Mostrando postagens com marcador Veneto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Veneto. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de maio de 2026

Cartas que Nunca Chegaram na Emigração Italiana


Cartas que Nunca Chegaram na Emigração Italiana


Havia um intervalo invisível entre o gesto de escrever e o de receber — um espaço vasto como o oceano, mas mais incerto do que ele. Nesse intervalo, perderam-se milhares de cartas. Não apenas papéis e palavras, mas decisões, afetos e destinos inteiros. A emigração italiana não foi feita apenas de travessias bem-sucedidas e encontros tardios. Foi também construída sobre mensagens interrompidas, sobre notícias que jamais cumpriram seu percurso.

Nas aldeias do norte da Itália, onde o tempo ainda obedecia ao ritmo das estações e à persistência do trabalho manual, escrever uma carta era um ato carregado de intenção. Não se escrevia por hábito, mas por necessidade. Cada palavra era escolhida com cuidado, muitas vezes ditada a alguém mais instruído, registrada em folhas que precisavam atravessar longas distâncias antes mesmo de alcançar um porto. Havia esforço, custo e expectativa em cada linha.

Quando os homens partiram rumo ao Brasil, levaram consigo não apenas seus corpos, mas a responsabilidade de manter viva uma ligação que se tornaria cada vez mais frágil. As primeiras cartas eram frequentes. Chegavam com atraso, mas chegavam. Eram sinais de vida, provas de sobrevivência, fragmentos de um mundo novo ainda em formação. Falavam de terras, de promessas, de dificuldades suavizadas pela necessidade de não alarmar quem ficara.

Mas o sistema que sustentava essa comunicação era precário. Dependia de navios sujeitos a tempestades, de portos congestionados, de intermediários pouco confiáveis e de rotas irregulares. Bastava um erro, um extravio, um acidente no percurso para que uma carta desaparecesse sem deixar vestígios. E quando desaparecia, levava consigo mais do que informação — levava certezas.

As cartas que nunca chegaram criaram vazios que precisavam ser preenchidos. No lugar da notícia, surgia a suposição. No lugar da confirmação, o medo. Cada ausência prolongada de correspondência era interpretada à luz das experiências conhecidas: doenças, acidentes, abandono. Não havia como distinguir uma da outra. A falta de resposta tornava-se, por si só, uma mensagem ambígua.

Houve mulheres que esperaram por anos uma carta que já não existia. Mantiveram rituais discretos, como guardar um espaço na mesa ou conservar objetos que pertenciam a quem partira. A esperança não era um sentimento constante, mas um esforço deliberado. Alimentava-se de memórias e da possibilidade, sempre remota, de que o silêncio fosse apenas atraso.

Do outro lado do oceano, a situação não era menos incerta. Muitos imigrantes escreveram repetidamente sem receber retorno. Interpretaram o silêncio como esquecimento, rejeição ou morte. Alguns tentaram novamente, mudando o destinatário, o tom, o conteúdo. Outros, após sucessivas tentativas frustradas, abandonaram o hábito de escrever. Não por falta de vontade, mas por exaustão.

As cartas que não chegaram também alteraram decisões práticas. Famílias deixaram de emigrar por não receberem o chamado esperado. Outras decidiram partir justamente pela ausência de notícias, imaginando que o silêncio escondia uma dificuldade que exigia reencontro. Houve trajetórias moldadas por equívocos, por interpretações construídas sobre lacunas.

Em alguns casos, a carta perdida continha informações decisivas. Um pedido de retorno que nunca foi lido. Um aviso de doença que chegou tarde demais — ou nunca chegou. Uma confirmação de prosperidade que poderia ter mudado o destino de quem ficou. Essas mensagens interrompidas criaram bifurcações invisíveis na história, caminhos que nunca se concretizaram.

O tempo, ao avançar, não corrigia essas falhas. Pelo contrário, ampliava seus efeitos. À medida que os anos passavam, a possibilidade de reconstruir a verdade diminuía. O que restava era uma narrativa incompleta, sustentada por fragmentos e suposições. A ausência de correspondência deixava de ser um evento e se tornava uma condição permanente.

Houve reencontros marcados por esse desencontro inicial. Pessoas que acreditavam ter sido esquecidas descobriram que haviam sido procuradas. Outras, que mantiveram fidelidade a uma relação distante, perceberam que a comunicação havia se rompido muito antes do que imaginavam. Entre a intenção de escrever e o ato de receber, instalou-se uma ruptura que o tempo não conseguiu reparar completamente.

As cartas que nunca chegaram não foram registradas em listas ou arquivos. Não deixaram traços físicos. Ainda assim, moldaram comportamentos, afetaram vínculos e influenciaram decisões com a mesma intensidade que as cartas recebidas. Foram ausências ativas, forças silenciosas que atuaram nos bastidores da emigração.

Nas casas onde se esperava por notícias, o silêncio adquiriu um significado próprio. Não era apenas falta de som, mas uma presença constante que ocupava o espaço das palavras não ditas. Era um silêncio interpretado, temido, por vezes aceito. Um silêncio que exigia resistência.

E, no entanto, mesmo diante dessa incerteza persistente, continuou-se a escrever. Cada nova carta carregava não apenas informação, mas uma tentativa de superar a distância, de vencer o acaso, de reafirmar um vínculo ameaçado. Escrever era um ato de fé — não na certeza de resposta, mas na possibilidade de que, em algum lugar entre a partida e a chegada, aquela mensagem encontrasse seu destino.

A história da emigração italiana é frequentemente contada a partir das cartas que chegaram — aquelas que narram conquistas, dificuldades e reencontros. Mas há uma outra história, menos visível, construída sobre as mensagens interrompidas. Uma história feita de palavras que não cumpriram seu caminho, de decisões tomadas no escuro, de vidas moldadas por aquilo que nunca foi dito.

É nesse espaço invisível, entre o envio e o silêncio, que se encontra uma das dimensões mais profundas e silenciosas dessa experiência. Uma dimensão onde o destino não foi apenas uma questão de coragem ou necessidade, mas também de acaso. Onde o curso de uma vida podia depender de um papel que se perdeu no caminho — e jamais foi encontrado.

Nota do Autor

Entre os muitos vestígios deixados pela emigração italiana do final do século XIX, poucos são tão reveladores quanto as cartas. Elas atravessaram o oceano carregando notícias, esperanças e decisões — mas nem todas chegaram ao destino. Essa ausência, raramente registrada nos arquivos oficiais, foi tão determinante quanto as mensagens preservadas.

A comunicação entre a Itália e o Brasil, naquele período, era lenta, irregular e vulnerável. Dependia de navios sujeitos a atrasos, extravios e acidentes, além de sistemas postais ainda frágeis e desorganizados em muitas regiões rurais. Uma carta podia levar meses para chegar — ou simplesmente desaparecer. E quando desaparecia, não deixava explicação, apenas silêncio.

É dentro dessa realidade que esta narrativa se apoia. Não em um caso específico, mas em uma condição amplamente vivida por milhares de famílias. Historiadores e pesquisadores da imigração reconhecem que a correspondência desempenhou um papel central nas decisões migratórias — incentivando partidas, adiando retornos e sustentando vínculos à distância. No entanto, o que raramente se aborda com a mesma atenção são as consequências das cartas que nunca chegaram.

A ausência de notícias gerou dúvidas, alimentou medos e, em muitos casos, alterou destinos. Famílias permaneceram separadas por mais tempo do que o necessário. Outras tomaram decisões baseadas em interpretações incompletas. Houve reencontros marcados por mal-entendidos e separações definitivas que talvez pudessem ter sido evitadas.

Este texto busca dar forma a esse silêncio. Não como invenção, mas como reconstrução possível de uma experiência histórica real. Ao longo dos anos, relatos orais, memórias familiares e estudos sobre a imigração italiana revelam lacunas que não podem ser preenchidas com documentos, mas que podem ser compreendidas em sua dimensão humana.

Mais do que uma história sobre cartas, este é um olhar sobre o que se perdeu entre uma margem e outra do oceano. Sobre aquilo que não foi dito, não por escolha, mas por circunstância. Sobre vidas que seguiram caminhos definidos, em parte, pelo acaso.

Se há algo que a emigração italiana nos ensina, é que nem todas as histórias chegaram até nós completas. Algumas ficaram pelo caminho — como as cartas que nunca chegaram.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



segunda-feira, 4 de maio de 2026

A Terra que se Deixa e a Terra que se Faz

 


A Terra que se Deixa e a Terra que se Faz


O inverno de 1889 demorava a se retirar das colinas de Coste, em Maser, como se a terra, cansada, hesitasse em oferecer mais um ciclo de vida. As vinhas rareavam, o milho crescia irregular, e o esforço humano já não encontrava resposta proporcional no solo. No Vêneto rural, a pobreza deixara de ser um episódio e tornara-se uma condição persistente, moldando não apenas os corpos, mas também as expectativas.

Na casa dos Marangoni, a disciplina substituía a esperança. Giovanni mantinha a rotina com uma firmeza quase austera, enquanto Maddalena administrava a escassez com precisão silenciosa. Os filhos cresciam dentro dessa lógica inevitável. Giudita, aos dezessete anos, percebia com nitidez aquilo que os mais velhos já aceitavam: não havia futuro ali que não fosse a repetição exata do presente.

A decisão de emigrar surgiu como consequência, não como escolha. O Brasil, distante e desconhecido, representava menos uma promessa e mais uma possibilidade de ruptura com a estagnação.

Entre as famílias que compartilhavam esse destino estavam os Bernardo. A proximidade entre os dois grupos, intensificada pelos preparativos, criou um espaço de convivência contínua. Foi nesse período que Marco e Giudita passaram a se observar com maior atenção. A familiaridade antiga transformou-se lentamente em reconhecimento.

O vínculo entre eles nasceu de forma gradual, sustentado por gestos contidos e por uma atenção constante. Não havia espaço para idealizações, mas havia uma crescente consciência da presença do outro. A iminência da partida tornava cada encontro mais significativo, como se o tempo, ao encurtar, intensificasse tudo o que ainda não havia sido nomeado.

O deslocamento até Gênova consolidou essa aproximação. A longa e cansativa viagem de trem marcada pelo abandono progressivo do mundo conhecido, criou entre os dois uma cumplicidade silenciosa. A partilha do cansaço, da incerteza e da observação do mesmo horizonte transformava a proximidade em algo essencial.

No porto, diante da imensidão do movimento humano, essa ligação tornou-se ainda mais evidente. O embarque no Conte d’Abruzzo marcou o início de uma travessia que alteraria definitivamente a natureza daquele vínculo.

Durante as semanas no mar, o convívio forçado e contínuo eliminou qualquer distância restante. A precariedade da terceira classe, o desconforto físico e o desgaste emocional criavam um ambiente em que as relações se tornavam mais diretas, mais verdadeiras.

Marco passou a orientar sua rotina em função da presença de Giudita. Pequenos gestos de cuidado, discretos e constantes, revelavam uma atenção que não precisava de palavras. Giudita, por sua vez, encontrava nessa presença uma forma de estabilidade em meio à instabilidade do oceano.

Foi durante a travessia que o sentimento entre eles deixou de ser apenas uma aproximação e assumiu a forma de compromisso interior. Não houve declaração formal, mas havia, em ambos, a compreensão de que suas trajetórias já não eram independentes.

Esse entendimento silencioso foi reconhecido pelas famílias. Giovanni e Giuseppe, atentos às dinâmicas que se formavam, perceberam a consistência daquele vínculo. A aprovação não foi expressa em cerimônias ou formalidades imediatas, mas em uma aceitação gradual, baseada na observação do comportamento dos jovens.

O desembarque no Rio de Janeiro, seguido pela passagem pela Hospedaria dos Imigrantes, manteve essa proximidade sob novas condições. O ambiente estranho e o impacto do novo mundo reforçavam a necessidade de referências conhecidas — e cada um se tornava referência para o outro.

A viagem no navio Maranhão e a posterior espera no porto de Rio Grande aprofundaram ainda mais essa ligação. Foi nesse período que se consolidou, de forma implícita, o noivado. Não houve anúncio público formal, mas as famílias passaram a tratar Marco e Giudita como destinados um ao outro, respeitando os códigos culturais trazidos da Itália.

A travessia da Lagoa dos Patos e a subida pelo rio Jacuí representaram o deslocamento final antes da fixação. Ao chegarem à Colônia de Silveira Martins, a realidade impôs-se de maneira absoluta.

A construção da nova vida exigia esforço contínuo. As famílias foram distribuídas em lotes, e o trabalho começou imediatamente. A derrubada da mata, a construção de abrigos e o preparo da terra consumiam todas as energias disponíveis.

Nesse contexto, o vínculo entre Marco e Giudita encontrou sua prova mais concreta. Já não era apenas um sentimento cultivado na travessia, mas uma parceria inserida no trabalho diário. A proximidade transformou-se em colaboração, e o afeto encontrou expressão na resistência compartilhada.

Foi após os primeiros meses, quando as condições mínimas de sobrevivência estavam asseguradas, que se tornou possível formalizar aquilo que já existia de fato.

A presença de um padre itinerante na colônia ofereceu essa oportunidade. Esses sacerdotes percorriam as áreas de imigração em lombo de mulas, celebrando batismos, missas e casamentos, garantindo a continuidade das práticas religiosas e sociais trazidas da Europa.

O casamento de Marco e Giudita realizou-se de forma simples, quase austera. Não havia igreja estruturada, nem ornamentos. A cerimônia ocorreu ao ar livre, próxima às primeiras construções da colônia, diante das famílias reunidas.

Giudita vestia o melhor que possuía — um traje modesto, cuidadosamente preservado desde a partida. Marco apresentava-se com a dignidade possível dentro das limitações da nova vida. As famílias, testemunhas daquela união, representavam não apenas laços de parentesco, mas a própria continuidade cultural em um território ainda em formação.

O rito, conduzido com sobriedade pelo padre, selou formalmente um vínculo que já havia sido construído ao longo de toda a jornada. Não houve exuberância, mas havia profundidade. O casamento não representava um início, mas uma confirmação.

A partir desse momento, a vida de ambos passou a integrar-se completamente. O trabalho na terra, as dificuldades, os pequenos avanços — tudo era compartilhado. O amor, desprovido de idealizações, assumia a forma de permanência.

Com o passar do tempo, a colônia começou a se estruturar. As casas tornaram-se mais sólidas, as plantações mais estáveis, e a comunidade adquiriu um senso de continuidade.

Marco e Giudita tornaram-se parte desse processo, não como exceção, mas como expressão daquilo que a emigração produzia: vidas reconstruídas a partir da perda, sustentadas pela persistência.

A memória das colinas de Maser nunca desapareceu. Permanecia como origem, como referência silenciosa. Mas já não era destino.

O que existia agora era outra forma de pertencimento, construída não pela herança, mas pelo esforço.

E assim, entre a terra deixada e a terra conquistada, entre o silêncio das promessas não ditas e a concretude dos gestos diários, formou-se uma história que não precisou ser escrita para atravessar o tempo.

Nota do Autor

No final do século XIX, quando a Itália ainda buscava consolidar-se como nação e o campo permanecia submetido a estruturas antigas e implacáveis, milhares de famílias do Vêneto foram empurradas para além de suas próprias fronteiras. Não partiram por impulso aventureiro, mas por necessidade. A terra, já exausta, não respondia mais ao esforço de gerações; os impostos cresciam, as oportunidades rareavam, e o futuro, para muitos, tornara-se uma repetição previsível da privação.

Foi nesse contexto que homens e mulheres deixaram para trás não apenas suas casas, mas uma forma inteira de existir. Abandonaram colinas conhecidas, dialetos familiares, vínculos silenciosos construídos ao longo de décadas. Em troca, aceitaram o incerto — uma travessia longa, desconfortável e, muitas vezes, desumana, rumo a um continente que existia mais como promessa do que como realidade concreta.

Esta obra nasce desse movimento histórico real. Ainda que os personagens aqui retratados pertençam ao domínio da ficção, suas experiências são profundamente enraizadas na verdade vivida por milhares de imigrantes italianos que chegaram ao sul do Brasil, especialmente às colônias da região central do Rio Grande do Sul, como Silveira Martins.

A viagem descrita — desde as colinas de Maser, no Vêneto, até o porto de Gênova; a travessia no navio Conte d’Abruzzo; a passagem pela hospedaria no Rio de Janeiro; o deslocamento costeiro até Rio Grande; e, por fim, a subida pelas águas da Lagoa dos Patos e do rio Jacuí — segue, com fidelidade, os caminhos percorridos por aqueles que vieram reconstruir suas vidas em terras desconhecidas.

No entanto, mais do que registrar deslocamentos geográficos, este livro busca compreender a travessia interior. A emigração não foi apenas um fenômeno econômico ou demográfico — foi uma experiência humana profunda, feita de perdas silenciosas, de adaptações dolorosas e de uma persistência que raramente encontrou reconhecimento à altura de seu sacrifício.

Dentro desse cenário, a história de Marco Bernardo e Giudita Marangoni representa algo essencial: a capacidade de construir vínculos duradouros mesmo quando tudo ao redor se desfaz. O amor que surge entre eles não é idealizado, mas forjado na adversidade, amadurecido na travessia e confirmado no trabalho partilhado. Seu fidanzamento e seu casamento simples, celebrado por um padre itinerante em meio à precariedade da colônia, refletem práticas comuns entre os imigrantes, que buscavam preservar suas tradições mesmo diante da ruptura.

Nada aqui é grandioso no sentido convencional. Não há heroísmo declarado, nem gestos espetaculares. O que existe é algo mais raro: a permanência. A capacidade de continuar, de transformar terra bruta em sustento, de fazer do desconhecido um lugar habitável.

Se esta narrativa emociona, é porque ecoa uma memória coletiva que ainda vive nos descendentes daqueles que partiram. Uma memória feita não de grandes discursos, mas de gestos repetidos, de silêncios carregados de significado, de vidas que se reconstruíram sem jamais esquecer suas origens.

Este livro não pretende encerrar essa história. Pretende, apenas, honrá-la.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta




segunda-feira, 27 de abril de 2026

Pederobba no Período de Domínio Napoleônico


Pederobba no Período de Domínio Napoleônico


O inverno chegou cedo naquele ano, descendo pelas encostas e se espalhando pelos campos de Pederobba com uma persistência que parecia refletir algo mais profundo do que a simples mudança das estações. A terra continuava a obedecer aos ciclos antigos, mas o mundo ao redor já não era o mesmo. O que durante séculos fora sustentado pela ordem distante da República de Veneza começava a se desfazer, e em seu lugar surgia uma realidade incerta, fragmentada, difícil de compreender.

A queda de Veneza, em 1797, não trouxe uma transformação imediata e clara para os habitantes das pequenas comunidades ao longo do Rio Piave. Em vez disso, inaugurou um período de instabilidade. Tropas francesas atravessaram a região, seguidas por forças austríacas, e durante anos o território passou de uma autoridade a outra sem que uma ordem duradoura se estabelecesse. Entre 1797 e 1805, a sensação dominante não foi de mudança definitiva, mas de suspensão — como se o tempo histórico tivesse perdido sua direção.

Nesse contexto, as exigências começaram antes mesmo que qualquer sistema fosse plenamente organizado. As primeiras requisições surgiram com os exércitos em campanha. O grão armazenado, os animais criados, a lenha reunida para o inverno passaram a ser retirados das comunidades com urgência crescente. Em Onigo e Covolo, como em toda a região, a população foi obrigada a se adaptar a uma realidade em que aquilo que produzia já não lhe pertencia inteiramente.

Quando, a partir de 1805, o domínio de Napoleão Bonaparte se consolidou sobre o Vêneto, a incerteza deu lugar a uma nova forma de ordem. Não era a ordem orgânica e distante da antiga Sereníssima, mas um sistema racional, centralizado e cada vez mais presente. As requisições deixaram de ser apenas resultado da passagem de tropas e passaram a integrar um mecanismo administrativo estruturado. O racionamento tornou-se, então, uma condição permanente. As colheitas continuavam a ser feitas, mas uma parte significativa era absorvida por um Estado que agora calculava, registrava e distribuía com precisão.

A escassez não se manifestava de forma abrupta, mas progressiva. O pão tornava-se mais escuro, misturado com farinhas de menor qualidade; as porções eram reduzidas; os hábitos alimentares ajustavam-se silenciosamente à nova realidade. A sobrevivência dependia da capacidade de economizar, de adaptar-se, de preservar pequenas reservas sempre sob o risco de serem descobertas.

Ao mesmo tempo, outra transformação avançava, menos visível, mas profundamente decisiva. Funcionários enviados de Treviso percorriam a região com uma missão que ia além da cobrança de recursos. A partir de 1806, com a introdução do registro civil, a vida dos habitantes começou a ser sistematicamente documentada pelo Estado. Nascimentos, casamentos e mortes passaram a ser registrados em livros oficiais. Ainda assim, nas áreas rurais, as práticas tradicionais persistiam. As paróquias continuavam a desempenhar seu papel, e durante anos coexistiram duas formas de registrar a existência — uma enraizada na tradição, outra imposta pela nova ordem administrativa.

Essa coexistência revelava a natureza da mudança: não uma substituição imediata, mas uma sobreposição gradual entre o antigo e o novo.

Por volta de 1810, essa transformação atingiu um de seus momentos mais significativos com a reorganização administrativa do território. O nome de Pederobba passou a designar oficialmente um município, criado segundo os princípios do modelo napoleônico. No entanto, essa criação não correspondeu imediatamente à forma que o território assumiria mais tarde. A reorganização inicial foi mais complexa e refletiu a lógica racional do novo sistema.

As comunidades que durante séculos haviam existido de forma relativamente autônoma foram redistribuídas. Pederobbaconstituiu uma unidade administrativa própria, enquanto Onigo e Covolo foram inicialmente unidas em uma entidade comum, distinta da primeira. Não se tratava ainda de uma fusão completa de todas as localidades, mas de uma reorganização intermediária, que demonstrava tanto a ambição do novo sistema quanto sua adaptação progressiva à realidade local.

Essa estrutura refletia um princípio fundamental: o território deveria ser organizado de forma eficiente, mensurável e administrável, ainda que isso significasse ignorar vínculos históricos e identidades consolidadas. Ao longo dos anos seguintes, essa configuração seria ajustada, e a forma moderna do município se consolidaria gradualmente ao longo do século XIX.

Apesar dessas mudanças, o sistema napoleônico não era caótico. Após a fase inicial de reorganização, impôs uma relativa estabilidade administrativa, marcada por regras claras e pela presença constante do Estado. Essa rigidez contrastava com a flexibilidade das estruturas anteriores e redefinia a relação entre as comunidades e o poder.

Ainda assim, a vida cotidiana manteve sua continuidade essencial. Os campos continuaram a ser cultivados, as estações seguiram seu curso, e as comunidades adaptaram-se lentamente às novas condições. As mudanças não se expressavam em eventos isolados, mas em uma transformação contínua, perceptível nos detalhes: em um nome inscrito em um registro civil, em uma divisão territorial redesenhada, em um imposto calculado com precisão.

Quando, entre 1813 e 1814, o sistema napoleônico começou a se desintegrar, e em 1815 o Congresso de Viena transferiu o Vêneto para o domínio austríaco, muitos poderiam imaginar um retorno ao passado. Mas esse retorno não ocorreu. As estruturas introduzidas permaneceram. O município continuou a existir, os registros civis foram mantidos, e a lógica administrativa centralizada tornou-se parte integrante da organização do território.

Assim, em Pederobba e nas comunidades que o compunham, como Onigo e Covolo, o período napoleônico não representou apenas uma fase de ocupação estrangeira. Representou uma transição profunda e irreversível. O mundo antigo, sustentado por tradições locais e equilíbrios históricos, não desapareceu de imediato, mas foi progressivamente transformado por uma nova ordem — uma ordem em que o Estado deixava de ser distante para tornar-se presente, visível e determinante na vida de cada indivíduo.

Nota do Autor

A reconstituição do período napoleônico no Vêneto, especialmente em Pederobba, exige olhar além dos grandes acontecimentos e aproximar-se da realidade das pequenas comunidades. Foi nelas que as mudanças políticas se traduziram em impactos concretos no cotidiano, alterando formas de viver, produzir e se organizar.

Este texto combina dados históricos de estudos regionais e registros da época com uma narrativa de caráter literário, buscando não apenas informar, mas também aproximar o leitor da experiência vivida naquele tempo. A intenção não é substituir o rigor histórico, mas ampliá-lo por meio da sensibilidade narrativa.

Para os descendentes de italianos no Brasil, sobretudo no Rio Grande do Sul, essa história ajuda a compreender o contexto que antecedeu a imigração e moldou as trajetórias familiares que ainda hoje ecoam na memória coletiva.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Fome e Miséria na Itália do Século XIX e a Verdade Sobre a Vida Rural que Impulsionou a Emigração




Fome e Miséria na Itália do Século XIX e a Verdade Sobre a Vida Rural que Impulsionou a Emigração




Introdução

A Itália que nossos antepassados deixaram para trás

A emigração italiana — especialmente entre 1870 e 1914 — não nasceu do acaso. Atrás das malas improvisadas, das longas travessias e das despedidas sem retorno havia uma força muito maior: a fome estrutural e a miséria rural que devastavam a península. No final do século XIX, a recém-unificada Itália era um país profundamente desigual, marcado por doenças, nutrição deficiente, campesinato empobrecido e mortalidade infantil assustadoramente alta.
A mais completa fotografia desse cenário veio da Investigação Agrária Jacini, iniciada em 1880, documento que revelou em detalhes o sofrimento cotidiano de milhões de pequenos agricultores italianos. Ao compreender essa realidade, entendemos não apenas como viviam nossos antepassados — mas por que tantos deles decidiram partir em busca de uma vida possível nas Américas.
Casebres, animais e seres humanos: um único espaço para sobreviver
O relatório Jacini é contundente: nos vales alpinos, nos Apeninos, nas planícies do Mezzogiorno e até em províncias agrícolas do norte, milhares de famílias viviam em um único aposento, sem janelas, sem circulação de ar e sem higiene adequada.
Homens, mulheres, crianças, cabras, porcos e galinhas dividiam o mesmo ambiente — uma imagem que pode parecer grotesca, mas que era extremamente comum. O documento menciona que esses casebres, muitas vezes enegrecidos pela fumaça e pela umidade, somavam talvez centenas de milhares em toda a Itália.
Essa promiscuidade não era apenas um sinal de pobreza; era uma necessidade de sobrevivência. O calor corporal e o cheiro forte dos animais eram tolerados porque qualquer fonte de calor era preciosa nos longos invernos italianos.
A “estrebaria”: sala, quarto, cozinha e santuário familiar
Segundo a investigação, para o pequeno agricultor, a estrebaria (estábulo) era o verdadeiro centro da vida. 
Ali:
  • se dormia,
  • se comia,
  • se recebia visitas,
  • se trabalhava,
  • e se passavam os meses gelados.
As mulheres costuravam, fiavam e remendavam; os homens jogavam cartas, afiavam ferramentas e contavam histórias antigas. Tudo acontecia ali — no mesmo espaço onde ruminavam vacas e cabras.
Essa realidade demonstra uma Itália rural aprisionada no tempo, com estruturas sociais medievais persistentes mesmo em pleno século XIX.
Polenta e pelagra: quando a comida é insuficiente para viver
Se a moradia era precária, a alimentação era ainda pior. A dieta do camponês italiano era quase exclusivamente polenta, feita com farinha de milho pobre em nutrientes. Em média, cada pessoa consumia cerca de 33 kg por ano — embora em muitas regiões esse número fosse maior.
Essa monotonia alimentar desencadeou a terrível pelagra, doença conhecida como “a doença dos 3D”: dermatite, diarreia e demência.
O maior pelagrosário do país ficava em Mogliano Veneto, na província de Treviso, onde a doença devastava comunidades inteiras.
Para tentar “dar sabor” à polenta, famílias passavam o alimento sobre um único pedaço de arenque defumado, compartilhado por todos — uma prática reveladora da escassez absoluta.
O vinho como alimento: crianças italianas e o alcoolismo rural
Onde havia vinhas, especialmente no Vêneto e na Lombardia, o vinho era parte essencial da dieta — não por prazer, mas por necessidade. Dizia-se: “O vinho faz sangue!”
Uma pesquisa envolvendo 12 mil estudantes primários revelou um dado chocante:
  • Apenas 3 mil não consumiam álcool.
  • 5 mil bebiam bebidas de alta graduação.
  • 9 mil bebiam vinho regularmente — e metade abusava.
O alcoolismo rural era consequência direta da miséria alimentar, não um hábito festivo como se romantiza hoje.
Órfãos abandonados e amas de leite: quando a pobreza molda laços familiares
Marco Porcella, em La Fatica e la Merica, explica que muitas famílias sobreviviam graças ao sacrifício das mulheres, que atuavam como amas de leite para órfãos abandonados.
Os chamados “filhos da culpa” eram colocados:
  • nas Rodas dos orfanatos,
  • nos degraus de igrejas,
  • nas portas de párocos,
  • ou nas mãos de parteiras.
Desnutridos e frágeis, muitos morriam antes de completar uma semana. Mesmo em anos sem epidemias, a mortalidade infantil chegava a 33%.
As amas de leite frequentemente devolviam as crianças por medo de transmitirem doenças às próprias famílias — especialmente sífilis, erroneamente vista como inevitável nesses casos.
Após um ano, esses órfãos deixavam de ser “crianças de leite” e se tornavam “crianças de pão”, podendo ser criados até cerca de doze anos, quando terminava a responsabilidade do hospital ou orfanato.
A vida vale menos que a de um boi: prioridades de uma sociedade faminta
Os relatos do médico Luigi Alpago Novello, que atuava na província de Treviso na segunda metade do século XIX, mostram como a miséria deformava a lógica afetiva das famílias.
Para muitos camponeses:
a doença ou morte de uma criança, idoso ou inválido era recebida com resignação,
enquanto a doença de uma vaca, boi ou cabra gerava desespero.
Os animais eram o sustento da família — leite, carne, trabalho.
Uma criança doente, sem capacidade produtiva, raramente justificava os custos de um médico. É duro, mas historicamente verdadeiro.
Medicina, higiene e mudança demográfica: avanços lentos, desigualdades persistentes
Com a chegada das campanhas de higiene e dos avanços médicos, sobretudo durante a administração austríaca no Vêneto, a expectativa de vida começou a melhorar.
Em 1911, a idade média dos óbitos subiu de 6,5 anos para 30 anos.
Ainda assim, a situação era dramática: naquele ano, crianças abaixo de cinco anos representavam 38% de todas as mortes no país.
A Itália caminhava lentamente rumo à modernidade, mas a herança da fome e da miséria ainda marcava profundamente a sociedade.

Conclusão: por que milhões fugiram dessa Itália

Todo esse sofrimento — fome, pelagra, alcoolismo infantil, abandono de órfãos, moradias indignas e mortalidade assustadora — compôs a realidade que milhões de italianos enfrentaram.
Essa realidade explica, com clareza brutal, por que tantos partiram:
  • não foi aventura,
  • não foi turismo,
  • não foi romantismo.
  • Foi sobrevivência.
Foi a busca por um destino possível, longe da miséria que a Itália do século XIX lhes impunha.
Entender esse passado é compreender a origem de milhões de famílias italianas espalhadas pelo Brasil e pelas Américas — e reconhecer a força e a dor que moldaram nossa própria história.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta

terça-feira, 25 de novembro de 2025

A Tradição do Arenque Defumado Atado ao Barbante no Vêneto e Sua Ligação com a Pelagra


A Tradição do Arenque Defumado Atado ao Barbante no Vêneto e Sua Ligação com a Pelagra


Introdução

Entre as lembranças mais fortes da vida rural no antigo Vêneto, que ecoam ainda entre os descendentes de emigrantes, há uma imagem simbólica: um arenque defumado pendurado por um barbante sobre a mesa de comer. Esse gesto — simples, mas carregado de significado — era testemunho da pobreza endêmica das famílias venetas no final do século XIX e início do XX. 

A Tradição do Arenque 

Nas narrativas orais dos mais velhos, quando a família se reunia para comer, quase nunca havia proteína ou carne suficiente. A base era normalmente polenta — feita de farinha de milho, alimento barato, mas pouco nutritivo para quem dependia exclusivamente dele. 
Para dar algum sabor àquela refeição humilde, atavam um arenque defumado por um barbante e penduravam-no sobre a mesa. Depois, cada membro esfregava sua fatia de polenta quente na superfície do peixe, transferindo um pouco do gosto salgado e defumado para a polenta. Outras variantes dessa memória mencionam salame pendurado ou até ossos usados para fazer caldo (“brodo”) — que circulava entre as casas da vizinhança, cada dia uma família preparava o brodo. 

Ligação com a Pelagra

A razão pela qual esse costume ficou registrado nas tradições orais vai além da criatividade culinária: reflete privação. Muitos relatos afirmam que a má alimentação, a quase ausência de fontes de proteína e a dependência de alimentos baratos como a polenta contribuíram para doenças graves, especialmente a pelagra
A pelagra é uma doença nutricional causada pela deficiência de niacina (vitamina B3) e aminoácidos como o triptofano. Historicamente, houve sérios surtos de pellagra no Vêneto rural: segundo registros, a miséria, a monocultura do milho e a baixa variedade alimentar foram fatores decisivos. Fontes históricas confirmam que entre as populações mais pobres do Vêneto, a incidência da pellagra era especialmente alta no final do século XIX e início do XX. 

Além disso, especialistas em história social e da saúde apontam que a precariedade da dieta era uma das principais forças motrizes da emigração — muitos deixaram o Vêneto para fugir da fome e da doença (como a pelagra). 

Contexto Cultural e Histórico 

Esse costume pode ser visto como parte de uma economia de sobrevivência, típica das comunidades agrícolas pobres da planície do Vêneto. A polenta, alimento barato e saciante, era central na cultura alimentar do Vêneto; segundo estudos sobre a migração veneta e a alimentação, esses pratos simples reforçavam também os laços comunitários e familiares.

Além disso, em tradições alimentares venetas existe registro de peixes salgados, defumados ou curados, que eram usados para conservar proteína em condições de escassez.
O ritual de pendurar peixe ou carne sobre a mesa pode, assim, representar tanto a pobreza quanto a invenção popular para driblar a limitação de recursos.

6. Conclusão

A imagem do arenque defumado pendurado por um barbante sobre a mesa é mais do que uma curiosidade gastronômica: é um símbolo forte da miséria veneta e da luta das famílias para sobreviver com pouca comida e quase nenhuma proteína. Esse costume reforça não só a criatividade e a resiliência cultural, mas também a memória histórica de doenças graves como a pelagra, vinculadas à desnutrição. Hoje, preservar esse relato é valorizar a experiência dos antepassados venetos, lembrando às novas gerações o que significava ter necessidade — e por que a alimentação é tão central para a saúde e a dignidade humana.

7. Nota do Autor

Como autor, ressalto que este texto parte de relatos orais transmitidos pelos descendentes de emigrantes vênetos e de pesquisas históricas sobre a pobreza rural e a pelagra no Vêneto. Ao combinar tradição narrativa com fontes históricas confiáveis, meu objetivo é dar voz a uma memória muitas vezes esquecida: a de comunidades que usavam soluções criativas para driblar a escassez, mas pagavam um preço alto em saúde. Esse tema reafirma a importância de entender a relação entre cultura alimentar e bem-estar social.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta


domingo, 9 de novembro de 2025

Oltre l'Orisonte: La Traversia de ´na Famèia Italiana

 


Oltre l'Orisonte:

La Traversia de ´na Famèia Italiana


Autono de 1878, par el interior del comune de San Piero de Felet, provìnsia de Treviso, in Veneto, la nèbia calava sora i vigneti stracà come 'na vela de resignassion. Le viti faseva meno ua ogni ano, e la fame se insinuava fra le case poarete del paese come 'na visita che no voleva mai ´ndar via. I zorni i zera pien de na malinconia pesada, con el silénsio roto solo dal son sporàdico dei campanèi de la cesa, che segnava l’andar del tempo sensa freta. Le strade de tera bastonà zera puntegià de fóie seche, che crocava soto i piè, ricordando la repetission inesoràbile de le stagioni. I òci dei contadini, che ‘na volta i zera pien de speransa per le vendémie bone, adesso i rifleteva el peso de le zornade sensa fin, imbusà de paùra.

Ntela pìcola cusina de la famèia Moretti, ndove el fogo del camin provava a riscaldar el ambiente fredo, Antonella la zera a ramedar la vècia traversa de laoro, intanto che i so fiòi, Pietro e Maria, i tentava a scaldarse uniti soto 'na coperte rùstega. Su la tola de legno, 'na minestra magra fumava drento 'na scudela sbrodegà, l'ùnico magnar che ghe restava par quel zorno.

"El inverno promete èsser ancora più crudel sto ano", mormorò Antonella par conto so, intanto che sistemava la cusidura. El so marìo, Giovanni, el zera parti prima del sol par provar a catar 'na poca farina al molino de un amico. Lo scambio se faria con le poche nose che i zera riusì a racòglier da le vècie piante che marcava i confin de la pìcola proprietà. La fame no zera l'ùnica ombra che strassegava su San Pietro di Feletto. I dèbiti se cumulava come nùvole de tempesta. La maior parte de le poche tere le zera ipotecà, e i prestamassi del posto cargava interesse esorbitanti, lassando i contadini drento 'na spirale de misèria. El pàroco Don Luigi, con la so tònaca stracià, fasea quel che podea par confortar i fedeli, ma anche lu savea ben che pregar par la piova e par i tempi boni no bastava pì.

I doméneghe, dopo la messa, pìcoli grupi se trovava in piasseta par scambiar novità. Se parlava de famèie che le zera partì par el Novo Mondo, traversando el mar par catar tere ndove el laoro vegnia pagà. Le lètare che rivava, se rivava, le zera lete a vose alta par tuti e tegnù come relìquie pressiose, che dava speransa ma anche paura.

"Le dise che in Brasil el governo el dà tere a chi vol piantar. Conta che là el sol el ze sempre caldo e che le fruite le cresce tuto l'ano," dise Matteo, un zòvene contadin, con i òci che lusea de 'na speransa quasi de fià.

"Ma le dise anche che el viaio el ze longo, pien de perìcoli. E che tanti no sopravive el mar," rispose el vècio Ernesto, con le man sfoiade che mostrava 'na vita intera de fatiga sui campi. El tono de la so voce zera pesà, come se le parole le fusse fate de piombo.

Antonella, sentindo ste parole da la finestra de casa, sentiva un peso ´ntel cuor. L’idea de lassar tuto quel che i conossea par ´ndar drento ‘na traversia cusì insserta la fasea paura. Ma no podea ignorar el fogo de speransa che sta idea gavea impissà in Giovanni. El deseo de donar un futuro mèio ai so fiòi parea sempre pì ´na strada inevitàbile, no importava el préssio da pagar.

Quela sera, mentre el vento fredo fasea tremar le finestre, Giovanni el tornò a casa con el muso scuro. El se sentò visin al fogon e el vardò Antonella par un bon momento prima de parlar.

"Mi go parlà con el padre Luigi. El me ga dito che un grupo parte el mese che vien par el Brasil. Gavemo da dessider presto, Antonella. Parché forse la ze la nostra ùltima oportunità."

Antonella ghe strense la man con fermesa. La dessision no zera ancora stada presa, ma drento ai so cuori, tuti do i saveva che el tempo par esitar el zera finì.

La matina dopo, mentre el gal el zera ancora a dormir, Giovanni el se alsò e el ussì par preparar i ùltimi detàie. ´Ntei so òci, la determinassion de un omo pronto a sfidar el destino. Antonella, vardando la so figura sparir drento la nèbia, la sentì un misto de disperassion e coraio. Zera lo scomìnsio de un viaio che segnarìa par sempre le so vite.

´Ntei zorni che vegnia, Antonella e Giovanni i ga preso la difíssil dessision. L’imbarco par el Brasil el zera l’ùnica oportunità par scampare da la misèria che i ghe rodeava intorno. Giovanni el gavea scominsià a trovarse con altri òmini del paese, preparando tuto par la partensa. Le lètare mandà dai compatrioti in Brasil le descrivea un novo scomìnsio, ma le avisava anche dei perìcoli che i aspetava chi se lanssava oltre el mar. Ogni lètara, lete con avidità, rendeva el futuro tanto prometente quanto spaventoso.

´Ntela víspera de la partensa, la pìcola casa de la famèia Moretti la zera piena de ‘na tristessa silensiosa. Antonella la netava la vècia mobìlia, mentre Pietro e Maria, i so fiòi, i zogava distrati, ancora ignari del peso de la dessision che zera stà presa. El rumor de le martelade, che vegnia de la casa de i visin, ndove che i altri òmini preparava le so bagaie, el resònava drento la matina avolta de nèbia. Le done, drento le case, le vardava solo, sentindo el peso del scognossù che svolava sul futuro dei so marì e fiòi.

Giovanni el entrò in casa con ‘na espression sèria. La so saca de tela, zà pien con i pochi ogeti essensiai, la zera posà drio la porta. El se avisinò ad Antonella e, sensa dir gnente, el la strense forte. Antonella la serò i òci, sentindo la momentanea sicuressa de quel gesto, ma la savea che, presto, loro i zera ´ndà via. El so futuro el se disenava come ‘na riga fina, sospesa tra i cuori streti de la despedida e la speransa de ‘n novo scomìnsio. "Torneremo presto, Antonella. Te prometo. Ghe la faremo. Par Pietro e Maria," el disse Giovanni, con la so vose roca de emossion. El se stacò un poco, vardando i fiòi.

Antonella la strense la so man, come se la volesse passar tuta la forsa che lei gavea. "Lo so. Ma me preocupa el viaio. E cossa che aspeta a noialtri de l’altra parte. Gavemo visto cossa che capita a chi va e no torna."

La menssion dei raconti de morti in mar, de le dificoltà par adatarse a la nova tera, la fece Antonella esitar, ma Giovanni el zera ormai deciso. "Gavemo da afrontar. Mi vegno. Par nu. Par i fiòi." E, prima che la podesse rispondar, el se girò e el caminò fino a la porta, ndove che i so amissi lo aspetava.

El gruppo de emigranti el zera radunà ´nte la pìcola piassa del paeseto, ndove che i muli e le carosse zera zà pronti par portar i viaianti fino a la stasion del treno. El adio i se sussedeva come ‘na ondata de emossion, mentre che i òmini i se abrassava, e le done le se scambiava parole sofegà de conforto e disperassion. Qualchedun dei fiòi picinin no capiva la gravità de la situassion e i coreva par la piassa, zogando come se fusse un semplice passègio. Ma la realtà zera un’altra: i zera pronti a afrontar un viao che gnanca uno de lori podesse imaginar.

Quando Giovanni montò sora la carossa, vardando ’na per l’ùltima volta la so casa e la poca tera che l’aveva curà par tuta la vita, Antonella la sentì come se el tera soto i so piè se movesse. Lei restò con i òci pien de làgreme, ma anca con ’na fiameta de speransa, anca se picinina. Lei se despedia, come ’n taglio profondo, la zera dolente, ma necessària par che ghe fusse ’n novo scomìnsio.

El camino fin al porto de Zénoa el ze stà longo e fadigoso. Soto el calor sofocante de la matina, el treno sbatolava sora i binari, lassando drio ’na nuvola de fumo. El grupo de emigranti ’ndava in silénsio, con i visi segnà da la tension. Le fèmine provava a tegnerse calme, ma i so òci disevan tuto: paura e angùstia del scognossù. I putei, strachi del lungo viaio, se strensea contro i so pare, con i oci fissà in qualcosa lontan.

Quando lori i ze rivà al porto, la vision del gran navio ancorà là in riva al mar ze stà ’n colpo par i sensi. El bastimento pareva che se ’ngolesse l’orisonte, ’na massa gigante de fero e de legno che i portaria verso ’n destino incerto. Intanto che le famèie se meteva in òrdine par imbarcarse, la nèbia del mar se alsava, scurendo el cielo e dando a tuto ’l ambiente ’na sensassion de mistero e de malessere.

Giovanni se avisinò a Antonella, che tegnìa streti i fiòi tra le man.

«Semo pronti», el ga dito, anca se el dùbio ´ntei so òci contradisea le parole.

Antonella fece solo ’n sì con el capo, co’ el cuor streto.

A bordo, el navìo zera pien fin ai òssi. El odor de sal e el rumor sensa fin del mar empienìa l’ària, intanto che i emigranti se sistemava ´ntei cubìcoli improvisà. Le condission zera dure: aqua racionà, magnar scarso, e el calor sofocante de le ore longhe de viaio fasea cresser ancor de pì la sensassion de ’na gàbia. I visi de quei altri emigranti zera segnà da la stesa mescolansa de paura, speransa e nostalgia.

´Nte le prime setimane de viaio, le robe parea ’ndar de mal in peso. I putei piansea, i òmeni parlava pian, e el rumor de l’onde che sbateva contro la strutura del navio zera la ùnica mùsica che i acompagnava. Quando la febre scominsiò a sparpaiar per la nave, i peiori timori de Antonella e Giovanni i se ga fato verità. La malatia colpì prima i pì dèboli, e el nùmaro dei morti cressea zorno dopo zorno.

Tra lori zera Maria, la fiola pì pìcola de Antonella, che cedé a ’na febre alta dopo tre zorni de agonia. El cuor de Antonella se sbrissolò intanto che la vegliava el corpo de la fiola soto le vele che tremolava con la luse. Quela note, Antonella se inzenochiò drio al corpo de Maria e sussurò ’na orassion. El mar, che prima parea pien de promesse, adesso se mostrava come ’n abisso sensa fondo de disperassion e solitùdine. Ma Giovanni, anca disfà da la perda, savea che no podea sèder. La promessa fata a Antonella e ai fiòi zera ancora viva drento la so ànema: "Noaltri gaveremo de vénser, insieme".

Dopo un po de tempo, ’na matina a Piracicaba se mostrava come ’n quadro vivo de colori caldi, con el sol che rompea la nèbia par ciarir i campi de cafè che se stendeva fin dove rivava la vista. Giovanni Moretti respirò profondo, sentindo l’odor teroso de la lavoura mescolà con l’ària ùmida del fiume Piracicaba.

Anca se ghe zera ancora ’na malinconia che no lo lassava, par la perdita de Maria durante la traversia, el savea che quel zera el ricominsiar che l’aveva promesso a Antonella.

La "fazenda" ndove i laoraria zera granda e ben ordinà, ma i baracon zera sèmplissi e pien de zente, fati de legno sensa pitura, con i teti che a pena tegnea fora la piova. Giovanni, Antonella e el picenin Pietro i ze stà mandà in uno de quei baracon. Lori spartia el spàssio con un’altra famèia italiana, i Rossi, che anca lori avea lassà l´Itàlia par ’ndar in serca de ´na vita pì degna.

I do òmeni se ga fà presto compagni ´nte la fadiga de ogni zorno. Le zornade scominsiava prima del nasser del sole. Giovanni ’l ciapava so zapa e ’l ’ndava a piè con Pietro, che gavea solo sete ani ma za ’l iutava a portar i seci par portar l’aqua par le piantassion. Antonella restava ´ntel baracon, lavando robe e cosinando par i laoranti, intanto che i pì veci contava stòrie de ’na casa lontan. Ogni gran racolto parea portar el peso de la so fadiga, ma anca ’na fiameta de speransa.

Malgrado el lavor massacrante, la solidarietà tra i emigranti fasea nasser momenti de respiro. La sera, lori se sentava in serchio intorno a foghère improvisà, cantando cansonete italiane o contandose i soni de comprar ’na tera pròpria. La vose de Antonella se sentiva tra tute — dolse e ferma — portando ricordi del Vèneto che dava conforto a tuta la zente. I primi mesi i ze stà particularmente duri. El sole che brusava e i cali su le mani zera solo ’na parte de la sfida. Le malatie no ga tardà a rivar; la malària e la febre tifòide zirava atorno ai alogiamenti, portando via i pì dèboli.

Ma Giovanni no volea sèder a la disperassion. El tegnea fisso el pensier su la promessa d’un futuro mèio, convinto che se podéa transformar quela tera ostile in ’na vera casa. ’Na zornada, intanto che Giovanni e Pietro lavorava, el fator de la proprietà, ’n omo duro e poco amistoso, el se ga fato veder. El ga vardà Giovanni con interesse prima de avisinarse e el ga dito: "Te lavori bene, italiano. Forse te gh’avrà un futuro qua." 

Giovanni el ga fato solo ’n sì con el capo, ingoiando la ràbia par la maniera come quel omo ghe parlava con superiorità. Zera un riconossimento picenin, ma bastava par rinovar la so determinassion. I mesi i se ga trasformà in ani, e la famèia Moretti la ga scominsià a vardar i fruti de la so fadiga.

Antonella, sempre ingegnosa, meté in pié ’n orto picenin drio al baracon, dove la coltivava verdure che dava un toco de vita a la dieta monòtona de farina e fasòi. Pietro cresseva forte, e la so curiosità lo portava a ’mparar in prèssia i costumi e la lìngua del paese.

Giovanni, dopo ani de risparmio del poco che guadagnava, el ga riusì finalmente a meter insieme el bastante par comprar ’n toco de tera. Quando el fa dito la novità a la famèia, i so oci lusea come mai prima.

"Con ´na vose emossionà el ga deto: Antonella, adesso el ze el nostro turno. No sarà fàssile, ma desso gavemo ´na tera che la ze pròprio de noialtri." ´Ntela picenina proprietà, situà in ’na vila visin a la sità de Piracicaba, la famèia la ga afrontà novi sfide. 

I ga disboscà el teren coperto de mata fita, piantò ortalìssie e cressea galine e porsei. El fruto del laor zera portà a vender a Piracicaba. Le sere zera de fadiga, ma anca de festa. Pian pian, i Moretti se ga integrà con la comunità del posto, smissiando le so tradission italiane con el calor e la ospitalità brasilian.

Ani i ga passà, ormai come picenìn paroni de tera, Giovanni e Antonella vardava con orgòio el so campo. No zera come che i gavea sonià quando i ga lassà el Vèneto, ma zera molto de pì de quanto che i gavea mai avù.

El picenin Pietro, ancor ciamà da Pierino da la famèia, adesso ’n zòvene robusto, el ga scominsià a parlar de ’ndar a ingrandir la piantassion e a soniar de far ’na scola par ’mparar ai altri putei de la colònia. In quel toco de tera, là visin a la sità de Piracicaba, la promessa de Giovanni a Antonella se ga compì. No sensa pena o sacrifìssio, ma con la forsa de chi ga ’mparà a transformar le pèrdite in coràio e el laor duro in speransa. Oltre l’orisonte, el futuro zera ancora inserto, ma ´desso lusea con el barlume de la possibilità.

Nota del Autor

Oltre l’Orisonte» la ze ’na narativa che fa onor al coraio e sacrifìssi dei emigranti italiani che, a la fin del sècolo XIX, i ga traversà el Atlàntico in serca de ’na vita mèio. Anca se inspirà in stòrie vere, ’sta òpera smissia la memòria coletiva con la fission, par dar vita a ’na zornada che risuona con le aspirassion e le dificoltà dei nostri antenati.

Scrivendo ‘sto libro, mi go volù no solo contar ’na stòria de migrassion, ma anca celebrar la lota, la pèrdita e la speransa imortal che move i cuori umani.

Ringrazio ai miei letori par aver acompagnà ’sta traversia e par darghe vose a sti eroi anónimi che i ga contribuì a costruir ’n mondo novo, con sacrifìssio e dignità.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Echi de un Sònio Lontan


Echi de un Sònio Lontan


Lo scomìnsio de un Viaio

Zera i primi zorni de novembre del 1876, e i venti fredi zà sofiava sora la pìcola vila in meso al comun de Cison de Valmarino, su le coline del Vèneto. La vila, tuta avolta da la nèbia, la parea un quadro vivo de l’austerità che marcava la vita dei contadin. Le campane de la cesa de San Michele Arcangelo ecoava per le coline, anunsiando la messa de matina, mentre la famèia Bernasconi, formà da Pietro, Luisa e i so do fiòi pìcoli, Emilia e Lorenzo, la se trovava a infrontar el momento che ghe cambiava par sempre la vita.

La resolussion de partir par el Brasil la zera dolorosa, ma inevitàbile. L’Itàlia ghe dava poco pì che dèbiti, fame e tera straca. Pietro, un omo robusto con le man calegà, el zera abituà a la fadiga de ogni zorno contra el teren àrido e el clima duro. Ma anca la so resistensa, che no se piegava mai, la scominsiava a vassilar davanti a la misèria che cressea. El savea che la tera, che ‘na volta gavea mantegnù generassion de la so famèia, adesso no la zera pì bona gnanca par dar de magnar ai so fiòi.

´Ntela piasseta davanti a la cesa, ndove el vento al levava su le fóie seche e portava el profumo de castagne rostolà, Pietro el gavea abrassà so mòier Luisa. Lei la tegniea Emilia, de do ani apena, con la delicatessa de ‘na mama che gavea paura de perder quel poco che ghe restava. Lorenzo, de sete ani, el tegnea forte la man del papà, come se quel tasto el podesse mandar via la paura che el sentia. Intorno a lori, i amissi e i parenti i se gavea radunà par dirghe adio. I genitori de Pietro, zà veci, i ghe gavea dà un rosàrio e un libreto de orassion de Sant’Antonio. La benedission murmurà dal papà de Pietro la se smissiava con le làgreme che corea su la so fàssia inrugà.

«Prometi, Pietro, che no te desmentegarà le to radise», la disea so mama, tegnendoghe la fàssia tra le man. «E che, ovunque te sìi, te pregarà par che Sant’Antonio te guide i passi.»

El treno che i portava a Genova el spetava ´nte la stassion de ‘Valmarino. El fìs-cio, acuto e malincónico, el taiava l’ària freda come un adio definitivo. Mentre lori i montava su, Pietro el gavea aiutà Luisa a sistemar i pochi averi che i gavea podù portar: un bau de legno, ndove i tegnea vestiti rapesà, carte e qualche semensa che Pietro el gavea insistì a portar, come un sìmbolo de speransa.

Quando el treno el ga lassà la staion, le campagne familiari, con le so coline ondulà e i vigneti abandonà, le spariva pian pian. Luisa la tegnea Emilia in brasso, provando a calmarghe con cansonete basse, che gavea ninà generassion de la so famèia. Lorenzo, con i oci ùmidi, el scorava la testa su la spala del papà, provando a sconder le làgreme che no voleva lassar cader. «Te prometo che sarà mèio, fiol mio», el disea Pietro, con la vose ferma, ma el cuor pesà. El savea che ste parole no le zera solo par Lorenzo, ma anca par lu stesso.

La strada fin a Genova la zera segnà da silensi interoti da pochi discorsi. ´Ntel scompartimento del treno, altri contadin come lori i parlava del Brasil, descrivendolo come ‘na tera de oportunità. Pietro el scoltava atento, come se ogni parola la fusse ‘na mapa par el futuro.

A Genova, el movimento del porto i gavea siapà ´nte un vòrtice de rumori e odor. I navi grandi i spetava par traversar l’Atlántico, con le so ciminiere che sbufava fumo contra el cielo griso. El olor de sal, oio e pesse se smissiava con le vosi in tante léngue diverse. Pietro el tegnea Emilia in brasso e la man de Lorenzo ben streta, guidando la famèa in meso a la fola.

A bordo del vapor che i portava in Brasil, la vita la zera diventà ‘na rotina de spasi streti, magnar scarso e la presensa costante del mar infinito. Lorenzo el passava ore a vardar le onde, mentre Luisa la provava a tegner viva Emilia con stòrie de la so vila. Pietro, invece, el aiudava i altri passagieri con pìcole fassende, e la so’ atitude pràtica e determinassion ghe gavea fato guadagnà el rispeto de tuti.

Anca se el futuro el zera ancora un mistero, i Bernasconi i trovava conforto l’un in l’altro. Soto le stele de l’Atlántico, mentre la nave la dondolava pian, Pietro e Luisa i condivideva soni e paure. In ‘na de ste note, Pietro, con i oci fissi su l’orisonte, el gavea sussurà: «Noialtri construiremo qualcosa, Luisa. Qualcosa che i nostri fiòi i podarà ciamar casa.»

E cussì, con el cuor spartio tra la nostalgia e la speransa, la famèia Bernasconi la navigava verso un destin inserto, ma pien de promesse. Soto el cielo stelà del osseano, Pietro el pregava in silénsio, domandando forsa par infrontar le sfide che el savea che i ghe spetava.

El Mar de Promesse

A Génova, dopo quatro zorni de spera al porto, in meso al caos e a l’ánsia, finalmente i zera montà su el vapor Salier, ´na nave grande che prometea de portarli de l’altra parte de l’Atlántico, ma che drento la nascondea el vero peso de la traversia. L’imbarco el zera un spetàcolo de urli, pianti e òrdini confusi in tante léngue, mentre casse e valise le zera butà in freta ´ntel soto ponte e i passagieri i zera amontonà come mersi umane.

Quando lori i gavea passà la rampa par imbarcar su la nave, Pietro el tegnea forte la man de Lorenzo, mentre Luisa la portava Emilia in brasso, i so oci fissi su la nave grande, come se lori i volesse capir i segreti de la traversia. Apena messi piè su el ponte, i zera stà mandà zò ´ntei alogiamenti, ndove l’ària la zera densa e i spassi streti. Soto el ponte, le condission le zera dure: el olor de sal se ga misturà con el sudor, con el rancio de magnar guasto e con i rifiuti. El rumor del mar, che dovea essar tranquilisante, el zera coperto dai lamenti dei malà e dal pianto dei fiòi.

L’ambiente el zera ‘na lota contìnua par sopraviver. Famèie intere le condividea spasi pìcoli con sachi de roba e bèstie che fasea parte del càrico vivo de la nave. I pasti, servì in poche porsion, i zera quasi sempre ‘na zupa rala e pan duro che no bastava par la fame. L’aqua, spesso calda e con un gusto de fero, la zera rasionà, e questo creava tension tra i passagieri.

Lorenzo el ze stà el primo de la famèia Bernasconi a sentir el peso de quel ambiente. Dopo ‘na setimana de viaio, el gavea scominsià a gaver febre alta, con ‘na tosse che no finia e che preocupava tanto Luisa. Lei la passava le note in bianco, bagnando pani in aqua freda par metergheli in fronte e pregando Sant’Antonio con fervor, mentre Emilia la piansea sercando conforto. Pietro, anca se el provava a mostrar forsa, el sentia el peso de l’insertessa. El aiutava i altri passagieri con lavoreti come spartir el magnar o netar i spasi, ma la paura de perder el fiol la lo seguia come ‘na ombra.

Su el Salier, la morte no la zera ‘na visita inaspetada; la zera ‘na compagna silensiosa. Ogni novo zorno, el pianto sofocà revelava n´ altra pèrdita. I corpi che no resistea a le malatie i zera involti in lensuoi e, dopo ‘na breve orassion fata da un passagiero, el zera butà in mar. Vardar quei corpi sparir ´nte l’aqua profonda e sensa pietà la zera un ricordo crudele de la fragilità de le speranse. Pietro, quando el vardava ste serimónie improvisà, el strensea Lorenzo ancora pì forte, come se podesse protegerlo solo con l’ato de no lassarlo.

In meso a la desolassion, nasseva pìcoli gesti de solidarietà. ‘Na zòvane, che viagiava sola, lei ga condividì con Luisa qualche erba medissinal che lei gavea portà da la so’ tera, spiegando che podaria iutar a calmar la febre de Lorenzo. Pietro el se gavea unì a altri òmeni par improvisar ‘na zona pìcola ndove i fiòi i podesse star lontan dai corenti fredi che corea su la nave de note.

Quando el Salier finalmente el ga vardà la costa brasilian, el 30 de novèmbre del 1876, el solievo el zera mescolà de contentessa e strachessa. La nave la gavea rivà al porto de Rio de Janeiro soto un cielo blu ciaro, che contrastava con l’oscurità che tanti portava drento. I sopravissuti i zera ussì dal sotoponte come fantasmi: strachi, afamà e distruti, ma con ‘na scinta de speransa ancora viva ´ntei oci.

Pietro el gavea vardà Luisa e i fiòi con un sospiro de solievo, ma la so mente zà la zera ocupà con quel che vegnia dopo. Sbarcar la voleva dir solo lo scomìnsio de ‘na nova batàia. Con i piè finalmente su la tera brasilian, Pietro el gavea streto la man de Lorenzo e, con decision, el gavea sussurà: «Semo rivai, fiol mio. Adesso scomìnsia el nostro vero laoro.»

‘Na Nova Strada

Dopo un zorno de interminàbili speta in un alogiamento del governo al porto, ndove l’odor de sal, pòlvere e pesse màrssio se snissiava con le voci dei emigranti, finalmente el ze rivà el momento de ndar avanti. Le autorità brasilian, con la so’ fredessa burocràtica, le gavea organizà i novi rivà in grupi e, soto un caldo sofocante, i gavea mandà verso sud, verso el Rio Grande do Sul. La nave i gavea portà fin al porto de Rio Grande, ndove, dopo qualche zorno de sosta, i zera stà messi su picoli vapori fluviali, che i portava su per el rio, traversando la grande Lagoa dos Patos.

El viaio su el fiume Caí el zera incantador, ma anca triste. La natura selvàdega, con verdi profondi e montagne lontan, la se stendea davanti a lori come un quadro, ma sensa segni de civiltà. Foreste dense, con àlbari dai tronchi storti e grandiosi, le copriva le rive, mentre la corente del fiume Caí a volte la pareva voler inghiotir i vapori con le so aque ribeli. El rumor dei motori e de le èliche che taiava l’aqua el zera quasi l’ùnico suon che rompeva el silénsio pesà, interoto solo dai sussurri de le famèie, che provava a coprir l’ànsia con parole basse e oci sospetosi. Pietro e Luisa, con i fiòi, i vardava l’imensità de ‘sta natura primitiva, sensa ancora capir la grandessa de la sfida che i gavea davanti.

Quando i ze rivà al porto de Montenegro, ‘na sitadina pìcola su la riva del rio Caí, Pietro no podea no sentir un nodo al cuor. El posto, ancora greso e poco svilupà, el zera lontan milie da le promesse de prosperità che i gavea sentì. A Montenegro no ghe zera altro che qualche casa sèmplisse e un comèrssio scarso, tuto in condission precàrie. Là, i emigranti, sensa la mìnima idea de quel che vegnia dopo, i zera stà lassà a lori stessi. No ghe zera ripari pronti, no ghe zera magnar bastante, e gnanca un piano ciaro su come rivar a le tere promesse. El sol el stava calando quando le autorità locai le gavea dito che i dovea continuar el viaio, ma no ghe zera tempo o forsa par protestar. Lori i zera soli.

El cielo scuro de la note, pien de stele iluminà, el zera l’ùnica protession che i gavea trovà. Sensa altre possibilità, Pietro e Luisa i gavea steso i so’ pochi averi su el teren, creando un leto improvisà tra lori e la tera dura. Emilia, ancora pìcola, la se gaveva strenta a la mama, mentre Lorenzo, con i so sete ani, el podea a pena tegner i oci verti par la stranchessa. El teren el zera fredo e rùvido, ma el caldo de la famèia, unì ´nte la stessa pena e la stessa speransa, el dava un poco de conforto. Con la pansa voda e l’ánima pesà, i se gavea sdraià soto el cielo stelà, provando a tegnerse a ‘na breve sensassion de sicuresa, mentre la paura de quel che vegnia dopo la strensea i so cuor.

La matina dopo, ancora con i segni de la stranchessa in fàssia, le famèie le gavea scominsià a radunarse, preparandose par la strada nova. Montenegro la zera solo ‘na tapa, un punto de passàgio par i emigranti, che adeso i dovea infrontar un novo sfido: el viaio fin a le tere promesse, ´nte le colònie italiane de la serra gaùcha. La strada che i spetava la zera dura, storta e sensa nessuna comodità, come i gavea sentì contar da altri emigranti.

Da lì, scominsiava ‘na strada segnà da la forsa, la resistensa e la grande speransa che ancora vivea ´ntel cuor de sti òmeni e fémene. Certi i ze ndà a piè, portando i fiòi pìcoli in brasso o legà su la schena con lensioi consumà, mentre altri i infrontava el viaio su cari improvisà. El scricolar de le rode ´ntei solchi de la tera seca se smissiava con i lamenti de la fame, e la pòlvere de la strada, alsà a ogni passo o scossà, la parea incolarse a la pele e ai polmoni, rendendo el viaio ancora pì duro. El caldo del zorno, misturà a l’umidità de la mata, el trasformava ogni passo in ‘na lota. La foresta infinita la parea inghiotirli pian pian, i fiumi ribeli i desafiava i so limiti, e l’imensità de le tere vèrgini la zera come ‘na metàfora de la solitùdine che spetea tuti.

A ogni chilómetro, el peso del viaio cressea, ma anca la determinassion. Pietro, con le so man calose de ‘na vita de lavoro, no lassava che la debolessa ghe vincesse. Luisa, con l’òcio fermo e la vose dolse, la consolava i fiòi, disendo che el futuro che i spetava in fondo a la strada el saria stà degno de tuti i sacrifìssi. A ogni sosta, a ogni note soto el ciel stelà, ‘na nova speransa la nassea in lori, come ‘na fiameta che resistea al vento fredo de l’incertessa.

Traversando foreste dense, superando fiumi pericolosi, Pietro e la so famèa i ndava avanti, lassando drio i echi de l’Itàlia e enfrentando le novi sfide de ‘sta tera strana. I zera lontan da le so case, lontan da le strade de Cison de Valmarino, ma el spìrito de lota e la promessa de ‘na vita nova in Brasil i tegnea saldi.

La Lota ´nte na Tera Nova

I zorno dopo l’arivo ´ntel mondo novo i zera stà duri. El caldo de l’istà del sud el bateva forte, sensa pietà, mentre l’umidità de la foresta la parea involver tuto come ‘na nèbia sofocante. Ma la famèia Bernasconi no gavea tempo par lamentarse. Ogni matina, el suono de la manara de Pietro che taiava la foresta el bateva insieme al so cuor determinà. El zera un omo con le man calose e ‘na volontà che no se piegava, pronto a trasformar la tera cruda e ostile in qualcosa de suo.

Con solo un’ascia e ‘na falce in man, Pietro el gavea scominsià el laoro duro de desbravar el teren par costruir ‘na capana par la so’ famèia. Ogni colpo de l’atreso ´nte la tera el parea un sforso grandioso, parché el suolo, coperto da ‘na vegetassion densa e dura, el resisteva con forsa. Ma Pietro no se gavea lassà bater. Ogni toco de tera che sedeva soto i so brassi, un spiraio de futuro el brilava pì forte ´ntel so cuor. La so mente, anca se straca e pien de dificoltà, la zera sempre voltà verso quel che vegnia: ‘na casa, el sustento e la promessa de un novo scomìnsio.

Luisa, ancora dèbole dal viaio sfassiante, ma con ‘na forsa silensiosa che parea vegnir da un posto profondo, la se dividea tra curar Lorenzo, che se recuperava pian da ‘na febre che l’avea colpì ´ntel viaio, e preparar el magnar. Polenta fata con formenton sèmplise, qualche pignon e radise che la gavea trovà su le rive del fiume i zera el pasto de ogni zorno, ma el magnar no bastava mai par sfamar la fame. Nonostante tuto, lei no se lamentea. L’òcio che la dava ai fiòi, Emilia e Lorenzo, el zera quel de ‘na mama che, anca con la pena e la strachessa, lei gavea ancora speransa che, con el tempo, el sol el saria tornà a brilar sora de lori.

De note, quando el laoro del zorno finalmente el lassava posto al silènsio de le stele, Pietro el se sentava con i fiòi intorno a ´na pìcola foghera che i podea tegner impissà, anca ´ntei zorni pì ùmidi. El fogo, anca se dèbole, el scaldava i so corpi strachi, ma, ancora pì importante, el nutria le so ànime. Pietro, con la vose grave e calma, el contava stòrie de la so tera in Itàlia provando a tegner viva la conession con el passà, con el Piave e le montagne che tanto el amava. «Lorenzo», el disea, con la man su la spala del fiol, «ricordate chi che semo. No desmentegar mai el Piave e le nostre montagne. Le vive drento de noialtri. No importa quanto ‘sta tera sia strana, no importa la distansa da casa, ste montagne le sarà sempre con noialtri.»

Ste parole le zera el so conforto, la so àncora, mentre i provava a dar forma al futuro lontan che i soniava. Ma el presente, con la so duressa, el zera sensa pietà. L’isolamento el zera total. L’ùnico contato con el mondo el zera con i pochi che passava per le strade de la mata, e le malatie, sensa dotor e con pochi rimedi, le rendeva le note ancora pì longhe e preocupanti. Quando Lorenzo el ze tornà malà, la febre che lo consumava la gavea portà ‘na nova paura, ‘na paura profonda che se infilava ´ntei cuor dei genitori, ma, come sempre, la speransa la era più forte. Luisa, con la so dolcesa e dedicassion, lei passava le note in bianco visin al fiol, fasendo compresse e sussurando orassion, mentre Pietro, anca se tasea e preocupà, el fasea quel che podea par portar pì legna e magnar.

I zorni, e dopo i mesi, i passava lenti, con la sttachessa che se formava ´nte la so vita come ‘na ombra costante. Ma a la fin de l’inverno, quando la tera la zera ancora freda e ùmida, Pietro el gavea podesto versa un toco de tera arà. El gavea vardà la tera, con le man sporche e el sudor che colava da la fronte, e un soriso legero el ze nato su la so’ fassia. La zera ‘na pìcola vitòria, ma par lu la valeva pì de ogni altra cosa. El primo toco de tera che el gavea domà con el so sforso e sacrifìssio ghe gaveva fato vegnir le làgreme ai oci. El zera come se el gavea finalmente tocà ‘na parte del so sònio, qualcosa che, fin alora, el parea lontan come le montagne de la so tera.

Par la famèia, quel toco de tera el rapresentava lo scomìnsio de qualcosa de pì grande, de ‘na casa fata con sudor, con dolori, ma anca con la sertessa che la vita la continuava, che se podea ricominsiar. I gavea ancora tante dificoltà, ma qualcosa de novo el nassea lì, in meso a la solitudine de la mata, a la duressa del laoro e al peso de la nostalgia. La promessa de un futuro mèio la scominsiava a diventar vera.

Pietro, straco ma con l’ànima forte, el gavea vardà la capana che csominsiava a prender forma e, con un fià profondo, el gavea murmurà: «Questa sarà la nostra casa, Luisa. Qua, troveremo pase.»

E cussì, la strada de la famèia Bernasconi la gavea scominsià a prender la forma che i sperava. Un passo a la volta, con fede, con forsa, con speransa.

El Nadal del 1876

Quando el Nadal del 1876 el ze rivà, in quei tempi no ghe zera regali, né àlbori adornà come incòì. El caldo de l’istà el involgea la pìcola capana ndove i Bernasconi i se riparava, e la tera, ancora cruda, la mandava odor de erba seca e de foresta densa che i sirconda. No ghe zera bancheti su la tola, solo la semplissità de la polenta e el poco che i podea coier da la tera.

In quela note, soto el cielo ciaro e caldo, Pietro, Luisa e i fiòi i se gavea riunì intorno a la foghera. El caldo de la fiama el contrastava con la bresa calda che passava tra le àlbori, ma tutavia ghe zera un silénsio profondo e ‘na sensassion de union. El Nadal, par lori, no el zera ‘na festa, ma un momento de orassion, de pensier e de ringrasiamento par la vita e par el coraio de ndar avanti.

«Che el Signor daga a noialtri forsa par continuar», el gavea dito Pietro, con la vose bassa e ferma, vardando le stele che scominsiava a brilar in cielo. «Questo no ze la fin de la nostra lota, ma lo scomìnsio de qualcosa de novo. Insieme, construiremo un futuro.»

No ghe zera risa o canti alegri, ma ghe zera la certessa che lori i zera vivi, e questo, in qualche modo, el zera un motivo par dir gràssie. Le orassion de Luisa e Pietro le se intresiava, domandando forsa e speransa par i zorni che vegnia, un futuro che ancora el parea lontan e inserto.

E cussì, in quela note calda e silensiosa, i Bernasconi i gavea selebrà un Nadal diferente: sensa lussi, sensa feste, ma con la fede silensiosa che, nonostante tute le dificoltà, el futuro ghe reservava ancora ‘na possibilità de prosperar.

Nota del Autor

La costrussion de Echi de un Sònio Lontan la ze nata da ‘na profonda admirassion par le stòrie de coraio e resistensa che ga formà le basi de tante nasion. Inspirà da la saga dei emigranti italiani che, a la fin del secolo XIX, i ga traversà ocean in serca de un futuro mèio, sto romanso el vol onorar le memòrie de quei che, anca davanti a dificoltà che no se podea imaginar, i ga tegnù viva la fiama de la speransa.

Sto libro el ze ‘na òpera de fission, ma tante de le situasion contà le ze el riflesso de raconti veri che mi go trovà in diari, letere e registri stòrici. La soferensa, l’isolamento e le fadighe ‘nfrentà da sti pionieri no le ze stà romantisà; al contràrio, mi go provà a mostrar la cruda realtà che i sirconda. Tutavìa, mi go sercà de selebrar la so forsa, le so tradission e l’eredità cultural rica che i ga portà con lori.

La narrassion, pì de tuto, la ze un omaio. ‘Na ode a quei che no solo i ga sonià, ma i ga avù l’audassia de lotar par el sònio, anca in tere scognossù, tra foreste dense e mari ribeli.

Ringrazio tuti i stòrici, i risercatori e i dissendenti de emigranti che i ga condividì le so stòrie con mi, permetendo che le so vose le ecoa in sto libro. Spero che Echi de un Sònio Lontan no solo el comova, ma el inspire anca pensier sul poder del spìrito umano davanti ai sfidamenti, ricordandose che le radise che piantemo ancò le pol fiorir in qualcosa de straordinàrio par le generassion che vegnerà.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta