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segunda-feira, 7 de agosto de 2023

A Emigração Vêneta para o Brasil: Um Capítulo Emocionante da História da Imigração Italiana


 

Durante os últimos 25 anos do século XIX e início do XX, houve uma significativa imigração de pessoas vindas da região do Vêneto para o Brasil. Isso fez parte de uma grande onda de emigração para o nosso país vinda da Europa, que incluiu muitos italianos. A emigração italiana para o Brasil e de outros países europeus deixou um impacto duradouro na cultura e na demografia brasileira. Hoje, ainda existem comunidades no Brasil que falam um dialeto com grande carga da língua vêneta, chamado Talian, criado aqui mesmo pelos imigrantes italianos que chegaram ao Rio Grande do Sul. Quando as primeiras levas de colonos começaram a povoar as colônias localizadas na Serra Gaúcha, a Itália como conhecemos atualmente, só existia há apenas nove anos, ainda um país muito jovem, sem uma consciência nacional, um reino que ainda não sabia o que era ser uma nação. Com a unificação foi criado o país chamado Itália e agora era necessário criar os italianos. Poucos sabiam falar em italiano, a língua oficial do recém criado país, moldada sobre a estrutura do dialeto toscano, o mais erudito de então, com variada literatura e conhecidos escritores florentinos como Petrarca, Dante Alighieri e Boccaggio. O povo, do país Itália, no entanto, falava somente os seus inúmeros dialetos, característicos das suas regiões e muitas vezes até diferentes dentro de algumas delas. Os imigrantes vênetos e de outras partes do norte italiano, falavam dialetos algumas vezes incompreensíveis entre eles sendo preciso criar uma língua, o Talian, para se comunicar entre si nas remotas e isoladas colônias do Rio Grande do Sul. Os casamentos entre imigrantes italianos de regiões diferentes criava situações embaraçosas dentro da própria casa. Com a criação e uso do Talian esses problemas desapareceram. 

A emigração dos vênetos em direção ao Brasil, no final do século XIX, fez parte de uma grande onda de imigração italiana para o nosso país. A primeira onda de emigração italiana ocorreu em decorrência a uma crise agrícola, o que levou mais de cinco milhões de pessoas, principalmente do norte da Itália, a emigrar para outros países europeus e para a América Latina. Pobreza, falta de emprego e de renda foram os principais motivos que estimularam italianos do norte e do sul a emigrar. Os vênetos foram os primeiros a deixar a Itália, cerca de 30% do total, seguidos por habitantes da Campânia, Calábria e Lombardia. A imigração italiana para o Brasil foi muito importante para o desenvolvimento econômico e cultural da região. As condições econômicas no Vêneto na época da emigração foram afetadas por uma crise agrícola que levou mais de cinco milhões de pessoas, principalmente do norte da Itália, a emigrar para outros países europeus e para a América Latina. Segundo os resultados de várias pesquisas, os principais motivos que levaram os vênetos a emigrar para o Brasil foram a pobreza, a exclusão das classes rurais, a fome e o desejo de possuir terras, o chamado "sonho da propriedade" profundamente arraigado há muitos anos na mente dos pobres trabalhadores rurais vênetos. O sonho da propriedade influenciou os pequenos agricultores do Vêneto na decisão de empreenderem a grande emigração para o Brasil, pois eram pequenos proprietários, locatários, meeiros e trabalhadores rurais diaristas que buscavam melhores oportunidades. No Brasil, desde a chegada, eles podiam adquirir títulos de propriedade e se tornar donos de seus próprios lotes de terra, o que não era possível na Itália. Esse sonho de propriedade foi um poderoso motivador para os camponeses vênetos emigrarem para o Brasil. Além disso, o governo brasileiro começava a implementar políticas de incentivo à agricultura familiar, o que ajudou pequenos agricultores a adquirir terras e se tornarem autossuficientes. 

Conforme pesquisas e trabalhos já publicados, a região do Vêneto, na época da Sereníssima República, experimentou um declínio na prosperidade a partir do final do século XVI. Durante o Renascimento, Veneza tornou-se uma rica nação comercial, o que permitiu o florescimento das artes. O dinheiro em Veneza consistia principalmente em ouro ou prata, e a economia dependia fortemente do fluxo desses metais. Veneza teve que desenvolver um sistema altamente flexível de moedas e taxas de câmbio entre moedas compostas de prata e ouro para preservar e aprimorar seu papel como plataforma giratória do comércio internacional. O comércio de trigo e painço também era importante para a riqueza do patriciado. No século XIX, o comércio veneziano foi regulado pelos conquistadores da cidade, primeiro a Áustria, depois a Itália. A grande emigração do final do século XIX foi o ápice de um processo que se iniciou muitos anos antes resultado de vários fatores importantes, incluindo as estruturas econômicas e sociais da América do Sul. Muitos italianos fugiram das perseguições políticas na Itália lideradas pelo governo imperial austríaco após os primeiros fracassos da unificação. Os imigrantes europeus brancos e de religião católica foram pensados pelas autoridades imperiais para "melhorar" o "choque étnico" no Brasil, ou conforme se pode ler em alguns documentos do período: para o branqueamento do país. Os alemães foram a primeira opção, especialmente por terem experiência militar. Pelo fato deles não se integrarem muito bem nas comunidades onde foram assentados, refratários a miscigenação, persistindo em manter a sua língua, religião e costumes, o governo imperial deu preferência aos imigrantes italianos. O desejo de possuir terras foi um fator significativo na migração de emigrantes rurais do norte da Itália. Os vênetos foram os primeiros a emigrar da Itália, cerca de 30% do total dos emigrantes, seguidos por aqueles da Campânia, Calábria e Lombardia. 

A primeira grande migração da história moderna foi a italiana, começando com pessoas da região do Vêneto em 1875, quando começaram a deixar a Itália e se estabelecer na Argentina, EUA, mas acima de tudo no Brasil. Os italianos foram viver em colônias relativamente bem desenvolvidas no sul do Brasil, mas no sudeste, eles viviam em condições de semiescravidão nas grandes plantações de café. Não há informações específicas disponíveis sobre as condições econômicas do Vêneto que levaram à emigração para o Brasil, com certeza uma pobreza em crescimento e falta de postos de trabalho para todos. No entanto, sabe-se que a região do Vêneto forneceu a maior cota de emigrantes para o Brasil, seguida pela Campânia. Os imigrantes vênetos trouxeram suas mudas de parreiras para o Brasil e plantaram grandes vinhedos, cultivaram milho, trigo, frutas e legumes, moldando o terreno acidentado em áreas de terra cultivada. As comunidades que falam Talian ainda existem no Brasil e representam uma parte importante da herança cultural italiana no país. A imigração italiana para o Brasil, incluindo a emigração vêneta do século XIX, teve um impacto duradouro na cultura e na demografia brasileira. A imigração italiana para o sul do Brasil foi especialmente importante para o desenvolvimento econômico e cultural dos três estados da região. Os imigrantes transformaram o sul do Brasil de uma área de colonização em uma das regiões mais ricas e desenvolvidas do país. Por outro lado, muitos imigrantes italianos, também entre eles muitas famílias vênetas, que se estabeleceram em fazendas de café no sudeste do Brasil viveram em condições semi-escravas pelo fato de não terem acesso à propriedade: continuaram aqui no Brasil sujeitos a um patrão que dirigia as suas vidas. Para sair dessa situação, para poderem deixar as fazendas precisavam primeiro cumprir os quatro anos de trabalho, obrigatório por contrato e saldar todas as dívidas que tinham contraído com os donos das terras, desde a viagem para o Brasil, assim como as outras possíveis despesas custeadas pelo patrão ao longo do período de permanência na fazenda. 

Embora não haja informações específicas disponíveis sobre as condições econômicas no Vêneto que levaram à emigração para o Brasil, é sabido que a região de Veneto forneceu a maior cota de emigrantes para o Brasil, seguida por Campania. Os motivos principais que estimularam a emigração foram a pobreza, a falta de emprego e a renda insuficiente. 

Hoje em dia, a região de Vêneto continua a ser uma terra de emigração como no passado, se bem que muito diferente, desta vez são os cérebros mais privilegiados, os profissionais mais bem formados que procuram colocação de trabalho em outros países. O Vêneto hoje é uma terra de imigração, recebendo a cada ano milhares de trabalhadores de outras regiões do país e principalmente do exterior, que buscam, no seu grande parque fabril, uma oportunidade de trabalho. Muitos habitantes do Vêneto emigraram para construir novas vidas em outros lugares devido à pobreza e falta de perspectivas de futuro antes das melhorias econômicas que aconteceram na região a partir dos anos 60 do século XX. Os imigrantes vênetos do século anterior deixaram sua marca no Brasil e ainda são lembrados por sua grande contribuição à cultura e ao desenvolvimento econômico do país.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS

    


sábado, 8 de julho de 2023

Embarque dos Sonhos: A Epopeia dos Emigrantes Vênetos

 




Nas águas rebeldes do oceano, um canto murmura em meus ouvidos, 
Histórias de emigrantes, aventuras de vida entre ondas e céus. 
Navegavam os corajosos vênetos rumo ao desconhecido, 
Levando esperanças, sonhos e o coração cheio de voto.

Mas nem tudo era sereno, o destino adverso agia, 
Doenças e pestes infestavam o navio, suspira. 
As epidemias impávidas dançavam entre os passageiros, 
Ceifando vidas, apagando sorrisos, como tristes mensageiros.

A triste travessia, com destino desconhecido adiante, 
A terra distante, promessa de um novo encanto, 
Mas a morte pairava, invisível e implacável, 
Roubando sonhos e esperanças, lágrimas sulcando o rosto amável.

As famílias se abraçavam, corações angustiados, 
Observavam seus filhos, frágeis seres que a peste assolava. 
Não podiam desembarcar, o Rio de Janeiro era proibido, 
A cólera se espalhava, maldita, implacável sopro destemido.

O mar devolvia os emigrantes, como um cruel bumerangue, 
Retorno à pátria, de mãos vazias e corações em frangalhos. 
As famílias desesperadas, esperanças despedaçadas como cristais, 
O destino havia brincado, cruel, entre mil ais.

Contudo, entre lágrimas e dores, 
Resiliência e coragem brilhavam, um fogo de valores. 
Os emigrantes, apesar de tudo, não se rendiam, 
No coração, a chama viva, o amor e a fé que mantinham.

Agora, recordemos essas almas fortes e corajosas, 
Que enfrentaram tempestades e doenças medonhas. 
Seu sacrifício, sua luta contra o desconhecido, 
Permanecem na história, tesouros valiosos, jamais esquecidos.

Aquelas embarcações de dor, entre as ondas do oceano infinito, 
Levavam sonhos quebrados e esperanças de um mundo florescido. 
Na memória daqueles emigrantes, perpetuamos sua história, 
E prestamos homenagem à sua força, à sua memória.

Nas águas rebeldes do tempo, suas vozes ecoam, 
Atravessando séculos, como um eterno perdurar. 
As epidemias, as doenças e a morte não podem apagar, 
O legado daqueles emigrantes, sua vontade de lutar.

Assim, no dialeto vêneto, quero cantar, 
As peripécias de nossos antepassados, a árdua travessia pelo mar. 
Lembremo-nos deles com amor, como estrelas que brilham no céu, 
Emigrantes corajosos, guardados em nossos corações, eternamente fiéis.


de Gigi Scarsea
erechim rs



domingo, 28 de fevereiro de 2021

A Primavera Itálica



Na Itália, em tempos antigos, os romanos tinham um hábito, que punham em prática quando uma cidade sofria alguma calamidade, de mandarem partir os jovens nascidos nos meses de março e abril, consagrados ao deus Marte. Era o modo usado para se salvar do massacre mandando-os para o exílio através da emigração, com o dever de continuar em um novo local, a vida de um povo ameaçado pela destruição. A última dessas extraordinárias emigrações que chegaram ao conhecimento aconteceu em Roma no ano 194 a.C. quando o exército romano foi derrotado por Anibal, na batalha do lago Trasimeno, e a notícia quando chegou em Roma transtornou a grande cidade. 

Os dicênviros (este era o nome dado a cada um dos dez magistrados da República Romana encarregados de codificar as leis) consultaram os livros Sibilinos (uma coleção de respostas dadas pelos oráculos, escritas em grego e preservadas no templo do Capitolino Júpiter, no Monte Capitolino, e depois transferidos, por Augusto, para o Templo de Apolo Palatino), e decretaram, por unanimidade do senado, a chamada "primavera itálica". Os jovens nascidos nos meses de março e abril daquele ano, quando completassem 21 anos de idade, seriam mandados para o exílio: cabia a esses jovens a salvação da pátria, seguindo a dura estrada da emigração.

Era com esse hábito que as antigas população italianas procuravam se salvar. Para isso sacrificavam aos deuses um punhado de jovens. Os sacrificavam mas, ao mesmo tempo os mantinha a salvo. O preço que esses jovens deviam pagar era deixar a sua terra, as suas famílias e andarem para longe. 




Na grande emigração do século XIX podemos vislumbrar traços daquele antigo costume romano: a Itália estava em perigo e muitos foram mandados para longe. Diferente da antiga tradição, essa emigração foi um êxodo anônimo, uma viagem confusa e sem contar com a intervenção do Parlamento para guiar os seus passos. Os emigrantes foram os escolhidos para salvar o povo, para afastar a iminente ameaça que se abatia sobre a Itália, que os abandonou, fazendo-os partir e pouco se importando com o seu destino. 






A partida desses milhões de italianos no entanto não foi inútil, a emigração salvou realmente a Itália e mudou para melhor os italianos. Realmente, foi do sacrifício desse grande número de emigrantes, da sua saída forçada em direção ao exterior, que foi dada a partida para o renascimento da Itália.




Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS

domingo, 3 de janeiro de 2021

Início da Emigração Vêneta



Até o ano de 1875 a população do Vêneto não pensava muito em atravessar o grande oceano em emigração para o Novo Mundo. Poucos tinham se aventurado até então nessa longa e perigosa viagem e  não eram os mais pobres e sim os pequenos proprietários de terra que já não conseguiam mais cumprir com os seus compromissos. Estavam mais atentos no que ocorria na Itália e nos demais países e saíram na frente. Vender as suas pequenas propriedades  e emigrar para a América, o Novo Mundo, com suas intermináveis riquezas, que se abria. 

A situação econômica da Itália se deteriorava rapidamente e muitas coisas estavam mudando, principalmente, para aqueles mais pobres, que agora já podiam pensar em viajar sem ter o dinheiro para os bilhetes de navio. Essa despesa agora seria paga pelos países que estavam recrutando mão de obra no Vêneto. Assim partiram em massa, para a Argentina emigrantes da Liguria, Lombardia e Piemonte. Os vênetos no entanto foram atraídos pelo Brasil, com os seus amplos espaços vazios, suas grandes florestas e as grandes plantações de café. Os primeiros vênetos a deixarem o país foram os pequenos agricultores provenientes do vale do Brenta, da Valsugana, de Belluno e de Feltre que, em 1876 em número de 275 pessoas, com eles Don Domenico Munari, até então o pároco de Fastro. Em 1877 partiu um outro grupo formado pelo padre Angelo Cavalli com 200 famílias, recrutados no vale do Brenta, Enego e Maróstica, que se dirigiram para o Paraná. Partiram, naqueles primeiros anos da emigração, cerca de 2.000 agricultores de toda essa parte do Vêneto, quase todos vicentinos e trevisanos, em direção ao mítico Brasil, em busca da cucagna

Povo religioso e respeitador, os vênetos foram ensinados durante séculos, pela igreja católica e forçados pelos senhores, a calar sempre, a obedecer sempre. Assim não tiveram o ímpeto de se rebelar e lutar, como aconteceu em outras regiões da Itália, contra as autoridades e os patrões. Tinham consciência que estavam sendo rápido e impiedosamente expulsos das suas terras, mas, os culpados eram sempre os seus patrões e não a difícil situação político econômica que o Vêneto precisou suportar, principalmente, nos primeiros anos da sua anexação pelo reino da Itália. 

A resposta dos vênetos, para essa situação crônica de pobreza e subserviência em que estavam vivendo, foi a emigração definitiva para o Novo Mundo, um verdadeiro movimento de libertação, que pode ser considerado como um ato revolucionário, uma forma de protesto ao estado italiano, aos odiados senhores,  os proprietários das terras, sem recorrerem ao uso da violência. Se moveram vilas inteiras, partindo muitas vezes no escuro, em silêncio, como se estivessem fugindo. Saíam dando vivas à América e morte aos insaciáveis patrões! Nós vamos para o Brasil e agora caberá aos senhores proprietários, aos patrões, trabalharem as suas terras, diziam os emigrantes em forma de desafio. 

A partida foi vivida, sem dúvida, como um acontecimento doloroso, mas, por outro lado, necessário. Rompeu uma secular situação de miséria sem fim e de vergonhosa subserviência, abriu as portas para esperança. 



Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS

quinta-feira, 2 de maio de 2019

L'epopea della emigrazione veneta



L'epopea della emigrazione veneta
Giovanni Meo Zilio

1. Brasile venetofono e condizioni generali della prima emigrazione

La prima emigrazione organizzata in partenza dal Veneto (in buona parte dalla provincia di Treviso e, in minor misura, dalla Lombardia e dal Friuli, risale al 1875. Infatti a partire da quell’anno cominciarono ad arrivare in Brasile - negli stati di Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paranà, Espirito Santo, e soprattutto nella cosiddetta “zona di colonizzazione italiana” ubicata nel Nordest del primo stato, che oggi ha per centro economico, commerciale e culturale la fiorente città di Caxias do Sul con circa 500.000 abitanti: miracolo di sviluppo e modello di “un altro veneto” trapiantato e cresciuto oltre oceano. Ad esso vanno aggiunte altre correnti emigratorie, soprattutto in Argentina e Uruguay, dove molti italiani erano già presenti da prima, e, in minor misura, in minor paesi come il Messico.
Le cause principali del fenomeno emigratorio furono, com’è noto, la miseria e l’emarginazione delle classi rurali dell’epoca, se non addirittura la fame, insieme al sogno della proprietà della terra da parte dei nostri contadini (allora veri “servi della gleba”), spesso ingannati da fallaci propagande interessate, favorite, a loro volta, dall’ignoranza commista alla speranza che è sempre l’ultima a morire. Ma va tenuto conto anche di quell’insop-primibile spirito di avventura, quell’attrazione verso il nuovo e il lontano che da sempre ha agito sull’umanità e che spesso viene trascurato dagli storici dell’emigrazione.
La traversata atlantica in quell’epoca (nel fondo delle stive) fu da sola una epopea che ancora è presente nella memoria collettiva, tramandata in episodi struggenti nei ricordi dei vecchi e nella copiosa letteratura popolare, soprattutto veneto-brasiliana (canti, poesie, racconti), che, a partire dalle celebrazioni del centenario della prima emigrazione “in loco” (1975), è esplosa qua e là anche in forme stilisticamente pregevoli. Così pure rimane nella memoria collettiva l’epopea delle inenarrabili condizioni di arrivo e di insediamento e le lotte della prima generazione per disboscare a braccia la montagna, per difendersi dagli animali feroci, dai serpenti, dagli indios, dalle malattie, per costruire dal nulla strade e abitazioni, per affrontare continuamente la paura che diventava un’ossessione…



Questa storia di illusioni e di sofferenze, di eroismo e di umiliazioni, questa “storia interna” della nostra emigrazione, che rappresenta il rovescio della storia esterna di cui, più che altro, si sono occupati gli studiosi, è ancora tutta da approfondire.
Per quanto riguarda il sud del Brasile, che può essere considerato emblematico, un primo gruppo di emigrati arrivò, dopo indicibili peripezie e sofferenze a quella che oggi si chiama Nova Milano, nei pressi di Caxias do Sul. Dal porto di Porto Alegre essi proseguivano in barconi lungo il rio Caì e poi a piedi, per chilometri e chilometri, attraverso la selva, con le poche masserizie sulle spalle, facendosi strada a forza di “machete”, fino a raggiungere i terreni loro assegnati proprio nella foresta, a nord dei territori pianeggianti e più fertili occupati dalla emigrazione tedesca 50 anni prima. Si può immaginare il costo umano di tutto ciò dopo che essi avevano tagliato i ponti dietro di sé, vendendo i loro poveri averi prima di partire dall’Italia.
Le tracce della prima colonizzazione si possono vedere ancora oggi in molti nomi di luoghi, come la citata Nova Milano, Garibaldi, Nova Bassano, Nova Brescia, Nova Treviso, Nova Venezia, Nova Padua, Monteberico...; mentre altri come Nova Vicenza e Nova Trento hanno cambiato successivamente i loro nomi originari nei nomi brasiliani di Farroupilha e Flores da Cunha in periodi caratterizzati da xenofobia. Tale xenofobia del governo centrale arrivò al punto che, negli anni dell’ultima guerra, a quei nostri immigrati che non sapevano parlare il brasiliano, fu proibito (pena l’arresto) di parlare la loro lingua veneta, con le conseguenze morali che è facile immaginare, oltre alle difficoltà pratiche (le quali spesso sfociavano nel tragicomico!) che tutto ciò produsse fra quella povera gente emarginata a cui era tolta perfino la parola...
Si tratta comunque di un fenomeno imponente - in Brasile come in Argentina, sia per estensione, sia per popolazione (nell’ordine dei milioni di discendenti), sia per la omogeneità e vitalità - il quale per più di un secolo è stato trascurato se non ignorato dal governo italiano e dalle sue istituzioni.
La stragrande maggioranza delle prime correnti immigratorie era composta di contadini che impiantarono nel nuovo territorio le colture e i metodi agricoli tipici delle loro zone di provenienza (a cui si aggiunsero artigiani e commercianti). La cultura che si impose sulle altre fu quella della vite con la conseguente industrializzazione del vino e degli altri derivati dell’uva, che ancor oggi rappresenta la maggior fonte di ricchezza dello Stato brasiliano del Rio Grande do Sul, che rifornisce tutto il Brasile. 
Andando per le campagne si trovano ancora vitali certi antichi strumenti (da noi ormai quasi scomparsi) dell’agricoltura dell’800 e della vita domestica di allora (a Nova Padua, nei pressi di Caxias, il monumento all’immigrante, sulla piazza del paese, è rappresentato solennemente da una vera e propria “caliera de la polenta” su un imponente piedistallo). L’alimentazione nelle campagne è ancora sostanzialmente quella tradizionale del Veneto a cui si è aggiunto l’autoctono e immancabile “churrasco” (carne alla brace).


La religione è tuttora intensamente seguita e sentita, anche perché il clero cattolico e l’organizzazione religiosa hanno accompagnato, fin dal primo momento, le sorti degli emigranti. Basti pensare che le “cappelle” sono state fino ad oggi i principali centri comunitari nella “colonia” (leggasi campagna) non solo religiosi ma anche di organizzazione sociale e culturale, e che intorno ad esse si sono formate via via le parrocchie e i municipi. In anni recenti i villaggi dove non vi era un parroco stabile si poteva assistere a scene, per noi incredibili, come quella della popolazione riunita in un capannone che fungeva da chiesa, a celebrare i riti religiosi senza nessun sacerdote e sotto la guida di quello che viene chiamato il “prete laico”, con la partecipazione attiva e solenne degli anziani del paese.

Chi vive in “colonia”, e ha conservato per lo più il mestiere e le tradizioni dei primi emigranti, fino a poco tempo fa era ancora considerato come emarginato e guardato con sufficienza persino dagli stessi discendenti di veneti abitanti nelle grandi città. Solo da qualche decennio, da quando sono ripresi i contatti effettivi con l’Italia, si sta risvegliando ed estendendo una coscienza in positivo delle proprie origini (non più opaco, lontano mito da dimenticare) con una spinta a ritrovare la identità storica: una ricerca, spesso struggente, delle proprie fonti per ripristinare quel “cordone ombelicale” che era rimasto tranciato da oltre 100 anni.




Il fenomeno più imponente all’interno di questa “storia di immigranti senza storia”, come qualcuno l’ha malinconicamente definita, è il mantenimento, dopo un secolo, della propria lingua di origine (il veneto), a livello familiare, interfamiliare e, in determinate occasioni (feste, ricorrenze, giochi, riunioni conviviali, ecc.) anche a livello comunitario; con un grado di vitalità e di conservazione, nelle campagne, che spesso supera addirittura quello del Veneto d’Italia il quale, com’è noto, è ancora ben radicato fra di noi. Si tratta di quella che i dialettologi chiamano un’ ”isola linguistica”, relativamente omogenea, dove la lingua veneta ha finito col trionfare sul lombardo e sul friulano, estendendosi come una “koinè” interveneta all’interno di un contesto eterofono (il lusobrasiliano). Essa ci consente di ricostruire, come “in vitro”, dopo tre o quattro o anche più generazioni, la lingua dei nostri nonni e bisnonni, soprattutto per gli aspetti orali non documentati come la pronuncia e l’intonazione, o per l’uso di certi proverbi, modi di dire, canti dell’epoca. Così, attraverso la storia delle parole (quelle conservate, quelle alterate e quelle sostituite) possiamo ricostruire alcuni spaccati della storia (spesso commovente) di quelle comunità. Essa, a sua volta, rappresenta uno squarcio drammatico e appassionante della storia d’Italia e della storia del Brasile.
Chi scrive queste righe è un vecchio emigrante che ha provato personalmente quello che molte centinaia di migliaia di compatrioti hanno vissuto: testimone diretto della situazione di quanti, nell’ immediato ultimo dopoguerra, hanno attraversato l’oceano accalcati nella stiva di vecchie Liberty, residuato di guerra, dormendo in letti a castello di quattro o cinque cuccette disposte in verticale, con un caldo incredibile ed in condizioni infernali di promiscuità. Egli ha girato in lungo e in largo le Americhe per molti anni, dagli aridi altipiani del Messico fino alla desolata Patagonia argentina. Per molti anni in veste di emigrato e poi di studioso e di ricercatore. Come tanti altri emigranti ha vissuto in carne propria il dramma del trapianto, la mortificazione degli affetti, l’ ansia di tante illusioni, il naufragio di tante speranze. Non ignora quindi, accanto alla portata storica del fenomeno migratorio, il dolore, la fatica e il coraggio che lo hanno accompagnato, anche perché, pure lui, ha cominciato dalla gavetta - come si suol dire - svolgendo lavori manuali di sopravvivenza. Ma la sua storia personale è poca cosa rispetto alla storia generazionale delle nostre comunità che hanno vissuto, soprattutto nell’ immenso Brasile, un’epopea inenarrabile di lotte, sacrifici, in condizioni di vita infraumane (in particolare le prime generazioni); epopea trasmessa oralmente (perché nella maggior parte dei casi si trattava di gente che non sapeva leggere né scrivere) di padre in figlio, anzi di madre in figlia perché le donne, come sempre, sono le depositarie delle tradizioni più vitali ed essenziali. Le prime generazioni affrontarono, come si è detto, sacrifici inenarrabili, abbandonate nelle foreste; senza Lari e senza Penati, cioè senza casa e senza famiglia, costrette a sopravvivere in condizioni drammatiche. Persino senza la parola, come si è detto più sopra: senza parola non c’è identità, non c’è comunità né comunicazione, quindi non c’è vita che possa dirsi umana. Ma essi hanno resistito a denti stretti con dignità e coraggio malgrado le umilianti e brucianti condizioni di inferiorità. 
Non solo nel Brasile, ma anche in Argentina, e altrove soprattutto i veneti, i lombardi e i friulani, i cosiddetti polentoni (si ricordi che “polenta”, nel rioplatense popolare, è passata a significare forza, coraggio) assieme ai solidi piemontesi ed agli industriosi e parsimoniosi genovesi, hanno fornito, con le luci e le ombre naturali in tutte le cose umane, un contributo di progresso al paese che li ha accolti. Essi hanno conservato nel cuore fin dall’ultimo quarto del secolo scorso il sogno ed il mito della madre patria, della madre-matrigna che li ha abbandonati per più di cent’anni. Loro hanno invece continuato a rimembrarla ed a sognarla nei filò interminabili delle stalle contadine, nell’accorata e discreta intimità familiare, nelle commosse riunioni comunitarie, nelle umili preghiere quotidiane. 
Attraverso le generazioni hanno conservato incredibilmente la loro lingua, gli usi, i costumi, i riti, le feste, i balli, i giochi (il tresette, le bocce, la mora, la cuccagna). Giochi conditi da certe nostre espressioni paesane, ormai non più blasfeme, perché eufemistizzate, come “Ostrega!”, “Ostregheta!” o “Sacramenta!”. Si sentono ancora i canti comunitari di una volta, che noi in gran parte abbiamo perduto, e che li hanno aiutati moralmente a vivere, a sopravvivere: nei paesi più sperduti. Nelle piazze di alcuni paesi abbiamo troviamo, come monumenti, oltre alla ”caliera” della polenta, come già detto, la carretta o la carriola, la gondola veneziana, il leone di S. Marco (addirittura il simbolo del Municipio di Octavio Rocha, nel Rio Grande do Sul, rappresenta il leone di S. Marco che tiene stretto nella zampa il grappolo d’uva al posto del libro tradizionale!).
Quelle persone, con il sacco sulle spalle (con la valigia di legno in un secondo tempo e di cartone in un terzo), fin dal secolo scorso hanno alleviato la nostra pressione demografica, hanno reso un servizio storico all’Italia, ci hanno alleviati dalla fame, soprattutto dopo la seconda guerra mondiale, con le loro rimesse, ed oggi acquistano “in primis” prodotti italiani e quindi potenziano il commercio e l’economia del nostro paese. Si valuta in oltre 100.000 miliardi l’indotto proveniente dalla collaborazione economica dei nostri emigrati. 
Questa gente è sangue del nostro sangue, gente che ha sofferto moralmente e materialmente l’emarginazione secolare e dalla quale abbiamo anche qualcosa da imparare o da reimparare: quei valori che oggi in gran parte si vanno dimenticando.
L’Italia, oggi, non può non onorare il suo debito secolare, storico, morale e politico.
Giovanni Meo Zillo era professore Emerito di Letteratura Ispano-Americana dell’Università di Venezia. Ha pubblicato saggi e articoli sull’argomento di cui è studioso.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Veneza e San Marco o Evangelista



Veneza e San Marco o Evangelista 

Judeu de família rica, nascido no século I, provavelmente na Palestina. Foi missionário no Oriente e Roma, onde teria escrito o Evangelho. No ano de 66, da prisão, S. Pedro escrevendo a Timoteo nos fornece as últimas informações a respeito de Marcos, que morreu possivelmente no ano 68, em Alexandria, Egito. Seus restos mortais estavam em uma igreja dessa cidade que foi incendiada pelos árabes no ano de 644 e posteriormente reconstruída pelos Patriarcas da Alexandria até 689. 

A lenda diz que no ano de 828, neste local, chegaram dois mercadores venezianos, Buono da Malamocco e Rustico da Torcello, que se apoderaram dos restos mortais do Evangelista e os levaram para Veneza, aonde chegaram em 31 de Janeiro de 828. Os despojos de Marcos foram recebidos com grande honra pelo Doge Giustiniano Partecipazio, que era filho de Agnello e sucessor do primeiro doge das ilhas de Rialto. No ano de 832 foi concluída, pelo Doge Giovanni, irmão e sucessor de Giustiniano, a construção de uma basílica para receber definitivamente os restos mortais do santo a qual passou a ser chamada de Basílica de Marcos. No início a esplendida construção em mármore, repleta de ouro e pedras preciosas de todo o Oriente, teve alguns contratempos, tendo sofrido um incêndio no ano de 976, provocado por uma revolta popular contra o Doge Candiano IV, que tinha se refugiado com seu filho dentro da basílica. 

Na ocasião os revoltosos também, destruíram e incendiaram o vizinho Palazzo Ducale, moradia e sede do governo da Sereníssima República de Veneza. No ano de 976-978, com o seu próprio dinheiro, o Doge Pietro Orseolo I reformou tanto a Basílica como o Palácio Ducal. Mais tarde, no ano de 1063, por ordem do Doge Domenico Contarini I foi dado início a mais uma reforma da Basílica, a qual foi completada pelo seu sucessor Doge Domenico Selvo (1071-1084). No ano de 1071, São Marcos foi escolhido para ser o titular da basílica e patrono da Sereníssima República de Veneza, em substituição a São Teodoro, que até o século XI tinha sido o santo protetor de Veneza. 

A Basílica foi solenemente consagrada no dia 25 de Abril de 1094 durante o governo do Doge Vitale Falier. Na ocasião, depois da missa celebrada pelo bispo, foram rompidas algumas placas de mármore de uma coluna e encontrada uma caixa com as relíquias. A partir daí a República de Veneza permaneceu indissoluvelmente ligada ao seu patrono, sendo que o seu conhecido símbolo, o Leão Alado, passou a fazer parte do estandarte da Sereníssima República de Veneza, junto os dizeres inscritos no livro: “ Pax tibi Marce, evangelista meus”. 


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Pobres Feios e Sujos




Poveri Brutti e Sporchi

Arrendatários de minúsculos terrenos, vergados por altos aluguéis, atrasados métodos agrícolas, baixa fertilidade da terra. Trabalhadores esfalfados pelos míseros salários e escasso emprego. Eram agricultores que perdiam as terras, incapazes de pagarem os novos impostos.
A unificação aprofundara a incorporação da península ao mercado mundial, determinando a queda dos preços dos grãos e o retrocesso do artesanato rural. Mesmo no Norte, a indústria não absorvia a população expulsa do campo. Morria-se de fome na Itália.
Enchentes, secas, invernos duros, epidemias vergavam definitivamente famílias vivendo na quase indigência. A temida pelagra era síntese dos males sociais peninsulares. Com sequelas cutâneas, gastrointestinais e nervosas, a doença devia-se a uma dieta baseada nos cereais e em quase nenhuma proteína animal. No inverno, famílias inteiras alimentavam-se apenas de polenta. A caça ao passarinho era desesperado recurso dos pobres do campo contra a inanição, e não o atual refinamento gastronômico politicamente incorreto. Em 1881, no Vêneto, havia mais de 55 mil pelagrosos.
Greves de trabalhadores e de arrendatários, incêndios de plantações, associações rurais, movimentos messiânicos de cunho comunista-distributivo agitavam os campos sem vencer a coesão das classes ruralistas. Desesperados, homens sozinhos, famílias isoladas, grupo de parentes, aldeias inteiras partiam para o Novo-Mundo.
A rescisão dos arrendamentos e o abandono dos empregos eram vistos como libertação. A despedida assumia cunho quase revolucionário. Emigrantes percorriam estradas, malas às costas, aos gritos “Viva l’America, morte ai padroni!” No Novo-Mundo não havia senhores! Melhor ainda, na terra da cucagna, país do leite e do mel, todos seriam patrões!
Em 1875, há precisamente 133 anos, chegava a primeira grande leva de imigrantes do norte da península destinada à Encosta Superior da Serra. Na época, o Rio Grande do Sul era uma província atrasada, com a economia exportadora apoiada sobretudo nas carnes salgadas e couros, produzidos por trabalhadores escravizados.
Como ocorrera para a imigração alemã, que ocupara o pé da Serra, a partir de 1824, o movimento colonizador fora iniciativa e obra do poder central, interessado em incentivar a ocupação de territórios e a produção de gêneros alimentícios e de recrutas para os exércitos.
Como no resto do Brasil, os proprietários rurais sulinos viam com desgosto e opunham-se à chegada dessas multidões de miseráveis que não se empregariam nos latifúndios, pois receberiam terras financiadas, onde trabalhar. A população pobre nacional ficou à margem da liberalidade imperial.
De 1875 ao início da I Guerra Mundial em 1914, oitenta mil italianos instalaram-se no Sul, como pequenos proprietários rurais, sobretudo. Essa multitudinária transferência de força de trabalho e democratização da posse da terra modificariam radicalmente a história do Rio Grande do Sul, livrando-o para sempre da maldição de tornar-se, no melhor dos casos, um Uruguai caboclo, no pior, um imenso Bagé!

                                                                                                            Artigo do Prof. Mário Maestri 

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Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS



quarta-feira, 28 de março de 2018

Curitiba destino final para a Maioria dos Imigrantes Vênetos no Paraná

Inauguração da Igreja São José da Colônia Santa Felicidade no ano de 1891


Com a falência dos projetos coloniais localizados no litoral paranaense, a capital Curitiba atraiu a grande maioria dos imigrantes que vieram se instalar nas novas colônias formadas ao redor da cidade.
Diversos foram os fatores que impediram o progresso daquelas colônias litorâneas, sendo que os principais foram:

1.  desorganização administrativa nas colônias;
2.  assentamentos em locais inadequados, com terrenos arenosos localizados em zonas propensas a enchentes;
3.  calor úmido, típico da região, que muito dificultava à adaptação dos colonos a nova terra;
4.  moradias precárias condições e falta de higiene nos barracões;
5.  locais na maioria úmidos, infestados por muitos tipos  insetos e parasitas desconhecidos dos imigrantes que provocavam doenças e desconfortos, tais como mosquitos e bicho-de-pé que causavam grandes sofrimentos aqueles pioneiros;
6.  insistência no plantio de culturas tradicionais europeias não recomendadas para a região;
7.  finalmente, e a causa principal, a falta de um mercado consumidor próximo para escoar os produtos agrícolas colhidos.

Assim, com o passar do tempo, aprendendo com os tropeiros que desciam com as tropas de mulas com destino a Morretes e ao Porto de Paranaguá, ficaram sabendo da existência de uma vila com terras melhores situadas ao redor de onde é hoje a capital do Estado. Assim, em ritmo cada vez maior, o êxodo foi aumentando em direção às terras férteis do planalto paranaense local onde o clima também era muito mais parecido com aquele que deixaram no Vêneto. A subida da Serra do Mar foi pela realizada pela Estrada da Graciosa, a pé e em carroças, e que durava alguns dias.
Ao que se sabe o governo da província não dificultou este grande deslocamento de imigrantes para a capital da Província do Paraná, tendo pelo contrário na maioria dos casos os ajudado com transporte em carroças.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS

Os Vênetos e a Abolição da Escravidão no Brasil Império




O Brasil imperial desempenhou um papel importante no processo emigratório vêneto na medida em que proporcionou uma oportunidade ímpar para aquele povo sofrido e desesperado que queria trabalhar e ser dono do seu trabalho.

O oferecimento de passagens gratuítas para o Brasil, no início do processo imigratório e terras a preços baixos, com pagamentos em prestações anuais e carência de alguns anos, foram os atrativos que faltavam para desencadear a grande imigração vêneta para o Brasil.

Para conseguir os vênetos, o governo imperial brasileiro deu a concessão para empresas especializadas de contratação dessa mão de obra excedente na Europa, para substituir o braço escravo nas lavouras de café.


Inicialmente os vênetos foram enviados para São Paulo, onde chegavam através do porto de Santos. Logo em seguida, foram também destinados para colônias agrícolas recém-criadas em Minas Gerais, Espírito Santo, e especialmente no Paraná e Rio Grande do Sul. 

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS