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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Nova Milano em 1875 A História dos Pioneiros da Imigração Italiana no RS



Nova Milano em 1875 A História dos Pioneiros da Imigração Italiana no RS

“Em maio de 1875, as famílias pioneiras abriram um capítulo decisivo da história da imigração italiana na Serra Gaúcha.”

A chegada dos primeiros grupos de imigrantes italianos à região de Nova Milano, em maio de 1875, marcou uma etapa fundamental da colonização da Serra Gaúcha. A trajetória das famílias pioneiras ajuda a compreender como se formaram algumas das comunidades que deram origem à identidade ítalo-brasileira do Rio Grande do Sul.

O contexto histórico da imigração italiana no Rio Grande do Sul

A história da imigração italiana no Rio Grande do Sul está profundamente ligada à política de colonização agrícola desenvolvida pelo Império brasileiro durante o século XIX. Naquele período, o governo procurava estabelecer núcleos de pequenos proprietários rurais, ampliar a ocupação de determinadas áreas e estimular a produção agrícola por meio da instalação de famílias imigrantes.

Na Itália, por sua vez, diferentes regiões enfrentavam condições econômicas e sociais que incentivavam a emigração. A dificuldade de acesso à terra, a insuficiência dos rendimentos agrícolas e as limitadas perspectivas de melhoria de vida levaram numerosas famílias a considerar a possibilidade de atravessar o Atlântico.

A decisão de partir não era simples. Significava abandonar a comunidade de origem, separar-se de parentes e amigos e enfrentar uma viagem longa, dispendiosa e repleta de incertezas. Ainda assim, para muitas famílias, a perspectiva de conquistar uma propriedade e proporcionar melhores condições de vida aos filhos justificava o risco.

Foi nesse contexto que se estabeleceu o núcleo colonial associado a Nova Milano, localidade situada no atual município de Farroupilha. A chegada de imigrantes italianos à região, em 1875, tornou-se um dos principais marcos da história da colonização italiana no estado.

A data de 20 de maio de 1875 é tradicionalmente reconhecida como referência da chegada das famílias pioneiras vinculadas a Crippa, Sperafico e Radaelli. O episódio está na origem da identificação histórica de Nova Milano como o Berço da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul.

Para compreender a dimensão desse acontecimento, é necessário considerar que a colonização não se resumiu à chegada de um grupo de viajantes. Ela envolveu a abertura de caminhos, a implantação de propriedades agrícolas, a formação de redes de ajuda mútua e a construção gradual de uma nova sociedade.

Leia também: A Emigração Vêneta para o Brasil e a História da Imigração Italiana.

A viagem dos imigrantes e o caminho até Nova Milano

A viagem dos pioneiros começou na Itália e incluiu a travessia marítima até o Brasil. O porto de Gênova era um dos principais pontos de embarque de emigrantes italianos, embora a experiência de cada família dependesse da rota, da embarcação e das condições de transporte disponíveis.

De acordo com a cronologia tradicionalmente associada aos primeiros moradores de Nova Milano, o grupo chegou ao Rio de Janeiro em 9 de março de 1875. Depois, seguiu em direção ao Rio Grande do Sul, passando por Porto Alegre e utilizando o transporte fluvial até São Sebastião do Caí.

A partir dali, o deslocamento em direção à Serra Gaúcha exigia percorrer caminhos terrestres difíceis. A infraestrutura era limitada, e a circulação dependia das condições das trilhas, da vegetação e dos meios de transporte disponíveis.

O destino final não oferecia as estruturas que hoje associamos a uma comunidade estabelecida. As famílias precisavam encontrar abrigo, preparar o terreno, organizar o abastecimento e iniciar o cultivo da terra. A chegada representava, portanto, o começo de uma nova etapa de trabalho e adaptação.

Para os imigrantes, a mudança também implicava aprender a conviver com um ambiente natural diferente daquele que haviam conhecido na Europa. O clima, a vegetação, os recursos disponíveis e as distâncias entre as propriedades influenciavam diretamente a organização da vida cotidiana.

A colonização agrícola dependia da capacidade de transformar o terreno em uma unidade produtiva. A construção de moradias, a preparação das lavouras e a criação de animais exigiam tempo, ferramentas e esforço coletivo.

É importante compreender que o processo não foi instantâneo nem livre de dificuldades. O estabelecimento de uma família em uma nova terra não significava que a segurança econômica estivesse garantida. A sobrevivência dependia das colheitas, das condições de saúde, do acesso aos mercados e da possibilidade de estabelecer relações com outros moradores.

As famílias Crippa, Sperafico e Radaelli

A memória dos primeiros tempos da colonização está ligada a três sobrenomes que atravessaram gerações e passaram a integrar a história de Nova Milano: Crippa, Sperafico e Radaelli.

Essas famílias representam uma dimensão essencial da história migratória. Por trás dos registros de chegada estavam pessoas que precisavam reorganizar sua existência, criar os filhos, estabelecer atividades produtivas e construir relações sociais em uma região ainda em processo de colonização.

Tommaso Radaelli e a tradição vitivinícola

Tommaso Radaelli é lembrado entre os pioneiros que contribuíram para a implantação das primeiras atividades agrícolas na região. Chegou acompanhado da esposa, Maria Pasqualina Pirovano, e do filho, Angelo Fermo.

A tradição histórica local associa seu nome ao desenvolvimento inicial da viticultura na Serra Gaúcha. Segundo os relatos sobre a colonização, em 1877 ele recebeu mudas de videira da família Ruschel, estabelecida em Picada Feliz.

Esse episódio permite compreender como os conhecimentos agrícolas e os materiais necessários ao cultivo circulavam entre os primeiros núcleos de imigrantes. A expansão da viticultura dependia da adaptação das plantas às condições locais, da experiência dos agricultores e da transmissão de técnicas entre famílias.

A importância posterior da produção de uvas e vinhos na economia regional não deve ocultar o caráter gradual desse processo. A viticultura desenvolveu-se ao longo do tempo, em meio a experiências, dificuldades e aperfeiçoamentos sucessivos.

A trajetória atribuída a Radaelli integra a memória de uma transformação econômica que ajudaria a distinguir a Serra Gaúcha de outras regiões agrícolas brasileiras.

Luigi Sperafico e a organização da propriedade familiar

Luigi Sperafico e Angela Rivolti chegaram ao Brasil acompanhados dos filhos. A presença de uma família numerosa era importante para a organização do trabalho rural, especialmente em uma época em que as tarefas agrícolas dependiam intensamente da mão de obra disponível no próprio núcleo doméstico.

A família é associada à localidade de Travessão São José, onde a agricultura constituiu a base da subsistência e da organização econômica.

A propriedade rural desempenhava várias funções simultâneas. Era o lugar de moradia, o espaço de produção dos alimentos e o centro das atividades familiares. Nela se transmitiam conhecimentos, costumes e práticas que ajudavam a preservar vínculos com a cultura de origem.

A pequena agricultura exigia planejamento e adaptação. Era necessário combinar a produção destinada ao consumo doméstico com a obtenção de excedentes que pudessem ser trocados ou vendidos.

O trabalho das famílias colonizadoras também contribuiu para a formação de relações de cooperação entre vizinhos. A ajuda mútua, a circulação de produtos e o compartilhamento de experiências eram importantes para superar as dificuldades dos primeiros anos.

A história dos Sperafico ajuda a compreender por que a pequena propriedade familiar se tornou uma das características marcantes de diversas áreas de colonização italiana no Rio Grande do Sul.

Stefano Crippa e a formação do núcleo comercial

Stefano Crippa, que chegou acompanhado da esposa, Natalina Galliani, e do irmão Carlo, também ocupa lugar na memória da fundação de Nova Milano.

Sua trajetória é associada à agricultura e à instalação de uma casa comercial. A presença de um estabelecimento desse tipo representava uma etapa importante no desenvolvimento da comunidade, pois permitia ampliar o acesso a mercadorias e favorecia a circulação econômica.

A tradição local também atribui a Stefano Crippa a escolha do nome Nova Milano, uma referência à cidade de Milão, na Lombardia. A denominação expressava um vínculo simbólico com a terra de origem e ajudava a conservar referências culturais em um ambiente distante da Itália.

A atribuição do nome revela uma característica recorrente em comunidades de imigrantes: a necessidade de estabelecer continuidades entre a memória do lugar deixado para trás e a realidade construída no país de destino.

O comércio, por sua vez, contribuía para reduzir o isolamento das propriedades agrícolas. À medida que a comunidade crescia, aumentava a necessidade de abastecimento e de pontos de encontro para as relações econômicas e sociais.

Os Crippa, os Sperafico e os Radaelli não esgotam a história da imigração italiana na região. Seus nomes, entretanto, tornaram-se referências importantes para a compreensão dos primeiros tempos da colonização.

Luiz Bugre e os primeiros caminhos da colonização

A história tradicional de Nova Milano também recorda a participação de Luiz Bugre, personagem associado à orientação dos primeiros imigrantes nos caminhos que conduziam à Serra Gaúcha.

Relatos locais descrevem Luiz Bugre como alguém familiarizado com a região e capaz de auxiliar os recém-chegados a encontrar o local de estabelecimento. Sua participação é especialmente relevante para compreender a importância do conhecimento territorial em uma época na qual a circulação dependia de trilhas e passagens de difícil acesso.

Algumas narrativas afirmam que ele havia vivido entre colonos alemães, experiência que teria contribuído para seu conhecimento dos caminhos da região. A tradição também relaciona seu nome à utilização de uma cabana como abrigo inicial dos pioneiros.

Esses detalhes devem ser considerados à luz das fontes históricas disponíveis, distinguindo os elementos documentados das informações transmitidas pela memória local. Essa precaução não diminui o interesse do episódio; ao contrário, permite construir uma narrativa mais rigorosa.

Abrir caminhos era uma tarefa fundamental para a sobrevivência dos núcleos coloniais. Sem vias de circulação, tornava-se difícil transportar ferramentas, alimentos, sementes e materiais para a construção das moradias.

A presença de Luiz Bugre nos relatos também lembra que a colonização ocorreu em um território que possuía uma história anterior à chegada dos imigrantes. Povos indígenas já habitavam e percorriam essas áreas, detendo conhecimentos sobre a paisagem e os recursos naturais.

Por isso, a história da ocupação da Serra Gaúcha deve reconhecer tanto a contribuição dos imigrantes quanto a existência das populações que já viviam na região. A compreensão desse contexto amplia a perspectiva histórica e evita representar a colonização como se tivesse ocorrido em um espaço vazio.

A formação da comunidade e o desenvolvimento agrícola

Os primeiros anos de Nova Milano foram marcados pela necessidade de garantir as condições materiais de sobrevivência. As famílias precisavam preparar o solo, construir moradias e organizar a produção de alimentos em um ambiente com infraestrutura limitada.

O trabalho agrícola ocupava posição central, mas a consolidação de uma comunidade dependia de outras atividades. O comércio, a criação de animais, a troca de produtos e a abertura de caminhos permitiam estabelecer relações entre as propriedades e reduzir as dificuldades decorrentes do isolamento.

A família constituía a unidade fundamental de organização econômica. As tarefas eram distribuídas conforme as necessidades da propriedade e a composição do grupo doméstico. O conhecimento adquirido em uma geração podia ser transmitido aos filhos, contribuindo para a continuidade das atividades agrícolas.

Ao mesmo tempo, os vínculos entre vizinhos favoreciam a construção de uma rede comunitária. A cooperação permitia enfrentar períodos difíceis e criar condições para o desenvolvimento de atividades que ultrapassavam a subsistência imediata.

A cultura também se transformou nesse processo. Os imigrantes trouxeram práticas religiosas, hábitos alimentares, formas de trabalho e variedades linguísticas de suas regiões de origem. Ao longo das gerações, esses elementos foram adaptados à realidade brasileira.

A identidade cultural que se consolidou na Serra Gaúcha não corresponde a uma simples reprodução da vida italiana. Ela resultou do encontro entre tradições regionais europeias e as condições históricas, sociais e econômicas do Brasil.

A língua é um exemplo dessa continuidade transformada. Em diferentes comunidades de descendentes, variedades linguísticas de origem vêneta passaram a conviver com o português e adquiriram características próprias.

Leia também: Talian, o Vêneto Brasileiro e suas Regras de Acentuação.

A importância histórica de Nova Milano

O desenvolvimento da colonização italiana no Rio Grande do Sul ocorreu em etapas, com a chegada de novos grupos e a formação de diferentes núcleos habitacionais. Nova Milano integra a memória desse processo como uma das principais referências da fase inicial da imigração italiana organizada na Serra Gaúcha.

Sua importância está relacionada tanto à cronologia quanto ao significado que a localidade adquiriu para as gerações seguintes. O lugar passou a representar o início de uma experiência coletiva que se ampliou para outras áreas e contribuiu para a formação de comunidades rurais e urbanas.

Ao longo do tempo, a região desenvolveu atividades agrícolas e comerciais que ajudaram a sustentar seu crescimento. A viticultura tornou-se particularmente importante na Serra Gaúcha, embora seu desenvolvimento tenha resultado do trabalho de numerosas famílias e de processos que se estenderam por décadas.

A contribuição dos imigrantes também se manifesta na vida comunitária, nas instituições religiosas e educacionais, nas festas e nas formas de sociabilidade que se desenvolveram nas áreas de colonização.

Farroupilha passou a ser reconhecida pela relação histórica com Nova Milano, e a localidade tornou-se um ponto de referência para a preservação da memória da imigração italiana.

A expressão “Berço da Imigração Italiana” deve ser compreendida nesse contexto histórico: ela identifica um marco da colonização italiana organizada no Rio Grande do Sul, sem significar que a presença de italianos em todas as partes do território brasileiro tenha começado naquele lugar ou naquela data.

A distinção é importante para situar Nova Milano dentro da história mais ampla das migrações italianas, que envolveram diferentes regiões de origem, rotas de viagem e destinos no Brasil.

A memória dos pioneiros e a pesquisa genealógica

Para os descendentes de italianos, Nova Milano possui um significado que ultrapassa os limites da história regional. O estudo das famílias pioneiras pode despertar o interesse pela reconstrução das trajetórias de antepassados que chegaram ao Brasil durante o século XIX ou nas décadas posteriores.

A pesquisa genealógica, entretanto, exige método e atenção aos documentos. Um sobrenome, isoladamente, não é suficiente para comprovar parentesco ou determinar a origem de uma família.

Certidões de nascimento, casamento e óbito, registros paroquiais, listas de passageiros e documentos de propriedade podem oferecer pistas importantes. A comparação entre esses registros permite confirmar datas, identificar localidades e distinguir pessoas que possuíam nomes semelhantes.

Também é necessário considerar as variações de grafia que surgiam durante os registros, as mudanças administrativas e as diferenças entre os sistemas documentais italianos e brasileiros.

Para iniciar essa investigação, consulte o artigo Como Encontrar Registros de Italianos que Imigraram para o Brasil.

Quando o pesquisador consegue identificar o município de origem de um antepassado, a busca pode avançar para os registros civis e religiosos correspondentes ao período. Essa etapa permite relacionar a história da família à realidade social da comunidade italiana de onde ela partiu.

A genealogia torna-se mais significativa quando os documentos são interpretados em seu contexto. Conhecer a data de nascimento de um antepassado é importante, mas compreender as condições em que viveu, as razões que podem ter motivado sua emigração e o ambiente encontrado no Brasil ajuda a reconstruir uma história familiar mais completa.

Nova Milano e a continuidade da história da imigração italiana

Em maio de 1875, as famílias associadas ao núcleo pioneiro de Nova Milano encontraram uma realidade muito diferente daquela que haviam deixado na Itália. A região exigia trabalho, adaptação e a construção gradual das condições necessárias para uma vida estável.

Não era possível prever, naquele momento, a dimensão que a colonização italiana alcançaria na Serra Gaúcha. O que existia era um conjunto de famílias dispostas a estabelecer suas propriedades e a construir novas perspectivas para as gerações seguintes.

A história posterior da região demonstra que a formação de uma comunidade depende de muitos fatores: trabalho agrícola, relações de vizinhança, circulação de mercadorias, transmissão cultural e organização social.

Nova Milano permaneceu na memória coletiva porque representa uma referência concreta desse processo. Sua trajetória conecta a experiência da emigração europeia à formação de uma sociedade regional brasileira marcada pela contribuição de sucessivas gerações de descendentes.

Estudar os pioneiros significa reconhecer a importância de suas experiências sem ignorar as dificuldades da colonização e a história anterior do território. Significa também compreender que a identidade cultural se forma ao longo do tempo, por meio da convivência entre memória, trabalho e transformação social.

Para quem procura conhecer as próprias raízes, Nova Milano oferece uma oportunidade de relacionar a história coletiva às experiências particulares de cada família.

A memória das famílias pioneiras de 1875 continua a fazer parte da história do Rio Grande do Sul. Preservá-la é reconhecer o papel da imigração italiana na formação da Serra Gaúcha e manter abertas as possibilidades de pesquisa para as novas gerações.

Visite também o Portal A Emigração Vêneta, em https://emigrazioneveneta.blogspot.com/, e conheça outros estudos sobre a imigração italiana, a história das comunidades coloniais, a cultura dos descendentes e a pesquisa das origens familiares.

Nota do autor

A história da imigração italiana é formada por acontecimentos coletivos e por milhares de trajetórias familiares. Cada documento encontrado, cada localidade identificada e cada sobrenome corretamente contextualizado ajuda a recuperar uma parte dessa memória. Conhecer as origens não significa apenas olhar para o passado: significa compreender melhor a formação das comunidades e preservar a história que será transmitida às próximas gerações.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Autor e pesquisador da Imigração Italiana e histórias familiares



segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

La Lìnea Palmeiro el caminho de la speransa ’nte la Serra Gaúcha

 


La Lìnea Palmeiro el caminho de la speransa ’nte la Serra Gaúcha

La Lìnea Palmeiro la ga un posto de primo piano ’nte la stòria de la colonizassion italiana de la Serra Gaúcha. Creà ’ntei ani 1870, la zè stà ´na de le prime strade segnà par ricever i imigranti, organizare i lotti de tera e meter in comunicassion le prime comunità coloniai de la region.


L’origene de la Lìnea Palmeiro e i primi ani de colonisassion

La Lìnea Palmeiro la siapà el so nome dal ingegnere che el ga fato la demarcassion de le tere. El so percorso el gavea sirca 28 chilòmetri, conetando la vècia Colònia Dona Isabel — che incòi la ze Bento Gonçalves — fin a Colònia Nova Vicenza, che incòi la ze Farroupilha.

Su tuto sto traieto i gavea segnà 200 loti de tera, ognedun con sirca 48 etari, grando abastansa par ospitar anca pì de ’na famèia. La division la ze restà cusì:

  • Loti da 1 a 99: zona de Bento Gonçalves

  • Loti da 100 a 200: zona che incòi la ze Farroupilha

I primi italiani i ze rivà in 1875, e verso el 1880 la zente gavea za ocupà quasi tuto. I coloni i ga fato casa, i ga sbosà, i ga fato i sentieri e i ga scominsià le coltive che dopo i ani i daria origine a la tradission vinìcola de la Serra Gaúcha.

L’importansa de la Lìnea Palmeiro par lo svilupo de la region

A parte de ’na strada, la Lìnea Palmeiro la ze stà el filo de vita che meteva insieme economia, comunità e la cultura de quei primi imigranti. Par là pasava tuto: prodoti de campagna, carghe, animai e anca le tradission che lori i ga portà da casa.

Sta via la permetea:

  • l’escolamento de la produssion agrìcola;

  • la comunicassion tra le comunità coloniai;

  • la nascita de nùclei religiosi e culturai;

  • el svilupo economico de la region.

La Lìnea Palmeiro la ze stà essensial par el sucesso de la colonisassion italiana ’nte el Rio Grande do Sul.

La fede dei imigranti e la devossion a la Madona de Caravaggio

Uno dei punti pì importanti de la Lìnea Palmeiro el ze la costrussion de la prima capela dedicà a la Madona de Caravaggio, fata su el loto 139. Da quel ze nato el futuro Santuàrio de Caravaggio, incòi un sìmbolo importante de la fede de la zente de la Serra Gaúcha.

Par quei coloni, la capela la gavea el senso de:

  • conforto ’nte le fadighe;

  • union tra le famèie italiane;

  • conservassion de le tradission portà da l’Itàlia;

  • speransa par un futuro novo.

La devossion, nassù là in meso a la foresta, la ze viva fin incòi.

Parché ze importante conservar sta stòria?

Capir la Lìnea Palmeiro el ze capir la nàssita vera de la Serra Gaúcha. Ogni lote, ogni famèia, ogni passo ’nte la mata ze la prova del coraio de quei che i gavea molà tuto par scominsiar da zero.

Sta strada la simbolisa:

  • el scomìnsio de la vitivinicoltura;

  • la formassion de Bento Gonçalves e Farroupilha;

  • la resistensa e la fede dei imigranti;

  • la nàssita de ’na identità ùnica ’ntel Brasil.

Salvar sta memòria la ze onorar el laoro e la vita de quei che ga fato grande la region.

Nota del autor

Mi go scrito sto testo parchè credo che conòssere el passà el ze fondamental par valorar el presente. La stòria de la Lìnea Palmeiro no la ze so ’na lista de nùmari e loti — la ze la stòria de la lota, de la speransa e de la volontà de tante famèie italiane che i ga trovà qua el so futuro. In sti ani che se parla tanto de identità e radise, contar sta stòria la ze on modo par tegner viva la memòria de chi che i ze vegnù avanti e par dar orgòio a le generassion che vignarà.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta


domingo, 30 de novembro de 2025

Linha Palmeiro o caminho da esperança na Serra Gaúcha


Linha Palmeiro o caminho da esperança na Serra Gaúcha

A Linha Palmeiro ocupa um lugar central na história da colonização italiana na Serra Gaúcha. Criada na década de 1870, ela serviu como uma das primeiras vias estruturadas para receber imigrantes, organizar os lotes agrícolas e conectar as recém-fundadas comunidades rurais da região.

A origem da Linha Palmeiro e o início da colonização italiana

A Linha Palmeiro recebeu esse nome em homenagem ao engenheiro responsável pela demarcação territorial. Seu traçado se estendia por cerca de 28 quilômetros, ligando a antiga Colônia Dona Isabel — atual Bento Gonçalves — até a Colônia Nova Vicenza, hoje Farroupilha.

Ao longo desse percurso foram demarcados 200 lotes rurais, cada um com aproximadamente 48 hectares, tamanho suficiente para abrigar mais de uma família. A divisão territorial ficou marcada da seguinte forma:

  • Lotes 1 a 99: área correspondente a Bento Gonçalves

  • Lotes 100 a 200: região onde hoje está Farroupilha

Os primeiros imigrantes italianos chegaram em 1875, e em poucos anos — por volta de 1880 — grande parte da Linha Palmeiro já estava ocupada. Esses pioneiros construíram casas, desbravaram a mata, abriram caminhos e iniciaram o cultivo que mais tarde daria origem à tradição vitivinícola da Serra Gaúcha.

A importância da Linha Palmeiro para o desenvolvimento da região

Mais do que uma estrada, a Linha Palmeiro funcionou como um eixo vital de integração econômica e social. Por ela circulavam produtos agrícolas, materiais de construção, mercadorias e também histórias, tradições e laços comunitários.

A picada aberta pelos primeiros colonos logo se transformou em uma via estruturada, permitindo:

  • escoamento da produção agrícola para os centros de consumo;

  • comunicação entre as diversas comunidades coloniais;

  • formação de núcleos religiosos, culturais e familiares;

  • crescimento econômico contínuo durante todo o final do século XIX.

Essa rota foi um elemento decisivo para o sucesso da colonização italiana no Rio Grande do Sul.

A fé dos imigrantes e a devoção a Nossa Senhora de Caravaggio

Um dos marcos mais simbólicos da Linha Palmeiro é a construção da primeira capela dedicada a Nossa Senhora de Caravaggio, erguida no lote 139. Esse pequeno templo foi o embrião do que mais tarde se tornaria o Santuário de Caravaggio, um dos principais símbolos religiosos da região.

Para muitos colonos, esse espaço representava:

  • consolo diante das dificuldades;

  • a união entre famílias italianas;

  • a preservação das tradições espirituais trazidas da Europa;

  • a certeza de que aquele território seria seu novo lar.

A devoção ali iniciada atravessou gerações e permanece viva na cultura regional até hoje.

Por que preservar essa história é essencial?

Entender a Linha Palmeiro é compreender o nascimento da Serra Gaúcha moderna. Cada lote, cada família, cada picada aberta na mata representa o esforço coletivo de imigrantes que reconstruíram suas vidas longe da Itália.

Essa rota histórica simboliza:

  • o início da vitivinicultura;

  • a formação das cidades de Bento Gonçalves e Farroupilha;

  • a resistência, coragem e fé dos imigrantes;

  • o surgimento de uma identidade cultural única no Brasil.

Ao preservar essa memória, honramos o legado de milhares de homens e mulheres que transformaram a região em um dos polos culturais e econômicos mais importantes do país.

Nota do autor

Escrevi este texto para valorizar a memória dos imigrantes que desbravaram a Linha Palmeiro e ergueram, com esforço e esperança, as bases da Serra Gaúcha. Contar essa história é manter vivo o legado de quem lutou, sonhou e acreditou em um futuro melhor. Como descendente e pesquisador da imigração italiana, sinto que preservar essas narrativas é essencial para fortalecer nossa identidade e transmitir às novas gerações o orgulho de nossas origens.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



quarta-feira, 11 de abril de 2018

Lotes de Terra e Sobrenomes na Linha Palmeiro - Imigração Italiana no Rio Grande do Sul




No início da colonização italiana na Serra Gaúcha as famílias eram assentadas em grandes lotes separados pelas chamadas linhas e travessões, que permitiam o acesso livre entre eles. 
Desde os primeiros tempos constatou-se a necessidade de estradas para possibilitar o escoamento da produção e a sua comercialização, atingindo os centros consumidores. A chamada Linha Palmeiro, nome este dado em homenagem ao engenheiro que realizou a demarcação dos lotes, foi uma das mais antigas vias coloniais do Rio Grande do Sul. Tinha uma extensão de 28 Km e em todo o seu comprimento foram demarcados 200 lotes de terra, logo ocupados pelo emigrantes italianos.

Esta importante via começava na localidade conhecida por Barracão, na então Colônia Dona Isabel, hoje município de Bento Gonçalves, onde ficava o lote de número 1 e se entendia até a Colônia Nova Vicenza, hoje Farroupilha, com o lote de número 200. 

Em toda a sua extensão, de acordo com um censo realizado em 1883, dava conta que todos os lotes já estavam ocupados, alguns por mais de uma família, devido a grande área de terra disponível em cada um. Ainda no mesmo censo desse ano relata que nela estavam vivendo 1938 pessoas. 
A Linha Palmeiro, pela sua importância, foi palco de importantes episódios da história da colonização italiana do Rio Grande do Sul. Entre elas podemos lembrar a morte de Don Domenico Munari, pároco daqueles pioneiros, falecido no ano de 1878, aos 39 anos de idade, na altura do lote 79, em situação mal explicada.

Don Domenico, na Itália sido pároco da localidade de Fastro, comune de Arsiè, Província de Beluno e emigrou para o Brasil em 1876, via Porto de Bordeaux, juntamente com um grande grupo de seus paroquianos, em uma acidentada viagem oceânica a bordo de um veleiro norueguês que naufragou logo na saída, ainda nas costas da França.



Também foi na Linha Palmeiro que aconteceu a criação da Capela de Nossa Senhora de Caravaggio (Madonna di Caravaggio), no lote 139, hoje um grande Santuário, que marcou a vida daquela população.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS

domingo, 25 de março de 2018

Sobrenomes Italianos e Vênetos na Linha Palmeiro Rio Grande do Sul



Sobrenomes (cognomi) italianos e vênetos na Linha Palmeiro, uma das principais vias de comunicação no início da colonização italiana no Rio Grande do Sul, que ligava a Colônia Dona Isabel (Bento Gonçalves) a Nova Vicenza (Farroupilha). Os sobrenomes aqui estão em ordem alfabética e não levando em conta o número do lote que ocupavam. Também muitos sobrenomes se repetem na lista pelo número do lote, quando vários núcleos familiares ocupavam os seus respectivos lotes. Também em alguns destes foram assentadas mais de uma família devido a enorme área de terra que tinham. Assim encontramos os sobrenomes: 

Adosco, Agnoletto, Agosti, Alberti, Antiga, Arboit, Arnoldi, Arsego, Bacin, Balbinote, Balbinotti, Barppi, Bartelli, Bartuci, Basei, Baso, Bassani, Bassi, Battistuzzi, Bellaver, Belluchi, Benvenuto, Bernardi, Bernardo, Bertuol, Bertuoli, Bertuolo, Bezzi, Bianchi, Biason, Biasus, Bonelli, Bongo, Bortolazi, Brustolin, Bunetta, Buratti,Bustolin, Cadona, Cainei, Canelli, Cantere, Canton, Carli, Carlin, Carnier, Cartieri, Casa Grande, Casagrande, Casanova, Cassol, Cassoli, Cavaleri, Cavaletti, Centa, Checonelle, Chiaconelli, Chiconello, Cilochi, Colere, Colombelli, Colonezi, Coloto, Comiotto, Conti, Cortina, Costacurta, Crestani, Cusin, Cuzzo, Dacos, Dalaqua, Dalberti, Dalberto, Dall´Agnol, Dallacen, Dallaqua, Dallarin, Dalldat, Dalmagro, Dalmazo, Dalpiva, Dalpizo, Dalponti, Dalvisco, Damarchi, Damiani, Damo, Dargolla, Darri, Dartor, Dassoler, De Luccas, De Maman, De Zorzi, Debarba, Debona, Decesere, Delazin, Delfabro, Dellosbe, Deparis, Dersodio, Desvaldi, Devilla, Dinardi, Domatteu Domenegatti, Domenegatto, Donada, Dorgi, Fabiani, Fabiano, Fachi, Fachio, Fai, Falgatti, Faoro, Faotto, Ferrari, Fiori, Fiurentina, Fochi, Fontanella, Foresti, Frà, Franceschi, Franceschini, Franceschito, Francesco, Francescon, Frandaloso, Fuzari, Gairdo, Galapaci, Galli, Gallina, Gasparin, Gasparini, Ghedini, Giaboti, Giacomel, Giron, Globo, Gobbi, Grando, Granville, Isordi, Isotton, Lamanata, Lanfredi, Lerin, Lira, Lodi, Lombardi, Lonardi, Lucavva, Macoli, Madalozzo, Madurano, Magagnin, Magnani, Magnoli, Mancalosi, Maregia, Marengon, Marin, Marini, Matteu, Mazzelino, Menegotto, Menegrini, Menin, Menta, Merlin, Milanezi, Mioni, Mognoli, Molin, Molinetti, Mulinari, Niquili, Noal, Oldoni, Olivier, Osvaldo, Pagnozatto, Pallude, Panassioli, Panazzolo, Pandolfi, Pasa, Pechin, Perdo, Perlina, Perozzo, Pezzin, Pialho, Pianna, Picolo, Pierri, Pilla, Poletti, Raimondi, Regali, Resera, Ricini, Rizzo, Ros, Marino, Rosarolli, Rossi, Rostirol, Rozzi, Saboti, Sachelli, Sachetti, Salangna, Salatini, Salvador, Sarini, Sarzi, Savario, Savaris, Sbardelotto, Scarton, Sculario, Sebben, Selotti, Serafino, Sertorio, Serttorio, Sineiro, Spolti, Spotti, Squena, Sterzzi, Strapazzon, Sumacal, Tabaldi, Tigarolli, Tomasini, Tonette, Tonietto, Torrini, Tremeio, Troici, Turbian, Under, Valdanega, Valério, Vasseler, Venzon, Vicentino, Viessel, Viessi, Zancanor, Zanella, Zanim, Zanin, Zanol, Zanoli, Zatte, Zomita, Zucchi, Zucco.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS


Linha Palmeiro o caminho dos imigrantes italianos entre Bento Gonçalves e Farroupilha no RS




No início da colonização italiana na Serra Gaúcha as famílias eram assentadas em grandes lotes separados pelas chamadas linhas e travessões, que permitiam o acesso livre entre eles.
Desde os primeiros tempos constatou-se a necessidade de estradas para possibilitar o escoamento da produção e a sua comercialização, atingindo os centros consumidores.
A chamada Linha Palmeiro, nome dado em homenagem ao engenheiro que realizou a demarcação dos lotes, foi uma das mais antigas vias coloniais do Rio Grande do Sul. Tinha uma extensão de 28 Km e em todo o seu comprimento foram demarcados 200 lotes de terra que logo foram ocupados pelos imigrantes italianos que chegavam.
Esta importante via começava na localidade conhecida por Barracão, na então Colônia Dona Isabel, hoje município de Bento Gonçalves, onde ficava o lote de número 1 e se entendia até a Colônia Nova Vicenza, hoje Farroupilha, com o lote de número 200.
Em toda a sua extensão, de acordo com um censo realizado em 1883, dava conta que todos os lotes já estavam ocupados, alguns por mais de uma família, devido a grande área disponível em cada um. Ainda o mesmo censo desse ano relata que nela estavam vivendo 1938 pessoas.
A Linha Palmeiro, pela sua importância, foi palco de importantes passagens da história da colonização italiana do Rio Grande do Sul. Entre elas a morte de Don Domenico Munari, pároco daqueles pioneiros, falecido no ano de 1878, aos 39 anos de idade, na altura do lote 79.
Don Domenico, tinha sido pároco de Fastro, comune de Arsiè, Província de Belluno e emigrou para o Brasil em 1876, via Porto de Bordeaux, juntamente com um grande grupo de seus paroquianos, em uma acidentada viagem oceânica a bordo de um veleiro norueguês que naufragou logo na saída, ainda nas costas da França.
Também na Linha Palmeiro aconteceu a criação da Capela de Nossa Senhora de Caravaggio, no lote 139, hoje Santuário, que marcou a vida daquela população.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta

Erechim RS