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terça-feira, 31 de março de 2026

Um Adeus ao Vêneto, Um Sonho no Brasil — A Comovente História da Família Piazzetta


A Saga Real de uma Família Italiana do Vêneto que Emigrou para o Brasil


1. As Raízes no Vêneto: Terra, Trabalho e Tradição Italiana

A história real da família Piazzetta, originária de Pederobba, na província de Treviso, é um dos muitos capítulos que revelam a força da imigração italiana no Brasil no final do século XIX. Entre as colinas férteis do Vêneto, aos pés dos Pré-Alpes, essa família viveu séculos marcados por trabalho artesanal, fé católica e amor à terra — valores que cruzariam o oceano junto com eles.

Pederobba, pequeno município vêneto banhado pelo rio Piave, conserva até hoje o encanto das aldeias antigas: ruas estreitas, casas de pedra com telhados de terracota e a torre da igreja que domina o horizonte. Ali, entre vinhedos de Raboso del Piave e Glera — uvas que dariam origem ao famoso Prosecco —, nasceu a trajetória de uma família cuja herança marceneira e coragem se tornariam símbolo do espírito dos emigrantes italianos. As suas ruas estreitas e tortuosas são testemunhas vivas de séculos: vilas e casas de pedra com telhados de terracota, muros que guardam histórias, e a antiga igreja matriz, cuja torre sineira recorta o horizonte e dita o compasso dos dias. 

2. O Ofício Herdado: Tradição da Marcenaria Vêneta e a Família Piazzetta

É nesse mundo costurado por terra, trabalho e fé que conhecemos Giuseppe Piazzetta, filho de Domenico — nascera em 1808, vindolocalidade de Fener, no vizinho município de Alano di Piave. Giuseppe cresceu entre formões, plainas e serras, e aprendeu desde cedo com o pai os segredos da marcenaria: a paciência do corte, o respeito pela madeira, o sentido do encaixe perfeito. Quando jovem, moveu-se com a família para Pederobba por motivos de trabalho, e ali fincou raízes: a oficina no térreo da casa de dois pisos, no antigo bairro chamado Ghetto, tornou-se centro e destino. O cheiro de madeira recém-cortada e resina impregnava o ambiente; as paredes exibiam ferramentas antigas, passadas de geração em geração; a luz das grandes janelas fazia dançar no pó as partículas de um ofício que era herança e destino.

Foi ali, naquela oficina marcada por mãos calejadas, que cresceu e aprendeu Francesco, filho de Giuseppe — um rapaz de olhar vivo e azul penetrante. Desde cedo, Francesco mostrou destreza ímpar: dedos ágeis que transformavam troncos brutos em peças úteis e belíssimas, traços firmes ao entalhar uma cadeira, paciência de artista ao montar a estrutura de uma casa. A oficina, que anos depois herdaria de seu pai Giuseppe, ganhou sob suas mãos renome e respeito: de agricultores a nobres proprietários de vilas, todos vinham buscar a precisão, a resistência e a beleza das peças saídas do pequeno ofício.

Na vida cotidiana de Pederobba havia um ritmo quase ritual — as tradições guardadas, as festas das colheitas, as celebrações religiosas, as conversas nas praças entre lavradores e artífices. As crianças corriam pelas ruas, os anciãos trocavam memórias à sombra das árvores e o trabalho moldava corpos e pensamentos. Mas sob a superfície serena, vinham rumores de mudança: as transformações políticas e sociais que varriam a Europa chegavam até o vilarejo, nas conversas sussurradas, nas cartas que chegavam amareladas. Francesco, de mente inquieta e espírito curioso, sentia crescer em si uma angústia que não sabia nomear — a pergunta sobre o seu papel naquele mundo a mudar.

3. Amor, Luto e a Decisão de Partir para o Brasil

Foi numa dessas festas tradicionais da região que Francesco encontrou Maria Augusta Verri, moça nascida na vizinhança dos vales de Segusino, filha do proprietário de uma estalagem que servia de pouso aos balseiros que retornavam a pé de Veneza após as descidas do Piave. Maria Augusta tinha cabelos negros como a noite e olhos em que algo de sereno brilhava; sua presença aquietava a sala e dava calor às conversas. O encontro irrompeu como um instante decisivo: mais tarde casaram-se em Segusino, no verão seguinte — igreja e praça transformadas em festa, o cheiro de flores de laranjeira no ar, risos e vinho partilhados até o crepúsculo. Francesco Piazzetta tinha 26 anos de idade e Maria Augusta Verri 21.

Francesco reformou para Maria a antiga casa de madeira de dois pisos com as próprias mãos. A casa era simples, sólida, com janelas que emolduravam vistas do Piave e das montanhas; ali nasceriam os cinco filhos: a primogênita Giuseppina(Pina para a família), Giovanni Battista — carinhosamente GioBatta —, as irmãs Maria Augusta (recebendo o mesmo nome da mãe), Colomba, e por fim o caçula Noè. Cada um cresceu entre o cheiro da madeira e o som do ofício; Giovanni herdou do pai a força e a precisão; Noè trazia no rosto a expressão serena que lembrava o avô Giuseppe.; as irmãs eram inseparáveis nas explorações dos bosques próximos. Em casa, o alimento vinha da terra e do esforço: ao redor da grande mesa, partilhavam-se pedaços de pão, polenta e vinho caseiro — pequenas certezas diante da precariedade.

A oficina era mais que trabalho: era identidade. Junto ao carpinteiro renomado que o próprio Giuseppe tornara, Francesco via os troncos se transformar em móveis que atravessavam gerações. Clientes vinham de longe: agricultores que buscavam robustez; proprietários das vilas em busca de elegância. Sob a luz que entrava pelas janelas, a serragem era testemunha dos dias laboriosos; e, nas mãos de Francesco, a madeira ganhava forma e, com ela, o sustento da família.

Mas o mundo além das colinas sussurrava promessas. A Itália, já unificada, não era o lugar próspero que se imaginara: impostos pesavam, colheitas falhavam por intempéries; as conversas na praça, diante da igreja, frequentemente deslizavam para relatos de terras distantes onde o trabalho parecia farto. Francesco ouvia com atenção. Aprendera com seu pai a honrar o ofício, mas sentia que as raízes de Pederobba não segurariam todos os seus filhos. O desejo de oferecer-lhes futuro o corroía por dentro como uma maré.

Em 1886, a tragédia que abrira uma ferida definitiva: Maria Augusta, aos 42 anos — mulher de fibra, incansável no trabalho e mãe dedicada — foi vencida por um câncer de mama. A doença roubou-lhe as forças em silêncio, e a casa mergulhou num luto que ocupou cada canto. Para Francesco, já com 47 anos, a perda foi um abismo. O silêncio após a partida dela pesava mais que qualquer fadiga do ofício. Viúvo, cansado e sem a presença que ordenara os dias, apoiou-se nos filhos; Pina, a primogênita, assumiu com maturidade precoce as tarefas da mãe, sustentando o lar e trazendo um fio de ordem aos dias marcados pela ausência.

Algum tempo depois, quando Giuseppina casou-se, a casa perdeu outro pilar. A partida da filha mais velha acentuou a solidão de Francesco e deixou clara a dura verdade: sozinho, ele não conseguiria garantir um futuro digno aos filhos que ainda viviam sob seu teto. A Itália mostrava-se estéril para sonhos que exigiam chão e oportunidades. Entre vizinhos e parentes, nas conversas longas nas noites de inverno, começou a amadurecer no peito de Francesco uma ideia que muitos já haviam tido antes: emigrar para o Novo Mundo — o distante Brasil, terra de lendas e possibilidades, onde compatriotas relatavam recomeços.

A decisão foi prática e dolorosa: vendeu a casa, o pequeno terreno e os bens que podiam ser desapegados. Reuniu o modesto patrimônio que acreditava suficiente para recomeçar. As cartas que chegavam de amigos e parentes que já haviam cruzado o oceano falavam de Curitiba, cidade jovem rodeada por colinas e pinheirais, com clima que lembrava o do Vêneto; falavam também de núcleos de imigrantes que abriam estradas, cultivavam a terra e erguendo novas esperanças. Tudo isso, lido entre brasas de saudade, alimentou a convicção final. Partiriam.

4. A Travessia dos Emigrantes Italianos: Do Piave ao Atlântico

No final de novembro de 1890 — quatro anos após a morte de Maria Augusta —, quando o outono já se curvava ao inverno, a família se despediu de Pina — filha e irmã que ficaria em Pederobba pois já tinha a sua própria família. A despedida foi de um silêncio cortante: soluços contidos, olhares firmes, mãos que se apertavam como se a separação pudesse ser retardada por força de vontade. Partiram ainda na penumbra, quando a primeira claridade se insinuava sobre telhados cobertos de neve. Seguiram a pé até a estação de Cornuda, caminho longo e gelado, com vento cortante e corações pesados. O apito do trem soou como sentença; ao embarcarem, Francesco olhou as montanhas do Vêneto pela última vez e sentiu escapar uma lágrima.

O trem os conduziu a Gênova, onde o porto fervilhava de gente e esperança. Entre malas, gritos e o cheiro salgado do mar, avistaram o navio Adria, imenso e escuro, balançando nas águas. Aquele colosso de ferro seria morada e provação nas semanas seguintes: a travessia marcaria uma ruptura profunda entre o que se deixava e o que se buscava. No porão e nos convés, viveram o peso da viagem: espaços exíguos, ar pesado, o balanço incessante. À noite o frio rasgava até os ossos; durante o dia, o calor e a umidade faziam o ar quase sufocante; o sono vinha fragmentado, perturbado pelo ranger das madeiras e pelo rumor dos motores. Crianças choravam por comida e terra firme; adultos recolhiam-se em silenciosa contemplação.

Apesar da ausência de grandes tempestades, as semanas a bordo deixaram marcas: a monotonia do mar que engolia o horizonte, a saudade que apertava o peito, o jornal diário dos pequenos afazeres que se repetiam. Francesco, muitas vezes, sentava-se no convés ao entardecer, acompanhando o poente como se buscasse nas cores do céu um sinal da Itália que se perdia atrás das ondas. E quando, enfim, as belas montanhas se desenharam no horizonte e o sol cintilou sobre as águas da vasta baía do Rio de Janeiro, um arrepio de emoção percorreu a família — a travessia chegava ao fim, e diante deles se abria o mistério de um novo destino.

5. O Novo Mundo: A Chegada dos Imigrantes Italianos 

  • Da Ilha das Flores à Colônia Dantas no Paraná

Ao chegarem ao Brasil, foram submetidos aos trâmites habituais: exames médicos, registros e verificações. Francesco e os seus foram encaminhados à Hospedaria da Ilha das Flores, onde permaneceram por dois dias. O edifício, amplo e barulhento, fervilhava de vozes em dezenas de línguas, de crianças chorando e de mulheres que tentavam, com ingredientes novos, cozinhar algo que lembrasse casa. Aquele lugar era de passagem, de recepção e de espera. Em dois dias provaram o calor úmido, o aroma intenso do café, a luz que parecia ferir os olhos acostumados às neblinas do Vêneto. A saudade persistia, mas a expectativa também crescia.

Na manhã do terceiro dia foram chamados e receberam ordem de embarcar novamente: o navio da costa seria o Maranhão, casco escuro e calado raso, apropriado às águas costeiras do sul. Subiram com seus poucos pertences, misturados a outros imigrantes que seguiam para as colônias no Paraná. O Maranhão deixou o porto do Rio sob sol abrasador e seguiu rente à costa. O mar alternava entre calmaria e inquietação; a brisa trazia odores novos, promessas e algum temor.

Dias depois, avistaram Paranaguá, porto cercado por montanhas e mata densa. O silêncio reverente tomou o convés; ali começaria sua nova vida. Francesco sentiu, ao respirar o ar quente e pesado do litoral, que deixava, enfim, o passado um pouco mais distante. De Paranaguá embarcaram no trem que venceria a íngreme Serra do Mar rumo a Curitiba. O velho comboio avançava lentamente, rangendo sobre trilhos úmidos, serpenteando entre abismos e encostas cobertas por uma vegetação que parecia inexplorada. Pela janela, a família contemplou cascatas, neblinas como véus e um mundo vegetal tão denso que quase não cabia na imaginação.

Para olhos habituados às vinhas e às colinas do Vêneto, aquele mundo tropical era outro planeta: árvores que subiam ao céu, folhas de brilho intenso, cantos de aves desconhecidas. Entre o espanto e a emoção, prevalecia o silêncio observador. Francesco mantinha o olhar fixo, com o filho mais velho ao lado, e pensava nos que ficavam — na filha Pina, na cidade — e no que seria preciso construir do nada. Ao ganhar altitude, o ar tornava-se mais ameno, lembrando-lhe, em migalhas, a terra que deixara. E quando, ao entardecer, avistaram as primeiras casas de Curitiba, uma emoção profunda o percorreu: parecia encontrar, naquele recanto distante, algo que poderia ser chão para seus passos.

6. O Recomeço na Terra Vermelha do Paraná: A Vida dos Imigrantes

Da estação, seguiram em carroça rumo à Colônia Dantas. Francesco, com a ajuda de um amigo ali residente, já havia adquirido um lote que julgou promissor. A estrada enlameada e sinuosa, puxada por bois, serpenteava por clareiras e matas; o cheiro de terra molhada e pinheiros recém-cortados impregnava o ar. A cada curva, uma nova paisagem se descortinava: casas de madeira fumegando entre neblinas, riachos cristalinos, e a presença humana ainda esparsa naquele território.

Ao chegarem ao lote, o cansaço deu lugar ao espanto. Diante deles erguiam-se uma pequena casa de madeira, aparência precária, tábuas gastas e telhado remendado com zinco; buracos nas paredes deixavam entrar vento; o chão de terra batida denunciava abandono. Mas para os recém chegados a cabana era mais do que abrigo: era o primeiro lar em terras brasileiras, a base de uma nova vida. improvisaram com o pouco que possuíam: acenderam fogo, prepararam uma refeição simples com mantimentos trazidos da cidade, e o crepitar da lenha fez com que sombras dançassem nas paredes irregulares.

Naquela noite, Francesco sentou-se à soleira da porta e observou o céu. Pensou no longo caminho — nas vinhas do Vêneto, no ofício herdado, na filha Pina — e soube que ali, naquele pedaço rude de chão, começava o verdadeiro trabalho de recomeçar. O frio noturno cortava a pele, mas dentro da cabana havia um calor maior que a lenha: a certeza de chegada, a esperança de plantar raízes.

7. A Herança da Madeira e da Fé: o Legado da Família   Piazzetta

Os primeiros meses foram de esforço extenuante, de pequenas conquistas e de adaptação. A Colônia Dantas era ainda amontoado de casas, picadas pelo campo e o som constante de ferramentas agrícolas; o trabalho exigia horas a fio; porém, para Francesco, as mãos ainda guardavam firmeza e precisão — ferramentas antigas, serrotes, plainas, formões e martelos trazidos de Pederobba, embrulhados com cuidado, eram mais que instrumentos: eram a continuidade de uma linhagem que transformava madeira em abrigo e sustento. Com o auxílio do filho mais velho, Giovanni, construiu um galpão de tábuas ao lado da casa; Noè, com nove anos, observava em silêncio, correndo entre as pilhas de madeira, ajudando com pregos e varrendo as lascas.

No início, encomendas eram raras; a colônia ainda precisava se organizar e poucos tinham recursos para móveis elaborados. Pai e filho aceitaram todo trabalho: colaborar em construções de casas, pontes e celeiros; serrar tábuas para os vizinhos; e, quando possível, trabalhar na cidade. Em Curitiba encontraram serviço junto à Estrada de Ferro do Paraná, colaborando na montagem e no reparo de interiores de vagões — bancos, divisórias, caixotes, suportes — com o mesmo zelo que dedicavam a um móvel doméstico.

A rotina era dura: saíam de madrugada, regressavam ao entardecer cobertos de serragem, e retornavam exaustos. Mas a satisfação vinha do trabalho honesto: aos domingos, Francesco afiava lâminas, ajustava ferramentas e transmitia a Giovanni e Noè os segredos do ofício — o encaixe perfeito, o polimento até o brilho. Aos poucos, a oficina começou a ganhar nome entre os vizinhos da colonia e alguns moradores de outros locais da cidade. Mesas, arcas, camas, janelas passaram a sair do galpão; o cheiro da madeira nova tornou-se o perfume do lar.

Quando o movimento aumentou, pai e filho decidiram dedicar-se exclusivamente à marcenaria. Naquele galpão, sob a luz tênue da lamparina, Francesco sentiu renascer algo que julgara perdido na travessia: a dignidade do ofício e a sensação de pertencer. Cada peça que deixava suas mãos não era apenas trabalho, mas fragmento de esperança, elo entre o velho mundo deixado para trás e o novo que ajudavam a construir.

E assim, no chão vermelho do Paraná, entre suor e serração, a família reconstituía-se: memórias do Vêneto preservadas na língua, nos costumes, nas ferramentas; a terra brasileira transformada pelo trabalho em sustento; e a certeza, mais forte do que o medo, de que haviam feito a escolha necessária para assegurar um futuro aos filhos. A saga de uma família — nascida sob as colinas do Piave, erguida pelo ofício da madeira e moldada pelas perdas — prosseguia, resistente como o próprio carvalho que um dia dariam forma às mãos. 

8. Nota do Autor uma História Verdadeira da Imigração Italiana

Esta obra, “A Saga Real de uma Família Italiana do Vêneto que Emigrou para o Brasil”, não é apenas uma narrativa literária — é a reconstrução de uma história verdadeira, nascida da própria memória familiar do autor.

Os acontecimentos aqui relatados têm origem nas lembranças transmitidas de geração em geração em antigas cartas guardadas com devoção e nos registros que resistiram ao tempo. Cada personagem, cada gesto e cada decisão refletem o caminho real percorrido pelos antepassados que, no final do século XIX, deixaram a pequena Pederobba, na província de Treviso, para tentar a vida no Brasil.

Mais do que uma viagem geográfica, esta é uma travessia humana. É o relato da coragem e da dor de uma família comum que, como tantas outras, enfrentou a incerteza do oceano e o desafio de começar do nada em uma terra distante.

O autor buscou reviver não apenas os fatos, mas o espírito daquela época — o silêncio das despedidas, o cansaço das travessias, o espanto diante da nova paisagem, e, sobretudo, a esperança que sustentou aqueles que vieram antes de nós.

Assim, “Pederobba 1890” é também um ato de gratidão: um modo de dar voz aos que não puderam contar sua própria história, e de preservar, entre a lembrança e o afeto, a herança moral e cultural que moldou tantas famílias descendentes de italianos no Brasil.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta




terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Famílias Italianas em Morretes (PR) em 1911


Famílias Italianas em Morretes (PR) em 1911


A presença de famílias italianas em Morretes, no litoral do Paraná, em 1911, revela um capítulo pouco explorado da história da imigração italiana no Brasil. Após mais de trinta anos desde a chegada às colônias de Alexandra e Nova Itália, diversos sobrenomes de origem italiana ainda figuravam nos registros civis e paroquiais do município, demonstrando que parte desses imigrantes não abandonou definitivamente a região, apesar das duras condições enfrentadas.

Diferente de outras colônias abandonadas, Morretes tornou-se espaço de permanência para famílias que decidiram resistir no litoral paranaense. Entre os sobrenomes que aparecem em documentos da época, destacam-se: Bettega, Fabris, Meneghetti, Piovesan, Zanetti, Trevisan, Rossetto, Gobbo, Simon, Volpato, Stocco, Stocchero, Zilli, Brandalize, Bortholuzzi, De Bona, De Rocco, Dal Lin, Sanson, Borsatto, Pilotto, Tosetto, Zortea, entre muitos outros que compuseram a trajetória dessa comunidade.

A adaptação ao clima úmido, à mata atlântica fechada e à falta de infraestrutura marcou profundamente a vida dessas famílias. Mesmo diante do abandono institucional, epidemias e isolamento geográfico, os imigrantes reorganizaram sua existência através da agricultura de subsistência, do comércio local, da criação de pequenas indústrias e do fortalecimento de vínculos comunitários, religiosos e familiares. Morretes passou a ser não apenas um local de sobrevivência, mas de construção de raízes sociais e culturais.

Em 1911, esses descendentes já participavam ativamente da vida local: registravam seus filhos em cartórios brasileiros, frequentavam a igreja matriz, integravam feiras, atividades artesanais e o pequeno comércio da vila. Os sobrenomes italianos deixaram de ser vistos apenas como marcas de estrangeiros e passaram a integrar a própria identidade histórica do município.

A permanência dessas famílias em Morretes representa um testemunho de resistência e identidade. Sua história ajuda a compreender por que o litoral paranaense abriga, até hoje, traços culturais, linguísticos e familiares ligados aos primeiros núcleos de colonização italiana, especialmente às experiências das colônias de Alexandra e Nova Itália.

Sobrenomes italianos que ainda existiam em Morretes no ano de 1911

Bacci, Bavetti, Bazzani, Belotto, Bergonse, Bertholdi, Bertagnolli, Bettega, Bindo, Borsatto, Bortholin, Bortholuzzi, Brandalize, Brambilla, Brustolin, Buzetti, Callegari, Canetti, Carazzai, Carta, Casagrande, Cavagnari, Cavalli, Cavallin, Cavagnoíli, Cavogna, Chiarello, Cheminazzo, Chierigatti, Cini, Ciscata, Cit, Citti, Comandulli, Conte, Contin, Costa, Cusman, Curcio, Dal Lin, Dalcucchi, Dall' Col, Dall' Ligna, Dall' Negro, Dall' Stella, De Bona, De Carli, De Fiori, De Lay, De Mio, De Paola, De Rocco, Dea, Della Bianca, Dirienzo, Dotti, Ercole, Fabris, Fante, Favoretto, Feltrin, Ferrari, Ferrarini, Ferruci, Filipetti, Foltran, Fontana, Fraxino, Fruscolin, Gabardo, Galli, Gaio, Gasparin, Ghignone, Giglio, Gnatta, Gobbo, Grandi, Gregorini, Grigoletto, Grossi, Guzzoni, Jacomelli,Lati, Lazzarotto, Lucca, Lunardeli, Madalozzo, Malucelli, Manosso, Marchioratto, Marcon, Marconsin, Mazza, Meduna, Menegazzo, Meneghetti, Menin, Miranda, Molinari, Mori, Moreschi, Moro, Muraro, Nadalin, Nori, Olivetti, Orlandi, Orreda, Panzolini, Pasquini, Pedinato Consentino, Piazza, Pilatti, Pilotto, Piovesan, Poletto, Pontoni, Possiedi, Ramina, Ramagnolli, Robassa, Roncaglio, Rossetto, Rossi,Salvare, Santi, Sanson, Savio, Scarante, Scarpin, Scorzin, Scucato, Scremin, Scarante, Semionatto, Simeão, Simon, Sguário, Sotta, Sperandio, Stocco, Stocchero, Strapasson, Sundin, Talamini, Tessiari, Tessari, Todeschini, Tonetti, Tosetto, Tosin, Tozetto, Tramontini, Trevisan, Trombini, Túllio, Turin, Valenti, Valenza, Valério, Vardanega, Vicentini, Volpato, Zalton, Zampieri, Zanardi, Zanardini, Zanella, Zanetti, Zanier, Zanon, Zeni, Zem, Zicarelli, Zilli, Zortea


segunda-feira, 13 de outubro de 2025

O Purgatório Tropical: O Drama Esquecido dos Italianos nas Selvas do Paraná

 


O Purgatório Tropical: 

O Drama Esquecido dos Italianos nas Selvas do Paraná


No relatório elaborado em 1892, o missionário italiano padre Pietro Colbacchini descreveu com crueza as condições desumanas enfrentadas pelos colonos instalados no litoral paranaense entre os anos de 1875 e 1877. Entre os inúmeros males que assolavam as colônias, o padre Colbacchini destacou especialmente as doenças provocadas pelos insetos, que transformavam a vida dos imigrantes em um verdadeiro martírio.

Sobre as colônias de Alexandra e Nova Itália, ele relatou:

“Durante o dia, o trabalho torna-se insuportável pelo calor excessivo e pelos enxames de mosquitos que fazem inchar as partes descobertas do corpo, causando dores e incômodos intensos. À noite, outra espécie desses insetos rompe o sono e suga o sangue dos pobres imigrantes. Entre a carne e a pele desenvolve-se um verme, grosso como um feijão, injetado por uma mosca dourada (berne). Nos pés, sobretudo nos calcanhares e extremidades, surgem coceiras insuportáveis e feridas malcheirosas, causadas por outro inseto (bicho-de-pé) que se aloja, incuba e cresce como uma minúscula pulga. Crianças e idosos são os mais vulneráveis a essa enfermidade terrível, que, entretanto, não poupa idade, sexo nem condição. A tudo isso somam-se os efeitos diretos do clima: tontura, fraqueza dos membros, falta de apetite, desânimo, apatia e um profundo tédio pela vida. Esta é a verdadeira condição daqueles que habitam o litoral do Paraná.”

O testemunho de Colbacchini revela com rara intensidade o quanto a adaptação dos imigrantes europeus às zonas tropicais do Brasil foi um processo doloroso, lento e profundamente desigual. As promessas de um novo começo, feitas ainda em solo italiano, chocavam-se com a realidade áspera das florestas úmidas, das doenças tropicais e da solidão. O que deveria ser uma terra de esperança transformou-se, para muitos, em um território de provação.

Nas colônias de Alexandra e Nova Itália, o cotidiano era marcado pela precariedade absoluta: habitações improvisadas, falta de alimentos, inexistência de assistência médica e a presença constante de insetos e parasitas que minavam o corpo e o ânimo dos colonos. O isolamento geográfico agravava a sensação de abandono — os imigrantes viviam distantes das cidades, cercados por matas densas e caminhos intransitáveis, sem meios de comunicação ou comércio estáveis.

Colbacchini, com olhar de missionário e coração de humanista, registrou não apenas a miséria material, mas também o abalo moral dessas comunidades. Sua narrativa ultrapassa o tom de denúncia e transforma-se em um testemunho de humanidade, onde cada frase ecoa a resistência silenciosa de homens e mulheres que, mesmo entre o desespero e a doença, ainda buscavam sobreviver, criar raízes e preservar a fé.

Mais do que um simples documento histórico, o relato de Colbacchini é uma crônica pungente da primeira fronteira da imigração italiana no Brasil — um retrato vívido do preço humano da colonização e da coragem de um povo que, mesmo diante da selva e do sofrimento, manteve viva a esperança de um amanhã melhor.

Nota do Autor

O relato do missionário Colbacchini, datado de 1892, é uma das mais vívidas e dolorosas descrições da realidade enfrentada pelos primeiros imigrantes italianos no litoral do Paraná. Suas palavras revelam não apenas o espanto de um observador europeu diante da natureza tropical, mas sobretudo a compaixão de um homem de fé diante do sofrimento humano.

As colônias de Alexandra e Nova Itália, criadas com a esperança de oferecer aos emigrantes um novo começo, transformaram-se em cenários de desespero e doença. O calor sufocante, a umidade constante, as florestas alagadiças e a proliferação de insetos tornaram a vida cotidiana quase insuportável. Mosquitos, bernes e bichos-de-pé eram inimigos permanentes, corroendo a saúde e a dignidade dos colonos. O corpo, atacado sem trégua, tornava-se símbolo da luta entre o homem e um ambiente que lhe era completamente estranho.

Mas por trás da descrição quase clínica de Colbacchini, percebe-se algo mais profundo: a triste constatação do fracasso de um sonho coletivo. Aqueles que haviam deixado a Itália em busca de prosperidade e paz encontraram no litoral paranaense um purgatório de febres, solidão e miséria. Faltavam médicos, alimentos, conforto e, sobretudo, esperança.

A carta de Colbacchini não é apenas um documento histórico — é um testemunho moral. Nela ecoa o lamento de centenas de famílias que pagaram com a saúde e com a vida o preço das promessas mal cumpridas da colonização. Sua voz, ao atravessar o tempo, recorda-nos que a epopeia da imigração italiana foi também, em muitos momentos, uma história de dor, resistência e sobrevivência no limite da condição humana.

Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta



domingo, 20 de agosto de 2023

Os Pioneiros Italianos do Paraná: Uma História de Coragem e Perseverança

Tradicional fila de carroças de descendentes de imigrantes italianos de Santa Felicidade, geralmente mulheres,  em direção à Curitiba, levando os produtos agrícolas por elas produzidos para comercialização casa a casa na capital 


A chegada dos primeiros imigrantes italianos no Porto de Paranaguá no Paraná ocorreu no final do século XIX, quando o Brasil começou a incentivar a imigração de europeus para colonizar o país e trabalhar nas plantações de café, principalmente na região do Vale do Paraíba em São Paulo. Na época, a Itália era um país pobre e com muita fome, e muitos italianos viram na emigração para o Brasil uma oportunidade de melhorar suas condições de vida.

A maioria dos imigrantes italianos que chegaram ao Brasil eram camponeses e vinham das regiões mais pobres do país, especialmente do norte da Itália, primeiramente atingidos pela grave crise econômica do país. Eles eram atraídos pelos agentes de imigração, dispersos por toda a península, com promessas de terras férteis, trabalho e um futuro melhor para si e suas famílias. A viagem para o Brasil era longa e difícil, cheia de perigos e muitos imigrantes morriam no caminho devido às condições precárias de higiene e saúde a bordo dos navios.

Ao chegar ao Porto de Paranaguá, os imigrantes eram encaminhados para as chamadas colônias, que eram áreas destinadas à implantação de pequenas propriedades agrícolas para as famílias de imigrantes. As colônias Alessandra e Nova Itália foram duas das primeiras colônias italianas a serem fundadas no Paraná. Eles foram recebidos por representantes do governo brasileiro e por funcionários das empresas de colonização que os ajudaram a encontrar seus lotes e estabelecer as suas primeiras roças.

A vida nessas colônias era muito difícil e os imigrantes enfrentavam a fome e muitos desafios, incluindo o clima, a falta de recursos, doenças e pragas que atacavam as plantações. No entanto, os italianos eram muito trabalhadores e perseverantes, e mesmo com grande esforço não conseguiram levar adiante a vida nessas colônias. A má administração das colônias, primeiro Alessandra e logo a seguir a de Nova Itália, apressou o seu falimento com os imigrantes exigindo a sua transferência para a capital do estado fazendo valer a cláusula do contrato que permitia mudança de colônia caso não se adaptassem. 

Com o tempo, muitos imigrantes italianos que ficaram nas terras a eles destinadas, conseguiram melhorar suas condições de vida e progredir na vida. Eles começaram a estabelecer escolas, igrejas e outras instituições que ajudaram a manter viva a cultura italiana. No entanto, muitos italianos, a grande maioria dos alocados na colônia Nova Itália decidiram deixar as colônia e se mudar para as cidades em busca de oportunidades de trabalho e de uma vida melhor.

Em Curitiba, muitos imigrantes italianos se estabeleceram na região do bairro de Santa Felicidade, que se tornou um importante centro da cultura italiana na cidade. Lá, compraram terras e onde plantavam gêneros alimentícios que comercializavam na vizinha capital. Mais tarde, em meados do século XX eles fundaram restaurantes, vinícolas, lojas de artesanatos e produtos típicos além de pequenas empresas.  Outros imigrantes se mudaram para outras partes da cidade, onde também trabalhavam a terra e mais tarde fundaram suas próprias empresas e se integraram à sociedade brasileira.

A chegada dos imigrantes italianos no Paraná e em outras partes do Brasil teve um impacto significativo na formação da sociedade brasileira. A cultura italiana é parte integrante da cultura brasileira, e muitos dos hábitos e tradições italianas foram incorporados à vida cotidiana do país.

Apesar das dificuldades enfrentadas, os imigrantes italianos conseguiram prosperar nas terras das colônias da capital e naquelas em sua volta e iniciar um processo de desenvolvimento econômico. Com o tempo, alguns deles decidiram deixar as colônias e partir para outras áreas, como o comércio e a indústria, em busca de novas oportunidades.

Com o tempo muitos desses imigrantes que se estabeleceram na capital do estado, Curitiba abriram lojas, fábricas e outras empresas, contribuindo para o crescimento econômico da cidade. Grande número dos descendentes   daqueles pioneiros ainda moram na região e preservam as tradições italianas, como a culinária e a música.

Os imigrantes italianos deixaram um legado duradouro no Paraná e no Brasil. Além de contribuirem para o desenvolvimento econômico do estado, eles ajudaram a enriquecer a cultura brasileira com sua música, culinária e tradições. Muitas famílias brasileiras têm origem italiana e mantêm fortes laços com a Itália, mantendo viva a herança dos seus antepassados.

Em resumo, a imigração italiana teve um grande impacto no Paraná e no Brasil como um todo. Os imigrantes enfrentaram muitas dificuldades, mas conseguiram superá-las e estabelecer uma nova vida em um país estrangeiro. Sua coragem e perseverança deixaram um legado duradouro na cultura e economia do país, e sua herança continua viva até os dias de hoje.

Texto
Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS



segunda-feira, 17 de abril de 2023

Colônia Alessandra: A História da Imigração Italiana no Paraná

Estação Ferroviária de Alexandra



A Colônia Alessandra, a primeira do gênero criada em solo paranaense, foi fundada no dia 14 de fevereiro de 1872, após intermediação do controvertido empresário italiano Savino A. Tripoti, nascido em 184o, na província de Teramo. Proprietário das terras e dono da concessão de colonização da área, Tripoti pretendia trazer, no decorrer de alguns anos, milhares de agricultores italianos para a província do Paraná. Foi somente a partir de 1877 que ela mudou de nome passando a ser chamada de Colônia Alexandra. No ano de 1875, com o veleiro Anna Pizzorno e o vapor Liguria, chegaram os primeiros imigrantes italianos, pouco mais de trezentas pessoas, provenientes das províncias de Teramo, na região de Abruzzo, de Caserta, na Campania e de Potenza, na Basilicata. Uma vez desembarcados no porto de Paranaguá, foram alojados na Casa da Imigração, recebendo sua primeira alimentação em terra, ocasião quando alguns tiveram uma grande decepção pelo tipo de alimentos que eram consumidos no país, especialmente a sem sabor farinha de mandioca tão consumida pelos brasileiros, ainda desconhecida para eles, que desapontados confundiram com o queijo ralado. Da Casa da Imigração, eram levados à Colônia Alessandra, com as despesas de hospedagem e transporte correndo por conta do governo da província. Ao chegarem no local onde se situavam os seus lotes, os colonos perceberam de imediato que aquela terra não era o que sempre tanto tinham sonhado. Muitos dos lotes ficavam em lugares praticamente inabitáveis, com os terrenos posicionados em áreas alagadiças, arenosas ou muito pedregosas, localizados em uma zona isolada e afastada dos centros mais povoados, como Morretes e Paranaguá, o que causou um grande desânimo em todos os recém chegados. Não tinham o menor conhecimento prévio do clima que encontrariam, com ar abafado, muito quente e úmido, típicos de zonas do litoral cercadas por montanhas. Chamou atenção de todos a grande quantidade de incômodos insetos que infestavam o lugar, além da presença de animais selvagens que não conheciam e cujos gritos e rugidos muito os amedrontava. Não viam por onde pudessem começar a implantar uma agricultura rentável naquele lugar. Ficaram esmorecidos e isso também influiu negativamente no futuro sucesso econômico da colônia. Os primeiros casos de doenças graves como a malária logo começaram a aparecer em vários pontos da colônia. A falta de assistência médica ficou rapidamente evidente e os poucos médicos disponíveis estavam nas cidades vizinhas mas, segundo eles, cobravam muito caro pelos atendimentos e assim eram pouco procurados pelos imigrantes. Recorriam freqüentemente aos charlatães e curandeiros que gozavam de grande prestígio entre a população brasileira nativa, pessoas ignorantes e também, como os italianos, bastante supersticiosas. Casos de frequentes deserções e desavenças entre o empresário e alguns colonos, assim como os desentendimentos constantes, com as autoridades provinciais, foram se acirrando. A chegada de novos contingentes de imigrantes italianos era intensa e por essa época mais 870 colonos, provenientes da Lombardia, Tirol e do Piemonte, chegaram ao porto de Paranaguá, trazidos pelo mesmo empresário e que também tinham como destino final a Colônia Alessandra, o que agravaria as condições já deficientes desta colônia. Tripoti dizendo que estava sem recursos até para manter os antigos colonos, abandonou-os declarando que não tinha meios sequer para entregar os primeiros suprimentos. Por sua vez os imigrantes recém chegados alegaram que tinham sido ludibriados pelo empresário e ao saberem da situação de penúria, que estavam passando os colonos já moradores na colônia, não quiseram de forma alguma ser assentados naquele lugar sem futuro. Apresentaram reclamações junto à direção da colônia e também às autoridades provinciais exigindo a transferência de Alexandra para a recém criada Colônia Nova Itália, localizada em Morretes. Caso não fossem atendidos pretendiam a recisão dos contratos firmados com os empresários e as autoridades do império. Segundo alguns historiadores, como a prestigiada escritora paranaense Altiva P. Balhana, que diz: "o empresário Savino Tripoti não se interessou nem pelos colonos, nem pela colonização. Seu objetivo era apenas atrair o maior número de imigrantes para assim poder usufruir maiores ganhos". Por sua vez, a pesquisadora e escritora Jussara Cavanha, revela o contrário em seu livro intitulado "Colônia Alessandra" onde diz: "o empresário Savino Tripoti era uma pessoa preparada para implantar e gerir colônias agrícolas" e continuando baseia essa afirmativa em documentos preservados que provam "que produtos obtidos na Colônia Alessandra receberam diplomas especiais de honra na Feira Mundial da Philadelphia em 1876". Ainda de acordo com as suas pesquisas: "Tripoti se empenhou para construir um projeto viável, mas, que sucumbiu por motivos alheios à sua vontade". Com a situação dos colonos de Alexandra se agravando a cada dia e a chegada e um novo grande grupo de imigrantes, o então presidente da província do Paraná, Adolfo Lamenha Lins, por motivos políticos ou mesmo econômicos da província, talvez ainda por ter percebido o rumo que estava sendo dado ao empreendimento, por decreto assinado em 1877, rescindiu o contrato realizado e confiscou as terras do empresário, que acabou extraditado para a Itália, vindo a falecer poucos anos depois. Mas o descontentamento ainda continuou reinando na colônia de Nova Itália, para onde foi transferida a maior parte dos imigrantes de Alexandra, com muitos colonos em situação de miséria, iniciando uma nova debandada. Nesse meio tempo as autoridades provinciais providenciavam a aquisição de terrenos em torno de Curitiba para a formação de novas colônias.


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS







quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Sobrenomes de Imigrantes Italianos em Morretes no ano de 1911

Rio Nhundiaquara Morretes Paraná

 

Sobrenomes de Imigrantes Italianos em

 Morretes Estado do Paraná

Ano 1911


Gnatta, Buzetti, Bettega, Foltran, 
Sanson, Zilli, Brandalize, Chierigatti, 
Pedinato Consentino, Fruscolin, 
De Fiori, De Bona, Citti, De Rocco, 
Ciscata, Robassa, Filipetti, 
Callegari, Tonetti, Simon, 
Dall' Col, Dall' Negro, Meduna, 
Orreda, Dalcucchi, Manosso, Pilotto, 
Fabris, Tosetto, Valério, Turin, 
De Mio, Fante, Cherobin, 
Sotta, Ghignone, Fontana, 
Dall' Stella, 
Borsatto, Grandi, Mazza, Gregorini, 
Bindo, Lati, Pontoni, Bacci, 
Brambilla, Madalozzo, Della Bianca, 
Pasquini, Gobbo, Zanardi, 
Canetti, Moro, Bavetti, Cavagnoíli, De Lay, Mori, Possiedi, Piovesan, Sundin, 
Miranda, Bertholdi, Bortholin, 
Triacchini, Curcio, 
Meneghetti, Contin, Cavogna, 
Bazzani, Grossi, Cavagnari, 
Brustolin, Belotto, 
Bergonse, Bertagnolli, Bortholuzzi, 
Carazzai, Carta, Casagrande, Cavalli, 
Cavallin, Cheminazzo, Chiarello, 
Zicarelli, Cini, Cit, Conte, 
Costa, 
Cusman, Dall' Ligna, Dal Lin, 
Dea, De Carli, De Paola, 
Dirienzo, 
Dotti, Ercole, Scarante, 
Favoretto, Comandulli, Ferrari, 
Ferrarini, Fraxino, Ferruci, 
Gabardo, Galli, Gaio, Gasparin, 
Grigoletto, Guzzoni, Jacomelli, 
Lazzarotto, Lucca, Lunardeli, 
Malucelli,  Marchioratto, 
Marconsin, Marcon, Menin, 
Moreschi, Menegazzo, Molinari, 
Muraro, Nadalin, Nori, Olivetti, Orlandi, Panzolini, Piazza, Pilatti, 
Poletto, Possiedi, Ramina, 
Ramagnolli, Roncaglio, Rossetto, Rossi, Salvare, Santi, Savio, Scarpin, Scorzin, 
Scremin, Scucato, Semionatto, Simeão, Sperandio, Sguário, Stocco, Stocchero, Strapasson, Talamini, Feltrin, Tessari, Giglio, Tosin, Tozetto, Tramontini, Trevisan, 
Trombini, Todeschini, Túllio, Valenti, 
Valenza, Vicentini, Volpato, 
Vardanega, 
Zalton, Zeni, Zem, Zampieri, Zanardini, 
Zanella, Zanetti, Zanier, 
Zanon, Zortea




quarta-feira, 17 de agosto de 2022

As Várias Colônias que Receberam os Imigrantes Italianos no Paraná






Nome        Data Fundação       Procedência       Município


Colônia Alexandra 1870 italianos de Mântua, Téramo e do Vêneto Paranaguá

Colônia Assunguy 1871 italianos (fundada em 1860 por ingleses e franceses)

Colônia Argelina 1870 italianos (fundada em 1868 por argelinos os franceses saídos da Argélia e suíços Curitiba

Colônia Pilarzinho 1870 italianos (com alemães e poloneses) Curitiba

Colônia D. Pedro 1876 italianos (com poloneses e franceses) Curitiba

Colônia D. Augusto 1876 italianos (com poloneses prussianos) Curitiba

Colônia Nova Itália 1877 italianos Morretes

Colônia Santa Maria do Novo Tirol 1878 italianos trentinos Piraquara

Colônia Antônio Rebouças 1878 italianos Campo Largo

Colônia Senador Dantas 1878 italianos vicentinos Curitiba

Colônia Alfredo Chaves 1878 italianos vicentinos e tiroleses Colombo

Colônia Muricy 1878 italianos (com poloneses) São José dos Pinhais

Colônia Inspetor Carvalho 1878 italianos São José dos Pinhais

Colônia Virmond 1878 italianos (com russos-alemães) Lapa

Colônia Maria Luiza 1879 italianos Paranaguá

Colônia Santa Felicidade 1880 italianos vênetos Curitiba

Colônia Mendes de Sá 1885 italianos Campo Largo

Colônia Antonio Prado 1886 italianos Colombo

Colônia Santa Gabriela 1886 italianos Almirante Tamandaré

Colônia Santa Cristina 1879 italianos Campo Largo

Colônia Alice 1886 italianos Campo Largo

Colônia Barão de Taunay 1886 italianos Araucária

Colônia Presidente Faria 1886 italianos Colombo

Colônia Maria José 1887 italianos Quatro Barras

Colônia Visconde de Nácar 1888 italianos Paranaguá

Colônia Santa Cruz 1888 italianos Paranaguá

Colônia Santa Rita 1888 italianos Paranaguá

Colônia Eufrásio Correia 1888 italianos

Colônia Campo Largo da Roseira 1888 italianos São José dos Pinhais

Colônia Balbino Cunha 1889 italianos vênetos Campo Largo

Colônia D. Mariana 1889 italianos vênetos Campo Largo

Colônia Ferraria 1890 italianos Campo Largo

Colônia Inglesa 1889 italianos (com ingleses e alemães) Foz do Iguaçu

Colônia Santa Helena 1889 italianos venezianos Foz do Iguaçu

Colônia Contenda 1890 italianos Contenda

Colônia Accioli 1891 italianos Curitiba

Colônia Cecília 1891 italianos Palmeira

Colônia Bela Vista 1896 italianos vênetos 

Colônia Afonso Pena 1908 italianos São José dos Pinhais

Colônia Pinho de Baixo 1908 italianos Irati

Colônia Uvaranas 1924 italianos Ponta Grossa




quarta-feira, 27 de julho de 2022

As Colônias Italianas no Paraná

Portal de entrada do bairro Santa Felicidade em Curitiba

 



As primeiras colônias no estado do Paraná, destinadas exclusivamente para receber os imigrantes italianos, que em grandes levas chegavam, foram criadas na zona litorânea paranaense, muito próximas a Paranaguá e ao seu porto, na esperança de exportação futura de produtos agrícolas com destino à Europa. Foram as Colônias de Alessandra e Nova Itália ambas de propriedade particular, subvencionadas pelo governo imperial do Brasil. 

De propriedade do empreendedor italiano Sabino Tripotti, que obteve um contrato com o império para trazer milhares de pequenos agricultores italianos e suas famílias para o Paraná, a Colônia Alessandra foi fundada em fevereiro de 1872 mas, por diversos motivos teve vida muito curta.

Localizada em terrenos alagadiços, de má qualidade, não muito adaptados para as culturas que os imigrantes estavam acostumados na Itália, somados com o tipo de clima do local, muito quente e abafado, onde proliferavam insetos causadores de doenças, desconhecidos pelos recém chegados, foram fatores que dificultaram o progresso do empreendimento.

Um outro fator que contribuiu para o falimento da colônia foi a não construção de uma estrada de ferro que a ligaria até o porto, e que constava como uma cláusula principal do contrato quando da criação da colônia.
 
O empreendedor italiano, de fama algo duvidosa, alegou que haviam falhas no contrato pois, este não especificava quem era o responsável pelas despesas iniciais até o definitivo assentamento dos imigrantes. Conseguiu que o contrato fosse reescrito, mas por erro de cálculos, o valor a ser pago pelo governo diminuía em cinquenta porcento, obrigando uma série de racionamentos na colônia, entre eles o de alimentos aos colonos, que muitas vezes passavam fome.

Essas repetidas falhas, que tornavam bastante precárias as condições de vida dos colonos, fizera com que se revoltassem, alguns protestos surgindo ainda na Itália, contra os agentes e administradores de Tripotti. O contrato finalmente acabou por ser rescindido pelo governo estadual, que sequestrou todos os bens, ficando os imigrantes abandonados até a sua transferência para o município de Morretes e Porto de Cima onde o governo do estado criou a Colônia  Nova Itália. 

Esta nova colônia contava com treze núcleos  de assentamentos, espalhados por Morretes e Porto de Cima. Os assentamentos de América de Cima, América de Baixo,  Rio do Pinto, Sesmaria, Anahaia, Rio Sagrado, Sitio Grande  e Nossa Senhora do Porto, esses oito ficavam todos eles no município de Morretes. 
No município de Porto de Cima estavam mais cinco assentamentos: Esperança, Cari, Ipiranga, Bananal e Marques.

Apesar da transferência, as condições de vida na nova colônia não eram melhores do que na anterior. O clima continuava igual, com muito calor úmido no verão, presença de doenças graves como a febre amarela e os terríveis insetos que atormentavam os colonos: mosquitos, moscas, bicho de pé. 

O retardo na construção de pequenos abrigos para todas as famílias, a falta de alimento e agasalhos, o mau uso das verbas estaduais pelos responsáveis pela colônia, estavam levando o novo empreendimento pelo mesmo caminho trilhado pela colônia predecessora. 

Segundo o contrato, cada um dos colonos após instalados nos seus respectivos lotes de terra, deveriam nos primeiros seis meses, além de plantar, desmatar uma determinada área de aproximadamente 400 braças quadradas, construir uma pequena casa, abrir caminhos nos limites dos seus lotes mantendo-os  limpos e desmatados. Se não cumprissem o estipulado perdiam os melhoramentos e as parcelas já pagas.

Desconhecendo as culturas agrícolas da nova terra, os colonos contavam com a ajuda dos nativos e negros, antigos moradores dessas localidades, que os ensinava as técnicas da queimada,   também forneciam alimentos e ajudavam na escolha da madeira para construção das casas. 

Pelo contrato com o governo, os colonos imigrantes tinham liberdade para trabalhar por seis meses na construção da estrada de ferro, como forma de obter alguma renda extra. A grande demora na demarcação dos lotes e o assentamento definitivo, que dava direito ao trabalho alternativo de seis meses nas obras da ferrovia, fez com que muitos imigrantes ficassem sem qualquer tipo de renda, praticando uma pequena roça de subsistência. 

A vida dos imigrantes nos variados assentamentos da Colônia Nova Itália, estava piorando cada vez mais, tornando-se insuportável em 1877, quando mais de oitocentas famílias, se encontravam na miséria, sem roupas e sem sementes para plantar. 

O descontentamento sempre maior, era geral, alguns dos assentados ameaçavam retornar para Itália e outros, baseando-se ainda no contrato assinado com o governo, que dava direito de mudança de local caso não se adaptassem, exigiam a rápida transferência para outros locais do estado. 

Ao governo do estado não restaram alternativas do que fornecer carroças para que os imigrantes subissem a Serra do Mar, em direção à capital, pela Estrada da Graciosa. Nos assentamentos ficaram algumas poucas famílias e algumas outras desistiram do sonho de fazer a América e retornaram para a Itália. 

Os imigrantes haviam aprendido, com os viajantes que apareciam,  que no planalto acima da Serra do Mar, a cerca de mil metros sobre o nível do mar, existiam terras de ótima qualidade, ao redor da capital paranaense. Também ouviram dizer que o clima era muito parecido com aquele que haviam deixado na Itália: estações bem definidas, com um verão agradável e inverno bastante frio.

Algumas dessas famílias imigrantes, por conta própria, adquiriram lotes de terras e foram se fixando nos arredores de Curitiba, como Santa Felicidade. Outros foram assentados em novas colônias que foram sendo criadas com o propósito de assentá-los definitivamente.

Essas diversas colônias deram origem a muitos bairros da capital como Santa Felicidade, Água Verde, Pilarzinho e Umbará. Também inúmeras localidades vizinhas a Curitiba receberam, num primeiro momento, os imigrantes italianos que deixavam a Colônia Nova Itália e depois, aqueles outros, que continuavam chegando em grande número, provenientes da Itália. Locais como São José dos Pinhais, Piraquara, Araucária, Campo Largo, Lapa, Cerro Azul e Colombo se tornaram bairros ou municípios.

Além das condições de salubridade do clima encontradas, a ótima qualidade das terras, água em abundância e a localização próxima de um grande centro consumidor, que era Curitiba, fizeram que essas novas colônias conhecessem um rápido progresso. 

Segundo algumas estatísticas, por volta do ano de 1900 já viviam no estado do Paraná, mais de 30 mil italianos, assentados em catorze colônias etnicamente compostas unicamente por famílias italianas e mais vinte outras de população mista. 

 






sexta-feira, 18 de março de 2022

Algumas Solicitações dos Imigrantes Italianos de Morretes ao Imperador Don Pedro II

 

Emigrantes italianos no convés de um navio



No ano de 1880 o Imperador do Brasil, Don Pedro II, fez uma visita à Província do Paraná. Os imigrantes italianos, moradores nas diversas colônias de Morretes, apresentaram vários requerimentos e abaixo-assinados, datados de Junho de 1880, com algumas reivindicações ao monarca. Este documento com os nomes dos solicitantes pode ser visto e estudado. 

Estação de Morretes



Entre os pedidos daqueles imigrantes está um encabeçado por Giacomo Arboit, morador na Colônia Nova Itália, solicitando que o imperador mandasse fornecer ferragens e outros materiais necessários para construção de um moinho para fazer a farinha de milho, usada na confecção da polenta, alimento muito usado por eles.





Em outro abaixo-assinado, com data de 3 de Junho de 1880, encabeçado pelo imigrante Alessandro Bridarolli, solicitavam cobertura de telhas para as suas pequenas casas em substituição daqueles de palha. Também a concessão de gratuidade nos bilhetes da balsa entre Barreiros e a cidade, ou a licença para a construção de uma ponte.


Em outro abaixo assinado encabeçado pelo imigrante Giovanni Tassi também cobravam do imperador a doação de telhas de barro para cobrirem as suas casas, em substituição daquela de palha que usavam. 


Em outra solicitação com a mesma data, o imigrante de nome Giuseppe Comei pedia ao imperador o abono alimento a que tinha direito e também telhas para cobrir a sua pequena casa.


Em um outro pedido pessoal, com a data de 2 de Junho de 1880, a imigrante Caterina Vollodel, suplicava à sua majestade para mandar para sua companhia o seu filho Pietro Vollodel com a sua esposa e os três filhos do casal, seus netos, que foram destinados para Santa Catarina e ela não sabia mais o destino deles. 


Muitos outros requerimentos foram apresentados ao soberano mas, não tiveram a sorte do devido encaminhamento, ou mesmo, muitos deles não foram deferidos pelo soberano.


Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS







terça-feira, 15 de março de 2022

Colônias Italianas de Alexandra e Nova Itália no Paraná

Estação Ferroviária de Alexandra
 






O empresário italiano Savino Tripotti, natural de Teramo, região de Abruzzo, foi quem organizou a Colônia Alexandra, fundada no ano de 1872 e inaugurada logo em seguida com a chegada do primeiro grupo de imigrantes italianos, trazidos pelos navios Anna Pizzorno e Liguria. 

Após uma longa travessia do oceano, desembarcaram na Ilha das Flores, no litoral do Rio de Janeiro. Passados alguns dias embarcaram novamente em outro navio em direção ao Porto de Paranaguá destino final da longa viagem.

Nesta cidade foram abrigados na Casa de Imigração por conta do governo provincial e logo transportados e encaminhados para a Colônia Alexandra para ocuparem os lotes a eles destinados.

A impressão que tiveram não foi das melhores e o desânimo tomou conta de todos. Esmorecidos, perceberam que a tão sonhada terra prometida não era bem aquilo que eles imaginaram e o que tinha sido apregoado pelos agentes de emigração ainda na Itália. Os seus lotes ficavam muito longe das cidades mais próximas de Morretes e Paranaguá, localizados em terrenos inadequados, alagadiços, arenosos ou muito pedregosos, praticamente inabitáveis e onde não seria possível cultivar.

Logo sentiram que o clima da região era muito diferente daquele que eles estavam acostumados na Itália. Muito calor e umidade que provocavam uma sensação de abafamento. A infestação de mosquitos e outros insetos, causavam doenças, algumas desconhecidas, como o irritante bicho de pé e grandes moscas, que depositavam seus ovos em qualquer parte do corpo e cujas larvas causavam o berne. 

Doenças para eles desconhecidas começaram a surgir entre eles, agravadas pela falta de médicos e de um serviço de saúde. Quando nas maiores emergências apelavam para os curandeiros e aos giustaossi, os quais tinham grande prestígio no meio da população nativa brasileira.

Em pouco tempo a Colônia de Alexandra tinha uma população de 870 habitantes, quando o diretor Savino Tripotti os abandonou, alegando não ter mais recursos para manter funcionando a colônia. 

Enquanto isso os imigrantes italianos continuavam chegando em número cada vez maior. Estes recém chegados ao tomarem conhecimento das condições em que estavam os primeiros que chegaram, se negaram em se instalar na Colônia Alexandra.

O governo provincial foi obrigado rescindir o contrato com o empresário e a criar rapidamente uma outra colônia, em Morretes, que foi denominada Colônia Nova Itália. 

Devido a desorganização interna, o rigor do clima tropical e as duras condições de vida, quase iguais aquelas de Alexandra, a colônia Nova Itália não conseguiu progredir e em pouco tempo também teve o mesmo destino. 

Estação Ferroviária de Morretes




Com o declínio da colônia muitos imigrantes italianos já trabalhavam na construção da estrada ferro Paranaguá - Curitiba como uma opção para ganhar a vida.


Entre os colonos muitos deles tinham uma outra profissão, aprendida ainda na Itália. Haviam, entre outros, carpinteiros, pedreiros, marceneiros, ferreiros, canteiros, alfaiates, sapateiros, que aos poucos se estabeleceram em Morretes e Paranaguá.


No livro n° 239 intitulado "Livro de Contas de Colonos de Morretes - 1878", encontram-se registrados muitos nomes de imigrantes italianos que ali se fixaram, depois de uma passagem pelas colônias: Lazarotto Pietro, Taverna Giacomo, Trevizan Giuseppe, Simioni Giovani, Mocelin Adamo, Mottin Giovani, Maschio Francesco e outros. Alguns registros nesse livro apontam que para esses imigrantes o Governo Provincial havia entregue ferramentas, utensílios de trabalho e alimentos.


Mesmo depois do declínio da Colônia Nova Itália muitos desses imigrantes continuaram trabalhando na construção da estrada de ferro, outros, a grande maioria, subiram a Serra do Mar e se fixaram nas terras férteis e de clima ameno, nos arredores de Curitiba.



Dr. Luiz Carlos B. Piazzetta
Erechim RS