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domingo, 3 de março de 2024

O Açúcar em Veneza

 



A influência de Veneza na propagação da cultura da cana-de-açúcar e sua posterior introdução no Caribe tiveram um impacto fundamental na remodelação do comércio e dos padrões alimentares na Europa. Sempre à vanguarda, a Sereníssima República veneziana liderou esse processo por meio de seus visionários observadores e hábeis comerciantes.
A revelação desse elemento remonta a 1099, mérito dos Cruzados, que testemunharam e registraram, próximo a Tripoli, na Síria, as exuberantes canas de tons mel. Um cronista de guerra da época descreveu vividamente: "Os campos eram um mar de canas meladas, apelidadas de açúcar, cultivadas com primor; quando maduras, os nativos as trituravam em pilões, obtendo uma massa que era coletada e deixada para solidificar como neve ou sal fino. Os cruzados as utilizavam em papas, misturando o açúcar ao pão e à água. Durante os cercos em Albânia, em Archas e Marra, nutriam-se dessas deliciosas canas." Até então, a culinária do Oriente era reverenciada por suas especiarias exóticas e sabores singulares, resultando em um florescimento da pesquisa gastronômica, como testemunhado por textos culinários da época. Na Europa, os primeiros livros de receitas surgiram até o século XIII, enquanto no Oriente já havia um catálogo desde o século X. É digno de nota que, entre os séculos XIII e XIV, um tratado de dietética árabe foi vertido para o latim em Veneza por um personagem conhecido como Jamboninus de Cremona, evidenciando a assimilação dos hábitos gastronômicos orientais pelos venezianos.
No ano de 1222, o Doge Ziani expressou preocupação com a falta de peixe e outros alimentos tradicionais, porém Angelo Faliese, procurador de São Marcos, prontamente esclareceu que essa escassez era, na verdade, um reflexo do sucesso veneziano: as abundantes importações do Oriente e o influente papel desempenhado por Veneza no enriquecimento da cultura europeia.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

O Demorado e Complicado Rito da Eleição dos Doges


Doge Andrea Gritti 1455 - 1538



Como acontece em todos os governos do mundo, entorno do cargo de doge, se moviam  não só interesses familiares, econômicos e de poder, mas, também abusos e rivalidades mal disfarçadas. 

Nos primeiros séculos da história veneziana, alguns doges tentaram tornar o seu poder absoluto e hereditário. Em 1268 para por fim a esse tipo de ideia foi introduzida a promessa ducal, uma espécie de contrato que o doge firmava com o Maior Conselho, que era o verdadeiro centro do poder do estado veneziano, que limitava os seus poderes e um novo mecanismo eleitoral a ser usado para a escolha do futuro doge. Este complicado sistema de eleição foi mantido até a queda da república em 1797, com a invasão das tropas napoleônicas. 


Eleição do Doge


A demorada eleição se desenvolvia em diversas fases: primeiro o conselheiro mais jovem devia sair do palácio ducal e descer até a Basílica de San Marco, pegar pela mão o primeiro menino que encontrasse e levá-lo para o palácio. Era o denominado balotin, o encarregado de extrair as esferas da votação de uma urna. Todos os eleitores deviam obviamente fazer parte do Maior Conselho e deveriam ter completado a idade de trinta anos. No dia escolhido para a eleição do novo doge, todos os que tinham o direito de votar, se reuniam na Sala do Maior Conselho. Ali, em uma urna, estavam as esferas, em número exato ao total dos membros votantes. Em trinta destas esferas estava escrito "elector". 

O menino, que se denominava de balotin, extraia uma esfera por vez e a consignava sucessivamente a um dos votantes. Os conselheiros que tinham recebido a esfera com a palavra elector se reuniam e sorteavam nove nomes entre eles. 

Estes nove se reuniam e escolhiam outros quarenta conselheiros - os primeiros quatro dos nove tinham o direito de escolher cinco nomes e os cinco deles restantes podiam propor quatro nomes cada um. Todos esses quarenta conselheiros que tinham sido escolhidos faziam uma nova extração entre eles e designavam doze representantes, os quais por sua vez elegiam outros vinte e cinco conselheiros, estes por sua vez deveriam escolher, através de novo sorteio, nove nomes entre eles. 

Estes nove deveriam escolher outros quarenta e cinco conselheiros, os quais por sua vez deviam escolher onze nomes. Estes últimos onze conselheiros deveriam eleger quarenta e um "grandes eleitores" os quais elegeriam o novo doge. 

Era eleito doge aquele que conseguisse o maior número de preferências, com o mínimo de vinte e cinco votos. 


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta

Erechim RS

segunda-feira, 12 de março de 2018

Le Leggende de El Bocolo - Festa del Patrono di Venezia


El bocolo

Il 25 aprile Il 25 aprile a Venezia si festeggia il patrono della città, San Marco Evangelista. Storicamente, ai tempi della Serenissima Repubblica, si organizzava una processione a cui partecipavano sia autorità civile, sia religiose che partiva proprio da Piazza San Marco.

Tantissime sono le leggende legate a questo Santo venerato dai veneziani e proprio da una di queste l'usanza di regalare in questo giorno un bocciolo di rosa rossa "bocolo" alla persona amata, tradizione che nessun maschio veneziano infrange.

1) Secondo una di queste, durante la fortissima mareggiata che, come narra Marin Sanudo, colpì Venezia nel febbraio del 1340, un barcaiolo riparatosi presso il ponte della Paglia fu invitato a riprendere il mare da un cavaliere.
Durante il tragitto verso la bocca di porto, il barcaiolo fece sosta a S. Giorgio Maggiore e poi a S. Nicolò del Lido. Raggiunto il mare aperto, i demoni che spingevano l'acqua verso Venezia furono affrontati e battuti dai tre Santi cavalieri: Marco, Giorgio e Nicolò. Sconfitti i demoni, San Marco affidò al barcaiolo un anello, da consegnare all'allora doge Bartolomeo Gradenigo perchè fosse conservato nel Tesoro di San Marco.

2) Un’altra riguarda la storia del contrastato amore tra la nobildonna Maria Partecipazio ed il trovatore Tancredi. Nell'intento di superare gli ostacoli dati dalla diversità di classe sociale, Tancredi parte per la guerra cercando di ottenere una fama militare che lo renda degno di tanto altolocata sposa. Purtroppo però, dopo essersi valorosamente distinto agli ordini di Carlo Magno nella guerra contro i Mori di Spagna, cade ferito a morte sopra un roseto che si tinge di rosso con il suo sangue. Tancredi morente affida a Orlando il paladino, un bocciolo di quel roseto perché lo consegni alla sua (di Tancredi, non di Orlando) amata.
Orlando fedele alla promessa giunge a Venezia il giorno prima di S. Marco e consegna alla nobildonna il bocciolo quale estremo messaggio d'amore del perito spasimante. La mattina seguente Maria Partecipazio è trovata morta con il bocciolo rosso posato sul cuore e da allora, gli amanti veneziani usano quel fiore come rappresentativo pegno d'amore.

3) Nella seconda metà dell'Ottocento (864-881 N.d.r.) Orso I° Partecipazio era Doge di Venezia. Sua figlia amava, riamata, un giovane bello e coraggioso ma di umile famiglia, ragione per la quale suo padre non ne voleva sentir parlare. La ragazza allora consigliò all'innamorato di andare a combattere contro i Turchi(1), in modo da riscattare con la gloria delle imprese le sue umili origini. In breve i racconti sul coraggio e sulle eroiche gesta del giovane giunsero ovunque, finché un messaggero portò a Venezia un fiore ed una triste notizia: il giovane era caduto colpito a morte in combattimento. Prima di morire tuttavia questi trovò la forza cogliere un bocciolo da un cespuglio lì vicino e chiamare un compagno d'armi facendogli promettere di consegnarlo all'amata in segno di un amore e di una fedeltà che nemmeno la morte avrebbe potuto spezzare. Nel raccoglierlo il bocciolo si macchiò del sangue dello sfortunato giovane, tanto da renderlo rosso... come le rose che ancor oggi si donano.

4) Secondo altra leggenda la tradizione del bocolo discende invece dal roseto che nasceva accanto alla tomba dell'Evangelista. Il roseto sarebbe stato donato a un marinaio della Giudecca di nome Basilio quale premio per la sua grande collaborazione nella trafugazione delle spoglie del Santo. Piantato nel giardino della sua casa, il roseto alla morte di Basilio divenne il confine della proprietà suddivisa tra i due figli. Avvenne in seguito una rottura dell'armonia tra i due rami della famiglia (fatto che sempre secondo le narrazioni fosse causa anche di un omicidio), e la pianta smise di fiorire. Un 25 aprile di molti anni dopo nacque amore a prima vista tra una ragazza discendente da uno dei due rami e un giovane dell'altro ramo familiare. I due giovani s’innamorarono guardandosi attraverso il roseto che separava i due orti. Il roseto accompagnò lo sbocciare dell'amore tra parti nemiche coprendosi di boccoli rossi, e il giovane cogliendone uno lo donò alla ragazza. In ricordo di quest’amore a lieto fine, che avrebbe restituito la pace tra le due famiglie, i veneziani offrono ancor oggi il boccolo rosso alla propria amata.

Particolare venexiano, il bocolo è anche dono che in quel giorno i figli usano fare alle mamme.

Fonte: Mattia Von Der Schulenburg


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS

Il Leone di San Marco



Leone di San Marco

La simbologia del leone di san Marco deriva da un'antichissima tradizione delle Venezie, secondo la quale un angelo in forma di leone alato, avrebbe rivolto al Santo, naufrago nelle lagune, la frase: «Pax tibi Marce, evangelista meus. Hic requiescet corpus tuum.» (Pace a te, Marco, mio evangelista. Qui riposerà il tuo corpo.) preannunciandogli che in quelle terre avrebbe trovato un giorno riposo e venerazione il suo corpo. Il libro, spesso erroneamente associato al Vangelo, ripropone proprio le parole di benvenuto del leone e, nella maggior parte delle rappresentazioni veneziane, si presenta aperto recando solitamente la scritta latina «PAX TIBI MARCE EVANGELISTA MEVS»
Bisogna ricordare anche che lo stesso san Marco, rappresentato in forma di leone, è tipico dell'iconografia cristiana derivante dalle visioni profetiche contenute nel versetto dell'Apocalisse di san Giovanni 4, 7. Il leone è infatti uno dei quattro esseri viventi descritti nel libro come posto attorno al trono dell'Onnipotente ed intenti a cantarne le lodi, poi scelti come simboli dei quattro evangelisti. In precedenza questi "esseri" erano stati descritti dal profeta Ezechiele nel suo libro contenuto nella Bibbia ebraica. Il leone è associato a Marco in funzione delle parole con le quali inizia il suo Vangelo in riferimento a san Giovanni Battista:
« Inizio del vangelo di Gesù Cristo, Figlio di Dio.
Come è scritto nel profeta Isaia: "ecco, io mando il mio messaggero davanti a te, egli ti preparerà la strada.
Voce di uno che grida nel deserto: preparate la strada del Signore, raddrizzate i suoi sentieri". »
(Vangelo secondo Marco 1,1-3)
Il Battista vestiva nell'immaginario cristiano una pelle di leone e la frase evangelica della voce che grida nel deserto richiamava l'idea di un ruggito nel deserto.
Il leone simboleggia anche la forza della parola dell'Evangelista, le ali l'elevazione spirituale, mentre l'aureola è il tradizionale simbolo cristiano della santità.
Tuttavia il simbolo leonino esprimeva anche il significato araldico di maestà e potenza (tratto quest'ultimo sottolineato soprattutto dalla coda felina alzata), mentre il libro ben esprimeva i concetti di sapienza e di pace e l'aureola conferiva un'immagine di pietà religiosa. La spada, oltre al significato di forza, è invece anche simbolo di giustizia e difatti è ricorrente nelle rappresentazioni, antropomorfe e no, della Giustizia.
Erano dunque simbolicamente presenti tutti i caratteri con cui Venezia ama pensare e descrivere sé stessa: maestà, potenza, saggezza, giustizia, pace, forza militare e pietà religiosa.
Numerose le interpretazioni simboliche possibili riguardo alla combinazione tra spada e libro:
il solo libro aperto è ritenuto simbolo della sovranità dello Stato (numerose le raffigurazioni dei dogi inginocchiati davanti a tale rappresentazione);
il solo libro chiuso è invece ritenuto simbolo della sovranità delegata e quindi delle pubbliche magistrature;
il libro aperto (e la spada a terra non visibile) è ritenuto popolarmente simbolo della condizione di pace per la Serenissima,in realtà un falso storico perchè non è suffragato da alcuna fonte storica
il libro chiuso e la spada impugnata è invece popolarmente, ritenuto simbolo della condizione di guerra,ma è un falso storico dell 1800 ,il libro aperto e la spada impugnata sarebbe infine simbolo della pubblica giustizia.
Tuttavia tali interpretazioni non sono universalmente accettate in quanto la Serenissima non codificò mai i propri simboli rappresentati in modo assai vario. Rare, ma presenti, sono anche raffigurazioni del leone privo sia del libro, che della spada, che talvolta dell'aureola (soprattutto nella rappresentazione statuaria).
Non rare le raffigurazioni in cui il leone poggia le zampe anteriori su una terra in cui spesso compare anche una città turrita e quelle posteriori sull'acqua: tale particolare rappresentazione intendeva indicare il saldo potere di Venezia sulla terra e sul mare.
doc- stampa vettor carpaccio -leone andante 1516 -palazzo ducale 
doc- il leone di san marco -storia p.c


Fonte: Mattias Von Der Schulenburg


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS

Nozioni storiche sul Capodanno Veneto


Palazzo Ducale

Il calendario Veneto affonda le radici nella notte dei tempi fra i popoli indoeuropei. La zona originaria dei Veneti era il nord dell’Europa centrale (zona Lusaziana), dove gli scavi archeologici degli ultimi 30 anni stanno confermando quello che diverse fonti antiche riportavano. La civiltà veneta antica (venetica) sapeva coltivare, produrre il vino, allevare gli animali, scrivere, lavorare i metalli e le ceramiche, fare arte nelle case e nei monili, già attorno il 3000 Avanti Cristo. Questa civiltà creatrice aveva come divinità principale la Dea Retia che era appunto la divinità della vita, della salute e generatrice di essa. Non stupisce dunque che proprio quando la terra, ancora nel freddo, inizia l’attività generatrice e si prepara alla primavera, ossia nel mese di marzo, proprio allora i veneti festeggiassero la fine del vecchio anno e l’inizio del nuovo.
Attorno al 2500 A.C. iniziarono diverse migrazioni dei veneti, secondo alcuni per cause climatiche ed ambientali, secondo altri per una certa naturale espansione di una civiltà che sapeva dare molto alle altre senza bisogno di far guerra. Essi si espansero in tutte le direzioni, cosicché sono di origine indoeuropea anche le popolazioni dell’est come dell ovest fino all’odierno Iran. Verso sud essi si stanziarono anche nell’Anatolia, e successivamente, intorno al 1200 A.C., a seguito della guerra di Troia da cui Antenore fu salvato, si stanziarono nell’alto Adriatico, fondando Padova e altre Città. Forse perché i romani ebbero come capostipite Enea, un discendente di Antenore, anche essi usavano il calendario indoeuropeo con inizio a marzo, ma tuttavia esso non rispondeva bene alle loro necessità dato che era di originario di luoghi soggetti all’inverno artico. Alcuni sostengono che per loro l’anno iniziasse a marzo e fosse intitolato a Marte, ma secondo la mitologia romana arcaica, quella più antica, Marte era appunto il dio della natura, della fertilità, della pioggia e dei tuoni e fu solo successivamente, in età classica , che divenne il dio della Guerra.
Comunque fosse, ancora oggi il calendario risente dell’impronta indoeuropea, per cui a partire da Marzo, il mese della rinascita, si contano i dieci mesi, di cui il settimo (settembre), l’ottavo (ottobre), il nono (novembre) e il decimo (dicembre) conservano ancora il ricordo. Il quinto (Luglio ) e il sesto (Agosto ) furono poi intotalati a Julius e ad Cesare Augustus. Gennaio e Febbraio furono aggiunti con varie riforme per dare conto al ciclo delle stagioni che più a sud di dove nacque è diverso nei tempi della luce. Così, anche nella millenaria Serenissima Repubblica l’anno cominciava il 1 Marzo e Gennaio e Febbraio erano gli ultimi mesi dell’anno.

Fonte: Silvana Dal Cero


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS

domingo, 11 de março de 2018

Os campanários de Veneza - I Campanili di Venezia


Campanile e Coluna com o Leão Alado - fotostudiolapiazzetta



Antigamente, além de sinalizarem as horas e chamar os fiéis às funções religiosas, alguns campanários venezianos tinham também a função de faróis para os navios, como o Campanile di San Marco, o de San Nicolò, no Lido, o de S. Francesco delle Vigne e o de San Pietro di Castello. Ainda hoje os barcos e navios que entram no "bacino" usam algum dos campanários como ponto de referência para assinalar a rota. Também tiveram importância como ponto de observação e eventualmente na defesa da cidade. Os campanários venezianos tem como característica comum o fato de nunca estarem no prumo perfeito, porém um pouco inclinados. Isso se deve ao afundamento pelo enorme peso sobre um terreno geralmente não tão sólido. Alguns tiveram que ser reconstruídos por várias vezes devido desabamentos no decorrer dos séculos.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS 

sábado, 10 de março de 2018

La Peste Nera a Venezia nel XVI secolo - A Peste Negra em Veneza no século XVI




Nel XVI secolo, se dal punto di vista politico la città di Venezia stava perdendo il suo ruolo centrale, dal punto di vista demografico era in continua espansione: coi suoi 175.000 abitanti, era una delle città più popolose del mondo. Dal punto di vista culturale era una delle capitali europee, dove pittori, scultori, architetti e letterati rispondevano al nome di Tiziano, Tintoretto, Veronese, i Bassano, Palladio, Sansovino, Pietro Aretino, Galileo Galilei. La vivacità culturale era resa possibile da una notevole libertà di pensiero, che faceva sì che molti intellettuali stranieri perseguitati trovassero nella Serenissima una seconda patria. Questo prima dell'infuriare del terribile morbo della peste. 



Nel triennio 1575-1577 la Serenissima fu scossa dal flagello della peste: favorito dall'altissima concentrazione di abitanti, il morbo serpeggiò a lungo e inflisse delle perdite gravissime, con una recrudescenza drammatica nei mesi estivi del secondo anno. Le vittime furono quasi 50.000, più di un terzo dei suoi abitanti. Il morbo si diffuse principalmente tra le classi povere, a causa di una più diffusa promiscuità e di un tenore di vita precario. All'inizio la gravità del fenomeno fu minimizzata, ma con l'imperversare della pestilenza il governo dovette adottare misure igienico-sanitarie molto restrittive: creò lazzaretti, fece seppellire i morti con la calce, sequestrò case o addirittura interi quartieri, disciplinò i contatti con l'esterno, riuscendo a mantenere in vita le istituzioni. Durante la pestilenza si aggiravano per le calli di Venezia due figure particolari, che avevano a che fare con la malattia: il medico e il pizzicamorti. Il medico era esposto fortemente al rischio del contagio e doveva prendere molte precauzioni: era coperto di una veste nera, probabilmente di tela cerata, ben profumata di bacche di ginepro. 








Il pizzicamorti era invece il becchino, anche lui protetto da una casacca di tela incatramata e spessi guanti, cui spettava l'ingrato compito di trasportare i cadaveri degli appestati e bruciarli. Portava guanti e una maschera che copriva il viso e i capelli con un caratteristico naso adunco che conteneva aromatici antidoti, avvertiva della sua presenza facendo tinnire i campanelli di bronzo che portava alle caviglie. Il Senato, il 4 settembre 1576, deliberò che il Doge dovesse pronunciare il voto di erigere una chiesa dedicata al Redentore, affinché lo stesso intercedesse per far finire la pestilenza. Ogni anno la città si sarebbe impegnata a rendere onore alla basilica, il giorno in cui fosse pubblicamente dichiarata libera dal contagio, a perpetuo ricordo del beneficio ottenuto. Il 3 maggio 1577, a peste non ancora ufficialmente debellata, fu posta la prima pietra e il tempio votivo, opera di Palladio, fu consacrato nel 1592 (12 anni dopo la morte del celebre architetto). La facciata è caratterizzata da quattro gigantesche colonne che reggono un grande timpano triangolare e sembra essere su tre piani sovrapposti. L'interno è nello stesso tempo solenne e semplice, con pianta a croce latina.
Il 13 luglio 1577 la pestilenza fu dichiarata definitivamente debellata, e si decise, dunque, di festeggiare la liberazione dalla peste la terza domenica del mese di luglio. All'aspetto religioso della celebrazione si affiancò subito l'aspetto di festa popolare, momento liberatorio dopo tanta tristezza. Per attraversare il Canale della Giudecca e per consentire il transito della processione, già nel primo anno fu allestito un imponente ponte di barche, elemento caratterizzante della festività. Attorno al ponte e al tempio votivo il vociare di gente festante e gioiosa, a piedi o in barche riccamente addobbate, conferiva alla festa anche un aspetto profano, dove alla devozione popolare si accompagnavano piacere e divertimento. Era una notte di veglia, la "notte famosissima", che si concludeva solo con l'arrivo dell'alba. 


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS

O Arsenal de Veneza - L'Arsenale di Venezia



Em uma grande área industrial na zona nordeste de Veneza, no bairro ou sestiere di Castello, cercada por um alto muro de tijolos vermelhos. É o canteiro de obras do qual saiam os navios de guerra e mercantis que fizeram a fortuna e a grandeza de Veneza. A palavra arsenal deriva de darsina’a um vocábulo árabe que significa ao mesmo tempo estaleiro e canteiro de obras. Era no interior dessa estrutura industrial, portuária e militar que no período de maior produção chegou a contar com 16.000 operários especializados, que eram construídos e reparados as diversas embarcações militares e civis da Sereníssima Republica de Veneza. 



Foi fundado 1m 1104 pelo Doge Ordelaf Falier sobre duas pequenas ilhas conhecidas com “Gemelle”ou gêmeas. Foi continuamente sendo aumentado com o acréscimo de novas construções, atingindo seu ponto de maior esplendor nos séculos XIV e XVI, quando chegou a ocupar , protegido pelos muros e torres quadradas, quase um quinto da cidade. Era verdadeiramente uma cidade dentro da cidade. Os operários que ali trabalhavam eram chamados de “arsenalotti” e geralmente moravam em casas especialmente construídas entorno do muro. Nesses conglomerados também se desenvolviam muitas outras atividades artesanais de suporte que hoje podemos constatar nos nomes da ruelas. No arsenal se fabricava tudo que se possa imaginar para a construção dos navios de guerra e também aqueles mercantes, desde as cordas, velas, armamento, mas também os biscoitos que constituíam na ração básica para as tripulações. As embarcações saíam dali completamente prontas para o serviço. 




Se chegava ao Arsenale pela “Porta di Terra” ou pela Porta d’Acqua”. Esta última foi sendo aumentada gradativamente no decorrer dos séculos para dar passagem aos navios cada vez maiores que eram ali construídos. O núcleo mais antigo do Arsenale, chamado de “Arsena Vecchia”, situa-se no coração histórico do complexo e com muita probabilidade surgiu nos preparativos para a IV Cruzada, quando foi construída uma grande frota que em 1202 zarpou sob o comando do Doge Enrico Dandolo para a conquista de Constantinopla.

Foi restituído à cidade mas ainda sob controle da marinha militar italiana que ali construiu algumas importantes embarcações. 

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS


sexta-feira, 9 de março de 2018

A Justiça na Sereníssima República de Veneza - La Giustizia nella Serenissima Reppublica di Venezia

Il Ponte dei Sospiri

A Justiça em Veneza, na época da Sereníssima República, era exercida de modo exemplar e se transformou em um dos seus grandes mitos. Aos acusados era dada oportunidade de defesa e usava o mesmo rigor no caso em que eles pertencessem à classe dirigente. A inexorabilidade e a eficácia dos órgãos da justiça vêneta de então permitiram conter a criminalidade. No período compreendido entre os anos de 1300 e 1797, portanto em quase quinhentos anos, as condenações à morte foram em número de 1279, ou aproximadamente de duas ao ano. Trata-se de um número pequeno em relação ao que acontecia nesse mesmo período no resto da Europa. A pena mais severa depois da de morte era a de exílio, expulsão dos domínios da República de Veneza. Se o criminoso era condenado aos trabalhos forçados significava que era embarcado nas galeras como remador, os chamados de "galeotto". Daí o termo que ainda se pode ouvir hoje: condanatto alle galere. Nas prisões da Sereníssima existiam os famigerados "piombi", assim denominadas as prisões revestidas de placas de chumbo que cobriam o seu teto, como nas prisões do Palazzo Ducale. Os Doges deviam ser responsáveis e administrar com honestidade a Sereníssima República de Veneza. Os que não agiram corretamente foram executados como foi o caso do Doge Marino Falier que articulou um plano para impor um poder absoluto em Veneza contra o Governo Colegiado vigente. Julgado foi condenado por alta traição e decapitado no pátio do Palazzo Ducale, em execução reservada com as portas fechadas. A justiça da República tinha força para permitir a punição e até a decapitação do seu líder máximo. Quando assumiam o cargo os doges deviam jurar fidelidade e honestidade à República, não devendo fazer do cargo trampolim para poder pessoal ou para enriquecimento particular.

O Doge Jurando Lealdade à Veneza
Os doges não deviam se considerar senhores de Veneza, mas somente como chefes da República, ou melhor deviam se considerar os servos honorários desta e submeter-se às mesmas leis vigentes como qualquer outro cidadão comum.


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS

A Festa della Sensa e dello “Sposalizio del mare” - Manifestação Milenar em Veneza

 

 


É uma das mais antigas festas venezianas: tem mais de 1000 anos! No dia da Ascenção (Sensa) se celebra o histórico Casamento do Mar (Sposalizio del Mare), em recordação da conquista da Dalmazia (na costa leste do Mar Adriático, onde hoje estão alguns países: Croácia, Bósnia, e Montenegro) pela frota veneziana comandada pelo Doge Pietro Orseolo II entre os anos 999 e 1000. Naquele ano se decretou que em cada ano, no Dia da Ascenção (Sensa) ou seja em 18 de Maio, o Doge e o Patriarca (cargo mais alto da igreja veneta) deviam sair fora do porto do Lido para abençoar o mar, um rito de cerimonial simples e modesto. Cerca de dois séculos mais tarde, no ano de 1177, o Papa Alexandre III, cujo pontificado foi do ano de 1159 até 1181, doou ao Doge Sebastiano Ziani, que governou Veneza entre os anos 1172 a 1178, um anel de ouro como reconhecimento pela ajuda na reconciliação com o Imperador Federico I Barbarossa, que reinou entre 1152 e 1190, pronunciando a famosa frase: “Receba este anel em penhor da soberania que vós e os vossos sucessores tenhais perpetuamente sobre o mar”. Segundo o cronista Marin Sanudo (1466-1536) ainda vinha acrescida a frase “esposar o mar assim como um homem se casa com uma mulher para ser o seu senhor”. O Papa além disso concedeu indulgência pelos pecados de todos aqueles que fossem, nos oito dias sucessivos, rezar na igreja de San Marco (hoje Basílica). Daquele momento teve início aquela tradição secular do “Sposalizio del mare”, a mística união de Veneza com o mar.


A festa era grandiosa. O Doge subia em seu navio de representação, o Bucintoro, ao som de trombetas, com todo o seu séquito, o clero, os embaixadores presentes, os presidentes do Conselho dos Dez e outras autoridades. No alto do convés tremulava o estandarte ducal, enquanto o almirante do Arsenal em pessoa dava as ordens. Seguido por um grande cortejo de barcas de todas as formas e cores, todas ornadas para festa, o navio ducal zarpava para o porto de San Nicolò del Lido – era chamada ida ao mar. O cortejo aquático fazia uma breve parada frente a ilha de Sant’Elena para receber homenagem dos monges daquele convento. 


Mais adiante uma outra parada nas proximidades do Lido, para receber à bordo o bispo de Castello (e depois de 1451 o Patriarca de Veneza) que esperava no seu barco com todas as autoridades eclesiásticas. 
 


O cortejo continuava até a embocadura do porto de Lido, frente ao forte de Sant’Andrea onde o Patriarca aspergia água benta e o Doge, de uma janelinha de popa deixava cair na água um anel de ouro, pronunciando as seguintes palavras: “Desposamus te, mare nostro, in signum veri perpetuique dominii”- “Te esposamos, mar, em sinal de eterno domínio”. 

 



Com esta cerimonia se iniciava a Fiera della Sensa, com festas, espetáculos circenses e cantores, em toda a cidade. Na Praça de São Marcos acontecia um mercado de todo o tipo e de todos os países, organizado em uma estrutura de madeira coberta por tendas erguidas para ocasião. Uma multidão de visitantes, de todas as nacionalidades, desfilava pelas bancas e cafeterias. Parecia uma feira internacional. Na Festa della Sensa de 1792 foi inaugurado o Teatro La Fenice. O último sposalizio da República de Veneza aconteceu no ano 1796 com o Doge Lodovico Manin que governou durante os anos de 1789 e 1897. Hoje a cerimonia se repete como uma festa tradicional no primeiro domingo depois do Dia da Ascenção.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS


segunda-feira, 5 de março de 2018

Veneza do século XVIII na visão do pintor Francesco GUARDI

 
Cannaregio dal ponte dei tre archi a Palazzo Surian Bellotto

 Il fiume dei mendicanti al convento dei Domenicani

Francesco Guardi - Solenità Doganali




Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS