Mostrando postagens com marcador ROMA antiga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ROMA antiga. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Os Hunos e o Fim do Mundo Romano - Átila e as Grandes Migrações


Quando os Hunos chegaram à Europa, as fronteiras de Roma nunca mais seriam as mesmas.

Os Hunos e o Fim do Mundo Romano - Átila e as Grandes Migrações

A chegada dos Hunos à Europa, a partir do final do século IV, foi um dos acontecimentos que mais profundamente alteraram o equilíbrio político e militar do mundo romano. Originários das vastas estepes da Eurásia, os Hunos eram um povo de tradição nômade, extraordinariamente habilidoso na equitação e no uso do arco. Sua expansão para o oeste provocou deslocamentos de outros povos, desencadeando uma reação em cadeia que modificaria para sempre a história da Europa.

Por volta de 370 d.C., os Hunos apareceram nas proximidades das fronteiras orientais da Europa e derrotaram ou submeteram diversos povos que viviam ao norte do Danúbio e do mar Negro. Entre os povos atingidos estavam os Alanos e os Godos. A pressão exercida pelos Hunos foi um dos fatores que levaram milhares de Godos a procurar refúgio dentro do Império Romano.

Em 376 d.C., grandes grupos de Godos, especialmente os Tervíngios liderados por Fritigerno, chegaram à fronteira do Danúbio e solicitaram autorização para atravessar o rio e estabelecer-se em território romano. O imperador Valente permitiu sua entrada, esperando incorporá-los ao sistema militar e econômico do Império. Entretanto, a administração romana foi incapaz de controlar adequadamente a situação. Maus-tratos, corrupção, fome e exploração levaram os Godos à revolta. O conflito culminou, em 378 d.C., na desastrosa Batalha de Adrianópolis, na qual o exército romano sofreu uma das mais graves derrotas de sua história e o próprio imperador Valente morreu em combate.

Os Hunos não foram os responsáveis diretos por essa batalha, mas sua expansão havia contribuído para desencadear o grande movimento de povos que colocou uma pressão crescente sobre as fronteiras romanas. Durante as décadas seguintes, a presença huna tornou-se cada vez mais importante nos acontecimentos políticos e militares do Império Romano do Oriente e, posteriormente, do Ocidente.

No início do século V, os Hunos já constituíam uma poderosa força militar. Sob chefes como Uldino, exerceram forte pressão sobre os territórios balcânicos do Império Romano do Oriente. Em 408 d.C., Uldino atravessou o Danúbio e atacou regiões da Trácia, obrigando os romanos a mobilizar grandes recursos para enfrentar a ameaça. O Império Romano do Oriente frequentemente combinava força militar e diplomacia para conter os Hunos, recorrendo também ao pagamento de tributos e acordos políticos.

Ao mesmo tempo, o Império Romano do Ocidente enfrentava problemas cada vez mais graves. As fronteiras eram pressionadas por diversos povos, enquanto as disputas internas pelo poder enfraqueciam a autoridade imperial. Em 410 d.C., Roma foi saqueada por tropas lideradas por Alarico, rei dos Godos. Esse acontecimento teve enorme impacto simbólico, mas é importante lembrar que Alarico não era huno. Seu povo pertencia aos Godos, um dos grupos germânicos que haviam entrado no mundo romano durante as grandes migrações iniciadas, em parte, pela pressão exercida pelos Hunos.

A figura que levaria o poder huno ao seu auge foi Átila. Nascido provavelmente no início do século V, Átila tornou-se, juntamente com seu irmão Bleda, um dos governantes do mundo huno por volta de 434 d.C. Após a morte de Bleda, provavelmente em 445, Átila passou a governar sozinho. Sob sua liderança, os Hunos formaram uma poderosa confederação que reunia diferentes povos e controlava vastos territórios da Europa Central e Oriental.

Átila não construiu um império nos moldes administrativos de Roma. Seu poder baseava-se principalmente na autoridade militar, na lealdade de povos submetidos ou aliados e na cobrança de tributos. Ainda assim, durante seu reinado, o poder huno chegou a representar uma das maiores ameaças militares enfrentadas pelo Império Romano.

O Império Romano do Oriente foi repetidamente pressionado por Átila. Em diferentes momentos, os Hunos invadiram os Bálcãs e obrigaram Constantinopla a negociar pagamentos extremamente elevados. O objetivo de Átila não era simplesmente destruir o Império Romano, mas obter riqueza, tributos, reconhecimento político e vantagens territoriais. A diplomacia romana, portanto, desempenhou papel tão importante quanto as batalhas na relação entre os dois poderes.

Em 451 d.C., Átila voltou sua atenção para o Ocidente e invadiu a Gália. O avanço huno provocou uma extraordinária aliança entre romanos e diversos povos germânicos. Sob o comando do general romano Flávio Aécio, forças romanas, visigodas e de outros povos enfrentaram o exército de Átila na Batalha dos Campos Cataláunicos, também conhecida como Batalha de Châlons. O resultado foi uma derrota ou, segundo algumas interpretações, uma retirada estratégica dos Hunos, que não conseguiram alcançar seus objetivos na Gália.

No ano seguinte, porém, Átila invadiu a Itália. Suas tropas conquistaram e devastaram várias cidades do norte da península. Quando se aproximou de Roma, ocorreu um famoso encontro diplomático entre Átila e uma delegação romana liderada pelo papa Leão I. As circunstâncias exatas que levaram à retirada dos Hunos permanecem discutidas pelos historiadores. A tradição cristã atribuiu ao encontro com o papa um papel decisivo, mas fatores militares, logísticos, políticos e a aproximação do inverno também podem ter contribuído para a decisão de Átila.

Em 453 d.C., Átila morreu inesperadamente, provavelmente durante a noite de seu casamento com Ildico. As fontes antigas apresentam versões diferentes sobre sua morte. Uma delas fala em uma hemorragia durante o sono, enquanto outras tradições posteriores acrescentaram elementos mais dramáticos. Não existe, portanto, segurança para afirmar que sua morte tenha sido causada simplesmente pelo excesso de bebida.

A morte de Átila provocou uma rápida crise no poder huno. Seus filhos disputaram a sucessão e vários povos submetidos aproveitaram a oportunidade para se rebelar. Em 454 d.C., a derrota dos Hunos na Batalha de Nedao marcou um importante ponto de ruptura. O grande domínio político construído por Átila começou a se fragmentar, e os Hunos deixaram de exercer a mesma influência militar sobre a Europa.

A importância histórica dos Hunos, entretanto, não desapareceu com a dissolução de seu império. Sua expansão havia contribuído para desencadear ou acelerar grandes deslocamentos populacionais e transformações políticas. A chamada Grande Migração dos Povos modificou profundamente o mapa da Europa e contribuiu para o enfraquecimento das estruturas políticas do Império Romano do Ocidente.

É importante, porém, evitar uma explicação excessivamente simples segundo a qual “os Hunos provocaram a queda de Roma”. A queda do Império Romano do Ocidente foi resultado de um processo longo e complexo, envolvendo crises políticas, dificuldades econômicas, transformações militares, guerras civis, problemas administrativos e a instalação de diversos povos germânicos dentro dos antigos territórios imperiais. A presença dos Hunos foi um dos fatores que alteraram esse cenário, mas não pode ser considerada sua única causa.

A imagem de Átila atravessou os séculos. Para os romanos e muitos dos povos que enfrentaram seus exércitos, ele se tornou símbolo de violência, guerra e destruição. Na tradição cristã medieval, ganhou o famoso título de “Flagelo de Deus”. Ao mesmo tempo, outras tradições o transformaram em uma figura de grandeza e poder. Como acontece frequentemente com personagens históricos extraordinários, o Átila das lendas acabou sendo muito diferente do homem que realmente viveu no século V.

Também é preciso corrigir uma antiga associação linguística que às vezes aparece em textos populares sobre os Hunos. A palavra italiana “ciao” não tem origem na língua huna. Sua história é muito mais recente e está relacionada à expressão veneziana “s-ciào vostro”, derivada de uma antiga fórmula de cortesia relacionada à ideia de “vosso servo” ou “vosso servidor”. Com o passar do tempo, a expressão foi abreviada e transformada em “ciao”, que posteriormente se espalhou pela Itália e por muitas outras línguas.

A influência dos Hunos sobre a Europa, portanto, deve ser compreendida principalmente dentro do grande processo de transformações que ocorreu entre os séculos IV e V. Eles não foram simplesmente invasores que apareceram diante de Roma para destruí-la. Foram parte de uma enorme movimentação de povos, guerras, alianças, migrações e disputas pelo controle de terras e riquezas que transformou o antigo mundo romano.

Quando Átila morreu, em 453 d.C., desapareceu também a figura que havia mantido unida aquela extraordinária confederação. Sem sua liderança, o poder huno rapidamente se fragmentou. Outros povos ocupariam o espaço deixado por eles, e a Europa continuaria sua transformação.

O mundo que surgiria dessas mudanças seria muito diferente daquele que os romanos haviam conhecido. As antigas fronteiras imperiais seriam substituídas por novos reinos, novas sociedades e novas identidades. Séculos depois, os descendentes daqueles povos ainda carregariam nas suas tradições, nas suas línguas e nas suas histórias a memória de uma época em que as fronteiras do mundo romano deixaram de parecer eternas.

Os Hunos desapareceram como grande potência, mas o impacto de sua passagem permaneceu. Sua chegada ao coração da Europa foi uma das peças de um enorme processo histórico que marcou a transição entre a Antiguidade e a Idade Média. E talvez seja justamente essa a maior importância histórica dos Hunos: não terem simplesmente destruído um mundo, mas terem ajudado, direta e indiretamente, a acelerar a transformação de um mundo antigo em outro completamente novo.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta








quinta-feira, 12 de março de 2026

A Evolução dos Sobrenomes da Roma Antiga até a Idade Moderna


A Evolução dos Sobrenomes da Roma Antiga até a Idade Moderna

A palavra sobrenome tem origem no latim cognomen, formado pela união de cum (com) e nomen (nome). Já na Roma republicana, todo cidadão livre era identificado por três nomes distintos.

O primeiro era o praenomen, isto é, o nome pessoal, atribuído no nono dia após o nascimento, chamado de dies nominalis.
O segundo, o nomen, indicava a pertença à gens, sendo comum a todos os membros de um mesmo grupo familiar.
O terceiro, o cognomen, destacava uma característica física, moral ou o local de origem. Com o tempo, tornou-se hereditário e passou a identificar a família, isto é, um dos ramos — patrício ou plebeu — em que se dividia a gensoriginal.

Esse sistema começou a desaparecer com o declínio político, cultural e social que se seguiu à queda do Império Romano do Ocidente, em 476 d.C. O uso do sobrenome latino foi sendo abandonado e substituído pelo simples nome de batismo. Da mesma forma, na vida social e política, as antigas instituições administrativas imperiais foram gradualmente substituídas pelas estruturas da Igreja, com a consolidação do Cristianismo.

O sobrenome, no sentido moderno, começou a se formar entre os séculos IX e X. O surgimento de uma nova organização social e o crescimento dos grandes centros urbanos tornaram indispensável diferenciar pessoas que possuíam o mesmo nome próprio. Nos séculos seguintes, especialmente durante o Renascimento, o uso do sobrenome se espalhou cada vez mais, acompanhando o desenvolvimento cultural, político e econômico da sociedade.

Com o passar do tempo, e de maneiras diferentes conforme a região, o sobrenome tornou-se hereditário e depois obrigatório por lei. Ao longo dos séculos, porém, muitos sobrenomes sofreram transformações. A forma atual pode ser bastante diferente da original, devido a fenômenos linguísticos e fonéticos como a aférese (eliminação de letras iniciais), a lenição (suavização de consoantes), o rotacismo (transformação de um som em r), a síncope (perda de letras internas), entre outros.

A isso se somaram erros de escrita, influências dialetais e até modificações voluntárias, o que torna, em muitos casos, difícil reconstruir a forma primitiva de um sobrenome.

Tipos de sobrenomes e suas origens

Quanto à raiz e ao significado, os sobrenomes italianos podem ser organizados em grandes grupos:

 Toponímicos e étnicos – indicam o local de origem da família ou do indivíduo (Genovesi, Mantovani, Spagnolo).
• Derivados de nomes próprios – baseados no nome de batismo de um antepassado, incluindo patronímicos e matronímicos (Nanni, Franceschini, Di Giulio, Di Maria).
• Augurais, protetivos e de expostos – surgidos na Idade Média, expressam votos de sorte ou proteção ao recém-nascido (Benvenuti, Bonaventura, Nascimbene; entre os expostos: Diotaiuti, Diotallevi).
• De apelidos – ligados a características físicas, morais ou a episódios marcantes (Rossi, Grassi, Gobbi, Astuti, Fumagalli).
• De ofícios, cargos ou títulos – relacionados à profissão, função ou posição social, militar ou religiosa (Ferrari, Barbieri, Medici, Capitani, Preti).
• De nomes clássicos ou literários – inspirados em tradições latinas, gregas ou cavaleirescas (Virgili, Achilli, Polidori, Lancellotti).

Nota do Autor

Este texto nasce do desejo de compreender mais do que palavras herdadas — nasce da vontade de tocar as raízes da identidade. Cada sobrenome carrega séculos de memória, trabalho, fé e resistência. Ao percorrer sua evolução desde a Roma Antiga até os nossos dias, revisitamos não apenas a história dos nomes, mas a história silenciosa das famílias que atravessaram o tempo, moldadas por perdas, esperanças e recomeços. Que estas linhas despertem no leitor não só curiosidade, mas também reverência por aqueles que, sem saber, nos legaram o mais duradouro dos patrimônios: o nome que nos chama pelo passado e nos projeta no futuro.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



sábado, 26 de dezembro de 2020

Roma Antiga

A loba que aleita Romulus e Remus em um alto relevo proveniente de Klagenfurt
Segundo a lenda os dois gêmeos foram abandonados na corrente do rio Tibre mas este os depositou aos pés do Monte Palatino e a uma loba os alimentou. Se acredita que Romulus fundou Roma em 21 de Abril de 753 a. C.


AS ORIGENS E A MONARQUIA

Entre os povos presentes na Itália no primeiro milênio a.C. estavam os Latinos, que viviam na área da região do Lazio dos dias de hoje. Provavelmente foram eles  que fundaram Roma, passando de uma vila ao sul do rio Tibre, localizada em uma posição que permitia o controle da produção de sal da região.  Graças a essa extração, Roma se desenvolveu até se tornar uma cidade no século VII.

Nos primeiros séculos de sua história (ou seja, de 753 a 509 a.C.) Roma era uma monarquia, na qual o rei, escolhido entre as principais famílias possuidoras de terras, governava a cidade juntamente com uma assembléia (chamada Senado) formado pelos homens das famílias mais importantes. 
Nesse período monárquico, o território controlado por Roma era  limitado a uma pequena área ao redor do rio Tibre.


Tarquinius, o Soberbo, o último rei de Roma
Segundo a lenda Tarquínio, era etrusco

Na sociedade romana, existiam duas classes sociais: a nobreza, formada pelos proprietários de terras, que então eram chamados de patrícios, e o povo, constituído por camponeses, artesãos e comerciantes, chamados de plebeus. Somente os patrícios podiam fazer parte do Senado, enquanto que os plebeus eram excluídos de qualquer poder político.



Retrato em bronze do início do século III a.C., chamado "Bruto Capitolino", representando certamente um patrício


Relevo representando uma oficina de pedreiros. Os artesãos faziam parte do povo romano e suas oficinas estavam espalhadas por toda a cidade



A REPÚBLICA

No final do século VI a.C., a monarquia foi substituída por uma nova forma de governo, a chamada república, palavra derivada do latim "res publica" ou seja assuntos públicos, na qual o governo da cidade era dividido por uma série de magistrados, eleitos pelos cidadãos para assumir cargos públicos, ou as magistraturas. 
Os magistrados eram diferentes e numerosos: cada um se ocupava de tarefas específicas, como a construção de obras públicas, os julgamentos daqueles que infringiam a lei e assim por diante. Eles permaneciam no cargo por apenas um ano.  Os magistrados mais importantes eram os cônsules, lideraram o exército, mas tinham amplos poderes também em tempos de paz. 


Laje de mármore em que os romanos gravavam os nomes dos cônsules eleitos cada ano


No governo da cidade, os cônsules trabalhavam ao lado do Senado, do qual podiam fazer parte desde que tivessem anteriormente exercido cargos públicos. Por muitas décadas, esses deveriam ser patrícios.
Havia também outras assembléias de cidadãos, os chamados comícios, que eram formados por patrícios e plebeus, mas, como o voto dos nobres importava mais do que o povo, os plebeus tiveram pouca influência nas decisões que foram tomadas e a república romana permaneceu assim rigorosamente aristocrática.

Entre os séculos V e IV, os plebeus conseguiram enfim, de forma gradual, assumir alguns poderes políticos, obtidos através de grandes protestos que punham em perigo toda a cidade.
No início do século V, conseguiram a criação de uma nova magistratura, a dos tribunos da plebe, a qual tinha a tarefa de defender os interesses dos plebeus. 
Por volta de 450 a. C. conseguiram que as leis passassem a ser escritas. 



Reconstrução de uma das XII Tabelas, no início em madeira, nas quais eram  escritas
as primeiras leis romanas

Cerca do ano 400 a.C. os plebeus obtiveram acesso a algumas magistraturas e, portanto, passaram a fazer parte do Senado. Em 367 a.C. os plebeus conseguiram o direito de poder se tornarem cônsules.
Aos pouco, durante muitos anos os plebeus conseguiram limitar o poder dos patrícios, mas nunca fizeram de Roma uma cidade democrática. Uma nova nobreza fase formou, constituída pelos patrícios e plebeus, que conseguiram enriquecer e comprar terras, mas a grande parte do povo sempre foi excluída da administração do poder.


Tiberio Sempronio e Gaius Sempronio Gracco eram dois irmãos famosos,
ambos  tribunos eleitos pela plebe, no final do século II a.C. 
aqui são representados em 1853, uma obra de Jean-Baptiste-Claude-Eugène Guillaume


Nos 5 séculos da história republicana, Roma experimentou um forte desenvolvimento, determinado pelo seu desejo de expandir e conquistar novas terras, o que só se concretizou através de guerras.


Placa funerária do centurião Tito Calidio Severo, representando o equipamento militar
dos centuriões, os oficiais encarregados de comandar uma centúria  o departamento militare formado por 100 soldados, elas eram a espinha dorsal do exército romano

A primeira fase de expansão romana foi dirigida contra a própria península, lutando primeiro contra os etruscos, depois contra tribos italianas, em particular os Samnita e depois  contra os gregos do sul da península.  Roma, por volta de 270 a.C. já dominava quase todo o território da atual Itália, dos Montes Apeninos até o Estreito de Messina. 

Guerreiro Itálico 

Guerreiros Samnita

A segunda fase Roma se caracterizou pela invasão da colônia fenícia de Cartago, no norte da África, mediante três guerras, as chamadas guerras púnicas. À partir de então Roma passou a controlar todo o Mediterrâneo ocidental,  compreendendo a Sicília, Sardenha, Córsega, as costas da Espanha e o noroeste da África.


Batalha de Aníbal e Cipião, em Zama, gravura de 1567, de Cornelis Cort, baseada em um desenho de Raffaello Sanzio. 
A batalha de Zama ocorreu em 202 a.C. e marcou a derrota definitiva do general cartaginês Hannibal. Este e seu oponente romano Scipione, são considerados entre os líderes militares mais brilhantes da história

Com a terceira fase, ocorrida entre os séculos II e I a.C., Roma ampliou seus domínios no Mediterrâneo oriental, da Macedônia à Pontus, na península da Anatólia e no Egito, e ao norte da Itália setentrional até a Gália, as atuais França e Bélgica.


Baixo relevo no mausoléu dos Julius, em Saint-Remy-de-Provence, século I a.C.
representando uma batalha entre gauleses e romanos

A quarta e última fase, entre os séculos I e II d.C. levou Roma à novas conquistas, a Bretanha, Mauritânia, no norte da África e algumas áreas no Oriente Próximo e Europa Oriental, essas conquistas foram ditadas principalmente pela necessidade de consolidar e defender o grande império de povos que ameaçavam as suas fronteiras.




Detalhe da Coluna de Trajano, monumento do início do século II d.C., erguido em Roma para celebrar a conquista da Dacia, região entre a atual Romênia e a Moldávia, pelo imperador Trajano). Na representação vemos Trajano, sentado, discutindo com seus oficiais, enquanto os legionários romanos, mais à direita, iniciavam sua marcha, equipados com suas armaduras, capacetes, escudos e as espadas




O IMPÉRIO

O nascimento do Império Romano foi precedido por uma série de guerras civis, travadas pelas duas facções formados na Roma republicana, todas elas visando o expansionismo:

- por um lado, o partido aristocrático, formado pela nobreza senatorial, que queria defender seus privilégios e era contra qualquer mudança política

- do outro, o partido popular, formado por cavaleiros com apoio da plebe, que exigiam maior poder político e uma série de transformações econômicas. 

As tensões entre os dois grupos já haviam antes causado confrontos violentos. No século I a.C. alguns generais ambiciosos aproveitaram a situação para impor seu poder pessoal, contando com o apoio do partido aristocrático, mas, também em outras ocasiões com o do partido popular. Assim, durante este século, as guerras entre Mario, plebeu e a nobre Silla se continuaram depois entre Pompeo, que era apoiado pelo Senado,  com Cesar e finalmente entre Otaviano e Marco Antonio. 

Mario, Silla, Cesar e Pompeo 

A derrota de Marco Antonio (aliado da rainha do Egito, Cleópatra) na batalha de Actium no ano 31 a.C. deixou Otaviano como o único patrão de Roma. Em 27 a.C. o Senado concedeu-lhe o título de Augusto e essa data tradicionalmente marca o nascimento do Império. Desde então até o século V d.C. Roma voltou a ser uma monarquia, desta vez de tipo imperial, e que tinha domínio sobre um vasto território. 

O Império Romano no período de seu máximo esplendor 

Augusto, nas vestes de pontífice máximo, maior cargo religioso romano

Augusto com a lorica, a característica armadura dos comandantes militares


A organização de um império assim grande, certamente, não foi tarefa nada fácil. Simplificando, podemos dizer que o território foi dividido em províncias, cada uma das quais dependendo de um governador. Os habitantes das províncias pagavam tributo à Roma: algumas populações foram submetidas às leis romanas, outras, especialmente aquelas no leste, mantiveram certa autonomia administrativa, desde que não entrassem em conflito com os interesses do Império. 



Escultura representando um oficial de cobrança de impostos que conta moedas,
 enquanto outro verifica as listas de pagadores nos registros em pergaminho


Todo o poder que não tinha limites estava nas mãos do imperador e somente uma conspiração ou um levante militar poderiam pôr fim ao domínio dos imperadores, os quais eram particularmente cruéis e mal vistos, como exemplo Calígula (41 d.C.), Nero (68 d.C.) e Domiciano (96 d.C.).

Calígula - Nero e Domiciano


O poder imperial era muitas vezes transmitido por herança, ou seja, na morte de um imperador era sucedido por um filho ou parente mais próximo; outras vezes os imperadores escolhiam como herdeiro não um parente, mas sim uma pessoa que consideravam ter condições adequadas para ocupar esse cargo de tanto poder; outras vezes ainda, os imperadores e seus herdeiros eram assassinados e o novo imperador vinha a ser escolhido pelo Senado (assembléia que continuou a existir mesmo após a criação do Império) ou pelos pretorianos (guarda pessoal do imperador) ou ainda pelo exército. A partir do terceiro século d.C. a violência tornou-se o meio usual para se chegar ao trono imperial.

Pretorianos 


Foi no terceiro século que começou um período de crises para o império, devido a causas externas e internas.
Entre as causas externas, a principal foi o início dos ataques contra Roma de outros Povos, pelos romanos denominados bárbaros, que viviam do outro lado das fronteiras do império. Essas invasões ocorreram na Mesopotâmia, Anatólia, Gália e na própria península italiana.
As causas internas incluíram conflitos e tumultos de regiões inteiras do império, que resultou em guerras civis ou, que em alguns casos, levou muitas delas à conseguir a independência.
Outro elemento que colaborou para essa crise foi a situação por que passavam as legiões romanas daquele tempo, pois a mínima parte delas, eram constituídas por cidadãos romanos (como era no período republicano), a maioria dos legiões se compunha por soldados mercenários, especialmente formada por recrutados provenientes das tribos germânicas, que se alistavam por dinheiro, mas, sem patriotismo estavam sempre prontos para se colocar ao serviço daqueles que mais pagavam.

Legionários em batalha


Com as guerras e as consequentes destruições chegaram a fome e as epidemias, as quais favoreceram a um declínio da população, que por sua vez causava uma maior crise econômica, pela diminuição da produção de alimentos e enfraquecimento do comércio.
A crise marcou substancialmente a história do Império Romano pelo espaço de dois séculos, com períodos de alguma recuperação, alternados com outros de declínio. 
Para enfrentar e reprimir esses ataques vindos de fora, que ocorriam em várias frentes, se fazia necessária  a presença nesses locais do próprio imperador, pois ele era também o comandante supremo das legiões. Às vezes o imperador enviava  seu representante, para regiões distintas, muitas vezes bastante distantes de Roma. 
No ano de 286 d. C. o imperador Diocleciano dividiu o império de duas partes, o Império Oriental e o Ocidental, designando para governa-los dois imperadores, os quais tinham o título de Augusto. Cada um deles estava auxiliado por um príncipe, aos quais receberam o título de César, estes destinados a se tornarem seus legítimos sucessores. A esses quatro mandatários foi dado o nome de tetrarcas.

Estas estátuas de pórfiro, esculpidas no IV século d.C., estão localizadas do lado esquerdo do portão principal, na entrada da Basílica de São Marcos, em Veneza, é são comumente interpretados como os quatro primeiros tetrarcas romanos, ou seja, os Augustos Diocleciano e Maximiano que abraçam os Césares Galério e Costanzo Cloro


Quando Constantino se tornou imperador no ano 306, a divisão do império em dois foi abolida, mas, logo no ano de 395, ocasião da morte  do imperador Teodósio, foi definitivamente restabelecida. À partir de então, havia dois impérios romanos:

1 - Império do Ocidente, que naquele tempo era o menos rico devido à presença de imensos latifúndios que dificultavam o  desenvolvimento da agricultura e também mais fraco devido aos inúmeros contrastes sociais internos entre cristãos e pagãos;

2- Império do Oriente, também chamado de bizantino, que indicava o antigo empório grego, no qual o imperador havia fundado a cidade de Constantinopla, escolhendo-a como a nova capital do império. Nesta o poder imperial e as  atividades econômicas eram muito mais estáveis ​​e desenvolvidas, portanto bem mais rico.
Os dois impérios tiveram destinos diferentes.



O Arco de Constantino em Roma foi construído para homenagear a vitória do imperador Constantino contra Maxêncio, que se auto proclamou imperador