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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Vida Nova em Nova Milano


Vida Nova em Nova Milano


No inverno de 1879, as montanhas da província de Belluno, no Vêneto, estavam cobertas por um manto de neve. Em uma pequena vila no interior de  Sedico, vivia a família Serafico. Giovanni Serafico, um camponês de 38 anos, enfrentava as dificuldades de uma terra que já não oferecia sustento suficiente para sua esposa, Maria, e seus três filhos: Pietro, Lucia e Antonio.

As notícias de terras férteis e oportunidades no Brasil chegavam frequentemente às pequenas vilas do interior do Vêneto, trazidas pelos agentes de emigração. Esses homens, geralmente comissionados por companhias de navegação ou representantes do governo imperial brasileiro, viajavam de vila em vila, espalhando promessas que acendiam a esperança nos corações exaustos dos camponeses. Falavam de transporte gratuito, assistência inicial e, o mais tentador de tudo, a possibilidade de adquirir as terras que trabalhariam. Para agricultores que, há séculos, viviam como meros servos nas vastas propriedades de nobres e senhores de terras, a perspectiva de serem proprietários era revolucionária.

Essas promessas encontravam solo fértil na mente de homens como Giovanni Serafico. A vida no Vêneto era marcada por trabalho incessante, pouca recompensa e nenhuma voz diante dos patrões. Cansados de obedecer e silenciar, os camponeses viam na emigração uma chance de quebrar o ciclo de miséria. No entanto, nem tudo era certeza. Enquanto alguns confirmavam as promessas através de cartas enviadas por parentes que haviam emigrado antes, outros relatavam dificuldades inimagináveis, doenças e promessas quebradas. A dúvida era constante: seria a sorte diferente para eles?

Giovanni, ainda assim, sentia-se atraído pela possibilidade de uma nova vida. As cartas de um primo distante, que havia se estabelecido no Rio Grande do Sul, falavam de dificuldades, mas também de progresso. "Aqui somos pobres, mas livres, não precisamos dividir o que produzimos com os patrões", dizia uma delas. Essas palavras reverberavam na mente de Giovanni, contrastando com sua própria realidade de pobreza e servidão.

As condições em Sedico pioravam muito a cada inverno. A terra de montanha exaurida não produzia o suficiente para sustentar a família. Maria, sua esposa, fazia milagres para alimentar Pietro, Lucia e Antonio, mas até ela sentia o peso da escassez. Giovanni via nos olhos de seus filhos uma mistura de fome e sonhos ainda intactos. Ele sabia que, se não tentasse, poderia condená-los a uma vida igual ou pior à sua.

A decisão de partir não foi tomada de forma impetuosa. Giovanni passou noites insones ponderando os riscos e as promessas. Olhava para as colinas brancas de neve, imaginando se algum dia veria outra paisagem além daquela. Quando finalmente decidiu, não foi a promessa de riquezas que o moveu, mas a esperança de que seus filhos crescessem sem as correntes invisíveis que prendiam os camponeses ao solo italiano.

Movido por essa esperança, Giovanni foi ao escritório de emigração na vila vizinha, onde assinou os papéis que oficializavam sua decisão. Ali, com as mãos trêmulas, comprometia-se a embarcar para a Colonia Caxias, em uma jornada que poderia significar a redenção ou a ruína de sua família.

A partida de Sedico foi silenciosa. Os vizinhos se despediram com abraços contidos, desejando boa sorte, mas sem esconder o misto de inveja e alívio. Giovanni e Maria sabiam que deixavam para trás não apenas uma terra exausta, mas também uma vida inteira de memórias. Levaram consigo poucos pertences: uma imagem de São José, algumas roupas remendadas e um saco de sementes, símbolo da esperança que depositavam no novo mundo.

A viagem da família Serafico até o porto de Gênova foi uma prova de resistência física e emocional, marcada por cada etapa de um esforço hercúleo. Ao amanhecer de um dia frio, um vizinho generoso chamado Lorenzo chegou com sua carroça, puxada por dois cavalos robustos. Ele se oferecera para levar a família até a estação de trem na cidade próxima e, depois, retornar à vila com o veículo.

As despedidas foram breves e contidas, como era costume na época. Os Serafico subiram na carroça com suas modestas posses: um baú de madeira contendo roupas e mantimentos, uma cesta com pães e queijos e uma pequena imagem de Santa Lúcia, padroeira da aldeia. Maria segurava Antonio, o mais novo, enquanto Giovanni ajudava Pietro e Lucia a acomodarem-se na estreita carroça. O vento cortante chicoteava seus rostos, mas ninguém reclamava; o silêncio era quebrado apenas pelo som dos cascos dos cavalos sobre o chão congelado.

A estrada até a estação de trem era sinuosa e difícil. Lorenzo, habituado ao terreno, manejava os cavalos com habilidade, desviando das poças de lama e neve acumulada. Giovanni, sentado ao lado de Lorenzo, mantinha-se em silêncio, mas seus olhos observavam cada curva do caminho, como se quisesse gravar a paisagem em sua memória. Maria, por sua vez, fazia o possível para aquecer os filhos com mantos de lã desgastados, enquanto murmurava orações em voz baixa.

Após algumas horas de viagem, chegaram à estação de trem em Feltre. A plataforma estava repleta de famílias como a deles, carregadas de malas e esperanças. Giovanni agradeceu a Lorenzo com um aperto de mão firme e palavras de gratidão, enquanto o vizinho se despedia e prometia rezar pelo sucesso da família em terras distantes.

O embarque no trem foi tumultuado. Os vagões de terceira classe, destinados aos mais pobres, eram lotados e desconfortáveis, com bancos de madeira e pouca ventilação. Apesar disso, a família estava aliviada por estar finalmente em movimento em direção ao destino. A viagem até Gênova duraria quase um dia, passando por belas paisagens e por várias baldeações que adicionavam cansaço à jornada.

As crianças estavam fascinadas pelo trem — uma invenção que parecia mágica para quem vinha de aldeias tão isoladas. Pietro e Lucia, mesmo cansados, olhavam pelas janelas, admirando os campos e montanhas que passavam rapidamente. Giovanni e Maria, entretanto, pouco aproveitavam a vista, preocupados com os próximos passos: o embarque no navio e o início de uma vida completamente nova em terras desconhecidas.

Conforme as horas passavam, o cansaço tornava-se insuportável. Maria embalava Antonio, que chorava de fome e desconforto, enquanto Giovanni distribuía os últimos pedaços de pão entre os filhos. Quando finalmente avistaram a movimentada cidade portuária de Gênova, o alívio foi imediato. Estavam um passo mais próximos do Brasil, mas também diante de um novo mar de incertezas.

O porto era um caos organizado. Milhares de pessoas circulavam entre pilhas de mercadorias, trabalhadores gritando instruções e embarcações de todos os tamanhos balançando no cais. A família foi conduzida para a fila de imigrantes que aguardavam para embarcar no navio que os levaria ao Brasil. Enquanto Giovanni segurava firmemente o baú com seus poucos pertences, Maria abraçava as crianças, protegendo-as do tumulto.

Ao embarcar, sentiam-se exaustos, mas também aliviados por terem superado mais uma etapa. A viagem de navio seria longa e desafiadora, mas no coração dos Serafico ainda ardia a chama da esperança, alimentada pela promessa de uma nova vida em um mundo distante.No entanto, quando finalmente avistaram o navio que os levaria ao Brasil, a visão de sua grandeza trouxe um misto de medo e esperança. Era a primeira etapa de uma jornada que mudaria para sempre o destino dos Serafico.

A viagem foi longa e árdua. De Gênova, embarcaram em um navio que os levou até o porto de Rio Grande. De lá, seguiram por rios e estradas precárias até chegarem à localidade de Nova Milano, na recém-criada Colônia Caxias. Ali, foram recebidos em um barracão construído para abrigar os imigrantes até que recebessem seus lotes de terra.

O terreno destinado à família Serafico ficava no Travessão Santa Teresa da 5ª Légua, uma área coberta por mata virgem. Com ferramentas rudimentares fornecidas pelo governo, Giovanni e seus filhos começaram a desbravar a terra, construindo uma pequena casa de madeira e iniciando o cultivo de milho, trigo e uvas.

As dificuldades eram muitas: o solo pedregoso, o clima rigoroso e a distância de centros urbanos tornavam a vida desafiadora. Maria, além de cuidar da casa e dos filhos, auxiliava na lavoura e na criação de animais. A fé e a união da família eram fundamentais para superar os obstáculos.

Com o tempo, Giovanni percebeu o potencial da viticultura na região. Inspirado por outros imigrantes como Antonio Pieruccini, que introduziu estirpes finas de videira na região, Giovanni começou a investir no cultivo de uvas para a produção de vinho. A qualidade do vinho produzido pela família Serafico logo ganhou reconhecimento entre os colonos.

Em 1890, com a emancipação de Caxias do Sul, a comunidade italiana começou a se organizar social e economicamente. Giovanni participou da fundação da Sociedade São Romédio, uma associação dedicada ao mútuo socorro e à preservação da cultura italiana.

A história da família Serafico é um testemunho da coragem e determinação dos imigrantes italianos que enfrentaram inúmeros desafios para construir uma nova vida no Brasil. Seu legado perdura nas tradições, na cultura e no desenvolvimento da região de Caxias do Sul.


Nota do Autor

Escrever Vida Nova em Nova Milano foi como embarcar em uma viagem ao passado, um mergulho profundo nas vidas dos milhares de imigrantes italianos que deixaram tudo para trás em busca de uma existência digna e cheia de esperanças. Este livro é mais que uma narrativa; é uma homenagem à resiliência, coragem e fé daqueles que cruzaram oceanos e enfrentaram o desconhecido para construir um futuro melhor. As histórias que preenchem estas páginas não são apenas fruto da imaginação, mas são inspiradas nas experiências de incontáveis famílias italianas que, como os Serafico, carregaram seus sonhos em baús improvisados e suas memórias nos corações. Ao retratar essa jornada, procurei honrar o espírito de luta e sacrifício que moldou o cenário de comunidades inteiras no Brasil, em especial nas colônias da Serra Gaúcha. Enquanto pesquisava sobre a imigração italiana, cada detalhe me transportava para a dura realidade da época: as carroças que rangiam sob o peso das esperanças, os trens lotados, os portos abarrotados de despedidas e lágrimas. E, finalmente, o momento em que os pés tocavam o solo de uma terra que, embora prometesse tanto, exigiria muito mais do que simples trabalho – exigiria a alma, o amor e a união daqueles pioneiros. Este livro é uma celebração à vida que se recria em meio às adversidades. Espero que cada leitor sinta as batidas do coração de Giovanni, Maria e seus filhos, e que, por meio das lutas e conquistas dessa família fictícia, encontre eco nas histórias de tantos imigrantes reais. Aos descendentes desses bravos homens e mulheres, que hoje colhem os frutos do que foi semeado com suor, lágrimas e sonhos, dedico esta obra com profundo respeito e gratidão. Que nunca nos esqueçamos da força de quem ousou recomeçar, e que, ao virarmos estas páginas, possamos refletir sobre o verdadeiro significado de lar, de esperança e de pertencimento.

Com admiração,

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



sábado, 16 de maio de 2026

Soto el Fredo Ciel dei Monti Gaùssi

 


Soto el Fredo Ciel dei Monti Gaùssi

La saga de Giacomo Parotto ´nte la Colònia Conde D’Eu


Zera el 1882, con su le coline sassorose de San Gervasio Bresciano, un comune de Brescia, Lombardia, la febre de l’emigrassion la se spaiava come un fogo che nissun riussiva a fermar. No ghe zera bisogno de carteli in piassa, né de aviso in ciesa. Bastava scoltar le ciàcoe basse drento i cantoni o sui campi par capir che na nova mania la zera vegnù su le famèie: l’Amèrica.

Fin no tanto tempo indrio, i òmeni del paese i se movea solo par stagion, ndando a laorar su i risai del Piemonte o su le fàbriche de maton del Véneto, e po i tornava con qualchi sbranca de monede par comprarse ´na vaca o sistemar el teto. Ma quel inverno, qualchidun de novo el zera vegnù. El nome “Brasile” el spuntava drento le ciàcoe come ‘na promessa e ´na sfida. Pochi savea ´ndove che zera — qualchedun pensava a ‘na isola drento el mar, altri che zera ancora roba de Portogalo —, ma tuti disea che là le tere le zera grasse, calde, che in pochi mesi se guadagnava quelo che in Itàlia ghe voleva ani interi.

La vita in Itàlia no zera gnanca bona par dar un fià de speransa. El Regno, unì da poco, el zera ancora vassilava, ciapà drento un sistema storto e un Stato che no zera bon a tegner sù la gente de campagna. ´Nte el nord, là ndove che viveva Giacomo Parotto, i bei paesagi de vigne e campi de grano i nascondea ´na realtà amara: la misèria e la mancansa de laoro i se spaiava come ‘na mala pianta.

I coloni paroni, come Giacomo, i zera restà schiavi de dèbiti che no se podea mai pagar. Par seminar bisognava ciapar prèstiti con usure da far paura; par restituir bisognava dar via mesa racolta, e quando la racolta la se sfasea — come che zera sucesso da ani —, el dèbito el cressea ancora de pì. El pan de ogni zorno el zera scarso, e la polenta, prima glòria e sustento de la campagna, la rivava in tola in panari sempre pì pòveri.

De avanso, gnente. Le parole dei polìtici zera vento. Altri paesi de Europa i ´ndava avanti con le fàbriche e le strade nove, l’Itàlia restava piantà ´nte un sistema vècio, manegià dai latifondisti e da ‘na burocrasia che ingiassava tuto. Par la gente de le vile, la vita la zera un passassoto scuro: laorar fin a consumarse, pagar dèbiti che mai no calava, vardar i fiòi cresser magri e sensa speransa.

´Nte sto sofoco, la parola “Mèrica” la s’iluminava come ´na fiameta. No zera importante saver ben che cosa ghe zera drento a quel osseano — bastava saver che là, forse, ghe zera ‘na porta fora da la misèria. Par Giacomo, l’idea la ze nassù pian pian, come un pensier proibì… ma con i mesi che passava e i dèbiti cresseva, el pensier el diventava sempre pì grosso, fin che no el zera stà pì da tegnerli zo.

Giacomo Parotto, lora con trentadue ani, no zera un omo de fàvole. Laorador nato, con le man dure da laorar e da inverni lunghi, el gavea orgòio de la tera lassà dal so pare. Ma tre ani de fila la racolta de grano la zera ´ndà a monte. Le seche gavea brusà le vigne. E, par finir, le tasse le zera montà ancora. Con tre fiòi pìcolini e la mòier, Caterina, zà malandà de salute, Giacomo lu el ga capì che emigrar la zera forse l’ùnica salvassion.

No la zè stà un lampo. La resolussion come go dito prima, la ze vegnù pian pian, vardando i visin sparir da un zorno a l’altro, vendendo tuto quel che gavea par pagar el viaio. In fondo, no zera la speransa che movea quela fiumana de gente, ma l’imitassion: nissun voleva restar drìo a vardar i altri che se tirava su. E le lètare che rivava da oltre mar le zera pien de conti gonfià: tera larga, racolte grasse, oro par tera.

´Na sera de otobre, con la legna che scotava sul fogon, Giacomo l’ha dito a la mòier che la resolussion la zera fata: Brasil. Caterina no la ga dito gnente sùbito. Lei savea che discuter no servia. In paese se disea che chi che scartava la “ciamà de l’Amèrica” el zera condenà a morir ´nte la stessa misèria de sempre. E Caterina la gavea pì paura par i so fiòi che par lei.

Radise ´ntei Monti

I ani i ga passà, e Giacomo el ga imparà a tegner la mata a bada. Con i visin, el taia picade, el fa sercade, el spartisse semense. In pochi ani, un vignal el se spande sora la costa dolse drìo la casa, come che volesse strensarla drento un abràssio. Le prime piantine, rami presiosi strensà in strasse ùmide e portà via de la lontan Itàlia, i zera resistì al viaio longo. Giacomo, co le man pasienti, i gavea inestà su le vide brave che ghe cressea là, selvàdeghe, ben prima che rivasse i coloni. El risultà el ze stà sorprendente: le vite le ga ciapà la forsa de le piantte selvàdeghe e el gusto fin de l’uva de la so tera nativa. Ogni ramo novo el zera come un legame invisìbile tra el passà e el presente, e el profumo dolse dei primi fior de primavera el segnava che quela costa no zera pì solo tera — zera memòria viva, piantà ´nte’l Brasil. ´Nte l’autun, l’odor de l’ua madura el empinia l’ària, e Giacomo el soniava de far vin come quel che so pare el fasea in Lombardia.

La comunità la cresseva con la rivada de novi emigranti. Italiani de region diverse i mescolava dialeti, maniere e tipi di magnar. Ghe zera feste, messe e, qualche volta, bale su confini.


El Prèssio e la Promessa

Dopo trè desseni, Giacomo Parotto lu el zera un omo stimà in tuta la region. I so fiòi i gavea za tera e famèie pròprie. El vignal, adesso grande e produtivo, el fasea un vin bianco de rara qualità, que el zera apresà e vendù fin anca in altre colónie. Caterina, anca se segnà dal tempo e dal laoro duro, la tegnea ancora quel sguardo fermo e deciso che lei gavea la sera che lori i zera partì da l’Itàlia, come se el coraio de quela partensa la batesse ancora drento el so spìrito.

La sera, sentà apresso al fogon, Giacomo el lassava la mente scorrere tra i ani de fadiga e sacrifìssio. L’Amèrica, lontan dal paradiso che i ghe gavea promesso, la se zera si mostrà dura e spietà. Ma là, tra sudor, pasiensa e speransa ostinada, la zera nassù na vitòria silensiosa sora la misèria — ‘na richessa che gnente oro la podea misurar, incisa par sempre drento el cuor de chi gavea avù el coraio de sóniar.

Nota del Autor

Sto brano el fa parte de un libro de fission, con personagi e nomi inventà, ma la stòria la se inspira a na lètera vera, tegnù in un archìvio pùblico. El protagonista, come tanti de la so època, el zera nato in ‘na tera segnà da la povertà, dai limiti de la vita contadina e da la mancanza de ocasion che prometea solo fadiga e dolore. Sto contesto, insieme co la coraio e la speransa, el ghe dà la spinta de lassar l’Itàlia e sercar un futuro mèio oltre mar. Scrivendo sta òpera, mi go volù no solo contar la so stòria, ma anca onorar tuti quei pionieri che, con fadiga dura e determinassion, i ga trasformà la vècia Colònia Conde d’Eu ´nte la sità viva de Garibaldi. Incòi, le so memòrie le vive ´nte i spumanti che la region la produse e ´nte la forsa silensiosa de chi, contro ogni dificultà, la ga costruì un futuro che parea impossìbile. 

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta


quarta-feira, 13 de maio de 2026

Sob Céus Estranhos: A Travessia de Leone Valdagno

 

Sob Céus Estranhos: 

A Travessia de Leone Valdagno


Cismon del Grappa, 1877

A brisa que descia da Valbrenta naquela primavera tardia ainda carregava o gosto metálico da neve que se dissolvia nas ravinas sombreadas, arrastando consigo o cheiro acre dos pinheiros partidos e das pedras molhadas que rangiam sob o degelo. Para Leone Valdagno, aquele ar cortante não era mais sinal de vida renascendo. Tornara-se um lembrete cruel daquilo que ele já não conseguia suportar — um ciclo imutável de promessas quebradas e fadiga sem recompensa.

Filho de camponeses tão pobres que não possuíam sequer uma mula para o arado, Leone crescera entre os socalcos íngremes e pedregosos que contornavam os campos escassos de Cismon del Grappa, onde a terra se recusava a dar pão sem exigir, em troca, sangue e ossos. Desde a infância, aprendera que plantar significava ajoelhar-se diante de uma terra hostil, enquanto os calos nas mãos engrossavam mais rápido que as espigas de trigo. O sol era implacável no verão, e a neve não perdoava no inverno. Nem mesmo as estações sabiam aliviar.

O pouco que colhiam ia direto para os celeiros do patrão, que vivia numa villa não muito distante, cercada de nogueiras, do outro lado do vale. Restavam-lhes as sobras: polenta rala, sopa aguada e, de tempos em tempos, um naco de queijo duro como pedra. Mas o que realmente corroía Leone não era a fome. Era a certeza de que nada mudaria. Que o suor do pai, o silêncio da mãe e a infância roubada dos irmãos mais novos serviam apenas para manter o mundo do mesmo jeito — imóvel, desigual, impiedoso.

Naqueles dias em que o vento da montanha soprava mais forte, ele olhava para o sul, onde as trilhas levavam a Bassano e, mais adiante, aos portos de Veneza. E mesmo sem nunca ter visto o mar, já sonhava com navios. Não por aventura, mas por necessidade.

Era ali, entre pedras e resignação, que nascia o germe da fuga.

Aos trinta e oito anos, depois de uma vida inteira de enxada, dívidas e invernos que pareciam não ter fim, Leone Valdagno já não esperava mais nada do tempo. As estações lhe haviam ensinado a não fazer planos. Cada primavera trazia uma esperança silenciosa, logo esmagada pela colheita minguada e pelos cobradores impassíveis. Sua juventude escoara entre o suor e o silêncio, e seus braços, embora ainda firmes, já começavam a doer com a persistência dos que não podiam parar.

Foi então que chegou a carta.

Trazida pelo carteiro de Feltre, com os dedos manchados de poeira e o rosto sem expressão, o envelope carregava o brasão do Império Brasileiro no selo. O papel, amarelado e marcado por dobras trêmulas, exalava um cheiro estranho — talvez maresia, talvez saudade. Mas o que havia dentro dele era mais que palavras. Era um sismo.

Escrevia-lhe Angelo, o irmão mais velho que partira dois anos antes para um lugar tão remoto que, até então, só existia nos mapas das promessas e nas conversas sussurradas junto à lareira. O tom da escrita era de um fervor quase religioso. Falava de uma terra que não exigia o mesmo preço para se viver. Descrevia rios largos, colinas cobertas por mato espesso e escuro, e um céu que, segundo ele, parecia respirar junto do homem. Mencionava a fartura da água, o ar que entrava nos pulmões como se tivesse sido soprado pelas mãos de Deus. E, acima de tudo, falava de liberdade — não como conceito, mas como sensação física, concreta, como algo que se podia tocar com os dedos sujos de terra.

Leone leu e releu a carta como quem segura uma tocha num túnel sem fim. Cada linha acendia uma memória — do pai curvado sobre o solo duro, da mãe costurando sob a luz da vela, das noites em que o frio invadia até os ossos. Mas também cada linha abria uma brecha no que antes parecia selado: a possibilidade de que a vida ainda pudesse se reinventar.

E naquele instante, sem precisar dizer uma só palavra, Leone compreendeu que estava diante de uma escolha que não podia mais ser adiada. Não era apenas uma carta. Era uma ruptura. Naquelas palavras não havia apenas um convite. Havia uma absolvição. Como se, enfim, tivesse terminado a pena imposta por nascimento. “Fuja desta prisão, venha para onde se vive,” implorava Angelo. Era como se o próprio coração escrevesse com os dedos do irmão. Leone não precisou pensar muito.

Vendeu a vaca magra que já mal dava leite, hipotecou a casa envelhecida herdada dos pais — mais pedra do que abrigo — e partiu com o coração dividido entre o impulso e a culpa. Deixou para trás a mulher em prantos, os filhos agarrados às saias dela, o cheiro do fogão a lenha ainda aceso e o campo em silêncio, como se até a terra tivesse entendido o abandono. Não olhou para trás. Sabia que, se o fizesse, não conseguiria partir. Viria buscá-los mais tarde, se tivesse sorte. 

No porto de Gênova, o cheiro de sal misturado ao carvão queimado golpeou-lhe o rosto como um tapa do destino. Milhares de rostos se aglomeravam na beira dos armazéns e nas filas para o embarque, carregando malas improvisadas, cobertores, imagens de santos, retratos amassados. Havia choro, gritos, orações, mas também uma estranha quietude nos olhos de quem já não tinha mais nada a perder. O navio — negro, sujo, de flancos corroídos pela ferrugem — gemia sob o peso de centenas de corpos amontoados. Era um casco flutuante de esperança e desespero.

A travessia durou mais de um mês. Trinta e sete dias em que o tempo parecia derreter e escorrer pelas frestas do porão. Ali dentro, as noites não eram noites — eram prolongamentos sufocantes do dia. O ar, saturado de vômito, suor, dejectos humanos e querosene, tornava difícil respirar. As febres vinham como ondas, levando crianças frágeis ao delírio. Os enjoos desidratavam os adultos. A saudade, precoce e corrosiva, roubava as palavras e os sonhos.

Crianças choravam sem consolo, seus olhos enormes buscando no escuro um colo conhecido. Velhos, vencidos pelo balanço incessante, pela umidade e pela fome, adormeciam para não mais despertar. Alguns eram cobertos com panos e, no dia seguinte, levados discretamente até a amurada, onde os marinheiros executavam o ritual final: um corpo, uma oração breve, um silêncio pesado, e então o mergulho no Atlântico.

Mas Leone resistiu. Com o corpo enrijecido pelo trabalho no campo e o espírito endurecido por anos de renúncia, ele atravessou cada dia como quem segura uma corda presa ao futuro. Não sabia o que encontraria do outro lado do oceano. Só sabia o que deixara para trás — e isso bastava para não desistir.

Desembarcou no porto de Santos com a roupa puída colada ao corpo, o rosto encovado pela travessia e um pedaço de pão seco, endurecido como pedra, guardado no bolso como se fosse um tesouro. O calor úmido da costa paulista o atingiu de imediato, espesso e opressivo, tão diferente do frio cortante dos Alpes vênetos. O chão vibrava com o movimento dos guindastes, das carroças, dos negros escravizados em liberdade recente e dos recém-chegados — famílias inteiras atônitas, perdidas num idioma estranho e num continente que cheirava a madeira úmida, suor animal e maresia antiga.

Dali, ainda seguiu de trem até Jundiaí, sacolejando por horas em vagões abafados, onde o cheiro do carvão se misturava ao dos corpos cansados e aos gritos dos vendedores que se empoleiravam nas janelas das estações. O trem deixava para trás, a cada parada, resquícios da civilização portuária e entrava cada vez mais fundo num interior de matas espessas e terrenos ondulados, mas também grandes plantações.

Quando os trilhos terminaram, Leone seguiu a pé. A estrada de terra batida subia lentamente rumo às colinas da Serra de Botucatu. Por horas, atravessou vales silenciosos, trechos de mata virgem onde o céu parecia mais baixo, e planícies que se perdiam num horizonte sem pedra nem torre, como se o mundo tivesse sido redesenhado. Dormiu a beira de rios, alimentou-se de raízes, do pão que sobrara, e de uma obstinação que já não era coragem, mas necessidade.

Foi ali, entre o verde bruto do Brasil e o vermelho espesso da terra nova, que avistou pela primeira vez a colônia agrícola onde Angelo havia se estabelecido. Não passava de um punhado de barracões rústicos, erguidos às pressas, cercados por roças recém-abertas e picadas cavadas à foice. Era o esboço de um mundo em construção, financiado por um latifundiário paulista que, atento ao fim recente da escravidão, via nos europeus uma nova engrenagem para o império do café.

Leone chegava com as mãos vazias, os pés em sangue e o passado ainda latejando nos ombros. Mas naquele pedaço de chão revolvido, onde nada ainda tinha forma definitiva, sentiu que talvez, pela primeira vez, a vida estivesse apenas começando.

Quando Leone finalmente alcançou a colônia agrícola no alto das colinas da Serra de Botucatu, o que encontrou não foi o paraíso anunciado nas cartas do irmão, tampouco a abundância sonhada durante os dias de enjoo no porão do navio. O cenário era brutal em sua beleza selvagem. A terra, embora mais generosa que a de Cismon, vinha envolta por uma muralha de mata fechada, espessa e úmida, que parecia respirar com vida própria. O calor era uma presença constante — não apenas no ar, mas na pele, nos ossos, nos gestos — uma umidade pegajosa que apagava a distinção entre suor e esforço.

O trabalho começava antes do sol e se estendia até a última claridade do dia. Abriam-se clareiras à força de machado e foice, arrancavam-se raízes com mãos nuas e enxadas cegas, queimavam-se os restos para transformar o mato em lavoura. Os contratos, redigidos em português jurídico e distante, diziam menos do que omitiam. Os direitos eram inexistentes. O fazendeiro paulista que financiava a colônia controlava tudo — sementes, ferramentas, medidas e prazos. A dívida, invisível e crescente, parecia brotar da terra com mais força do que o próprio café.

Mas havia silêncio à noite. Um silêncio profundo, sem sinos, sem vozes de patrões, sem os ecos das ordens que, na Itália, vinham das colinas junto com o vento. Havia espaço. Um horizonte que não terminava em muros de pedra ou propriedades alheias, mas se abria em linhas largas, cobertas por um céu desmedido, tingido de azul escuro e pontilhado por estrelas que pareciam mais próximas do que nunca. Ali, sob aquele céu, com a enxada ainda quente entre os dedos e o cheiro de terra virgem entranhado na roupa, Leone teve pela primeira vez a sensação de posse — não legal, mas existencial.

Não possuía títulos, não conhecia a língua dos que mandavam, nem tinha qualquer garantia de futuro. Mas o chão onde pisava não lhe fora negado. Podia plantar. Podia construir. Podia morrer ali — e não mais como intruso, mas como parte da paisagem. E isso, para um homem moldado pela escassez, era mais do que liberdade. Era começo.

Junto do irmão e de outros colonos vindos das encostas da Europa, Leone participou da lenta e dolorosa tarefa de erguer algo que se pudesse chamar de lar. A casa, moldada com barro extraído do próprio solo e madeira cortada a golpes de machado nas bordas da mata, foi levantada aos poucos, entre o cansaço das jornadas e a urgência da sobrevivência. As paredes, reforçadas com varas trançadas e secas ao sol, não protegiam do calor nem da chuva, mas delimitavam um espaço próprio — um refúgio onde o corpo podia descansar e o espírito ensaiava o gesto esquecido de pertencer.

O solo, escuro e úmido, parecia prometer fartura, mas exigia trabalho incessante. Leone limpou as clareiras à força de braço, queimou os galhos acumulados em fogueiras que iluminavam a noite e, com dedos feridos, lançou as primeiras sementes de milho e café. O café, ainda jovem, era uma aposta que exigia paciência. O milho, rápido e teimoso, brotava com uma força quase insolente, como se quisesse provar que ali a terra, enfim, respondia.

Vieram as provações. As chuvas tropicais desabavam com fúria, inundando caminhos e arrastando semanas de esforço em poucas horas. Pragas invisíveis consumiam as plantações durante a noite, deixando os colonos no desespero da espera pelo próximo ciclo. A malária, silenciosa e implacável, instalava-se sem aviso: febre alta, delírio, suor frio e corpos tombando sem resistência, enquanto o mato ao redor crescia sem parar.

Mas Leone resistia. Com o facão, abriu picadas pelas colinas, ajudando a cortar estradas que ligavam nada a lugar nenhum — mas que um dia levariam alguém a alguma parte. Carregou pedras por dias para desviar o curso estreito de um riacho, livrando o terreno das enchentes e garantindo o primeiro pedaço de terra firme para o plantio de café em escala. Cada metro conquistado parecia roubado da floresta à custa de carne e vontade.

Não possuía documento algum que atestasse sua liberdade — nenhuma carta, nenhum selo, nenhum papel com firma reconhecida. Mas o que carregava nos ombros era mais valioso do que qualquer alforria oficial: era a consciência de que, pela primeira vez, a própria força definia seus limites. Sem patrões à vista, sem nobres sobre a colina, sem senhores na sombra, sentia-se, pouco a pouco, liberto — não por decreto, mas por obra do próprio suor.

Aos domingos, quando o sol cedia mais lentamente ao fim do dia e o trabalho recolhia seus instrumentos, Leone se sentava ao lado de Angelo num velho toco de árvore, já alisado pelo uso repetido, como um altar silencioso para o descanso merecido. Diante deles, o vale adormecido se estendia em curvas suaves, entremeadas por manchas escuras onde os primeiros cafezais começavam a fincar raízes. As plantas, ainda jovens, tremulavam com o vento como se respirassem. Era pouco, mas era promissor. Cada fileira de mudas era como uma frase escrita num idioma novo, incerto, mas cheio de futuro.

Ao redor, a paisagem já não era mais puro mato. Brotavam cercas de varas, pequenas hortas, galinheiros improvisados. As crianças, de pés descalços e risos soltos, corriam entre os troncos de bananeiras, esgueirando-se por entre os cafeeiros como se brincassem de moldar o destino. Os filhos de Angelo, nascidos ali, já falavam português com sotaque de colono — aquele português amassado, entortado pelo italiano rústico dos pais, mas ágil, veloz, atento ao mundo novo. Eram filhos da travessia, filhos do esquecimento parcial, herdeiros de uma língua que começava a se calar dentro das casas de barro.

À noite, quando o calor se dissipava e o vento morno atravessava as frestas do teto, Leone se recolhia à rede improvisada no canto da palhoça. O corpo exausto parecia pesar o dobro, mas o sono chegava sem pressa, carregando lembranças que não mais o dilaceravam. Em seus sonhos, voltava a ver as montanhas da Valbrenta — as encostas nevadas, os sinos longínquos, a curva do rio sob o céu pálido. Mas os sonhos já não vinham como lamentos. Não doíam mais como ausência. Eram despedidas brandas, sem pressa, como quem olha de longe algo que foi, e que deixou de ser sem rancor.

Naquela terra distante, sem mapas precisos e sem futuro garantido, Leone percebia, sem precisar nomear, que não era mais o mesmo homem que partira. O que antes era perda, agora era transformação. E no silêncio dos domingos, entre o som dos grilos e o balançar leve da rede, aprendia a dizer adeus sem palavras — e a permanecer sem raízes na terra antiga, porque as novas já haviam começado a crescer.

Nunca voltou à Itália. O mar que cruzara uma vez se transformou, com o tempo, numa distância definitiva, não apenas geográfica, mas existencial. Tampouco escreveu mais cartas. O papel e a tinta, que um dia carregaram esperança e notícia, tornaram-se supérfluos diante da realidade concreta dos dias que se repetiam sob o sol do interior paulista. Sua história, como a de tantos outros que atravessaram oceanos com mais fé do que certezas, desapareceu lentamente nas dobras espessas do tempo — onde o anonimato engole os nomes dos que não deixaram monumentos, apenas pegadas.

Restaram vestígios esparsos: um registro de batismo manuscrito num livro paroquial amarelado pela umidade, uma lápide simples no cemitério da colônia — já sem data visível, coberta por líquens e folhas secas — e o tronco robusto de uma figueira plantada por suas mãos, que ainda cresce, silenciosa e firme, diante da casa de barro onde viveu seus últimos dias. A árvore, com suas raízes profundas e sombra generosa, é talvez o único testemunho vivo de que ali houve um homem que resistiu ao tempo com mais obstinação do que palavras.

Sob os céus largos e inclementes do interior de São Paulo, Leone Valdagno encontrou, enfim, aquilo que sua aldeia natal jamais lhe oferecera: a dignidade que nasce do esforço reconhecido pela terra. Não foi homenageado, não foi lembrado em discursos, não inspirou estátuas. Mas ali, onde o solo vermelho se mistura ao suor dos que o trabalharam, fincou seu destino. Não o de mártir, nem o de herói — mas o de um homem comum que, mesmo sem glória, ousou tomar nas mãos a própria sorte.

E foi com calos, cicatrizes e silêncios que selou sua jornada. Não buscava eternidade, mas espaço. Não queria louros, apenas chão firme. E, nesse gesto modesto, quase imperceptível, conquistou a mais rara das liberdades: aquela que nasce não do poder, mas da permanência.

Nota do Autor

Este livro nasceu de uma carta verdadeira, escrita por um emigrante italiano do século XIX a seus familiares deixados para trás, em Cismon del Grappa, um pequeno comune encravado entre montanhas e silêncios. Suas palavras, carregadas de fé, ternura e exaustão, ecoaram fundo como se fossem o sussurro de milhares de outros homens e mulheres que, como ele, ousaram romper as amarras da terra natal em busca de liberdade — ou ao menos, alívio.

A história de Leone Valdagno, embora fictícia, foi tecida com os fios verídicos de uma diáspora esquecida: a dos camponeses do Vêneto que atravessaram o Atlântico rumo ao interior do Brasil. Não vieram com glórias nem honras. Vieram com calos, coragem e promessas pendendo dos ombros.

Aqui, não há epopeia triunfal. Há a lenta construção de dignidade em meio a matas cerradas, contratos opacos, febres tropicais e terras por desbravar. A narrativa busca honrar os gestos pequenos e heroicos daqueles que ergueram suas vidas no barro, sob sol inclemente, longe de tudo o que conheciam.

Este livro é uma ficção, mas os sentimentos que o moldam — saudade, esperança, renúncia — são inteiramente verdadeiros. Que ele sirva para lembrar que a história também é feita por aqueles cujos nomes não constam nos livros escolares, mas cujas pegadas ainda estão cravadas nas encostas e plantações do Brasil profundo.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta


quinta-feira, 23 de abril de 2026

Odissea de Vittorio Marani


Odissea de Vittorio Marani


La Partensa

El inverno del 1875 el zera rivà par forsa a la pìcola comunità de Castel San Giovanni, sora le coline de la provìnsia de Piacenza. El vento tagliente el passava par i muri sotili de le case de piera, portando con el l’eco de le difìcoltà che no se podea pì ignorar. Vittorio Marani, un contadin de 32 ani, el savea che che la zera la fin de ‘na era par la so famèia. Le tere che ‘l zera stà de tanti generassion de Marani adesso i zera strache, sensa pì forsa par dar la racolta che tegnea pien la tola.

Con i pì enfià drento a la neve bagnà, Vittorio el vardava par l’ùltima volta i campi che prima i vegnia vivi, adesso ridù a un mar de tera nera par l’inverno. Visin a lu, Giulia, la so moie, la ghe tegnea la man a Rosa. La picinina de șei ani la vardava lontan, sensa capir che che zera ‘na partensa par sempre. Vittorio el strensea el capoto logoro sora al peto, sintendo el peso de quel momento. La idea de ‘ndar in Brasile, anca se fata par bisogno, la ghe parea pien de colpa e speransa.

El viaio el ze tacà con ‘na despedì corta e dolorosa. I parenti e i amissi i se ga radunà sora a la piasa granda del paese, ‘na zona pìcola dominà da ‘na cesa de piera e ‘na fontana che ogni inverno la ghe fasea de giasso. I abrassi i zera pì lunghi de le parole, e quando el campanel de la cesa el sona, Vittorio el salì sora la carossa che ghe gavea da portar lori a la stassion del treno pì visin.

El treno, ‘na màchina de fero che sofiava fumo e sénere, el zera là come ‘na bèstia che dormiva. El vagon do che i se ga messo, el zera pien de altri emigranti, ognun con le poche robe che el podea portar e con le stòrie che el preferìa desmentegàr. El movimento del treno, i suoni dei roti sora i trìlii e l’odor de fumo mescolà al suor de la zente i zera ‘na novità e un segno de quel che ghe vardava davanti. Durante el viaio fin a Genova, Giulia la ghe tegnea Rosa sora al brasso e lei vardava fora par la finestra in silènsio, la fàssia bianca che mostrava i dùbi del futuro. Vittorio, sedù a canto, el zera serio, ma i so oci i conta de i penseri che i ghe rodeva drento.

Finalmente lori i ze rivà a Genova, la vista del porto el zera ´na bota. Le darsene le brulava de atività: i operai i portava casse con ‘na vèlossità impressionante, i negossianti de strada i urlava le so oferte con vosi rouche, e i emigranti i fasea fila disordinà, provando a capir le istrussion che ghe urlava i òmeni con uniforme. L’odor el zera ‘na mèscola dolseamara de sal, carbon e pesse, che pareva entrar in ogni canton de quel posto.

El barco che i ghe vardava, el Poitou, el jera ‘na visione granda e intimidante. Le so pareti de fero, sporche de fulìgene, le rifletea la luse freda del inverno. I pali alti del mastro i parea monumenti contro el cielo griso, e el suon costante de l’onde contro el vapor el ghe ricordava del grande mar che i gavea da passar. Vittorio el sentia un peso sora al peto vardando la dimension del barco e el nùmaro de persone che gavaria stà messe drento. Ma lu el ghe tegnea la man a Giulia e el caminava deciso, convinto de ‘ndar avanti con el destin che el gavea scelto.

Sora al ponte de soto, ndove i emigranti i gavea da restar, la realtà la zzera ancor pì dura. I coridoi streti i zera scuri, con soło qualche làmpada par dar luse. I leti de pàia, disposti su do pian, i parea cele improvisà. L’odor de mufa e umidità el zera forte, e l’ària la girava poco par i buso de ventilasiòn. Rosa, streta a la mama, lei tossia ogni tanto, ma Giulia la faseva de tuto par distrar, mostrandoghe le stele che se vardava dai bocaporto. Vittorio el se ga meso a dar man a altri òmeni par sistemar i bagài, scominsiando a far i primi legami con i compagni de viaio che, come lu, i gavea lassà tuto indrìo.

Mentre el Poitou el se preparava par partir, un suon forte e grosso de un fiscio el rimbomba sora al porto segnando la partensa e lo scomìnsio de un novo viao. Vittorio el se ga fermà sora al ponte grande de sora par un momento, volendo fissar in memòria l’ùltima vision de la so tera. La fola urlava adìi tra làgreme e sbragi, mentre el barco el se ndava via pian. El vento del mar el zera fredo, ma el portava un odor de libartà. E, par la prima volta in tanto tempo, Vittorio el ga sintì un pico de otimismo. I gavea lassà indrìo la povertà e le limitasiòn, verso un posto ndove, forse, un futuro milior i ghe vardava. 

Capìtolo 2: Ntel Cuore del Poitou

El Poitou el zera ‘na nave fata par traversar la vastità de l’Atlàntico, ma no par portar dignità a le sentinai de ànime disperà che se strinséa adesso ´ntel so sotofondo. Le lame de fero che formà el scafo le fasea un rumor contìnuo con el mar, come un bisbiglio de stòrie scure che contava ai passegieri. L’ària la zera pesà, pien de umidità, sudor, e quel odor de corpi sensa bagno, pesse marci e sale che vegnìa in tuto.

I compartimenti i zera poco pì de un labirinto de brande de legno una sora l’altra. Ogni spàsio, stretto e mal iluminà, el zera dividù da famèie intere. Qualchidun el ga steso veci lensuoi o coperte par crear un senso de privacidade. Ma i rumor no ghe fasea caso: tossi rude, pianse de putei, parlade basse in dialeti italian diversi, che ogni tanto se fasea cansoni malinconiche, che riempia l’ambiente.

Giulia Marani la se incantava par tegner la calma. Sentà al fianco de Rosa, con le man che cusìa un vestì che lei gavea roto prima de rivar a Gènova, la ghe vardava la tosa. La picinina la se meteva a far desegni ´nte l’ària con i so diti. Rosa la domandava sensa fin del Brasil, come se el nome fusse ‘na parola màgica. “El Brasil ghe ga castèi? Ghe ze fate?” la ghe diseva, e Giulia la rispondea pianin, mescolando verità e fantasia, par salvar la inocensa de la fiola.

Vittorio, al fianco, el sentia tuto sensa dir gnente. El zera sentà in una branda de sora, che pensava. Con le so man scarse, el teneva un peso de legno che scolpiva con a brìtola eredità dal nono, par passar el tempo. Ogni tanto el mormorava par sé: "Laora duro e el Brasil te sarà generoso." ‘Na frase dita da un visin ani prima, che adesso parea un mantra par tegner la mente rivolta al futuro.

Le magnà le zera el momento de magiore scomodo. File lunghe se formava intorno ai barili de aqua e tigele con un brodo magro. ´Ntei zorni de fortuna, lori ghe dava qualche tochetin de pan vècio o un po’ de riso, ma mai gnente de sustansa. Qualchidun el ghe nascondea le scorte par i tempi duri, alimentando ´na tension muta fra chi gavea e chi no.

Le noti zera particolarmente dure. Quando el Poitou afrontava el mar in burasca, el movimento de la nave fasea suonar le brande come ‘na sinfonia de legno disperà. Tanti passegieri i pativa el mal de mar, gomitando in sechi improvisà che aumentava ancora de piì el disdegno. Le làmpade a òio, che ballava con el movimento, fasea ombre che parea fantasmi.

Ma el vero nemico no zera el mar, ma le malatie. La tosse seca e i visi febrili i zera diventà sempre pì comuni. Vittorio e la so famèia i fasea de tuto par restar forti.

‘Na sera, Vittorio el ze ndà sora al ponte. El vento el ghe batea come cortel, ma el ghe gavea bisogno de respirar. El ghe guardava el cielo scuro con qualche stela, e sentiva ´na strana mèscola de insignificansa e determinasion.

Quando el tornava nel sotofondo, el ghe trovava Giulia e Rosa che dormiva inseme. Sedesto a loro, Vittorio el ghe serava i oci e, par un àtimo breve, el soniava le tere fèrtili che spetava de trovar da l’altra parte del mondo.

Capìtolo 3: L'Arivo a Rio de Janeiro

Sinque setimane dopo la partensa da Genova, el Poitou ghe rivò finalmento al porto de Rio de Janeiro. El matìn portava con sé 'na scena che parea vegnir fora de un sònio: el cielo, d'un asuro limpo, parea infinito, mentre el sole dorava pian pian el mare de la baia, mostrando monti coperti da un verde lussurioso. El odor del mar se mescolava con quel de 'na sità viva, portando 'na sensassion de novità e promesse.

Vittorio Marani salì sul ponte con Rosa su le spale, cusì che la putela potesse vardar oltre la fola. La putela, con i oci che brilava de curiostià, indicava el Pane de Zucaro, 'na formassion de rocia che parea tocar el cielo. "Ze el castel de le fate?" la domandò, in un sussuro pien de meravèia. Vittorio sorise, caresando i cavei de la fiola, sentindo drento de sé la grandesa de quel momento. Giulia, a fianco, tegnea el viso sèrio, ma i so oci mostrava un misto de solievo e preocupassion.

L'arivada a terra zera 'na facenda lenta e disordinà. Sentinaia de passegieri, strachi dopo la traversia, spetava impasienti el momento de meter pie terra. Òmini con le uniforme dirigea la fola, gesticolando e urlando in 'na léngua scognossù a tanti. Quando i piè de Vittorio tocò finalmente el solo brasilian, lu respirò fondo, sercando de capir el novo mondo che l'aspetava. Ghe zera 'na vibrassion ´nte l'ària — i rumori de le carrosse, el picar de i martei, i canti lontan de i negosianti de strada.

Ma la strada zera ancora longa. Bisognava passar per la dogana, 'na operassion obligatòria e fatigosa. In un grande capanon, i migranti rivà formava file sensa fin davanti a tole ndove funsionari e mèdeghi i li controlava. Le man rùvide de un mèdego ghe tocava Vittorio de freta e con fredesa, sercando segni de malatie contagiose. Giulia tegnia Rosa forte, temendo che 'na tosse o 'na febre le podesse condanarli a tornar indrìo. A A la fin, i Marani i son autorisà a ndar vanti, anche se el sguardo crìtico del ufissial gaveva resta inpresso ´nte la memòria.

Dopo, i son mandà in un capanòn improvisà visin al porto, ndove lori i saria alogià par aspetar seguir viaio. El posto zera grande ma rudimentar, con file de leti de campagna separà solo da qualche asse. Ogni angolo zera ocupà da famèie come la loro, qualcuna con el pensier ´ntel futuro, altre stremà da la fadiga e da l'incertessa.

Rosa, ancora incantà de quel che lei gavea vardà drio, lei la domandò: "Ze tuto cusì grande e belo, el Brasil?" Giulia sorise per la prima volta dopo tanti zornate e la ghe rispose: "Forse là dove ´nderemo a star ze ancora pì belo." Ma, no stante le parole speransose, lei la no podea evitar de sentir 'na streta al cuor vardando intorno. L'ambiente zera rumoroso, e i visi dei altri emigranti mostrava un misto de speransa e disperassion.

´Ntei zorni che seguiva, i Marani ghe gavea un breve contato con la sità. Ussindo a pìcoli grupi, i esplorava i d'intorni del porto, ndove le strade de piere i zera costegià da case coloniali e negosi de venditori. El caldo zera forte, e l'umidità rendeva ogni passo pì fatigoso. Rosa, fassinà, indicava i negosianti che ghe mostrava frute tropicai con colori vivi, qualcuna che la no gavea mai visto prima. Vittorio ghe ga comprà 'na pìcola manga, e el soriso de la putela fasea che i zornate de fadiga ghe pareva lontan, anche se per un momento.

Mentre lori i aspetava el pròssimo vapor che i ghe portaria a Santos, i sentiva le stòrie de altri emigranti che i zera rivà prima de lori. Qualchedun racontava de sussessi modesti, altri ghe lamentava de promesse vane. Vittorio ascoltava con atension, metendo ogni raconto via come ´na lesion per quel che ghe aspetava.

L'ultima sera a Rio de Janeiro, sentà a fianco de Giulia in un banchetto improvisà ´ntel capanon, lu vardava Rosa che dormiva, stanca ma in pase. El caldo del posto ghe pareva meno pesà in quel momento, e ghe sussurò a la mòie: "Se ghe gavemo fato a traversar el ossean, podemo far fronte a tuto." Giulia assentì, tegnendoli forte la man. Le parole de Vittorio no ghe eliminava i so timori, ma ghe riacendea qualcosa de fondamentale: la fede che, insieme, i podèa costruir el futuro che i tanto desiderava.

Capìtolo 4: Verso el Porto de Santos

El secondo barco, un cargo modesto agiustà par passegèri, zera ben distante da la robustessa del San Giorgio. El pareva picinin massa par quel ossean che lo passava, quasi che ogni onda lo podesse inghiotir. Le tavole scrichiolava soto el peso de la zente e de le promesse portà. Zera picinin e ancora pì precàrio del barco che ghe avea portà fora de l’Itàlia, e l'odor de sal e de òio impregnava ogni canto. Ma noaltri gavea ‘na strana sensassion de solievo in ària. La destinassion, tanto lontan fin desso, la parea quasi tocàbile.

Le ore sul barco i ze stà segnà da malesser e incertesse. Na tempesta che la se formò na sera, la sbateva forte el barco come na fóia al vento. Onde alte batea sui finestrini de le camere soto, e i putei piansea, i grandi i se tegnea forti a ogni roba ferma. Rosa, rinfià sora le gambe de Giulia, piansea sotovose, mentre Vittorio stava ben piantà con i piè per tera, fasendo finta de no sentir gnente. "Ze solo par un altro po’, " el se mormorava, come par calmà sia el mar sia le so paure.

La magnà, che già sul San Giorgio no el zera tanto, qua la ze diventà quasi inesistente. Zupe strache e pan duro i zera distribuì in porsion pìcole, e l’aqua la gavea el gusto de rusine. Nostante, un fià de speransa ghe correva tra i passegieri. Parechi se consolava vardando al orisonte, come se podesse vardar la costa brasiliana che ghe prometea tere bone e laoro.

Quando finalmente el barco el se ga fermà al porto de Santos, el solievo el ga preso tuto el grupo. El sole che batea forte lo spacava su l’aqua de la baia, creando riflessi brilanti che quasi ghe fasea serar i òci a chi sbarcava. L'odor de l'ària el zera ‘na mèscola de sal, legno bagnà, e forse cafè, che impastava l’ambiente. Vittorio, con i piè par tera par la prima volta da Rio de Janeiro, el respirò fondo, sercando de capir el momento.

El porto de Santos el zera un caos organizà. Fachini i coreva con sachi de cafè, mentre barche de ogni grandessa le ancorava e le ripartiva in continuassion. Ghe zera gridi in portoghese, mescolà a framenti de altre léngue che i emigranti no capia. Intorno, laoratori neri i portava carghi masse grande e i bianchi che ghe girava drio brandeva fruste o bastoni. La scena la creò un silénsio scomodo tra i Mariani, che mai i gaveva visto robe cusì.

Giulia la teneva forte Rosa contro el peto, protegendola dal movimento del porto. La putela, anche straca, lei parea afassinà da tuto quel laorar. "Mama, quei monti là i ze pi alti de quei a casa nostra?" la ghe domandò, segnando verso la Serra do Mar, che se alsava maestosa al orisonte. Giulia la sorise, ma la gavea altro in testa.

Sul molo, òmini con roba sèmplisse e capèi strassià ghe aspetava i novi laoratori. Ghe zera quei che rapresentava le fasende de cafè che ghe gavea impiegà. Lori i parlea un portoghese velose, gesticolando par far unir le famèie e dir dove che se ndava. Un funsionàrio, con un quaderno, el guardava i nomi e ghe dava carte con informassion bàsiche.

Vittorio el prese ‘sto foglio con cura, vardando quei nomi strani scriti con letra sporche. Ghe provò a dessifrarli, mentre che Giulia la tegnea Rosa al fianco. "Subiremo la sera con el treno," un rapresentante el dise in un italiano stentà, indicando verso la stassion.

Soto la guida de sti òmeni, i ghe fè passar i emigranti in pìcoli grupi verso la stassion. Con le so poche robe in man, lori i ghe cambiava sguardi de speranza e ánsia. L’idea che el treno li portasse pì visin al destin zera tanto consolante quanto ricordarghe che ghe ze ancora tanto scognossù davanti.

La salita sulla Serra do Mar la zera dura. I vagoni, stracariche, i avansava piano sora i trili. Le rote le ghe sbatea  fasea saltar chi zera sentà. Giulia, con Rosa in brassio, la fece de tuto par protegerla. "Stemo ndando su un paradiso, papà?" la ghe domandò Rosa, vardando al verde che quasi chiudea la strada. Vittorio el ride, nonostante la stranchessa: "Stemo andando su, ma ghe resta ancora tanto da far."

La vegetassion, per contro, la zera afascinante. Palme alte, liane che parea dansar al vento, e ‘na infinita’ de rumori scognossù riempiva l’ària. Ma par i emigranti, sto panorama el zera pì spaventoso che bel. La foresta la zera un mondo strano, tanto diverso da quei campi che ghe i gavea lassà.

Quando el zorno finì, la carovana la fesse ‘na pausa. Con la luse de ‘na foghera improvisà, i ghe racontava stòrie e suposission su le fasende. Un vècio, con la vose roca, el ghe dise: "Le tère le ze bone, ma qua se fa tuto con la forsa del brasso." ‘Ste parole le ga restà là come ‘na verità dura.

Par i Mariani, sto viaio verso le fasende de cafè el segnava lo scomìnsio de ‘na stòria nova. Finì el mar, adesso ze la tera che prometea casa. La strachessa, l’ánsia, tuto restava, ma ghe zera qualcosa de pì forte a tenerghe vivi: la fede che, no obstante tuto, i zera un passo pì visin al so futuro. 

Capìtolo 5: ´Na Vita Nova

Le coline del interior paulista se alzava lontan, ondeando in tonalità de verde e d'oro, soto el calore impietoso del sole. Lì, na fasenda Santa Clara, la famèia Marani la ga trovà so novo posto. La casa assegnà a lori la zera un baracón malandà de legno con tele de zinco, con spassi che fasea passar la luse del zorno e, de note, el zèfiro tra le cane visin. Par Vittorio, però, quel baracón sembrava un palasso paragonà al ùmido confinamento del fondo del San Giorgio.

La rutina la zera dura. La matina scominsiava prima che nasé el sole, con Vittorio che partia par le piantaion de cafè. El laor de netar, racolta e transporte dei sachi de café el zera massacrante. Le man, abituà prima a strumenti sèmplisse de ´na volta, ze adesso rude e stracà dal lavor. Epure, Vittorio trovava conforto ´ntel ciel vasto e ´ntele montagne che sircondava Santa Clara, che ghe ricordava lontanamente la so tera natìa.

Giulia, par so conto, se dava da far par trasformar el baracón in casa. ´Ntela pìcola zona fora de casa, la ga plantà un orto con le semense portà da l’Itàlia: basìlico, rosmarin e pomodori. Le prime fóie verde che spuntava le zera come un sìmbolo de rinassita. Drito in casa, la ga improvisà tendine con stofe scolorì e ghe metteva atenssion par conservar la farina e i grani in botele ben sigilà. Ze ´ntei detài che la portava un toco de familiarità in quela nova vita.

Rosa, che gavea sinque ani, la paressia trovar felicità dapertuto. La corea par i campi con altri putei, imparando parole in portoughese con ´na fassilità che sorprendea i genitori. “Mama, varda!” ghe disea lei con entusiasmo mostrandoghe fiori selvadeghi o inseti strani che trovava. El so riso el zera un bàlsamo par el cuor straco de Vittorio, che vardava ´ntei oci vispi de la fiola la promessa de un futuro mèio.

Le note zera pì tranquille. Tuti insieme atorno a ´na tola sèmplisse, la famèia se contava stòrie de l’Itàlia mentre Giulia preparava zupete con quel che podea recuperar da le avanse de la cusina de la fasenda. Qualche volta, Vittorio tirava fora un pìcolo caderno ndove che scrivea i so soni e i so piani: “Un zorno gavaremo la nostra tera.” Era un mantra che se ripetea, come par far che le parole le diventasse realtà.

Con el passar dei ani, la comunità de Santa Clara la ga scominsià a formarse. La doménega, le famèie se gavea trovà par messe improvisà in un capanon adatà. Dopo la preghiera, i putei coreva fra i adulti, mentre i òmeni discoréa de laor e le done se scambiava ricete e semense. Ghe zera anca feste animà, ndove che i bali e le musiche italiane risonava soto el ciel stelà, un modo par tegner viva la cultura che lori i gavea lassà drio.

Con el tempo, Vittorio ze riussì a meter via tanto da comprar un tochetin de tera ´ntei dintorni de la fasenda. Zera un lote modesto, ma caregà de potenssial. El ga scominsià a piantar vide, scegliendo con cura le steche e sistemandole par siapar tuto el sole de la matina. Giulia lo aiutava ´ntei fine de setimana, mentre Rosa corea tra le filere de vide zòvani, ridendo.

La prima racolta la zera stà picolina, ma par Vittorio la zera come tocar el ciel. El ga tegnudo quei gràpoli de ua come se i zera tesori. El vin che ga prodoto in botìlie improvisà el zera sèmplisse, ma el so sabor gavea qualcosa de màgico: zera el gusto de l’Itàlia in un novo posto.

No obstante le dificoltà – le piove imprevedìbile, la nostalgia de chi ze restà drio e i problemi de imparar na léngua nova e ´na cultura diferente – la famèia Marani la ga trovà ´na forsa che sembrava nasser da le radise che gavea piantà in quele tere. Gavea scoperto che el vero significà de “casa” no ze un posto, ma la conession che se costroi tra lori e con la nova vita che stava creando.

Sora la veranda del baracón, in una note de ciel lìmpio, Vittorio ze restà a vardar Giulia e Rosa che dormiva e el ga mormorà, quasi come ´na preghiera:

Semo lontan da casa, ma qua gavemo scominsià qualcosa. Qualcosa che sarà pì grande de noialtri.”
 
E cussì, soto el steso ciel stelà che iluminava sia l’Itàlia che el Brasil, la famèia Marani la ga continuà la so strada, trasformando i soni in realtà.

Epilogo

´Ntel ano 1890, quindise ani dopo che i Marani gavea lassà l’Itàlia, Vittorio stava in pì in su la costa che ospitava el so vignal. El sol caldo del pomeriggio pintava e fóie de le viti con toni caldi, e le vigne, pien de grapoli grevi, parea un omaio vivente a la resistensa de la so famèia. Vittorio, con le man calegà incrosà drìo la schena, sentia un misto de orgòio e reverensa par quel che gavea costruì.

Drio de lu, Giulia gavea l’òcio su Rosa, adesso ´na dona de ventani, mentre mare e fia ndava a recoier l’ua con l’abilità de chi gavea fato de quel lavoro ´na arte. Rosa, alta e sicura de sé, parlava in portoghese con i laoranti che la ghe dava na man, ma ogni tanto tornava al talian, ciacolando con la mare. Zera un segno de come lei gavea fato da ponte tra la cultura che gavea lassà e la nova tera che i gavea imparà amar.

El odor dolse de l’ua matura se mescolava con quel de la tera scaldà dal sol, creando un ambiente familiar e pien de significà. Par Vittorio, ogni grapolo no el zera solo un fruto, ma el sìmbolo del trionfo su ani de fadiga, incertese e nostalgia.

La fasenda dei Marani gavea fato nome drento la comunità de Santa Clara. No zera solo un vignal, ma un posto ndove altri emigranti se trovava par contar stòrie, far festa a le racolte e ritrovar la fede. Al scomìnsio, Vittorio e Giulia fasea vin par lori stessi, ma con el tempo la qualità del vin gavea atirà l’interesse de i mercanti. Adesso, el nome "Marani" scominsiava a esser cognosù ´ntele sità visin, un sìmbolo de perseveransa e qualità.

Dopo la racolta del zorno, la famèia se radunava in veranda, che ormai no zera pì el vècio baracon de legno. La nova casa, costruida con matoni rossi, gavea un teto sólido e finestroni larghi che lassiava entrar l’ªria fresca de la sera. Giulia portò ´na botìlia de vin de la prima racolta, conservà par tuta la vita come testimònio del so camìn. La servì Vittorio e Rosa, mentre ´na torza iluminava i so visi sereni.

Quando penso a tuto quel che gavemo passà par rivar fin qua,” la ga scominsià Vittorio, tegnendo el càlice come se el fusse un toco sacro, “capisco che ogni sacrifìssio el ze valso la pena. No solo par quel che gavemo costruì, ma par quel che gavemo imparà.”

Giulia ghe fece sì con la testa, el viso segnà dal tempo, ma ancora iluminà da un calor determinà. “No gavemo mai desmentegà chi che semo e ndove che rivemo. Ma gavemo imparà anca amar sta tera, che ga acolto noaltri quando gavemo pì bisogno.”

Rosa, guardando i so genitori, sorrise con un misto de teneressa e orgòio. “E adesso, sta tera ze nostra tanto quanto zera l’Itàlia.”

El vento sofiò leve, movendo le fóie dele vigne come se el stesso Brasil stesse aplaudindo la stòria dei Marani. No zera solo la stòria de ´na famèia, ma de miliaia de italiani che gavea traversà el mar colmi de bisogno e speransa.

I zera rivà in Brasil con poco pì de soni e determinassion. Incòi, Vittorio contemplava no solo la so tera, ma anca la so dessendensa, consapevole che ogni fruto racolto el portava el segno de la so stòria.

Mentre el sol desaparesea là su l’orisonte, lu alsò el càlice e brindò con una vose ferma:

“A chi ze vegnù prima de nu, a chi vegnarà dopo, e a sta tera che gavea dà a noialtri ´na nova possibilità.”

El eco de le so parole se perse ´ntela note, ma el significà restò, scolpì ´ntela storia de Santa Clara e ´ntela memòria de tuti quei che, come i Marani, gavea fato dei so sfidi un legado destinà a durar par generassion.

Nota de l’Autore

Scrivendo sta òpera, me son stà profondamente inspirà da le stòrie vere de coraio e resistensa dei emigranti italiani che i gavea traversà l’ossean par sercar ´na vita nova in Brasil. Sto flusso migratòrio, che segna la fine del XIX sècolo, no ze solo un capìtolo de la stòria de do paesi, ma un testimònio universal del spìrito umano de fronte alle aversità.

Durante le me ricerche, me son mergoià tra le lètare, i apunti e i raconti de le famèe che gavea afrontà viaie massacranti, malatie e l’isolamento de tera scognossù. Le stòrie zera pien de dolor e sacrifìssi, ma anca de speransa, amor e ´na fede incrolàbile in un futuro mèio. Sto material personal me gavea fato capir che, benché le pàgine de la stòria ze speso pien de re e governanti, ze le vite comun – e straordinàrie – de e persone comune che realmente dà forma al mondo.

La famèia Marani, protagonista de sta stòria, ze finta, ma le esperiense che descrivo le rispechia la realtà che tanti altri gavea vissù. Le condision ´ntei barchi, i problemi de le piantaion de cafè e la costrussion de ´na comunità in tera straniera le ze stà reconstruì a partir de raconti meticolosamente documentà. Dando ´na vose ai Marani, la me intension zera de caturar l’essensa del viaio de milioni de emigranti.

El me obietivo scrivendo sto libro zera dòpio: contar ´na stòria emosionante, ma anca portà la luse su un peso de stòria che speso vien dimenticà. Spero che, lesendo sta òpera, no solo te se senti coinvolto ´ntela lota e ´ntei trionfi dei Marani, ma anca che te rifleti sul coraio de chi gavea partì par costruir un scomìnsio novo – e sul dèbito che tuti gavemo verso chi ze vegnù prima de nu.

Infine, voria ringraziar i stòrici, i risercatori e i dessendenti de emigranti che gavea condiviso le so stòrie e i so conosensa. Le so contribussion le ze stà fondamentai par la creassion de sto libro.

Scriver sto romanso el ze stà un viaio arichente, e spero che leserlo sia altretanto gratificante par ti.

Con stima,
Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

La Vita de Domenico Dalmassen


La Vita de Domenico Dalmassen

Da le Langhe a la Montagna Gaùssa la traversia de un emigrante italiano


Domenico Dalmassen lu el zera nassesto ´nte l´ano 1891, ´nte el pìcolo comune de Prunetto, incrostà zo per le coline de le Langhe, ’ndove le vigne e i boschi se imbrassa come se i zera eterni. El zera cognossesto da la famèia e visin come “Menico”, soranome che la mare ghe gavea messo, parchè el zera nassesto picoleto e parea massa fràgile par resistar al peso de la vita. Ma, da bòcia, el ga dimostrà tuto el contràrio.

El passava i zorni a tegner le piégore sui prati sassorosi, acompagnà sol dal vento fredo che vegnìa zo dai Alpi e dal suon dei sinsieri sparpalià par la val. Quando el pare vegnìa zo in pianura a segar el formento, Domenico ghe ’ndava drio come un omo za càrigo de ´na vita intera. Intanto che i òmeni batea i grani con le masole e con i brassi indurì, lu el corea de ’na banda a l’altra, portando aqua mescolà con aceto par rinfrescar la gola a la compagnia. El pagamento zera de diese soldi al dì, quasi gnente, ma bastava par far sentir un putelo parte de un esèrcito de òmeni famà.

´Ntei mesi che el lavoro se raregiava su per le coline, lu e el pare scendea in pianura, passando de na famèia a l’altra, sempre a far i mestieri pì duri: bater grani, sistemar barili, alsar carichi. La magnada zera quatro fete de polenta in scarsela, el leto un monte de fien inte el fenil. Ghe zera zorni che tuto paréa na batàia sensa fin, na guera silensiosa contro la fame e la misèria, ’ndove el nemigo no se lassa mai venser.

Prima de vegnir omo fato, Domenico passò la frontiera e ’ndò a laorar in Frànsia. Ma l’ilusione de catar alìvio se scancelò sùbito: anca là, el sudor gavea el stesso gusto amaro, la fadiga el stesso peso de piombo.

Intanto, tre de so fradei gavea za traversà l’Atlàntico e se gavea sistemà in Mèrica, lavorando ´nte le segherie. Ghe zera lori che i ghe ga mandà danari par che el podesse ’ndar drio a incontrarghe. Int 1907, el se unì a un grupo de ventido compaisan e s’imbarcò verso el mondo novo. Prima de la partensa, le vacine che infiamava i brassi; dopo, l’imbarco su quel gran bastimento a vapor che odorava de fero, de mar e de paura.

La traversia zera na prova de resistensa. La magnada scarsa e de poca qualità, spartì in scudele come rassion de soldà. El ùltimo pian del navio la zo ’ndove Domenico el zera messo, el tegnea drento tresento òmeni, con e le done e bambin pìcoli in un altro compartimento visin. El mar, sbatù e crudele, pestava sul scafo; par do zorni el bastimento restò a la deriva, dominà da le onde che saltava sora el ponte la su. A ogni colpo de tempesta, la sensassion che la morte girasse par el compartimento se sparpagnava come ´na febre. Ma anca ’sta borasca, come tante altre, passò, e finalmente el bastimento ga varda le luse de Nova York.

El primo laoro de Domenico zera con un grupo che tegnea pì de sento òmeni vegnù pròprio da la so zona in Itàlia. El pagamento zera de sete lire e mesa par diese ore al zorno. La vita la gera segnà dal rumor sensa fin de la sega e dal cascar de le grande piante. El laoro consumea mùscoli e sudore, ma i taliani, malgrado la duresa, tegnea viva la fiama del grupo: el sabo sera, balo, carte, partide de balon e punho, e le notate diventava trègua contra la fadiga.

Par quatro ani Domenico restò in quel siclo de laoro e strachesa, vivendo in baraconi de legno improvisà, spartindo la misèria con òmeni che i zera diventà quase fradei. Tanti i ga restà. Lu, invese, decise de tornar indrio. La so vècia mare la zera sola e bastansa amalà a Prunetto, e el ricordo de lei pesava pì de ogni fortuna.

I tre altri fradei i ga restà in Mèrica, insieme con i altri ventun compagni che gavea partì con lori. Mai pì lori i ga mandà notìssie. El so silénsio zera un tàio profondo ´nte el cuor de Domenico, ma anca un segno che el destin, par ogni omo, se compie in maniera diversa. La traversia, la nostalgia e el ritorno segnarà la so vita par sempre.

De regresso in Itàlia, el ga vardato la mare malà fin a la fine. Do ani interi dedicà a vegilar noti silensiose, a portar aqua e legna, a sentir quei sospiri sordi che sol ´na mare solitària podea tirar fora. Quando lei la ga morì, a lo scomìnsio de 1909, la casa de piere a Prunetto la diventò solo na presion de memòrie. Domenico capiva che là no ghe zera pì futuro.

Poco dopo, rivò ´na lètera da Caxias, in Brasil. La zera de Pietro Bonelli, vècio visin de Prunetto, adesso paron de ´na famosa fàbrica de carosse ´nte la colónia taliana che fioriva ´nte el cuor del Rio Grande do Sul. Pietro el gavea bisogno de òmeni fidà e boni come marangon. Domenico, che quando ancora zòvene gavea imparà dal nono marangon da vila, l’arte de fabricar le rode e i assi de carosse e anca durante un perìodo prima de le segherie americane, el ga ricevesto sto invito come un segno del destin.

El viaio verso el Brasil zera longo e manco dramàtico che el primo, ma anca segnà dal compartimento la zo ´ntel fondo poco iluminà del navio , dal mal de mar e da l’ánsia de rivar. Quando el ga sbarcà ´nel Rio Grande do Sul, el ga trovà un mondo che odorava ancora de foresta taiada, ma che batea con l’energia de miliaia de coloni disposti a far vignai, case e fàbriche da la foresta.

A Caxias, Domenico se ga atacà ´nte la ufissina de Pietro come se questo el zera ´na parte naturale de la so vita. Le rode de le carrosse, che volea pressision par resistar al peso de le strade de baro e de piere, le diventò la so spessialità. I coloni savea riconosser el bon laoro, e presto el nome de Dalmassen el zera sinònimo de fidùssia.

Lì el ga conossesto Francesca Zardi, ´na zòvena vedova natural de Maser, in Véneto. El so marì el zera morto in un disastro brutìssimo, strucà da un caval durante el laoro su la tera che lori i coltivea. Francesca, ancora con la zoventù sul viso e mare de ´na putela ancora in bràssia ciamà Beatrice, se trovava davanti a un futuro dùbio. La tera che lei adesso gavea la zera massa pesà par le so forse, e za pensava de vender tuto e tornar a casa dai genitori in Itàlia.

El incontro el ga sussedesto quasi par caso. Domenico el zera stà ciamà a meter a posto le rode rote de ´na carossa, che scricolava sempre sora le strade de la colónia. La carossa zera de Francesca. El laoro lo portò su la pìcola proprietà, ’ndove el vide ´na dona bea tanto zóvena determinà a resistar, ma visibilmente straca. Fra le schege de legno e l’odor de fero scaldà, nasse ´na visinansa che se trasformò in destin.

I se ga sposà poco dopo. Francesca trovò in Domenico la fermesa che ghe serviva par no molar la tera, e lu, in lei, la famèia che ghe zera mancà par tanti ani. In quela casa sémplice, fata con fadiga e speranse, la vita de Domenico Dalmassen trovò radisi sòlide.

Da fiol picoleto de le coline piemontese, piegoraro e migrante erante, lu se ga trasformà in maestro de rode ´ntel cuor de Caxias, sìmbolo de ´na generassion che, tra osseani e adìi, la ga costruì un mondo novo.

Nota del Autor

Sta narativa la ze nassesta dal desiderio profondo de salvar la memòria de quei òmeni e done che i ga traversà osseani in serca de un destin che no ghe zera garantì in so paese. Mi go scielto Domenico Dalmassen come personaio sentral parchè la so strada la simbolisa la vita de miliaia de emigranti taliani che, tra la fine del XIX sècolo e lo scomìnsio del XX, i ga lassà le coline del Piemonte e de tante altre region de l’Itàlia par costruir, con sudor e sacrifìssio, na nova esistensa in Brasil.

La stòria de Domenico no vol esser la riprodussion precisa de un individuo spessìfico, ma na ricostrussion literària inspirà ´ntele lètare, testimoni e registri che i ze rivà, testimoniando i dolori de la partensa, i perìcoli de la traversia e la duresa de l’adatarse. Cambiando nomi, posti e detài, mi go sercà de tegner amparà l’identità dei personagi stòrici e, ´nte el stesso tempo, dar vita a un protagonista che incarna la forsa coletiva de l’emigrassion taliana.

Mi go scrito sta stòria par dar vose a chi che quasi mai podea scriver la so pròpia version de la vita. El ze un tributo a chi che perde tuto e comunque sémena speransa, a chi che trovò in Brasil ´na casa lontan e, sora de tuto, a chi che capì che emigrar vol dir viver sempre tra do mondi: quel del ricordo e quel de la costrussion.

Dr. Luiz C. B. Piazzetta