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sábado, 1 de agosto de 2026

A Roda dos Expostos - A História dos Filhos da Madonna na Itália


 

Os Filhos da Roda

"Nem toda criança abandonada foi esquecida. Algumas encontraram, do outro lado de uma simples roda de madeira, a primeira oportunidade de viver."


Poucas invenções da história carregaram tamanha contradição quanto a Roda dos Expostos. Era, ao mesmo tempo, a porta do abandono e a porta da esperança. Diante dela terminava uma maternidade impossível; do outro lado começava uma nova oportunidade de vida. Não havia alegria naquele gesto, mas havia compaixão. E, durante séculos, foi essa compaixão que impediu que milhares de recém-nascidos desaparecessem no silêncio das ruas.

Em Nápoles, ela ficou conhecida como Ruota dell'Annunziata, por estar instalada junto ao monumental complexo da Santíssima Annunziata, instituição dedicada ao acolhimento de crianças abandonadas. Na parede externa do edifício, discretamente posicionada à esquerda do grande arco renascentista de entrada, existia uma pequena abertura ligada a um cilindro de madeira que girava sobre o próprio eixo. Bastava colocar o bebê naquele compartimento, fazê-lo girar e tocar um sino. Quem permanecia do lado de fora jamais via quem o recebia.

O anonimato não era fruto da frieza, mas da necessidade. Muitas mães chegavam durante a noite, escondendo o rosto sob um lenço. Eram viúvas, jovens solteiras, mulheres marcadas pela extrema pobreza ou vítimas de circunstâncias que a sociedade da época condenava sem misericórdia. Para muitas delas, abandonar o filho naquela roda significava escolher entre a sobrevivência da criança e uma morte quase certa.

Logo abaixo da abertura, uma pequena escultura de mármore representava um anjo infantil. Ao lado dela, uma inscrição dirigia-se aos pais com palavras que misturavam reprovação e misericórdia: "Ó pai e mãe que aqui o deixais. Às vossas esmolas somos recomendados." Próxima à inscrição havia ainda uma estreita fenda destinada às ofertas, destinadas a sustentar a obra assistencial mantida pela confraria responsável pelo estabelecimento.

Quando a roda girava, o recém-chegado deixava de pertencer apenas à família que o gerara. Passava a ser conhecido como um dos "Filhos de Nossa Senhora". Era uma forma simbólica de afirmar que, se lhe faltavam pai e mãe, a proteção da Virgem Maria lhe seria concedida.

Do lado de dentro, a rotina era rápida e cuidadosamente organizada. A Rotara, mulher encarregada de vigiar a roda, retirava imediatamente a criança e a entregava à parteira. O primeiro dever era verificar seu estado de saúde. Se apresentasse sinais de doença ou desnutrição, recebia os cuidados necessários. Caso estivesse bem, era banhada e, logo em seguida, batizada, pois a mortalidade infantil era elevada e ninguém desejava que um bebê partisse da vida sem o sacramento que então se considerava essencial.

Concluído esse primeiro atendimento, iniciava-se um procedimento administrativo conhecido como Mercatura. O nome pouco revelava a delicadeza do trabalho realizado. Cada criança era registrada cuidadosamente no Livro da Roda. Ali se anotavam a data, a hora, o dia da semana em que fora encontrada, sua aparência física, sinais particulares, eventuais deficiências, estado de saúde e até as roupas com que havia chegado. Esses registros, preservados em muitos arquivos italianos, transformaram-se em preciosos documentos para historiadores e genealogistas.

Em aproximadamente metade dos casos, o bebê era acompanhado por uma pequena folha de papel chamada cartula. Algumas continham apenas poucas palavras; outras revelavam histórias inteiras. Havia mães que informavam o nome recebido no batismo, a igreja onde o sacramento fora celebrado ou explicavam que pretendiam buscar a criança quando suas condições de vida melhorassem. Não eram raras as fitas partidas ao meio, medalhas quebradas, pequenos crucifixos ou moedas cortadas, objetos guardados como sinais de reconhecimento caso um reencontro viesse a acontecer no futuro.

Quando nenhuma cartula indicava um sobrenome, a instituição atribuía um que se tornaria um dos mais conhecidos da Itália: Esposito. O nome identificava todos aqueles que haviam sido "expostos", isto é, deixados sob os cuidados da instituição. Durante séculos, esse sobrenome acompanhou milhares de italianos, tornando-se um marcador involuntário de sua origem e, infelizmente, também motivo de discriminação social.

Somente no início do século XIX começou a surgir uma mudança significativa. Durante o período da dominação francesa sobre o Reino de Nápoles, o rei Joaquim Murat proibiu que os recém-abandonados continuassem recebendo automaticamente o sobrenome Esposito. A medida buscava eliminar um estigma que acompanhava essas pessoas por toda a vida, revelando sua condição desde o nascimento.

Entretanto, a própria existência das Rodas dos Expostos começava a ser questionada. Médicos, juristas e reformadores sociais defendiam que era preferível proteger as mães e criar formas mais humanas de assistência à infância do que institucionalizar o abandono anônimo.

A primeira cidade italiana a encerrar definitivamente sua roda foi Ferrara, em 1867. Nas décadas seguintes, outras cidades seguiram o mesmo caminho. O processo foi lento, acompanhando as profundas transformações sociais do século XIX, até que, em 1923, o governo italiano promulgou o Regulamento Geral para o Serviço de Assistência aos Expostos, extinguindo oficialmente todas as Rodas dos Expostos ainda existentes no país.

Hoje, a velha abertura de madeira permanece como um silencioso testemunho de uma época em que a pobreza, a vergonha e o preconceito empurravam mães para decisões inimagináveis. Ela recorda que a História nem sempre é feita de grandes batalhas ou de reis poderosos. Muitas vezes, ela se escreve no instante em que uma mulher, com o coração despedaçado, deposita o próprio filho em uma pequena roda de madeira, acreditando que, do outro lado, alguém lhe ofereceria aquilo que ela já não podia dar: a oportunidade de continuar vivendo.


Nota do Autor

Roda dos Expostos (Ruota degli Esposti), conhecida em Nápoles como Ruota dell'Annunziata, foi uma das instituições assistenciais mais singulares e, ao mesmo tempo, mais comoventes da história europeia. Sua existência não nasceu da indiferença diante da infância, mas da necessidade de enfrentar uma realidade dramática que marcou as grandes cidades entre a Idade Média e o início do século XX.

O crescimento urbano, a pobreza extrema, as sucessivas crises de abastecimento, as epidemias, as guerras e o severo julgamento moral reservado às mães solteiras produziram um cenário em que milhares de recém-nascidos corriam sério risco de morrer logo após o nascimento. Para muitas mulheres, especialmente aquelas sem família, sem recursos ou abandonadas pelo pai da criança, entregar o filho à Roda representava a única possibilidade de preservá-lo com vida. Era um gesto de renúncia, não de ausência de amor.

As primeiras Rodas surgiram na Península Itálica ainda na Baixa Idade Média e difundiram-se amplamente entre os séculos XVI e XVIII, sobretudo nas cidades mais populosas, como Nápoles, Roma, Florença, Veneza e Milão. Administradas por confrarias religiosas, hospitais ou instituições de caridade, elas garantiam o anonimato dos pais e ofereciam ao recém-nascido acolhimento imediato, batismo, alimentação e registro oficial. Muitas crianças eram acompanhadas por pequenos bilhetes, medalhas partidas ao meio ou outros objetos que permitissem um eventual reconhecimento caso a família pudesse buscá-las no futuro.

Essa prática, entretanto, produziu profundas consequências sociais. Sobrenomes como Esposito, atribuídos durante séculos aos bebês abandonados, acabaram transformando-se em marcas involuntárias de origem e, muitas vezes, em motivo de discriminação. Já no início do século XIX, durante o governo de Joaquim Murat no Reino de Nápoles, procurou-se eliminar esse estigma proibindo a atribuição automática desse sobrenome aos recém-chegados.

À medida que a medicina, a assistência pública e as políticas sociais evoluíram ao longo do século XIX, cresceu também a convicção de que era mais justo proteger as mães e suas crianças do que institucionalizar o abandono anônimo. A primeira cidade italiana a extinguir sua Roda foi Ferrara, em 1867. Nas décadas seguintes, outras cidades fizeram o mesmo, até que, em 1923, o Regulamento Geral para o Serviço de Assistência aos Expostos determinou o encerramento definitivo desse sistema em toda a Itália.

Esta crônica procura recordar essa instituição sem anacronismos e sem julgamentos precipitados. É fácil condenar o passado com os valores do presente; mais difícil é compreender as circunstâncias que levaram tantas mulheres a tomar decisões dilacerantes. A Roda dos Expostos foi, simultaneamente, o símbolo de uma sociedade incapaz de proteger todas as suas mães e a demonstração de que, mesmo em tempos de profunda desigualdade, ainda havia espaço para a misericórdia organizada.

Que esta narrativa seja lida, portanto, não como a história de um mecanismo de madeira, mas como a memória silenciosa de milhares de vidas que começaram entre o abandono e a esperança, lembrando-nos de que a dignidade humana sempre merece ser preservada, mesmo nas páginas mais dolorosas da História.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



sexta-feira, 24 de julho de 2026

A Mala de Papelão que Carregava a Esperança dos Emigrantes Italianos

 "Algumas malas carregavam roupas. Outras carregavam o futuro de uma família inteira."


A Mala de Papelão que Carregava a Esperança dos Emigrantes Italianos


Havia um tempo em que uma simples mala de papelão podia carregar o peso de um destino inteiro. Amarrada com uma corda para que não se abrisse durante a longa viagem, ela guardava muito mais do que algumas mudas de roupa. Levava fotografias amareladas da família, um terço dado pela mãe, um pedaço de pão embrulhado em papel e o perfume da casa que ficava para trás.

Partir nunca foi um sonho para aqueles jovens italianos. Era uma necessidade imposta pela pobreza, pelas colheitas insuficientes e pela falta de trabalho. Muitos deixavam pequenas aldeias do Vêneto, da Lombardia, do Piemonte ou do Friuli sem saber quando voltariam a ver os pais, os irmãos e a terra onde haviam nascido.

Durante o grande ciclo da emigração italiana, milhões atravessaram oceanos rumo ao Brasil, à Argentina e aos Estados Unidos. Décadas depois, outros tantos seguiram por caminhos diferentes. Já não embarcavam para a América, mas viajavam de trem para as grandes fábricas do norte da Itália ou cruzavam as fronteiras em direção à Alemanha, à Suíça, à Bélgica e à França, onde o trabalho era duro, porém existia.

As jornadas começavam antes do amanhecer e terminavam apenas quando a noite já cobria as cidades industriais. O frio penetrava os ossos, a língua estrangeira dificultava cada conversa e a saudade fazia companhia nas pequenas pensões onde dividiam quartos com outros emigrantes.

Mesmo assim, havia um compromisso que jamais era esquecido. No fim de cada mês, parte do salário seguia para a família. Aquelas remessas sustentavam pais idosos, ajudavam irmãos menores a estudar e permitiam que uma casa fosse reformada ou que um pequeno pedaço de terra fosse comprado. O dinheiro enviado por milhões de emigrantes tornou-se um dos alicerces da reconstrução econômica da Itália no pós-guerra.

Todos os domingos à noite repetia-se um ritual silencioso. Sentado diante de uma mesa simples, iluminado apenas pela luz de uma pequena lâmpada, o trabalhador escrevia uma carta à mão. Contava que estava bem, escondia o cansaço para não preocupar a mãe e perguntava pelas colheitas, pelos vizinhos e pelas festas do vilarejo. Ao lado da folha de papel permanecia a fotografia da família, lembrando-lhe por quem enfrentava tantos sacrifícios.

As respostas demoravam semanas para chegar. Cada envelope recebido era aberto com mãos trêmulas, como se dali saísse um pedaço da própria Itália. Eram palavras simples, mas suficientes para renovar a coragem de continuar.

Então chegava agosto.

As estações ferroviárias enchiam-se de malas gastas e de corações acelerados. O retorno, ainda que breve, transformava-se na maior recompensa do ano. Em casa, a mãe preparava os pratos preferidos do filho: a polenta fumegante, o pão recém-saído do forno, o salame curado, os queijos e o vinho da família. Na mesa, ninguém falava da distância. Bastavam os abraços para compensar meses de ausência.

Esses reencontros duravam poucos dias, mas permaneciam na memória por toda a vida. Logo chegava a hora de partir novamente, levando outra vez a velha mala de papelão, agora um pouco mais gasta, porém carregada da esperança de que o próximo retorno fosse definitivo.

Hoje, muitas dessas malas repousam em museus, sótãos ou armários antigos. Parecem objetos comuns, mas representam a coragem de uma geração que aceitou a separação para oferecer um futuro melhor aos que amava.

A Itália moderna foi construída por homens e mulheres que partiram sem deixar de pertencer à sua terra. Cada carta escrita, cada remessa enviada e cada abraço de agosto ajudaram a erguer não apenas famílias, mas também uma nação que jamais esqueceu o valor daqueles que fizeram da saudade um ato de amor.


Nota do Autor

A história que você acaba de ler é uma obra inspirada em uma realidade compartilhada por milhões de italianos ao longo dos séculos XIX e XX. Embora os personagens e as situações narradas sejam fruto da criação literária, os sentimentos, os costumes e os acontecimentos descritos refletem experiências documentadas por cartas, fotografias, memórias familiares e registros históricos da grande diáspora italiana.

Ao escrever este texto, procurei homenagear aqueles homens e mulheres que transformaram a saudade em coragem. Muitos partiram levando apenas uma mala de papelão, alguns pertences e a esperança de construir um futuro melhor para suas famílias. Suas histórias raramente aparecem nos grandes livros de História, mas permanecem vivas na memória dos descendentes e nos objetos simples que sobreviveram ao tempo.

Mais do que recordar uma época, esta narrativa pretende preservar um legado de trabalho, sacrifício e amor à família, para que as novas gerações compreendam que a verdadeira riqueza daqueles emigrantes nunca esteve na bagagem que carregavam, mas na dignidade com que enfrentaram a distância e na esperança que jamais abandonaram.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta


quarta-feira, 18 de março de 2026

Pederobba ´ntel Véneto – Stòria, Emigrassion Italiana e l´Antica Nobiltà dei Conti d’Onigo

 


Pederobba ´ntel Véneto – Stòria, Emigrassion Italiana e l´ Antica Nobiltà dei Conti d’Onigo

Introdussion

Situà ´ntela provìnssia de Treviso, ´ntela region del Véneto, ´ntel nord-est de l’Itàlia, el comune de Pederobba el ze sta tra la pianura del fiume Piave e le prime alture de le Alpi che mena verso el massisso del Monte Grappa.

Sta zona, che fa parte de la stòrica Marca Trevigiana, la ze stada sempre un teritòrio de passàgio tra le pianure agrìcole del Véneto e le region montagnose de le pre-Alpi. Con el passar dei sècoli, la pìcola comunità de Pederobba la ga varda grandi cambiamenti polìtici, sossiai e económici, tra cui el domìnio de la Repùblica de Venéssia, el perìodo austrìaco e la granda emigrassion italiana verso l’Amèrica.

Incoi, anca se el ze un comune pìcolo, Pederobba el ga na stòria rica che liga vècie famèie nòbili, come i Conti d’Onigo, a le stòrie de miaia de emigranti che i ga partì par paesi come el Brasil, l’Argentina e i Stati Unìti.

Le origin stòriche de Pederobba

La presensa de zente ´ntela region de Pederobba la torna indrio fin da l’Antiguità. Prima de la conquista romana, sto teritòrio el zera abità dai Paleoveneti, un pópolo antigo che ocupava grande parte del atual Vèneto.

Durante el perìodo romano, la region la ze diventà parte de rote comerssiai importanti che ligava el nord de la penìsola italiana con le region alpine e l’Europa Central. La visinansa del Piave la favoria el trasporto de le mercansie e el movimento de viaiadori.

´Ntela Età Medieval, el teritòrio el ga passà a far parte de la ciamà Marca Trevigiana, ´na region disputà tra signori feudai, vescovi e comuni urbani.

Documenti del sècolo XII i parla za de ´na comunità parochial antica ciamà Plebem de Petrarubea, considerà ´na de le prime referense stòriche de la località.

Pederobba soto la Repùblica de Venéssia

Tra i sècoli XIV e XVIII, Pederobba la ga fato parte dei teritori de la potente Serenìssima Repùblica de Venéssia, che governava vaste region del nord-est italiano.

Durante sto periodo, la region la zera parte del Quartier del Piave, che dipendeva amministrativamente dela sità de Treviso.

El fiume Piave el gavea un papel importante ´ntela economia locale. Par le so aque vegniva trasportà grandi quantità de legname che rivava de le foreste alpine e che zera destinà a le construssion navali e a le òpere pùbliche de Venéssia.

De pi, sto teritòrio el ga diventà un ponto de incontro comerssial tra contadin de la pianura e comunità de le region de montagna.

La nàssita del comune moderno

El comune moderno de Pederobba el ze stà istituì ´ntel 1810 par decreto del imperador francese Napoleon Bonaparte, durante la reorganisassion aministrativa de la Italia soto domìnio napoleónico.

Dopo la sconfita de Napoleon e la restaurassion del orden europeo, el teritòrio el ze tornà soto el controlo de la Casa d’Asburgo, entrando a far parte del Impero Austrìaco.

Solo ´ntel 1866, dopo la Tersa Guera de Indipendensa Italiana, el Véneto el ze vignesto anesso al Regno d’Itàlia.

Economia rural e povertà ´ntel sècolo XIX

Verso la fin del sècolo XIX, Pederobba la zera ´na comunità quasi tuta rurale.

L’economia la se basava sora la pìcola agricoltura familiare, con coltivassion de formenton, frumento e altri prodoti par la sussistensa. La polenta, fata con farina de formenton, la zera el magnar de ogni zorno de la popolassion contadina.

Però la scarsità de tera coltivabile e la crèssita de la popolassion rendea difìssil la vita de le famèie.

Par sta rason tanti abitanti i ga tacà a sercar laoro fora de la so region.

La tradission de la migrassion staional

Par sècoli, i abitanti de Pederobba i ga praticà la migrassion stagional, che ´ntel dialeto véneto la zera ciamà far la staion.

In sta pràtica, i òmeni i partiva par qualche mese del ano in serca de laoro in region visin o anca in teritori del Impero Austrìaco, che in quel tempo comprendea vaste zone de la Europa Central.

Tra i laoradori migranti i zera comun i badilanti e i carriolanti.

Sta zente la viaava spesso a piè par lunghe distanse, portando con lori i ferri de laoro, ´na cariola, qualche chilo de farina de formenton par far la polenta e qualche toco de formàio.

Dopo mesi de fadiga in cantieri, strade o campagne, lori i tornava a la so tera con pochi risparmi.

La granda emigrassion italiana

Da la dècada del 1870 in vanti, sta migrassion temporánea la ga scominsià a trasformarse in emigrassion definitiva.

La crisi agrìcola, la crèssita de la popolassion e la mancansa de tera la ga portà miaia de famèie vénete a sercar nove oportunità fora de la Europa.

Tra le mete prinssipai ghe zera:

  • Brasil

  • Argentina

  • Uruguai

  • Stati Uniti

Dopo el 1875, el Brasil el ga diventà ´na de le mete pì importanti par sta corente migratòria.

Lora desso partia famèie intere, portando pochi beni e tanta speransa de rifar la vita in tere lontan.

Par tanti contadin véneti, el Brasil el zera la famosa “tera de la cucagna”, sìmbolo de abondansa e fortuna.

Pederobba e la Prima Guera Mondial

La posission de Pederobba, visin al Monte Grappa e al Piave, la ga fato sì che la region la diventasse zona stratègica durante la Prima Guera Mondial.

Dopo la sconfita italiana a Caporetto ´ntel 1917, el Piave el se ga diventà la prinssipal lìnea defensiva del esèrssito italiano.

Diversi combatimenti i se ga sussedesto ´ntei dintorni de Pederobba, causando distrussion e spostamenti de la popolassion.

Un dei monumenti pì importanti de sta memòria stòrica el ze el Sacràrio Francese de Pederobba, inaugurà ´ntel 1937 par onorar i soldai francesi morti ´ntei combatimenti de la region del Monte Tomba.

I Conti d’Onigo: l´antica aristocrasia locale

Tra le famèie che ga avù grande influensa ´ntela stòria de Pederobba se distingue l´antiga casa aristocràtica dei Onigo.

La famèia la ga origini medievai e probabilmente la deriva da lignagi germánici o lombardi che se stabilì ´ntela region durante el perìodo del Sacro Impero Romano-Germánico.

In prinssìpio la lìnea la zera conossuda come da Cavaso, ma dopo aver comprà i casteli de Onigo e Rovigo verso la fin del sècolo XII, la famèia la tacò a doparar el soranome Onigo.

Nota storiogràfega del autor

Sto testo el ga come scopo presentar ´na sìntesi stòrica del comun de Pederobba e del so contesto sossial tra i sècoli XVIII e XX, con atenssion particular al fenómeno de la emigrassion véneta e a la presensa de la antica aristocrassia locale rapresentada da la famèia Onigo.

La stòria de le pìcole comunità del Véneto, come Pederobba, la ga aiutà a capir meio le trasformassion che ga segnà el nord de la Itàlia tra el declino de la Repùblica de Venéssia, la dominassion de la Casa d’Asburgo e la formassion del moderno Stato italiano ´ntel sècolo XIX.

Ste trasformassion le zera ligà al grande movimento migratòrio che ga portà milioni de italiani a traversar oceani in srca de nove oportunità. In sto contesto tante famèie de la region le ga partì verso el Brasil, l’Argentina, i Stati Unìti e altri paesi del ciamà Novo Mondo.

Par l’autor, lo studio de sta pìcola comunità vèneta el ga anca un significà particolar, parchè le so origini familiari le ze ligà pròprio al teritòrio de Pederobba. Sto fato el dà a sta ricerca stòrica un valor in pì de memòria e identità.

Cusì sto lavoro el cerca de conservar la memòria de le stòrie umane de chi che partì da ste tere lungo le rive del Piave, portando con lori tradission, léngua e cultura.

La memòria de ste comunità la resta viva incoi tra i discendenti dei emigranti sparsi par l’America e l’Oceania, par i quali le antighe tere del Véneto le resta un importante ponto de origine cultural e stòrica. 

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Os Desencontros Familiares na Imigração Italiana: Histórias da Grande Emigração


Os Desencontros Familiares na Imigração Italiana: Histórias da Grande Emigração


A Mobilidade Italiana antes da Unificação

Muito antes de a Itália tornar-se um Estado unificado — conquista que se consumaria ao término do turbulento Risorgimento, iniciado em 1815 e concluído em 1871 —, a mobilidade já fazia parte da vida de inúmeros habitantes da península. Nas regiões setentrionais, como Piemonte, Lombardia, Veneto, Trento e Friuli, a migração não era novidade. Antes de transformar-se em necessidade, já ocorria além das fronteiras vizinhas, em busca de subsistência e sobrevivência.

A Migração das Andorinhas

No início, eram sobretudo os homens, e depois também as mulheres, que se ausentavam temporariamente, deixando para trás famílias inteiras. Seguiam para a França, Suíça, Áustria e Alemanha, empregando-se na agricultura, na construção civil ou em serviços sazonais. Tal deslocamento periódico recebeu o nome de migrazione delle rondini — a migração das andorinhas — numa alusão às aves que, após um período distante, regressavam ao ninho.

Da Migração Temporária à Grande Emigração Definitiva

Nas últimas décadas do século XIX, esse movimento temporário transformou-se em definitivo devido a diversos fatores, entre eles a formação do Reino da Itália. A miséria estrutural, a pressão demográfica e a escassez de oportunidades — somadas à promessa de terras, salários ou simplesmente de pão — levaram milhões de italianos a deixarem o país para sempre.

Os destinos prediletos eram, inicialmente, os Estados Unidos, a Argentina e o Brasil, vistos como terras de abundância do outro lado do Atlântico. Ao mesmo tempo, países europeus mais prósperos, como França, Suíça, Bélgica e Alemanha, continuaram absorvendo grande parte dos emigrantes que abandonavam suas aldeias natais.

Portos Lotados e a Partida Irreversível

Os portos de Gênova e Nápoles tornaram-se pontos de partida simbólicos de uma diáspora sem precedentes. Marselha e Le Havre, na França, também viam seus cais apinhados de italianos em trânsito, carregando baús modestos, sacos com roupas e ferramentas, mantimentos e, sobretudo, esperanças. Os navios de linha, quase sempre superlotados, eram a última imagem da pátria que ficava para trás.

O Tamanho das Famílias e a Separação Progressiva

Naquele período, as famílias italianas eram numerosas. Casas modestas abrigavam dez, doze ou até quinze pessoas em poucos cômodos. A fome rondava com frequência, especialmente nas comunidades camponesas das montanhas e nas aldeias pobres do Mezzogiorno.

Em cada núcleo familiar, a lógica se repetia: os filhos mais velhos emigravam primeiro, abrindo caminho para que os mais novos partissem depois. Porém, essa fragmentação do grupo familiar se intensificava conforme os destinos se dispersavam.

Famílias Fragmentadas pelo Mundo

Os destinos raramente eram os mesmos. Um irmão podia instalar-se na Argentina, outro embarcar para o Brasil, enquanto um terceiro tentava a sorte nos Estados Unidos. Alguns permaneciam na Itália; outros cruzavam os Alpes e se fixavam definitivamente em países vizinhos.

A rede familiar, antes sustentada pela proximidade física e pelo trabalho conjunto, fragmentava-se pelo mapa do mundo.

O Silêncio das Cartas e a Distância Irreversível

A comunicação era precária, especialmente para os que cruzavam o Atlântico. No Brasil e na Argentina, vastos territórios recebiam colonos semi-alfabetizados e até analfabetos em áreas rurais distantes, mal servidas por estradas e com serviços postais inexistentes ou instáveis.

As cartas, único elo possível entre mundos tão afastados, levavam meses para cruzar o oceano. Muitas se extraviavam; outras jamais saíam dos portos. Para um emigrante que partia rumo às colônias brasileiras, não era raro permanecer anos sem notícias concretas de pais, irmãos ou mesmo mulher e filhos.

Com o tempo, a distância convertia-se em silêncio. Mesmo quando outro membro da família decidia emigrar, muitas vezes desembarcava no mesmo país, mas era enviado para colônias distantes, talvez em outro estado. A vastidão territorial e a falta de meios de comunicação tornavam os reencontros improváveis.

Laços Perdidos e Histórias que se Apagam

Muitas famílias perderam contato para sempre, apesar de viverem sob o mesmo céu, separados apenas pela geografia e pelo destino.

Até hoje, não é incomum encontrar famílias com o mesmo sobrenome — descendentes de um mesmo tronco ancestral — sem saber que seus antepassados estiveram lado a lado em algum porto, que partilharam a mesma aldeia de origem ou que trocaram cartas que jamais chegaram.

A Grande Emigração Italiana, que levou milhões de vidas para longe de casa, deixou também incontáveis histórias de desencontros que atravessaram gerações.

Nota do Autor

Este artigo é um sopro vindo de longe, como o eco de passos que já não se ouvem, mas que ainda ressoam nas memórias que atravessaram gerações. A Grande Emigração não foi feita apenas de travessias marítimas e terras desconhecidas; foi feita de silêncios que se instalaram em casas vazias, de cartas que não chegaram, de abraços que o destino não permitiu.

Nas docas de Gênova e Nápoles, famílias se despediam acreditando que o tempo traria reencontros. Mas, muitas vezes, o tempo trouxe apenas distância. Irmãos foram espalhados por continentes, nomes se perderam em registros incompletos, e histórias se diluíram na imensidão de terras estranhas.

Este texto é dedicado a todos eles — aos que partiram e aos que ficaram. A cada sobrenome que hoje resiste, há uma raiz antiga fincada em solo estrangeiro. A cada descendente que não conhece sua origem, há uma aldeia que um dia se despediu.

Escrevo para que, ao ler estas linhas, cada um possa sentir que não caminha sozinho: atrás de cada passo presente, há um rastro antigo, aberto por mãos calejadas, carregando esperança no lugar da certeza.

Dr. Piazzetta


quinta-feira, 30 de março de 2023

Curiosidades Sobre a Origem de Alguns Sobrenomes Italianos




Com o crescimento acelerado da população, com as cidades ficando cada vez maiores, já no período romano sentiu-se a necessidade de identificar melhor um individuo para evitar confusões que o mesmo nome causava. Assim foram criados três nomes para identificar as pessoas.
O primeiro nome "praenomen", era o nome próprio da pessoa e era imposto no nono dia de nascimento, denominado "dies nominalis". Somente os membros mais chegados da família chamavam uma pessoa pelo seu prenome. 
O segundo, o "nomen", indicava a "gens" e era o mesmo para todos os seus membros. 
O terceiro, o "cognomen", cuja origem etimológica da palavra "sobrenome" do latim "cognomen", composto por "cum" e "nomen", enfatizava uma característica física ou moral ou o local de origem e, tendo se tornado hereditário, passou a designar a "família" a que pertencia, ou seja, um dos ramos, patrícios ou plebeus, em qual era subdividida a "gens" original. Além disso, alguns nobres adicionavam outros nomes e sobrenomes a seu gosto, às vezes criando longas listas.
O uso sistemático do sobrenome latino cessou no fim do império romano do ocidente em 476 d.C. com o período de decadência política, cultural e social que se seguiu passando o seu uso ao esquecimento. 
Nessa época da Alta Idade Média prevaleceu o uso do primeiro nome, aquele recebido por ocasião do batismo. Assim, cada pessoa voltou a ser identificada apenas pelo nome de batismo pessoal, às vezes também referindo-se às características da pessoa ou ao lugar de origem ou paternidade.
A confusão progressivamente foi aumentando e os casos de inúmeras pessoas tendo o mesmo nome criava enorme confusão nas cidades que estavam novamente em expansão.
Foi por volta dos séculos IX e X que novamente a sociedade da época sentiu a necessidade de distinguir melhor os diversos indivíduos com o mesmo nome, de os identificar claramente para os devidos atos legais. Usava-se a expressão "filho de fulano" ou quando o genitor já era morto de "filho do falecido fulano".
Essa medida não durou por muito tempo, pois a formação de combinações possíveis começou a escassear e a confusão novamente se instalou tornando-se necessário diferenciar os indivíduos. Assim surgiu o sobrenome moderno o qual poderia ser originado do nome paterno ou materno, de um apelido, de um local de origem, de um ofício ou de uma profissão. 
Com o passar dos anos o sobrenome tornou-se hereditário e passou a ser obrigatório por lei. Ao longo dos séculos, o sobrenome sofreu transformações sucessivas e a forma usada atualmente pode ser muito diferente da que se usava no começo.
Na Itália, o uso de sobrenomes no início foi exclusividade de famílias ricas, mas em 1200 em Veneza e no século seguinte em outras áreas, ainda que com alguma resistência e demora, o uso se estendeu às camadas menos abastadas da população. Com o Concílio de Trento de 1564, foi sancionada a obrigação dos párocos de manterem um registro ordenado dos batismos com nome e sobrenome, para evitar casamentos entre parentes. O sobrenome tornou-se finalmente hereditário.


Alguns sobrenomes e suas prováveis origens:

Astuti - com a variante Astuto surgiram de um apelido que indicava uma característica intelectual de um indivíduo, sendo com o tempo incorporado como seu sobrenome.

Barbieri - e variantes Barbiera, Barbere, Barberio, Barbero, Barbera, Barbè, Barberaz, De Barbieri, Debarbieri, De Barberis; La Barbera, Barberini, Barbierato é um sobrenome originário do apelido dado à quem exercia a profissão de cortar a barba, cabelos e bigode. Em tempos mais antigos se usava para denominar aquele que fazia as sangrias, extrações ou pequenas cirurgias. 

Basso - com as variantes Bassi, Bassa, Bassis, Bascio, Basciu, De Bassis, Bassich, Lo Basso, Lobasso, Li Bassi, Lobascio, Lovascio, Bassetti, Bassetto, Bassini, Bassin, Bassoli, Bassolino é um sobrenome que indicava pessoa de estatura baixa, no início apenas um apelido e depois passou a ser incorporado como sobrenome.

Bellagamba - com a variante Bellegambe, é um sobrenome derivado de um apelido de constatação que com o passar do  tempo foi incorporado como um sobrenome.

Bellaver -  e as variantes Bellavere, Bonavera significa a “bonita conquista”, tem caráter gratulatório. 

Belli - com as numerosas variantes Bello, Bella, De Bello, De Bella, De Belli, Debelli, De Bei, De Bellis, Di Bello, Di Bella, Del Bello, Debello, Della Bella, Bellich, Lo Bello, Lobello, Lubello, Lubelli, La Bella, Labella, Bellelli, Belleli, Belletti, Bellettini, Bellini, Bellino, Bellin, Belloli, Belloi, Bellucci, Belluzzi, Bellotti,Bellocci, Bellozzi, Bellotti, Belotti, Bellotto, Bellotta, Belloni, Bellacci, Bellaccini, Bellacchini, Bellazzi, Bellami, Bellemo, Bellen, Bellandi, Bellando, Bellendi, Bellanti, Bellante, Bellentani, Bellani, Bellano, Bellan, Bellardo, Bellasi e Bellocchi sobrenome originado pela constatação de beleza de uma pessoas ou mesmo de augúrio dirigido à um filho para que crescesse bonito.

Benedetti - e as variantes Benedetto, Benedet, De Benedetti, De Benedetto, De Benedettis, De Benedictis, De Beneditti, De Benedittis, Di Benedetto, Benedettini, Benditti, Benetti, Benetto, Benet, Benetelli era um sobrenome muito usado para dar uma origem familiar para as crianças enjeitadas, abandonadas pelos pais nas "Ruota degli esposti", acolhidas e adotadas por instituições religiosas e tinha relação com o culto de São Benedito.

Benigni - com as suas variantes Benigno, Benigna, Benignetti era também um sobrenome muito usado como sobrenome pelos gestores dos orfanatos para as crianças enjeitadas, abandonadas pelos pais e adotadas pelas instituições e tem o significado de benévolo.

Benvenuto - e as variantes Benvenuti, Benvegnù, Venuti, Venutti, Venuto, Venutelli, Begnudelli, Vignudelli, Vignodelli, Vignudini, Nuti, Nutini, Gnuti, Gnudi. Esse sobrenome tem caráter congratulatório, referido a um filho muito desejado. O sentido que o sobrenome encerrava era o de que “a criança era bem-vinda”. 

Bergamo - com as variantes Bergami, Bergomi, Bergamelli, Bergamini, Bergamino e Bergamin, Bergamaschi, Bergamasco, Bergamas, Bergamasi sobrenome toponímico que surgia do apelido que exprime que o indivíduo é proveniente de um determinado lugar, no caso de Bergamo

Bevilacqua - com as variantes Beviacqua, Bevacqua, Bevelacqua, Bevillaqua é um sobrenome jocoso e irônico de ordem comportamental, originado de um apelido, dado para quem era um conhecido bebedor de vinho ou "grappa". Por outro lado também poderia ser o contrário, um apelido dado à alguém que fosse abstêmio. 

Bianchi - e suas variantes Bianco, Bianca, Blanco, Blanca, Blanc, De Bianchi, Del Bianco, Della Bianca, Lo Bianco, Lobianco, La Bianca, Labianca, Bianchetti, Bianchetto, Bianchet, Bianchini, Bianchinotti, Biancucci, Biancoli, Biancolini, Biancotti, Biancotto, Bianciotti, Bianconi, Biancone, Bianconcini; Biancani, Biancato, Biancat, Bianchedi, Biancheda, Biancheri, Bianchera, Bianchessi e Bianchessi sobrenome que deriva de apelidos relativos de característica física, da constatação da cor da pele, dos cabelos, da barba, etc.   

Biondo - e as suas variantes Bionda, Biondi, Biundo, Biunno, Biunni, Blondi, Blundo, Blunno, Brundu, Biondelli, Biondellini, Biondetti, Bionducci, Biondelli, Biondetti, Blondetti, Blondet, Blundetto originam-se de um apelido de constatação física, como a cor dos cabelos loiros, pele clara, barba loira e que posteriormente passaram a ser sobrenomes.

Bonafortuna - e a variante Buonafortuna. É sobrenome derivado de um nome pessoal de caráter gratulatório, de significado transparente, augurio de boa sorte. 

Bonaventura - e a variante Buonaventura. É um sobrenome de caráter augurante e gratulatório. Era usado como augúrio no sentido de que a criança recém-nascida se constituísse “para a família boa ventura, sorte”. 

Boschetti - e suas variantes Boschetto, Boschet, Boschi, Boschis, Bosco, Boschi, Bosche, Busco; Busca, Boschian, Boscato, Boscati, Boscaro, Boscari, Boscarini, Boscarin, Boscardin, Boscain, Boscarello, Boscolo é um sobrenome toponímico derivado de Boschetto ou derivado de profissão de quem trabalhava num bosque ou que nele vivia.

Brescia - e suas variantes Bresci, Bressa e Bressi; Bressani, Bressano, Bressan, Bressanelli, Bressanini, Bressanin Bressanutti sobrenome de origem toponímica de um indivíduo ou família cuja origem estava em Brescia ou era proveniente dela.

Caccialupi - como também Fumagalli, Pappalardoapelidos que se tornaram sobrenomes e aludem a ações ou fatos ocasionais.

Capitani - com as variantes Capitanio, Capitano indica posto militar de um indivíduo e que passou a ser usado como sobrenome. 

Cardinali - com as variantes Cardinal, Cardinale é um sobrenome indicativo de cargo religioso que passou a ser sobrenome.

Casagrande - e suas variantes Casagranda, Casagrandi, Case, Dalla Casa, Dallacasa, Della Casa, Da Ca, Duccà, Da Cha, Dachà, Dalla Ca, Dallacà, Dalla Cha, Dallachà, Casella, Casello, Caselli, Casel, Casiello Casetta, Casetti, Caset Casina, Casine, Casabianca, Casabassa, Casabella, Casagrande sobrenome composto muito usado para as crianças enjeitadas que significava casa grande, orfanato. Casadei, Casadio, Cadei, Casadidio também usados para dar sobrenomes aos órfãos enjeitados, adotadas e criadas por um orfanato, instituto religioso ou hospital de caridade.

Colombo - e suas variantes Colombi, Colomba, Columbo, Colombro, Columbro, Colombani, Colomban, Colombetti, Colombetta, Colombini, Colombin, Colombrino, Colombazzi, Colombari, Colombara, Colombarini, Colombera, Colomberini, Colomberotto significam inocência, pureza e mansidão até mesmo de escuro. Muito usado para sobrenome das crianças enjeitadas.

De Martino - e outros como Di Giulio, Di Maria, Lo Monaco, La Franca, Della Marta, são sobrenomes patronímicos e matronímicos que indicam o nome pessoal do pai ou da mãe.

Diotaiuti  - usado para dar um sobrenome para as crianças abandonadas pelos pais na "ruota" dos orfanatos e acolhidas e adotadas pelas instituição religiosas.

Diotallevi - o mesmo que o sobrenome anterior.

Fabris -  com as variantes Fabbro, Fabbri, Fabbris Fabro, Fabri, Faber, Favro, Fàveri, Fàvero, Fàvaro, Fabrini, aquele que trabalhava com ferro, isto é, ferreiro; era usado também em sentido mais amplo para designar o artesão. 

Fattori - com as variantes Fattor, Fattore, Fattor, Fattur, Fator, Fattorelli, Fattorello, Fattoretto, Fattoretti, Fattorini, Fattorino denominava o caseiro, administrador e feitor de propriedade ou empresa agrícola 

Ferrara - e as variantes Ferrarese, Ferraresi sobrenome que deriva de ferraria ou também um sobrenome toponímico como pessoa ou família proveniente de Ferrara.

Ferro - variantes Ferri, Fierro, Ferretti, Ferretto, Ferin, Ferrini, Ferrucci, Ferruzzi Ferraro, Ferrario, Ferraris, Ferrai, Ferrero, Ferreri, Ferreli, Ferèr nome dado a alguém que exercia a profissão de ferreiro, ou o caráter da pessoa ou ainda a cor do ferro.

Fontana - com as variantes Fontani, Fontanella, Fontinelli, Fontanelle, Fontanino, Fontanini, Fontanin, Fontanotti, Fontanot, Fontanazzi, Fontanari, Fontanesi é um sobrenome toponímico proveniente de uma localidade onde surgia uma fonte, tanto na zona urbana como rural.

Genovese - com as variantes Genovesi, Genoves sobrenome que indica lugar de origem, ou procedência de uma família ou de uma única pessoa, no caso de Gênova.  

Gobbo - e as variantes Gobbe, Gobbi, Gobbino partiu de um apelido irônico por constatação de um defeito físico o qual  passou com o tempo se incorporando ao nome de uma pessoa como o seu sobrenome.

Innocenti - e as variantes Innocente, Degli Innocenti, Nocenti, Nocentini e Nocentino, Innocentin, Innocentini com o significado de não faz o mal, era também um dos sobrenomes dados no passado para as crianças abandonadas pelos pais e confiadas e adotadas por um orfanato.  

Longhi - e suas variantes Longo, Longa, Luongo, Lunga, Del Lungo, Lunghi, Del Lungo, Della Lunga, Del Luongo, Slongo, Longhini, Longhin, Lunghini, Lungherini, Longhetti, Lunghetti, Longato, Longoni, Longon de apelido para pessoas altas e magras passou a ser sobrenome.

Magnani - variantes Magnano, Magnan, Magnino, Magnini, Magnanelli, Magnanini, Maagno, Magni nome de profissão para o fabricante de chaves, de buracos de fechaduras, de corrimões e dobradiças; funileiro, estanhador ambulante que com o tempo foi incorporado como sobrenome. 

Magro - com suas variantes Magri, Magris, Magheri, Magretti, Magrini, Magrino, Magrin, Magrello, Magherini, Magrotti, Magroni e Magrone é um sobrenome que indica uma característica corporal contrária a gordo.

Mancini - com as variantes Mancino, Mancin, Manciana, Mancinelli, Mancinetti derivado do apelido dado à pessoas que usam mais a mão esquerda ou que nela tem mais força. É o chamado canhoto.

Mantovani - com as variantes Mantova, Mantovi, Mantovano, Mantovan, Mantovano, Mantovanelli, Mantoani, Mantoan, Mantuano, Mantuan é um sobrenome toponímico que indica ser proveniente da cidade de Mantova. Geralmente era um apelido que depois passou a ser usado como sobrenome. 

Marangon - e as variantes Marangone, Marangoni dizia da profissão de quem trabalhava a madeira que em vêneto podia também ser carpentiere, de carpinteiro. 

Milani - com as variantes Milano, Milan, Milana, Milanese, Milanesi, Milanesio, Milanello, Milaneschi, Milanetti, Milanetto é um sobrenome toponímico indicando proveniência  de Milano 

Muratori - com as suas variantes Muratore, Murador, Muratorio derivado da profissão de pedreiro 

Omoboni - e a variante Omobono no significado de homem bom, ou um augúrio para o bebe para que seja um homem ou mulher para o bem.

Pellizzer - e suas variantes Pelliccia, Pelliccio, Pellizzaro, Pellizzari, Pellizzieri, Pellizzeri, Pellizza, Pellizzi, Pelliccioni, Pellicciari, Pellicciaro, Pellissero, Pelissero, Pelisèr, Pelisseri, Pelison sobrenome derivado de que trabalhava ou vendia peles.

Piazza - com as variantes Piazzi, Piazzetta, Piassetta,  Del Piazzo, Del Piaz, Del Piaz, Piazzini, Piazzola, Piazzolla, Piazzoli, Piazzese, Piazzera e Piazzesi é um sobrenome toponímico de piazza como lugar aberto, mercado, pátio ou mesmo estrada larga. De um apelido com tempo passou a ser usado como sobrenome.

Preti - com a variante Dal Prete, Dal Prette sobrenome que indica cargo religioso.

Proietti - e as suas variantes Proietto, Proietta, Projetto, derivado de "jogado fora", abandonado, usado para as crianças rejeitadas pelos pais e era o sobrenome dado nos orfanatos que os abrigou e adotou.

Rossi - com as variantes Rosso, Rossa, Russi, Russo, Russa, Ruggiu, Ruiu, Ruju, Rubiu, Del Rosso, De’ Rossi, De Rossi, De Russi, De Rubeis, Della Rossa, Lo Russo, Lorusso, La Russa, Larussa, Rosselli, Rossello, Rossellini, Rossellino, Rosselo, Rossillo, Rossetti, Rossetto, Rosset, Rossettini derivado provavelmente da cor rosada da pele, dos cabelos e barba de um indivíduo. Primeiramente podia ser um apelido, posteriormente foi usado como sobrenome.

Spagnolo - e as variantes Spagnoli, Spagnol é um outro sobrenome que indica lugar de origem, ou prodecedência de uma família ou de apenas uma única pessoa. 

Sartori - e suas variantes Sarti, Sarto, Sarta, Sartin, Sartini, Sartori, Sartor, Sartore, Sartorio, Sartoris, Sartorel, Sartorelli, Sartorello sobrenome derivado da profissão de quem fazia corte e costura de tecidos para a confecção de roupas como o alfaiate e a costureira.

Sperindio - e a variante Sperandio sobrenomes muito usados pelos orfanatos para vários enjeitados abandonados na "ruota" acolhidos e adotados pela instituição.  

Trovato - e as variantes Trovati, Trovatello, Trovatelli, Trovarelli, Trovarello, Trovarella, Trovè, Trovò era dado pelas instituições ou ordens religiosas que acolhiam as crianças abandonadas pelos pais, encontrados pelas estradas, ruas ou mesmo deixadas na roda dos orfanatos.

Vassallo - com a variante Vassali é um sobrenome que indica um cargo, título ou posto social.


Observação: 

Na Itália do século XVIII, era comum que os sobrenomes dados às crianças encontradas fossem genéricos e compartilhados com outras crianças na mesma situação. No entanto, em algumas regiões da Itália, havia sobrenomes que eram exclusivos para crianças encontradas ou abandonadas. Aqui estão alguns exemplos: 

Trovato - "encontrado" 
Esposito - "exposto" 
Proietti - "lançado" 
Sgariglia - "andarilho" 
Troiano - "troiano" (referência a Troia) 
Egidi - "filho de Giles" 
Voltaggio - "volta à estrada" 
Oliva - "azeitona" 
Pace - "paz" 
De Santis - "do santo" 
Diotallevi - "Deus te ajude" 
Acquaroli - "pequena água" 
Corazza - "armadura" 
De Carolis - "do Carlos" 
Dragoni - "dragões" 
Genovesi - "de Gênova" 
Leone - "leão" 
Marcantoni - "Marcos Antônio" 
Paci - "paciência" 
Pirozzi - "pimenta" 


É importante lembrar que esses sobrenomes exclusivos não eram universais na Itália e podem ter sido limitados a certas regiões ou instituições que cuidavam de crianças encontradas. Além disso, muitas vezes esses sobrenomes eram alterados posteriormente à medida que informações adicionais sobre a origem da criança se tornavam conhecidas.