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domingo, 21 de dezembro de 2025

Sobrenomes de Imigrantes Italianos Pioneiros da Colônia Assunguy (Cerro Azul – PR)

 


Sobrenomes de Imigrantes Italianos Pioneiros da Colônia Assunguy 

(Cerro Azul – PR)


Introdução 

Colônia Assunguy, fundada em 1860 na então Província do Paraná, foi um dos mais antigos núcleos coloniais do estado e deu origem ao atual município de Cerro Azul, no Vale do Ribeira. Entre seus primeiros habitantes destacam-se diversas famílias de imigrantes italianos, cujos sobrenomes permanecem registrados em documentos civis, paroquiais e na memória histórica regional.
A seguir, apresenta-se uma lista organizada de sobrenomes italianos pioneiros da Colônia Assunguy, de grande valor para estudos genealógicos, históricos e culturais.

Sobrenomes de Italianos Pioneiros na Colônia Assunguy

(registros históricos do século XIX)

Andreatta,
Bassetti,
Battisti,
Benedetti,
Bernardin,
Berteotti,
Bertotti,
Bertolo,
Boscheri,
Cappelletti,
Carlin,
Carlini,
Ciola,
Cortelletti,
Crippa,
Ducati,
Depetris,
Eneam,
Facchini,
Fedele,
Ferrari,
Fontana,
Fontanari,
Franceschini,
Furlan,
Giacchetti,
Giacomelli,
Leonardi,
Lucchetta,
Monegaglia,
Motter,
Negri,
Nicolao,
Paoli,
Paris,
Pincigher,
Rosa,
Ricci,
Slomp,
Spagnoli,
Stagnaro,
Todeschi,
Tonet,
Toneti,
Trisotto,
Valentini,
Valle,
Zottele.


Outros Sobrenomes Italianos Registrados na Colônia Assunguy

(famílias posteriormente documentadas em registros locais)

Alessandrini,
Andreini,
Bianco,
Caumo,
Collesel,
Coraggiola,
Coraiola,
Dallatorre,
Daltrozzo,
Demonte,
Fruet,
Gasperaz,
Gasperazzi,
Giovanazzi,
Libardo,
Longo,
Lorenzi,
Mott,
Moz,
Rassele,
Rester,
Ribani,
Romagna,
Roster,
Rover,
Schena,
Scotto,
Simon,
Simoni,
Stenghel,
Stofella,
Tambosi,
Tavernaro,
Tomas,
Tommasi,
Tonetti.

Importância Genealógica e Histórica

Esses sobrenomes refletem a presença italiana pioneira no interior do Paraná, ligada à agricultura, à abertura de caminhos, à formação de comunidades rurais e à consolidação social da Colônia Assunguy. Muitos descendentes dessas famílias ainda vivem em Cerro Azul e municípios vizinhos, preservando tradições, sobrenomes e memória cultural.

Nota do Autor

Este levantamento tem caráter histórico e genealógico, baseado em registros coloniais, paroquiais e tradição oral. A grafia dos sobrenomes pode variar conforme a época e o documento consultado. Contribuições documentais de descendentes são bem-vindas para ampliar e preservar a memória da imigração italiana na Colônia Assunguy. 

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta




quinta-feira, 20 de novembro de 2025

A Influência do Clero na Emigração Italiana para o Brasil: Conflitos, Ideais e a Busca por um Novo Mundo


A Influência do Clero na Emigração Italiana para o Brasil: Conflitos, Ideais e a Busca por um Novo Mundo


Nos territórios italianos que registraram grande fluxo emigratório, o ambiente social era marcado por disputas profundas. De um lado estavam os que viam a emigração em massa como única saída para a crise agrária. Do outro, aqueles que temiam que o abandono do campo destruísse tradições seculares e desestruturasse as comunidades camponesas.

Esse conflito envolvia autoridades civis, líderes locais e representantes do clero. Governos liberais acusavam inúmeros párocos de incentivarem a partida das famílias e até de atuarem como facilitadores privilegiados da emigração. Muitos desses sacerdotes, em oposição ao Estado italiano unificado, enfrentavam também pressão interna de uma Igreja que tentava evitar atritos diretos com o governo.

Para diversos padres, apoiar a emigração era uma forma de reagir à perda de influência e prestígio nas paróquias. A crise econômica atingia não apenas os fiéis, mas também os próprios sacerdotes e suas famílias, igualmente afetados pelo desemprego, pelos novos impostos e pela instabilidade provocada pelas reformas políticas do novo Estado italiano.

O crescimento do anticlericalismo e as tensões entre Igreja e Estado agravavam o ambiente social. O Vaticano reagia, mas ainda não havia uma postura uniforme sobre a saída de milhares de camponeses rumo às Américas. Nesse contexto, alguns sacerdotes tentavam desestimular a partida, enquanto outros organizavam ativamente grupos para a viagem transatlântica.

Vários párocos acompanharam seus fiéis até o Brasil. Buscavam preservar os vínculos religiosos, morais e comunitários que estavam sendo corroídos na Itália pelo liberalismo, pela modernização e pelo enfraquecimento da vida rural tradicional. Para muitos deles, a América representava um espaço onde seria possível reconstruir a coesão das famílias e proteger valores ameaçados na península.

Difundiu-se, em diferentes regiões italianas, a visão de que a América poderia abrigar uma nova comunidade cristã, uma espécie de “República de Deus”. Para camponeses empobrecidos e inseguros, essa promessa era poderosa. As palavras dos sacerdotes tinham peso moral significativo e muitas vezes superavam a autoridade do Estado.

Mesmo perseguidos por suposta desordem pública, contravenções ou oposição ao governo, vários padres continuaram a defender a emigração como caminho para salvar suas comunidades. Para eles, partir era uma forma de preservar a fé, a convivência comunitária e a identidade camponesa.

Nas décadas de 1870 e 1880, o medo da miséria se somou à destruição das estruturas sociais tradicionais. Muitos camponeses decidiram partir mais por receio do futuro e pela busca de dignidade do que pela pobreza imediata. Pequenos proprietários, às vezes rotulados de fanáticos ou ambiciosos, tornaram-se líderes locais do movimento emigratório, conduzindo vizinhos e parentes para o exterior.

O Brasil apareceu como destino promissor. Era descrito como terra fértil, abundante em recursos e distante das guerras que devastavam partes da Itália. Relatos de viajantes e discursos de sacerdotes — como o do padre Cavalli — apresentavam o território brasileiro como uma verdadeira “segunda Canaã”, um lugar onde seria possível reconstruir a vida e manter viva a fé católica.

Assim, a emigração tornou-se rota de fuga diante da crise agrária, da instabilidade política e da perda das redes tradicionais de apoio. Ao mesmo tempo, assumiu caráter de resistência: uma tentativa de proteger costumes, valores religiosos e formas de vida comunitária ameaçadas pelas transformações da Itália pós-unificação.

A narrativa da “terra prometida” alimentou o imaginário camponês. O sonho de alcançar justiça, liberdade e dignidade no além-mar serviu de impulso emocional para milhares de famílias que escolheram o Brasil como destino. Para elas, a emigração representou a esperança de construir um “mundo às avessas”, onde a ordem social pudesse ser mais humana, cristã e igualitária.

Nota explicativa

A emigração vêneta desempenhou um papel decisivo na formação cultural, social e econômica de diversos países que tiveram a sorte de receber seus imigrantes. O espírito de trabalho, a tradição agrícola, o forte senso de comunidade e a preservação dos valores familiares transformaram colônias inteiras, contribuindo para o desenvolvimento de regiões no Brasil, Argentina, Uruguai e outros destinos das Américas. Este legado permanece vivo nas festas típicas, na culinária, nos dialetos e nas inúmeras histórias de perseverança deixadas pelas famílias descendentes.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta