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domingo, 5 de julho de 2026

Antonio Busetto - As Esculturas que Uniram Duas Pátrias


 

Antonio Busetto - As Esculturas que Uniram Duas Pátrias na Imigração Italiana

Arte Sacra, Memória e Imigração Italiana entre o Vêneto e a Serra Gaúcha

"Há obras que ornamentam igrejas. Outras atravessam gerações para manter viva a memória de um povo que esculpiu sua própria história entre duas pátrias."

Quando pensamos na imigração italiana, quase sempre nos recordamos dos navios, das malas de madeira, dos documentos amarelados, dos sobrenomes preservados e das videiras plantadas em terras desconhecidas. Lembramos dos homens que derrubaram a mata, das mulheres que transformaram cozinhas simples em pequenas extensões da Itália, dos sinos que atravessaram o oceano e das imagens de santos cuidadosamente transportadas entre roupas, enxovais e objetos de família. No entanto, poucas vezes nos detemos diante de outra herança igualmente poderosa: a arte.

A imigração italiana não transportou apenas braços para o trabalho. Transportou sensibilidades, memórias visuais, tradições estéticas e formas de compreender a beleza. E foi justamente nesse encontro entre fé, saudade e talento que surgiram homens como Antonio Busetto.

Escultores raramente ocupam o mesmo espaço reservado pela memória coletiva aos líderes políticos, religiosos ou empresários. Contudo, em muitas comunidades de origem italiana, foram eles que moldaram a paisagem espiritual de gerações inteiras. Suas obras permanecem silenciosas. Não escrevem cartas, não deixam testemunhos e não contam histórias com palavras. Ainda assim, falam. Falam através das curvas da madeira entalhada, dos ornamentos dourados dos altares, dos rostos serenos dos santos e dos olhares das Madonas que parecem carregar séculos de devoção.

Antonio Busetto pertenceu a essa linhagem de artistas que compreenderam que a arte sacra não tinha apenas a função de ornamentar igrejas. Ela precisava consolar, acolher e recordar aos emigrantes que, mesmo vivendo a milhares de quilômetros do Vêneto, ainda era possível reconhecer a própria terra na arquitetura de uma capela, no altar principal de uma matriz ou na delicadeza de uma imagem esculpida.

Em cidades como Antônio Prado, onde a identidade italiana continua inscrita nas pedras, nas casas de madeira e nas tradições preservadas pelos descendentes, a presença de Busetto tornou-se muito mais do que um legado artístico. Transformou-se em memória coletiva. Os altares atribuídos ao escultor não são apenas peças religiosas. São documentos emocionais, testemunhos de uma civilização transplantada para outro continente.

Cada entalhe parece conter a lembrança de uma aldeia deixada para trás. Cada coluna recorda os templos do Vêneto. Cada ornamento fala de um povo que, apesar das dificuldades, recusou-se a permitir que a beleza desaparecesse da sua existência.

Talvez essa seja uma das características mais extraordinárias da imigração italiana. Mesmo em meio à pobreza, ao trabalho exaustivo e às incertezas do futuro, os colonos nunca abriram mão da necessidade de construir espaços belos. As igrejas precisavam emocionar, os altares precisavam transmitir dignidade e as imagens precisavam preservar a grandeza da fé. Um povo acostumado às paisagens do Vêneto, aos campanários das antigas aldeias, às procissões e às expressões artísticas de sua terra natal não poderia sobreviver apenas de pão. Era necessário alimentar também a alma.

Antonio Busetto compreendeu isso. Talvez tenha percebido que esculpir um altar no Brasil significava muito mais do que executar uma obra artística. Significava reconstruir simbolicamente a Itália, oferecer aos emigrantes a possibilidade de reencontrar suas referências afetivas em uma terra ainda desconhecida e permitir que os filhos e netos daqueles colonos crescessem diante de imagens capazes de lhes dizer silenciosamente que suas origens permaneciam vivas.

Por isso, suas esculturas acabaram unindo duas pátrias. A pátria geográfica, situada entre montanhas, campanários e pequenas comunidades do norte da Itália, e a pátria afetiva, construída lentamente entre parreirais, capelas e comunidades espalhadas pela Serra Gaúcha.

As obras de Antonio Busetto continuam presentes, silenciosas e quase sempre contempladas sem que se conheça a história de quem lhes deu forma. Talvez seja exatamente essa a grandeza dos escultores. Eles desaparecem, mas suas obras permanecem. E, enquanto permanecerem, continuarão realizando aquilo que sempre fizeram: unir continentes, aproximar gerações e recordar aos descendentes que a imigração italiana também foi uma extraordinária obra de arte coletiva, esculpida não apenas na madeira e na pedra, mas sobretudo na memória daqueles que aprenderam a transformar saudade em beleza. 

👉 O escultor Antonio Busetto foi um dos grandes artífices sacros da imigração italiana na Serra Gaúcha, deixando obras em diversas igrejas coloniais. Em Antônio Prado, por exemplo, é atribuída a ele a execução dos altares da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, integrando uma tradição artística trazida do Vêneto e transplantada para o Brasil.


Nota do Autor

A história da imigração italiana no Brasil costuma ser narrada a partir das grandes travessias marítimas, da abertura das colônias agrícolas, do trabalho árduo dos pioneiros e da formação das comunidades que ajudaram a transformar a paisagem humana e cultural do sul do país. Entretanto, existe uma dimensão dessa experiência que muitas vezes permanece em segundo plano: o patrimônio artístico e religioso trazido pelos imigrantes e recriado em terras brasileiras.

Foi nesse contexto que atuaram escultores, entalhadores, douradores e artesãos que, por meio de sua habilidade técnica e sensibilidade estética, contribuíram para preservar referências culturais profundamente enraizadas na memória coletiva das comunidades italianas. Entre esses artistas destaca-se Antonio Busetto, cujo trabalho permanece associado à ornamentação de igrejas e à produção de obras sacras que ajudaram a conferir identidade visual e espiritual a diversas localidades formadas por descendentes de imigrantes.

Mais do que simples elementos decorativos, os altares, imagens e esculturas produzidos por artistas como Busetto representam testemunhos materiais de uma herança cultural transplantada do Vêneto para o Brasil. Eles revelam o esforço das primeiras gerações de colonos em reconstruir, em um território desconhecido, não apenas as condições necessárias para a sobrevivência econômica, mas também os espaços simbólicos capazes de alimentar a fé, a memória e o sentimento de pertencimento.

Escrever sobre Antonio Busetto significa, portanto, lançar luz sobre um aspecto ainda pouco conhecido da imigração italiana: a arte como instrumento de continuidade cultural. As esculturas que permaneceram nas igrejas, capelas e matrizes das antigas comunidades coloniais não apenas embelezaram os ambientes religiosos, mas ajudaram a estabelecer pontes entre o passado deixado na Itália e a nova realidade construída no Brasil.

Esta crônica nasceu da convicção de que a história dos imigrantes não pode ser compreendida apenas através de estatísticas, listas de passageiros, contratos de colonização ou documentos oficiais. Ela também está inscrita nos objetos, nos gestos, nas tradições, nas expressões artísticas e naquilo que os emigrantes consideravam indispensável para preservar a sua identidade.

Ao dedicar estas páginas à memória de Antonio Busetto, o propósito foi recordar que a imigração italiana não produziu somente agricultores, comerciantes e construtores de cidades. Produziu também artistas capazes de transformar madeira, ouro e devoção em memória duradoura. E talvez seja justamente essa a maior beleza da arte sacra legada pelos imigrantes: continuar unindo, ainda hoje, duas pátrias separadas pelo oceano, mas permanentemente ligadas pela cultura, pela fé e pela lembrança daqueles que as habitaram.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



sábado, 29 de julho de 2023

Explorando o Tesouro Arquitetônico de Veneza: Uma Visita a Algumas de Suas Igrejas

 




  • Basílica di Santa Maria della Salute - Localizada no Grande Canal, é uma das igrejas mais icônicas de Veneza. Foi construída no século XVII em estilo barroco, com uma cúpula verde distinta. O interior apresenta várias pinturas e altares elaborados.

  • Igreja de San Zaccaria - Uma das igrejas mais antigas de Veneza, que remonta ao século IX. É conhecida por sua arquitetura gótica e renascentista, bem como por seus muitos afrescos e esculturas.
  • Igreja de San Giorgio Maggiore - Localizada em uma ilha em frente à Praça de São Marcos, a igreja foi projetada por Andrea Palladio no século XVI. Apresenta uma fachada clássica e um interior impressionante, incluindo obras de arte de Tintoretto e Palma il Giovane.
  • Igreja de San Sebastiano - Situada no bairro de Dorsoduro, a igreja é conhecida por suas pinturas de Veronese e é um exemplo do estilo barroco veneziano.
  • Basílica de Santa Maria Gloriosa dei Frari - Uma das maiores igrejas de Veneza, com uma fachada gótica impressionante. O interior apresenta obras-primas de artistas venezianos como Bellini, Donatello e Titian.
  • Igreja de San Pietro di Castello - A igreja principal do patriarcado de Veneza, localizada em uma área residencial menos turística. É uma das igrejas mais antigas de Veneza, com uma história que remonta ao século VIII.
  • Igreja de San Giuseppe di Castello - Localizada próxima à igreja de San Pietro di Castello, é uma pequena igreja que apresenta uma fachada simples e um interior adornado com afrescos e esculturas.
  • Igreja de San Francesco della Vigna - Uma igreja renascentista projetada por Jacopo Sansovino no século XVI. O interior apresenta várias obras de arte, incluindo um afresco de Giuseppe Angeli.
  • Igreja de San Giobbe - Uma pequena igreja no bairro de Cannaregio, com uma fachada simples e um interior decorado com afrescos de artistas venezianos.
  • Igreja de Santa Maria dei Miracoli - Uma pequena igreja que apresenta uma fachada ornamentada e um interior decorado com afrescos e esculturas. É um exemplo do estilo renascentista veneziano.
  • Igreja de San Moisè - Localizada perto da Praça de São Marcos, é conhecida por sua fachada barroca elaborada e seu interior decorado com afrescos e esculturas.
  • Igreja de Santa Maria dei Carmini - Localizada no bairro de Dorsoduro, é uma igreja barroca que apresenta um interior decorado com obras de artistas venezianos.
  • Igreja de San Nicolò dei Mendicoli - Uma pequena igreja no bairro de Dorsoduro, com uma fachada simples e um interior decorado com afrescos e esculturas.
  • Igreja de Santa Maria dei Miracoli: Construída no século XV, a Igreja de Santa Maria dei Miracoli é uma joia do Renascimento veneziano. Ela é famosa por sua fachada externa espetacular, decorada com mármores coloridos em tons pastéis, além de uma série de relevos em terracota. Seu interior também é impressionante, com afrescos e pinturas em ouro e uma série de altares esculpidos em madeira.
  • Igreja de San Moisè: Localizada perto da Piazza San Marco, a Igreja de San Moisè é uma das igrejas mais antigas de Veneza, datando do século IX. A igreja atual foi reconstruída no século XVIII, em estilo barroco, e possui uma fachada impressionante, decorada com estátuas de mármore e uma grande cúpula. Seu interior é rico em afrescos e pinturas em ouro, e possui um altar impressionante.
  • Igreja de Santa Maria dei Carmini: Localizada no bairro de Dorsoduro, a Igreja de Santa Maria dei Carmini é uma igreja gótica do século XV. Ela é famosa por sua fachada em estilo renascentista e por sua nave principal, decorada com afrescos e pinturas em ouro. A igreja também abriga uma série de obras de arte notáveis, incluindo pinturas de Tintoretto e Palma il Giovane.
  • Igreja de San Nicolò dei Mendicoli: Localizada em um bairro tranquilo e menos turístico de Veneza, a Igreja de San Nicolò dei Mendicoli é uma igreja românica do século XII. Ela é famosa por sua fachada simples, com um belo portal em arco, e por seus afrescos medievais bem preservados no interior. A igreja também possui uma torre sineira alta, que oferece uma vista panorâmica da cidade.
  • Igreja de San Polo: Localizada no bairro de San Polo, a Igreja de San Polo é uma igreja barroca do século XVII. Ela é famosa por sua fachada em estilo veneziano e por seu interior impressionante, com uma série de altares esculpidos em madeira e decorados com pinturas em ouro. A igreja também abriga uma série de obras de arte notáveis, incluindo pinturas de Tintoretto e Jacopo Palma il Giovane.
  • Igreja de Santa Maria Formosa: Localizada no bairro de Castello, a Igreja de Santa Maria Formosa é uma igreja românica do século VII. Ela é famosa por sua fachada em estilo bizantino e por seu interior rico em afrescos e pinturas em ouro. A igreja também abriga uma série de obras de arte notáveis, incluindo pinturas de Palma il Giovane e Tintoretto. Além disso, a praça em frente à igreja é um ponto de encontro popular para os moradores locais e um ótimo lugar para sentar e observar a vida veneziana passar.
  • Igreja de San Stae: localizada no sestiere (bairro) de Santa Croce, em Veneza. Sua construção remonta ao século XII, mas a igreja atual foi reconstruída no estilo barroco no século XVII pelo arquiteto Domenico Rossi. San Sten é famosa por sua fachada elaborada e ornamentada, bem como por seu interior ricamente decorado, que inclui obras de arte de artistas venezianos como Giambattista Tiepolo e Jacopo Guarana. A igreja também é conhecida por sediar eventos musicais e culturais, e sua acústica é considerada uma das melhores de Veneza.


sábado, 15 de abril de 2023

Campo Santa Maria Maggiore e Basilica de San Giovanni e Paolo: Duas Jóias Escondidas em Veneza


O Campo Santa Maria Maggiore é uma praça em Veneza, localizada no sestiere de Cannaregio. O campo deve seu nome à Igreja de Santa Maria Maggiore, que fica na extremidade norte da praça. A Igreja de Santa Maria Maggiore foi construída no século IX como uma pequena capela dedicada à Virgem Maria. No século XII, foi expandida e reconstruída como uma igreja maior. O edifício atual data principalmente do século XV, com reformas posteriores no século XVIII. 
Além da igreja, o Campo Santa Maria Maggiore abriga vários edifícios históricos, incluindo a Scuola Grande della Misericordia, uma antiga confraria de caridade que agora é um centro cultural e de exposições, e o Palazzo Michiel del Brusà, um palácio renascentista que agora é uma galeria de arte contemporânea. O Campo Santa Maria Maggiore é uma área tranquila e charmosa de Veneza, longe das áreas mais turísticas da cidade. É um lugar popular entre os locais para relaxar, socializar e desfrutar de um café ou gelato em uma das cafeterias ou sorveterias da praça. Zanipolo é uma forma abreviada e popular de se referir à Basílica de San Giovanni e Paolo (em italiano: Basilica di San Giovanni e Paolo), uma das maiores e mais importantes igrejas de Veneza, localizada no sestiere (bairro) de Castello. A Basílica de San Giovanni e Paolo foi construída em estilo gótico entre os séculos XIV e XV e é conhecida por abrigar monumentos funerários de muitos doges (os antigos governantes de Veneza) e outras personalidades importantes da cidade. A igreja é também conhecida como Zanipolo, em referência ao nome dos santos padroeiros no dialeto veneziano onde Zani é o diminutivo de Giovanni e Polo de Paolo.
A Basílica de San Giovanni e Paolo é uma das igrejas mais importantes de Veneza, tanto do ponto de vista histórico quanto artístico. Além dos monumentos funerários, ela também abriga uma grande coleção de obras de arte, incluindo afrescos, pinturas e esculturas de alguns dos mais importantes artistas da Renascença italiana. Além dos monumentos funerários e da arte renascentista, a Basílica de San Giovanni e Paolo também possui uma grande nave central com um teto abobadado impressionante e vitrais coloridos. A fachada da igreja é imponente, com uma grande rosácea e esculturas de pedra que retratam cenas bíblicas. Ela é é um importante marco histórico de Veneza e é frequentemente visitada por turistas e peregrinos. Ela também é usada regularmente para celebrações religiosas, como missas e casamentos.
A igreja fica em uma praça espaçosa que leva o mesmo nome (Campo San Giovanni e Paolo), que é um local popular para passeios e encontros ao ar livre em Veneza. A praça abriga vários edifícios históricos, incluindo a Scuola Grande di San Marco, uma antiga confraria que agora é um centro de exposições e eventos culturais, e o Hospital dos Incuráveis, um antigo hospital que agora é um museu. A Basílica de San Giovanni e Paolo, ou Zanipolo, como é conhecida popularmente em Veneza, é famosa por abrigar os túmulos de muitos dos doges de Veneza, que foram os governantes da cidade durante séculos. Alguns dos doges que estão sepultados na basílica são:

Jacopo Tiepolo (século XIII)
Marco Cornaro (século XIV)
Andrea Vendramin (século XVI)
Leonardo Loredan (século XVI)
Alvise Mocenigo II (século XVIII)
Pasquale Cicogna (século XVIII)

Além dos túmulos dos doges, a Basílica de San Giovanni e Paolo também abriga os túmulos de outras personalidades importantes de Veneza, incluindo artistas, cardeais e líderes militares. Entre eles estão o famoso "condottiere" das tropas venezianas, capitão de guerra Bartolomeo Colleoni, o comandante militar Vittore Pisani e o cardeal Pietro Bembo.


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS







sexta-feira, 31 de março de 2023

O Barroco na Veneza do Século XVIII: O legado de Piazzetta na história da arte italiana

Giovanni Battista Piazzetta


Giovanni Battista Piazzetta (1682-1754) foi um dos mais importantes artistas italianos do século XVIII. Ele nasceu em Veneza, onde passou a maior parte de sua vida e desenvolveu sua carreira artística.

Piazzetta estudou com grandes artistas como Gregorio Lazzarini e Sebastiano Ricci, que eram famosos pela elaboração de cenas mitológicas e alegóricas, e com quem aprendeu a utilizar cores vivas e dramáticas em suas obras.

Piazzetta é conhecido por seu estilo dramático e expressivo, que frequentemente apresentava figuras humanas com grande emoção e movimento. Ele também era um mestre na representação da luz e sombra em suas obras, criando efeitos impressionantes de profundidade e contraste.

Na arte, Piazzetta foi considerado um dos principais representantes do rococó veneziano, um estilo artístico caracterizado por ornamentos elegantes, cores vibrantes e uma atmosfera teatral. Ele foi responsável por influenciar muitos outros artistas em Veneza e além, incluindo Giambattista Tiepolo e Canaletto.

Em 1750 Piazzetta tornou-se no primeiro diretor da recentemente fundada Scuola di Nudo, e dedicou-se nos últimos anos da sua vida ao ensino. Foi eleito membro da Academia Clementina de Bolonha em 1727. Entre os pintores da sua oficina contaram-se Domenico Maggiotto, Francesco Dagiu (il Capella), Francis Krause, John Henry Tischbien o Velho, Egidio Dall'Oglio, e Antonio Marinetti. Entre os jovens pintores que imitaram o seu estilo estão Giulia Lama, Federico Bencovich, e Francesco Polazzo (1683-1753).

Algumas de suas obras mais famosas incluem: 

"O Milagre de Santa Isabel de Portugal" (c. 1730-35) - localização atual desconhecida
"São Francisco de Paula curando os doentes" (c. 1720-25) - localização atual desconhecida
"Cena de circo com cavalo" (c. 1725-30) - localização atual desconhecida
"São Tiago Maior e São Filipe Néri" (c. 1740-45) - na Igreja de San Stae em Veneza, Itália
"A Assunção da Virgem" (c. 1725-30) - na Igreja de San Stae em Veneza, Itália
"O Banquete de Cleópatra" (c. 1740-45) - na Ca' Rezzonico em Veneza, Itália
"Moisés Salvo das Águas" (c. 1730-35) - localização atual desconhecida
"Retrato de uma jovem" (c. 1740-45) - no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa, Portugal
"Retrato de um homem idoso" (c. 1740-45) - no Museu Thyssen-Bornemisza em Madrid, Espanha
"A Adoração dos Reis Magos" (c. 1730-35) - na Igreja de San Pantalon em Veneza, Itália
"A Flagelação de Cristo" (c. 1735-40) - na Igreja de San Zaccaria em Veneza, Itália
"Retrato de Antonio Riccobono" (c. 1735-40) - localização atual desconhecida
"São João Batista" (c. 1740-45) - na Igreja de San Giorgio Maggiore em Veneza, Itália
"A Sagrada Família com Santa Isabel e São João Batista" (c. 1725-30) - na Igreja de San Stae em Veneza, Itália
"O Sonho de Jacó" (c. 1730-35) - na Igreja de San Giorgio Maggiore em Veneza, Itália
"Retrato de um homem com turbante" (c. 1740-45) - no Museu de Belas Artes de Boston, EUA
"Retrato de uma dama" (c. 1735-40) - no Museu de Arte de Toledo, EUA
"Cristo na Cruz" (c. 1735-40) - na Igreja de Santa Maria degli Angeli em Murano, Itália
"São Pedro curando o paralítico" (c. 1730-35) - na Igreja de San Stae em Veneza, Itália
"Retrato de um jovem nobre" (c. 1740-45) - na Galeria Nacional de Arte em Washington, EUA
"A Sagrada Família" (c. 1735-40) - na Igreja de San Zaccaria em Veneza, Itália
"Retrato de uma dama com leque" (c. 1740-45) - na Pinacoteca di Brera em Milão, Itália
"O Batismo de Cristo" (c. 1730-35) - na Igreja de San Stae em Veneza, Itália
"Retrato de um jovem com um cão" (c. 1740-45) - no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa, Portugal
"A Pregação de São João Batista" (c. 1730-35) - na Igreja de San Giorgio Maggiore em Veneza, Itália
"Retrato de uma dama com um violoncelo" (c. 1740-45) - na Galeria Nacional de Arte em Washington, EUA
"A Última Ceia" (c. 1725-30) - na Igreja de San Stae em Veneza, Itália
"Retrato de um homem com um livro" (c. 1740-45) - na Galeria Nacional de Arte em Washington, EUA
"A Ressurreição de Cristo" (c. 1735-40) - na Igreja de San Stae em Veneza, Itália
"Retrato de uma jovem nobre" (c. 1740-45) - no Museu de Arte de São Paulo em São Paulo, Brasil.

Além de suas obras de arte, Piazzetta também foi um importante professor de arte, tendo influenciado muitos jovens artistas que se tornaram importantes membros da comunidade artística veneziana. Sua obra e ensinamentos tiveram um papel fundamental na formação do estilo veneziano de arte rococó e ajudaram a estabelecer Veneza como um importante centro de arte na Europa do século XVIII.

Giovanni Battista Piazzetta se casou em 1720 com uma mulher chamada Rosa Elena, com quem teve quatro filhos: Giuseppe, Francesco, Maria e Caterina. 

Giuseppe Piazzetta seguiu os passos do pai e se tornou um pintor e gravador de sucesso, trabalhando principalmente em Gênova e Nápoles. Francesco, por sua vez, se tornou um pintor de teatro e trabalhou em várias produções de ópera em Veneza.

Maria e Caterina, por outro lado, se casaram com artistas. Maria se casou com o pintor Francesco Simonini, e Caterina se casou com o pintor Francesco Zugno. Embora nenhum dos filhos de Piazzetta tenha atingido a mesma fama e prestígio que o pai, eles foram influentes em suas próprias carreiras e contribuíram para a continuação da tradição artística da família Piazzetta.

O pai de Giovanni Battista Piazzetta chamava-se Giacomo Piazzetta e nasceu em Pederobba, província de Treviso, na região de Veneto, Itália. Giacomo Piazzetta era um escultor de prestígio, com muitas dezenas de obras famosas nos museus e coleções particulares em todo o mundo. Ele se transferiu para a cidade de Veneza, onde Giovanni Battista nasceu e passou a maior parte de sua vida. Acredita-se que a formação artística de Giovanni Battista tenha sido influenciada pelo trabalho de seu pai, que o incentivou a seguir uma carreira nas artes visuais.

Giovanni Battista Piazzetta viveu a maior parte de sua vida adulta em Veneza, na região de Cannaregio, no sestiere de mesmo nome. Cannaregio é um dos seis sestieri (distritos) históricos de Veneza, localizado no norte da cidade.


Chiesa di Santa Maria degli Scalzi



A paróquia de Giovanni Battista Piazzetta era a Igreja de Santa Maria degli Scalzi, também localizada em Cannaregio. Essa igreja é conhecida por sua bela fachada barroca e por suas decorações internas elaboradas. Além disso, Santa Maria degli Scalzi é uma das igrejas mais importantes de Veneza em termos de arte, pois contém obras de artistas como Tiepolo, Tintoretto e, é claro, Piazzetta.

Chiesa di San Stae


Giovanni Battista Piazzetta está enterrado na Igreja de San Stae, em Veneza. Essa igreja é conhecida por sua fachada barroca e por suas decorações internas elaboradas, que incluem várias obras de arte importantes. Piazzetta foi sepultado na igreja após sua morte, em 1754, e seu túmulo pode ser encontrado no transepto esquerdo da igreja.

Giovanni Battista Piazzetta morreu em 28 de abril de 1754, aos 71 anos de idade. Piazzetta foi um dos artistas mais importantes da cena artística veneziana do século XVIII e deixou um legado significativo na história da arte italiana.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS