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sábado, 24 de outubro de 2026

Listas de Passageiros de Navios: Um Caminho Para Encontrar Nossos Imigrantes Italianos


Listas de Passageiros de Navios: Como Encontrar Imigrantes Italianos e Reconstruir Histórias Familiares

“Uma lista de passageiros pode começar como uma relação de nomes e terminar como uma janela aberta para a história de uma família.”

Poucos documentos despertam tanta expectativa em quem pesquisa seus antepassados italianos quanto uma lista de passageiros de navio. Depois de procurar durante meses — e às vezes anos — certidões, registros paroquiais, documentos familiares e informações sobre a vida do ancestral na Itália e no Brasil, surge finalmente uma pista: o nome do navio, a data da chegada, o porto de desembarque e, quem sabe, o nome do imigrante. É nesse momento que aparece uma pergunta quase inevitável: quem mais estava naquele navio?
Se descobrimos, por exemplo, que nossos bisavós chegaram ao Brasil a bordo do Colombo, com desembarque no Rio de Janeiro em 7 de novembro de 1894, a curiosidade imediatamente ultrapassa a história da própria família. Quem eram os outros passageiros? Havia parentes entre eles? Vieram pessoas da mesma comunidade italiana? Algumas famílias já se conheciam antes da partida? Outras seguiram depois para o mesmo destino no Brasil?
Essas perguntas não são apenas fruto da curiosidade. Para quem pesquisa genealogia e imigração, elas podem abrir caminhos que nenhum documento isolado seria capaz de mostrar.

Uma lista de passageiros é muito mais do que uma relação de nomes

Hoje, quando milhares de documentos históricos podem ser encontrados digitalmente, é fácil esquecer o quanto uma lista de passageiros pode representar para uma pesquisa familiar. Dependendo do período, do porto e do tipo de documento, ela pode registrar nomes, idades, nacionalidade, profissão, composição familiar, destino e, em alguns casos, informações sobre a procedência do imigrante.
Mas seu valor mais extraordinário talvez esteja em outro lugar. Ela coloca pessoas diferentes dentro de uma mesma história.
Um ancestral que aparece sozinho em uma certidão pode surgir, na lista do navio, acompanhado da esposa, de filhos, de irmãos ou de outras pessoas que até então não faziam parte da pesquisa. Uma família que parecia ter emigrado sozinha pode aparecer viajando ao lado de outra. Pessoas procedentes da mesma comunidade podem revelar uma rede de relações que continuaria existindo depois da chegada ao Brasil.
Por isso, uma lista de passageiros não deve ser lida apenas como uma tabela. Ela é também um documento sobre relações humanas.

O navio como ponto de encontro de famílias

Essa é uma das razões pelas quais recomendo que uma pesquisa genealógica não se limite ao próprio ancestral. Quando encontrar uma lista de passageiros, procure também quem viajava com ele.
Observe as idades. Compare os destinos. Identifique grupos familiares. Procure pessoas provenientes da mesma comunidade. Verifique se alguns daqueles passageiros reaparecem posteriormente em documentos brasileiros.
Essa comparação pode produzir pistas extraordinárias. Uma pessoa que viajou na mesma embarcação pode aparecer anos depois em um registro de casamento. Uma família que fez a mesma viagem pode surgir novamente em documentos de colonização. Um passageiro que parecia não ter qualquer relação com seu ancestral pode tornar-se padrinho de um filho dele ou testemunha em algum documento.
A lista de passageiros pode ser o primeiro indício de uma rede de parentesco, amizade, vizinhança e solidariedade que continuou existindo depois do desembarque.
Para ampliar a investigação, consulte também o artigo Como Encontrar Registros de Italianos que Imigraram para o Brasil. Ele apresenta outras fontes documentais que podem ajudar a reconstruir a trajetória de um imigrante desde a chegada ao país até o estabelecimento da família.

Antes de procurar o navio, procure compreender o caminho da imigração

Outro erro bastante comum é imaginar que todos os imigrantes italianos chegaram ao Brasil pelo mesmo porto e seguiram imediatamente para o destino definitivo. A realidade foi muito mais complexa.
Durante as décadas de maior imigração, especialmente entre o final do século XIX e o início do século XX, os imigrantes chegaram por diferentes portos brasileiros e, muitas vezes, fizeram mais de uma etapa da viagem antes de alcançar a região onde finalmente se estabeleceriam.
O Rio de Janeiro teve enorme importância nesse processo. Muitos imigrantes que chegavam ao porto carioca não permaneceriam na cidade. Dependendo do contrato e do destino, poderiam seguir por ferrovia para Minas Gerais ou embarcar novamente em navios de cabotagem rumo a outras regiões do país.
Santos, por sua vez, foi fundamental para a imigração destinada a São Paulo. De Santos, muitos imigrantes seguiam por ferrovia para o interior paulista, e a Hospedaria de Imigrantes do Brás tornou-se um dos principais pontos de passagem dessa população.
Isso significa que a pesquisa não deve começar apenas com a pergunta: “Em que navio meu antepassado veio?” Às vezes, a pergunta mais importante é: “Por qual porto ele provavelmente entrou no Brasil e qual foi o caminho percorrido depois do desembarque?”
Essa mudança de perspectiva pode fazer toda a diferença.

Onde procurar listas de passageiros de imigrantes italianos

A grande diferença entre a pesquisa de algumas décadas atrás e a pesquisa genealógica atual está no acesso. Muitos documentos que antes exigiam cartas, telefonemas, visitas presenciais a arquivos ou leitura de microfilmes podem hoje ser consultados pela internet. Outros foram digitalizados apenas parcialmente e ainda exigem pesquisa presencial ou solicitação ao arquivo responsável.
Entre as instituições que merecem atenção estão o Arquivo Nacional, os arquivos públicos estaduais, arquivos municipais, centros de documentação, instituições ligadas à imigração e plataformas genealógicas que disponibilizam coleções digitalizadas.
Para quem pesquisa a imigração italiana no Brasil, também podem ser fundamentais os arquivos estaduais das regiões envolvidas na trajetória do imigrante, além das instituições especializadas na preservação da documentação de imigração.
O ponto mais importante é compreender que os caminhos de pesquisa mudaram. Um endereço eletrônico encontrado em uma publicação antiga pode não funcionar mais. Uma base de dados pode ter sido transferida para outra plataforma. Um serviço que antes exigia uma solicitação por carta pode hoje oferecer consulta digital.
Por isso, ao utilizar informações antigas de pesquisa, é sempre recomendável conferir diretamente o site atual da instituição responsável pelo acervo. Na pesquisa histórica, o documento pode continuar existindo, mas a maneira de chegar até ele pode ter mudado completamente.

E quando o imigrante chegou a Santos?

Durante muito tempo, encontrar documentação relacionada às chegadas a Santos era uma tarefa bastante trabalhosa. Pesquisadores dependiam de microfilmes, transcrições particulares e coleções que nem sempre estavam disponíveis de maneira simples.
Hoje a situação é muito melhor, embora ainda esteja longe de ser perfeita. O pesquisador deve consultar as coleções digitais disponibilizadas pelo Museu da Imigração do Estado de São Paulo, além de outras bases genealógicas que reproduzem ou indexam documentos históricos.
Também é importante lembrar que uma busca digital pode falhar mesmo quando o documento existe. A grafia de um nome pode ter sido alterada. A idade pode apresentar pequena diferença. Uma localidade pode ter sido registrada de outra maneira. Um erro de leitura ou de indexação pode impedir que determinado passageiro apareça em uma pesquisa automática.
Por isso, quando possível, é importante consultar também a imagem original do documento. Uma transcrição é extremamente útil, mas a imagem histórica pode conter informações que não foram corretamente transcritas ou indexadas.
Um exemplo disponível no próprio Portal A Emigração Vêneta é a lista de passageiros italianos do navio Caffaro, que chegou ao porto de Santos em 5 de outubro de 1891. Esse tipo de registro permite observar nomes, idades e grupos familiares e compreender como uma lista de passageiros pode servir de ponto de partida para novas descobertas.

A lista de passageiros pode não revelar a cidade de origem

Aqui está uma das maiores armadilhas para quem começa a trabalhar com listas de passageiros. Muitos pesquisadores imaginam que encontrar a lista significa finalmente encontrar a cidade italiana de nascimento do antepassado. Nem sempre.
Algumas listas fornecem informações bastante detalhadas. Outras registram apenas dados básicos. Em determinados documentos aparece a província; em outros, a localidade; em outros ainda, apenas a indicação genérica de procedência.
Além disso, o destino registrado no momento da chegada pode não ser o lugar onde a família efetivamente permaneceu. Por isso, uma lista de passageiros deve ser considerada uma peça do quebra-cabeça, não a solução inteira.
Se a localidade de origem não estiver ali, isso não significa que a pesquisa terminou. É nesse momento que entram outros documentos: registros de nascimento, casamento e óbito; registros paroquiais; documentos de naturalização; registros de hospedarias; listas de colonização; registros militares; documentos de propriedade; jornais antigos; correspondência familiar e, sobretudo, os documentos italianos.
Às vezes, a lista apenas confirma uma hipótese construída a partir de outras fontes. Em outras situações, ela fornece a pista que permite encontrar a próxima fonte.

Leia a lista inteira, não apenas o nome do seu antepassado

Há ainda uma recomendação que considero particularmente importante: não procure apenas o nome do seu ancestral. Quando encontrar uma lista de passageiros, leia-a.
Veja quem viajou antes e depois dele. Observe as idades. Compare as localidades. Identifique famílias que aparecem juntas. Anote as pessoas que possam ter alguma relação com sua pesquisa. Se houver dezenas ou centenas de passageiros, vale a pena salvar o documento e organizar as informações que parecem relevantes.
Hoje, ferramentas digitais podem ajudar a ordenar esses dados, mas nenhuma tecnologia substitui a interpretação histórica.
Uma coincidência de nome não prova parentesco. Duas pessoas da mesma comunidade não são necessariamente parentes. Duas famílias que viajaram no mesmo navio não necessariamente se conheciam. Essas são pistas, e não provas. A confirmação precisa vir de documentos independentes. Essa distinção é fundamental para uma genealogia séria.
Outro cuidado importante é observar as variações de sobrenome. O mesmo imigrante pode aparecer com grafias diferentes em documentos produzidos em épocas ou lugares distintos. O artigo Quando o Sobrenome Italiano Mudou no Brasil: Como Encontrar a Origem da Família ajuda a compreender por que uma diferença na escrita deve ser investigada antes de se concluir que os registros pertencem a pessoas diferentes.

O que uma lista de passageiros realmente pode nos devolver

Depois de tantos anos acompanhando pesquisas de famílias de descendentes de italianos, continuo impressionado com a força emocional que um documento aparentemente simples pode adquirir.
No começo, vemos apenas nomes. Depois começamos a perceber as idades. Então aparecem as crianças. Descobrimos quem viajava com quem.
Percebemos que aquela mulher de 42 anos não estava sozinha: havia três crianças ao lado dela. Descobrimos que aquele rapaz de 19 anos provavelmente fazia parte da mesma família. Encontramos uma pessoa que já havia aparecido em outro documento.
E, pouco a pouco, a lista deixa de ser uma relação burocrática de passageiros. Ela começa a parecer uma fotografia. Não uma fotografia em que podemos ver os rostos, mas uma fotografia social daquela travessia.
Ali estão pessoas que deixaram uma parte da vida para trás e embarcaram rumo a um país que, para muitas delas, era completamente desconhecido. Algumas viajavam porque tinham parentes esperando. Outras porque haviam recebido uma carta. Algumas estavam seguindo amigos ou conterrâneos. Outras talvez não tivessem nenhuma certeza além da esperança de que a vida pudesse ser melhor do outro lado do oceano.

Uma lista de passageiros pode aproximar duas gerações

Talvez seja justamente isso que torne esses documentos tão fascinantes. Para o pesquisador de hoje, aquele embarque aconteceu há mais de cem anos. Para quem embarcou, porém, era o presente. Era a vida acontecendo.
Havia medo, expectativa, saudade, esperança e, muitas vezes, uma enorme dose de coragem. Quando encontramos o nome de nosso bisavô ou trisavô em uma dessas listas, estamos olhando para o instante em que sua história brasileira começou a tomar forma.
E, quando encontramos ao lado dele os nomes de outras famílias, percebemos algo ainda mais importante: nossos antepassados raramente construíram suas novas vidas completamente sozinhos. Eles chegaram a comunidades onde já havia conterrâneos, parentes, amigos, conhecidos e pessoas que haviam feito a mesma escolha.
A imigração foi também uma história de redes humanas.

Antes de concluir sua pesquisa genealógica, procure a lista de passageiros

Se você está reconstruindo a trajetória de um ancestral italiano que chegou ao Brasil entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, vale a pena descobrir se existe documentação relacionada à sua chegada.
Procure pelo nome do navio, pela data aproximada da chegada, pelo porto, pelo destino declarado e pelos nomes dos familiares. Pesquise diferentes formas de escrita. Compare diferentes fontes. Quando possível, consulte o documento original e não apenas sua transcrição.
O Portal A Emigração Vêneta também publica registros de viagens específicas, como a lista de passageiros do navio Porteña, de 1876, que pode servir de referência para quem investiga a documentação de uma determinada travessia.
E, principalmente, não abandone a pesquisa porque o nome não apareceu exatamente como você esperava. Documentos históricos não foram produzidos para facilitar a vida dos genealogistas do século XXI. Eles foram produzidos para atender às necessidades administrativas de seu próprio tempo. Cabe a nós aprender a interpretá-los.

Uma última descoberta pode estar escondida entre os passageiros

Depois de encontrar a lista, volte a examiná-la com calma. Talvez você descubra um parente que não sabia que havia emigrado. Talvez encontre uma família da mesma comunidade. Talvez reconheça uma pessoa que reaparecerá em documentos brasileiros. Talvez descubra que duas famílias que hoje vivem em continentes diferentes começaram sua história brasileira na mesma viagem.
Ou talvez não encontre nada disso. Mesmo assim, o documento continuará sendo precioso. Porque nele estará registrado um momento irrepetível: o instante em que pessoas reais deixaram a Europa e atravessaram o oceano em direção a uma vida que ainda não conheciam.
E talvez seja justamente por isso que uma lista de passageiros nos emocione tanto. Ela não registra apenas quem embarcou. Registra o momento em que uma família começou a atravessar a distância entre aquilo que era e aquilo que viria a ser.

Nota do Autor

Durante mais de três décadas, estive em contato com famílias de descendentes de italianos e acompanhei inúmeras pesquisas de origem familiar. Muitas começaram com algo aparentemente pequeno: uma fotografia, uma certidão, uma carta, uma informação transmitida por um avô ou bisavô ou simplesmente o nome de uma pequena comunidade italiana preservado pela memória familiar.
As listas de passageiros sempre ocuparam um lugar especial nesse trabalho. Elas não resolvem sozinhas uma pesquisa genealógica, mas frequentemente oferecem a pista que permite avançar.
Este texto é uma reconstrução, para os leitores de hoje, de um tema que venho tratando há muitos anos no Portal A Emigração Vêneta, em emigrazioneveneta.blogspot.com. Os procedimentos de pesquisa, as plataformas digitais e os acervos disponíveis mudaram, e por isso as orientações foram atualizadas.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Autor e pesquisador da imigração italiana e da história familiar



Meu Antepassado Italiano Chegou ao Brasil no Século XIX Como Encontrar Seus Passos


Meu Antepassado Italiano Chegou ao Brasil no Século XIX Como Encontrar Seus Passos

Um roteiro prático para reconstruir a trajetória de um imigrante entre portos, hospedarias, colônias agrícolas, casamentos e os primeiros endereços da família.

"Cada documento revela uma pista. Seguindo os passos do seu antepassado italiano, você pode reconstruir a história da chegada, da família e das primeiras raízes no Brasil."


Encontrar o nome de um antepassado italiano em uma lista de passageiros é uma descoberta emocionante. Para quem deseja reconstruir a história da própria família, porém, aquele registro não representa o fim da pesquisa, mas o começo de uma jornada que pode atravessar portos, hospedarias de imigrantes, colônias agrícolas, igrejas, cartórios e antigas ruas onde a família viveu seus primeiros anos no Brasil.
Muitas vezes, as pistas preservadas pela família são poucas: um sobrenome escrito de maneiras diferentes, uma data aproximada, uma fotografia desbotada ou a lembrança de que o nonno veio de uma pequena localidade italiana. Com paciência e método, essas informações podem se transformar em uma história familiar documentada.
A pesquisa genealógica exige mais do que procurar sobrenomes na internet. É preciso seguir os vestígios deixados pelo imigrante, compreender os caminhos percorridos e confrontar as informações encontradas em diferentes fontes. Este roteiro apresenta um caminho prático para descobrir onde seu antepassado desembarcou, onde viveu, com quem se casou e como construiu sua vida no Brasil durante o século XIX.

1. Comece pela família e pelos documentos que já existem

Antes de procurar arquivos distantes, converse com os parentes mais velhos e reúna tudo o que a família conserva. Pergunte pelos nomes completos dos antepassados, apelidos, datas aproximadas de nascimento e falecimento, nomes dos cônjuges, irmãos e filhos. Procure descobrir em qual município brasileiro a família se estabeleceu inicialmente e se existe alguma lembrança sobre a colônia agrícola, a fazenda ou a cidade onde o imigrante trabalhou.
Examine certidões antigas, registros religiosos, cartas, passaportes, escrituras, fotografias, santinhos de falecimento e anotações guardadas em livros de oração ou Bíblias. Uma inscrição no verso de uma fotografia pode revelar o nome de uma localidade que não aparece em nenhum outro documento conhecido.
Monte uma ficha para cada pessoa pesquisada, registrando os dados encontrados e a fonte de cada informação. Separe aquilo que está comprovado documentalmente daquilo que foi transmitido oralmente. Essa distinção é essencial para que uma hipótese familiar não se transforme, com o passar do tempo, em uma certeza sem fundamento.
Para ampliar as possibilidades de pesquisa, consulte também o artigo do próprio portal Como Encontrar Registros de Italianos que Imigraram para o Brasil, que reúne orientações complementares sobre acervos, listas de passageiros e documentos relacionados à imigração.
Uma regra importante: não comece pela Itália apenas porque sabe que seu antepassado era italiano. Os documentos produzidos no Brasil podem fornecer os nomes dos pais, a idade, a naturalidade e outras informações necessárias para identificar a localidade de origem.

2. Descubra por qual porto o imigrante entrou no Brasil

Durante o século XIX, os imigrantes italianos chegaram ao Brasil por diferentes portos. Rio de Janeiro e Santos tiveram grande importância, mas não foram as únicas portas de entrada. A rota dependia da viagem, da companhia marítima, do período e do destino final.
Para investigar o desembarque, procure o nome completo do antepassado e suas possíveis variantes. Nomes próprios podiam ser aportuguesados, enquanto sobrenomes eram registrados de acordo com a pronúncia ou apareciam com erros de leitura e transcrição.
O Arquivo Nacional — Entrada de Estrangeiros disponibiliza orientações sobre a documentação de entrada de estrangeiros em diferentes portos. Sua base específica de passageiros do Rio de Janeiro abrange o período de 1875 a 1910, enquanto outros conjuntos documentais possuem recortes cronológicos próprios.
Para famílias que chegaram por Santos, consulte o Arquivo Público do Estado de São Paulo — Pesquisa sobre Imigração. O acervo inclui listas de passageiros e registros de hospedaria, mas é importante observar os períodos cobertos por cada série e as lacunas existentes na documentação.
Ao localizar uma lista de passageiros, anote a data do desembarque, o nome do navio, a idade, a nacionalidade, a profissão, os familiares que aparecem no mesmo registro e qualquer indicação de procedência ou destino. Registre também a referência do documento para poder consultá-lo novamente.
Um exemplo concreto pode ser encontrado no próprio portal: Registro de Passageiros Italianos do Navio Caffaro — Porto de Santos, 1891. O artigo apresenta uma relação de passageiros associada à viagem que partiu de Gênova em 7 de setembro de 1891 e chegou a Santos em 5 de outubro daquele ano. É uma ilustração de como um registro de embarcação pode fornecer pistas para uma investigação familiar.
Não se limite a procurar o nome em uma única base. Pesquise variações do sobrenome, nomes abreviados, diferentes intervalos de datas e, quando possível, os nomes de outros familiares que possam ter viajado juntos. Se não houver resultados, considere outros portos e séries documentais.
Uma lista de passageiros pode ser a primeira ligação documental entre a Itália e o Brasil, mas a coincidência de sobrenomes não comprova, por si só, que duas pessoas pertenciam à mesma família.

3. Investigue a passagem por uma hospedaria de imigrantes

Depois do desembarque, muitos imigrantes foram encaminhados a instituições de recepção, onde podiam permanecer temporariamente, receber assistência e ser direcionados para postos de trabalho ou áreas de colonização. Entretanto, nem todos passaram por uma hospedaria, e a existência de registros depende da época, do porto e do destino.
A Hospedaria de Imigrantes de São Paulo, conhecida como Hospedaria do Brás, começou a receber imigrantes em 1887. O acervo paulista também inclui registros da hospedaria que a precedeu, no Bom Retiro, a partir de 1882. Por isso, é necessário distinguir a instituição e o período pesquisados, em vez de procurar todos os registros sob uma única denominação.
Consulte os livros de matrícula e as bases de pesquisa do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Para famílias que chegaram pelo Rio de Janeiro, investigue também os registros relacionados à Hospedaria da Ilha das Flores e a outros conjuntos documentais preservados pelo Arquivo Nacional.
Procure informações sobre a data de entrada e saída, os nomes dos familiares, a profissão declarada, a procedência e o destino indicado. Compare esses dados com a lista de passageiros e com os documentos posteriores encontrados no Brasil.
É importante respeitar a cronologia. Não atribua ao imigrante uma passagem pela Hospedaria do Brás antes de a instituição começar a funcionar. Se ele chegou em período anterior, será necessário procurar outros registros de recepção, encaminhamento ou estabelecimento.
A ausência do nome em um livro de hospedaria não prova que o imigrante não passou pela região. Pode significar que não utilizou aquela instituição, que o registro não foi preservado ou que a documentação ainda não foi identificada.

4. Descubra a primeira colônia agrícola ou o local de trabalho

A etapa seguinte é descobrir para onde o imigrante foi depois de chegar ao Brasil. Alguns seguiram para fazendas de café em São Paulo; outros foram encaminhados para colônias agrícolas no Sul ou em outras regiões. Houve também quem se estabelecesse nas cidades, trabalhasse no comércio ou exercesse ofícios especializados.
Não presuma que todos os italianos se tornaram agricultores. A profissão registrada no desembarque pode ser diferente daquela que exerceram anos depois.
Se a família se estabeleceu no Rio Grande do Sul, investigue a história das antigas colônias de Caxias, Dona Isabel, atual Bento Gonçalves, e Conde d'Eu, atual Garibaldi. Para famílias que seguiram para Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo, Minas Gerais ou São Paulo, procure os registros administrativos e locais correspondentes.
Entre os documentos mais úteis estão as listas de colonos, os livros de distribuição de lotes, os contratos de trabalho, as escrituras, os registros de imóveis, os inventários e a documentação das administrações coloniais. Dependendo do acervo, esses registros podem revelar a localização de uma propriedade, a composição familiar ou o destino de determinado grupo de imigrantes.
Consulte arquivos públicos estaduais, arquivos municipais, cartórios de registro de imóveis e instituições responsáveis pela preservação da documentação histórica. O Arquivo Nacional, por exemplo, conserva documentos relacionados à Inspetoria Geral de Terras e Colonização, que podem contribuir para pesquisas sobre a localização de imigrantes e a organização da colonização.
Nem todos os acervos estão digitalizados, e algumas pesquisas exigem contato direto com a instituição. Não confunda o local de destino indicado em uma lista de passageiros com a residência efetiva do imigrante: o documento pode registrar o destino previsto, mas a família pode ter seguido posteriormente para outro município.
O objetivo é estabelecer uma sequência verificável entre a chegada ao Brasil, o primeiro local de trabalho e o lugar onde a família começou a construir sua vida.

5. Use o casamento para reconstruir a família

O casamento pode ser um dos documentos mais importantes de toda a investigação. Conforme a época e o tipo de registro, pode informar a idade dos noivos, a residência, a profissão, os nomes dos pais, o estado civil anterior e a identidade das testemunhas.
O registro civil geral da população brasileira foi implantado a partir de 1889. Para casamentos anteriores, os livros paroquiais são frequentemente essenciais. Mesmo depois desse período, os registros religiosos continuam sendo fontes valiosas para a genealogia.
Comece pelo município onde o casal provavelmente viveu. Se não encontrar o casamento, procure nas paróquias vizinhas e nas localidades onde os noivos trabalharam ou residiram. Considere também as mudanças de limites municipais e a possibilidade de o registro ter sido feito em outra jurisdição.
Ao localizar o documento, transcreva os nomes completos dos noivos e dos pais, as idades, as naturalidades, as profissões e as testemunhas. Em seguida, procure os batismos ou registros de nascimento dos filhos. Os nomes dos padrinhos podem revelar parentes, vizinhos ou integrantes da mesma comunidade de origem.
Pesquise também os óbitos e os inventários. Esses documentos podem confirmar relações familiares, fornecer informações sobre a residência e apontar outros registros.
Para encontrar fontes brasileiras, consulte os cartórios responsáveis, as cúrias diocesanas e as coleções disponíveis no FamilySearch. A existência e a acessibilidade dos livros variam conforme o município, o período e o estado de conservação.
Não considere a certidão de casamento uma prova automática da localidade de nascimento na Itália. A naturalidade pode estar incompleta, os nomes dos pais podem conter erros e a idade pode ser aproximada. Compare as informações com outros documentos antes de tirar conclusões.

6. Siga os primeiros endereços da família

Uma rua, uma casa ou um lote rural pode parecer um detalhe sem importância, mas o endereço ajuda a conectar documentos que, à primeira vista, não parecem ter relação entre si.
Comece pela primeira residência identificada em uma certidão de casamento, nascimento, batismo, óbito ou escritura. Depois, procure referências ao mesmo lugar em registros posteriores.
Os livros de imóveis e as escrituras podem identificar proprietários e compradores; inventários e testamentos podem revelar bens, dívidas e herdeiros; jornais antigos podem registrar o endereço de uma loja, oficina ou estabelecimento comercial. Mapas históricos e plantas urbanas ajudam a comparar a localização antiga com a geografia atual.
Registros de cemitérios e documentos funerários também podem contribuir para a investigação, especialmente quando indicam datas, parentescos ou locais de sepultamento.
Tenha cuidado com as mudanças nos nomes das ruas, na numeração dos imóveis e nos limites municipais. Um endereço pode ter sido alterado ao longo das décadas, e o local de trabalho nem sempre correspondia à residência da família.
Registre sempre a data e a fonte de cada endereço. Se a casa não existir mais, sua história ainda poderá ser reconstruída por meio de mapas, fotografias, jornais e documentos de propriedade.

7. Investigue as mudanças na grafia do sobrenome

Durante a pesquisa, é possível encontrar o mesmo antepassado com sobrenomes escritos de maneiras diferentes. Isso pode decorrer de erros de transcrição, diferenças de pronúncia, adaptações linguísticas ou alterações efetivamente adotadas pela família.
Em vez de escolher imediatamente uma grafia como correta, organize os documentos em ordem cronológica. Registre a forma exata encontrada em cada fonte e compare os nomes dos pais, a idade, o cônjuge, os filhos e a localidade.
O artigo do portal Quando o Sobrenome Italiano Mudou no Brasil: Como Encontrar a Origem da Família aprofunda esse problema e mostra por que uma variação no nome precisa ser investigada, e não interpretada automaticamente como prova de uma mudança oficial.
Uma lista de passageiros não deve ser considerada, isoladamente, a fonte definitiva da grafia original. O documento precisa ser avaliado em conjunto com registros civis, religiosos e outros vestígios familiares.

8. Volte à Itália para descobrir a localidade de origem

Depois de reconstruir parte da trajetória brasileira, chega o momento de procurar a localidade onde o antepassado nasceu, foi batizado ou constituiu sua primeira família.
O ideal é chegar a esta etapa com algum documento brasileiro que informe a naturalidade ou identifique os pais. Se isso não for possível, utilize as pistas acumuladas: idade aproximada, nome do cônjuge, nomes dos filhos, profissão e sobrenomes de parentes que emigraram juntos.
O Portale Antenati, mantido pelo sistema de arquivos do Ministério da Cultura italiano, oferece acesso a numerosas coleções de registros civis históricos digitalizados. Também é possível pesquisar nos arquivos municipais, nos arquivos de Estado e nas paróquias e dioceses que conservam registros religiosos.
A disponibilidade dos documentos depende da região e da época. Em algumas localidades, os registros civis começam em períodos diferentes; em outras, os livros paroquiais permitem recuar várias gerações.
É importante considerar as mudanças históricas nas fronteiras e na organização administrativa italiana. A localidade de origem pode ter pertencido a outra província ou a uma estrutura política diferente da atual. Para famílias vênetas, por exemplo, a pesquisa deve levar em conta as transformações ocorridas antes e depois da unificação italiana.
Não escolha um município apenas porque o sobrenome aparece nele. Para identificar o antepassado com segurança, compare nomes, datas, filiação e outras informações independentes.
Se encontrar um registro de nascimento ou batismo compatível, confronte-o com os documentos brasileiros. A correspondência entre vários elementos é muito mais convincente do que a semelhança de um único sobrenome.

9. Organize uma cronologia documental

À medida que encontrar registros, organize-os em ordem cronológica. Isso ajuda a perceber lacunas, corrigir datas e decidir qual documento procurar em seguida.
Antes da viagem: procure registros de nascimento ou batismo na Itália, passaportes, cartas e outros documentos que possam esclarecer a origem e os preparativos da emigração.
Na chegada ao Brasil: procure listas de passageiros, registros de desembarque e, quando pertinentes, documentos de hospedarias.
No estabelecimento: investigue listas de colonos, contratos de trabalho, escrituras e registros de terras.
Na formação da família: localize casamentos, batismos, nascimentos e outros registros dos filhos.
Durante a vida adulta: procure documentos de propriedade, inventários, testamentos, jornais e registros relacionados ao trabalho.
Nos últimos anos: pesquise óbitos, sepultamentos e inventários, que podem revelar informações adicionais sobre a família.
Na Itália: confirme a origem por meio de registros civis ou paroquiais e compare os dados com as fontes brasileiras.
Essa sequência é um roteiro de possibilidades, não uma lista obrigatória de documentos. Nem todas as famílias passaram por hospedarias, receberam terras ou deixaram registros de propriedade. A ausência de um documento exige a busca de outras fontes, não o abandono da pesquisa.

10. Como resolver informações contraditórias

Na genealogia, contradições são comuns. Um imigrante pode aparecer com idades diferentes na lista de passageiros, no casamento e no registro de óbito. O sobrenome pode mudar de grafia, o nome próprio pode ser aportuguesado e a localidade de nascimento pode aparecer sob uma designação antiga.
Transcreva cada documento exatamente como está escrito. Anote a data, a instituição responsável e a referência arquivística. Compare as informações com registros de parentes próximos e mantenha as hipóteses em aberto quando não houver evidências suficientes.
Dê atenção à proximidade do documento com o acontecimento pesquisado, mas considere também quem forneceu a informação e a finalidade do registro. Uma declaração feita por alguém que conhecia pessoalmente a família pode ter um valor diferente de uma informação transmitida décadas depois por terceiros.
Não descarte um documento apenas porque ele contradiz os demais. A divergência pode revelar um erro, uma mudança de grafia, uma data aproximada ou até duas pessoas diferentes com nomes semelhantes.
O objetivo não é fazer todos os registros concordarem à força, mas compreender por que apresentam informações diferentes.

11. Transforme os documentos em uma história familiar

Quando os principais registros estiverem reunidos, vá além da árvore genealógica. Procure compreender a trajetória do antepassado: o lugar onde nasceu, o contexto histórico da região, a viagem, a chegada ao Brasil, o primeiro trabalho, o casamento, os filhos e a comunidade em que viveu.
Fotografias, mapas, cartas e documentos podem enriquecer a narrativa, desde que suas origens sejam identificadas e os fatos sejam apresentados com rigor.
Diferencie aquilo que os documentos comprovam das interpretações históricas e das hipóteses. Se não houver prova de que seu antepassado passou por determinada hospedaria, não o coloque ali apenas porque muitos outros imigrantes seguiram esse caminho. Se você não conhece a razão individual da emigração, explique as condições sociais e econômicas da época sem afirmar que foram necessariamente a motivação daquela pessoa.
Uma árvore genealógica mostra quem veio antes de quem. A história familiar procura compreender como essas pessoas viveram, trabalharam, formaram famílias e deixaram marcas nos lugares onde se estabeleceram.

Um roteiro prático para começar hoje

Se você tem apenas o nome de um antepassado italiano e sabe que ele chegou ao Brasil no século XIX, não tente pesquisar tudo de uma vez. Comece reunindo os documentos familiares e anotando as informações conhecidas. Depois, estime o período de chegada e identifique os municípios brasileiros relacionados à família.
Pesquise as listas de passageiros e os registros de desembarque. Verifique a eventual passagem por hospedarias e colônias agrícolas. Em seguida, procure o casamento, os batismos dos filhos, o óbito e os documentos de propriedade. Quando tiver reunido informações suficientes, volte à Itália para procurar o registro de nascimento ou batismo.
Cada documento deve ajudar a formular a próxima pergunta. Uma lista de passageiros pode conduzir a um registro de hospedaria; esse registro pode indicar o destino; o casamento pode revelar os nomes dos pais; e esses nomes podem finalmente permitir a identificação da localidade italiana.
Não desanime se a primeira busca não apresentar resultados. Os arquivos do século XIX têm lacunas, nomes foram registrados de maneiras diferentes e muitos documentos ainda não estão disponíveis na internet. A persistência, acompanhada de um método rigoroso, costuma produzir resultados melhores do que dezenas de buscas sem organização.
Seguir os passos de um antepassado italiano é reconstruir uma vida a partir de vestígios. Cada registro acrescenta uma peça à história, mas é a comparação cuidadosa entre as fontes que transforma indícios em conhecimento.

Nota do autor

Ao longo de muitos anos de contato com famílias de descendentes de italianos, aprendi que uma pesquisa genealógica frequentemente começa com muito pouco: um sobrenome, uma fotografia antiga, uma certidão amarelada ou o nome de uma pequena cidade italiana que alguém ouviu dos avós. Por trás dessas pistas existe uma história que merece ser procurada com respeito e seriedade.
Meu propósito, com este roteiro, é ajudar você a dar os primeiros passos e mostrar que a pesquisa das próprias origens não precisa começar com grandes recursos, mas com curiosidade, paciência e disposição para investigar. Talvez o documento que você procura esteja em um arquivo distante; talvez esteja guardado há décadas na casa de um parente. O importante é não desistir antes de começar a procurar.


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Autor e pesquisador da imigração italiana e das histórias familiares



sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Listas de Passageiros da Imigração Italiana Como Encontrar Antepassados


Listas de Passageiros e Registros de Imigração Como Encontrar o Nome do Seu Antepassado

"Descubra como encontrar o nome de seu antepassado nas listas de passageiros, nos registros de navios e nos documentos históricos da imigração italiana."

Nos registros dos navios que cruzaram os oceanos, entre nomes escritos à mão e documentos preservados pelo tempo, podem estar as pistas que faltavam para reconstruir a viagem de um antepassado e descobrir a história de uma família.

A busca pelas origens de uma família muitas vezes começa com uma informação modesta: o nome de um bisavô italiano, uma data aproximada de chegada ao Brasil, uma antiga fotografia ou uma história repetida pelos mais velhos. Alguém se lembra de que o antepassado veio da Itália, talvez do Vêneto, da Lombardia ou de outra região, mas ninguém sabe ao certo em que ano embarcou, qual navio o trouxe ou por qual porto entrou no país. É nesse momento que as listas de passageiros e os registros de imigração se tornam instrumentos indispensáveis para a pesquisa genealógica. Esses documentos podem transformar lembranças familiares em informações verificáveis e abrir caminhos para novas descobertas. Durante o século XIX e as primeiras décadas do século XX, milhões de italianos deixaram suas localidades de origem em busca de trabalho, terra e melhores condições de vida. Muitos viajaram para o Brasil, enquanto outros seguiram para a Argentina, os Estados Unidos, o Canadá, a Austrália e diversos países da América Latina. Cada travessia fazia parte de uma história maior, marcada pela necessidade de recomeçar, pela esperança de prosperidade e, frequentemente, pela separação de familiares que permaneceram na terra natal. Embora nem todos os documentos tenham sobrevivido, os registros produzidos durante essas viagens constituem uma das fontes mais importantes para quem deseja reconstruir a trajetória de um imigrante. O desafio do genealogista consiste em localizar os documentos adequados, interpretar as informações neles contidas e estabelecer relações entre os registros encontrados, sem confundir pessoas que possuíam nomes semelhantes.

O primeiro passo é reunir as informações familiares

Antes de procurar uma lista de passageiros, convém organizar tudo aquilo que já se sabe sobre o antepassado. O nome completo, os sobrenomes dos pais, o nome da esposa, a idade aproximada, a localidade italiana de origem e o período provável da chegada são informações valiosas. Mesmo quando esses dados parecem incompletos, podem ajudar a reduzir consideravelmente o campo de pesquisa. Uma família que conserva a informação de que seu bisavô chegou ao Rio Grande do Sul por volta de 1885, por exemplo, oferece ao pesquisador um ponto de partida mais preciso do que uma referência genérica à imigração italiana. É importante registrar também as variantes do nome. Sobrenomes italianos foram frequentemente alterados por erros de transcrição, diferenças de pronúncia, dificuldades de compreensão entre imigrantes e funcionários portuários ou adaptações realizadas posteriormente no Brasil. Um sobrenome registrado na Itália pode aparecer com grafia diferente em um documento brasileiro. O mesmo acontece com os prenomes. Giovanni pode aparecer como João em documentos posteriores; Giuseppe pode ser identificado como José; e variações ortográficas podem surgir mesmo dentro de uma mesma família. Por isso, a pesquisa não deve se limitar a uma única grafia. Uma recomendação prática é construir uma pequena ficha genealógica para cada imigrante, reunindo nomes, datas, parentes conhecidos, localidades mencionadas e documentos já consultados. Essa organização ajuda a distinguir homônimos e evita que uma descoberta aparentemente promissora conduza a uma família que não tem relação com a pesquisada.

As listas de passageiros dos navios

As listas de passageiros estão entre as fontes mais procuradas pelos descendentes de imigrantes. Elas eram elaboradas em diferentes circunstâncias, especialmente durante o embarque, a viagem ou a chegada aos portos de destino, conforme as exigências administrativas de cada época. Dependendo do documento e do período, podem conter o nome do passageiro, a idade, a nacionalidade, a profissão, o estado civil, a última residência, o destino declarado e informações sobre familiares que viajavam juntos. Algumas listas identificam grupos familiares, enquanto outras registram apenas dados individuais. Encontrar o nome de um antepassado em uma dessas relações é um passo significativo. A informação pode confirmar uma hipótese sobre o período da imigração, revelar o nome do navio e indicar o porto pelo qual o viajante chegou ao país de destino. Entretanto, é necessário compreender que nem todas as listas apresentam os mesmos dados. Um registro pode informar a idade e a nacionalidade, mas omitir a cidade de origem. Outro pode identificar o chefe da família sem discriminar adequadamente todos os acompanhantes. Há ainda documentos incompletos, danificados ou difíceis de ler. A ausência de um nome em determinada lista, portanto, não significa necessariamente que a pessoa não tenha realizado a viagem. O documento pode não ter sido preservado, o registro pode estar indexado incorretamente ou o passageiro pode ter sido registrado em uma relação diferente daquela consultada. Também é importante não confundir uma lista de passageiros com uma relação de imigrantes subsidiados, um registro de hospedaria ou um cadastro de colonos. Esses documentos podem se complementar, mas foram produzidos para finalidades diferentes e nem sempre registram as mesmas pessoas.

Os portos de entrada e as rotas da imigração

Conhecer o porto de chegada é uma das maneiras mais eficientes de orientar a pesquisa documental. No Brasil, o Porto de Santos e o Porto do Rio de Janeiro tiveram grande importância na entrada de imigrantes, embora outros portos também tenham recebido viajantes estrangeiros. Para os italianos que se estabeleceram no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná ou em outras regiões, a trajetória nem sempre terminou no primeiro porto brasileiro. Muitos passageiros precisaram seguir por cabotagem, trem, embarcações menores ou caminhos terrestres até alcançar o destino final. Um imigrante que desembarcou no Rio de Janeiro, por exemplo, poderia ter seguido posteriormente para o Sul do Brasil. Outro que chegou a Santos poderia ter sido encaminhado a uma hospedaria de imigrantes antes de viajar para uma fazenda de café ou para uma colônia agrícola. Essa distinção é essencial para a genealogia: o porto de entrada não é necessariamente o lugar onde o imigrante se estabeleceu. A reconstrução da rota exige observar a sequência dos acontecimentos. O nome do navio pode conduzir à lista de passageiros; a lista pode indicar a data da chegada; o registro de entrada pode apontar uma hospedaria; e um documento posterior pode revelar a colônia ou o município em que a família passou a viver. Cada informação funciona como uma peça de um conjunto documental maior.

Onde procurar os registros de imigração

A pesquisa pode começar em acervos públicos, arquivos históricos, bancos de dados genealógicos e instituições que preservam a documentação da imigração. Alguns recursos são particularmente úteis para quem investiga a chegada de italianos ao Brasil.

The National Archives of Brazil

Arquivo Nacional do Brasil

Preserva conjuntos documentais relacionados à entrada de estrangeiros, à administração migratória e a diferentes aspectos da história da imigração. A pesquisa deve considerar o período, o porto e a espécie documental procurada.

Site oficial: Arquivo Nacional

File:Hospedaria dos Imigrantes - São Paulo - 20240601122015.jpg - Wikimedia Commons

Museu da Imigração do Estado de São Paulo

Seu acervo e suas ferramentas de pesquisa são especialmente relevantes para quem procura imigrantes que passaram pela antiga Hospedaria de Imigrantes de São Paulo. É possível pesquisar registros digitalizados e informações sobre a chegada de famílias.

Pesquisa: Museu da Imigração

Ukrainian Church Records and Metrical Books: A Guide

FamilySearch

A plataforma oferece registros históricos, catálogos e coleções genealógicas de diferentes países. A disponibilidade de listas de passageiros e registros brasileiros varia conforme a coleção e o período. Alguns documentos exigem pesquisa por localidade ou consulta às imagens originais.

Acesso: FamilySearch

APESP

Portais e arquivos históricos italianos

Os arquivos italianos podem ajudar a confirmar a identidade do passageiro por meio de registros de nascimento, casamento, residência e outros documentos locais. O Portal Antenati reúne reproduções digitalizadas de registros do estado civil conservados em diversos arquivos italianos.

Acesso: Portale Antenati

Além dessas instituições, vale consultar arquivos estaduais, arquivos municipais, centros de história da imigração, arquivos das antigas colônias e acervos religiosos. Em determinados casos, os livros de entrada de hospedarias e os registros de distribuição de imigrantes podem oferecer informações que não aparecem nas listas de navios. É recomendável verificar a descrição de cada coleção antes de iniciar uma busca extensa. Um catálogo pode reunir documentos de um porto específico, enquanto outro pode abranger apenas determinada faixa de anos ou uma categoria particular de passageiros.

Como pesquisar quando o nome não aparece

Uma das dificuldades mais frequentes da genealogia da imigração é a ausência do nome esperado. O pesquisador procura por Giuseppe Bortolotto, por exemplo, mas não encontra nenhum resultado. Isso não encerra a investigação. O primeiro recurso consiste em experimentar grafias alternativas. Sobrenomes italianos podem ter sido transcritos de maneira diferente, principalmente quando foram registrados por funcionários que não conheciam o idioma ou os dialetos regionais. Também é importante procurar pelo prenome sem o sobrenome, quando o sistema permitir, ou pesquisar outros membros da família. A esposa, um irmão ou um filho podem aparecer em uma lista na qual o nome do antepassado foi registrado incorretamente. A idade merece atenção especial. Um imigrante declarado como tendo 28 anos em um registro pode aparecer com 30 ou 31 anos em outro, seja por aproximação, seja por erro de informação. Pequenas diferenças não devem ser ignoradas, mas também não bastam para confirmar uma identidade. Quando o sistema de pesquisa permite, vale ampliar o intervalo de datas, investigar diferentes portos e consultar os documentos originais. Um resultado de busca digital é apenas uma indicação: a imagem do documento pode revelar informações que não foram incluídas na indexação.Outro caminho consiste em pesquisar o grupo familiar. Se um casal viajou com filhos pequenos, a identificação de um ou mais filhos pode ajudar a localizar o registro dos pais. O mesmo vale para irmãos que emigraram juntos ou em viagens próximas.

O que fazer depois de encontrar o passageiro

Encontrar um nome em uma lista de passageiros é uma descoberta importante, mas o trabalho genealógico não termina aí. É necessário avaliar se o documento realmente corresponde à pessoa procurada e investigar o que aconteceu antes e depois da viagem. O procedimento mais seguro consiste em confrontar o registro de imigração com outras fontes independentes. Certidões brasileiras de casamento e óbito, registros de nascimento dos filhos, livros de batismo, documentos de naturalização e registros de terras podem ajudar a estabelecer a identidade do imigrante. Se o documento de chegada informa a idade e a nacionalidade, essas informações devem ser comparadas com os dados conhecidos da família. Se aparecem nomes de parentes ou uma profissão, é preciso verificar se são compatíveis com os documentos posteriores. A partir da localidade de origem, quando identificada, torna-se possível avançar para a pesquisa na Itália. Os registros civis, paroquiais e municipais podem revelar a data de nascimento, os nomes dos pais, os irmãos e até gerações anteriores. É nesse momento que a pesquisa ganha profundidade. Uma lista de passageiros pode indicar que o antepassado chegou ao Brasil em determinado ano, mas o registro de casamento pode informar o nome exato de sua localidade natal. A certidão de nascimento de um filho pode revelar a idade dos pais, enquanto um registro religioso pode esclarecer uma grafia duvidosa. A força da conclusão depende da convergência dessas evidências, e não apenas de um único documento.

Um exemplo de investigação genealógica

Imagine uma família brasileira que conhece seu antepassado apenas como Antonio Rossi, imigrante italiano que teria chegado ao Brasil no final do século XIX. A família acredita que ele era originário do Vêneto, mas não sabe o município de nascimento. O pesquisador começa localizando a certidão de casamento de Antonio no Brasil. O documento informa sua idade aproximada, o nome de sua esposa e, eventualmente, o nome de seus pais. Em seguida, procura registros de nascimento dos filhos, que podem indicar a localidade em que o casal vivia. Com essas informações, passa a pesquisar listas de passageiros em um intervalo de anos compatível com a idade e a história familiar. Encontra um Antonio Rossi acompanhado de uma mulher e de um filho. A idade é semelhante à do antepassado, mas o sobrenome é relativamente comum. Nesse ponto, seria precipitado afirmar que a pessoa encontrada é a mesma. O pesquisador verifica o nome da esposa, a composição familiar, a data da chegada e os registros brasileiros posteriores. Se os dados forem coerentes, a hipótese ganha força. Caso o registro de passageiros também informe a procedência, essa pista poderá orientar a busca nos arquivos italianos. Se não informar, ainda será possível investigar os documentos brasileiros para descobrir a cidade ou o município de origem. O exemplo demonstra um princípio fundamental: um nome semelhante abre uma possibilidade de pesquisa; a combinação de documentos é que permite sustentar uma identificação genealógica.

Os documentos também revelam histórias coletivas

As listas de passageiros não são úteis apenas para descobrir a trajetória de uma pessoa. Quando examinadas em conjunto, permitem compreender os movimentos de famílias, grupos de conterrâneos e comunidades inteiras. Em determinadas viagens, passageiros provenientes da mesma região italiana aparecem juntos ou em grupos próximos. Essa informação pode sugerir relações de vizinhança, parentesco ou migração em cadeia, na qual pessoas já estabelecidas no Brasil ajudavam a trazer outros familiares e conhecidos. Entretanto, a proximidade de nomes em uma lista não comprova, por si só, que os passageiros eram parentes. Essa possibilidade precisa ser verificada em documentos familiares, registros de origem e outras fontes. A pesquisa pode revelar, ainda, que irmãos emigraram em anos diferentes, que uma família se reuniu depois de uma primeira viagem ou que o antepassado passou por mais de um país antes de chegar ao destino definitivo. Para os descendentes de italianos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná e de São Paulo, essas descobertas ajudam a compreender não apenas a chegada ao Brasil, mas também a formação das comunidades em que seus antepassados reconstruíram a vida. Cada nome recuperado devolve uma parte da história à família e contribui para a compreensão de um movimento migratório que transformou profundamente a sociedade brasileira.

Cuidados importantes para uma pesquisa confiável

Ao trabalhar com listas de passageiros e registros de imigração, convém observar alguns princípios:

  • Não confiar apenas na semelhança do nome. Prenomes e sobrenomes comuns podem pertencer a pessoas diferentes.

  • Considerar as variações de grafia. A forma registrada no Brasil pode divergir daquela encontrada nos documentos italianos.

  • Distinguir o local de nascimento do último local de residência. Nem sempre essas informações correspondem à mesma cidade.

  • Verificar as datas e as idades. Pequenas divergências são possíveis, mas devem ser avaliadas no contexto dos demais documentos.

  • Consultar a imagem original sempre que possível. Transcrições e índices digitais podem conter erros.

  • Registrar as fontes utilizadas. Anotar o nome do acervo, a coleção, a data, a página ou folha e o endereço eletrônico permite que outros pesquisadores revisem o caminho percorrido.

  • Separar fatos de hipóteses. Uma informação documentada deve ser distinguida de uma possibilidade ainda não confirmada. Esses cuidados evitam conclusões precipitadas e tornam a pesquisa mais consistente, especialmente quando se pretende compartilhar os resultados com outros membros da família.

A viagem que os documentos ajudam a reconstruir

A lista de passageiros é muito mais do que uma relação de nomes impressos ou escritos à mão. É um vestígio de uma viagem que separou o imigrante de sua terra natal e o conduziu a uma realidade inteiramente nova. Por trás de cada registro havia uma pessoa com uma história própria. Havia pais que deixavam filhos, casais que atravessavam o oceano com crianças pequenas, jovens que partiam sozinhos e famílias que depositavam no desconhecido a esperança de uma vida melhor. Os documentos não contam tudo. Raramente revelam o medo da travessia, a saudade dos parentes ou os pensamentos de quem observava a costa italiana desaparecer no horizonte. Mas podem fornecer os nomes, as datas, as rotas e os lugares que permitem começar a reconstituir essa experiência. Para quem pesquisa suas raízes italianas, localizar o registro de chegada pode representar o primeiro elo entre a história familiar transmitida oralmente e a documentação preservada pelos arquivos. A partir dele, novas pistas conduzem a certidões, livros paroquiais, registros de hospedarias e documentos da comunidade em que o imigrante viveu. É assim que a genealogia avança: uma descoberta conduz à seguinte, uma informação esclarece outra e, aos poucos, a história antes fragmentada ganha forma. Talvez o nome que você procura esteja em uma lista ainda não consultada. Talvez esteja escrito de maneira diferente, escondido em um registro de difícil leitura ou associado a um familiar cujo nome você conhece melhor. A busca pode exigir paciência, comparação e revisão de hipóteses, mas cada documento corretamente identificado aproxima a família de seu passado.Encontrar o nome de um antepassado na lista de um navio é recuperar o registro de uma chegada. Descobrir de onde ele partiu, quem o acompanhou e onde construiu sua nova vida é começar a recuperar a história de toda uma família.

👉 Para maiores informações sugiro visitar também os seguinte links do Portal emigrazioneveneta.blogspot.com 

  1. Listas de passageiros do navio Porteña, 1876 https://emigrazioneveneta.blogspot.com/2026/10/list-italian-passengers-steamhip-portena-marseille-1876.html
  2. Quando o Sobrenome Italiano Mudou no Brasil Como Encontrar a Origem da Família https://emigrazioneveneta.blogspot.com/2026/10/quando-sobrenome-italiano-mudou-brasil.html
  3. A Colônia Wirmond e as Raízes Italianas da Lapa, Paraná https://emigrazioneveneta.blogspot.com/2026/09/colonia-wirmond-raizes-italianas-lapa-parana.html

Nota do Autor

Ao longo de muitos anos de contato com famílias descendentes de imigrantes italianos, aprendi que uma pesquisa genealógica raramente começa com todas as respostas. Às vezes, começa com um sobrenome escrito em um papel antigo; outras vezes, com uma fotografia, uma certidão ou a lembrança de um avô que mencionava vagamente o nome de uma cidade italiana.

É justamente por isso que considero tão importantes as listas de passageiros e os registros de imigração. Eles nos ajudam a transformar uma lembrança em uma investigação, a formular perguntas mais precisas e a encontrar caminhos que antes pareciam fechados. Nem sempre o primeiro documento aparece facilmente, e nem toda descoberta confirma aquilo que imaginávamos. A pesquisa exige paciência e honestidade para reconhecer tanto o que conseguimos comprovar quanto aquilo que ainda precisamos esclarecer.

Se você está procurando um antepassado italiano, não desanime diante de uma busca sem resultados imediatos. Experimente outras grafias, investigue os familiares que viajaram com ele e procure relacionar os registros de chegada aos documentos produzidos no Brasil e na Itália. Muitas vezes, a pista decisiva surge justamente de um detalhe que parecia insignificante.

No trabalho de recuperar nossas origens, cada documento tem valor porque nos aproxima de pessoas reais, com nomes, famílias, dificuldades e esperanças. E quando conseguimos reconstituir o caminho percorrido por um desses antepassados, não estamos apenas recuperando uma informação: estamos devolvendo à memória familiar uma parte de sua própria história.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Autor e pesquisador da Imigração Italiana e histórias familiares



quinta-feira, 9 de julho de 2026

Relação dos Imigrantes Italianos que Partiram de Gênova para Santa Catarina em 12 de Fevereiro de 1878


 

Vapor Colombo

Relação dos Imigrantes Italianos que Partiram de Gênova para Santa Catarina

 em 12 de Fevereiro de 1878


NOME
IDADE
LOCAL DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
DERETTI Luigi
DERETTI Giovanni
DERETTI Rosa
44
13
9 
BERGAMO
"
"
Itália
"
"
Agricultor
"
"
Catolico
"
"
LAZZARI Giovanni
LAZZARI Lucia
LAZZARI Pierine
LAZZARI Paolo
LAZZARI Giocondo
39
34
8
5
3
"
"
"
"
"
"
"
"
DERETTI Angelo
DERETTI Pierina
DERETTI Rosa
DERETTI Francesco
DERETTI Luigia
DERETTI Giocondo
DERETTI Maria
35
32
9
6
3
2
0,2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
DERETTI  Andrea
DERETTI Lucia
DERETTI Mattia
DERETTI Teresa
69
66
24
19
"
"
"
"
"
"
"
DERETTI Santo
DERETTI Angela
DERETTI Anna
DERETTI Luigia
DERETTI Angelo
35
30
7
4
2
"
"
"
"
"
"
"
"
MORBIS Giovanni
MORBIS Serafina
MORBIS Luigia
MORBIS Rosa
MORBIS Giuseppe
35
33
7
5
3
"
"
"
"
"
"
"
"
PEZZONI Giuseppe
PEZZONI Maria 
PEZZONI Enrico
43
40
7
"
"
"
"
"
"
DERETTI Battista
DERETTI Elisabetta
DERETTI Angela 
DERETTI Antonia
32
30
4
2
"
"
"
"
"
"
"
DERETTI Giovanni
DERETTI Antonia
DERETTI Maria
DERETTI Anna
33
30
7
3
"
"
"
"
"
"
"
ROBERTI Pietro
ROBERTI Teresa
ROBERTI Giacomo
ROBERTI Giulia
47
42
11 (?)
7
MANTOVA
"
"
"
"
"
"
SACCANI Secondo
SACCANI Caterina
SACCANI Rosa
SACCANI Angela
SACCANI Antonio
SACCANI Luigia
45
38
17
14
9
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
MAFFEZZOLI Lodovico
MAFFEZZOLI Serafina
MAFFEZZOLI Calisto
MAFFEZZOLI Teresa
MAFFEZZOLI Giovanni
MAFFEZZOLI Rosa
MAFFEZZOLI Santa
MAFFEZZOLI Angelo
44
43
34
33
9
6
4
1
MANTOVA
"
"
"
"
"
"
"
Italia"
"
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
"
"
CERATI Giulio
CERATI Elisabetta
CERATI Antonio
CERATI Angelo
CERATI Pietro
39
48
36
11
10
"
"
"
"
"
"
"
"
SABADINI Giulio
SABADINI Luigia
SABADINI Luigi
43
49
13
"
"
"
"
"
"
ROSSI Rosa
ROSSI Giuseppe
ROSSI Maria
ROSSI Emilia
ROSSI Pietro
58
29
29
18
15
"
"
"
"
"
"
"
"
BERTELLI Felice
BERTELLI Orsola
BERTELLI Elvira
BERTELLI Primitiva
BERTELLI Leonida
BERTELLIAntonio
BERTELLI Ermogine
41
45
11
9
7
3
0,7
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
RASORI Orsola
RASORI Benvenuto
58
26
"
"
"
"
"
CAVALLI Antonio
CAVALLI Carolina
32
29
"
"
"
"
"
BOZZEDA Antonio
BOZZEDA Maria
BOZZEDA Marco
52
47
4
"
"
"
"
"
"
PANINI Clemente
PANINI Onofria
33(?)
20
"
"
"
"
"
ARALDI Giovanni
ARALDI Margherita
ARALDI Giseppe
ARALDI Maria
ARALDI Maria
ARALDI Pietro

45
44
18
13
9
6
"
"
"
"
"
"
"
"
"
GUAITOLINI Santo
GUAITOLINI Luigi
GUAITOLINI Ersilio
46
12
11
"
"
"
"
"
"
BIZZARI Ermenegildo
BIZZARI Margherita
BIZZARI Rosa
BIZZARI Giovanni
41
35
9
5
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
CONTESINI Giuseppe
CONTESINI Toscana
CONTESINI Colomba
CONTESINI Federico
CONTESINI Carolina
32
32
8
5
1.3
MANTOVA
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
BORINI Giacomo
BORINI Santa
BORINI Grazia
BORINI Maria
BORINI Alessandra
BORINI Alessandro
39
31
11
9
8
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
SANTINELLI Luigi
SANTINELLI Giovanna
SANTINELLI Catterina
SANTINELLI Angelo
SANTINELLI Francesco
SANTINELLI Agostino
41
40
11
9
5
3
BERGAMO
"
"
"
"
"
"
"
"
FINAZZI Giuseppe
FINAZZI Luigi
FINAZZI Giuseppe
48
12 (?)
8
"
"
"
"
"
"
FINAZZI Andrea
FINAZZI Angela
FINAZZI Angelo
36
34
1.4
"
"
"
"
"
"
BETTONI Angelo
BETTONI Francesca
BETTONI Giacomo
BETTONI Giovanni
55
50
24
21
"
"
"
"
"
"
"
VEGINI Antonio
VEGINI Antonia
VEGINI Luigi
VEGINI Davide
VEGINI Maria
41
40
21
3
0.5
"
"
"
"
"
"
"
"
VOLPI Giovanni
VOLPI Teresa
VOLPI Valentino
VOLPI Angelo
VOLPI Marietta
VOLPI Maria
30
28
27
22
2
0.2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
BERZI Giacomo
BERZI Catterina
43
40
"
"
"
"
"
TIRONI Anna
TIRONI Abramo
TIRONO Barbara
66
24
22
"
"
"
"
"
"
TIRONI Angelo
TIRONI Teresa
30
24
"
"
"
"
"
RIVELLINI Maria
RIVELLINI Catterina
RIVELLINI Colomba
RIVELLINI Augusta
RIVELLINI Beatrice
57
24
19
17
14
"
"
 "
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
TIRONI Luigi
TIRONI Caterina
TIRONI Maria
TIRONI Francesco
TIRONI Pasquale
TIRONI Giovanni
33
30
13
8
6
0.2
BERGAMO
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
RANGHETTI Carlo
RANGHETTI Angela
RANGHETTI Giuseppe
RANGHETTI Francesco
RANGHETTI Gio Batta
RANGHETTI Giuseppe
49
44
14
13
11
10
"
"
"
"
"
"
"
"
"
BRUGNOLI Pietro
BRUGNOLI tERESA
BRUGNOLI Angelo
BRUGNOLI Luigi
BRUGNOLI Luigi
47
38
9
5
1
CREMONA
"
"
"
"
"
"
"
POLLINI Pietro
POLLINI Domenica
33
28
"
"
"
"
"
MARCHI Luigi
MARCHI Maria
MARCHI Francesco
MARCHI Aristide
MARCHI Giuseppe
38
35
13
10
1
"
"
"
"
"
"
"
"
TIUTI Francesco
TIUTI Maria
TIUTI Angelo
TIUTI Colomba
47
42
16
14
"
"
"
"
"
"
"
TAMBONI Maria
TAMBONI Francesco
TAMBONI Maria
TAMBONI Amilcare
TAMBONI Eurosia
TAMBONI Alessandro
TAMBONI Maria
44
35
35
8
7
5
2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
VITTI Luigi
VITTI Carlo
VITTI Rosa
VITTI Andrea
VITTI Luigi
VITTI Maria
VITTI Maria
VITTI Teresa
VITTI Giovanni
38 (?)
43
35
30
13
11
6
3
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
VIGNOLO Natale
VIGNOLO Rosa
VIGNOLO Maria
40
35
6
"
"
"
"
"
"
MORO Natale
MORO Orsola
MORO Teresa
33
31
2
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
FOSSA Carlo
FOSSA Rosa
FOSSA Angelo
FOSSA Aristide
FOSSA Clementina
46
44
35
21
17
CREMONA
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
FANTONI Daniele
FANTONI Barbara
FANTONI Pietro
FANTONI Carlotta
FANTONI Maria
FANTONI Regina
FANTONI Giuseppe
56
50
24
18
15
10
5
VERONA
"
"
"
"
"
"
"
"
"
ROMAGNANI Angelo
ROMAGNANI Angela
ROMAGNANI Guerino
ROMAGNANI Lucia
ROMAGNANI Maria
40
40
13
11
7
"
"
"
"
"
"
"
"
CAVEDINI 
CAVEDINI
CAVEDINI
CAVEDINI
CAVEDINI
CAVEDINI
CAVEDINI
61
33
32
29
7
5
2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
ERBANO Giulio
ERBANO Francesco
ERBANO Elias
ERBANO Maria
ERBANO Gioachino
ERBANO Luigi
31
42
26
4
2
0.2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
MARCONCINI Antonio
MARCONCINI Maria
MARCONCINI Anna
MARCONCINI Riccardo
MARCONCINI Pasqua
MARCONCINI Luigi
45
38
16
14
12
5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
DALCERÈ Bernardo
DALCERÈ Caterina
DALCERÈ Angela
32
37
4
"
"
"
"
"
"
PISA Antonio
PISA Domenica
PISA Giosafat
PISA Elisabetta
PISA Domenico
PISA Luciano
PISA Teresa
52
44
20
15
12
8
5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
GARDINI Giovito
GARDINI Regina
GARDINI Angelo
GARDINI Annunciato
32
26
2
1
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE 
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
MARCON Gio Batta
MARCON Caterina
MARCON Maria
MARCON Rosa
MARCON Angela
56
55
22
18
15
VICENZA
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
MIRINI Giuseppe
MIRINI Stella
MIRINI Andrenna
MIRINI Antonio
MIRINI Ernesta
MIRINI Rosa
43
45
16
14
8
6
MANTOVA
"
"
"
"
"
"
"
"
AZZI Pietro
AZZI Teresa
AZZI Francesco
AZZI Roberto
AZZI Luigi
40
30
8
4
2
"
"
"
"
"
"
"
"
FORMICI Ernesto
FORMICI Carolina
FORMICI Demetrio
FORMICIAdalgisa
FORMICI Maria
FORMICI Dierce
30
27
5
4
2
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
AVOZANI Carlo
AVOZANI Candida
AVOZANI Onorata
AVOZANI Teresa
31
25
3
0.5
"
"
"
"
"
"
"
VECCHI Carlo
VECCHI Rosa
VECCHI Mansueto
VECCHI Felice
39
36
11
2
"
"
"
"
"
"
"
ARFINI Paolo
ARFINI Costantina
ARFINI Pietro
ARFINI Antonio
42
36
13
1
"
"
"
"
"
"
"
COPPI Pompeo
COPPI Carolina
COPPI Lorenzo
COPPI Maria
40
37 (?)
7
5
"
"
"
"
"
"
"
BELLINI Angelo
BELLINI Carolina
BELLINI Santo
27
26
3
"
"
"
"
"
"
VIGNOLI Carlo
VIGNOLI Angela
VIGNOLI Filomena
VIGNOLI Adolfo
27
26
2
0.4
"
"
"
"
"
"
"
ROSSINI Angela
ROSSINI Angelo
ROSSINI Maria
ROSSINI Antonio
ROSSINI Carolina
39
16
14
10
9
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
NOLLI Sante
NOLLI Rosa
NOLLI Cesare
NOLLI Leonardo
NOLLI Celso
NOLLI Giovanni
NOLLI Nicolo (?)
38
47
13
10
8
5
2
MANTOVA
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
BIANCHI Antonio
BIANCHI Luigia
BIANCHI Luigi
BIANCHI Giuseppe
28
2(?)
3
1
"
"
"
"
"
"
"
GUALTIERI Giovanni
GUALTIERI Regina
26
28
"
"
"
"
"
VISENTIN Pietro
VISENTIN Giuseppe
VISENTIN Maria
VISENTIN Angelo
58
30
22
1
VICENZA
"
"
"
"
"
"
"
VALLE Florindo
VALLE Giuseppe
35
9
"
"
"
"
"
RIGO Marco
RIGO Oliva
RIGO Giovanni
34
36
5
"
"
"
"
"
"
NOVELETTO Maria
NOVELETTO Stanislao
NOVELETTO Dionisia
45
17
14
"
"
"
"
"
"
ZONTA Andrea
ZONTA Lucia
ZONTA Prosdocimo
ZONTA Luigi
ZONTA Remigio
ZONTA Maria
ZONTA Regina
43
37
15
12
8
3
0.9
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
FACCO Francesco
FACCO Maria
FACCO Luigi
FACCO Giovanni
FACCO Maria
FACCO Giuseppe
52
46
10
8
4
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
MACCAN Giuseppe
MACCAN Giovanna
52
30
"
"
"
"
"
CIPRIAN Fortunato
CIPRIAN Elisabetta
CIPRIAN Giacomo
CIPRIAN Maria
CIPRIAN Francesco
CIPRIAN Girolamo
CIPRIAN Daniele
CIPRIAN Maria
CIPRIAN Teresa
CIPRIAN Giovanni
51
47
29
31
26
21
13
10
6
3
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
 "
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
VALLE Pietro
VALLE Maria
VALLE Angelo
VALLE Pietro
VALLE Luigia
VALLE Marta
VALLE Luigi
VALLE Maria
VALLE Regina
VALLE Giovanni
VALLE Pia
50
42
48
26
25
17
15
12
10
5
0.10
VICENZA
"
"
"
"
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
"
"
'
TESSAROLO Paolo
TESSAROLO Chiara
TESSAROLO Giovanni
TESSAROLO Elisabetta
TESSAROLO Angelo
TESSAROLO Chiara
TESSAROLO Teresa
TESSAROLO Marietta
TESSAROLO Paola
TESSAROLO Raimondo
61
58
32
28
10
8
4
4
2
0.3
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
MENEGHETTI Innocente
MENEGHETTI Luigia
MENEGHETTI Giuseppe
30
29
1
"
"
"
"
"
"
PAVANELLO Andrea
PAVANELLO Angela
PAVANELLO Euresia
PAVANELLO Luigi
PAVANELLO Domenica
39
41
17
7
5
"
"
"
"
"
"
"
"
BAGGIO Domenica
BAGGIO Antonio
BAGGIO Giovanna
BAGGIO Giacomo
44
14
11
7
"
"
"
"
"
"
"
CHIMINELLO Antonio 
CHIMINELLO Maddalena
CHIMINELLE Filippo
CHIMINELLE Olivio
37
30
2
0.5
"
 "

"
"
"
"
"
ZAGO Silvestro
ZAGO Benedetta
ZAGO Gio Batta
ZAGO Regina
ZAGO Emilia
ZAGO Angelo
ZAGO Modesta
ZAGO Aurelia
ZAGO Veneranda
ZAGO Verginia
55
53
24
24
22
16
13
11
9
5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
NICOLI Giovanni
NICOLI Lucia
NICOLI Maria
37
32
30
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
COLVERO Antonio
COLVERO Domenica
COLVERO Teresa
COLVERO Giovanni
COLVERO Maria
COLVERO Francesco
39
37
12
10
4
1
TREVISO
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
BORTOLOTTO Francesco
BORTOLOTTO Filomena
BORTOLOTTO Giovanni
BORTOLOTTO Olivia
BORTOLOTTO Maria
BORTOLOTTO Antonio
BORTOLOTTO Petrolina
BORTOLOTTO Luigi
44
38
16
9
8
6
4
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
DALMAS Sebastiano
DALMAS Maria
DALMAS Elisabetta
DALMAS Angelo
DALMAS Vittorio
53
48
20
14
10
"
"
"
"
"
"
"
"
CODEN Paolo
CODEN Angelo
CODEN Maria
CODEN Maria
58
30
24
2
"
"
"
"
"
"
"
TRONCO Angelo
TRONCO Teresa
TRONCO Rosa
TRONCO Cristina
TRONCO Giuseppe
46
47
18
14
6
"
"
"
"
"
"
"
"
ROSSO Luigi
ROSSO Caterina
ROSSO Giovanni
ROSSO Giuditta
ROSSO Giuliana
ROSSO Giuseppe
ROSSO Bonaventura
ROSSO Paolo
44
38
11
10
7
5
3
0.2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
CELEPRIN Pietro
CELEPRIN Teresa
CELEPRIN Giovanni
CELEPRIN Lucia
CELEPRIN Giacomo
CELEPRIN Lucia
35
31
8
5
3
0.5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
DALCOL Antonio
DALCOL Maria
DALCOL Celeste
DALCOL Angelo
DALCOL Giovanni
DALCOL Zaccaria
DALCOL Luigia
DALCOL Luigi
45
40
19
11
10
8
6
2
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
RUI Giovanni
RUI Pasqua
RUI Teresa
RUI Maria
RUI Francesco
RUI Giovanni
RUI Augusta
29
26
3
2
0.1
46
31
TREVISO
"
"
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
"
"
VILLANOVA Angelo
VILLANOVA Austacchio
VILLANOVA Celestina
VILLANOVA Antonio
VILLANOVA Giovanni
VILLANOVA Mario
VILLANOVA Maria
VILLANOVA Giuseppe
VILLANOVA Rosa
71
46
18
14
11
10
7
5
3
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
SANDRE Anna
SANDRE Gio.Batta
SANDRE Giacomo
SANDRE Teodolinda
61
38
30
7
"
"
"
"
"
"
"
BOTTEGA Francesco
BOTTEGA Maria
BOTTEGA Gio.Batta
BOTTEGA Lorenzo
BOTTEGA Angelo
BOTTEGA Giovanna
51
35
12
8
6
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
BOTTEGA Giovanni
BOTTEGA Maria
BOTTEGA Antonio
BOTTEGA Augusta
BOTTEGA Maria
BOTTEGA Giacinto
BOTTEGA Albina
38
36
14
11
7
4
1
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
CATTELLAN Michele
CATTELLAN Antonia
CATTELLAN Maria
CATTELLAN Luigi
CETTELLAN Augusta
CATTELLAN Giacomo
43
36
14
12
7
5
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
BOS Giuseppe
BOS Anna
BOS Giovanni
BOS Francesco
BOS Luigi
50
54
24
16
13
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
BASSO Giovanni
BASSO Maria
BASSO Agostino
BASSO Americo
43
40
13
11
TREVISO
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
BASSO Luigi
BASSO Maria
BASSO Antonio
BASSO Fausto
BASSO Eugenio
30
30
6
4
1
"
"
"
"
"
"
"
"
VIERA Marco
VIERA Maria
VIERA Antonio
VIERA Giuditta
VIERA Maddalena
VIERA More (?)
48
40
13
11
8
6
"
"
"
"
"
"
"
"
"
VIERA Giulio
VIERA Marina
VIERA Giuseppe
VIERA Santa
VIERA Giovanni
VIERA Giuseppina
VIERA Adamo
VIERA Eva
43
31
10
9
8
6
5
3
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
PADOIN Giacomo
PADOIN Maddalena
PADOIN Giosuè
PADOIN Giovanna
PADOIN Stanislao
PADOIN Giuditta
PADOIN Giustina
54
61
26
22
16
8
8
"
"
"
"
"
"
"
"
"
"
AVANZINI Giuseppe
AVANZINI Carolina
AVANZINI Giuseppe
AVANZINI Carlo
AVANZINI Emilia
AVANZINI Santa
AVANZINI Gio.Batta
AVANZINI Alessandro
AVANZINI Maria
AVANZINI Carlo
47
42
45
43
20
15
10
8
4
2
MANTOVA
"
"
"
"
"
"
"

"
"
"
"
"
CIMARDI Giuseppe
CIMARDI Maria
CIMARDI Pietro
CIMARDI Caterina
CIMARDI Roma
35
30
10
4
2
"
"
"
"
"
"
"
"
NOME
IDADE
LOCAL DE
NASCIMENTO
NAÇÃO
PROFISSÃO
RELIGIÃO
CAMPAGNOLO Antonio
CAMPAGNOLO Maria
CAMPAGNOLO Carolina
CAMPAGNOLO Verginio
CAMPAGNOLO Pino
30
32
7
5
3
MATOVA
"
"
"
"
Italia
"
"
"
"
Agricultor
"
"
"
"
"
Catolico
"
"
"
"
"
CERATI Antonio
CERATI Teresa
CERATI Francesco
CERATI Rosa
36
9
7
0.4
"
"
"
"
"
"
"
GIUNGO Eugenio
GIUNGO Arcangelo
GIUNGO Elvira
GIUNGO Attilio
39
38
27
8
TRENTO
"
"
"
Austria
"
"
"
"
"
DALPAS Michele
DALPAS Maddalena
DALPAS Amalia
DALPAS Emmanuele
DALPAS Teresa
DALPAS Adele
50
43
21
19
17
10
"
"
"
"
"
"
"
"
"
WEBBER Giovanni
WEBBER Elisabetta
WEBBER Addolorata
WEBBER Fiorina
WEBBER Luigi
WEBBER Antonio
54
38
15
12
10
7
"
"
"
"
"
"
"
"
"
CASTELLANI Giuseppe
CASTELLANI Giuliano
CASTELLANI Caterina
CASTELLANI Pietro
61
46
36
26
MANTOVA
"
"
"
Italia
"
"
"
"
"

Nota do Autor

Cada nome inscrito nesta relação é mais do que um vestígio de papel amarelado pelo tempo. É um pulsar de vida que se acelerou ao ver, pela última vez, o contorno da costa de Gênova. É uma bagagem modesta, carregada não de objetos, mas de silêncios, despedidas e promessas. Ao reunir e divulgar a lista dos imigrantes italianos que zarparam rumo a Santa Catarina em fevereiro de 1878, sinto que não organizo dados — acompanho existências suspensas entre o que foi e o que ainda não era.

Eram homens e mulheres que deixaram para trás vilas de pedra, parreirais, montanhas e túmulos de antepassados para enfrentar o abismo do desconhecido. Do outro lado do oceano não havia certezas. Havia apenas a urgência. A fome, a pobreza e a ausência de horizonte já não permitiam ficar. O Brasil não era apenas um lugar no mapa: era uma chance de recomeço.

Escrever sobre eles é, para mim, um gesto de reverência. É devolver humanidade a quem a história, tantas vezes, reduziu a estatísticas. É recordar que o Brasil — e especialmente Santa Catarina — foi moldado por mãos calejadas, por vozes marcadas por sotaques, por corações que aprenderam a amar uma terra estranha até que ela se tornasse lar.

Se estas linhas alcançarem alguém que reconheça um sobrenome, uma origem, uma memória de família, então este trabalho cumpriu seu sentido. Porque a memória não é passado inerte. É raiz viva. E nenhuma árvore permanece de pé sem suas raízes.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta