quarta-feira, 18 de abril de 2018

A Longa e Angustiante Espera pelo Embarque no Porto de Gênova





Chegados ao Porto de Gênova, quase sempre, deviam esperar alguns dias, as vezes algumas semanas, pela partida do vapor que os levaria para a tão sonhada terra “della cucagna”, a prometida América.

No espaço frente a estação de trens, geralmente era invadida por milhares de emigrantes recém chegados de toda parte da Itália, que se amontoavam esperando para o embarque no porto.



Durante o período esta espera, os emigrantes ficavam desamparados e submetidos a toda sorte de provações, vendo muitas vezes, os seus poucos recursos, duramente economizados, serem roubados, por uma gama enorme de todo tipo de aproveitadores, especuladores e ladrões. 

Roubos de passaportes, dinheiro e bagagens eram constantes. O preço dos alimentos e das diárias dos albergues, em toda a área vizinha ao porto eram intencionalmente inflacionados, por comerciantes desonestos, que viam nos pobres emigrantes uma oportunidade desonesta de aumentarem os seus lucros. Estavam geralmente mancomunados com as agências de viagens e as companhias de navegação. O que acontecia nos portos era simplesmente escandaloso e muito terrível.

Nas declarações dos nossos emigrantes nos dão conta que já eram roubados pelos próprios italianos, antes mesmo de deixarem a Itália.


O padre Maldotti, enviado do Mons. Scalabrini, desempenhou importante papel na proteção e socorro a esses infelizes emigrantes que ali chegavam, muitas vezes uma semana antes da data do embarque, ficavam perambulando abandonados à própria sorte.

Diferente dos emigrantes italianos do sul que partiam quase sempre com os bolsos vazios, os emigrantes vênetos partiam sempre com uma pequena economia, fruto da venda de objetos das suas casas, de animais e de uma pequena área de terra.


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS

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