NAVIO HYPPARCHUS
Saída Porto do Rio da Prata
Chegada Porto do Rio de Janeiro
08 maio 1877
CONTI:Leopoldo – 36 anos – solteiroReligião: CatólicoProfissão: TrabalhadorMARBELLO:Pietro – 27 anos – solteiroReligião: CatólicoProfissão: Trabalhador
Espaço destinado aos temas referentes principalmente ao Vêneto e a sua grande emigração. Iniciada no final do século XIX até a metade do século XX, este movimento durou quase cem anos e envolveu milhões de homens, mulheres e crianças que, naquele período difícil para toda a Itália, precisaram abandonar suas casas, seus familiares, seus amigos e a sua terra natal em busca de uma vida melhor em lugares desconhecidos do outro lado oceano. Contato com o autor luizcpiazzetta@gmail.com
NAVIO HYPPARCHUS
Saída Porto do Rio da Prata
Chegada Porto do Rio de Janeiro
08 maio 1877
CONTI:Leopoldo – 36 anos – solteiroReligião: CatólicoProfissão: TrabalhadorMARBELLO:Pietro – 27 anos – solteiroReligião: CatólicoProfissão: Trabalhador
No início da manhã de 13 de setembro de 1888, o porto de Las Palmas de Gran Canaria, geralmente sereno, estava prestes a se tornar palco de uma tragédia de proporções históricas. O vapor Sud America I, que havia zarpado de Montevidéu em 26 de agosto, navegava com cerca de 300 passageiros, a maioria imigrantes italianos, além de algumas famílias uruguaias e brasileiras. Seus destinos variavam, mas todos compartilhavam o desejo de retornar para as suas cidades natais na Itália, após um período de imigração no Uruguai e no Brasil.
O capitão do Sud America I, um veterano do mar com décadas de experiência, estava no comando. Conhecido por sua liderança calma e decisiva, ele era respeitado tanto por sua tripulação quanto pelos passageiros. Naquela manhã, enquanto o navio se aproximava do porto, o capitão estava no convés, observando a chegada com um misto de alívio e cansaço após semanas no mar.
Às 6 da manhã, a tranquilidade foi brutalmente interrompida. Do horizonte, o vapor francês La France, navegando em alta velocidade e com destino à América do Sul, surgiu. A proa do La France colidiu violentamente com a lateral do Sud America I, causando um rombo catastrófico no casco do navio. O impacto foi devastador, e em questão de minutos, o Sud America I começou a inclinar-se perigosamente.
A bordo, o pânico tomou conta. Famílias que até então estavam tranquilamente aguardando a chegada a Gênova agora lutavam por suas vidas. Entre os passageiros, estava a família Rossi. Giovanni e Maria Rossi, junto com seus dois filhos pequenos, Luisa e Marco, estavam retornando à Itália após uma tentativa fracassada de construir uma nova vida no Uruguai. Ao sentir o impacto e ver a água invadindo os compartimentos, Giovanni agarrou seus filhos, enquanto Maria procurava desesperadamente por coletes salva-vidas.
O capitão, ciente da gravidade da situação, tentou manter a ordem enquanto a tripulação trabalhava freneticamente para lançar os botes salva-vidas. No entanto, a inclinação crescente do navio e o caos generalizado tornavam a evacuação extremamente difícil. A apenas 600 metros da costa, a esperança de sobrevivência parecia ao alcance, mas para muitos, a tragédia era inevitável.
O Sud America I afundou em meia hora, desaparecendo nas profundezas a 15 metros abaixo da superfície. Dos cerca de 300 passageiros, 81 perderam a vida, incluindo muitos imigrantes italianos, além de 6 tripulantes. Entre as vítimas estavam Giovanni Rassi e seu filho Marco, cujos corpos nunca foram encontrados. Maria e Luisa, milagrosamente, conseguiram sobreviver, agarrando-se a um pedaço de madeira até serem resgatadas por pescadores locais.
As notícias do desastre se espalharam rapidamente, chegando às costas do Uruguai, Brasil e Itália, causando uma onda de dor e luto. Nos anos seguintes, o naufrágio do Sud America I seria lembrado como o maior desastre naval da história das Ilhas Canárias, uma tragédia que ceifou vidas e sonhos de imigrantes que buscavam uma vida melhor.
Maria Rassi, apesar da perda devastadora, encontrou forças para seguir em frente. Ela e Luisa estabeleceram-se em Gênova, onde Maria se tornou uma voz ativa na comunidade de imigrantes, lutando por melhores condições e segurança nos transportes marítimos. A memória de Giovanni e Marco, assim como de todos os que pereceram naquele fatídico dia, permaneceu viva através de suas ações e das histórias que contava.
O porto de Las Palmas, onde as águas ainda sussurravam os segredos do Sud America I, tornou-se um lugar de lembrança e reflexão, um símbolo das vidas interrompidas e dos sonhos afogados no mar.
Nos últimos anos do século XIX, houve um aumento considerável no número de pessoas que partiram em direção às Américas, resultando em viagens marítimas que frequentemente se estendiam por mais de um mês, caracterizadas por condições extremamente precárias.
Antes da promulgação da lei de 31 de janeiro de 1901, não existiam regulamentações que abordassem os aspectos sanitários da emigração. Em 1900, um médico descreveu o transporte marítimo de emigrantes como um cenário onde "higiene e limpeza estão constantemente em conflito com a ganância. O espaço e o ar são escassos."
Os beliches dos emigrantes eram distribuídos em corredores estreitos, recebendo ventilação principalmente através de escotilhas. A altura mínima desses corredores variava de um metro e sessenta centímetros a um metro e noventa centímetros. Eram úmidos e cheiravam a resíduos humanos e corpos sem banho por diversos dias. Nessas condições, surgiam frequentemente doenças respiratórias. Um exemplo da falta de normas básicas de higiene era a água potável armazenada em caixas de ferro revestidas de cimento, que, com o movimento do navio, liberavam partículas que turvavam a água. Os emigrantes consumiam essa água, tingida de vermelho pelo contato com o ferro oxidado, já que não havia destiladores a bordo.
A alimentação, independentemente da condição dos emigrantes - muitos dos quais eram analfabetos ou incapazes de entender as regras alimentares - consistia em uma rotina de dias "ricos" e "magros", alternando entre "café" e "arroz". A escolha entre pratos à base de arroz ou massa dependia da maioria regional dos passageiros, nortistas ou sulistas. Do ponto de vista nutricional, a dieta diária fornecia proteínas suficientes, geralmente superior ao padrão alimentar habitual dos emigrantes.
Analisando as estatísticas sanitárias do Comissariado Geral da Emigração e os relatórios anuais dos oficiais de marinha responsáveis pelo serviço de emigração, é possível traçar um panorama da saúde dos emigrantes italianos durante as viagens para a América do Norte e do Sul entre 1903 e 1925. Embora limitadas pela parcialidade dos dados coletados, essas fontes revelam aspectos cruciais das condições sanitárias das grandes migrações, conforme relatado em registros e diários de bordo. A falta de organização dos serviços de saúde tanto em terra quanto no mar compromete a precisão das estatísticas, dificultando o estudo de doenças específicas. Os dados estatísticos cobrem apenas as doenças detectadas pelos médicos a bordo ou pelos comissários, excluindo emigrantes que evitavam assistência médica por desconfiança ou medo de rejeição no destino.
É claro que tentativas de estimar sistematicamente a situação sanitária da emigração com base em fontes oficiais subestimam amplamente a extensão real dos problemas de saúde enfrentados durante as viagens transatlânticas. Apesar dessas limitações, as estatísticas oferecem insights importantes sobre as condições de saúde durante essas migrações em massa, conectando a experiência migratória com as condições socioeconômicas das classes menos favorecidas nos séculos XIX e XX.
A análise das estatísticas de 1903 a 1925 revela a persistência de certas doenças ao longo das viagens de ida e volta para as Américas. Embora não seja objetivo deste estudo investigar como o fluxo migratório contribuiu para a disseminação de doenças como pelagra, malária e tuberculose na Itália, é notável que essas condições tenham sido significativamente presentes nas estatísticas de morbidade. Por exemplo, a malária registrou altos índices nas viagens de ida para a América do Norte e do Sul, superada apenas pelo sarampo. Nas viagens para o sul, casos de tracoma e sarna também foram relevantes, enquanto no retorno predominavam tuberculose e tracoma, além de casos menos frequentes de ancilostomíase, ausente nas estatísticas de ida. Nos retornos do norte, a tuberculose pulmonar, as doenças mentais e o tracoma eram mais comuns, embora com números menores.
Embora as taxas de mortalidade e morbidade durante as viagens transatlânticas não tenham alcançado níveis alarmantes, elas foram mais altas nas viagens de ida e volta para a América do Sul, onde predominavam famílias inteiras emigrantes. A alta morbidade durante as viagens de retorno é especialmente relevante para os emigrantes que retornavam da América do Norte. O fluxo migratório para os Estados Unidos tendia a atrair pessoas em boa saúde e em idade produtiva, seja devido à auto seleção dos trabalhadores emigrantes ou aos rigorosos controles sanitários impostos pelos EUA sobre a emigração europeia.
Sobrenomes e as Províncias onde são
mais encontrados
Innocenti – Toscana
Pirocca – Vêneto
Bundonne – Sardenha
Cusin – Vêneto - primo/a
Boccanegra – Vêneto
Bossetto – Piemonte
Passarin – Vêneto
Malatesta – Lazio
Barbi – Lombardia
Della Puta – Friuli
Chiuchiu – Umbria
Sacco – Piemonte
Fonfon – Vêneto
Vagina – Piemonte
Tontodimamma – Abruzzo
Ingannamorte – Puglia
Patetta – Liguria
Cortina – Lazio
Pipino – Piemonte
Baratta – Emiglia-Romagna
Santoliquido – Basilicata
Mangiapane – Sicilia
Pizzamiglio – Lombardia
Deufemia – Basilicata
Meninno – Campania
Rolla – Liguria
Cassetti – Lombardia
Fede – Sicilia
Roella – Piemonte
Malandra – Abruzzo
Fiappo – Piemonte
Malla – Sicilia
Foddis – Sardenha
Fusca – Calabria
Mole – Sicilia
Capetta – Piemonte
Cabello – Lombardia
Tonto – Campania
Pinton – Vêneto
Teta – Campania
Tonta – Lombardia
Bugada – Lombardia
Salvo – Sicília
Rodela – Lombardia
Cassettino – Campania
Falsetti – Toscana
Canal – Vêneto
Rego – Lombardia
Picca – Puglia
Piccalugga – Lombardia
Cabassa – Emilia-Romagna
Traficante – Basilicata
Vacca – Sardenha
Lesma – Lombardia
Xodo – Vêneto
Porra – Sardenha
Monga – Lombardia
Porco – Calábria
Morra – Campania
Caretta – Vêneto
Medicina – Liguria
Fedecostante – Vêneto
Alguns Sobrenomes nas Primeiras Colônias Italianas do Rio Grande do Sul