a sua língua vêneta, com as consequências morais que é fácil imaginar, além das dificuldades práticas (que muitas vezes desembocavam no tragicômico!) que tudo isso produziu entre aquela pobre gente marginalizada a quem se tirava até mesmo a palavra…

Trata-se, de qualquer modo, de um fenômeno imponente — no Brasil como na Argentina — tanto pela extensão, quanto pela população (da ordem de milhões de descendentes), quanto pela homogeneidade e vitalidade — o qual por mais de um século foi negligenciado, quando não ignorado, pelo governo italiano e por suas instituições.

A imensa maioria das primeiras correntes imigratórias era composta por camponeses que implantaram no novo território as culturas e os métodos agrícolas típicos de suas zonas de proveniência (aos quais se acrescentaram artesãos e comerciantes). A cultura que se impôs sobre as outras foi a da videira, com a consequente industrialização do vinho e dos outros derivados da uva, que ainda hoje representam a maior fonte de riqueza do estado brasileiro do Rio Grande do Sul, que abastece todo o Brasil.

Percorrendo o campo ainda se encontram vivos certos antigos instrumentos (entre nós já quase desaparecidos) da agricultura do século XIX e da vida doméstica de então (em Nova Padua, nas proximidades de Caxias, o monumento ao imigrante, na praça do povoado, é representado solenemente por uma verdadeira “caldeira da polenta” sobre um imponente pedestal). A alimentação no campo ainda é substancialmente a tradicional do Vêneto, à qual se acrescentou o autóctone e indispensável “churrasco” (carne na brasa).

A religião é ainda intensamente seguida e sentida, também porque o clero católico e a organização religiosa acompanharam, desde o primeiro momento, o destino dos emigrantes. Basta pensar que as “capelas” foram até hoje os principais centros comunitários na “colônia” (leia-se campo), não apenas religiosos, mas também de organização social e cultural, e que ao redor delas foram se formando gradualmente as paróquias e os municípios. Em anos recentes, nas aldeias onde não havia um pároco estável, podia-se assistir a cenas, para nós inacreditáveis, como a da população reunida em um galpão que servia de igreja, para celebrar os ritos religiosos sem nenhum sacerdote e sob a orientação daquele que é chamado “padre leigo”, com a participação ativa e solene dos anciãos do lugar.

Quem vive em “colônia”, e conservou em sua maioria o ofício e as tradições dos primeiros emigrantes, até pouco tempo atrás ainda era considerado como marginalizado e visto com suficiência inclusive pelos próprios descendentes de vênetos que habitavam as grandes cidades. Apenas há algumas décadas, desde que foram retomados os contatos efetivos com a Itália, está despertando e se estendendo uma consciência positiva das próprias origens (não mais mito opaco e distante a ser esquecido), com um impulso para reencontrar a identidade histórica: uma busca, muitas vezes comovente, das próprias fontes para restabelecer aquele “cordão umbilical” que havia sido cortado havia mais de 100 anos.

O fenômeno mais imponente dentro desta “história de imigrantes sem história”, como alguém a definiu melancolicamente, é a manutenção, após um século, da própria língua de origem (o vêneto), em nível familiar, interfamiliar e, em determinadas ocasiões (festas, comemorações, jogos, reuniões conviviais, etc.), também em nível comunitário; com um grau de vitalidade e de conservação, no campo, que muitas vezes supera até mesmo aquele do Vêneto da Itália que, como se sabe, ainda está bem enraizado entre nós. Trata-se daquilo que os dialetólogos chamam de “ilha linguística”, relativamente homogênea, onde a língua vêneta acabou triunfando sobre o lombardo e o friulano, estendendo-se como uma “koiné” intervêneta dentro de um contexto heterofônico (o luso-brasileiro). Isso nos permite reconstruir, como “in vitro”, após três ou quatro ou até mais gerações, a língua dos nossos avós e bisavós, sobretudo nos aspectos orais não documentados, como a pronúncia e a entonação, ou o uso de certos provérbios, modos de dizer, cantos da época. Assim, através da história das palavras (as conservadas, as alteradas e as substituídas) podemos reconstruir alguns recortes da história (muitas vezes comovente) daquelas comunidades. Ela, por sua vez, representa um vislumbre dramático e apaixonante da história da Itália e da história do Brasil.

Quem escreve estas linhas é um velho emigrante que experimentou pessoalmente aquilo que muitas centenas de milhares de compatriotas viveram: testemunha direta da situação de quantos, no imediato pós-guerra, atravessaram o oceano amontoados no porão de velhos navios Liberty, restos de guerra, dormindo em beliches de quatro ou cinco camas dispostas verticalmente, com um calor incrível e em condições infernais de promiscuidade. Ele percorreu as Américas de ponta a ponta por muitos anos, desde os áridos planaltos do México até a desolada Patagônia argentina. Por muitos anos na condição de emigrante e depois como estudioso e pesquisador. Como tantos outros emigrantes, viveu na própria carne o drama do transplante, a mortificação dos afetos, a ânsia de tantas ilusões, o naufrágio de tantas esperanças. Não ignora, portanto, ao lado da dimensão histórica do fenômeno migratório, a dor, a fadiga e a coragem que o acompanharam, também porque ele próprio começou de baixo — como se costuma dizer — realizando trabalhos manuais de sobrevivência. Mas a sua história pessoal é pouca coisa diante da história geracional de nossas comunidades, que viveram, sobretudo no imenso Brasil, uma epopeia inenarrável de lutas, sacrifícios, em condições de vida infra-humanas (principalmente as primeiras gerações); epopeia transmitida oralmente (porque na maioria dos casos se tratava de gente que não sabia ler nem escrever) de pai para filho, melhor, de mãe para filha, porque as mulheres, como sempre, são as depositárias das tradições mais vitais e essenciais.

As primeiras gerações enfrentaram, como foi dito, sacrifícios inenarráveis, abandonadas nas florestas; sem Lares e sem Penates, isto é, sem casa e sem família, obrigadas a sobreviver em condições dramáticas. Até sem a palavra, como foi dito acima: sem a palavra não há identidade, não há comunidade nem comunicação, portanto não há vida que possa ser chamada de humana. Mas eles resistiram com os dentes cerrados, com dignidade e coragem, apesar das humilhantes e ardentes condições de inferioridade.

Não só no Brasil, mas também na Argentina e em outros lugares, sobretudo os vênetos, os lombardos e os friulanos, os chamados “polentões” (lembre-se que “polenta”, no rioplatense popular, passou a significar força, coragem), juntamente com os sólidos piemonteses e os industriosos e parcimoniosos genoveses, ofereceram, com as luzes e sombras naturais em todas as coisas humanas, uma contribuição de progresso ao país que os acolheu. Eles conservaram no coração, desde o último quarto do século passado, o sonho e o mito da pátria-mãe, da mãe-madrasta que os abandonou por mais de cem anos. Eles, porém, continuaram a recordá-la e a sonhá-la nos intermináveis “filós” dos estábulos camponeses, na comovida e discreta intimidade familiar, nas emocionadas reuniões comunitárias, nas humildes preces cotidianas.

Através das gerações conservaram, de forma incrível, sua língua, os usos, os costumes, os ritos, as festas, as danças, os jogos (o tresette, as bochas, a mora, a “cuccagna”). Jogos temperados com certas expressões nossas, já não mais blasfemas, porque eufemizadas, como “Ostrega!”, “Ostregheta!” ou “Sacramenta!”. Ainda se ouvem os cantos comunitários de outrora, que em grande parte nós perdemos, e que os ajudaram moralmente a viver, a sobreviver: nos lugares mais perdidos. Nas praças de alguns povoados encontramos, como monumentos, além da “caldeira” da polenta, como já dito, a carroça ou o carrinho de mão, a gôndola veneziana, o leão de São Marcos (inclusive o símbolo do Município de Octavio Rocha, no Rio Grande do Sul, representa o leão de São Marcos que segura firmemente na pata o cacho de uva em vez do livro tradicional!).

Aquelas pessoas, com o saco às costas (com a mala de madeira em uma segunda fase e de papelão em uma terceira), desde o século passado aliviaram nossa pressão demográfica, prestaram um serviço histórico à Itália, aliviaram-nos da fome, sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial, com suas remessas, e hoje compram em primeiro lugar produtos italianos e, assim, fortalecem o comércio e a economia do nosso país. Estima-se em mais de 100.000 bilhões o impacto econômico proveniente da colaboração dos nossos emigrantes.

Esse povo é sangue do nosso sangue, gente que sofreu moral e materialmente a marginalização secular e da qual também temos algo a aprender ou reaprender: aqueles valores que hoje, em grande parte, se vão esquecendo.

A Itália, hoje, não pode deixar de honrar a sua dívida secular, histórica, moral e política.

Nota 

Era o mês de Dezembro do ano de 1996 quando, por uma semana, o Prof. Meo Zilio foi hóspede em minha casa, ocasião em que eu o levava todos os dias às casas dos antigos descendentes, para suas visitas e entrevistas.
Nesse período ele me presenteou com este seu artigo, ainda na época inédito ou quase em publicação, não me recordo bem. Conservo-o até hoje como uma bela lembrança do professor amigo.
Para recordá-lo, decidi hoje recolocá-lo neste blog, texto traduzido do italiano mas mantendo a sua forma original.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta


quarta-feira, 19 de junho de 2019

Talian a Língua Vêneto Brasileira



Talian  a Língua Vêneto Brasileira

Língua de imigrantes italianos, muito falada atualmente no Brasil. Os falantes do talian se concentram na Região Sul, distribuindo-se em diferentes cidades de cada Estado, por exemplo: Caxias do sul, Farroupilha, Garibaldi, Bento Gonçalves, Flores da Cunha, Veranópolis, Erechim, Carlos Barbosa - no Rio Grande do Sul; Joaçaba, Caçador, Chapecó, Concórdia – em Santa Catarina; Cascavel, Pato Branco, Francisco Beltrão, Medianeira, Toledo - no Paraná). 

É pela relação com o movimento de imigração de italianos para o Brasil no fim do século XIX e início do XX que podemos compreender a emergência do talian como uma língua. Quando chegavam ao Brasil, os imigrantes eram conduzidos a fazendas ou a áreas ainda não habitadas nem cultivadas. Disso resultavam as colônias de imigrantes, vinculadas ao  processo de colonização dessas áreas. No caso da região sul, de modo geral, dividiam-se essas novas áreas em linhas e travessões e nelas se estabeleciam os imigrantes, aleatoriamente agrupados. Dos imigrantes italianos que se dirigiram ao Sul do país, em finais do século XIX,  95% eram provenientes do Vêneto e da Lombardia. 

Destes, 60% tinham língua e cultura vênetas, o que fez com que formas dessa língua predominassem nas situações de conversa entre eles, resultando no talian. 
Em sua configuração atual, o talian é um amálgama de formas e expressões vinculadas tanto às línguas dos imigrantes como à portuguesa. No entanto, é reconhecida como uma língua que conta com regras próprias, gramaticalmente definidas e com uma ortografia unificada. 

Nela se têm produzido textos em prosa e verso e em seu nome têm sido realizados encontros, como o “I Encontro dos Escritores em Talian”, Porto Alegre, 1989, e a “3a. Reunião de unificação da Grafia do Talian”, Caxias do Sul, 1994. 

Sobre o talian há ainda um dicionário - Dicionário Vèneto Sul-Rio-Grandense/Português – e uma gramática - TALIAN (Vêneto Brasileiro) Noções de Gramática, História e Cultura. O semanário Correio Riograndense mantém uma página dedicada ao talian e emissoras de rádio o divulgam em todo o interior da Região Sul. 



sexta-feira, 27 de julho de 2018

Il Véneto la zè una léngua mai dialeto

https://emigrazioneveneta.blogspot.com

La contrapposizione tra lingua e dialetto è un fatto antico


Già nel Vangelo (Matteo, 26 – 73) si legge che Pietro venne riconosciuto da un’addetta al Sinedrio a causa della sua parlata, fatto che conferma che perfino Gesù e gli Apostoli usassero con disinvoltura tale linguaggio.
Con l’apparizione del “volgare” la resistenza della lingua dotta deve essere stata tenace, a giudicare dai monumenti letterari in latino, peraltro pregevoli, risalenti ai secoli tra il X e il XIV. Altri tentativi di rivalsa furono esperiti nel XV secolo, durante l’Umanesimo. Poi il “volgare” rimase l’indiscusso interprete delle rispettive culture.
Diverso fu tuttavia l’uso che della lingua “volgare” fecero gli abitanti della città e della campagna.Entrambe le classi adattarono il linguaggio alle circostanze e finalità quotidiane, spesso impermeabili anche se conviventi nelle medesime località.
Non ne seguì una contrapposizione come al tempo della comparsa del “volgare”, bensì un consolidamento di due modi di parlare, che si concretò anche in una generale dimensione di derisione, e spesso di disprezzo, nei confronti di quanti usavano il linguaggio parlato nella campagna.
E’prova di quanto sopra la comparsa, verso il XII secolo, del termine francese “patois”, che divenne successivamente sinonimo di “dialetto”. Anche il linguista francese Albert Dauzat (1877 – 1955) concorda che la parola “patois” deriva dal francese “pattes”, cioè “piedi”. Sarebbe come dire che gli abitanti della campagna parlano con i piedi.
Gli abitanti della campagna parlano invece, come tutti gli esseri umani, con gli organi della fonazione sapientemente e senza discriminazioni elargiti da madre natura!

CARATTERISTICHE DELLA LINGUA

Lo spagnolo, il francese, l’italiano, l’inglese… sono lingue. E che sarebbero mai il veneto, il bergamasco, il romagnolo? Si tratta forse di banali grugniti, di ragli sonori oppure di sommessi belati?
Il glottologo Angelo Monteverdi (1886 – 1967) sostenne che un linguaggio che servisse a scrivere poesie, prosa di svago (racconti, fiabe, romanzi, canzoni…), prosa devozionale (prediche, vite di santi, catechismi), nonché atti giuridici e notarili, non è una lingua. Soltanto quando un linguaggio dimostrerà la sua idoneità in tutti i campi culturali, compresi i settori politico e amministrativo, può essere considerato una lingua.
Ne consegue che il francese del XII secolo, il prestigioso linguaggio della Chanson de Roland, non era una lingua. Nemmeno l’italiano di Dante, Petrarca, Boccaccio era una lingua!- Bisognerà attendere il Quattrocento, quando il dialetto toscano penetrerà anche nell’Italia Settentrionale, nonché la sua normalizzazione condotta da Pietro Bembo (1470 – 1547) e dai teorici successivi. Anche il catalano sarebbe una lingua da poco tempo.
Se questa considerazione vale per lo sviluppo, essa deve valere anche per il declino delle lingue, comprese quelle che sono ritenute eterne.

Le caratteristiche necessarie per definire una lingua possono essere sintetizzate come segue:
1. Originalità grammaticale:
a) nella fonetica,
b) nella morfologia,
c) nel lessico;

Originalità della genesi storica
3. Secolare tradizione letteraria
4. Coiné linguistica
5. La coscienza di parlare una lingua
6. L’esistenza di un corpo sociale che la consideri come espressione di cultura.

LA LINGUA VENETA

Le prime cinque caratteristiche sono pacificamente presenti nel linguaggio veneto. Troppo lunga sarebbe l’elencazione dei loro tratti, ma basti pensare alla presenza dei suoni come “dh”, “th” e “zh”, all’assenza del passato remoto e alla mutilazione del futuro, al cospicuo contingente di vocaboli assolutamente originali, alla vasta serie di voci latine semanticamente differenziatesi dai continuatori delle stesse basi nelle altre lingue romanze.
Il veneto fu per secoli una vera lingua che servì negli atti notarili, nei rapporti diplomatici, nella storiografia, nella poesia, nel teatro, nella conversazione colta dei ceti più elevati, nelle transazioni internazionali.

Da un’indagine sul Veneto, redatta per ordine di Napoleone nel 1806 da estensori impazienti di poter dimostrare che nulla era il resto del mondo di fronte ai lumi della ragione di estrazione francese, risulta inoltre che “il notissimo bel dialetto tuona maestoso nel Foro”.
Quanto alla coscienza di parlare una lingua, l’esatta dimensione di questa realtà può desumersi dall’alto grado di ostilità contro il veneto, che non sarebbe tale qualora l’avversario da smentire non fosse così grande.
Viene spontaneo chiedersi come mai una tale lingua, come la veneta, possa essere improvvisamente declassata a dialetto per cedere il passo ad un altro dialetto, quello toscano. Nessuna giustificazione è valida, se non quella della costrizione o del gioco di potere. Ma, come si sa, il potere può anche disgregarsi col tempo.
L’attuale situazione e la mentalità che ne deriva riservano dunque al riconoscimento dello Stato l’ultima parola in fatto di classificazione di una parlata come lingua o come dialetto. Se ciò fosse logico, non è da escludere che il romagnolo parlato anche a San Marino possa diventare lingua ufficiale a tutti gli effetti, se il Governo di quella Repubblica lo deliberasse. Ciò è peraltro già avvenuto in Vaticano, dove l’italiano ha soppiantato il latino.
Ritorna spontaneo chiedersi se, con tali presupposti, la differenza tra lingua e dialetto esista davvero, oppure sia solo strumentale a questo o quel potere.

LA CONGIURA CONTRO IL VENETO

Per secoli la contrapposizione linguistica tra città e campagna in Veneto fu molto lieve: tutte le classi parlavano veneto. Più recentemente si manifestò il disegno di imporre il toscano, peraltro già superato dal linguaggio dei politici (l’italiese) e da quello televisivo anche nelle circostanze in cui tale veicolo è tutt’altro che indispensabile, come l’ambito familiare, le comunità agricole, l’artigianato…, settori da sempre ancorati ad una dimensione veneta che ha delineato l’inconfondibile identità di queste colonne della società veneta.

Forse il vero bersaglio non è il modo di parlare veneto (a chi gioverebbe ?), ma la società veneta colpevole di essere dinamica, disciplinata, non incline a subire ricatti ed ottica mafiosi. Si vuole eliminare in fin dei conti un modello di società diverso da quello che si desidera avere.
Le metodiche per realizzare la congiura contro il veneto sono le solite:
– derisione mediante stereotipi di involontaria subalternità (la classica serva!) appartenenti al passato prossimo;
– discriminazione nella scuola e nella pubblica amministrazione;
– svalutazione dei contenuti linguistici propri del popolo veneto.
E’qui il caso di ricordare per analogia il comportamento dei francesi in Algeria durante la colonizzazione. Per convincere gli algerini a rinnegare la propria lingua araba e adottare il francese dei colonizzatori, quest’ultimi ripetevano (a mò di lavaggio del cervello) che l’arabo non era adatto ai tempi moderni, in quanto lingua medioevale sorpassata e incapace di adeguarsi al mondo industrializzato. Ora, stranamente, Parigi è la città con il più alto numero di scuole di arabo in Europa. Come coerenza, non c’è male.
Si traggano le debite deduzioni anche per quanto riguarda l’attuale denigrazione del veneto, intesa a classificare come cittadini di categoria inferiore coloro che lo parlano.

LA PRETESA SUPERIORITA’ DELLE LINGUE MAGGIORITARIE

Si dimentica troppo spesso che l’italiano fu il dialetto di Firenze, come il francese fu il dialetto di Parigi.
Nessun termine di cultura appartiene originariamente a queste lingue, in quanto la quasi totalità dei termini della cultura moderna provengono dal greco, dal latino, dall’inglese o da altre lingue. Parole come “teologia”, “chimica”, “computer”, “scienza”, “nevralgia”…erano parole sconosciute a quanti parlavano toscano qualche secolo fa.
La Columbia University ha compiuto un’indagine sorprendente su un vocabolario etimologico francese contenete ben 4.635 vocaboli base. Eccone i risultati: 2’028 termini provengono dal latino, 925 termini derivano dal greco, 604 vocaboli sono di origine germanica, 154 parole derivano dall’inglese, 96 dal celtico, 285 dall’italiano, 119 dallo spagnolo, 146 dall’arabo, 10 dal portoghese,, 36 dall’ebraico, 4 dall’ungherese, 25 dallo slavo, 6 da lingue africane, 34 dal turco, 99 da differenti lingue asiatiche, 62 da lingue indigene americane, 2 dall’Australia e Polinesia. Parole francesi: zero.
Vocaboli derivati dal latino: il 43%. Poco per una lingua che si definisce neolatina.- E’stato intenzionalmente scelto un esperimento riguardante il francese per non urtare suscettibilità e per amore dell’imparzialità, ma chiunque può, per analogia, giungere a ben altre conclusioni anche rispetto all’italiano.
Dove risiedono, dunque,le motivazioni di una pretesa superiorità di altre lingue su quella veneta? Perché mai la lingua veneta dovrebbe avere un complesso di inferiorità?

RISULTATI DELLA CONGIURA CONTRO IL VENETO

Gli spropositi linguistici ottenuti con lo stemperamento del veneto ad opera dell’italiano sono innumerevoli.Parte di tali risultati è stato purtroppo raggiunta grazie alla passività, alla collaborazione o alla complicità di taluni veneti, il cui autolesionismo supera in ciò perfino la loro tradizionale laboriosità.
I seguenti tre casi possono dare un’idea dei risultati ottenuti:
a) Una mammina rimprovera bonariamente il proprio figlio per aver indossato il pullover in maniera sbagliata: “Ma, Pierino, non vedi che hai infilato su il davanti per il di dietro?”
b) Una zitella in partenza per fare la conoscenza con i futuri parenti, compari,ecc., chiede al ferroviere: “A che ora parte la stazione?”
c) Uno scolaro, con riferimento ai bachi da seta (i mitici “cavalièr”!), che quando diventano gialli non fanno bozzolo, vanno cioè “in vàca”: “Tutti i cavalieri della mia mamma sono andati a puttane”.
d) Un cittadino trevisano, richiesto se gli piacesse la domenica senza automobili, rispose: “piacissimo!” (TG1, 23.01.2005).

CONCLUSIONI

Esiste un interesse estraneo affinché i Veneti siano laboriosi (in modo da pagare tante tasse), stupidi (in modo che altri facciano ciò che vogliono), rinunciatari (in maniera che altri abbiano radio, televisione, giornali, scuole), rassegnati quando la fabbrica chiude (in modo da emigrare senza creare problemi alla gerarchia stabile importata).

Esiste un interesse dei Veneti affinché:
– la lingua materna dei veneti e di ogni altro popolo rimanga lo specchio dell’uomo e il veicolo verbale di ogni gente;
– non si verifichino l’alienazione di se stessi, il naufragio del singolare e il sacrificio dell’identità primigenia;
– i titolari della parlata veneta e di altri linguaggi non diventino tributari del neoimperialismo linguistico, cui corrisponde la crisi del rigetto psichico;
– venga rispettato da tutti il diritto alla parlata locale come momento espressivo prioritario;
– non intervenga la servitù culturale, che non sarà mai origine di miglioramento;
– il linguaggio pubblico non separi dal mondo dei sentimenti, dalla legge del cuore e dalla saggezza della coscienza;
– il monolinguismo alienante non turbi le leggi biologiche ed i limiti ecologici.
Abbandonare la propria lingua materna non significa sbagliare un calcolo, ma deviare la destinazione della vita.

OSSERVAZIONE FINALE

Gli avversari della lingua e dell’identità venete conoscono perfettamente la teoria della penetrazione indolore. Essi sanno anche che cosa significherebbe il risveglio di un popolo di oltre cinque milioni di individui e procedono, perciò, con estrema cautela, fermandosi in caso di resistenza.
La narcosi fa parte della tattica ed è condizione indispensabile durante questa operazione di amputazione, cui il popolo veneto è sottoposto. La narcosi è il nemico da battere, altrimenti si verificherà una perdita ancora maggiore di quella sofferta dal popolo veneto, quando la sua parte migliore fu mandata a morire sul fronte russo…

Prof. Nerio De Carlo

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Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS