Rio dos Cedros e a Imigração Trentina em Santa Catarina
A chegada dos imigrantes do antigo Tirol italiano e a formação das primeiras comunidades
"Dos vales do antigo Tirol italiano às terras de Santa Catarina, famílias de diferentes origens construíram a história da imigração trentina em Rio dos Cedros."
A história da colonização de Rio dos Cedros, no Vale do Itajaí, está diretamente relacionada à imigração europeia que marcou Santa Catarina durante o século XIX. Embora a região tenha recebido inicialmente numerosos colonos de origem germânica, foi a chegada de famílias provenientes do antigo Tirol italiano que deu origem a importantes núcleos de povoamento ligados à tradição trentina.
Esses imigrantes partiram de pequenas localidades alpinas, atravessaram o oceano Atlântico e se estabeleceram em uma região de florestas, rios e terrenos que precisavam ser ocupados e transformados em áreas habitáveis e produtivas. A distribuição das famílias por diferentes localidades deu origem a comunidades identificadas, em muitos casos, pelos nomes de suas terras de procedência.
Para compreender esse processo, é necessário considerar as circunstâncias políticas da Europa, os caminhos percorridos pelos emigrantes e a formação dos primeiros núcleos familiares no território catarinense.
O antigo Tirol italiano e a origem dos imigrantes
Em 1875, ano que marcou o início de uma importante fase da imigração italiana para o sul do Brasil, a região que hoje corresponde à Província Autônoma de Trento pertencia ao Império Austro-Húngaro. O território era conhecido como Tirol italiano ou Tirol meridional, e seus habitantes de língua italiana eram frequentemente identificados como tiroleses italianos.
Por essa razão, muitos dos emigrantes que partiram daquela região possuíam passaportes austríacos. A nacionalidade registrada nos documentos não correspondia necessariamente à língua falada ou à identidade cultural das famílias, cuja vida cotidiana estava ligada às comunidades alpinas de origem.
Depois da Primeira Guerra Mundial, o território foi incorporado à Itália, conforme a reorganização das fronteiras europeias estabelecida após o conflito. A partir de então, consolidou-se a identificação administrativa da região como Província de Trento.
Essa mudança política é importante para a pesquisa genealógica. Um antepassado nascido no Tirol italiano pode aparecer em documentos brasileiros como austríaco, tirolês ou italiano, dependendo da data em que o registro foi produzido. A divergência entre essas designações não significa, necessariamente, que os documentos se refiram a pessoas diferentes.
O portal A Emigração Vêneta aborda essa questão no artigo Imigrantes Tiroleses de Idioma Italiano, que contextualiza a presença dos emigrantes de língua italiana provenientes dos territórios então pertencentes à Áustria.
A Colônia Blumenau e a denominação Rio dos Cedros
A ocupação colonial da região está ligada à fundação da Colônia Blumenau, em 1850, por Hermann Bruno Otto Blumenau. O empreendimento recebeu inicialmente imigrantes germânicos e se expandiu gradualmente para outras áreas do Vale do Itajaí.
O território que hoje corresponde a Rio dos Cedros fazia parte dessa ampla região de expansão. Em 1863, durante uma de suas expedições pelo sistema fluvial do Itajaí-Açu, o desbravador August Wunderwald teria atribuído ao rio local a denominação Rio dos Cedros. A tradição relaciona esse nome à presença de cedros, árvores de madeira valorizada, que existiam nas margens do curso d'água.
A região começou a receber grupos de imigrantes italianos em meados da década de 1870. Muitos procediam do Tirol italiano, enquanto outros vinham de localidades pertencentes ao então Reino da Itália. Não se tratava de um único grupo organizado em uma só comunidade, mas de diferentes conjuntos familiares que se distribuíram pelo território.
A imigração italiana em Santa Catarina esteve associada à expansão dos núcleos coloniais e à necessidade de ocupação de novas terras. Para uma visão mais ampla desse processo, consulte o artigo do portal Imigração Italiana em Santa Catarina.
A chegada dos primeiros grupos e a fixação em Mattarei
Um dos principais grupos que contribuíram para a formação de Rio dos Cedros era originário de Mattarello, localidade situada nas proximidades da cidade de Trento. Essas famílias deixaram o antigo Tirol italiano durante o movimento migratório de 1875, embora os registros de embarque de alguns pioneiros indiquem que a viagem começou ainda em dezembro de 1874, pelo porto de Trieste.
Entre os sobrenomes relacionados a esse grupo encontram-se Baldessari, Bertoldi, Bonatti, Bridi, Carlini, Ferrari, Moratelli, Nardelli, Perini, Slomp, Tafner, Tomasini, Uber e Zatelli.
A travessia até o Brasil era apenas uma etapa de uma viagem que podia ser longa e difícil. Conforme os relatos sobre a imigração, os viajantes chegavam inicialmente ao porto do Rio de Janeiro e, após os procedimentos de recepção e controle sanitário exigidos na época, eram encaminhados para Santa Catarina.
O desembarque ocorria pelo porto de Itajaí. A partir dali, embarcações menores transportavam os imigrantes até a região de Blumenau, onde permaneciam temporariamente no chamado Barracão dos Imigrantes, situado nas proximidades da atual Rua das Palmeiras, no centro histórico da cidade.
Depois desse período de acolhimento, as famílias seguiam para as áreas de povoamento que lhes haviam sido destinadas. Um dos primeiros núcleos ligados aos emigrantes de Mattarello formou-se na localidade hoje conhecida como Santo Antônio.
Antigamente, essa comunidade era chamada Mattarei, nome que preservava a lembrança da localidade de origem dos primeiros moradores.
O povoamento ocorreu ao longo da Estrada dos Pomeranos, caminho associado à colonização germânica e que partia do núcleo de Timbó. Em alemão, a estrada era denominada Pommernstraße, expressão cuja pronúncia foi adaptada pelos moradores.
A presença de imigrantes de origens diferentes ao longo do mesmo caminho demonstra que a expansão colonial do Vale do Itajaí não se limitou a grupos culturalmente homogêneos. Os novos habitantes passaram a ocupar áreas próximas às comunidades já existentes, estabelecendo relações de vizinhança e contribuindo para a ampliação do território habitado.
A relação nominal de pioneiros publicada no portal, em Famílias Italianas Pioneiras em Rio dos Cedros SC, permite complementar essa narrativa com nomes associados ao grupo proveniente de Mattarello.
São Roque e o estabelecimento de outro grupo de imigrantes
Concomitantemente ao povoamento relacionado a Mattarello, outro conjunto de famílias estabeleceu-se na região que deu origem à comunidade de São Roque, atualmente pertencente ao município de Timbó.
Esse grupo reunia imigrantes do antigo Tirol italiano e também famílias procedentes de localidades do então Reino da Itália. Entre os sobrenomes associados ao núcleo encontram-se Andreatta, Bendotti, Cava, Bortolo, Chistè, Francesco, Cristelli, Dalmonico, Filippi, Lenzi, Miori, Pagnelli, Sevegnani e Tomasoni.
A composição dessas comunidades evidencia a diversidade das origens geográficas dos colonos. Mesmo quando compartilhavam tradições religiosas e formas de vida semelhantes, as famílias podiam ter vindo de localidades diferentes e apresentar particularidades linguísticas e culturais.
A formação de São Roque também ilustra a continuidade territorial do povoamento. Os deslocamentos entre os núcleos coloniais e as áreas vizinhas contribuíram para estabelecer vínculos familiares e econômicos que ultrapassavam os limites das localidades posteriormente definidas como municípios.
A comunidade das Dores e os imigrantes do Val di Cembra
Outro grupo percorreu a Estrada dos Pomeranos e se estabeleceu na região que corresponde à atual comunidade das Dores, também conhecida pelas denominações Dolorata e Crosera.
Muitos desses imigrantes provinham do Val di Cembra e de localidades como Centa, Valda, Albiano e Segonzano, no antigo Tirol italiano. Havia também famílias provenientes de outras regiões da península Itálica.
Entre os sobrenomes associados a esse núcleo estão Andreatta, Bardini, Bortolini, Campregher, Dalpiaz, Demarchi, Dematè, Filippi, Furlani, Giovanella, Girardi, Leitempergher, Marchetti, Mattedi, Negri, Odorizzi, Pedron, Piazzera, Pisetta, Pradi, Sadler, Sevegnani, Stinghen, Tecila, Trentini, Vicenzi e Tomaso.
A diversidade desses sobrenomes acompanha a variedade das localidades de origem. Cada família trazia consigo uma trajetória própria, relacionada às condições econômicas e sociais da região europeia de onde havia partido.
A fixação no novo território exigiu a adaptação às condições ambientais e à organização do povoamento. Os vínculos entre parentes e conterrâneos, por sua vez, ajudavam a estruturar as primeiras comunidades e a estabelecer relações de cooperação.
Caravaggio e os imigrantes provenientes de Samone
Mais adiante, ao longo da região dos Pomeranos, outro grupo de imigrantes estabeleceu-se no território que viria a formar a comunidade de Caravaggio.
Grande parte dessas famílias havia deixado o Tirol italiano em 1875, sendo muitas originárias de Samone. A importância dessa procedência foi tão expressiva que a comunidade ficou conhecida durante vários anos como Samon, enquanto seus habitantes eram chamados de Samonati.
Entre os sobrenomes relacionados a esse grupo figuram Anesi, Campestrini, Dall'Agnolo, Detoffol, Fattore, Froner, Giampiccolo, Lenzi, Mengarda, Molinari, Nicolodelli, Nicolussi, Paoletto, Pedrelli, Tais, Tomaselli, Trisotto, Vicenzi e Zanghellini.
A denominação Samon demonstra como a origem geográfica dos primeiros moradores podia permanecer associada à identidade de uma comunidade durante décadas. Mesmo depois do estabelecimento no Brasil, a referência à localidade europeia continuava presente na memória coletiva.
A história desse núcleo integra o processo mais amplo de ocupação da região dos Pomeranos, no qual os grupos familiares foram se distribuindo por diferentes pontos do território.
Glória, conhecida como Busa
No trecho final da Estrada dos Pomeranos, outro conjunto de imigrantes estabeleceu-se na localidade que hoje corresponde à comunidade da Glória, também chamada tradicionalmente de Busa.
A maior parte dessas famílias era proveniente de Cavedine, no antigo Tirol italiano, embora também houvesse emigrantes de outras localidades.
Entre os sobrenomes relacionados a esse povoamento estão Bagattoli, Barato, Berlanda, Berti, Bridarolli, Brighenti, Cattoni, Demarchi, Gadotti, Molter, Recchia, Valentini e Zani.
A distribuição desses grupos ao longo do caminho revela que a colonização avançou gradualmente, formando núcleos familiares em diferentes áreas. A distância entre as comunidades e as dificuldades de comunicação próprias daquele período contribuíram para a manutenção de referências locais específicas.
São José e o núcleo central
Outra área de povoamento corresponde à região de São José e ao núcleo central de Rio dos Cedros. Ali se estabeleceram famílias provenientes de diversas localidades do antigo Tirol italiano e de outras regiões da Itália, com presença expressiva de emigrantes ligados à Valsugana.
Entre os sobrenomes associados a esse núcleo encontram-se Agostini, Berti, Bertoli, Bona, Busarello, Campestrini, Carraro, Cassonatti, Corrente, Dalcanale, Daltrozzo, Giacomozzi, Leitempergher, Lenzi, Longo, Menestrina, Osti, Paterno, Paternolli, Perottoner, Purin, Richter, Ropelato, Rubini, Sandri, Sartori, Trentini, Trisotto, Valandro, Vasselai e Voltolini.
A concentração de famílias de diferentes procedências contribuiu para a ampliação do povoamento e para a formação de um núcleo de referência para as comunidades próximas.
A presença de sobrenomes semelhantes em diferentes localidades deve ser analisada com cautela. As migrações internas, os casamentos e as mudanças de grafia podem explicar a ocorrência de um mesmo nome em vários núcleos, mas a comprovação de parentesco depende da consulta a documentos.
A Linha Tiroleses e a expansão territorial
Além do eixo dos Pomeranos e do núcleo central, desenvolveu-se outra linha de ocupação conhecida como Tiroleses, denominação relacionada à origem de numerosas famílias que ali se estabeleceram.
O território dessa localidade encontra-se atualmente dividido entre Rio dos Cedros e Timbó, resultado da evolução administrativa da região.
Entre os sobrenomes relacionados a esse povoamento estão Bassani, Battain, Berloffa, Bertoldi, Bianchini, Bombasaro, Busarello, Carlini, Casatti, Cechini, Chiogna, Chistè, Conti, Coratti, Cristofoletti, Dalcanale, Dallabona, Dallabrida, Darui, Demarchi, Dematè, Devigili, Dorigatti, Fachini, Fiemazzo, Floriani, Furlani, Ghezzi, Mastelotto, Mazzi, Moser, Murara, Nasato, Nichelatti, Nones, Oberziner, Oss Emer, Pasquali, Pedrelli, Pellini, Piazzera, Piccoli, Rafaelli, Ronchetti, Salvatore, Schiochet, Schuster, Scola, Spallanzani, Tamanini, Tiso, Travaglia, Valcanaia, Volani, Voltolini, Zanella, Zanetti, Zanluca e Zecchini.
A amplitude dessa relação indica a presença de numerosos ramos familiares, provenientes de diferentes localidades europeias. A designação comum de tiroleses não significa que todos os moradores tivessem nascido na mesma cidade ou pertencessem a uma única linhagem.
O povoamento da Linha Tiroleses também se relaciona à formação de comunidades vizinhas, cujas histórias não podem ser separadas das transformações territoriais ocorridas no Vale do Itajaí.
Rio Fortuna e a continuidade do povoamento
A partir da ocupação da Linha Tiroleses, um grupo menor contribuiu para a formação da localidade de Rio Fortuna, hoje pertencente ao município de Timbó.
Entre as famílias relacionadas a esse núcleo estão Furlani, Gretter, Odorizzi, Tamanini e Zanghelini.
Esse deslocamento integra o processo de expansão territorial que caracterizou as comunidades de imigração. O estabelecimento de novos núcleos não dependia apenas da chegada de imigrantes diretamente da Europa, mas também da movimentação de famílias que já viviam em Santa Catarina e buscavam novas áreas para se estabelecer.
Por essa razão, pesquisas sobre famílias de Rio dos Cedros podem exigir a consulta a registros de Timbó e de outras localidades próximas, cujas divisões administrativas nem sempre correspondem aos limites das antigas comunidades.
São Bernardo e as famílias provenientes do Reino da Itália
A comunidade de São Bernardo apresenta uma característica distinta em relação a outros núcleos de Rio dos Cedros: a presença predominante de famílias originárias do Reino da Itália, especialmente do Vêneto, em vez da maioria de emigrantes provenientes do antigo Tirol italiano.
Entre os sobrenomes associados a esse grupo encontram-se Andreazza, Bertoldi, Bonfanti, Brancher, Campestrini, Cristofoletti, Dalcastagnè, Feltrin, Formigari, Largura, Lazzarini, Schiochet, Trentini, Zanella, Zoboli e Zopelaro.
Essa composição evidencia a diversidade regional da imigração italiana para Santa Catarina. Os emigrantes que posteriormente passaram a ser identificados como italianos provinham de territórios com histórias políticas, tradições linguísticas e costumes próprios.
No século XIX, a unificação política da Itália ainda era relativamente recente, e as identidades locais continuavam a exercer grande influência na vida cotidiana. A procedência de uma família podia ser mais importante para sua identificação do que uma nacionalidade comum.
A presença de famílias vênetas em São Bernardo, ao lado dos grupos provenientes do Tirol italiano, demonstra que o povoamento de Rio dos Cedros resultou de movimentos migratórios distintos, que se encontraram no mesmo território.
A expansão para outras localidades catarinenses
A formação das primeiras comunidades não encerrou o processo de ocupação. Com o crescimento das famílias e a abertura de novas áreas, outros núcleos foram estabelecidos na região serrana do município e em localidades como Cedro Alto, Rio Esperança e Rio Rosina.
A expansão ocorreu também para além dos limites de Rio dos Cedros. Diversas famílias se estabeleceram em municípios do Alto Vale do Itajaí, como Rio do Oeste, Laurentino e Taió, e no norte catarinense, em cidades como Jaraguá do Sul, Joinville, São Bento do Sul, Guaramirim e Corupá.
Parte desses deslocamentos estava relacionada à procura por novas terras, enquanto outros decorreram das relações familiares e das oportunidades econômicas surgidas em diferentes localidades.
Dessa forma, os descendentes dos primeiros imigrantes passaram a integrar a formação de outros núcleos de povoamento em Santa Catarina e, posteriormente, em diferentes regiões do Brasil.
O estudo das colônias catarinenses permite situar Rio dos Cedros dentro desse processo mais amplo. O artigo Nomes e Datas de Fundação das Colônias Italianas em Santa Catarina apresenta outras localidades que receberam imigrantes italianos e ajuda a compreender a expansão da colonização pelo estado.
A permanência dos costumes e das referências de origem
A diversidade das comunidades formadas em Rio dos Cedros também se refletiu na língua, na religiosidade, nos hábitos alimentares e nas tradições familiares. O dialeto trentino continuou a ser transmitido entre gerações, enquanto práticas religiosas e costumes trazidos da Europa foram adaptados às condições brasileiras.
A música e as celebrações comunitárias também preservaram referências à origem dos imigrantes. Entre as tradições locais encontra-se o Santa Notte, costume natalino ligado à visita às casas e ao canto de narrativas sobre o nascimento de Jesus. Ao longo de sua história, o grupo relacionado a essa tradição também adotou o nome Compagni Trentini.
Essas manifestações constituem parte do contexto histórico da imigração, pois ajudam a compreender como os grupos familiares mantiveram referências culturais depois de estabelecidos no Brasil. A transmissão dos costumes, entretanto, ocorreu de maneira gradual e sofreu transformações ao longo das gerações.
Em 1975, foi fundado o Circolo Trentino di Rio dos Cedros, associação relacionada à preservação dos vínculos culturais com o território de origem. Em 1989, começou a ser organizada a Festa Trentina, que passou a reunir manifestações culturais ligadas à imigração.
No mesmo ano surgiu o Grupo Colibri, voltado à transmissão de canções e danças tradicionais entre crianças e adolescentes. Em 2008, Rio dos Cedros estabeleceu um acordo de gemellaggio com Albiano, na Província de Trento, fortalecendo os vínculos institucionais com uma das regiões de origem dos imigrantes.
Esses acontecimentos pertencem à história posterior da colonização e demonstram a continuidade de relações entre as comunidades brasileiras e as localidades europeias de procedência.
A história familiar como fonte para a pesquisa da imigração
A formação de Rio dos Cedros pode ser reconstruída a partir da história de seus diferentes núcleos de povoamento, das localidades europeias de origem e dos sobrenomes preservados pelas famílias.
Mattarello, Samone, Cavedine, o Val di Cembra e a Valsugana aparecem como referências geográficas importantes para a compreensão da procedência de muitos imigrantes. Entretanto, a identificação correta de um antepassado exige mais do que a coincidência de sobrenomes ou a tradição oral.
Registros de nascimento, casamento e óbito, documentos de embarque, listas de passageiros e fontes das localidades europeias permitem estabelecer relações mais seguras entre os indivíduos e suas famílias.
Também é necessário considerar que os nomes próprios e sobrenomes podem apresentar grafias diferentes nos documentos brasileiros e europeus. As mudanças administrativas e políticas ocorridas na Europa acrescentam outra dificuldade à pesquisa, sobretudo quando um registro identifica o local de nascimento pela antiga designação territorial.
A história da imigração para Rio dos Cedros, portanto, deve ser compreendida como um processo de deslocamento e ocupação que reuniu grupos de procedências distintas. A formação das comunidades resultou da chegada dos primeiros emigrantes, da distribuição das famílias pelo território e da expansão posterior para outras localidades catarinenses.
Os sobrenomes preservados nos registros constituem pistas para a reconstrução desse percurso, permitindo relacionar as famílias atuais aos movimentos migratórios que marcaram a região a partir da década de 1870.
Nota do Autor
Este relato procura reunir informações sobre a origem dos imigrantes, os caminhos percorridos e a formação das primeiras comunidades de Rio dos Cedros. A identificação das localidades europeias e dos sobrenomes familiares constitui um ponto de partida para pesquisas históricas e genealógicas mais aprofundadas.
Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Portal A Emigração Vêneta
